Mostrando postagens com marcador Reuters. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reuters. Mostrar todas as postagens

12 de out. de 2014

Após divulgação de carta social tucana, em Recife, Marina deve finalmente declarar apoio a Aécio

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
Após divulgação de carta social tucana, em Recife,
Marina deve finalmente declarar apoio a Aécio
O jornalista Gerson Camarotti reportou que o grupo político da ex-senadora Marina Silva considera que a carta divulgada neste sábado (11), por Aécio Neves, no Recife, na qual o tucano assumiu compromissos com avanços sociais no país, abre espaço para a candidata do PSB à Presidência anunciar já neste domingo (12) seu voto no presidenciável do PSDB.

Charge: Paixão - Gazeta (PR)
I

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Blog do Camarotti

Aécio Neves (PSDB), assumiu neste sábado, em documento, uma série de compromissos sugeridos pelo grupo de Marina Silva (PSB), terceira colocada no primeiro turno, cumprindo algumas das exigências dela como condição para apoiar a candidatura dele na reta final da disputa contra a reeleição Dilma Rousseff (PT).

Marina, que ainda não declarou seu posicionamento neste segundo turno, enviou à campanha de Aécio na sexta-feira por meio de emissários de seu grupo político, o Rede Sustentabilidade, uma lista de temas que considera importantes.

Das sugestões entregues, Aécio assumiu e concordou com a maioria, como a ampliação de políticas sociais e da participação popular, manutenção da prerrogativa do Executivo de demarcar terras indígenas, além de reiterar seu “compromisso programático” com a questão ambiental, tema chave para Marina, e com a “retomada” da reforma agrária.

O tucano recebeu apoio formal do PSB de Pernambuco neste sábado, em ato que contou com a presença dos filhos de Campos, de lideranças do partido e de representantes de movimentos sociais. Aécio, que teve no Estado o pior desempenho entre os três principais candidatos, tenta garantir a transferência dos votos recebidos por Marina para a sua candidatura neste segundo turno.

Marina recebeu um pouco mais de 48 por cento dos votos válidos do Estado, contra cerca de 44 por cento de Dilma e apenas 6 por cento do candidato tucano.

Aécio defendeu ainda que a exploração do petróleo não impede a diversificação da matriz energética brasileira, outro tema sensível à Marina, e disse que pretende retomar o processo de ampliação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

O tucano, no entanto, não se posicionou sobre a redução da maioridade penal em casos de reincidência e crimes hediondos, pauta de sua campanha no primeiro turno e que constava na lista como uma posição a ser reavaliada por sua campanha.

O jornalista pernambucano Gerson Camarotti, da Globo News, informou no seu blog que o grupo político da ex-senadora Marina Silva considera que a carta divulgada neste sábado (11), por Aécio Neves, no Recife, abre espaço para a candidata do PSB à Presidência anunciar já neste domingo (12) seu voto no presidenciável do PSDB.

Integrantes da Rede Sustentabilidade mais próximos a Marina avaliam que o posicionamento de Aécio na capital pernambucana já é uma espécie de carta social aos brasileiros, em uma referência aos compromissos assumidos por Lula, em 2002, na qual ele afirmou que iria garantir a ortodoxia na condução da política econômica.

Um integrante da Rede destacou, a Camarotti, entre outros pontos, os compromissos assumidos por Aécio de retomar a reforma agrária, atuar para diminuir o desmatamento no país, além de se posicionar na vanguarda de um projeto global de mudanças climáticas.

Se Marina não mudar de idéia outra vez...

27 de ago. de 2014

Campanha de Dilma muda estratégia e passa a questionar Marina como candidata da 3ª via

BRASIL - Eleição 2014
Campanha de Dilma muda estratégia e passa a questionar Marina como candidata da 3ª via
"A nova estratégia vai levar em conta o risco de que Marina é uma candidata que, dependendo da forma como se bate, ela cresce, porque ela se vitimiza." – disse à Reuters uma fonte do governo próxima aos coordenadores de campanha da petista

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Candidatas à Presdiência Marina Silva e Dilma Rousseff antes do debate na Band, em São Paulo

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

O comando da campanha da presidente Dilma Rousseff reúne-se nesta quarta-feira, em Brasília, para mudar a estratégia de campanha à reeleição da petista e, apesar de considerar uma tarefa difícil, tentará desconstruir a imagem de Marina Silva (PSB) como candidata da terceira via.

O questionamento de Marina como a candidata da terceira via vai apontar para "contradições", explorando os acenos de Marina e sua campanha a nomes ligados ao PSDB, as alianças do partido e a postura de negação da política. A análise, no entanto, é que há pouco tempo para se descobrir e tornar publicas as fragilidades da candidata.

A nova estratégia vai ser posta em prática após pesquisas indicarem que Marina venceria Dilma em um eventual segundo turno e após ficar claro que o candidato à Presidência do PSDB, Aécio Neves, não é mais o principal adversário da presidente, segundo a fonte.

Pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira e a pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira mostraram que Marina venceria Dilma e um eventual segundo turno e trouxe a ex-ministra em segundo lugar com 10 pontos de vantagem sobre Aécio Neves no primeiro turno, com Dilma ainda na primeira posição.

Mesmo levando em conta o impacto emocional, a avaliação entre os coordenadores da campanha de Dilma é que Marina é a principal adversária, uma candidata forte, sem passado em administração executiva, com história quase lendária, difícil de ser desconstruída.

"A nova estratégia vai levar em conta o risco de que Marina é uma candidata que, dependendo da forma como se bate, ela cresce, porque ela se vitimiza. No debate entre os presidenciáveis (terça-feira na Band) isso foi considerado, e a presidente Dilma evitou bater em Marina por não estar claro se ela se aproveitaria disso."

