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28 de jan. de 2015

Depois de adiamentos Petrobras publica balanço: lucro cai 38%; mesmo sem computar perdas com corrupção

BRASIL – Petrolão
Depois de adiamentos Petrobras publica balanço: lucro cai 38%; mesmo sem computar perdas com corrupção
Atacada pelos vírus da incompetência e da corrupção, a Estatal continua na UTI. Dos sete segmentos de negócio da Petrobras, seis tiveram prejuízo operacional. O segmento de Exploração & Produção, o único a registrar saldo positivo, mesmo assim, teve um lucro líquido 6% menor do que o registrado no trimestre anterior.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Em comunicado divulgado com o balanço, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, reconhece a necessidade de ajustes e tenta explicar o inexplicável

Postado por Toinho de Passira
Baseado em reportagem de Samantha Lima
Fonte: Folha de S. Paulo

A Petrobras divulgou na madrugada desta quarta-feira (28), após dois adiamentos, o balanço com os resultados do empresa no terceiro trimestre de 2014. A estatal viu seu lucro despencar 38% no período, em comparação com o trimestre anterior, de R$ 4,9 bilhões para R$ 3,1 bilhões. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o lucro caiu 9%.

O valor, contudo, não contabiliza o dinheiro perdido em desvios investigados na Operação Lava Jato e nem a perda de valor recuperável de alguns de seus ativos por efeito do escândalo de corrupção. A companhia atrasou o balanço desde 14 de novembro justamente para a realização de tal ajuste.

As ações da petroleira repercutem negativamente os números na BM&FBovespa. Os papéis preferenciais, mais negociados e sem direito a voto, despencavam 9,34%, às 10h27 (de Brasília), para R$ 9,22 cada um. Já os ordinários, com direito a voto, tinham desvalorização de 8,81%, para R$8,79.

A estatal afirma em balanço que a metodologia que adotou para descontar o valor incorporado indevidamente como investimento, mas desviado em esquema de corrupção entre 2004 e 2012, mostrou-se "inadequada" e, por isso, recuou da promessa de subtrair o valor de seus ativos. A fórmula, diz a Petrobras, tinha "elementos que não teria relação direta com pagamentos indevidos".

Em comunicado divulgado com o balanço, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, reconhece a necessidade de ajustes, mas diz que é "impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da Companhia."

No documento, Foster disse que a fórmula criada, e posteriormente desprezada, para calcular a extensão dos desvios apontaria a necessidade de ajuste de R$ 88,6 bilhões em seus ativos.

DECISÃO

A decisão de não aplicar a fórmula foi tomada após reunião do conselho de administração da empresa durante toda a terça-feira, em que as inconsistências foram apontadas. A estatal diz que vai "aprofundar" outra metodologia, pedindo informações à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e sua equivalente americana SEC (Securities and Exchange Commission).

Segundo as normas contábeis, os valores que a empresa decidir lançar como perda, quando o fizer, serão abatidos dos ativos. Parte dele, ainda impossível de definir, será lançada como despesa no trimestre em que ocorrer, jogando o lucro do período para baixo.

Como a Petrobras não fez o ajuste prometido, a empresa alerta que os números serão passíveis de revisão. O comunicado diz que a fórmula adotada ia realizar um ajuste "composto de diversas parcelas de natureza diferente, impossíveis de serem quantificadas individualmente", como câmbio, projeções de preços e margens de insumos e de produtos vendidos, entre outros.

SEM AVAL

O balanço auditado deveria ter sido apresentado até 14 de novembro de 2014, mas não recebeu o aval da empresa de auditoria PwC (PricewaterhouseCoopers) –a legislação do mercado de capitais exige essa auditoria.

Depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar, fez a PwC se recusar a assinar o documento até que o efeito da corrupção nos negócios da estatal fosse conhecido e eliminado.

Com isso, a Petrobras se viu obrigada a reavaliar os ativos construídos pelas empreiteiras denunciadas por Costa e, desde dezembro, impedidas de fechar contratos com a estatal.

O balanço apresentado nesta quarta não atende à lei, mas atende a exigência de credores de parte de sua dívida, que, por contrato, poderiam exigir o vencimento antecipado dos débitos em 30 de janeiro, caso não tivesse um balanço, ainda que não auditado.

DESPESAS

A empresa atribui a queda do lucro no 3º trimestre às "maiores despesas operacionais, principalmente pela baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I e Premium II [no Maranhão e no Ceará]", estimadas em R$ 2,7 bilhões.

O documento aponta ainda perdas com PIS/Cofins recolhido indevidamente entre 1999 e 2002. Ao todo, a despesa financeira líquida da Petrobras no trimestre foi de R$ 972 milhões, R$ 32 milhões a mais do que no trimestre anterior.

O Ebitda, indicador de geração de caixa, caiu 28%, de R$ 16,246 bilhões para R$ 11,735 bilhões, entre o segundo e o terceiro trimestre de 2014. No último trimestre de 2013, o lucro havia sido de R$ 7,69 bilhões.

O indicador dívida/Ebitda, um dos considerados pelo mercado para avaliar o nível de endividamento, cresceu entre o segundo e o terceiro trimestre, de 3,92 para 4,63.

A meta de Graça Foster era reduzi-lo para 2,5 até 2015, indicador considerado pelas agências de classificação de risco para manter uma empresa como "grau de investimento". Companhias com tal classificação pagam menos juros ao mercado quando precisam captar dinheiro.

PREJUÍZO

Dos sete segmentos de negócio da Petrobras, seis tiveram prejuízo operacional. O ramo de Abastecimento da companhia registrou piora ante o segundo trimestre do ano, com perda de R$ 5,180 bilhões, contra R$ 3,883 bilhões no período anterior. No ano, o resultado desfavorável já contabiliza R$ 13,871 bilhões.

Já o ramo de Gás & Energia da estatal registrou no terceiro trimestre prejuízo de R$ 271 milhões, ante um lucro de R$ 702 milhões no segundo trimestre. No acumulado do ano, o segmento registrou um saldo positivo de R$ 946, ante R$ 1,262 bilhão em 2013.

Já o ramo de biocombustíveis da estatal ampliou as perdas de R$ 66 milhões no segundo trimestre para R$ 89 milhões no período subsequente.

O segmento de Exploração & Produção foi o único a registrar saldo positivo, com lucro líquido de R$ 10,131 bilhão. O resultado, no entanto, é 6% menor do que o registrado no trimestre anterior, de R$ 10,793. No ano, o segmento registra lucro líquido de R$ 31,578 bilhões.

13 de dez. de 2014

No meio do tiroteio, Petrobras resolve aumentar o preço do gás de cozinha, dando mais combustível a inflação

BRASIL – Economia
No meio do tiroteio, Petrobras resolve aumentar o preço do gás de cozinha, dando mais combustível a inflação
Surpreendentemente a decisão da petrolífera brasileira vai de encontro aos preços internacionais do GLP que estão em queda desde setembro. Provavelmente teremos o gás de cozinha mais caro do planeta.

Foto: Givaldo Barbosa /Agência O Globo/VEJA

A CARA DA PETROBRAS - Graça Foster, com seu visual apocalíptico, simboliza perfeitamente a Petrobras de hoje.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Radar Online

Nos tempos do regime militar a esquerda inventou, em certa ocasião, que um general havia proposto aumentar o preço do leite no dia das crianças. Queria creditar aos militares uma inoportuníssima insensibilidade política.

