FRANÇA - Naturismo Naturismo em piscina pública: nua, mas de touca
Os parisienses permitem naturismo em piscina e academia, pública, em horários pré estabelecidos e com cuidados especiais
Foto: Alfred/SIPA A piscina Roger Le Gall, em Paris, roupa dispensada , mas a touca é obrigatória. O pessoal está transgredindo a regra. Na verdade não encontramos nenhuma foto do pessoal nu e de toca
e por acaso um dia você estiver em Paris e bater uma vontade incontrolável de nadar pelada, isso não será um problema, Gabriela Mudado, no seu blog informa que a piscina Roger le Gall, da Prefeitura, uma espécie de piscinão de Ramos francês, em parceria com a associação dos naturistas de Paris, promove atividades durante toda a semana para aqueles que desejam nadar, ou malhar em academia sem ter que se incomodar com roupas.
A piscina municipal, reserva horários para os naturistas utilizarem seu espaço não só debaixo d'água, como também na academia que faz parte do complexo da Roger le Gall.
Para os interessados, a piscina fica aberta durante duas horas para a utilização dos naturistas nas segundas, quartas e sextas e a academia é reservada nas terças e quintas.
Não pensem, porém, que esse é um lugar de permissividades. A administração da piscina diz-se atenta a pessoas que estão querendo ir além dos hábitos naturistas. Por exemplo, se identificados, os exibicionistas e os demonstrarem estarem por ali, por motivos puramente sexuais são convidados a se retirar.
Comenta-se também que a frequência é majoritariamente masculina e gay. As poucas mulheres frequentadoras estão quase sempre acompanhadas, e na sua maioria são desgraciosas, nada lembrando as musas francesas, que habitam o imaginário e a lenda.
Pegação dentro e fora d’água não é permitida, bem como câmeras fotográficas. Inclusive não podemos garantimos, que as fotos que ilustram esse post, tenham sido produzidas por lá, são, portanto, meramente ilustrativas.
Aviso final: embora a roupa de banho seja dispensável, a touca de natação é obrigatória!
Pourquoi?
Foto: Nuturistes A obrigatoriedade de usar touca, é para evitar que os fios de cabelos, da cabeça, entupam os filtros. Mas, e os outros pelos?
O blogueiro estacionado em Paris, faz um paralelo entre o monumento, recentemente instalado em frente ao Centro Georges Pompidou, o Museu Nacional de Arte Moderna, na capital francesa, congelando a agressão do jogador da seleção francesa Zidade ao zagueiro italiano Marco Materazzi durante prorrogação da partida final da Copa do Mundo de 2006 e a atual crise econômica, que desempregou 3 milhões de franceses
Nem todos presentes viram a cabeçada no Estádio Olímpico de Berlim. A maioria estava com os olhos fixos na disputa da bola, do ouro lado do gramado. Mas o mundo inteiro viu porque a TV mostrou o replay de um dos momentos mais infames do futebol. Quem passar em frente ao Centro Georges Pompidou, o Museu Nacional de Arte Moderna, em Paris, não corre o risco perder o lance.
O artista plástico argelino Adel Abdessemed recriou em tamanho monumental – 5 metros de altura – o instante em que o atacante francês de origem cabila Zinedine Zidade agrediu o zagueiro italiano Marco Materazzi durante prorrogação da partida final da Copa do Mundo de 2006. O escultor diz que fez uma “ode à derrota”. A criação vai no sentido contrário dos monumentos que celebram a glória. O Arco do Triunfo, por exemplo.
Trata-se de uma triste lembrança com 2 toneladas de bronze para os franceses. Isso em um momento em que, no meio da maior crise econômica do país desde a Segunda Guerra Mundial, eles andam azedando o humor com o acúmulo recente de notícias ruins. Esta semana, por exemplo, o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE, na sigla em francês) revelou que a França ultrapassou a marca simbólica de 3 milhões de desempregados.