22 de nov. de 2013

Crescendo no Parlamento Europeu

FRANÇA - Foto-reportagem
Crescendo no Parlamento Europeu
O fotografo da Reuters, Vincent Kessler escreve e ilustra no Photographers' Blog, a historia da menina Vittoria que acompanha a mãe deputada, Licia Ronzulli, desde que era bebê, de poucas semanas, nas votações do parlamento europeu

Foto: Vincent Kessler/ Reuters

Vittoria estreando no Parlamento Europeu, a tira-colo da mãe

Postado por Toinho de Passira
Texto e Fotos de Vincent Kessler
Fonte: Photographers' Blog - Reuters

Para ser totalmente honesto, eu não vi Vittoria à primeira vista quando tirei fotos dela e sua mãe , a italiana Licia Ronzulli, Membro do Parlamento Europeu, pela primeira vez em 22 de setembro de 2010.

Foto: Vincent Kessler/ Reuters

A sala plenária do Parlamento Europeu é um hemiciclo gigante para o 766 eurodeputados eleitos entre os vinte e oito Estados-Membros da União Europeia. Não é fácil ver em detalhes o que está acontecendo com cada parlamentar, especialmente quando sentados nas fileiras de trás, numa posição a 10 metros de altura do piso inferior.

Foto: Vincent Kessler/ Reuters

Mas, graças a um telefonema do meu amigo e jornalista da Reuters Gilbert Reilhac, e graças a uma lente de 400 milímetros e conversores, vi-a pela primeira vez. Eu não sabia disso na época, mas ela tinha, então, apenas algumas semanas de idade. As fotos foram amplamente utilizadas por jornais e sites online.

Foto: Vincent Kessler/ Reuters

Soube, dois anos depois, após um telefonema do assistente de Licia Ronzulli , perguntando se eu poderia enviar suas fotos para seu uso privado, que a criança chamava-se Vittoria e foi , em seguida, dois anos de idade. Era a sexta vez que ela acompanhava sua mãe durante as votações no parlamento, celebrizada era conhecida como "o bebê do parlamento " pela mídia.

Foto: Vincent Kessler/ Reuters

Nos últimos três anos, avistamos Vittoria nove vezes no parlamento. Cada uma das suas aparições era uma surpresa para nós e não era de forma alguma pré-arranjado com Licia Ronzulli ou mesmo anunciado com antecedência, como se poderia imaginar. De repente seu ursinho de pelúcia começou também a participar do processo de votação: uma mulher, três votos ?

Foto: Vincent Kessler/ Reuters

Quando a vi última terça-feira enquanto tirava fotos "de rotina" , como costumamos fazer para registrar o funcionamento cotidiano do parlamento . Foi uma agradável surpresa, já que não a tinha visto nos últimos doze meses, e pudemos constatar agora o quanto ela tinha crescido ao comparar as fotos tiradas ao longo dos anos.

Algumas pessoas dizem que Ronzulli faz marketing pessoal ao levar sua filha para o trabalho. Ela diz que traz Vittoria ao trabalho era, como uma maneira de chamar a atenção para a dpula jornada das mães que trabalham. Com isso em mente, acho que ela tem , pelo menos, conseguiu provocar reações e gerar debates.

Não sou ingênuo e sei que tenho desempenhado um papel nessa polêmica. Trabalhando com os políticos sempre andamos numa tênue entre informação e comunicação. Às vezes, eles ganham, às vezes perdem. Não sei se Ronzulli será eleita no próximo ano para um novo mandato no Parlamento Europeu , nem mesmo sei ela será candidata. O que eu sei é que eu gostaria de ver Vittoria de vez em quando para ver como ela esta crescendo

29 de set. de 2013

Vivendo sobre a mudança climática, de Mariana Bazo

PERU - Ecologia
Vivendo sobre a mudança climática
Mariana Bazo, fotografa e jornalista da Reuters, conta a emoção e faz um sensível registro fotográfica de viagem as geleiras do Peru, que estão desaparecendo

Fotos: Mariana Bazo

Postado por Toinho de Passira
Reportagem e fotos de Mariana Bazo
Fonte: Photoblog - Reuters

A mudança climática tem agora uma rota histórica na cordilheira andina. O derretimento progressivo das geleiras tropicais (geleiras localizadas nas latitudes tropicais) em uma cidade levou a um declínio no turismo e fez os moradores procuram alternativas para continuar atraindo turistas.

Peru é um país de vários ecossistemas. Para viajar da capital litorânea de Lima a 5.000 metros (3.107 pés) acima do nível do mar requer apenas algumas horas de condução para cima. Uma das cidades mais importantes da altitude, Huaraz, é famosa por suas acessíveis montanhas cobertas de neve e geleiras. Huaraz também é frequentada por escaladores de montanha, muitos dos quais têm como objetivo atingir Huascarán, montanha mais alta do Peru e o ponto mais alto em regiões tropicais do mundo, com 6.768 metros (22.205 pés) de altura.

Huaraz é separado Lima por cerca de 500 km (310 milhas) da estrada, mas é muito mais distante, em termos de costumes e de desenvolvimento econômico. Um dos maiores pontos turísticos próximos à cidade é a geleira Pastoruri, em cima do qual os visitantes podem caminhar e brincar na neve e no gelo.

Nos últimos anos, a geleira começou visivelmente a desaparecer, e o encolhimento tornou-se tão grave que a comunidade teve que barrar o acesso direto dos visitantes à massa de gelo, pensando que a atividade turística também estava contribuindo para a crise glacial. Para além do impacto no turismo, há também uma grave falta de água para a agricultura, que costumava vir do degelo natural, e isso tem um grande impacto social.