Pois bem, no meio desse furacão, as vésperas do Natal, a Petrobras resolveu aumentar, a partir de hoje, o preço da venda do GLP (o gás de cozinha) no granel – modalidade de consumo de comércios, indústrias e condomínios residenciais. O percentual de reajuste será em torno de 15%, no Rio de Janeiro, e de 18% em São Paulo.

O mais surpreendente e prosaico dessa decisão é que a decisão da petrolífera brasileira vai de encontro aos preços internacionais do GLP que estão em queda desde setembro. No mês passado, atingiram um patamar abaixo do preço cobrado pela Petrobras – a média da tonelada de GLP vinda do Golfo do México, por exemplo, sai hoje 14% mais barata do que a produzida pela encrencada estatal brasileira.

Com a alta, a distância de preços aumentará ainda mais, podendo alcançar até 30% acima do cobrado no mercado internacional. Provavelmente teremos o gás de cozinha mais caro do planeta. Seria oportuno perguntar se a alta visa cobrir o rombo causado pela corrupção gerida pelos diretores da estatal, presidida por Graça Foster, ou querem apenas testar a paciência dos brasileiros?

Como cereja do bolo, especialistas preveem que o aumento terá forte impacto na já desenfreada inflação brasileira.

Feliz Natal e prospero ano novo!

12 de dez. de 2014

Gerente da Petrobras comprova que alertou os três últimos presidentes sobre os desvios na empresa

BRASIL – Lava Jato
Gerente da Petrobras comprova que alertou os três últimos presidentes sobre os desvios na empresa
Desde 2008, a gerente Venina Velosa da Fonseca, desconfiou de desvios na empresa, e enviou diversos emails alertando, sem obter retorno, tanto aos então presidentes Gabrielli e Jaques Wagner, como a atual Graça Foster. Segundo conta, a funcionária incômoda, perdeu poder, foi ameaçada e acabou sendo transferida para Singapura, onde encontrou outras irregularidades

Foto: Divulgação

Gerente, Venina Velosa, já convocada, apresentará ao Ministério Público Federal, em Curitiba, emails e documentos que comprovam alertas ignorados pela direção da estatal

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Juliano Basile
Fontes: Valor Economico, Folha de São Paulo,

Defendida pela presidente Dilma Rousseff, a atual diretoria da Petrobras recebeu diversos alertas de irregularidades em contratos da estatal muito antes do início da Operação Lava-Jato, em março deste ano, e não apenas deixou de agir para conter desvios que ultrapassaram bilhões de reais como destituiu os cargos daqueles que trabalharam para investigar as ilicitudes e chegou a mandar uma denunciante para fora do país.

As irregularidades foram comprovadas através de centenas de documentos internos da estatal a que teve acesso o jornalista Juliano Basile, do jornal Valor Econômico. Elas envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma escalada de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

As constatações de problemas nessas áreas foram comunicadas para a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento e é, 'ironicamente', responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal.

Para Graça foram enviados e-mails e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. A presidente foi informada a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa, e de aditivos na Abreu e Lima, envolvendo o "pool" de empreiteiras da Operação Lava-Jato. Em 2014, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência.

Cosenza, que em depoimento à CPI mista da Petrobras, em 29 de outubro passado, declarou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal em seus 34 anos na empresa, também recebeu, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

As advertências de que os cofres da Petrobras estavam sendo assaltados partiram de uma gerente que foi transferida para a Ásia. Venina Velosa da Fonseca está na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. Ela começou a apresentar denúncias quando era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 20009. Afastada da estatal, em 19 de novembro, Venina vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Lava-Jato.

As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços - chamados de ZPQES no jargão da estatal - atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento.

Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria "derrubar todo mundo". Em seguida, Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões. Dois fornecedores de serviços tinham o mesmo endereço. São as empresas R. A. Brandão Produções Artísticas e Guanumbi Promoções e Eventos. Ambas na rua Guanumbi, 628, em Jacarepaguá, no Rio.

O caso foi remetido para a Auditoria. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia.

Paralelamente aos problemas na área de comunicação com contratos milionários sem execução de serviços, Venina verificou uma escalada nos preços para as obras em Abreu e Lima que elevou os custos para US$ 18 bilhões e fomentou dezenas de aditivos para empreiteiras. Os contratos para as obras na refinaria continham cláusulas pelas quais a Petrobras assumia os riscos por eventuais problemas nas obras e arcava com custos extras. Para executá-las, eram feitos aditivos e as empreiteiras suspeitas de cartel no setor venceram boa parte das concorrências.

Apenas na fase 2 das obras da refinaria havia a previsão de contratações de US$ 4 bilhões junto a empreiteiras. Num ofício de 4 de maio de 2009, Venina criticou a forma de contratação que, em pelo menos quatro vezes naquela etapa, dispensou as licitações e, em várias ocasiões, beneficiou as empresas da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), entidade que tem firmas acusadas na Lava-Jato como associadas, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal. "Entendemos que não devemos mitigar o problema, mas resolvê-lo pela adoção de medidas corretas, ou seja, com o início das licitações em Abreu e Lima", disse a gerente.

Presidente Dilma e Graça Foster, em Suape, num dos eventos de assinatura de contratos para a construção da Refinaria Abreu e Lima
Documento interno da Petrobras de 2009 mostra que Venina fez 107 Solicitações de Modificação de Projetos (SMPs), o que resultaria numa economia de R$ 947,7 milhões nas obras da refinaria. Mas as sugestões da gerente não foram aceitas.

Outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula chamada "single point responsibility" nos contratos pela qual a construtora se tornaria responsável por eventuais problemas nas obras da refinaria, devendo arcar com os gastos. Mas a área de Serviços, comandada, na época, por Renato Duque, manteve os contratos no formato antigo, sem essa cláusula, transferindo os ônus para a estatal. Duque foi preso pela Polícia Federal na Lava-Jato e Pedro Barusco, seu ex-subordinado na estatal, que também é citado em vários documentos, fez um acordo de delação premiada para devolver US$ 97 milhões obtidos no esquema.

As obras de terraplanagem da refinaria levaram a gastos exponenciais. Elas foram contratadas, em junho de 2007, por R$ 429 milhões junto a um consórcio formado por Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Norberto Odebrecht. Em seguida, vários aditivos foram autorizados pela Diretoria de Engenharia da Petrobras e assinados por Cosenza, presidente do Conselho da Refinaria. Um e-mail mostra que ele foi alertado sobre o aumento nos custos das obras de terraplanagem em Abreu e Lima.

O desgaste de fazer as denúncias e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto, em outubro de 2009. No mês seguinte, a fase 3 de Abreu e Lima foi autorizada. Em fevereiro de 2010, a geóloga foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. Chegando lá, lhe pediram que não trabalhasse e foi orientada a fazer um curso de especialização.

Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu para Graça Foster, na época, diretora de Gás e Energia: "Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha". "Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência".

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça. "Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo", completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório.

Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers. As unidades da estatal no exterior recebem óleo combustível feito no Brasil e fazem a mistura com outros componentes para atender à exigências de qualidade para vendê-los a outros países. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado.

Copias dos emails da gerente
Além desse problema de medição das quantidades de combustível, Venina verificou outro fato ainda mais grave. Negociadores de bunkers estavam utilizando padrões anormais para a venda à estatal. Eles compravam bunkers a um preço e revendiam a valores muito maiores para a Petrobras. A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers com "fortes evidências" de desvios. Mesmo após a denúncia dessas práticas, esses negociadores não foram descredenciados. Pelo contrário, eles mantiveram privilégios junto à estatal, como garantia de vendas para a Petrobras mesmo quando estavam ausentes ou em férias.

