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28 de out. de 2013

Veículo desgovernado danifica a histórica Ponte d´Uchôa

BRASIL - Pernambuco
Veículo desgovernado danifica histórica Ponte d'Uchôa
Motorista envolvido no acidente soma 10 multas de trânsito, inclusive por dirigir sob efeito de álcool. A construção, tombada por valor histórico é datada de 1865

Foto: Mayra Cavalcanti/Esp. DP/D.A Press

Parte do telhado e das paredes da antiga estação desabaram

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1 - PE, Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio

Durante a madrugada um carro desgovernado captou e destruiu parte da estrutura da Ponte d´Uchôa, na Zona Norte do Recife. Imagens de uma câmera da Companhia de Trânsito e mostram o momento em que o veículo, em alta velocidade, derrapa na curva antes de se chocar ao equipamento. Um vigilante que atua no local contou que o condutor, que ficou preso nas ferragens, foi socorrido após a colisão.

Parte do telhado e dos tijolos da antiga estação caíram na pista, interditando uma faixa da avenida. A colisão também deixou óleo derramado na pista, oferecendo risco aos motoristas. A Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana lavou a avenida, isolou a área e informou que a partir de amanhã equipes serão deslocadas para fazer a avaliação e iniciar imediatamente a recuperação do patrimônio.

O motorista envolvido no acidente, Vinícius Freitas Cândido, proprietário do Ford Fusion, de placas PEJ 0001, que destruiu parcialmente a estrutura da histórica edificação, soma 10 multas registradas pelo Departamento de Trânsito de Pernambuco (Detran) desde o ano de 2012. Cometeu diversos tipos de infrações, como excesso de velocidade, dirigir sob efeito de álcool, conduzir veículo que não está licenciado e estacionar em local proibido e na faixa de pedestres. Pelas irregularidades, o condutor teria desembolsado a quantia de R$ 4.220,32.

A Prefeitura do Recife informou, na tarde desta segunda-feira (28), que vai cobrar ressarcimento do motorista demolidor. Segundo a Secretaria de Assuntos Jurídicos, os custos ainda serão levantados e, se o condutor for considerado culpado, deverá arcar com as despesas referentes à restauração do equipamento. Em nota, ainda explicou que "a pessoa que causa danos ao patrimônio público é responsável pela reparação do dano causado, garantida a ampla defesa", e caso ela não aceite pagar de forma amigável, a Justiça será acionada.

A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Urbanos informou que a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) isolou a área e, a partir desta terça (29), vai iniciar imediatamente a recuperação do patrimônio. A Emlurb já convocou representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural do município para uma reunião, quando será avaliada a melhor forma de efetuar a restauração.

Foto: Divulgação

A charmosa estação antes do acidente

Símbolo da arquitetura de ferro, a Ponte d´Uchôa foi, originalmente, construída em 1865. No passado, o local servia de parada para os bondes que faziam o transporte público no Recife, entre 1867 e 1915. A praça é uma área tombada e um ponto turístico de valor histórico. Em julho de 2012, a área foi revitalizada pela Emlurb. Na época, as obras custaram R$ R$ 44.043,00.

3 de dez. de 2011

HISTÓRIA: Renoir, o pintor francês, morria aos 78 anos

HOJE NA HISTÓRIA
Renoir, o pintor francês, morria aos 78 anos
Sofrendo de forte reumatismo, no fim da vida chegou a pintar com os pincéis atados aos punhos, O francês é uma das mais destacadas figuras do movimento impressionista.

Imagem Wikimedia Commons

"Bal du Moulin à la Gallette", que pode ser encontrada no Museu d'Orsay, em Paris é uma das obras primas do artista

Postado por Toinho de Passira
Fonte:Opera Mundi

Nascido em uma família pobre, cujo pai era um alfaiate modesto que a duras penas sustentava a família, Renoir começou a pintar em porcelana e em tecidos para ganhar algum sustento. Mais tarde, com alguma economia acumulada, pôde ingressar no ateliê do afamado pintor Charles Gleyre, que não acreditava muito no talento de seu aluno.

Abandonado à própria sorte por Gleyre, passou a freqüentar o Louvre copiando os grandes mestres. A pintura de Renoir, de início influenciada por Gustave Courbet, encontra seus primeiros traços próprios em 1867. Sua “Lise” é uma obra em que já se encontram firmados os grandes temas caros a ele: a luz e o corpo da mulher.

Trabalhando ao lado de Claude Monet, executou telas dentro de um mesmo espírito de pesquisa: “La Grenouillère” (A Tratadora de Rãs, 1869), depois “Maré aos Canards” (Charco dos Patos, 1873) entre as principais. Uma grande amizade os unia, estimulando-os a intercambiar suas descobertas técnicas. No meio desse período, em 1870, teve início a Guerra Franco-Prussiana. Renoir, alistado na cavalaria, foi enviado a Bordeaux. Retornou a Paris e ao trabalho. Pinta então as animadas ruas de Paris, com destaque para “Le Pont-Neuf” (A Ponte Nova, 1872).

Imagem Wikimedia Commons

“Le Déjeuner aux Canotiers” - Phillips Memorial Gallery, Washington, DC.

A estada que fez ao lado de Monet em Argenteuil (1873-1874) permitiu-lhe separar a tonalidade, clarear a palheta e estudar todas as transformações da luz. Na casa de Monet, encontrou-se com Edouard Manet, que estava se convertendo à pintura clara. Em meio a uma vida animada, o espírito lúcido dele e de seus colegas os ajudou a descobrirem sucessivas técnicas.

A primeira exposição do grupo (1874), que Renoir organizou, pôs a nova pintura em evidência. Se a venda em leilão foi um desastre, encontrou pelo menos um admirador de seus quadros: Victor Chocquet, que lhe propôs fazer o retrato de sua mulher. Renoir, prosseguindo suas pesquisas sobre luminosidade da atmosfera, tratou de transferi-las para suas obras de distintos temas: "La Loge" (O Camarim, 1874), "La Première Sortie" (A Estreia, 1876); "Le Moulin de la Galette" (O Moinho da Bolacha, 1876), "Jeanne Samary" (1877) e "Madame Charpentier et ses enfants" (Madame Charpentier e seus filhos, 1878).

Pintor, gravador e escultor francês, Pierre Auguste Renoir, morre em Cagnes, no departamento dos Alpes Marítimos, em 3 de dezembro de 1919.
Participando das exposições dos impressionistas de 1877 a 1879, neste último ano é admitido no Salão de Paris. Em Croissy, começa sua célebre composição Le Dejeneur des Canotiers (O Almoço dos Barqueiros) em que evoca uma vez mais a vida feliz e sensual que o encantava. Tema difícil e complexo em que pôde utilizar todos os recursos técnicos e traduzir, sob a luz brilhante de um dia de verão, todas as delicadezas particularmente agudas de suas sensações. Em 1883, viaja para a Itália onde visita Florença, Roma, Nápoles e outras cidades, determinante para o futuro de sua obra.

O ano de 1884 marca seu afastamento dos conceitos impressionistas. Sob efeito ainda vibrante do que vira na Itália, empreende pesquisas que são qualificadas de lineares. A forma não tende mais a ser absorvida pela luz, ao contrário,ela é delimitada pela linha, o contorno se estreita e se torna mais preciso, criando uma atmosfera despojada.

Em 1890, rompe com seu estilo recente e adota desta vez uma execução carregada, ágil, tom rosado, que terá uma grande importância em sua obra e que fixará no espírito de muitos a própria imagem de Renoir.