Hoje há uma nova rota para que os turistas possam se aproximar das geleiras, sem, contudo tocá-las. Os guisas chamam de mudança de rota do Clima. Com cerca de 5.000 metros acima do nível do mar, você pode claramente ver e sentir a mudança, abaixo das camadas de gelo brotam rochas marrons e pretas, que parecem estar crescendo das entranhas da geleira.



Ao mesmo tempo em que a população local promove a nova rota para trazer os turistas de volta, os cientistas têm vindo a acompanhar as mudanças no Pastoruri.

Para Luzmila Davila da Unidade de Glaciologia do Peru, o derretimento das Pastoruri é devido mais à mudança climática do que a atividade turística. Ela disse que o encolhimento é imparável, com metade da massa de gelo perdido nos últimos 17 anos. Explicou que as geleiras são reservatórios de água doce em estado sólido muito sensível às mudanças climáticas. Isto é especialmente verdadeiro no caso das geleiras tropicais, como estas e outras localizadas nos Andes, cujas bases estão rodeadas por ar quente.

Se podia sentir a pureza da água quando se caminhava sobre a neve e o gelo até as geleiras. Há uma harmonia entre a geleira e os pequenos montes de fragmentos de gelo em formação.

Lá em cima, a falta de oxigênio não me deixou pensar com clareza, e caminhar é difícil para quem não é um alpinista e vive ao nível do mar. É realmente o teto do mundo com névoa ao seu redor fazendo o seu corpo se mover em câmera lenta.

Fui com um guia de montanha, porque ir sozinha teria sido arriscado. Ele conhece o terreno. Entramos em fendas e ouvimos avalanches. Ao girar lentamente para tirar uma foto panorâmica de 360 graus me deixou tonta. Minhas mãos doem do frio intenso depois de tirar as luvas para apertar o obturador. Meu coração batia a cada passo, como quando corri numa maratona. Mas essa era a única chance de estar com a natureza desta maneira. As mudanças no clima vêm minuto a minuto, com a névoa cobrindo as geleiras da vista, num instante, para em seguida, de repente, deixar que se descortine a paisagem.

Nevou, choveu, fecha o tempo e a visão. Tive que tirar fotos rapidamente debaixo da neve e da chuva que a tudo encharcava. Mesmo com as mãos congeladas, conseguia sentir alegria diante da imensidão do gelo.

Uma caverna de gelo no pé da geleira é uma ameaça, de acordo com Luzmila. Ela explicou que as cavernas são formadas pela erosão do glaciar e sinalizam o início do degelo. Mas não pude resistir a tentar a sorte entrando numa delas, e ver o derretimento do gelo mais de perto quanto possível. Não era um lugar seguro, mas tive que vê-lo. Fiquei observando o gotejamento de água dos pingentes.

Lagos abaixo da geleira parece ser um bom sinal, mas eles são formados pelo derretimento do gelo que está desaparecendo. A população local já está em crise. Deparei com um casal de floricultores, Juan e Elida, que me disseram que quando crianças viam os picos das montanhas cobertos de neve. Agora, eles não conseguem sequer ver a neve de suas casas, e, que recentemente, pela primeira vez, a comunidade brigou por causa de água. Eles dizem que podem sentir a poluição no ar.

Na minha primeira viagem aos Andes eu tinha oito anos, aqui em Huaraz. Eles tinham acabado de estrada de Lima a Huaraz e minha família viajou numa Kombi. Depois tomamos um caminhão para chegar Huascarán, que estava completamente coberta de neve. Agora é uma paisagem quase estéril.

Outra impressão de viagem foi quando passamos Yungay, uma aldeia abaixo da montanha. Dois anos antes, em 1970, Yungay tinha sido enterrado por uma avalanche de gelo e rochas soltas por um terremoto. Cerca de 18.000 pessoas morreram nesse desastre. Vimos pedras e lama e as pessoas ainda vivem em tendas. Essa é uma visão que ficou comigo até hoje. Voltei a esses lugares agora, pensando nas geleiras e quão fortes e assustadoras elas são. Os andinos chamam as montanhas sagradas de "apu", ou seja, um deus da montanha ou do espírito. Os picos nevados são os apus mais poderosos porque fornecem água, embora também punam com deslizamentos de terra.

Conheci um homem idoso que recolhia garrafas de plástico na névoa abaixo Huascarán. Ele me disse que os Apus estão tristes e choram muito, e é por isso que a neve estava desaparecendo. Ele esperava que ao recolher o lixo pudesse fazê-los felizes novamente.

11 de ago. de 2013

Alta costura num presido de segurança máxima

BRASIL - Reportagem
Alta costura num presido de segurança máxima
“Um elegante, loira da alta sociedade cheirando a perfume francês, dentro de uma prisão de segurança máxima ensinando presos a confeccionar malha, pode parecer cena de um filme. Mas foi isso encontrei em Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, comenta o fotografo, Paulo Whitaker, da Reuters, que fez um ensaio fotográfico da história. A experiência repercutiu na imprensa internacional

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Raquel Guimarães conversa com um dos seus “operários”, atrás das grades

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Photographer Blog , The Guardian, Exame

A empresária e estilista mineira Raquel Guimarães, 32 anos, fundou há poucos anos, a grife de moda Doisélles especializada em peças de croché e tricô. O sucesso quase inesperado da marca gerou um agradável problema: as encomendas eram superiores a capacidade de produção.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Vista aérea do presidio Professor Arisvaldo de Campos Pires, momento em que os presos tomam banho de sol, em Juiz de Fora, MG