Esses problemas da Petrobras no exterior foram comunicados em outro e-mail a Cosenza, em 10 de abril de 2014. Nele, está escrito que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustível. Esse percentual equivale a milhões de dólares, considerando que apenas o escritório de Cingapura pagou dividendos de US$ 200 milhões, em 2013. O lucro líquido da unidade atingiu US$ 122 milhões até outubro deste ano. Novamente, não houve resposta por parte do diretor sobre o que fazer com relação a perdas de milhões de dólares.

Na tentativa de obter uma orientação da direção da estatal, Venina fez, em 27 de maio, uma apresentação na sede da Petrobras, no Rio, sobre as perdas envolvendo a comercialização de combustível no exterior. Nela, foi alertado que a prática se disseminou pelas unidades da estatal, atingindo vários países. Em junho, Venina propôs a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios da empresa no exterior. Nada foi feito.

Uma última mensagem sobre o assunto foi enviada em 17 de novembro. Dois dias depois, a direção da Petrobras afastou Venina do cargo. Após fazer centenas de alertas e recomendações sobre desvios na empresa, ela foi destituída pela atual diretoria, sem saber qual a razão, ao lado de vários funcionários suspeitos na Operação Lava-Jato. A notícia lhe chegou pela imprensa, em 19 de novembro.

Um dia depois, a geóloga escreveu um e-mail para Graça Foster. "Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive." A geóloga não detalhou no e-mail para Graça o que aconteceu, mas teve a arma apontada para si, no bairro do Catete. Não lhe levaram um tostão, mas houve a recomendação de que ficasse quieta.

"Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão", continuou.

Em seguida, ela reitera que se opôs ao esquema de aditivos na Abreu e Lima. "Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida", disse, referindo-se a Costa.

"Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (...). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir." A geóloga termina a mensagem fornecendo seu telefone a Graça, que jamais ligou.

O Valor Econômico conclui a reportagem dizendo que perguntou à Petrobras quais providências foram tomadas com relação às denúncias, mas a estatal não respondeu.

19 de nov. de 2014

Graça Foster faz as vezes de maestro de Titanic

BRASIL – Operação Laja Jato
Graça Foster, presidente da Petrobras,
faz as vezes de maestro de Titanic
Graça Foster, diante da gravidade da situação, teve que aparecer com alguma novidade para demonstrar uma tentativa de reação, estranho que tenha falado aos jornalista ao lado de diretores da Petrobras, entre eles o atual titular da área de Abastecimento, José Carlos Cosenza, que foi denunciado pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef como beneficiário de propinas de empreiteiras.

Foto: Fabio Motta/Estadão

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte: Blog de Josias de Souza

Afundada em corrupção, a Petrobras acredita ter encontrado uma saída para a mais grave crise de toda a sua história. A companhia estuda criar uma nova diretoria. Vem aí a diretoria de governança. Terá a missão de zelar pelo “cumprimento de leis e regulamentos”, informou Graça Foster. Vendida como “a mais importante das ações” da estatal para superar a crise, a provável criação do novo cargo se assemelha à ordem do maestro do Titanic para que a orquestra continuasse tocando enquanto o transatlântico afundava.

Graça Foster comunicou a novidade aos jornalistas do lado de diretores da Petrobras. Entre eles o atual titular da área de Abastecimento, José Carlos Cosenza. Que foi denunciado pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef como beneficiário de propinas de empreiteiras. “Entendemos que [a nova diretoria de governança] é algo importante e até certo ponto urgente para a companhia'', disse Graça. Por mal dos pecados, documento da PF relaciona indícios de que a água invade os trombones dos músicos que deslizam pelo salão da maior estatal brasileira.

No dizer da PF, o esquema de propinas “apresenta continuidade mesmo após a demissão do então diretor Paulo Roberto Costa”, hoje um corrupto confesso e delator premiado. Os investigadores varejam pagamentos feitos em 2014. A caminho do fundo, Graça Foster finge não notar que o desnível acentuado do chão do navio não decorre da qualidade do champanhe.

Os repórteres perguntaram a Graça Foster sobre o destino de Sérgio Machado. Apadrinhado de Renan Calheiros, ele teve de se licenciar da presidência da Transpetro por exigência de uma empresa de auditoria externa. A licença expira em 4 de dezembro. Vai voltar? Segundo Graça, a decisão é do próprio Machado. Hummmm!

Mais um pouco e os partidos do conglomerado governista serão convidados a indicar um apaniguado para o comando da futura diretoria de governança da Petrobras. E Graça, com óleo queimado na altura do nariz: “Toque glub-glub-glub…”

24 de set. de 2014

Ato irregulares fazem auditores do TCU sugerirem suspensão de repasses a obras de refinarias da Petrobras

BRASIL - Suspeição
Ato irregulares fazem auditores do TCU sugerirem suspensão de repasses a obras de refinarias da Petrobras
Servidores identificaram irregularidades, como na refinaria Abreu e Lima (PE) com custo oito vezes maior que o previsto. O primeiro orçamento da refinaria era de US$ 2,3 bilhões. Quando for inaugurada, terão sido gastos mais de US$ 20 bilhões.

Foto: AE

O procedimento que fiscaliza as cláusulas de reajustes dos contratos das refinarias foi aberto em 1º de abril deste ano e tem como responsável investigada a presidente da Petrobras, Graça Foster.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Vinicius Sassine
Fonte: O Globo

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades nos reajustes de contratos de obras de refinarias da Petrobras e pediu a suspensão cautelar dos repasses de dinheiro da estatal para alguns dos empreendimentos, entre eles a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, como consta em relatório preliminar de auditoria cuja votação em plenário está pautada para a sessão desta quarta-feira. A Petrobras usou índices distintos de reajustes para as refinarias em obra, o que levou ao superfaturamento de contratos, conforme o entendimento técnico.

O processo, relatado pelo ministro José Jorge, passou a ser o novo foco de preocupação e peregrinação de advogados da estatal no TCU. O procedimento que fiscaliza as cláusulas de reajustes dos contratos das refinarias foi aberto em 1º de abril deste ano e tem como responsável investigada a presidente da Petrobras, Graça Foster.

O processo integra o Fiscobras 2014, que investiga os repasses de recursos federais em obras públicas com o objetivo de subsidiar o Congresso Nacional na elaboração do Orçamento Geral da União. O TCU, ao fim desse procedimento, faz recomendações de paralisação ou de continuidade das obras, conforme os índices de gravidade. A decisão final é dos parlamentares.

Em quase cinco meses de auditoria, a área técnica do tribunal analisou 52 contratos referentes a projetos de refinarias da Petrobras em andamento. Estão em obras Abreu e Lima, em Pernambuco; o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); a Premium 1, no Maranhão; e a Premium 2, no Ceará. A partir do relatório de auditoria, o ministro José Jorge elaborou o voto a ser apresentado em plenário, o que está previsto para a sessão desta quarta.
Se o relator e a maioria dos demais ministros concordarem com a suspensão dos repasses a Abreu e Lima, a Petrobras corre o risco de não cumprir a promessa de inaugurar a refinaria já no próximo mês de novembro. José Jorge não fala a respeito do processo. Tanto o relatório técnico quanto o voto podem ser alterados.

Advogados da Petrobras compareceram ao gabinete do ministro na segunda-feira e hoje, como parte da estratégia para derrubar os argumentos da unidade técnica. Os defensores jurídicos da estatal já informaram quem fará a sustentação oral em plenário e entregaram a defesa por escrito. O ponto central sustentado pelos advogados é a inexistência de qualquer tipo de superfaturamento por conta de eventuais índices discrepantes usados em contratos de obras de refinarias.

