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30 de out. de 2014

A divisão do Banco Central e a subida inesperada dos juros - Míriam Leitão, para O Globo

BRASIL – Economia - Opinião
A divisão do Banco Central
e a subida inesperada dos juros
O BC surpreendeu, poucos esperavam essa decisão, de subir os juros, mesmo que apenas de 0,25 ponto para dar o sinal de que combaterá a inflação. Isso depois de passar todo o período eleitoral sem subir os juros, vendo o índice estourar o teto da meta e a propaganda oficial acusar os concorrentes de estarem defendendo juros altos quando falavam em combater a inflação.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão
Fonte: Blog de Miriam Leitão

O Copom ficou ontem dividido e por boas razões. Quem votou pela manutenção da taxa de juros olhou os sinais de que a economia está fraca e existem várias razões que atrapalham a recuperação da atividade. Quem votou pela alta olhou a inflação acima do teto da meta e o risco de uma elevação dos preços da gasolina. O BC surpreendeu, poucos esperavam essa decisão.

Subiu apenas 0,25 ponto para dar o sinal de que combaterá a inflação. Isso depois de passar todo o período eleitoral sem subir os juros, vendo o índice estourar o teto da meta e a propaganda oficial acusar os concorrentes de estarem defendendo juros altos quando falavam em combater a inflação.

O BC vive, há tempos, o pior dos dilemas da autoridade monetária: inflação elevada com novas pressões inflacionárias; crescimento baixo com pressões recessivas.

Pela inflação, os juros deveriam mesmo subir. A taxa terminará o ano bem perto do teto, mesmo se não houver aumento da gasolina. Os preços da carne e de outros alimentos continuam pesando no indicador. As cotações em queda de algumas commodities como soja, milho e trigo já ajudaram durante o ano, mas o efeito bom acabou. O câmbio está em alta. Tudo isso traz pressão inflacionária.

Pelo nível de atividade, os juros não deveriam subir. Há vários fatores que podem manter o PIB perto de zero. A incerteza sobre o futuro está paralisando os investimentos. E não é apenas a falta de nomes para a área econômica. Para os empresários do setor produtivo não basta a pessoa, é preciso fatos mais concretos para elevar a confiança.

A crise da água está atrapalhando a produção, o preço alto da energia continua incentivando empresas que já têm eletricidade contratada a suspender a produção para vender a energia no mercado à vista. Há especialistas afirmando que a qualidade dos balanços das empresas está se deteriorando rapidamente.

O mercado financeiro pode ter momentos de animação ou de queda, mas continuará volátil. A economia real, no entanto, precisa de algo mais sólido para se animar a retomar investimentos.

Há uma complicação a mais no cenário. Na Petrobras, os gestores têm medo de tomar decisões, assinar liberações, aprovar pareceres. Há receio de decidir algo que amanhã poderá ser contestado. Isso está afetando o ritmo de investimento da nossa maior companhia.

As empresas automobilísticas estão com grande estoque, o que reduz ainda mais o apetite para investir. Como é de hábito do setor, assim que as eleições acabaram as montadoras foram pedir ajuda ao governo. Além da manutenção do IPI baixo, elas querem estímulos às vendas. E ontem mesmo o governo aceitou ajudar. Uma linha de crédito especial será liberada no banco Pan, no qual a Caixa Econômica tem parte, para financiar a compra de carro a juros baixos.

No exterior, o FED — o banco central americano — anunciou o fim do ciclo de estímulo monetário. Eles foram saindo à francesa daquela montanha de US$ 85 bilhões que jogavam mensalmente na economia. Agora, sem essa injeção, a tendência é o dólar continuar subindo. Isso trará mais pressão inflacionária. O nosso Banco Central está com uma posição de quase US$ 100 bilhões de vendas de swaps. Não tem espaço indefinido para continuar usando o mesmo instrumento para evitar a desvalorização do real. Há um limite.