A confecção de cada peça, feita artesanalmente, requer mão de obra especializada, disposta a trabalhar pacientemente com afinco, apuro e atenção. Um trabalho monótono e repetitivo que requer muita concentração.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Hoje, 18 presos trabalham para produzir as roupas de malha da grife

Em busca de mais mão de obra, a empresária acabou buscando a ajuda no complexo Penitenciário Professor Ariosvaldo de Campos Pires, em Juiz de Fora (MG). Tinha na cabeça a disposição de treinar e tornar “tricoteiras” mulheres que cumpriam penas naquela unidade prisional, de segurança máxima.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Produtos da grife Doisélles, confeccionados pelos presos, num dos pontos de venda

Não encontrou, porém, boa receptividade das internas e foi convencida pelo diretor Andrea Andires, que talvez obtivesse mais sucesso com os presos do sexo masculino. A ideia que a princípio parecia bizarra, imagina transformar em "tricoetiros" presos recolhidos numa prisão de segurança máxima, condenados por crimes como assaltos à mão armada, tráfico de drogas e assassinatos.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A rotina de Raquel Guimarães: visitar quase diariamente o presídio, para ela, setor de produção de sua marca

A realidade trouxe uma surpresa agradável para a empresária, foi justamente entre esses homens, que ela encontrou suas “tricoteiras” perfeitas, homens rudes transformados em operários dedicados, com muito tempo disponível, alguns com mais de 20 anos para gastar, e disposição para executar com perfeição o trabalho que a empresa precisava.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Preso tricotando uma das peças encomendada, alta produtividade e esmero

O projeto traz beneficio de mão dupla, se para a empresa é excelente ter funcionários tão dedicados e eficientes que garante a qualidade dos seus produtos, para os presos essa é uma possibilidade de adquirir uma habilidade que pode ser muito útil, quando for posto em liberdade, facilitando sua reintegração social, a chance de ganhar um bom dinheiro, mesmo estando preso, capaz de ajudar inclusive suas famílias, além de obter benefícios concedidos pela Lei de Execução Penal.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Raquel Guimarães faz controle de qualidade nas peças produzidas, acompanhada de um dos artesões

Até hoje, Raquel já treinou 40 presidiários, todos homens, e atualmente 18 presos trabalham para produzir roupas de malha artesanal. E com essa atividade, além de receber uma renda extra, reduzem suas penas em um dia para cada três dias de trabalhados.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Mais uma surpresa para Raquel, entre os artesões prisioneiros, há vocações além do artesanato, que podem frutificar

O fotografo da Reuters, Paulo Whitaker, passou dois dias no presídio, registrando a atividade dos presos da alta costura. Conta no Blog da Reuters, Photographer Blog , a experiência. A bonita reportagem fotográfica, foi publicada na edição de domingo do jornal inglês The Guardian .

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Depois do expediente, os operários apenados voltam para as suas celas. Fora do espaço destinado ao trabalho eles são tratados como presos comuns.


Raquel Guimarães reunida carinhosamente com os seus operários, na sala do presídio onde funciona a linha de produção da sua empresa.

25 de jul. de 2013

Desemprego sobe, renda cai e inflação assombra

BRASIL - Economia
Desemprego sobe, renda cai e inflação assombra
O mercado de trabalho vem perdendo força sistematicamente e, de acordo com analistas, pode estar entrando em uma nova fase depois de anos de aquecimento justamente no momento mais delicado do governo da presidente Dilma Rousseff, com a confiança do setor produtivo e do consumidor em baixa, inflação elevada e crescimento fraco.


Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

Segundo analise de Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira, da agência Reuters, a taxa de desemprego do Brasil surpreendeu em junho ao subir para 6,0 por cento, marcando o sexto mês seguido que não cede e o patamar mais alto desde abril de 2012, ao mesmo tempo em que o rendimento da população caiu pela quarta vez seguida, deixando mais evidente a falta de confiança que afeta a economia neste momento.

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois dos 5,8 por cento de maio, ficaram acima até da expectativa mais alta que de pesquisa da Reuters, cuja mediana indicava estabilidade no mês.

Em abril de 2012, a taxa de desemprego também havia sido de 6,0 por cento. A última vez que o desemprego caiu foi em dezembro passado, quando atingiu a mínima histórica de 4,6 por cento num momento sazonalmente favorável ao emprego pelas festas de fim de ano, com os quatro meses seguintes mostrando alta e depois se estabilizando em maio.

O mercado de trabalho vem perdendo força sistematicamente e, de acordo com analistas, pode estar entrando em uma nova fase depois de anos de aquecimento justamente no momento mais delicado do governo da presidente Dilma Rousseff, com a confiança do setor produtivo e do consumidor em baixa, inflação elevada e crescimento fraco.

"Acho que começa a se formar uma tendência de desaquecimento do mercado de trabalho, que deve perdurar ao longo do segundo semestre e no ano que vem, acompanhando a perspectiva de desaquecimento da atividade", avaliou o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

Prova de que um dos últimos indicadores positivos da economia começa a mudar de direção foi o país ter fechado o semestre passado com a menor geração de empregos formais desde 2009, auge da crise internacional, com apenas 826 mil novas vagas, segundo dados do Ministério do Trabalho.

As estimativas sobre o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro vêm sendo reduzidas nas últimas semanas e o relatório focus do Banco Central divulgado na segunda-feira mostrou que economistas das instituições financeiras preveem agora uma alta de 2,28 por cento do PIB este ano.