Em 1891 é organizada em Paris uma importante exposição de suas obras. Em 1894, sem atingir completamente seu objetivo, luta para que o Estado aceite o magnífico acervo particular de Caillebotte com seus quadros. Somente em 1897 é que parte do acervo entra para a coleção dos museus estatais.

É afetado pela primeira vez em 1898 de reumatismos agudos, doença que se transformaria em seu calvário até o fim da vida. De 1905 a 1909, a enfermidade se agrava e ele decide se fixar definitivamente no sul da França. Não obstante, trabalhou incansavelmente, chegando ao ponto de só poder pintar atando os pincéis aos seus punhos.
*Veja as mais importantes telas de Renoir

15 de nov. de 2011

O homem que fazia tuneis sob o muro de Berlim

13/08/2011

ALEMANHA
O homem que fazia tuneis sob o muro de Berlim
A história do engenheiro berlinense que trabalhou em pelo menos quatro túneis de fuga, que permitiu uma centena de pessoas atravessarem o Muro de Berlim.

Foto: David Crossland/Spiegel

Ulrich Pfeifer, o engenheiro heroi

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Spiegel , Spiegel , UOL Noticias

Ulrich Pfeifer, um engenheiro que trabalhou em quatro túneis de fuga no Muro de Berlim, para se vingar do regime que prendeu sua namorada, lembra-se da indignação que sentiu quando o muro foi construído há 50 anos. Em sua opinião, o fato de as pessoas hoje posarem para fotos com uniformes falsos da Guerra Fria é de um tremendo mau gosto.

Em 12 de agosto de 1961, a noite em que o Muro de Berlim foi construído, Ulrich Pfeifer, que morava do lado leste da cidade, estava passando a noite em Berlim Ocidental com sua namorada. Eles foram ao cinema no boulevard Kurfürstendamm, e voltaram para casa de trem, passando pelo cruzamento da fronteira em Friedrichstrasse por volta da meia-noite.

Eles não faziam ideia de que algumas horas mais tarde, veriam a si mesmos presos atrás de uma barreira de concreto que acabaria por separá-los, levando Pfeifer a arriscar sua vida construindo túneis de fuga numa busca pessoal por vingança contra o regime comunista.

Naquela noite, ainda era fácil passar entre os distritos leste e oeste da cidade, e os guardas de fronteira restringiam-se a checar aleatoriamente os passaportes.

“Nós não percebemos nada incomum. Não havia sinais do que estava prestes a acontecer algumas horas mais tarde”, disse Pfeifer, hoje com 75 anos.

“Quando eu acordei na manhã seguinte, um domingo, e ouvi as notícias no rádio, fiquei totalmente horrorizado. Eu achava que haveria um movimento de protesto como o de 17 de junho”, a revolta de 1953 na Alemanha Oriental na qual mais de 50 pessoas foram mortas.

“Então fui para o Portão de Brandenburgo com minha namorada”, lembra-se. “Mas não havia protesto, apenas muitos soldados e tanques nas ruas. As pessoas ficaram muito intimidadas para fazer qualquer coisa.”

“Pensamos em pular o arame farpado, mas não tivemos coragem. Voltamos para casa e passamos as próximas semanas procurando formas de sair.”

Foto: DPA

De repente, no dia 18 de Agosto de 1961, centenas de trabalhadores começaram a erguer um muro que dividiria as duas Alemanhas.

Pfeifer participará da principal cerimônia no sábado para celebrar o 50º aniversário daquele dia, quando soldados da Alemanha Oriental, a polícia e trabalhadores começaram a selar a fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental para fechar a última abertura na Cortina de Ferra - uma medida desesperada para impedir um êxodo de jovens para o oeste.

Os eventos para marcar o dia foram encobertos por controvérsia quanto a Berlim estar se transformando no que os críticos chamam de uma “Disneylandia da Guerra Fria”, com atores com uniformes falsos de guardas da Alemanha Oriental posando para fotos em lugares como o Posto de Checagem Charlie no cruzamento da fronteira, a praça Potsdamer Platz ou o Portão de Brandemburgo. Políticos e historiadores estão reclamando de que essas atividades turísticas menosprezam a trágica história da divisão de Berlim.

Houve pedidos para que parte do Muro seja reconstruído, completo com todas as suas fortificações, para lembrar os berlinenses e turistas da sombria história da estrutura de 165 quilômetros responsável pela morte de centenas de pessoas.

“Acho de mau gosto a forma como as pessoas se vestem naqueles uniformes, mas é preciso ser tolerante, não é nada dramático. Não vejo motivo para proibir isso”, disse Pfeifer. “Mas não acho que devam reconstruir partes do Muro. Você não pode reconstruir o horror daquela época. Temos algumas partes originais do muro ainda em pé, e deveríamos deixar desse jeito. Se eles reconstruírem, isso de fato seria uma Disneylandia.”

Foto: DPA
Em agosto de 1984 essa era a imagem do muro de Berlim, e a torre de vigia, próximo ao Portão de Brandemburgo.

Na noite de sábado, Pfeifer comparecerá a uma reunião de pessoas que fugiram da Alemanha Oriental e de outras como ele que permitiram que elas passassem o resto de suas vidas em liberdade.

Pfeifer ajudou a construir quatro túneis sob o Muro. Era sua forma de se vingar da ditadura da Alemanha Oriental por ter prendido sua namorada.

Nas semanas depois de 13 de agosto de 1961, à medida que o muro estava gradualmente tomando forma, Pfeifer ouviu sobre uma forma de os dois fugirem para o oeste - através do sistema de esgoto da cidade. Naqueles primeiros dias, a Stasi, polícia secreta da Alemanha Oriental, não havia ainda conseguido fechar todas as rotas de fuga subterrâneas.

Funcionou para Pfeifer, que conseguiu fugir pelo esgoto com cinco outros em setembro. Mas o grupo foi limitado a apenas seis pessoas, então sua namorada teve que ficar para trás e se preparar para juntar-se a outro grupo alguns dias depois. Naquele momento, entretanto, a Stasi havia descoberto sobre a rota subterrânea, e a segunda fuga falhou. Duas pessoas foram pegas no subterrâneo. Sua namorada conseguiu sair e voltar para casa. Mas ela foi presa alguns dias depois, julgada e condenada a sete anos de prisão.

“Foi uma sentença insana”, lembra-se Pfeiffer. Depois ela foi comutada para três anos. Mas ele não a viu durante os próximos 27 anos. Depois, em 1988, ela se casou com outro homem e constituiu uma família no leste.

Em 1961, Pfeifer tinha 26 anos e era um engenheiro civil formado. Hoje morador do oeste de Berlim, ele decidiu colocar suas habilidades em prática para se juntar a um grupo de estudantes que cavava túneis para o leste.

Três iniciativas de túneis foram traídas e fracassaram. Mas uma foi espetacularmente bem sucedida. Ela foi concluída em setembro de 1962, depois de três meses difíceis cavando o solo argiloso, com um túnel que tinha 145 metros a partir de uma fábrica inativa no lado ocidental da Bernauer Strasse atéo porão de um prédio de apartamentos no número 7 da Schönholzer Strasse do lado oriental.

Pfeifer nunca se esquecerá de como se deitou no túnel apertado e úmido, rezando para que suas medições estivessem corretas e passou dez minutos desesperadamente tensos esperando a abertura do túnel do lado oriental - a parte mais arriscada da operação. Será que eles sairiam no prédio certo? Quando eles retirassem o último tijolo, será que estariam olhando para os canos das armas de agentes da Stasi esperando?