Diante desse quadro, o BC ficou dividido. Venceu o grupo que quis subir juros para dar um sinal de que a política monetária seguirá lutando para derrubar a inflação. Mas três votaram pela manutenção da taxa. Alguns podem interpretar a decisão como um sinal de que o BC, finalmente, terá autonomia no segundo mandato da presidente Dilma. Ainda que isto seja o oposto do que defendia a candidata.
*Acrescentamos subtítulo e foto à publicação original

4 de ago. de 2013

Banco Central decreta liquidação do Banco Rural, o banco do mensalão e do Valerioduto Mineiro

BRASIL - Economia
Banco Central decreta liquidação do Banco Rural,
o banco do mensalão e do Valerioduto Mineiro
Oito anos depois do escândalo do mensalão, o Banco Central fechou o Banco Rural, acusado de envolvimento com o esquema de pagamento de propina a políticos aliados do governo Lula, entre 2003 e 2005. Segundo o BC, a liquidação se deve ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, à existência de graves violações às normas legais e à ocorrência de sucessivos prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores

Foto: Paulo Marcio/Agência Primeiro Plano/VEJA

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Veja

O Banco Central informou nesta sexta-feira que decretou a liquidação extrajudicial do Banco Rural, com sede em Belo Horizonte e que esteve no epicentro do escândalo do mensalão, há oito anos.

De acordo com ato do presidente do BC, Alexandre Tombini, a liquidação se deve ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, à existência de graves violações às normas legais e estatutárias que disciplinam a atividade e à ocorrência de sucessivos prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores quirografários (que não possuem qualquer preferência).

Segundo nota divulgada pelo BC, pesou também a falta de um plano viável para a recuperação da situação do banco. Por extensão, o ato do presidente do BC abrange também as demais empresas do conglomerado: o Banco Rural de Investimentos S.A.; o Banco Rural Mais S.A.; o Banco Simples S.A.; e a Rural Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A assessoria de imprensa do BC informou que, em março de 2013, o conglomerado financeiro Rural detinha 0,07% dos ativos e 0,13% dos depósitos do sistema financeiro (dados de março de 2013). "O Banco Central está tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais de supervisão do sistema financeiro.

O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", trouxe a nota.

Com isso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição. A data de liquidação a ser considerada é retroativa a 3 de julho de 2013. O liquidante nomeado pelo BC é Osmar Brasil de Almeida.

De acordo com dados do Banco Central, o Conglomerado Financeiro Rural, formado pelo Banco Rural de Investimentos S.A.; o Banco Rural Mais S.A.; o Banco Simples S.A.; e a Rural Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, detinha apenas 0,07% dos ativos e 0,13% dos depósitos do sistema financeiro (dados de março de 2013).

Morte anunciada
- A liquidação do banco ocorre após inúmeros baques ocasionados não por crises financeiras ou de crédito, mas pela própria perda de credibilidade da instituição e seu envolvimento com diversos escândalos políticos. Em 1992, os parlamentares que integravam a CPI que investigou o governo Collor concluíram que o Rural "teve um papel decisivo para viabilizar o esquema PC Farias". A instituição era o grande caixa de todo o esquema administrado pelo tesoureiro de Collor.

Na primeira metade da década de 2000, o banco injetou 32 milhões de reais no esquema de corrupção que originou o mensalão, por meio de empréstimos falsos às agências do publicitário Marcos Valério e ao PT.

Valério, ao mesmo tempo em que distribuía dinheiro aos políticos usando a estrutura física e financeira do Rural, também fazia trabalho de lobista, defendendo os interesses do banco junto a políticos beneficiados com o dinheiro sujo. A cúpula do banco foi acusada pelos crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.

O banco também foi peça-chave na engrenagem do esquema de drenagem de dinheiro conhecido como Valerioduto Mineiro. De acordo com o Ministério Público, o Rural emprestava, por meio de operações fraudulentas, dinheiro às empresas de Valério para que investissem na campanha à reeleição do então governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB). Laudos da Polícia Federal indicam que o banco teria ainda ajudado o publicitário a pagar os empréstimos por meio de operações irregulares ou fictícias.

Sem capital
– Nos últimos anos, o Rural foi deixando de operar com crédito consignado e crédito rural – mercado que passou a ser dominado por grandes bancos – e direcionou sua atuação para o crédito a empresas médias. Contudo, a instituição sempre enfrentou problemas para conseguir cumprir com as exigências mínimas de capital determinadas pelo Banco Central, justamente porque os escândalos dificultavam a captação de recursos junto a outras instituições financeiras no Brasil e no exterior.

Entre 2011 e 2012, o Rural teve de fazer várias injeções de capital, totalizando 158 milhões de reais, como forma de assegurar que o índice de capitalização permanecesse acima do nível mínimo requerido pelo BC.