A cabeçada histórica na prorrogação da partida final da Copa do Mundo de 2006
Grandes empresas como é o caso das Sanofi, AcelorMittal e Petroplus. As empresas estão na iminência de anunciar “planos sociais”. Todos juntos, eles significam a perda de 5.000 empregos a curto prazo. O governo do socialista François “Normal” Hollande cujo índice de aprovação despencou para 43% – nenhum presidente da Quinta República teve queda tão rápida seguida à posse – promete aumento de impostos que totalizam 20 bilhões de euros a menos no poder aquisitivo dos contribuintes individuais e nos recursos das empresas privadas. Menos poder aquisitivo, menos consumo. Menos recursos, menos investimento e criação de empregos.
A expectativa otimista de crescimento da França em 2013, segundo o governo, gira em torno de medíocres 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Economistas independentes prevêem a metade disso. Para criar empregos o país cuja dívida pública acumulada está prevista para chegar a 91,3 do PIB este ano, precisa crescer, no mínimo, 1%. E 1,5% se quiser diminuir o desemprego. Neste contexto, ganha corpo entre os ministros do governo desrespeitar a promessa de cumprir uma regra de ouro da União Européia, a de manter o déficit público anual em 3% do PIB. Na França, ele representa 4,5% do PIB – 83,6 bilhões de euros.
Faltando 10 minutos para fim de sua brilhante carreira, Zidane deu a famosa cabeçada no peito de Materazzi. O presidente da França Hollande vem dando cabeçadas contra a realidade desde o dia em que assumiu o governo. No orçamento deste ano de 37 bilhões de euros, por exemplo, apenas 10% representam redução nas despesas do governo. O resto vem de impostos. Serão criados mais 6 000 postos de trabalho na eduçação, polícia e Justiça. Evidentemente. pagos com dinheiro do contribuinte inclusive a aposentadoria. A tendência da redução do funcinários públicos se inverteu pela primeira vez desde 2003. Talvez não seja o fim de uma “brilhante carreira”, certamente não merece monumento comemorativo, mas em breve, muitos farão “odes à derrota”.
FRANÇA Femen, as ativistas dos seios nus, instalam-se em Paris
As meninas do grupo ucraniano, famosas por fazerem protestos seminuas e enfrentar a polícia abriram um centro de recrutamento e treinamento em Paris
Foto: Jacky Naegelen/Reuters Em Paris, as novas voluntárias serão treinadas nas técnicas de exibirem as tetas, em defesa das grandes causas da humanidade
As ativistas do movimento feminista Femen, no começo da semana, fizeram o que mais sabem e gostam de fazer, protestam seminuas na inauguração da sede da organização em Paris.
Foto: Sarah Leduc/France24
A ONG ucraniana se instalou na capital francesa para "recrutar soldados" na luta contra a discriminação de mulheres. Com os corpos pintados e coroas de flores na cabeça, cerca de 15 manifestantes anunciaram a instalação do "primeiro centro de treinamento do novo feminismo".
Foto: Getty Images
O movimento Femen é conhecido desde 2010 por suas ações de topless na Ucrânia, Rússia e Grã-Bretanha, entre outros países e inclusive o Brasil.
Foto: Jacky Naegelen/Reuters
O objetivo é declarar "guerra ao patriarcado e à ditadura", declarou a ativista Inna Chevchenko, refugiada na França desde que serrou uma cruz no centro de Kiev, em apoio ao grupo musical Pussy Riot, cujas integrantes foram condenadas na Rússia.
Foto: Joseph Paris/Flickr
Em pleno centro de La Goutte d'Or, um bairro popular do norte de Paris, as militantes feministas, com flores no cabelo e frases pintadas no corpo, gritaram "Femen, Femen!" e "Nudez, liberdade!".
Foto: Joseph Paris/Flickr
Elas dispõem de todo o nosso apoio. Seguramente era disso que o mundo estava precisando.
Foto: Sarah Leduc/France24 As tetas unidas jamais serão vencidas!
FRANÇA Proposta de abolir prostituição gera controvérsia
Recentemente centenas de prostitutas, simpatizantes e travestis, alguns usando máscaras marcharam pelas ruas de Paris, protestando contra a intenção do governo, de criminalizar os clientes, com a intenção de invialibilisar a existência da mais antiga profissão do mundo. Políticos do próprio governo, intelectuais e sociólogos, são contra as novas medidas defendidas pela nova ministra do Direito das Mulheres, a sexy, Najaud Vallaud-Belkacem.
