20 de dez de 2011

Morte de Kim Jong-il gera tensão na peninsula coreana

COREIA DO NORTE
Morte de Kim Jong-il gera tensão na peninsula coreana
A morte do líder da Coreia do Norte, gera tensão internacional, porque o pequeno e miserável país, acobertado pela China, tornou-se uma potência nuclear e tem uma permanente atitude beligerante contra o seu vizinho a Coreia do Sul, protegida por americanos e japoneses. Por desejo do líder morto o seu sucessor seria o filho mais novo, Kim Jong-un, 28 anos Especula-se que essa mudança de governo não será mansa e pacífica: o jovem Kim não teria experiência, força política e liderança para ocupar o mais alto posto do governo norte coreano, e não dispunha do apoio dos influentes e decisivos generais do Exército do Povo Coreano.

Foto: Korean Central News Agency

Kim Jong-il estava à frente da dinastia comunista hereditária norte-coreana desde 1994, quando assumiu o poder após a morte de seu pai e fundador do país, Kim Il-Sung. Foram 17 anos governados com mão de ferro em um regime baseado no culto à personalidade. Mas desde a apoplexia sofrida em 2008, suas aparições públicas foram poucas e nelas mostrava uma figura cada vez mais frágil e decrépita, embora sempre com seus inseparáveis óculos de sol e uniforme militar, que se transformaram em sua marca registrada.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:The New York Times, G1, Wikipedia, Portal Terra, Folha de São Paulo

A morte do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, 69 anos, de um ataque cardíaco, no sábado acendeu a luz amarela no Departamento de Estado americano nesta segunda-feira. O presidente Barack Obama telefonou para o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak e diplomatas dos Estados Unidos estão fazendo contatos com aliados asiáticos.

O governo escondeu a morte do seu líder durante dois dias e no dia em que a morte de Kim foi anunciada a Coreia do Norte testou dois mísseis de curto alcance na costa leste, segundo autoridades da Coreia do Sul, mantendo em alerta a nação vizinha. Coreia do Sul colocou suas forças armadas em alerta máximo, aumentando a vigilância ao longo da fronteira de 155 quilômetros, uma das fronteiras mais fortemente armadas do mundo. Os dois países estão tecnicamente em guerra, uma vez que não houve acordo de paz após o término dos conflitos da Guerra da Coreia (1950-1953).

Os Estados Unidos, que lutaram ao lado dos sul-coreanos no conflito, mantêm um contingente de 28 mil combatentes em uma base militar na Coreia do Sul. A tensão militar é um dos últimos resquícios da Guerra Fria.

Foto: Korean Central News Agency via Associated Press

Kim com o presidente chines Hu Jintao, seu grande aliado, durante uma visita a uma fábrica em Pyongyang em 2005.

Durante os atritos entre o Norte e o Sul, registrados nos últimos meses, os americanos mantiveram o compromisso de apoiar o governo de Seul em um eventual confronto com o regime comunista de Pyongyang.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também se encontrou nesta segunda-feira com o Ministro das Relações Exteriores do Japão, Koichiro Genba, em Washington. O Japão é um aliado importante dos americanos no conflito entre as duas Coreias.

Durante o governo do ex-presidente George W. Bush, a Coreia do Norte foi incluída no chamado “eixo do mal”, em virtude dos testes nucleares que causaram preocupação na Ásia.

O único grande aliado de Pyongyang é a China, para onde Kim Jong-il viajou com frequência nos últimos anos. Os chineses também lutaram ao lado dos norte-coreanos durante a Guerra da Coreia.

Poucas horas após o anúncio da morte, o poderoso Partido dos Trabalhadores "e funcionários do governo emitiram uma declaração conjunta sugerindo como sucessor escolhido pelo próprio Kim Jong-il, seu filho mais novo, Kim Jong-un, já estava no comando do país.”

