20 de nov de 2014

Morre em São Paulo o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, o criminalista de Lula e do PT

BRASIL – Luto
Morre em São Paulo o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, o criminalista de Lula e do PT
Bastos foi internado na terça (18) para tratamento de fibrose pulmonar.O ex-ministro morreu no Hospital Sírio-Libanês aos 79 anos. Foi dele a tese, que não vingou que o dinheiro que rolava no propinoduto do mensalão era caixa 2, um crime menor, que jamais iria conseguir por os acusados na cadeia

Foto: André Coelho / O Globo

Thomaz Bastos, o criminalista de estimação de Lula

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Implicante, Revista Época, Veja, Estadão, Folha de S. Paulo, Wikipedia

O advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, de 79 anos, morreu na manhã desta quinta-feira (20) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Bastos foi internado na terça-feira (18) para tratamento de descompensação de fibrose pulmonar, segundo boletim médico divulgado pelo hospital.

Um dos advogados criminalistas mais influentes do país, Bastos foi convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compor a equipe do primeiro mandato. Comandou o Ministério da Justiça entre 2003 e 2007.

Ao convidar um criminalista para ser Ministro da Justiça, Lula dava sinais que iria precisar de um especialista para defende-lo, quando fosse necessário.

Márcio deixou o Ministério, porque estava tendo prejuízo, pois não podia atuar abertamente nas causa que seu escritório, jamais fechado, continuava a ser contratado.

A evidencia de ter sido Ministro de Lula, aumentou ainda mais sua evidencia, como criminalista das grandes e milionárias causas de grande repercussão nacional.

Atuou, por exemplo, no julgamento do processo do mensalão, no Supremo Tribunal Federal, em 2012. Na ocasião, defendeu o ex-vice-presidente do Banco Rural, José Salgado.

Durante o período do julgamento, entrou com reclamação contra o então presidente do STF, Joaquim Barbosa, questionando o fato de Barbosa não ter levado pedidos da defesa dos réus para análise do plenário do tribunal.

Foto: Aílton de Souza/O Globo

Thomaz Bastos ao lado do seu cliente Carlinhos Cachoeira, uma causa de R$ 15 milhões

Também foi o responsável pela defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que responde a processo por suspeita de participação em esquema de jogos ilegais, de quem teria recebido R$ 15 milhões de honorários.

Bastos atuou ainda na defesa do médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por 48 ataques sexuais a 37 vítimas.

A acusação dos assassinos de Chico Mendes, do cantor Lindomar Castilho e do jornalista Pimenta Neves são outros trabalhos de repercussão nacional no currículo do ex-ministro.

Bastos era formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) na turma de 1958.

Em 1990, após a eleição do presidente Fernando Collor, integrou o governo paralelo instituído pelo Partido dos Trabalhadores como encarregado do setor de Justiça e Segurança. Em 1992, participou ao lado do jurista Evandro Lins e Silva da redação da petição que resultou no impeachment de Collor.

Foto: Veja

''Se eu deixar que me chamem de bêbado sem fazer nada, daqui a pouco alguém vai dizer que eu sou gay e vocês não vão me deixar fazer nada'' – argumentava Lula, querendo expulsar o jornalista do The New York Times

A primeira atuação destacada de Thomaz Bastos, como Ministro, durante o governo Lula, foi quando o ex-presidente queria expulsar do Brasil o jornalista americano Larry Rohter, correspondente do The New York Times no país. O correspondente americano publicou uma reportagem, sugerindo que o consumo de bebida alcoólica pelo presidente Lula virara "preocupação nacional".

Desde o primeiro momento, contrario a atitude precipitada de Lula, que ganhara repercussão internacional, o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, convenceu Lula a voltar atrás, e engendrou uma negociação com os advogados do jornalista, que acabou parecendo que o americano havia pedido desculpas ao presidente. Mesmo depois da direção do New York Times ter divulgado uma nota negando que tenha havido retratação por parte de Rohter, a versão de Bastos acabou prevalecendo.

Mais tarde, quando eclodiu o escândalo do mensalão, Thomaz Bastos, o ministro da justiça, abandonou a recomendável neutralidade do cargo e assumiu a defesa dos Partido dos Trabalhadores e petistas envolvidos. Conseguiu convencer José Dirceu a deixar a Casa Civil, para blindar Lula, e inventou a tese de que a movimentação milionário do propinoduto comandado por Marcos Valério, não passava de um Caixa 2 de campanha.

A morte de Thomaz Bastos deixa o ex-presidente Lula órfão de advogado. Para o petista não havia hora pior para o amigo desencarnar, exatamente quando o petrolão começa a chegar nas suas cercanias.

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