Foto: Arquivo

Dilma ao lado de Graça Foster em cerimônia em Suape, PE, onde está sendo construída a superfaturada Refinaria Abreu e Lima

A refinaria de Abreu e Lima é o projeto da Petrobras mais fiscalizado pelo TCU, com 23 processos abertos pelo tribunal – 12 ainda estão em curso. Auditorias já apontaram um superfaturamento de R$ 1,1 bilhão nos contratos da refinaria. O primeiro orçamento da refinaria era de US$ 2,3 bilhões. Quando for inaugurada, terão sido gastos mais de US$ 20 bilhões.

O suposto esquema de desvio de recursos e pagamento de propinas montado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ocorreu a partir dos contratos superfaturados de Abreu e Lima, conforme as investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Lava-Jato. Costa, preso no Paraná, está em processo de delação premiada, acertado com o MPF.

O TCU ainda não finalizou a análise do processo sobre o bloqueio de bens de diretores e ex-diretores da Petrobras apontados como responsáveis por um prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

A maioria dos ministros já votou para livrar Graça da medida, mas uma decisão definitiva ainda não ocorreu por conta de um pedido de vista do ministro Aroldo Cedraz. A partir da conclusão desse recurso, serão abertas as tomadas de contas especiais para apurar as responsabilidades e tentar o ressarcimento de recursos aos cofres da estatal.

8 de jun. de 2013

Ministério Público Federal investigará Petrobras por evasão de divisas e peculato

BRASIL - Corrupção
Ministério Público Federal investigará Petrobras
por evasão de divisas e peculato
O MPF diz que o fato de a Petrobras ter desembolsado 1,18 bilhão de dólares para a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que, há oito anos, custou à sua ex-sócia 42,5 milhões de dólares "revela possível compra superfaturada de ações pela Petrobras". Na esteira também se investigará um contrato supostamente superfaturado entre a Petrobras e a Odebrecht. Graça Foster, atual presidente e José Sergio Gabrielli, ex-presidente, serão intimados a depor

Foto:

Refinaria da Petrobras, em Passadena, Texas, EUA

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Estadão, Valor Economico, O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) no Estado do Rio de Janeiro instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar infrações na compra da refinaria de Pasadena (Texas, EUA) pela Petrobras. A portaria fala em possível evasão de divisas e peculato, por indício de superfaturamento.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, foi intimada a depor. Também foram intimados dirigentes que estavam no comando da companhia na época em que o negócio foi feito: o ex-presidente José Sergio Gabrielli, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o ex-diretor de Internacional, Nestor Cerveró.

A portaria é assinada pelo procurador da República Orlando Monteiro Espíndola da Cunha. O procurador também pede uma série de documentos à companhia, incluindo os contratos com a Odebrecht Engenharia Industrial, que contemplam serviços em Pasadena. Após uma auditoria interna, a Petrobras cortou 43% do valor do contrato de 840 milhões de dólares fechado com a Odebrecht na gestão de Gabrielli. Ele previa a prestação de serviços para a petroleira em dez países.

Graça Foster, presidente da Petrobras, segundo a Forbes, a mulher de negócio mais poderosa do Brasil e a 18° mulher mais influentes do mundo.
Serão apurados tanto o acordo com a construtora quanto a aquisição de Pasadena por valor acima do de mercado.

O MPF diz que o fato de a Petrobras ter desembolsado 1,18 bilhão de dólares para a compra de uma refinaria que, há oito anos, custou à sua ex-sócia 42,5 milhões de dólares "revela possível compra superfaturada de ações pela Petrobras". E que o teor da representação oferecida ao MPF neste ano pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União relata "ocorrência de fatos capazes de configurar (possível) delito de evasão de divisas".

"Se houve superfaturamento, tem de ficar esclarecido, assim como o motivo", disse Espíndola. "Em tese, dirigentes que participaram podem ter se beneficiado". A investigação pode acarretar uma denúncia à Justiça Federal. Peculato é o crime em que se enquadra desvio de recursos por funcionários públicos. Evasão de divisas é crime contra o sistema financeiro, passível de prisão.

O episódio também é investigado, paralelamente, pela secretaria do Tribunal de Contas da União (TCU) no Rio - e está sob relatoria do ministro José Jorge, em Brasília. O caso chegou ao ministro do TCU e ao Ministério Público após investigação e representação feita pelo procurador Marinus Marsico.

Depois de encerrado seu relatório, Marsico considera que a transação em torno da refinaria foi "um fracasso retumbante" e que o melhor seria a Petrobras assumir o prejuízo, em vez de investir ainda mais na refinaria. Graça decidiu tentar, com investimentos adicionais, de montante não revelado, recuperar o valor da planta antes de vendê-la.

"Continuo acompanhando o caso. Se for surpreendido com novos indícios (que indiquem prejuízo ao patrimônio público), estudarei a viabilidade de interpor medida cautelar no TCU para que tal fato não ocorra, em defesa da União, principal acionista", disse Marsico, procurador do MP junto ao TCU.

Procurada, pelo Estadão, a Petrobras não se manifestou a respeito.


No fim se sabe que se maracutaia houve, e tudo indica que sim, aconteceu na gestão de José Sergio Gabrielli. Graças Foster, por enquanto, está segurando a onda. Mas se o bicho pegar mesmo ela entregará Gabrielli de bandeja. Será um escândalo monumental, o economista Gabrielli é um nome muito próximo de Lula, poderoso dentro do Partido dos Trabalhadores e candidatíssimo a sucessão de Jaques Wagner, ao governo da Bahia.

14 de abr. de 2013

O capitalismo de compadrio entrou em cena, de Elio Gaspari, para O Globo

BRASIL - Opinião
O capitalismo de compadrio entrou em cena
”Diante das dificuldades do bilionário brasileiro, surgiram duas linhas de argumentação defendendo um socorro da Viúva. Quase todas vindas da privataria, outras, do comissariado”.

Foto: Daniel Marenco/Folhapress

MAIOR CLIMÃO - O empresário Eike Batista e a presidente Dilma Rousseff . Até onde irá o ex-marido de Luma de Oliveira, para salvar as suas empresas?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Elio Gaspari , para O Globo
Fonte: Blog do Noblat

Quem comprou um lote de ações da OGX de Eike Batista quando ela foi lançada, em 2008, pagou R$ 1.200. Hoje ele vale R$ 150. Milhares de pessoas tomaram esse tombo, sem que houvesse uma crise na economia ou cataclismo. Pequenos e grandes investidores acreditaram num negócio e deram-se mal. Assim é o mercado.

Diante das dificuldades do bilionário brasileiro, surgiram duas linhas de argumentação defendendo um socorro da Viúva. Quase todas vindas da privataria, outras, do comissariado.

Numa, Eike Batista deve ser amparado para evitar que suas dificuldades comprometam a imagem do Brasil junto ao mercado de investidores internacionais.

Ou então ele deve receber alguma proteção para evitar um risco sistêmico.

O primeiro argumento é uma falsidade. Imagine-se um investidor americano, em seu escritório de Chicago, recebendo a informação de que o governo brasileiro amparou o empresário que em 2011 foi listado como o homem mais rico do país, com US$ 30 bilhões, e anunciou que pretendia ser o primeiro do mundo.