Foto: Regis Duvignau/Reuters “GAROTA DO PRAZER” - Boton exibido por uma profissional do sexo, durante os protesto em Paris
Na França, o cliente de uma “relação sexual tarifada” está a salvo de qualquer penalidade, mas a prostituta pode ser condenada a pagar uma multa de € 3.750 ( R$ 9mil) mais dois meses de prisão acusada do crime de “aliciamento passivo”, segundo uma lei de 2003.
O atual governo do presidente François Hollande, através da ministra do Direito das Mulheres, Najaud Vallaud-Belkacem, declarou que quer abolir a prostituição na França. A questão virou um grande debate nacional, com protesto nas ruas e pronunciamento de intelectuais e políticos.
— “A questão não é a de saber se queremos abolir a prostituição: a resposta é “sim”. Mas temos de nos dar os meios de fazê-lo. Meu desejo, assim como do Partido Socialista, é o de ver a prostituição desaparecer”. – disse a ministra Najaud.
A primeira medida nesta direção sinalizada pelo novo governo, seria o fim da criminalização das prostitutas e a penalização apenas dos clientes, uma medida já adotada pela Suécia desde 1999.
Durante sua campanha eleitoral, Hollande manifestou a intenção de suprimir o delito de aliciamento passivo e “abrir a reflexão” sobre a penalização dos clientes, ao explicar que “dispor livremente do corpo de outra pessoa” em troca de pagamento era “um desrespeito aos direitos humanos”.
Agora, sua ministra admitiu que a missão será espinhosa.
— “Não sou ingênua, sei que será um combate de longo prazo — disse Vallaud-Belkacem, ao acrescentar que a posição “abolicionista” do governo se baseia nos “insuficientes dispositivos atuais” na luta contra a prostituição.
Foto: picture alliance Os sindicatos das protitutas querem que a bela e jovem ministra do Direito das Mulheres, Najaud Vallaud-Belkacem, seja destituída do cargo
As declarações incendiaram o debate e acentuaram as divisões na esquerda. Um grupo de doze intelectuais e feministas —entre os quais a filósofa Elisabeth Badinter, a escritora Régine Deforges, o cineasta e escritor Claude Lanzmann e o historiador Georges Vigarello — lançaram o manifesto de protesto “A interdição da prostituição é uma quimera”.
Para eles, proibir a prostituição estimula a clandestinidade e deixa as prostitutas ainda mais à mercê das redes mafiosas.
Foto: Aurélien Selle Protestos em Paris, centenas discordando que as novas medidas, além de não erradicar a prostituição vai fortalecer os cafetões e traficantes de pessoas.
“Nem as garotas de programa e nem as redes na internet serão afetadas, como prova o exemplo sueco. Sofrerão as proletárias do sexo, que serão mais do que nunca submissas à dominação dos proxenetas. Estes deveriam ser o principal alvo da ação repressiva do poder público”, preveem.
Para a antropóloga Véronique Nahoum-Grappe, que endossou o manifesto, a interdição na sexualidade humana “está muitas vezes relacionada à “instauração de leis bastante totalitárias, com ideologias religiosas negativas”.
— “O escândalo dos padres pedófilos está ligado à interdição da sexualidade. Essas proibições nunca funcionaram. Ao contrário, abrem a porta para a criminalização e prejudicam os mais vulneráveis e em situação de precariedade”. “A tarifação em si não é o principal problema, mas sim que seja usada pela máfia” — aponta.
Associações divergem sobre o tema. Representantes do Sindicato das Trabalhadoras Sexuais se retiraram de audiência com Vallaud-Belkacem, tachando de hipócritas os argumentos do governo sustentados em “fórmulas feitas” e na “negação da realidade”. O sindicato quer direitos trabalhistas, e não penalização, e pede a demissão da ministra.
A Fundação Scelles divulgou em seu site uma resposta aos que se opõem à proposta: “Defender o sistema de prostituição em nome da liberdade de dispor de seu corpo e de escolher livremente sua sexualidade, é perigoso na implicação de que, em nome do prazer individual de uma minoria, as condições de sujeição da maioria seriam facilitadas”, diz o texto.