RENDA AFETADA

O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada caiu 0,2 por cento no mês passado ante maio, atingindo 1.869,20 reais, na quarta queda mensal seguida. Em relação a junho do ano passado, o rendimento subiu 0,8 por cento.

A industria demitiu 120 mil pessoas em junho, 63 mil só em São Paulo. "Isso é muito ruim e preocupante nessa época do ano que a indústria começa a contratar para se preparar para atender a demanda de fim de ano", disse o pesquisador do IBGE.

Ainda de acordo com o IBGE, a população ocupada recuou 0,1 por cento em junho na comparação com maio e cresceu 0,6 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 22,980 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Por sua vez, a população desocupada chegou a 1,455 milhão de pessoas, alta de 2,7 por cento ante maio e de 2,4 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

A perspectiva de fraqueza da economia, no entanto, não deve alterar o ciclo de aperto monetário iniciado pelo Banco Central.

O aumento do desemprego pode até ajudar a conter a inflação, argumentou o economista da Saga Capital Gustavo Mendonça, especialmente a alta de preços dos serviços.

25 de jun. de 2013

Dilma ressuscita proposta oportunista de plebiscito inconstitucional

BRASIL - Manifestações
Dilma ressuscita proposta oportunista
de plebiscito inconstitucional
A proposta da presidenta de alterar a Constituição é suspeita, ilegal e manipuladora. Bem ao estilo petista trata-se de um programa de aceleração da inconstitucionalidade. O PAC Ditadura

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Acuada pela onda de protestos no país, presidente usa um mecanismo contestável juridicamente e empurra a reforma política para o Congresso

Postado por Toinho de Passira
Baseado nos textos de Laryssa Borges e Aretha Yarak, para a Veja e
Jeferson Ribeiro e Maria Carolina Marcello, para a Reuters
Fontes: Reuters, Veja, Congresso em Foco, Agência Brasil

Desde o início dos protestos que convulsionam o Brasil, há vinte dias, nenhuma iniciativa da presidente Dilma Rousseff foi tão lastimável na avaliação de especialistas quanto a menção a um plebiscito para promover uma reforma política no país, diz a Veja.

A proposta lançada no momento mais crítico do governo Dilma é altamente contestada no aspecto técnico: a Constituição brasileira é explícita ao vetar a possibilidade de convocação de uma Constituinte com finalidade específica.

A iniciativa esconde a incapacidade do PT, que administra o país há mais de uma década com a maior base parlamentar desde a redemocratização, em realizar uma reforma política às claras, pelo caminho do Legislativo – talvez, porque, aos petistas, os únicos interesses reais sejam o financiamento público de campanha e o voto em listas, que só beneficiariam à cúpula do partido no propósito de se perpetuar no poder.

Lembrar também que com implantação de uma constituinte há espaço num país que estaria se passado a limpo, um indulto para criminoso políticos, como os mensaleiros, por exemplo.

Também demonstra a inequívoca tentação bolivariana do PT de governar diretamente com o povo, passando por cima das instituições democráticas. Afinal, o plebiscito sempre foi visto com desconfiança pelo Direito justamente porque os governos que lançaram mão desse recurso resultaram em gestões populistas e autoritárias – não por acaso, a Constituição Federal reservou essa competência ao Congresso Nacional de maneira exclusiva.

No campo político, a proposta de Dilma permite dupla leitura: ao recorrer a um plebiscito, ela transfere parte da pressão que hoje bate à porta do Palácio do Planalto ao Congresso Nacional; e também joga com o calendário na expectativa que a crise nas ruas possa arrefecer no segundo semestre — o próprio ministro Aloizio Mercadante (Educação) disse que o governo trabalha com duas datas para o plebiscito, nos dias 7 de setembro e 15 de novembro.

COMPETÊNCIA

A proposta de plebiscito para uma hipotética Constituinte tem de ser feita por meio de decreto legislativo apresentado unicamente por deputados ou senadores.

Ou seja: é competência do Legislativo, o que demonstra a faceta oportunista da medida alardeada por Dilma. E a iniciativa esbarra em restrições da própria Constituição, que não prevê a possibilidade de convocação de uma Constituinte, nem mesmo para revisão da própria Carta.

Quando foi discutido o marco constitucional de 1988, previu-se apenas uma revisão geral — que não incluiria as cláusulas pétreas — cinco anos após o texto. E isso já aconteceu.

Em tese, para que se valide a convocação de uma assembleia constituinte, seria preciso que Câmara e Senado aprovassem uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Mais uma vez, portanto, as promessas de Dilma esbarram na vontade política e no jogo de interesse do Congresso.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Michel Temer, ao lado de Dilma, na reunião e historicamente contra convocação de constituinte para reforma política.
Dentro do governo, o vice-presidente da República, Michel Temer, é uma das vozes de maior oposição à possibilidade de convocação de uma constituinte para a reforma política.

“É inaceitável a instalação de uma constituinte exclusiva para propor a reforma política. Não vivemos um clima de exceção e não podemos banalizar a ideia da constituinte, seja exclusiva ou não”, disse Temer, em artigo publicado em 2007.

“Uma constituinte exclusiva para a reforma política significa a desmoralização absoluta da atual representação. É a prova da incapacidade de realizarmos a atualização do sistema político-partidário e eleitoral”
, escreveu o peemedebista.

Nunca pensamos que um dia íamos concordar com Michel Temer.

Para o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, a menção de Dilma a um plebiscito foi “populista e irresponsável”. Populista, porque se a presidente quisesse, poderia encaminhar a reforma política por meio de proposta de emenda à Constituição e iniciar a discussão em termos mais concretos. Convocar um plebiscito “é um meio de jogar para as calendas uma reforma real”, diz Reale. “É uma proposta indefensável. Foi fazer a política do pão e circo”, resume o ex-ministro.