Ao longo do segundo semestre de 2012, sua classificação de risco foi rebaixada pelas agências Moody's e Standard & Poor's para níveis que sugeriam que banco apresentava nível de capital muito baixo.

As agências afirmaram que o Rural apresentava risco elevado de não cumprir com suas obrigações financeiras em decorrência do julgamento do mensalão. "A capacidade interna de geração de receitas do Rural para reabastecer o capital tem sido limitada pelo alto custo de captação e por altos níveis de provisão para crédito de liquidação duvidosa, refletindo também o ambiente de negócios competitivo no segmento de crédito a pequenas e médias empresas, sua principal operação", destacou o comunicado da Moody's, à época.

Para piorar, também em 2012, o Rural teve 100 milhões de reais em valores bloqueados devido a uma derrota na Justiça do Trabalho, que considerou que houve "fraude de execução" em negócio realizado entre a instituição financeira e uma das empresas de Wagner Canhedo, dono da Vasp.

Em abril deste ano, uma assembleia geral de acionistas do banco foi convocada para, entre outras ações, alterar seu estatuto social. As alterações foram feitas em pontos que denotavam que a diretoria já se preparava para o pior. Uma das mudanças dava aos diretores poderes de solicitar ao Banco Central a intervenção da instituição.

Outro capítulo do estatuto informava que, em caso de liquidação do BC, competiria à assembleia de acionistas determinar o modo de liquidação, eleger o liquidante e o Conselho Fiscal que deveria funcionar durante o período de liquidação.

5 de jun. de 2013

Em dia de forte volatilidade, dólar sobe ante o real, apesar do esforço do Banco Central

BRASIL - Economia
Em dia de forte volatilidade, dólar sobe ante o real, apesar do esforço do Banco Central
Apesar da ação do Banco Central para conter o fortalecimento do dólar, a divisa norte-americana encerrou em alta frente ao real nesta quarta-feira, numa sessão marcada por intensa volatilidade diante da zeragem do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de renda fixa por estrangeiros. SUB

Foto: Bruno Domingos/Reuters

Brasileiro negocia reais por dólares em corretora no centro do Rio de Janeiro. A moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 0,10%, cotada a R$ 2,1311.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog de Míriam Leitão, Reuters, G1, Jornal do Brasil

Segundo Míriam Leitão, no seu comentário na CBN, o dólar alto eleva inflação, o que neste momento torna-se um complicador a mais.

O dólar está subindo em relação a várias moedas, porque há informação de que o BC americano reduzirá o ritmo de estímulo monetário no futuro. O real está com mais volatilidade. O governo diz que não está preocupando com o dólar, mas na verdade, está. A alta ou a queda forte da moeda americana produz vários efeitos na economia.

Ontem, o ministro Guido Mantega anunciou que o governo zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado nos investimentos estrangeiros em renda fixa.

O governo, que colocou várias travas à entrada de capital, agora começa a retirá-las. Não necessariamente para derrubar o dólar. Mantega disse que hoje não faz sentido colocar barreiras, porque o contexto é diferente: há indícios de mudança na política monetária americana, o que faz com que o interesse em mandar dinheiro para os mercados emergentes seja menor.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, tinha falado que ia atuar sempre nos casos em que os movimentos parecessem especulativos (altas e quedas fortes).

O dólar em alta tem o efeito colateral de pressionar ainda mais a inflação. É um complicador. Chega num mau momento, em que o BC elevou a taxa de juros para tentar conter o IPCA, que está em torno do teto da meta.

Quando o dólar tem movimentos nervosos, acaba atrapalhando investimentos, quem tomou dívida no exterior, que tem de fazer hedge.

Ao cair muito, o dólar atrapalha a balança comercial; a moeda americana subiu, mas não ajudou a balança que, no acumulado em cinco meses, está negativa.

O BC tem muita bala na agulha. No passado, quando o dólar subia, tínhamos uma crise cambial. Agora, não é o caso, mas causa várias complicações na gestão da política macroeconômica - estamos buscando, nesse momento, crescimento puxado pelos investimentos, não pelo consumo, e inflação baixa. Por isso, complica um pouco.

Natália Cacioli e Bruno Federowski da Reuters comentaram hoje, que apesar da ação do Banco Central para conter o fortalecimento do dólar, a divisa norte-americana encerrou em alta frente ao real nesta quarta-feira, numa sessão marcada por intensa volatilidade diante da zeragem do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de renda fixa por estrangeiros.

