21 de dez de 2013

Velório de Reginaldo Rossi, a emoção do povão, fans, garçons, amigos anônimos, políticos e celebridades

BRASIL - Pernambuco - Luto
Velório de Reginaldo Rossi, a emoção do povão, fans, garçons, amigos anônimos, políticos e celebridades
O céu ficou mais brega, alegre e romântico." - disse o cantor e compositor cearense Falcão, enquanto lamentava a morte de Reginaldo nas redes sociais.Uma fila interminável de fans formou-se em frente a Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde o corpo é velado. O Governo do Estado decretou 3 dias de luto oficial, pela morte do Rei do Brega

Foto: Alex Carvalho/CGCOM

Reginaldo Rossi: “Os cantores no mundo todo querem fazer sucesso. As letras são as mais simples possíveis, as harmonias [também]”. Tem que ter Chico [Buarque], Gal [Costa], Caetano [Veloso], e tem que ter Amado Batista, Zezo dos Teclados, Faringes da Paixão e Reginaldo Rossi".

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Leia Já, Veja, G1 - Pernambuco, Alepe, Diário de Pernambuco, Wikipedia

Morreu na manhã desta sexta-feira, aos 69 anos, o cantor Reginaldo Rossi, ou Reginaldo Rodrigues dos Santos nascido na cidade de Recife, capital de Pernambuco, em 14 de fevereiro de 1944.

Ele estava internado desde 27 de novembro no Hospital Memorial São José, no Recife, e foi diagnosticado com câncer de pulmão na última semana. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, a morte se deu às 9h25, em decorrência de complicações da doença. O velório será realizado nesta sexta-feira, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a partir das 19h. O sepultamento será no cemitério Morada da Paz, neste sábado, às 20h.

Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, morreu apropriadamente, numa nesta sexta-feira, o dia da farra. Nos bares do Recife e do Brasil, reunidos os boêmios e os corações desiludidos, reverenciaram o ídolo pernambucano, que seduziu o país, pela autenticidade, simplicidade e talento.

No texto de Tiago Barbosa, para o Diário de Pernambuco, fica o registro de que Reginaldo Rossi entra para a história da música como uma das vozes mais românticas do país. Em mais de 50 anos de carreira, ele cantou os desencontros do sentimento humano, especialmente ilusões, fetiches, dores e desamores comuns aos relacionamentos. Contemporâneo de uma geração tachada de brega por cantar canções idolatradas pelo povo, ao lado de Odair José, Amado Batista, Wando, Agnaldo Timóteo, Fernando Mendes, entre outros, Rossi inverteu a lógica do rótulo e abriu espaço para um gênero musical marginalizado no Brasil.

O cantor reformulou o conceito de brega e, com músicas e declarações, esfregou na cara da sociedade a incoerência entre a crítica e a vida real. Democratizou os sentimentos, uniu pobres e ricos nas emoções e na mesa do bar, universalizou a dor, o amor, o chifre e a alegria da roedeira ao pé de um garçom, definido por ele como o confessor da humanidade, personagem inspiração para o maior sucesso musical.

Foto: Jarbas Araújo/Alepe

A esposa Cileide Rossi, vela o companheiro

"Quando o chifre dói, o diploma cai da parede", "Não há quem não bregue depois de três doses" e "No mundo inteiro, é romântico, mas, aqui, quem faz romantismo é brega" foram frases da filosofia "Reginaldiana" levada adiante em mais de 300 composições gravadas ao longo da carreira.

Dono de uma uma cabeleira fora dos padrões de beleza, de uns óculos escuros onipresentes, camisa sempre aberta no peito e uma voz inconfundível, Reginaldo fez sucesso incontestável para além das fronteiras do estado. Começou com o rock e o balanço da Jovem Guarda no grupo Silver Jets. Depois, em carreira solo, enveredou pelas músicas românticas. Dominou o Norte e o Nordeste, durante os primeiros anos de carreira, mas partir de 1990, graças ao sucesso Garçom, composta em 1986, chegou ao restante do país e se consolidou como artista nacional.

Reginaldo Rossi assumiu a condição de popular das músicas às declarações. Orgulhava-se de preferir os termos usuais para compor, em vez de se valer das palavras rebuscadas agradáveis apenas à crítica. "Eu canto para o povão", mandou avisar por meio dos médicos, já do leito do hospital. As letras sempre remeteram à simplicidade: a tristeza depois de ser deixado pela pessoa amada, os suspiros nas carícias do casal, a traição, o bailinho, a ausência e a canalhice. Vieram A raposa e as uvas, Mon amour, meu bem ma femme, Tô doidão, Deixa de banca e Garçom.

Com o microfone nas mãos, desferiu golpes duros o machismo, ao exigir igualdade amorosa para as mulheres, criticou a hipocrisia homofóbica, deu leveza ao chifre, calo social brasileiro muitas vezes combustível para atos de violência. "Por que o homem pode chifrar, chifrar, chifrar e a mulher não pode fazer nada?”. Rossi deu transparência ao sentimento.

Rossi lançou cerca de cinquenta álbuns ao longo de sua carreira, sendo os três primeiros com uma pegada mais próxima do rock: O Pão (1966), Festa dos Pães (1967) e O Quente (1968). Dois anos depois do último lançamento, chegou às lojas À Procura de Você, disco que marca sua estreia no gênero brega-romântico, no qual se tornaria um dos grandes expoentes. Em 1987, lança o disco Teu Melhor Amigo, que inclui um de seus maiores sucessos, Garçom. Seu último trabalho foi o disco Cabaret de Rossi, lançado em 2010 e que rendeu a ele o Prêmio da Música Brasileira no ano seguinte. Além disso, o rei do brega, como era conhecido, conquistou ao longo da carreira quatorze discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante.

O cantor havia se apresentado pela última vez em João Pessoa, depois de enfrentar três apresentações seguidas no Manhattan Café Theatro, em Boa Viagem, no Recife. Estava com show marcado no revéillon, no Pina, Zona Sul do Recife, cidade cujo hino informal é uma de suas composições mais adoradas: "Recife, a minha cidade, o meu lugar". Fumante inveterado de mais de dois maços de cigarro ao dia, consumidor de uísque misturado com Coca-Cola e jogador contumaz de pôquer, Reginaldo deixa a esposa Cileide e o filho Roberto.

Deixa órfã uma legião de fãs acostumados a cantar, sorrir e chorar ao som de letras capazes de desvendar e espalhar cada retalho da alma humana.

Foto: Breno Laprovitera/Alepe

Reginaldo velado na Assembléia Legislativa, com direito a guarda de honra e reverência dos poderososFoto: Jarbas Araújo/Alepe

O governador Eduardo Campos, na foto acompanhado do presidente da Assembléia, Guilherme Uchôa, decretou três dias de luto. Rossi era amigo da família e sempre apoiou o avô Arraes, nas campanhas políticas

Reginaldo Rossi canta "Garçon", ao vivo, o vídeo é de 2006

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