Ele tem grandes empreendimentos, mantém uma Mercedes SLR McLaren atrás de uma vidraça de sua sala de estar e disputou num programa de televisão a lingerie que pertencera a sua mulher. Já veio a público defender o seu direito de emprestar um jatinho para autoridades federais, estaduais e municipais.

Na última campanha do governador Sérgio Cabral, pingou R$ 2 milhões. Noutra, do prefeito Eduardo Paes, botou R$ 500 mil. Ademais, ele tem patrimônio para oferecer ao mercado. O governo ampararia um empresário que em 2007 criticava a falta de “cultura de risco” de seus pares.

O sinal que o investidor estrangeiro recebe é o do triunfo, no Brasil, do capitalismo de compadrio. Ele já viu o fim desse filme na Coreia em 1997, na Espanha em 2008 e na Grécia em 2010.

O segundo argumento, mencionando um “risco sistêmico”, merece ser traduzido: trata-se de usar dinheiro da Viúva para blindar bancos oficiais e privados que emprestaram dinheiro ao grupo EBX, assumindo riscos maiores que os dos acionistas. Típico resgate do andar de cima. Coisa de pelo menos R$ 13 bilhões. Uns R$ 8 bilhões saíram do BNDES e da Caixa, que lidam com recursos públicos. Outros R$ 5 bilhões foram emprestados por banqueiros e fundos que tinham “cultura de risco”.

Imagine-se a seguinte situação: em 2008, Guido Coutinho comprou R$ 1,2 milhão de ações da OGX. Nesse mesmo ano, um grande banco emprestou R$ 120 milhões a uma empresa de Eike Batista. Mais tarde, sem relação com o investimento que fizera, Guido fez um empréstimo de R$ 1,2 milhão no mesmo banco que comprou o “risco Eike”. Hoje, o bom Guido está com R$ 150 mil na sua carteira de ações e, com seu trabalho, tudo paga o que deve ao banco.

Ele sabe que nos próximos anos não recuperará o investimento que fez nas ações, mas o banco que emprestou a Eike quer o seu. Como metade do crédito saiu do BNDES, o capitalismo de compadrio poderá colocar Guido Coutinho no pior dos mundos: perdeu nas ações, pagou o que devia e o dinheiro dos seus impostos, convertido em aportes do Tesouro, seria usado para refrescar os bancos que emprestaram a Eike.

O mesmo acontecerá se, por meio de alguma gambiarra, a Viúva capitalizar as empresas X para fechar a conta com a banca privada.

Fracassada a tentativa de transferir um estaleiro capixaba para a carteira do grupo X, surgiu uma manobra no mercado: a Petrobras pode entrar no empreendimento do porto de Açu. Metade dessa grande obra está pronta, recebeu R$ 4 bilhões de investimentos, emprega oito mil pessoas e tem muito para dar certo.

A doutora Graça Foster informou que a empresa ainda não pensou nesse assunto. Se a Petrobras quiser entrar no Açu, pode-se perguntar por que esse interesse só apareceu agora, já que o projeto existe desde 2007.

Se a estatal se decidir por essa transação, fará bem se exibir uma transparência a que não está habituada, mostrando todos os números aos seus acionistas. O petrocomissariado pode provar que está diante de uma boa ocasião para fechar um grande negócio: basta contratar uma auditoria internacional para referendar sua opinião, mostrando custos e preços.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

31 de jan. de 2013

Problemas de caixa da Petrobras começam a contaminar parceiros

BRASIL -
Problemas de caixa da Petrobras começam a contaminar parceiros
A estatal tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, administradora do pepino

Postado por Toinho de Passira
Texto de Leila Coimbra e Jeb Blount, para a Reuters
Fonte: Reuters

A Petrobras tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada.

Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à Reuters, observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.

Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros.

"Não vou dizer que a Petrobras é inadimplente, mas que está em atraso. Enquanto algumas companhias estão sofrendo, estou confiante que os pagamentos serão feitos", disse à Reuters Fernando Werneck, gestor de um portfólio de fundos creditórios na BI Invest, exclusivos de fornecedores da Petrobras.

Alguns dos fundos de investimento dedicados exclusivamente aos fornecedores da Petrobras registraram aumento da inadimplência.

Os pagamentos em atraso em cinco Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) saltaram 58,6 por cento, para 18,4 milhões de reais, em 31 de dezembro, ante 11,6 milhões de reais em setembro, segundo uma pesquisa da Reuters junto à Comissão de Valores Mobiliários.

O FIDC existe para ajudar a Petrobras a terceirizar o negócio de financiamento aos fornecedores. Fundos de investimento fazem empréstimos às empresas que possuem contratos com a estatal utilizando como garantia os recebíveis junto à Petrobras.

Ao longo dos últimos dois anos a Petrobras aportou cerca de 7 bilhões de reais para ajudar os fornecedores.

A Petrobras negou na noite desta quinta-feira que esteja atrasando pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, e afirmou que não está sofrendo com problemas de caixa.

"Os pagamentos dos compromissos reconhecidos pela Petrobras são realizados de acordo com os prazos estabelecidos contratualmente", disse a Petrobras em nota, reiterando posição manifestada anteriormente pela assessoria de imprensa da empresa à Reuters.

A empresa ainda destacou que "não enfrenta problemas de caixa, cujo saldo ultrapassa 40 bilhões de reais".

PEDIDOS DE FALÊNCIAS

Problemas financeiros já empurraram algumas empresas fornecedoras da estatal menores, como a GDK, a um processo de recuperação judicial. Grandes empresas, tais como a Lupatech, tiveram que vender ativos e levantar capital novo para evitar o pior.

Preocupações sobre como fazer negócios no Brasil, onde a Petrobras é responsável por mais de 90 por cento da produção de petróleo, levaram a uma queda de 34 por cento nas ações da italiana Saipem na quarta-feira.

A empresa prestadora de serviços e equipamentos offshore disse que os problemas do Brasil poderiam ajudar a cortar o seu lucro em 80 por cento em 2013. As concorrentes Subsea 7 e Technip França, ambas também fornecedoras da Petrobras, chegaram a cair mais de 6 por cento na quarta-feira.

O programa de redução de despesas, que visa cortar custos de 32 bilhões de reais no período de 2013 a 2016, foi anunciado no final do ano passado, após a Petrobras ter acumulado nos nove primeiros meses de 2012 mais de 17 bilhões de reais em prejuízo na área de Abastecimento (combustíveis), ao mesmo tempo que tem um plano de cinco anos de investir mais de 200 bilhões de dólares.

Nessa conjuntura que favorece o crescimento do passivo, a agência de classificação de risco Moody's alterou em dezembro para negativo o rating da dívida da companhia.

DIFICULDADE PARA RECEBER

Segundo fontes de empresas que prestam bens e serviços à estatal, a Petrobras tem demorado mais tempo para liberar os aditivos aos contratos.

Nas licitações, as empresas ganhavam oferecendo um orçamento abaixo do valor de mercado e depois recorriam aos aditivos, uma prática comum, já que depois esses aditivos eram liberados com mais facilidade.

"Agora há um rigoroso processo de avaliação por parte da estatal e sempre há a necessidade de mais e mais documentos. Enquanto isso, o dinheiro não sai", disse uma fonte de uma empreiteira de médio porte que presta serviço à Petrobras.

Com a demora na liberação dos pagamentos, as empresas precisam tomar empréstimo de curto prazo, disse a fonte, a custos altos, gerando um desequilíbrio nas contas.

"Em geral tem demorado uns meses a mais. Como dois terços do nosso faturamento depende de contratos com a Petrobras, há um desajuste", disse à Reuters o executivo, na condição de não ter seu nome divulgado.