Ao mesmo tempo em que analistas acreditam que a medida, anunciada na noite de terça-feira pelo governo, pode reduzir a pressão de alta sobre o dólar no curto prazo, eles ressaltam que o cenário internacional e fundamentos ruins da economia brasileira devem continuar pesando sobre o câmbio no decorrer do ano.

O dólar avançou 0,10 por cento frente ao real, a 2,1311 reais na venda, depois de bater 2,1496 reais na máxima da sessão e 2,0849 reais na mínima, com queda de 2 por cento logo no início dos negócios --movimento que perdeu força após a euforia inicial com a medida.

Segundo dados da BM&F, o volume negociado estava em torno de 3,7 bilhões de dólares, acima do visto nas últimas sessões.

O dólar abriu o dia com forte queda frente ao real diante da perspectiva de intensificação das entradas de recursos estrangeiros no país, mas o movimento perdeu fôlego no final da manhã e a divida norte-americana passou a subir.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Dilma: “Nós não temos medida nenhuma para segurar o dólar...”

A própria presidente Dilma Rousseff trouxe mais gás ao mercado, levando a moeda norte-americana a subir quase 1 por cento, ao ser questionada se haveria mais ações para segurar o dólar no final desta manhã. Ela respondeu: "Nós não temos medida nenhuma para segurar o dólar, eu queria informar que esse país adota o regime de câmbio flexível".

Após isso, o Banco Central anunciou um leilão de swap cambial tradicional, equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro -a autoridade monetária vendeu US$ 1,37 bilhão - o que acabou minimizando o movimento de alta da moeda ante o real. no mercado futuro, o que desacelerou a alta durante a tarde.

Na sexta-feira passada, o BC já havia feito um leilão semelhante, quando o dólar chegou perto de 2,15 reais.

A valorização do dólar tem sido generalizada em outras países devido a sinais de recuperação da economia norte-americana, que tem alimentado expectativas de que o Federal Reserve, banco central do país, reduza seu programa de estímulo. Somente em maio, o dólar avançou 7,04 por cento ante o real.

No exterior, nesta quarta-feira, divisas com perfil ligados à exportação de commodities perdiam força ante o dólar.

Apesar da possibilidade de mais entradas de dólares no mercado brasileiro com a redução do IOF, agentes do mercado alertavam para a qualidade desses ingressos e para possível aumento da volatilidade no câmbio devido à medida.

O déficit em transações correntes do Brasil subiu 55 por cento em abril em relação ao mesmo mês do ano passado, fazendo com que o rombo em 12 meses superasse 3 por cento do PIB pela primeira vez em mais de uma década.


13 de nov. de 2012

Procurador exige que BC retire Deus das notas do Real

BRASIL - Bizarro
Procurador exige que BC retire Deus das notas do Real
Um integrante da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, notificou, desde dezembro, o Banco Central, para que seja retirada do dinheiro brasileiro a expressão “Deus seja louvado”, impressa em todas as notas do Real, por considerar que isso constitui ofensa aos brasileiros que não possuem crença


Detalhe de uma nota, onde se vê a frase, quase invisível, que incomodou o promotor.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha S. Paulo, Terra, Veja,

Em dezembro do ano passado, o procurador federal substituto da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em São Paulo, Pedro Antonio de Oliveira, não se sabe se por desocupação explicita, ou vontade de aparecer na mídia, notificou o Banco Central a apresentar defesa em representação por suposta “ofensa à laicidade da República Federativa do Brasil”.

Em português claro, o procurador acionou o BC por manter o termo “Deus seja louvado” nas cédulas de Real. Aos olhos do procurador, tal registro na moeda nacional desrespeita o Estado laico e deve, portanto, ser banido das cédulas.

"A manutenção da expressão 'Deus seja louvado' [...] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro", afirma trecho da ação, assinada pelo procurador Antônio Dias.

"Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: 'Alá seja louvado', 'Buda seja louvado', 'Salve Oxossi', 'Salve Lord Ganesha', 'Deus não existe'. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus", segue o texto.

Compelido pela a ação, o Banco Central emitiu um parecer jurídico em que diz que, como na cédula não há referência a uma "religião específica", é "perfeitamente lícito" que a nota mantenha a expressão.