Sua pesquisa foi precisa. Ele ficou conhecido como “Tunel 29” porque 29 pessoas, principalmente amigos e parentes de 40 escavadores, escaparam por ele.

O túnel ganhou as manchetes mundiais e a Stasi só o encontrou 11 dias depois quando o solo cedeu em algumas partes. Mas os escavadores só o utilizaram por dois dias, temendo que ele fosse rapidamente descoberto e porque ele estava se enchendo de água rapidamente por conta de um cano estourado.

“Foi uma sensação de alegria incrível. Senti tanta satisfação por ter feito algo contra um sistema que eu odiava”, disse Pfeifer.

Ele contará sua história numa sala de aulas no mês que vem. Ele quer ajudar a manter viva a memória daquela época, e acha a nostalgia que alguns ex-orientais ainda sentem pelo sistema que encarcerou e espionou seu povo “ridícula e triste”.

“Todo o período está desaparecendo na história. Mesmo a queda do Muro já tem 22 anos. Muitos jovens não a testemunharam”, disse Pfeifer. “Eu de fato espero que ela continue a ser ensinada nas escolas para que este período não seja esquecido.”

Foto: DPA

Imagem de arquivo, mostra a euforia dos berlinenses no dia em que o muro caiu, 9 de novembro de 1989, vinte e oito anos depois de ter sido erguido.


* Tradução: Eloise De Vylder – para UOL
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

3 de jan. de 2011

PERNAMBUCO: As memórias do Zeppelin

PERNAMBUCO
As memórias do Zeppelin
Em maio de 1930 o registro histórico era visual. A chegada do Zeppelin ao Recife, no dia 22, levou multidões às ruas no final da tarde. O povo ocupava as pontes, as torres das igrejas, os tetos das casas, os terraços dos edifícios mais altos.

Foto: Arquivo

ZEPPELIN EM RECIFE - A Torre do Zeppelin, que servia de atração para o dirigível, no Bairro do Jiquiá em Recife. Ás 19h35m do dia 20 de maio de 1930, o LZ 127 Graf Zeppelin atracou pela primeira vez em Recife, sucedendo-se mais 63 viagens, entre os anos de 1930 a 1936

Jornal do Comércio- Editorial
Fonte: Jornal do Comércio

O Ministério da Ciência e Tecnologia liberou, finalmente, uma verba de R$ 25 milhões para a construção do museu de ciências e planetário, além da restauração da antiga torre do Zeppelin, no Parque do Jiquiá. Esse é um projeto antigo que busca preservar, com as características originais, o único campo de pouso de dirigíveis existente no País. Ali, no Jiquiá, foi escrito um capítulo importantíssimo para Pernambuco na história do transporte aéreo de passageiros.

O início dessa história está nos idos de abril de 1930, quando se anunciava que estavam acelerados os trabalhos no campo arrendado pelo governo do Estado no Jiquiá, para a amarragem do Graf Zeppelin, na sua viagem de experiência, em maio, à América do Sul. Para fascínio dos pernambucanos, a imprensa da época dizia que o Zeppelin era mais longo que a Ponte Buarque de Macedo. Enquanto isso, a vinda do gigantesco dirigível era usada em produtos como o Veedol Motoroil.

Em maio de 1930 o registro histórico era visual. A chegada do Zeppelin ao Recife, no dia 22, levou multidões às ruas no final da tarde. O povo ocupava as pontes, as torres das igrejas, os tetos das casas, os terraços dos edifícios mais altos. Os relatos que ficaram dão um pouco da importância que merece hoje o Parque do Jiquiá: “Já o céu se cobria de estrelas, já se acendiam as luzes da cidade, quando ao norte, sobre Olinda, começou a ver-se, através da bruma indecisa do crepúsculo, um pequenino ponto luminoso, quase imóvel no horizonte. É ele! É ele!”

Mesmo hoje, após o hiato de 80 anos, uma aparição dessas causaria emoção talvez não tão intensa, mas seguramente com um entusiasmo próximo do que levou o povo do Recife às ruas, mesmo quando, em sua chegada, só deu tempo de o dirigível fazer algumas evoluções e seguir direto para o campo do Jiquiá. O projeto destinado a trazer de volta ao interesse público esse marco histórico que é o Parque do Jiquiá como o único campo de pouso de dirigíveis no Brasil pode significar o efetivo resgate desse capítulo, trazendo para o Recife mais um ponto de referência para os visitantes.

Nos anos 80 e depois de 2005 a Torre do Zeppelin foi restaurada.
Também os de casa podem ali ter um encontro com um pouco de nossa história em uma década que marcou a ascensão e queda do Zeppelin. Pois foi em 1937, numa trágica coincidência no mês de maio, que se deu o fim de um sonho que apareceu várias vezes nos céus do Recife, sempre com o mesmo fascínio das multidões: naquele mês, o maior e mais celebrado dos Zeppelins, o Hindenburgo, explodiu em Lakehurst, nos Estados Unidos, interrompendo o voo dos dirigíveis com suas cinzas e uma centena de mortos.

Pois nós, em Pernambuco, temos como chamar a atenção para essa década histórica do século passado, trazendo de volta alguns dos seus símbolos mais marcantes e um deles é, certamente, o Parque do Jiquiá. Motivo para o nosso reconhecimento a esse derradeiro gesto de apoio do ministro de Ciência e Tecnologia, o professor Sérgio Rezende, um carioca com tantas raízes aqui plantadas que pode muito bem ser tido como um ministro pernambucano.

E não podemos perder de vista que a atenção do ministro – que foi secretário no governo Arraes e é conhecido como um dos mais importantes físicos do Brasil – não se esgota nesse marco histórico que é o Zeppelin: o investimento agora anunciado é também para um museu de ciências e um planetário, ambos instrumentos de ensino e lazer, a que nossa juventude está pouco afeita. É, pois, um grande investimento para o futuro, que deve receber nosso reconhecimento.

Entretanto, como se trata de dinheiro público federal, o ministro de Ciência e Tecnologia que assume em janeiro é paulista, e a grande preocupação prevista no futuro governo é de controlar a inflação e reduzir os gastos públicos, vale recorrer aos dirigentes estaduais, a bancada federal e os dois senadores eleitos na base de apoio à presidenta Dilma Rousseff para que se mantenham vigilantes e não deixem que o museu, o planetário e a restauração da torre do Zeppelin fiquem apenas como um projeto abortado pelas contingências políticas.

Ao chegar ao Recife, pela primeira vez, a tripulação e os passageiros do Graf Zeppelin foram recebidos pelo sociólogo Gilberto Freyre - chefe de gabinete do Governador Estácio Coimbra. O comandante alemão, Hugo Eckener, ficou tão entusiasmado com a hospitalidade pernambucana que sugeriu a mudança do nome do dirigível para Pernambuco.