O comunicado dizia: "Sob a liderança do nosso camarada Kim Jong-un, temos que transformar a tristeza em força e coragem, e superar as dificuldades de hoje.”

A KCNA, a agência de notícias oficial, disse que os soldados norte-coreanos e os cidadãos estavam jurando fidelidade a Kim Jong-un. As pessoas nas ruas de Pyongyang romperam em lágrimas quando souberam da morte de Kim, informou a Associated Press a partir de Pyongyang.

Foto: Kyodo News via Associated Press

Kim Jong-il e seu sucessor Kim Jong-un, numa solenidade militar em Pyongyang

Kim Jong-un é considerado muito jovem, tem menos de 30 anos, e sua inexperiência o torna vulnerável a luta pelo poder, alguns analistas questionam a profundidade e sinceridade do apoio dos militares em relação a ele, que é um general de quatro estrelas do Exército do Povo Coreano.

Kim Jong-il é o primogênito de Kim Il-Sung, fundador da Coreia do Norte comunista e idolatrado no país. Segundo a propaganda oficial, quando Kim Jong-il nasceu, em 16 de fevereiro de 1942, surgiram no céu uma estrela e um arco-íris duplo. Desde então, o monte Paekdu, onde teria nascido, é um lugar sagrado.

Vários analistas, porém, acreditam que ele nasceu num campo de treinamento guerrilheiro russo, a partir de onde seu pai empreendeu a guerra de resistência contra o Japão, até 1945.

Após obter um diploma universitário, em 1964, Kim começou a fazer carreira dentro do Partido dos Trabalhadores. Suas funções incluiriam a organização de atentados, como a explosão de um avião da Korean Airlines, em 1987, que matou 115 pessoas. Ele assumiu o controle do Partido dos Trabalhadores em 1994, no ano da morte do pai.

A morte de Kim Jong-il veio após uma longa doença, que o castiga desde 2008, que agências de inteligência americanas acreditavam ser algum tipo de AVC.

Sua morte encerrou 17 anos de um estilo de governo que isolou seu país, numa trajetória modelada no mesmo espírito paranóico estabelecido por seu pai, Kim Il-sung.

O governo americano e os países asiaticos, principalmente a vizinhaça, temem que o país, sofra com sua morte uma fratura interna de consequencias imprevisiveis.

Autoridades americanas e sul-coreanas expressaram preocupação de que qualquer luta pelo poder pode levar algumas facções do Norte de adotarem comportamenteo beligerante - como fizeram em 2010, em dois graves momentos primeiro atacando uma ilha sul-coreana e noutro afundando um navio de guerra, causando a morte, nos dois episódios, de cinquenta coraenos do sul.

Foto: Gong Yidong/Xinhua/Associated Press

Um gigantesco retrato do ditador Kim, aperfeiçoado com muito photoshop, pairava sobre a multidão que lotava a praça principal de Pyongyang em 2003.

Sob o governo de Kim Jong-il, os norte coreanos realizaram experiencias com dispositivos nucleares, em 2006 e em 2009, poucos meses depois do presidente Obama ter tomado posse.

A ideia era demonstrar que o país possuia bomba atomica para desmotivar uma possivel invasão norte-americana, temida por Kim e seus líderes militares.

O teste de 2009 praticamente paralizou as negociações entre o governo Obama e o de Kim Jong-il, para revitalizar os acordos iniciados na administração George W. Bush sobre a desnuclearização do país.

O ex-secretário de Defesa Robert M. Gates resumiu a atitude do governo Obama em relação à Coreia do Norte, quando declarou que o Estado Unido não iria fornecer ajuda ao país, em novos acordos e compromissos para eles desistirem das armas nucleares, como já o fizera no passado recente.

"Eu não quero comprar o mesmo cavalo duas vezes", afirmou Gates em repetidas ocasiões.

Especialistas estimam que a Coreia do Norte possua combustivel suficiente para fazer pelo menos oito armas nucleares.