Para a psicanalista Dominique Charpenel, dirigente da fundação, o principal fundamento da prostituição é econômico, e é preciso atacar a fonte do lucro das prostitutas e dos cafetões, ou seja, o cliente. Ela alega não fazer um “julgamento moral” da questão, mas, defende que a lei deve servir ao interesse da maioria.
A socióloga francesa Nathalie Heinich, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, afirmou: “Desde que haja consentimento, toda relação sexual entre adultos só diz respeito aos envolvidos, e não ao Estado. Há um problema de princípio, a sexualidade não deve ser regida por leis, é questão de proteção das liberdades individuais”.
”Toda pessoa que trabalha vende um serviço. O serviço sexual é bastante particular, e não podemos obviamente equipará-lo a qualquer outro, mas não é por isso que se deve fazer dele um atentado à dignidade humana. Isso subentenderia que a sexualidade em si seria algo indigno. Por trás desta posição há um tipo de puritanismo, que condena toda forma de sexualidade fora de um quadro tradicional da vida conjugal. É uma extensão abusiva da noção de dignidade”.
Estima-se que cerca 20 mil prostitutas exercem seu ofício, na França, 80% delas são compostas de emigrantes.
A prostituição na França tem raízes culturais e históricas. São famosos os quadros e as litografias do pintor Toulouse-Lautrec retratando as prostitutas de Montmartre, no fim do século XIX.
BRASIL – Corrupção – CPMI Cachoeira Parlamentares da CPMI, almoçaram, em Paris, “por acaso”, com o “investigado” Cavendish
“Como todo mundo sabe, Paris é uma cidade pequena onde todo mundo se esbarra. Portanto, nada mais natural que o senador Ciro Nogueira, do PP, e o deputado Mauricio Quintela, do PR, que por acaso são membros da CPI do Cachoeira, encontrarem casualmente num restaurante da Avenue Montaigne com o empreiteiro Fernando Cavendish" (da investigadíssima construtora Delta)- ironiza Merval Pereira no seu Blog
Foto: Divulgação ACASOS E COINCIDENCIAS: - Vista de Paris a partir do terraço do Restaurante Maison Blanche, na Avenue Montaigne, a mesma onde aconteceu o tal almoço “casual”, “acidental”, “fortuito” e “imprevisto”
Josias de Souza comenta no seu blog que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), integrantes da CPI do Cachoeira, avistaram-se com o presidente licenciado da Delta Construções, Fernando Cavendish, num restaurante de Paris. Deu-se em abril, durante a Semana Santa.
Nesta quinta (14), votou-se na CPI o pedido de convocação de Cavendish. Foi rejeitado. Placar apertado: 16 a 13. O senador Ciro votou contra o depoimento. O deputado Maurício ausentou-se da sessão. Quer dizer: o comportamento de ambos influiu no resultado.
O encontro do sócio majoritário da Delta com congressistas fora veiculado em 31 de maio no blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). Sem citar nomes, ele anotara: “Alguns deputados federais e pelo menos um senador almoçaram com Fernando Cavendish na Semana Santa, em Paris. Alguns inclusive são Membros da CPI do Cachoeira-Delta”.
A nota no Blog do Garotinho
Inconformado com o desinteresse da CPI em ouvir Cavendish, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) foi ao microfone. Insinuou a presença na comissão de uma “tropa do cheque para defender o Cavendish”. Abespinhado, Cândido Vaccarezza (PT-SP) levantou-se da cadeira. Dirigindo-se a Miro, declarou:
“Não assaque acusações genéricas. Se Vossa Excelência acha que tem um deputado que é da bancada do cheque, vire pro deputado e diga: é fulano. Eu não sou da bancada do cheque. Não sou!”
Miro não se deu por achado. Conversara com Garotinho. Pedira os nomes que o colega sonegara na nota que havia pendurado em seu blog. Garotinho não informou. Mas assegurou que o encontro de Paris ocorrera.
Dando-lhe crédito, Miro encaminhou à direção da CPI um requerimento. Quer saber quais parlamentares almoçaram com Cavendish e se o voto deles influiu no resultado da votação desta quinta. Citou uma missão oficial à África.