Leia ainda no "thepassiranews" o post comemorativo dos 100 anos da chegada do Zeppelin em Recife
* Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas ao texto original

24 de jun. de 2010

ESTADOS UNIDOS: Morre a enfermeira do beijo no Times Square

ESTADOS UNIDOS
Morre a enfermeira do beijo no Times Square
Edith Shain, a enfermeira reconhecida por ter protagonizado a cena de beijo mais famosa do século passado, no dia em que se comemorava o fim da segunda guerra mundial, em Nova Iorque, faleceu domingo passado, mas só divulgado nesta quinta-feira, em sua casa em Los Angeles

Foto: Alfred Eisenstaedt/Revista LIFE

Esta é uma das fotos mais célebres do mundo. Clicada pelo lendário fotojornalista Alfred Eisenstaedt em 15 de Agosto de 1945, no dia em que se comemorava a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial, publicada pela revista LIFE

Toinho de Passira
Fontes: Cityroom , Estadão , Veja, LIFE, Art Scenecal

Era 14 de Agosto de 1945, e o fotógrafo Alfred Eisenstaedt, em meio a uma multidão que celebrava capturou aquele que se tornaria um dos beijos mais famosos do século XX: um marinheiro beijava uma enfermeira, numa cena cinematográfica, em pleno Times Square, em Nova York.

Publicada na revista Life, a imagem correu mundo e tornou-se rapidamente um símbolo da alegria do mundo que voltava a paz, após quatro anos de sangrenta guerra, desde o ataque japonês a Pearl Harbour, em Dezembro de 1941.

A carta de Edith, ao fotografo, revelando-se a mulher da foto
Dizem que ela virou símbolo de uma época, porque representava três importantes eventos: a vitória aliada, o regresso para casa de muitos milhares de soldados e o chamado baby boom – período imediatamente a seguir ao fim da II Grande Guerra Mundial durante o qual se verificou um crescimento exponencial da taxa de natalidade.

Alfred Eisenstaedt, o fotografo sempre foi um perfeccionista e metódico, mas na balburdia daquele dia, esqueceu de anotar os nomes dos dois personagens que estrelavam a foto. A curiosidade foi crescendo e 35 anos depois do acontecimento iniciou-se uma verdadeira caçada a identidade do casal. Quem era o marinheiro, quem era a enfermeira?

Em 1980 Alfred Eisenstaedt recebeu uma carta na revista Life, da enfermeira Edith Shain, então com 62 anos:

"Sou eu. Nunca o assumi publicamente porque podia colocar-me numa posição pouco digna. Mas agora os tempos mudaram" – escreveu Edith.

Curioso e emocionado, Eisenstaedt voou para Beverly Hills ao encontro dela. Edith estava já com 62 anos, era avó, professora num Jardim Infantil e ainda exercendo o ofício de enfermeira.

Foto: Revista LIFE

CRIATURA E CRIADOR - Edith Shain, a enfermeira retratada no famoso beijo na Times Square (Nova York) publicada pela revista Life, que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial, morreu no domingo, aos 91 anos, em sua casa em Los Angeles. Deixou três filhos, seis netos e oito bisnetos. Nas fotos Edith com parte da família, em 1980, e o autor da foto o fotografo Alfred Eisenstaedt.

A própria Edith desvalorizava a importância da foto para a sua vida: «O Sol nasce, o Sol põe-se. Não muda nada. Nem foi grande coisa» – disse ela ao fotógrafo. «Afinal meninas bonitas recebem sempre mais do que um único beijo, não é?» Aquele, o da foto, descreveu-o como «um bom beijo, longo. Fechei os olhos e não resisti. Às vezes penso que se não estivesse acompanhada com uma amiga talvez tivesse ficado ali». Mas naquele dia, depois do beijo cada um foi para o seu lado.

A revista Life publicou a história da descoberta de Edith juntamente com um pedido para que o marinheiro se identificasse. A resposta foi imediata: onze homens reclamaram serem eles os beijoqueiros da foto – e, surpresa, duas mulheres asseguraram terem sido elas as beijadas Greta Friedman e Barbara Sokol. Muitas enfermeiras haviam sido beijadas por marinheiros no Time Square naquele dia. Mas entre todas as histórias, a imagem e o perfil de Edith sempre foi o mais convincente.

Edith Shain, a enfermeira, exibe a famosa foto, numa das suas últimas aparições públicas
O mistério entre os homens, porém, continua, não se chegou a uma opinião definitiva até hoje. Dos onze americanos que se autoproclamaram autores do beijo, três disputam com mais evidencias o troféu, embora nenhum tenha sido aceitado pela revista LIFE.

Existe o reconhecido cientificamente, George Mendonsa, que teve a “aprovação” do Naval War College, a partir de uma análise das suas tatuagens, cicatrizes e testes biométricos na Mitsubishi Electric Research Laboratorie. Mas há quem diga que os exames não são conclusivos

O reconhecido sentimentalmente, pela própria Edith Shain, que acredita ter reconhecido como o marinheiro - Carl S. Muscarello.

Por fim, o reconhecido pela polícia: um cidadão chamado Glenn McDuffie é tido como o marinheiro por uma famosa especialista em identificação criminal, Lois Gibson, da Polícia de Houston.

Mas o mistério parece fadado a persistir para sempre.

4 de jun. de 2010

A história secular se repete na palestina

PALESTINA
A história secular se repete na palestina
O ataque a um navio em águas internacionais para manter um bloqueio marítimo lembra sobremaneira a história dos judeus que enfrentaram a marinha britânica, a bordo do “Exodus” para chegar a Israel, em meados do século passado

Foto: Arquivo

O celebre navio Exodus, repleto de refugiados judeus, dominado pelos fuzileiros navais ingleses, porto de Haifa, 1947

Toinho de Passira

Muita gente lembrando o quão similar foi a operação de abordagem dos fuzileiros israelitas aos ativistas que tentavam furar o bloqueio judeu a Gaza, com os fatos ocorridos há 63 anos, quando logo após o final da 2ª Guerra Mundial, os judeus sobreviventes do Holocausto na Europa, doentes, traumatizados e sem pátria, embarcavam em navios velhos e surrados, alugados na Turquia e em Chipre tentando navegar até israel, então sob o mandato dos ingleses.

Os vilões da época era a Real Marinha Britânica, que acertaram com os árabes de não permitir a mais migração ilegal de judeus para Israel, em troca de apoios árabes recebidos contra a Alemanha de Adolfo Hitler.

O mais famoso desses navios foi a embarcação americana, President Warfield, cujo nome fora trocado para “Exodus”, que entrou no porto de Haifa, no dia 18 de julho de 1947, com seus alto-falantes tocando os acordes de Hatikva" ('A Esperança', canção que se tornaria o hino nacional israelense).

Exodus foi o primeiro navio, que recebeu ordem da marinha britânica de voltar, ainda em águas internacionais mas à vista da costa palestina.

Havia saído de Marselha, na França, com 4,515 sobreviventes do Holocausto, dos quais 655 eram crianças de todas as idades.

Os britânicos tomaram o navio pela força, depois de uma resistência desesperada dos judeus. Dois deles e um tripulante morreram.

O navio seqüestrado foi dirigido para Haifa e os emigrantes forçados a embarcar em navios de deportação com destino a França de novo.

Chegados a Port-de-Bouc, na França, os judeus do Exodus, permaneceram nos navios em greve de fome durante 24 dias, recusando desembarcar, apesar da fome e das péssimas condições inclusive higiênicas à bordo.

Vendo que não cediam, os britânicos ordenaram o deslocamento dos navios ironicamente para Hamburgo, na Alemanha, zona de ocupação do exército britânicos.

Longe da opinião pública, que já começa a constranger os ingleses, fizerem-nos desembarcar à força, e os internaram em dois campos de concentração muito parecidos com os anteriores feitos pelos nazistas, agora chamados de "campos para emigrantes ilegais" nas cercanias de Lubeck, na Alemanha.

Toda esse sofrimento e determinação fez o mundo pressionar os ingleses em defesa do povo judeu, que culminou com a independência do Estado de Israel, em 28 de Abril de 1948, após aprovação na ONU, que criou ao mesmo tempo um estado Palestino.