Ministro Marco Aurélio: “Convocação de Constituinte para debater reforma política é inviável.”
No primeiro plebiscito após a Constituição de 1988, ocorrido em 1993, porém previsto na Carta de 1988, o país foi instado a decidir se o regime de governo seria presidencialista, monarquista ou parlamentarista. “A Constituinte cedeu às pressões do então presidente José Sarney, que fazia pressão para obter cinco anos de mandato. Quando cedeu, entrou em depressão profunda e então instituiu esse plebiscito como forma de expiar seu próprio erro”, avalia Miguel Reale.

Para o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, a proposta é desnecessária. “A gente não precisa de um plebiscito para saber o que a sociedade quer. Não há necessidade de um plebiscito para saber o que a população quer”, criticou.

“O caminho mais fácil [para a reforma] é a deliberação de uma PEC pelo Congresso. Isso está bem mais ao alcance do que um plebiscito, que primeiro ouve a vontade dos eleitores [que todo mundo já sabe quais são], e, só então, toma-se uma providência pelo Congresso”, pondera o magistrado.

Ao analisar a possibilidade de convocação de uma assembleia constituinte exclusiva, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcos Vinicius Furtado, diz que “é muita energia gasta em algo que pode ser resolvido sem necessidade de mexer na Constituição”. “Basta alterar a Lei das Eleições e a Lei dos Partidos. É isso o que queremos com o projeto de lei de iniciativa popular, que já está pronto, de reforma política. É prático e direto”, comentou.

“Estaríamos agredindo a Constituição com uma constituinte exclusiva. Se isso acontecesse no Brasil, seria um retrocesso”, disse o ex-ministro do STF Carlos Velloso ao Jornal Nacional da TV Globo.

Para o professor de Direito da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) Carlos Ari Sundfeld, a proposta de uma constituinte específica para a reforma política é “romper com a ordem vigente e apostar numa indefinição”. “Propor a convocação de uma constituinte é propor às pessoas que deem uma carta em branco para uma assembleia que provavelmente definirá por maioria”, avalia.

“O que está por trás é o discurso de diminuir a importância dos partidos que hoje têm condições de impedir a reforma que o governo quer fazer.” – concluiu o professor.

O que é um plebiscito e quem pode convocar?

O plebiscito significa uma consulta sobre uma questão geral. Você apresenta uma questão — a redução da maioridade penal, por exemplo — e a população deve dizer se é favor ou contra. Depois, o legislador, com base nesse resultado, faz uma lei detalhando como ela vai funcionar. Isso é diferente do referendo. Nele , a população aprova uma lei após ela ter sido definida pelo Legislativo. Sua eficácia fica condicionada ao resultado do referendo.

Não cabe ao presidente autorizar um plebiscito, isso é atribuição do Congresso. Mas é um problema meramente formal. A presidente pode fazer isso por meio de sua bancada no Congresso, que proporia um decreto legislativo.


Consulta a Elival da Silva Ramos, professor titular de direito constitucional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e atual Procurador Geral do Estado de São Paulo

3 de mai. de 2013

Balança comercial despenca: déficit de 6,15 bilhões de dólares no quadrimestre

BRASIL - Economia
Balança comercial despenca:
déficit de 6,15 bilhões de dólares no quadrimestre
No ms de abril batemos o recorde negativo de US$ 994 milhões de dólares. Estão pondo a culpa no petróleo que a Petrobras está sendo obrigada a comprar. Peraí, a gente não era autossuficiente em petróleo?

Foto: Veja

Dilma Rousseff, começa a ser vaiada por aí

Postado por Toinho de Passira
Texto de Luciana Otoni, para Reuters
Fonte: Reuters

A balança comercial registrou no mês passado o pior desempenho para meses de abril da história do comércio exterior brasileiro, com um déficit de 994 milhões de dólares, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta quinta-feira.

Com mais este resultado negativo, o Brasil acumula déficit comercial recorde de 6,15 bilhões de dólares no quadrimestre, ante um saldo positivo de 3,3 bilhões de dólares no mesmo período de 2012. Neste ano, somente o mês de março registrou superávit comercial, e de apenas 161 milhões de dólares.

O governo credita o desempenho fraco da balança comercial à necessidade da Petrobras de importar mais combustíveis e vender menos petróleo no mercado externo para atender a crescente demanda doméstica.

"Se não fosse petróleo e derivados, teríamos tido uma média diária de exportações superior", disse secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, referindo-se ao recuo de 73 por cento das exportações de petróleo em abril ante abril de 2012.

De acordo com o ministério, o déficit comercial específico das operações de petróleo e derivados foi de 2,7 bilhões de dólares em abril, ante déficit de 1,175 bilhão de dólares em abril do ano passado.

O resultado da balança comercial no mês, apesar de ruim, veio em linha com o esperado pela mediana das projeções de especialistas consultados pela Reuters, de déficit de 1 bilhão de dólares.

No mês, exportações somaram 20,632 bilhões de dólares, com queda de 4,1 por cento em relação a abril de 2012 e de 2,9 por cento frente a março, pela média diária.

Mas não foram somente as exportações de petróleo que caíram no mês. Também houve queda nas vendas de produtos básicos (-5,5 por cento) e de manufaturados (-3,9 por cento) com recuo nos embarques de algodão, carne, café, minério de ferro, aviões e máquinas. Somente as vendas de semimanufaturados subiram no mês (+1,5 por cento) ante abril de 2012.