De fato, a missão ocorreu. Sete congressistas voaram para Kampala, na Uganda, para representar o Parlamento brasileiro na 126ª Assembleia Geral da União Interparlamentar. A viagem foi custeada pelo erário. O encontro aconteceu entre os dias 30 de março e 5 de abril.
Além de Ciro Nogueira e Maurício Quintella Lessa, integraram a comitiva Hugo Napoleão (PSD-PI), Átila Lins (PSD-AM), Alexandre Santos (PMDB-RJ), Iracema Portela (PP-PI) e Eduardo Fonte (PP-PE). No voo de volta, aproveitando-se do sacrossanto recesso da Semana Santa, alguns parlamentares fizeram escala em Paris.
Foi nessa passagem pela capital francesa que Ciro e Maurício avistaram-se com Cavendish. Acompanhou-os o deputado pernambucano, Eduardo Fonte (PP- PE), que não é membro da CPI. Nessa época, já crepitava nas manchetes dos jornais o escândalo Cachoeira e as ramificações da quadrilha com a empreiteira Delta.
Ouvido, Ciro Nogueira confirmou o encontro parisiense. Tratou-o como coisa fortuita. “Conheço Cavendish, tenho relação com ele há uns cinco anos. Mas nada que envolva doação de campanha. Nós só o cumprimentamos. Foi um encontro totalmente casual.”
O nome do restaurante? O senador disse que não se recorda. Lembra-se apenas do nome da rua: Avenue Montaigne. De resto, veio-lhe à memória um detalhe prosaico: acompanhados das respectivas mulheres, os parlamentares encontraram um Cavendish de namorada nova, “muito bonita.”
Na sessão em que a CPI refugou o pedido de convocação do presidente licenciado da Delta, coube a Ciro fazer um dos discursos de “encaminhamento” da votação. Se o encontro de Paris foi “casual”, a fala do senador foi providencial.
Ciro Nogueira soou assim na CPI: “Será que o doutor Fernando Cavendish vai chegar aqui e vai falar, vai entregar qualquer tipo? Não vai. Ou nos preparamos para a arguição dessas pessoas, ou nós vamos ser desmoralizados, como nós fomos ontem e anteontem [nas aguições dos governadores Marconi Perillo, de Goiás, e Agnelo Queiroz, de Brasília]”.
Reza a Constituição que as CPIs têm poderes análogos aos do Judiciário. Podem quebrar sigilos, intimar e interrogar pessoas. Em certas situações, podem até dar voz de prisão a depoentes que faltarem com a verdade.
Levando-se a analogia a limites extremos, os membros de uma CPI deveriam se abster de participar de decisões que envolvam “amigos”, como fazem os magistrados nos casos em que se declaram impossibilitados de julgar.
Na melhor hipótese, Ciro Nogueira teria rendido homenagens ao bom senso se houvesse privado a CPI do seu voto. Numa hipótese melhor ainda, pouparia a comissão do risco da pantomima abstendo-se de participar de uma investigação que tem na Delta do “amigo” Cavendish uma de suas ramificações mais promissoras.
Além de não convocar Cavendish, a CPI derrubou o pedido de oitiva de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, o órgão que mais brindou a Delta com contratos para execução de obras do PAC.
Pagot já disse e repetiu que tem o que dizer e deseja falar. Porém, numa reunião em que até Andressa Mendonça, a mulher de Carlinhos Cachoeira, foi convocada a depor, a CPI informou, por 17 votos a 13, que não tem interesse em ouvir o ex-mandachuva do Dnit.
Em articulação coordenada por Miro, um grupo de congressistas insurretos tenta viabilizar o depoimento de Pagot. Se der certo, ocorrerá em sessão informal e paralela. Algo inusitado, que, confirmando-se, levará às manchetes a criação de uma espécie de ‘CPI do B’. A autodesmoralização da CPI oficial já é evidente. Resta saber até que ponto os congressistas estão dispostos a permitir que o melado escorra.
Veja o vídeo do requerimento de Miro Texeira e a carapuça do petista Cândido Vaccarezza