Algumas empresas têm quase a totalidade das receitas atreladas aos contratos com a Petrobras e podem acabar falindo com o atraso dos pagamentos.

É o caso da Tenace Engenharia, que com 90 por cento de faturamento oriundo da estatal pediu falência no fim do ano passado.

A empresa tinha um grande contrato de construção de uma unidade de gasolina e diesel no Polo de Guamaré, no Rio Grande do Norte. Também prestava serviços para a estatal em Urucu, no Amazonas.

Segundo uma fonte da empresa, a Petrobras não concordou em renegociar aditivos aos contratos. A Tenace enviou um comunicado aos seus credores responsabilizando a estatal pelo seu fechamento, segundo a fonte, que preferiu não ser identificada.

A construtora GDK, também grande fornecedora da estatal, teve o seu pedido de recuperação judicial aprovado no dia 10 de janeiro pela Justiça da Bahia, segundo nota enviada pela empresa à Reuters.

E a construtora Egesa, responsável por parte das obras de uma unidade de fertilizantes da Petrobras, também anunciou recentemente aos seus funcionários e credores que "está passando por uma reestruturação financeira em função do cenário econômico atual".

18 de dez. de 2012

ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS, por Reinaldo Azevedo, para a Veja

BRASIL – Escândalo
ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS
Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo?


EU NASCI ASSIM - Sérgio Gabrielli, corrupto ou incompetente? Eis a questão.
Ou será que acumula?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Reinaldo Azevedo, para site da Veja
Fontes: Blog do Reinaldo Azevedo

É do balacobaco!

Desde que Sérgio Gabrielli, o buliçoso ex-presidente da Petrobras, deixou a empresa, os esqueletos não param de pular do armário. A presidente Dilma Rousseff o pôs para correr. Ele se alojou na Secretaria de Planejamento da Bahia e é tido como o provável candidato do PT à sucessão de Jaques Wagner. Dilma, é verdade, nunca gostou dele, desde quando era ministra. A questão pessoal importa menos. Depois de ler o que segue, é preciso responder outra coisa: o que ela pretende fazer com as lambanças perpetradas na Petrobras na gestão Gabrielli? Uma delas, apenas uma, abriu um rombo na empresa que passa de UM BILHÃO DE DÓLARES. Conto os passos da impressionante reportagem de Malu Gaspar na VEJA desta semana. Prestem atenção!

1.-Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc -por irrisórios US$ 42,5 milhões -Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.

2 - ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 22,5 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1500% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”.

3 - Um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.

Calma! O escândalo mal começou

Se você acha que o que aconteceu até agora já dá cadeia, é porque ainda não sabe do resto.

4 - A Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que…

5 -… a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!

6. - E não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros US$ 700 milhões -Ulalá! Isso foi em 2008 -Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 45 milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo?

7. - É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.

8. - A Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 839 milhões!!!

9. - Depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.

10. - Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões -Trata-se de um dos milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,204bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.

11. - Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão.

12. Diz o procurador do TCU Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.

13 - Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.

ENCERRO

Durante a campanha eleitoral de 2010, o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, fez propaganda de modo explícito, despudorado. Chegou a afirmar, o que é mentira descarada, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a sua gestão, tinha planos de privatizar a Petrobras.

Leram o que vai acima? Agora respondam: quem privatizou a Petrobras? E noto, meus caros: empresas privadas não são tratadas desse modo porque seus donos ou acionistas não permitem. A Petrobras, como fica claro, foi privatizada, sim, mas por um partido. Por isso, foi tratada como se fosse terra de ninguém.
*Acrescentamos foto e legenda a publicação original

23 de ago. de 2012

Dilma é a 3ª mulher mais ponderosa do mundo
– diz a revista Forbes

BRASIL
Dilma é a 3ª mulher mais ponderosa do mundo
– diz a revista Forbes
A revista americana de economia e negócio, colocou Dilma na capa, elogiou a economia brasileira e manteve a presidenta na 3ª colocação, entre as mulheres mais poderosas do mundo, como fez no ano passado.

Foto: divulgação

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Forbes, Estadão, Exame, G1

A revista americana Forbes além de colocar a presidente Dilma Rousseff em 3º lugar, pelo segundo ano consecutivo, em seu ranking anual das mulheres mais poderosa do mundo, colocou a brasileira na capa da edição, que tem circulação mundial.
A chanceler alemã, Angela Merkel, está na primeira colocação, seguida pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ficou em 2º lugar, numa repetição das três primeiras colocadas do ano passado.

A revista americana Forbes é uma das mais importantes publicações de negócios e economia do mundo. Há 95 anos quizenalmente publica artigos sobre finanças, indústria, investimento e marketing. São famosas suas listas, como essa publicada agora, nas quais faz um ranking das pessoas mais ricas dos Estados Unidos e no mundo, além de outras como das celebridades mais bem-pagas e das mulheres mais poderosas.

A lista elencou mulheres envolvidas na política, entretenimento, tecnologia e organizações sem fins lucrativos, entre outros campos. Elas foram classificadas de acordo com influência, quantidade de dinheiro que controla ou ganha, e presença na mídia.

A média de idade das 100 mulheres mais poderosas do mundo segundo a revista, que são de 28 países, foi de 55 anos. Somadas, elas tinham 90 milhões de seguidores no Twitter, disse a Forbes.

Também estão entre os cinco primeiros lugares Melinda Gates, co-presidente da Fundação Bill & Melinda Gates e esposa de Bill Gates, cofundador da Microsoft, e Jill Abramson, editora-executiva do New York Times.

Sonia Gandhi, presidente do Congresso Nacional Indiano, ficou em 6o lugar. A primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, que liderou a lista em 2010, ficou em 7º.

A lista contou com recém-chegadas como a atriz e cantora Jennifer Lopez e Laurene Powell Jobs, viúva do fundador da Apple, Steve Jobs.

Na lista do "thepassiranews" Gisele ocupa sozinha, as dez primeiras posições. Esses caras não entendem nada de mulher ponderosa, onde já se viu Angela Merkel, Dilma Rousseff e Graça Foster serem mais poderosas que Gisele Bundchen?
Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, ficou em 8º. A ex-ministra francesa está na lista desde sua primeira edição, em 2004.

Outras duas brasileiras aparecem na lista, a presidente da Petrobras, Graça Foster, na 20ª posição, e a modelo Gisele Bündchen, na 82ª posição, considerada a “modelo mais poderosa do mundo”.

No texto sobre Dilma, assinado pelos repórteres Alexis Glick e Meghan Casserly, a Forbes afirma que o Brasil está apostando fortemente no empreendedorismo para melhorar a qualidade de vida da população. "Nenhum outro país do grupo Bric (que, além de Brasil, conta com Rússia, Índia e China) equilibra democracia e riqueza generalizada tão bem. Metade da população brasileira agora está na classe média - sua produção, sozinha, supera toda a economia da vizinha Argentina", diz o texto.

A Forbes afirma ainda que o Brasil se tornou um dos países mais empreendedores do mundo, com um em cada quatro adultos trabalhando por conta própria, de alguma maneira. Segundo a revista, a tecnologia é um fator decisivo para esse cenário.

A publicação comenta também que Dilma está fazendo sua parte para manter a tendência positiva, apostando na queda dos juros, na expansão do crédito, nos investimentos em infraestrutura e em cortes de impostos pontuais. "Em outras palavras, um bônus pró-crescimento", diz a presidenta.

A revista cita que, além da alta taxa de aprovação entre a população, Dilma tem o apoio do empresariado brasileiro.