"O Estado, por não ser ateu, anticlerical ou antirreligioso, pode legitimamente fazer referência à existência de uma entidade superior, de uma divindade, desde que, assim agindo, não faça alusão a uma específica doutrina religiosa", diz o parecer do BC.

O departamento jurídico do Banco Central cita o emérito jurisconsulto Ives Gandra Martins, em que afirma "a Constituição foi promulgada, como consta do seu preâmbulo, 'sob a proteção de Deus', o que significa que o Estado que se organiza e estrutura mediante sua lei maior reconhece um fundamento metafísico anterior e superior ao direito positivo".

Segundo o texto do BC, a expressão apareceu pela primeira vez na moeda nacional em 1986, nas cédulas de cruzados, por orientação do então presidente, José Sarney, e foi mantida nas notas de real por determinação de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda.

O responsável pelas características das cédulas é o Conselho Monetário Nacional, que tem entre seus membros o presidente do BC.

Na notificação inicial, o dito procurador, determinava que o Banco Central, ordenasse a Casa da Moeda, num prazo de 120 dias, a imprimir as próximas cédulas do real, sem a frase, sem levar em conta as consequências econômicas dessa medida. A matriz para impressão de dinheiro, devido aos inúmeros itens de segurança, tem um custo elevadíssimo, tanto na fase de elaboração e planejamento, como na de implantação.

Ameaçava por fim, que caso não fosse atendido, o BC estaria sujeito a uma multa simbólica de R$ 1 por dia de descumprimento. O Banco Central vai preferir ficar pagar a multa eternamente, que um juiz mande arquivar essa sandice.


Nas redes sociais foram sugeridas novas frases para substituir o texto atual em louvação a Deus, vetado pelo procurador. O site 'Negão Internauta', sugeriu várias versões, essa acima é uma delas.


13 de fev. de 2011

Ninguém vai investigar o “golpe” de Silvio Santos?

BRASIL – ESCÂNDALO
Ninguém vai investigar o “golpe” de Silvio Santos?
Em resumo, o empresário Silvio Santos saiu do golpe aplicado pelo seu banco, o Panamericano, sem nenhum prejuízo aparente. Continua ficha limpa, risonho, solto e milionário. O Banco Central, tanto do governo Lula, quanto do Governo Dilma realizaram estranhas e mirabolantes operações para ajudá-lo. Até agora não se sabe exatamente quem vai pagar a conta do rombo. Pelo visto esse papagaio já foi descontado do contribuinte brasileiro, via Caixa Econômica Federal. O pior é que ninguém parece interessado em investigar a tramóia.

Foto: Divulgação

O empresário Senhor Abravanel, mais conhecido por Silvio Santos, importou o golpe aplicado no Sistema Financeiro Americano e se deu bem. Muito bem! Ahai!

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Jornal do Comercio

O comentarista econômico do Jornal do Comercio destaca que para se livrar da encrenca do seu banco, o Panamericano, Silvio Santos, importou para o Sistema Financeiro Brasileiro a tecnologia que nos Estados Unidos originou a crise global, os chamados títulos subprime.

O truque do Panamericano, feito nas barbas do Banco Central, de Henrique Meirelles, no governo Lula, deixou passar um espetacular desvio nas operações do banco, que vendia parte de suas carteiras, não entregava os títulos, pegava o dinheiro e engordava a carteira, vendia de novo sem entregar os títulos até explodir com R$ 4 bilhões de rombo.

”O curioso é que mesmo fazendo isso, Silvio Santos vendeu 39% de suas ações a Caixa Econômica que nunca pôs lá um só auditor.”

“Agora, o mais interessante: no dia que o banco quebrou e Silvio Santos aceitou vende-lo, ele deu a maior cartada de sua vida. Pediu a liquidação da instituição, que de rodo levaria junto, além da Caixa (sua sócia), os bancos, que pressionados pelo governo, haviam lhe socorrido. Isso provocaria o chamado risco sistêmico, uma possibilidade de quebradeira geral no sistema bancário.

Do alto de sua simpatia Silvio Santos estava chantageando o governo. (Ou me ajuda ou quebro todo mundo). E aí o que aconteceu? O mesmo Banco Central, agora sob o comando de Alexandre Tombini e sob o governo Dilma, aceitou que ele vendesse o banco, obrigou a Caixa a colocar mais R$ 10 bilhões para lhe devolver a solvência e garantiu a Silvio Santos ficha limpa, sem que nenhum de seus bens tivesse ficado indisponível. Ele saiu limpo depois de ter sido dono de um banco que deu o maior golpe da praça.