Apesar da retração nas vendas de produtos básicos, as exportações do complexo soja mostraram forte elevação no mês passado, com alta de 62 por cento no volume embarcado em relação a abril de 2012, para 7,15 milhões de toneladas.

Já as importações em abril somaram 21,626 bilhões de dólares, com alta em todas as categorias de produto. Pela média diária, as importações cresceram 5,2 por cento frente a abril de 2012 e de 2,6 por cento ante março.

Em relação a abril de 2012, as importações de bens de consumo subiram 9,1 por cento, puxadas por uma alta de 22,8 por cento de bens não duráveis. Já as compras de matérias-primas e intermediários aumentaram 7,2 por cento, e as de bens de capital, 3,2 por cento.

As importações de combustíveis aumentaram 19,8 por cento em abril frente a março pela média diária, devido ao registro atrasado das compras de gasolina no exterior feitas pela Petrobras em 2012. Essa contabilidade atrasada vem sendo feita desde janeiro e afetando negativamente a balança comercial.

Segundo a secretária, a Petrobras ainda terá que fazer o registro de 1 bilhão de dólares em importações de gasolina realizadas em 2012. Entre janeiro e abril, esse registro em atraso foi de 3,5 bilhões de dólares.

No acumulado do ano até abril, as exportações somam 71,468 bilhões de dólares, com queda de 3,1 por cento pela média diária em relação ao mesmo período de 2012, em decorrência de menores vendas no exterior de produtos básicos e manufaturados.

Em contrapartida, as importações atingiram, no mesmo período, 77,618 bilhões de dólares, 10 por cento acima do registrado no primeiro quadrimestre de 2012, em função de maiores compras no exterior de combustíveis, máquinas e equipamentos, bens intermediários e bens de consumo.

6 de abr. de 2013

Reeleição de Dilma pode não ser a barbada que parece, de Brian Winter, para a Reuters

BRASIL - Análise
Reeleição de Dilma pode não ser a barbada que parece
“A economia brasileira está se comportando estranhamente, e não há manual que mostre para onde ela se encaminha. O sólido crescimento da renda se estabilizou, porque o PIB cresceu apenas 2,7 por cento em 2011, e 0,9 por cento em 2012. Projeções de um crescimento de 3 por cento neste ano começam a parecer otimistas demais”.

Foto: Wesley Santos/Folhapress

”Nós somos um País conhecido como sendo insuperável no campo, mas nós estamos mostrando que somos insuperáveis também fora de campo", disse Dilma ao inaugurar a Fonte Nova em Salvador.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Brian Winter, para a Reuters
Fonte: Reuters

Ela está entre os mais populares presidentes do mundo, com um índice de aprovação --79 por cento, e subindo-- que causa inveja em seus colegas de países mais ricos, às voltas com crises da dívida e impasses políticos.

A taxa de desemprego nunca foi tão baixa no país, e o otimismo empreendedor é comparável ao dos EUA no pós-Segunda Guerra Mundial. Com esse cenário, Dilma tem a chance de exibir seu progresso ao receber a Copa do Mundo de 2014.

E, no entanto, é inteiramente plausível que Dilma Rousseff não consiga se reeleger como presidente do Brasil em outubro de 2014.

A presidente, de 65 anos, continua sendo a clara favorita, mas a ameaça da alta inflacionária e do desemprego, um trio de adversários competitivos na disputa e a possibilidade de um constrangedor fracasso logístico na Copa fazem com que a candidatura de Dilma não seja a barbada que alguns observadores apontam.

"Provavelmente vai ser a eleição mais competitiva no Brasil em uma década", disse João Augusto de Castro Neves, analista da consultoria Eurasia Group. "Se você for ver, a maioria dos ingredientes para uma disputa acirrada está aí."

Foto: Agência Brasil

Ministro Mantega arranjando desculpas para os problemas da economia

O PRINCIPAL INGREDIENTE É A ECONOMIA.

Sob certos aspectos, esse é o maior trunfo de Dilma. O desemprego em fevereiro ficou em 5,6 por cento, o menor já registrado para esse mês. Os salários reais continuam crescendo, como vêm ocorrendo na maior parte da última década, período em que a economia brasileira registrou uma expansão histórica, tirando da pobreza cerca de 35 milhões de pessoas, uma Califórnia inteira.

O sucesso passado e presente explica por que a aprovação de Dilma voltou a subir na última pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no mês passado, quando o índice chegou a 79 por cento. Para 63 por cento dos entrevistados, o governo dela é ótimo ou bom.

Se esses números se mantiverem, Dilma será praticamente imbatível. Castro Neves citou um estudo do instituto Ipsos, que examinou mais de 200 eleições mundo afora nas últimas duas décadas, e concluiu que líderes com aprovação superior a 60 por cento têm 90 por cento de chances de serem reeleitos.

No entanto, não muito abaixo da superfície, há claros problemas econômicos que podem vir à tona e prejudicar Dilma, corroendo essa invejável aprovação quando a campanha eleitoral ganhar fôlego.

Charge: Humberto – Jornal do Commercio (publicada em 16.01.2011)

QUANTO DURA?

O vilão mais provável, embora não o mais perigoso, é a inflação.

A inflação acumulada em 12 meses até meados de março chegou a 6,43 por cento e deve subir ainda mais nos próximos meses. O Banco Central disse na semana passada que vê 25 por cento de chances de que a inflação feche o ano acima de 6,5 por cento, o teto da meta do governo.

O país é sensível a aumentos de preços, principalmente por causa dos horrores do passado. Há apenas duas décadas, a hiperinflação atingia mais de 2.500 por cento ao ano, e as pessoas consideram que o sucesso recente do Brasil só foi possível porque esse problema foi controlado.