"Nosso governo tem feito reformas substanciais nos últimos anos e Dilma está construindo um ambiente fértil para os investidores", diz o empresário Eike Batista em entrevista para a Forbes. "Ela é corajosa o suficiente para levar o Brasil à frente", acrescenta.

Apesar das medidas que beneficiam o mercado, a Forbes afirma que Dilma não abandonou seu histórico na luta por mais justiça social. "Se você acha que o mercado sozinho foi capaz de tirar 70 milhões de pessoas da miséria, você está errado", comenta a presidenta.

No perfil de Dilma publicada na revista, porém, consta atos e versões, que são rechaçadas como inveridica pela presidenta. A revista fala que 1967, Dilma, sem o conhecimento de sua família, adotou o nome de guerra de Estela e se juntou a uma facção radical que se envolveu em assaltos e carros-bombas.

A revista diz ainda que Dilma e seu segundo marido, o advogado Carlos Araújo, membro do Partido Comunista Brasileiro, participaram do assalto ao cofre (do político paulista Ademar de Barros), que guardava US $ 2,5 milhões, e que o dinheiro foi utilizado para financiar ações políticas, contra o regime militar.

20 de ago. de 2012

"A Petrobrás com Graça e Gabrielli", por Suely Caldas

BRASIL – Economia - Opinião
A Petrobrás com Graça e Gabrielli
"Um breve resumo dos estragos: entre agosto de 2008 e dezembro de 2011, o valor de mercado da Petrobrás caiu de US$ 303,6 bilhões para US$ 155,4 bilhões, um tombo de quase 50%. Recentemente, ela perdeu para a colombiana Ecopetrol o título de maior empresa da América Latina. Desde 2010, perdeu para a Vale outro título, o de maior exportadora do Brasil. E, no balanço do trimestre abril/junho, amargou o primeiro prejuízo em 13 anos".

Foto: Agência Estado

O ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, deixou esqueletos que Graça Foster começa a desmanchar

Postado por Toinho de Passira
Texto de Suely Caldas
Fonte: O Estado de S.Paulo

Alvo de críticas e ataques à sua gestão, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli veio a público se defender. A mudança de diretores e a revisão de metas irrealistas e de investimentos apresentados por sua sucessora no plano estratégico da empresa (na verdade, um choque de realidade) suscitaram dúvidas em relação à sua gestão. Acusado de deixar esqueletos que Graça Foster começa a desmanchar, o futuro candidato do PT ao governo da Bahia decidiu falar e dar sua versão sobre os fatos. Não convenceu.

Nem poderia. Sua candidatura morreria antes de nascer, se ele identificasse a verdadeira causa dos problemas: a intensa crise de confiança vivida pela estatal, sobretudo nos oito anos do governo Lula, dos quais Gabrielli esteve à frente da gestão por cinco anos e meio. Essa crise, que atende pelo nome de "interferência política nos negócios", produziu um custo muito alto para a Petrobrás e seus acionistas e frustrou os brasileiros com o orgulho pela empresa abalado.

Um breve resumo dos estragos: entre agosto de 2008 e dezembro de 2011, o valor de mercado da Petrobrás caiu de US$ 303,6 bilhões para US$ 155,4 bilhões, um tombo de quase 50%. Recentemente, ela perdeu para a colombiana Ecopetrol o título de maior empresa da América Latina. Desde 2010, perdeu para a Vale outro título, o de maior exportadora do Brasil. E, no balanço do trimestre abril/junho, amargou o primeiro prejuízo em 13 anos.

Feitos também ocorreram na gestão Gabrielli. Afinal, com competência técnica, geólogos e engenheiros escreveram e continuam escrevendo uma história de sucesso para a Petrobrás ao longo de seus 58 anos. O maior feito foi a descoberta de jazidas gigantes de óleo por onde se estende a rocha salina do pré-sal. Na verdade, a presença de óleo abaixo da rocha já era conhecida dos geólogos desde 2001. O desconhecido era ali existirem reservas gigantescas e que começaram a ser dimensionadas em 2006.

Mas a marca da ruinosa interferência política nos negócios da estatal começou a surgir depois que Lula tomou posse, em 2003. Aliás, o ex-presidente não se preocupou em esconder sua intenção, escancarada no episódio da demissão do físico Luiz Pinguelli Rosa da presidência da Eletrobrás: "Que me desculpe o Pinguelli, mas ele não tem um só voto no Senado", justificou Lula. E o substituiu por Silas Rondeau, apadrinhado do senador José Sarney.

Nas diretorias da Petrobrás fez o mesmo. Partidos da base aliada aliciavam funcionários da estatal e Lula os nomeava. Abortado o mensalão em 2005, Lula reforçou o uso de cargos públicos na barganha com a base aliada. Fez isso com todas as estatais. O resultado em desvios de dinheiro e outras práticas corruptas pode ser percebido pela faxina que Dilma Rousseff apenas começou.

Depois que Graça Foster anunciou a revisão do plano estratégico e trouxe números, metas e investimentos à realidade, as ações da Petrobrás reverteram a queda na Bovespa e começaram a valorizar. Mesmo depois de anunciado o prejuízo de R$ 1,346 bilhão do balanço.

A substituição de diretores políticos por funcionários escolhidos por mérito; o reconhecimento no balanço da sangria (não revelada por Gabrielli) de R$ 2,7 bilhões aplicados em 41 poços secos ou improdutivos; o reajuste de preço de derivados há anos congelados e fonte de prejuízos crônicos; e o adiamento ou cancelamento de investimentos políticos, cuja localização Lula definia com governadores amigos, são fatos concretos que Graça Foster apresentou ao mercado - com o compromisso de não repeti-los - para tentar derrotar a crise de confiança, a descrença em relação a uma gestão de qualidade técnica no futuro e que contribuíram para valorizar os papéis da estatal.

Com o respaldo de Dilma Rousseff, Graça tem sinalizado que vai resistir às demandas de interesses e maus negócios propostos por partidos aliados do governo. Resistência que Gabrielli não mostrou. Pelo contrário, em 2006, ele próprio apareceu em programa televisivo do PT aproveitando-se do cargo de presidente da Petrobrás.


28 de mai. de 2012

Petrobras suspendeu encomenda de navios pernambucanos

PERNAMBUCO - ECONOMIA
Petrobras suspendeu encomenda de navios pernambucanos
Após a entrega festiva do petroleiro João Cândido, com atraso de 22 meses, Estaleiro Atlântico Sul (EAS) em Pernambuco, que chegou a empregar 11 mil trabalhadores, está ameaçado, com a decisão da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em suspender o contrato de compra e venda de 16 dos 22 navios encomendados, no valor de R$ 5,3 bilhões. A Transpetro deu um prazo até 30 de agosto para o estaleiro encontrar novo parceiro tecnológico, em substituição à Samsung, que saiu do EAS no início do ano, para reverter a suspensão do contrato.

Foto: Aluísio Moreira/SEI

POLEGARES ERGUIDOS - Presidente da Transpetro, Sergio Machado; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster na cerimônia de lançamento do navio João Candido

Postado por Toinho de Passira
Texto de Adriana Guarda- para o Jornal do Comércio
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original
Fontes: Veja, O Globo, Blog do Jamildo

A festa durou pouco para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). O petroleiro João Cândido mal cruzou a bacia do Porto de Suape, na última sexta-feira, e a Transpetro decidiu suspender o contrato de compra e venda de 16 dos 22 navios encomendados à empresa, com valor de R$ 5,3 bilhões. O estaleiro pernambucano terá até o dia 30 de agosto deste ano para cumprir as exigências da estatal, que incluem o contrato com um parceiro tecnológico para a construção dos navios, um plano de ação e cronograma confiável de entrega das embarcações e um projeto de engenharia para que os petroleiros atendam às especificações do contrato. Se o EAS não conseguir obedecer as exigências até o prazo, os contratos poderão ser rescindidos.