No dia de sua independência, Israel foi atacado pelos exércitos de oito nações árabes (das 22 muçulmanas atualmente existentes) que desde então não aceitavam a existência do único estado judaico do mundo. Do conflito e da instalação do Estado judeu nasceu outro povo, e o inicio de um novo drama:o dos refugiados palestinos.

Os fatos de agora, transformaram Israel, de vítima a vilão, e os palestinos são os novos necessitados de apoio mundial e recebem de apoio navios de ativistas que tentam repetir a história do “Exodus”.


4 de mar. de 2010

Lula foi contra a eleição de Tancredo Neves

ELEIÇÕES 1986
Lula foi contra a eleição de Tancredo Neves
O Partido dos Trabalhadores presidido por Lula, preferia que fosse Paulo Maluf, o eleito presidente pela colegio eleitoral, na velha politica do quanto pior melhor. Não se incomodavam em sacrificar o Brasil, desde que isso lhes trouxesse algum benefício, como fazem até hoje

Foto: Acervo Digital Revista Veja

Na foto, Tancredo fazendo campanha em Vitória do Espírito Santo, ganhou uma bandeira do Brasil, de uma “eleitora” posta no seu ombro como se fora a própria faixa presidencial.

Fontes: Blog Democratas, Revista Veja - Acervo Digital, Estadão

O presidente Luis Inácio Lula da Silva, que está no poder há sete anos, graças à coragem do mineiro Tancredo Neves, que enfrentou Paulo Maluf, no Colégio Eleitoral, formando pelo Congresso Nacional, correndo riscos e até morrendo para fazer renascer a democracia brasileira, encontrou no Partido dos Trabalhadores, um adversário cruel.

O PT fechou questão proibindo os parlamentares integrantes do partido, de votarem no Colégio Eleitoral, que acabou elegendo Tancredo Neves, dando início a Nova República e permitindo que o Brasil voltasse à normalidade democrática.

Mostrando que a guerra contra Tancredo era para valer, três deputados federais petistas foram irremediavelmente expulsos do partido, por não aceitaram a imposição e terem votado a favor de Tancredo Neves: Beth Mendes, Airton Soares e José Eudes.

O projeto do Partido dos Trabalhadores contava que o Presidente eleito fosse Paulo Maluf, na velha filosofia petista de que quanto pior melhor, pois um governo malufista melhor para eles tirarem proveito da situação.

Temiam que um governo competente de Tancredo Neves, não fosse bom para as suas aspirações de poder e não vacilavam em sacrificar o Brasil, em benefício próprio, como estão fazendo agora.

Tancredo Neves apesar de estar disputando uma eleição que seria decidido pelo colégio eleitoral, fez uma campanha com comícios e movimentações políticas por todo o Brasil, queria não só a aprovação do Colégio Eleitoral, composto dos Deputados e Senadores, queria a aprovação do povo brasileiro, para dar legitimidade ao seu governo.

Fomos ao acervo digital da Revista Veja, para colher o momento histórico e a posição do Presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores na ocasião. Encontramos algumas pérolas:
A Veja transcreveu um pronunciamento de Lula, ao Globo, 15 dias antes do Colégio Eleitoral se reunir para eleger o novo Presidente da República:

Acervo digital Revista Veja

Quer dizer, além de não votar a favor, fazia oposição dura e mentirosa. O candidato dos sonhos de Lula era mesmo Paulo Maluf.

Tancredo Eleito, o Brasil vibrando com a possibilidade da volta de uma Democracia formal, e Lula destoado dizendo que o país vai continuar na mesma, a única vantagem é que pelo menos, naquele tempo ele falava mal de José Sarney.

Aceervo digital Revista Veja

Até o comandante Fidel Castro reprovou Lula, por não ter ajudado Tancredo a se eleger.

Acervo digital Revista Veja

No numero seguinte Veja publicou, a pedido, uma reclamação tipo “tiro no pé” do Presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva, o Comandante Castro havia mesmo falado mal do posicionamento do PT:

Acervo digital Revista Veja

Sabe quem se comprometeu de verdade com a candidatura de Tancredo Neves?

Acervo digital Revista Veja


9 de nov. de 2009

MURO DE BERLIM: 20 Anos após a queda

MURO DE BERLIM
20 Anos após a queda
Como ponto alto das comemorações a chanceler alemã, Angela Merkel, que era da Alemanha Oriental, refez o caminho que percorreram 20 anos atrás para cruzar a primeira brecha aberta entre as duas Berlim, na Bornholmer Strasse, no dia da queda do muro em 09 de novembro 1989

Foto: Reuters

A chanceler alemã, Angela Merke lembrando sua caminhada de 20 anos atrás

Fontes: BBC Brasil, G1

Cerca de 100 pessoas reviveram hoje com a chanceler alemã, Angela Merkel, e os ex-presidentes soviético e polonês Mikhail Gorbachov e Lech Walesa o caminho que percorreram 20 anos atrás para cruzar a primeira brecha aberta entre as duas Berlim no dia da queda do muro.

Foto: AFP

As brechas foram sendo aberta, em várias partes do muro, algo que parecia inacreditável

Essa passagem, na Bornholmer Strasse, entrou para a história coma a primeira que permitiu o trânsito livre, depois que o membro do Politburo da extinta RDA Guenter Schabowski leu, em 9 de novembro de 1989, o comunicado da República Democrática Alemã que abria as fronteiras.

Merkel acompanhou hoje essas pessoas na recriação desse trajeto em direção à liberdade, não só como chefe de Governo da Alemanha, mas também como uma das milhares de pessoas que nessa noite histórica cruzaram a Berlim Ocidental pela rua Bornholmer, ainda que só por algumas horas.

A chanceler destacou que a caminhada popular foi, dentro dos atos com o que hoje se lembra o 20º aniversário da queda do muro, "o mais parecido com o que ocorreu naquela noite", muito mais que "os encontros diplomáticos".

Merkel, nascida em Hamburgo e criada na RDA, não só comandou as cerimônias e reviveu sua passagem para o outro lado, mas também atuou, de forma improvisada, como jornalista, perguntando às testemunhas sobre detalhes daquela noite.

Foto: Arquivo

Durante a divisão de Berlim, que durou de 1961 a 1989, a chamada "Faixa da Morte" corria junto à ponte de metal que coroa a estação ferroviária da Bornholmer Strasse, o primeiro o controle que permitiu a passagem generalizada, perante a pressão popular das cerca de mil pessoas Em 1989, a queda do muro levou ao colapso do poder comunista no Leste Europeu, à reunificação alemã e ao fim da Guerra Fria.

Foto:

Construção do muro

A Alemanha Oriental comunista ergueu o muro de concreto com 155 quilômetros de extensão em torno de Berlim Ocidental em 1961 para evitar que moradores do lado comunista fugissem para o reduto capitalista.

Acredita-se que mais de cem pessoas tenham morrido tentando escapar pelo muro.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também participam das comemorações, junto e o ex-premiê húngaro Miklos Nemeth – que, com a decisão de abrir as fronteiras do país, foi o primeiro a permitir que alemães orientais fugissem para o Ocidente.

Foto: AFP

Centenas de dominós gigantes feitos de espuma, pintados por jovens com mensagens de liberdade, foram alinhados na linha onde ficava o muro e serão derrubados às 20h representando como os governos comunistas da Europa do Leste foram caindo, um após o outro.

As festividades serão encerradas com um show de fogos de artifício e um show com músicos de vários países.