Um golpe de deixar Paulo Maluf morrendo de inveja.


14 de nov. de 2010

PanAmericano: Banco Central não viu porque não quis

BRASIL
PanAmericano: Banco Central não viu porque não quis
O trambique operado no banco do grupo Silvio Santos, causou um rombo na Caixa Economica Federal, ameaça o sistema financeiro, e mostra que o BC brasileiro, apesar de se dizer surpreso, foi conivente, irresponsável ou na melhor das hipoteses, incompetente ao lidar com a questão.

Foto: Associated Press

OIÃO - Meirelles prá que esses olhos tão grandes?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de São Paulo, Agora, Tudo Global, Sidney Resende, Folha Online, Estadão

Quanto mais vem à tona o formato do trambique do banco PanAmericano, do Grupo Silvio Santos, mas enredado fica o Banco Central. No estilo raposa investigando o desaparecimento de galinhas, os técnicos do BC, à medida que vão expondo as nuances do rombo contábil, de R$ 2,5 bilhões (até agora), evidenciam a própria culpa, ou cumplicidade, no episódio.

Sabe-se que a fraude foi executada de maneira primária, simplista e até grosseira, durante três ou quatro anos nas barbas do presidente do Banco Central, Henrique "Oião" Meirelles, que diz cinicamente, que o órgão regulador do governo, agiu a tempo e a hora.

Além de todas as outras implicações, existência de um rombo como esse, por tanto tempo, e em níveis tão evidentes, põe em risco a credibilidade de todo o sistema financeiro brasileiro. Quem garante que isso não possa estar acontecendo no banco onde você tem conta, onde você aplica, onde você tem as economias guardadas?

O que se sabe até agora, os diretores do Banco PanAmericano, usavam de estratégias contábeis pouco discretas como a manipulação dos saldos devedores dos clientes de cartão de Crédito, criaram inclusive cartões fantasmas, registrando falsas movimentação astronômica, para parecer que o banco estava financiando transações e era credor dessas dívidas inexistentes. Só essa parte da contabilidade escondia um rombo de R$ 400 milhões.

Divulgou-se também que um único cliente pessoa física, o empresário Adalberto Salgado, de Juiz de Fora (MG), recebia mais de R$ 120 milhões de rendimento por ano numa aplicação na instituição, brindado com taxas muito superiores às de mercado.

Ele mantinha R$ 400 milhões num CDB (Certificado de Depósito Bancário) do PanAmericano, que o remunerava a mais de 30% ao ano. Quando, em média, o normal seria algo em torno de 10,75% ao ano.

O CDB é um instrumento usado pelos bancos para captar recursos. O investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros baseados no CDI - taxa cobrada nas transações entre instituições financeiras.

A Folha de São Paulo comenta que “a descoberta de uma aplicação tão extravagante só após a intervenção é um indício de que a fiscalização do BC cometeu “falhas graves” no caso do PanAmericano.”

A fiscalização deveria ter notado o CDB, no mínimo, pelo risco que o pagamento de juros tão altos significaria ao banco.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tentou tirar o dele da questão afirmando que não é obrigação do Banco Central auditar instituições financeiras e que no caso PanAmericano, até agora não houve qualquer aporte de dinheiro público, para resolver a questão.

Acontece que no final do ano passado após as auditorias internas e externas, que não identificarem problemas nos balanços patrimoniais, a Caixa Econômica Federal, um banco estatal, adquiriu 49% das ações do Panamericano, injetando na instituição que afundava R$ 739,2 milhões.

Fala-se que na ocasião o governo federal estava estimulando a compra de carteiras de crédito de bancos pequenos e de médio porte devido à falta de liquidez provocada pela crise econômica mundial. O objetivo era impedir que essas instituições quebrassem (?).

Como os 49% do Banco PanAmericano, depois de descoberta a roubada, vale menos da metade do que valia, na ocasião da transação, a Caixa Econômica, contabiliza por baixo um prejuízo direto de R$ 350 milhões. Pergunta-se: quem é o responsável por esse desastrado negócio? Quem vai para cadeia?

Esse, como outros escândalos, desse governo, vai como a história da carochinha, “entrando pela perna do pinto e saindo pela perna do pato contribuinte.