“Estamos num momento especialmente perigoso", disse Jim Walsh, professor de estudos do MIT programas de segurança que se encontrou nos últimos meses com várias delegações da Coréia do Norte.

Há o temer justificado de que o jovem lider sucessor, para demonstrar força e liderança, possa levar o país a uma guerra acidental” com a vizinha Coreia do Sul.

Pouco se sabe sobre Kim Jong-un, o terceiro filho de Kim, o seu provável sucessor, sem nenhuma experiencia em negociações com lideres mundiais. Até dois anos atrás, a única imagem dele que a CIA dispunha era ele ainda de calças curtas, quando frequentou por breve período uma escola na Suíça.

Alguns oficiais de inteligência, reconhecem que ele esteve envolvido com o planejamento dos dois ataques a Correia do Sul, ocorrido em 2010, eventos que pode ter sido planejado para lhe dar fama de um bom estratégista militar.

Foto: Kyodo News via GettyImages

O jovem Kim Jong-il reunido com militares, em 1988, quando o seu pai, Kim Il-Sung ainda era o governante máximo do país. Estava sendo treinado para ditador sucessor.

Ao contrário de Kim Jong-il, o seu filho teve pouco tempo para ser preparado na arte de administrar um país disfuncional de cerca de 23 milhões de pessoas. Funcionários do governo disseram acreditar que o jovem Kim precisaria de um ano ou mais para solidificar sua posição e ganhar a confiança plena de comandantes militares da Coreia do Norte.

Não está claro se, antes de sua morte, Kim Jong-il foi capaz de estabelecer quaisquer raízes profundas de fidelidade para o seu filho, especialmente em um momento de escassez generalizada de alimentos diante das sanções internacionais impostas para o seu desenvolvimento de armas nucleares.

O filho assumiu recentemente postos chaves no comando militar e na liderança do partido. As elites começaram a dar demonstrações que sugerem alguma lealdade a ele. Na segunda-feira, seu nome encabeçou uma lista de funcionários do partido e 232 militares que compõem um comitê funeral nacional, que os analistas sul-coreanos dizem forneceu mais evidências de que ele estava no comando.

Tem havido considerável especulação de que os militares poderiam designar um regente temporário para dirigir o país por causa da inexperiência de Kim, o nome considerado é de Chang Song-taek, marido da irmã de Kim Jong-il e diretor do departamento administrativo do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, mas isso não se confirmou, pelo menos até agora.

A Coréia do Norte declarou um período de luto nacional a partir do dia da morte de Kim Jong-il, até 29 de dezembro. Pelo que se sabe o corpo de Kim será colocado no mausoléu Kumsusan em Pyongyang, onde o corpo de seu pai, Kim Il-sung, encontra-se exposto numa caixa de vidro. As autoridades norte-coreanas organizarão visitas à câmara ardente de Kim Jong-il, por uma semana começando na terça-feira, mas disseram que não iriam receber delegações estrangeiras.

Um serviço de funeral enorme está prevista para 28 de dezembro, em Pyongyang, segundo a KCNA, a agência de notícias estatal. No dia seguinte, acontecerá um "movimento nacional de luto", com todos os norte-coreanos instruídos a guardar de três minutos de silêncio em homenagem a Kim Jong-il.

Foto: KRT via Reuters


Foto: Reuters

As primeiras imagens do velório do ditador Kim Jong-il, obtida pela captura de imagem da TV estatal.

Foto: AP Photo – captura de video Press

Nesta imagem feita a partir de imagem de vídeo, Kim Jong Un, o filho mais novo líder norte-coreano Kim Jong Il, especulado como seu sucessor, acompanhado de generais e funcionários do Partido dos Trabalhadores, numa demonstração de apoio a sua liderança, visita a camara fúnebre do pai no palácio memorial em Pyongyang, a Coreia do Norte, nesta terça-feira, 20 de dezembro de 2011.


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