Foto: Getty Images


MURO DE BERLIM: Mais de 150 morreram em busca da liberdade

MURO DE BERLIM
Mais de 150 morreram em busca da liberdade

Foto: Arquivo

Berlim cortada pela muro

Fonte: G1

Estudo mostra que cerca de 150 morreram ao tentar cruzar Muro de Berlim Da EFE Cerca de 150 pessoas morreram ao tentar chegar à Alemanha Ocidental cruzando o Muro de Berlim, uma barreira de concreto que os mais engenhosos e criativos conseguiram atravessar em balões de fabricação caseira, túneis ou carros com fundo falso.

Tudo começou em 13 de agosto de 1961, quando o Governo da extinta República Democrática Alemã (RDA, Alemanha Oriental) mandou fechar a fronteira com Berlim Ocidental com o objetivo de frear a migração dos alemães do lado leste que buscavam melhores condições de vida na parte ocidental.

Atualmente, calcula-se que mais de 100.000 cidadãos da RDA, que estavam terminantemente proibidos de atravessar a divisa entre as duas Alemanhas, tentaram ao longo da vida atravessar o Muro de Berlim, que dividiu o país durante 28 anos.

Algumas destas pessoas foram mortas a tiros pelos soldados do regime comunista. Outras morreram por causas indiretas: afogadas, acidentalmente ou se suicidando depois de terem sido pegas.

Até hoje, 20 anos depois da queda do muro, não existem números precisos sobre a quantidade de pessoas que morreram na travessia. Segundo a Promotoria de Berlim, foram 86. Mas a organização humanitária 13 de Agosto diz que os óbitos chegaram a 313.

Segundo um estudo recente feito pela Fundação Muro de Berlim e pelo Centro de Pesquisa de História Contemporânea de Potsdam, só na capital alemã morreram 136 pessoas entre 1961 e 1989, das quais mais da metade perderam a vida nos cinco primeiros anos de existência do muro.

Fotos: Arquivos

O memorial de Ida Siekmann e o balão de Freudenberg, sendo retirado, após sua queda

De acordo com a lista elaborada pelas duas entidades, a primeira vítima do muro foi Ida Siekmann, que, em 22 de agosto de 1961, se jogou da janela de casa, aterrorizada com a instalação de barricadas junto à sua residência.

Já o último a morrer foi Winfried Freudenberg, que, em 8 de março de 1989, se estatelou no chão do bairro ocidental de Zehlendorf, depois de despressurizar totalmente o balão caseiro usado na travessia com medo de parar em um distrito vizinho controlado pelos comunistas.

Fotos: Arquivos

Günter Littin e Chris Guefroy

Por ação direta dos militares do leste, o primeiro morto foi Günter Littin, que perdeu a vida em 24 de agosto de 1961. O último, por sua vez, foi Chris Guefroy, morto em fevereiro de 1989. Estima-se que pelo menos outras 251 pessoas morreram durante ou depois de terem se submetido às rígidas revistas que eram feitas pelos soldados posicionados no muro, a maioria de infarte.

Ainda mais complicado é determinar o número certo de pessoas que morreram ao longo de toda a fronteira entre as duas Alemanhas. Mas o mesmo estudo, concluído em agosto, indica que o total de vítimas fatais varia de 270 a 780.

As tentativas de fuga, por outro lado, foram menos frequentes. Uma delas foi registrada em 5 de dezembro de 1961, quando seis homens, dez mulheres e sete crianças atravessaram a estação de trem de Albrechtshof, na Berlim Oriental, e escaparam em uma locomotiva para o distrito de Spandau (noroeste).

À lista de fugas engenhosas, é preciso acrescentar aquela em que 14 habitantes do lado leste cruzaram um rio a bordo de barco de passageiros em meio a uma chuva de tiros. Em outra ocasião, um grupo de 57 pessoas se arrastou por um túnel de aproximadamente 150 metros de extensão para sair do outro lado do Muro de Berlim.

Houve também gente que desafiou as leis da natureza, como uma família que subiu no telhado de um edifício ministerial da RDA vizinho ao muro para, do local, atravessar a barreira em uma espécie de teleférico caseiro.

De todas as passagens fronteiriças, a mais famosa é a que ficou conhecida como Checkpoint Charlie, transformada em ponto turístico e onde os soviéticos revistavam os soldados das Forças Armadas americanas, britânicas e francesas antes de eles passarem para a RDA.

Ainda hoje, Berlim lembra as vítimas fatais do regime com uma missa diária na Capela da Reconciliação e em lugares especiais, como os trechos do muro que ainda ficam de pé, dos quais o mais extenso e famoso ganhou o nome de East S.


MURO DE BERLIM: Funcionário trapalhão apressou queda do muro

MURO DE BERLIM
Funcionário trapalhão apressou queda do muro

Fonte: AFP

O Muro de Berlim caiu no dia 9 de novembro de 1989, por causa de um anúncio, em parte improvisado, de um funcionário da Alemanha Oriental, Guenter Schabowski, (foto) que acreditou que poderia, com isso, salvar o regime comunista da República Democrática Alemã (RDA).

Eram sete da noite de 9 de novembro de 1989 quando Schabowski, porta-voz do comitê central do Partido Comunista da Alemanha Oriental (SED), anunciou à imprensa que seriam concedidos vistos "sem condições" para viajar ou emigrar para o exterior.

"Quando"?, perguntou um jornalista italiano.

"Até onde sei, a partir de agora", respondeu Schabowski, depois de pensar por um momento.

Os correspondentes de imprensa correram para os telefones para anunciar que o muro havia caído, enquanto os berlinenses do leste deixavam suas casas e corriam para os postos de fronteira, cujos guardas, acuados, acabaram abrindo as barreiras.

Foto: Arquivo

Sem terem instruções sobre as permissões, os policiais em alguns pontos da fronteira, tentavam conter a multidão que queria deixar Berlim Oriental de qualquer maneira e imediatamente, não deu para resistir

"O dia 9 de novembro poderia ter terminado em um banho de sangue. Tivemos muita sorte", afirma Schabowski, hoje com 80 anos, lembrando que, na época, era um comunista engajado.

Schabowski foi expulso do partido em 1990 justamente por seu papel fundamental na queda do muro.

Em 1997, foi condenado por cumplicidade na morte de cidadãos da Alemanha Oriental, executados a tiros quando tentavam atravessar a fronteira.

Schabowski, que recebeu indulto em 2000, é um dos poucos altos dirigentes comunistas da RDA que se distanciou do regime e admitiu sua responsabilidade moral.


MURO DE BERLIM: A queda do muro marcou o fim do século 20

MURO DE BERLIM
A queda do muro marcou o fim do século 20
Miriam Leitão

Foto: Anthony Suau/TIME

Fonte: Miriam Leitão.com

As imagens da queda do Muro de Berlim são inesquecíveis. Sua derrubada provocou mudanças e sonhos. Foi um momento extraordinário, pois acontecia diante de nossos olhos o inesperado, com o qual tanta gente tinha sonhado.

Esse momento marca o fim do século 20, que teve as duas guerras mundiais e a longa Guerra Fria. Toda uma geração, como a minha, que cresceu com a Guerra Fria, achava que aquilo, a bipolaridade do mundo, nunca ia acabar.

Foto: Arquivo

De repente estabeleceu-se uma empatia entre as tropas antes repressora e a multidão em delírio de liberdade

Sonhamos com um mundo novo. Mas o mundo tem sonhos e tragédias. A própria Alemanha ficou dividida depois da queda do muro e permanece dividida economicamente. A Alemanha ocidental paga impostos altíssimos para reerguer a parte oriental. São 30 bilhões de euros por ano.