A maioria dos eleitores ainda não se enfureceu com os aumentos de preços, porque os salários têm crescido ainda mais - -por uma margem média em torno de 3 por cento no ano passado. Na pesquisa da CNI, 48 por cento disseram aprovar o comportamento de Dilma no combate à inflação, enquanto 47 por cento o reprovaram, resultado que foi uma surpresa positiva para alguns no Palácio do Planalto.

Será que isso vai durar? Citando um membro da equipe econômica de Dilma: "Quem lhe disser que sabe isso está mentindo."

Isso porque a economia brasileira está se comportando estranhamente, e não há manual que mostre para onde ela se encaminha. O sólido crescimento da renda se estabilizou, porque o PIB cresceu apenas 2,7 por cento em 2011, e 0,9 por cento em 2012. Projeções de um crescimento de 3 por cento neste ano começam a parecer otimistas demais.

A popularidade de Dilma mostra que os eleitores brasileiros não ligam a mínima para o PIB. Mas os líderes empresariais ligam, e são eles que oferecem a maior parte dos empregos. E, com efeito, vários indicadores do sentimento empresarial parecem abalados.

A Bolsa de São Paulo teve perdas de 7,55 por cento entre janeiro e março, pior primeiro trimestre em 18 anos, num momento em que os mercados nos EUA estão disparando. A produção industrial caiu 2,5 por cento em fevereiro, seu pior desempenho desde o auge da crise financeira no final de 2008, tolhendo as esperanças de que os numerosos pacotes de estímulo econômico do governo Dilma tenham ajudado a indústria a se recuperar.

O consumo há anos salva a economia --graças ao crédito mais barato e amplamente disponível. Mas a inflação alta provavelmente levará o Banco Central a retomar a trajetória de alta dos juros a partir de maio ou junho.

Então, a questão se resume ao seguinte: será que as empresas brasileiras vão continuar gerando mais empregos e pagando melhores salários se a economia entrar num terceiro ano consecutivo de crescimento pífio, sem uma recuperação à vista, e ao mesmo tempo o crédito se tornar mais caro e o consumo começar a se desacelerar?

A resposta pode muito bem ser "sim". Muitas empresas continuam apostando que o futuro brasileiro, em longo prazo, permanecerá brilhante.

Mas, se a resposta for "não", a inflação se tornará uma questão política mais importante, e o maior risco à reeleição de Dilma pode emergir: o desemprego. E aí a eleição de 2014 pode se tornar de fato interessante.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma inaugurando a Fonte Nova, em Salvador, a qualidade da Copa de 2014 e até o desempenho da Seleção Brasileira pode influir no resultado da eleição

DE OLHO NA COPA

Outra verdade inconteste sobre Dilma é que, embora ela seja amplamente respeitada e até admirada, ela não é amada --pelo menos não no mesmo nível que seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, que governou o Brasil de 2003 a 2010.

Tecnocrata, só foi disputar sua primeira eleição em 2010 e ainda parece incomodada às vezes de falar a multidões. Mas Dilma construiu sua imagem em torno da ideia de que seria uma sensata guardiã da economia.

O lado negativo disso é que, se a economia desacelerar mais, não há muito mais para sustentar sua popularidade.

Na pesquisa CNI, ela se saiu melhor nos quesitos combate à pobreza, fome e desemprego. Mas foi reprovada pela maioria na condução da saúde pública (67 por cento), segurança (66 por cento) e educação (50 por cento), questões que estão se tornando prioridades mais relevantes à medida que mais gente entra para a classe média.

Da mesma forma, a ênfase na competência administrativa como principal qualidade de Dilma a deixa especialmente vulnerável a uma situação de caos na Copa, que acontecerá apenas três meses antes da eleição presidencial.

A Fifa já manifestou preocupação de que os estádios não fiquem prontos a tempo, e o Brasil sofre com terríveis gargalos crônicos em aeroportos, rodovias e redes de transportes públicos. Um grande colapso logístico poderia ser usado pela oposição para desmontar o que é visto como o maior trunfo da presidente.

Foto: AE/ J.R. Duran / Alfa

O governador Eduardo Campos, 6%, e o senador Aécio Neves, 10%

OS DESAFIANTES

Quanto a prováveis adversários competitivos na eleição, houve um aumento em relação a 2010, quando eles eram apenas dois.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), um aliado histórico que pode tirar votos de Dilma no Nordeste, uma região que é um forte reduto dela, são os que tem melhores chances.

Aécio e Campos são figuras de boa presença televisiva, que podem se apresentar como candidatos capazes de manter programas sociais populares, mas também mais favoráveis à iniciativa privada do que Dilma. Ambos poderiam atrair doações de empresas que estejam interessadas em mudança caso a economia siga estagnada no ano que vem.

Uma terceira candidatura, da ex-ministra de Lula e ambientalista Marina Silva, parece que terá dificuldades em ganhar impulso popular ou financeiro, mas pode ser capaz de tirar votos suficientes de Dilma a ponto de provocar um desconfortável segundo turno, como já fez em 2010.

Pesquisa Datafolha publicada em 22 de março mostrou Dilma destruindo seus possíveis rivais, com 58 por cento das intenções de voto, contra 16 por cento de Marina, 10 por cento de Aécio e 6 por cento de Campos.

Mas a própria Dilma é prova de que as primeiras pesquisas não contam muito no Brasil, já que muita gente só dá atenção à política quando chega a época da eleição.

Quando faltavam 18 meses para a última eleição presidencial, Dilma estava 30 pontos percentuais atrás do seu rival, José Serra (PSDB) --provando, outra vez, que na disputa política tudo é possível.


*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original