11 de dez de 2013

O país do estamos providenciando, coluna Carlos Brickmann

BRASIL - Opinião
O país do estamos providenciando
O mesmo torcedor é preso em Oruro, na Bolívia, e pouco depois em Salvador, na Bahia. Já esteve em Tóquio, no Japão. De onde tira tanto dinheiro?

Foto: Geraldo Bubniak / Fotoarena

VIOLÊNCIA ROTINEIRA - Torcedores de Vasco e Atlético-PR brigam durante partida entre os dois times em Joinville, pelo Campeonato Brasileiro, neste domingo (8).

Postado por Toinho de Passira
Texto de Carlos Brickmann
Fonte: Site Brickmann & Associados Comunicação

As autoridades prometem que, daqui pra frente, tudo vai ser diferente, o torcedor briguento de futebol vai aprender a ser gente. O pior é que não somos só nós que sabemos que é tudo conversa mole: as autoridades também sabem.

1 - O mesmo torcedor é preso em Oruro, na Bolívia, e pouco depois em Salvador, na Bahia. Já esteve em Tóquio, no Japão. De onde tira tanto dinheiro?

2 - Um torcedor foi fotografado, na briga das torcidas organizadas do Atlético Paranaense e do Vasco da Gama, com um porrete quase do tamanho dele, com pregos na ponta. Por mais ingênuo que seja o policial, ou o porteiro, ou o segurança, que é que imaginou que ele pretendia fazer no estádio com o porrete? OK, temos de admitir que há possibilidades diversas, mas com pregos na ponta?

3 - Um ex-vereador de Curitiba, Juliano Borghetti, do PP, membro do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, membro da Comissão Especial para Assuntos da Copa 2014, superintendente da Ecoparaná, aliado do governador tucano Beto Richa, foi fotografado no meio da briga de atleticanos e vascaínos. Enfim, uma autoridade ativa! Pena que sua atividade seja participar de guerra de torcidas.

A solução para pacificar os estádios é simples: a mesma da Inglaterra, e não há falta de câmeras por aqui. É identificar e punir os baderneiros - ou com proibição de ir ao jogo, supervisionada pela Polícia, ou com prisão. E aqui? Por cerca de um ano, funcionou no Ministério da Justiça a Comissão Técnica de Combate à Intolerância Esportiva. Neste ano não houve brigas em estádios. Ao assumir, o ministro José Eduardo Cardozo acabou com ela.

Por que? Perguntem a ele, oras!

Parecia bom

Pior do que a ideia má é a falsa boa ideia. Eleição direta no futebol, por exemplo. Para garantir o apoio de uma massa organizada, a diretoria do clube abre os cofres para as torcidas organizadas (as que provocam as brigas). Surgem as viagens subsidiadas, os ingressos gratuitos ou com descontos, para que os líderes possam revendê-los, e se forja a aliança entre clube e baderneiros. Experimente o caro leitor comprar um ingresso numerado e, ao encontrar sua cadeira ocupada, chamar o segurança. Ele não vai tomar providência alguma.

Sabe quem manda.

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