Cidadãos alemães do leste sobre o muro opressor, juntavam-se aos irmãos ocidentais.

A reconstrução custou caro. Ainda há muito o que conquistar. Afinal, 20 anos é pouco tempo para a redução das duas Alemanhas. Em 2005, o desemprego na Alemanha Oriental era quase 19%. Hoje é de 11%. O investimento renovou o país. Há desigualdades, mas ainda há muitas conquistas.

Hoje, por exemplo, quem comanda a Alemanha é uma mulher, Ângela Merkel, que veio da parte Oriental.


* "Muro de Berlim caiu há 20 anos e marcou fim do século 20” é o título original do texto de Miriam Leitão **Transcrevemos apenas parte do texto original e acrescentamos fotos e legendas

31 de out. de 2009

Salão Oval da Casa Branca complete 100 anos

ESTADOS UNIDOS
Salão Oval da Casa Branca complete 100 anos
Um cenário onde aconteceram fatos que afetaram a vida de todo o planeta, guerras, escândalos, tragédias e momentos decisivos na história da humanidade

Foto: AFP

Presidente Kenney conversa com o irmão Robert Kennedy no salão oval 1962

Fontes: White House, Portal Terra

O Salão Oval da Casa Branca, que se pudesse falar revelaria os bastidores de grandes decisões políticas e também segredos de alcova, completa 100 anos neste sábado. Segundo dados do Escritório do Historiador, um departamento do Executivo americano, foi em 31 de outubro de 1909 que foi mobiliada a sala que veio a se tornar o escritório do presidente dos Estados Unidos.

Foto: AFP

Barack Obama falando ao telefone do Salão Oval, no primeiro dia como Presidente

A construção do pavilhão de escritórios da Casa Branca, que mais tarde passou a ser conhecido como a Ala Oeste da residência presidencial, começou em 1902, durante o mandato de Theodore Roosevelt.

Bush recebe o Papa alemão Bento 16
Até então, o escritório do chefe de Estado americano ficava naquele que hoje é o Dormitório Lincoln. Foi William Howard Taft, que governou os EUA de 1909 a 1913, que ordenou a ampliação da Ala Oeste e a transformação da sala do chefe de gabinete, que era um meio círculo, em um escritório presidencial totalmente oval.

De acordo com o Escritório do Historiador, a decoração inicial, predominantemente verde oliva, incluía um piso feito com madeira importada das Filipinas, cortinas de seda e veludo e poltronas acarpetadas com pele de rena.

Em 1929, um incêndio durante o mandato de Edgard Hoover obrigou o governo a reconstruir totalmente a Ala Oeste. Franklin D. Roosevelt, o presidente seguinte, optou por uma reforma que desse espaço para mais funcionários.

As mudanças de Roosevelt incluíram a transferência do Salão Oval para seu lugar atual, na quina sudeste, onde anteriormente ficava a lavanderia. Com a inclusão de grandes vidraças, além de vistas para o lado sul e o lado leste, o presidente também passou a trabalhar com mais luz natural.

A reforma, concluída em 1934, também deixou o escritório ligeiramente maior, com 60 cm a mais de comprimento e outros 60 cm a mais de largura. Também foi depois do fim das obras que a sala ganhou o brasão presidencial.

Desde então, a estrutura do Salão Oval não sofreu nenhuma nova alteração. Só a decoração é que mudou, já que praticamente todos os presidentes, com exceção de Eisenhower, Jimmy Carter e Barack Obama - pelo menos, por enquanto -, trocaram as cortinas e os tapetes.

Fã de golfe, Eisenhower chegou a destruir o piso original do escritório. Por causa disso, o revestimento foi trocado por linóleo. Depois, quando Ronald Reagan se cansou desse material, foi colocado um parquê igual ao instalado inicialmente.

Fotos como a aquela em que o pequeno John Kennedy Jr. saía de entre as pernas de seu pai debaixo da escrivaninha Resolute - feita com a madeira de uma fragata britânica e dada de presente pela rainha Vitória da Inglaterra - ficaram eternizadas.

Com a chegada da televisão, as imagens do escritório ficaram associadas a alguns dos momentos mais solenes da história recente dos Estados Unidos.

Do Salão Oval, o presidente Kennedy informou a nação da crise envolvendo os mísseis cubanos, Richard Nixon anunciou sua renúncia após o escândalo Watergate e Reagan falou da desintegração da nave Challenger.

Charge de Michel Ramirez

Também entre as paredes curvas do escritório, George Bush pai declarou guerra ao Iraque em janeiro de 1990. Em março de 2003, George W. Bush fez o mesmo, um ano e meio depois de falar ao país na noite dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Mas além de ter testemunhado alguns dos momentos mais importantes da história dos EUA, o Salão Oval também foi palco de alguns de seus momentos mais escabrosos.


DENTRO DO SALÃO OVAL: a renuncia de Nixon e as estrepolias de Bill Clinton e a estagiária Monica lewisnky

Mais que às guerras ao Iraque ou à renúncia de Nixon, o escritório, para muitas pessoas ao redor do mundo, está associado à estagiária Monica Lewinsky e sua "relação imprópria" com Bill Clinton.

Os detalhes dos encontros entre a estagiária e o então presidente foram publicados no relatório do promotor Kenneth Starr, que descrevia o que acontecia no Salão Oval durante as visitas orais da estagiária.


18 de mai. de 2009

Wilson Simonal: ninguém sabe o duro que dei

Wilson Simonal: ninguém sabe o duro que dei
Ele não pensava que era a cocada preta, ele era a cocada preta, diz Chico Anízio no filme documentário que explica como o cantor mais popular do país nos anos 70, por suspeito de ser “dedo duro” do regime militar, foi esquecido, execrado e não perdoado até a morte e depois dela

Foto: Arquivo

SIMONAL o rei da pilhantragem

Fontes: Folha de São Paulo

Em 2002, quando começou a buscar patrocínio para um documentário sobre Wilson Simonal (1939-2000), o humorista Cláudio Manoel encontrou dois tipos de pessoas: as que não se interessavam, por desconhecer quem tinha sido Simonal, e as que diziam coisas como "não quero me meter nisso", "para que mexer nessa história?".

"Ninguém Sabe o Duro que Dei", filme de Manoel, Micael Langer e Calvito Leal que será lançado no festival É Tudo Verdade (no próximo sábado, no Rio, e nos dias 4 e 5 de abril no CineSesc, em São Paulo), é o primeiro olhar do cinema sobre esse homem que, como diz Nelson Motta no documentário, "virou um tabu, um leproso, um pária" na música brasileira.

O degredo começou em agosto de 1971, quando sua popularidade como cantor só era superada (e não por muitos pontos) por Roberto Carlos. Suspeitando de que seu contador o roubava, ele mandou dar-lhe uma surra.

O problema é que a surra foi dada por dois agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), serviço público cuja especialidade era torturar adversários da ditadura militar --e falsos adversários também. Um inspetor, Mário Borges, disse à imprensa que Simonal era informante do Dops, e a pecha de dedo-duro nunca mais se descolou dele, jogando-o num longo ostracismo.

"Ele pagou uma pena dura demais, desproporcional para uma surra, porque sua condenação foi até o fim da vida. Para ele, não teve anistia", afirma Manoel, da trupe Casseta & Planeta.