Apesar da comemoração da entrega de seu primeiro navio na sexta-feira passada, os sócios do Atlântico Sul (Queiroz Galvão e Camargo Corrêa) já sabiam da decisão do cliente, que foi tomada dois dias antes. De comum acordo, na última quarta-feira, a estatal e os sócios do empreendimento assinaram o aditivo contratual de suspensão da encomenda.

Do total de 22 navios contratados dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), apenas seis navios ficaram de fora da suspensão, porque ainda estão cobertos pelo contrato de transferência tecnológica entre o EAS e a Samsung Heavy Industries (SHI). Apesar de ter deixado a sociedade no estaleiro em março (detinham 6%), os coreanos já receberam US$ 60 milhões pela parceria técnica e terão que concluir esses seis petroleiros.

Detalhe do caderno de economia do Jornal do Comércio desta segunda-feira

Símbolo da retomada da indústria naval, EAS enfrenta avalanche de problemas:

• Estaleiro e navio começaram a ser construídos simultaneamente. O EAS foi criticado por receber encomenda enquanto ainda era virtual.
• O estaleiro contratou seus principais guindastes de uma empresa falida na China.
• Teve que refazer a compra e atrasou a construção do 1º navio.
• A qualificação da mão de obra foi um dos principais desafios. Chegou a inflar o quadro, atingindo 11 mil funcionários para dar conta das encomendas.
• A coreana Samsung deixou a sociedade em março deste ano e complicou ainda mais a vida do EAS, que enfrenta problemas de gestão.

A decisão da Transpetro coloca o EAS numa situação financeira ainda mais caótica. Durante o período de suspensão não serão aportados recursos na construção dos navios. Em nota encaminhada à imprensa a estatal também informa que não será responsável por custos incorridos pelo estaleiro em decorrência da suspensão. Em 2011, o Atlântico Sul amargou um prejuízo de R$ 1,4 bilhão e os sócios foram obrigados a fazer vários aportes para manter a operação do empreendimento.

Além de um parceiro tecnológico, o EAS espera atrair um sócio que compre participação de 30% no empreendimento e faça um aporte de US$ 400 milhões para salvar o fluxo de caixa da empresa.

Uma fonte do grupo dos sócios diz que as negociações estão acontecendo com três players japoneses do setor: Ishikawajima-Harima, Mitsui e Mitsubishi.

Segundo informações do mercado, o EAS também estaria em conversas avançadas com a empresa polonesa Remontowa e a companhia de engenharia LMG. A Remontowa entraria com tecnologia, e a LMG, com projetos.

Procurado ontem pela reportagem, o EAS disse que ainda vai avaliar se o pronunciamento sobre o assunto será feito pela diretoria do empreendimento ou pelos sócios.

Foto: Aluísio Moreira/SEI

DISCURSO DE EDUARDO CAMPOS - "São centenas de filhos de cortadores de cana-de-açúcar que entregam o maior e melhor navio feito pelo talento do povo brasileiro", disse o governador diante dos 5 mil funcionários do EAS, que agora estão com os empregados ameaçados. Eduardo procurado por jornalistas não quis se pronunciar sobre a suspensão do contrato.

O silêncio da presidente da Petrobras Maria das Graças Foster durante a solenidade de entrega do João Cândido, na última sexta-feira, foi um prenúncio dos maus ventos para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Entrou muda e saiu calada, evitando o constrangimento de fazer festa quando, na verdade, se formava uma tempestade.

Graça recebeu carta branca da presidente Dilma Rousseff para pressionar os estaleiros a avançar com as encomendas nacionais. Foi ela quem intermediou a fracassada negociação com os coreanos da Samsung Heavy Industries (SHI), na tentativa de que eles aumentassem de 6% para 30% sua participação no EAS.

Na festa em Suape, deixou o discurso para o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, prestes a deixar a presidência da estatal.

Segundo informações do mercado, Machado estaria com os dias contados na presidência da Transpetro (que ocupa desde o primeiro governo Lula), porque não conseguiu fazer o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) deslanchar. Lançado há 7 anos, o programa que encomendou 49 embarcações a estaleiros brasileiros, com investimento de R$ 10,8 bilhões, só conseguiu entregar dois navios: o Celso Furtado (no Rio, em novembro de 2011) e o João Cândido.

Os dois sofreram grandes atrasos. O petroleiro fluminense com 13 meses e o pernambucano com 20 meses. Fabricar navios no País foi uma das bandeiras do governo Lula e continua sendo na gestão de Dilma, que chegou a ser batizada de madrinha” da indústria naval por seu empenho para fazer emergir o setor, ainda durante o governo de seu antecessor.

Foto: Arquivo

Dilma não quis participar da inauguração que se seguiria da má notícia, mas esteve por aqui participando da inauguração fajuta, há dois anos, durante a pré-campanha presidencial

A decisão de Sérgio Machado de suspender as encomendas do EAS e de criar um sistema de fiscalização dos estaleiros com encomendas seria uma reação, diante das pressões de Graça Foster. Durante a cerimônia no EAS, o ex-senador cearense chegou a afagar a chefe com elogios, repetindo título de madrinha” da indústria naval para ela, que sequer esboçou um sorriso ao ouvir o comentário.

Prestes a completar 9 anos à frente da Transpetro no próximo dia 17, Machado é um dos poucos remanescestes da diretoria da Petrobras pré-Graça Foster. A expectativa era que ele deixasse o cargo logo após a entrega do João Cândido, apesar de sua ligação com o PMDB e de gozar de bom trânsito entre os líderes do partido no Senado.

Em nota encaminhada ontem à imprensa, a Transpetro diz que vai criar o Setor de Acompanhamento dos Processos de Produção (SAP), que terá como função estimular os estaleiros a melhorarem seus padrões de produtividade, a partir de acompanhamento e auditoria de todas as etapas da linha de montagem dos navios. Até agora, a fiscalização estava focada em aspectos de qualidade, prazos e pagamentos. O SAP vai acompanhar o processo de forma mais ampla, apontando gargalos e soluções para que os prazos de construção no Brasil sejam reduzidos progressivamente.

Foto: Guga Matos/JC Images

Funcionários do Estaleiro Atlântico Sul festejam a entrega do navio em Suape

Durante a festa de entrega do João Cândido, Machado se limitou a dizer que o EAS foi multado por conta do atraso na entrega do petroleiro, mas não informou o valor da multa e disse que a diretoria do empreendimento teria 30 dias para justificar os motivos. Pelo contrato, dependendo da argumentação, a penalidade pode ser suspensa ou ter o valor reduzido. O governador Eduardo Campos, que esteve presente em todas as solenidades festivas do EAS, evita comentar as dificuldades da empresa.

Questionado se acreditava que o EAS entregaria os próximos navios com intervalos de até quatro meses (conforme garantiu em seu balanço), o presidente da Transpetro respondeu de forma evasiva. “Não tenho dúvida. O estaleiro tem tecnologia e um povo com coração pulsando para trabalhar. (esses problemas) não vão matar a indústria naval, minimizou. O momento era de festa e ele deixou a má notícia chegar depois aos pernambucanos.