Mas o documentário não é uma defesa de Simonal. Por um lado, até piora sua situação, pois os três diretores, empenhados em saber o máximo sobre o que aconteceu, contrataram um detetive para localizar Raphael Viviani, o contador que foi o pivô da história.

Viviani diz no filme que foi torturado com choques elétricos no Dops e só aceitou assinar uma confissão do roubo --que ele nega ter cometido-- quando ameaçaram pegar sua família.

Talvez a história tivesse terminado aí, não fosse sua mulher ter dado queixa do seu desaparecimento. O delegado resolveu investigar o caso, viu Viviani todo machucado e chegou ao nome de Simonal.

O cantor alegou ter recorrido ao Dops porque vinha recebendo ameaças terroristas e disse, talvez para impressionar, que tinha conhecidos na polícia política. Quando, mesmo sem provas, foi classificado como informante, ele se enrascou.

"Ele foi infeliz no caminho que seguiu", afirma Viviani no filme. Por esse lado, o contador até ajuda a imagem de Simonal, pois reforça a idéia predominante no documentário: o cantor era um boquirroto ingênuo, sem consciência da gravidade da situação política de então, e morreu pela boca.

Pela surra que mandou dar, Simonal foi condenado em 1972 a cinco anos e quatro meses, que pôde cumprir em liberdade. Pela fama de dedo-duro, pagou enquanto esteve vivo --e depois também.

Em 2003, após a família pedir uma investigação sobre o caso e diante do documento de 1999 da Secretaria Nacional de Direitos Humanos informando que não havia nenhuma prova de que Simonal tivesse servido à ditadura, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) o reabilitou simbolicamente.

"Ele dizia para mim: "Eu não existo na história da música brasileira'", conta, no filme, Sandra Cerqueira, a segunda mulher de Simonal, que acompanhou sua amargura, seu alcoolismo e sua grande raiva --o documentário tem imagens dele em programas de TV clamando inocência.

"Ele tinha uma atitude provocativa que não o ajudava a fazer amizades. Era metido a besta, um crioulo de sucesso que andava de carrão e comia as filhas dos brancos. Era um negro liberto", diz Manoel, tocando na questão racial, muito presente no longa.

Boa parte do filme cobre o "antes da queda". Aí se vê Simonal ao lado de Pelé --possivelmente o único negro mais famoso do que ele no Brasil da época--, fazendo comercial da Shell, cantando "The Shadow of Your Smile" com Sarah Vaughan, regendo o Maracanãzinho lotado e esbanjando malícia (ou pilantragem, como se dizia).

"Pilantragem é o não-enchimento, o descompromisso com a inteligência", diz ele no filme, sem saber que a frase seria premonitória.

Trailer do filme
Ninguém Sabe o Duro que Dei


A história da ascensão fulgurante e da queda espetacular de Simonal é esmiuçada no documentário Ninguém Sabe o Duro que Dei (Brasil, 2007), em cartaz nos cinemas desde sexta-feira.

Dirigido por Claudio Manoel (do Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal, o filme também reavalia a importância artística do cantor: para além de seus supostos equívocos políticos, Simonal dominava o palco como poucos já o fizeram no Brasil.

5 de abr. de 2009

Dilma guerrilheira ia seqüestrar Delfim Neto

Dilma guerrilheira ia seqüestrar Delfim Neto


A ficha da Guerrilheira Dilma, como terrorista e assaltante, não estava completa

Fontes: Folha de São Paulo

Estavam enganados os militares que sempre acharam que a Ministra Dilma Rousseff era só terrorista e assaltante de bancos, ela também tinha uma vocação para seqüestradora, e pretendia seqüestrar o então poderoso Ministro da Fazenda do Governo do General Médici, o economista Antônio Delfim Neto (foto).

A repórter Fernanda Odilla ouviu numa entrevista ao ex-guerrilheiro militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), Antonio Roberto Espinosa, 63 anos, um companheiro de armas de Dilma Rousseff, então clandestina, que se escondia sob as falsas identidades dos codinomes: Luíza, Estella, Wanda, Marina e Patrícia.

O seqüestro ocorreria em dezembro de 1969, num sítio assentado no interior de São Paulo. Segundo Espinosa, cinco pessoas estavam informadas sobre o plano de levar Delfim ao cativeiro. Ele próprio, Dilma e outros três dirigentes da guerrilha.

Delfim seria um troféu vistoso. Era ministro da Fazenda. O civil mais poderoso do regime dos militares e naquele ano em especial desfrutava de muito prestígio, por ter ajudado o país a um crescimento econômico de 9,5%.

Pega de surpresa pela jornalista a Ministra hoje encarregada de ser mãe do PAC não foi inicialmente veemente na negativa de que o fato seria ou não verdade.

“Disse duvidar “que alguém se lembre”, disse a princípio.

Informada sobre o depoimento que Espinosa dera à repórter, a ministra afirmou que o ex-companheiro “fantasiou”.

Em seguida, Dilma encareceu à repórter que registrasse sua “negativa peremptória”, pois viu que não ficava bem a uma pré-candidata a presidente da republica aparecer com esse titulo de seqüestradora.

Antonio Roberto Espinosa não falou por gabolice, a repórter obteve um mapa do local onde o Ministro seria seqüestrado, com a localização do sítio, próximo às cidades de Itu e Jundiaí, que pertencia a Mario Nicoli, cunhado e amigo de Delfim.

O mapa foi apreendido por agentes do governo numa batida ao esconderijo da facção do grupo de Dilma, em Lins de Vasconcelos, no Rio, onde se encontrou além de papéis, armas, munição e explosivos.

Enviou-se uma cópia do mapa para Delfim. O ex-ministro confirmou que era freqüentador de sítio na região indicada em vermelho na folha de papel.

Delfim disse que recebera recomendações do governo na época para redobrar o cuidado com a segurança. Mas desconhecia o plano de seqüestro que se armara contra ele.

Um plano que só não foi adiante, segundo a versão de Espinosa, porque seus idealizadores foram presos antes, o que se ajusta com a história do seqüestro em dezembro, pois, o Espinosa foi capturado em 21 de novembro de 1969.

Hoje Delfim e Dilma trocam figurinhas e são muito próximos de Lula, dizem até que ele é entusiasta da candidatura a presidente da republica de sua ex-pretensa quase seqüestradora.

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29 de mar. de 2009

Britânicos desmentem Argentina sobre ilhas Falklands

Britânicos desmentem Argentina sobre ilhas Falklands
O Primeiro Ministro Inglês não quis nem ouvir falar de conversações sobre as ilhas Malvinas que a Presidente Argentina trouxe a pauta e desmentiu que houvesse qualquer negociação em curso como insinuaram os argentinos.

Foto: Governo Argentino

O encontro da presidente argentina e do primeiro ministro inglês, em Buenos Aires

Fontes: O Globo , O Clarin , Time Online

O primeiro Ministro inglês Gordon Brown, continua o seu aprendizado sobre os governantes latinos americanos, depois de ter ouvido uns desaforos de Lula, agora, em meio aos debates sobre a crise mundial, escutou da presidente argentina Cristina Kirchner a reclamação argentina sobre as ilhas Malvinas, assunto que a chancelaria do primeiro ministro não tinha aceitado na pauta das conversações.

Quando dois chefes de Estado vão se encontrar, antes os Ministros das Relações Exteriores reúnem-se e acertam o que vai ser discutido entre os dois. As pautas são afinadas e diz a boa regra e educação diplomática, que não deve ser posto em debate assuntos não acordados.

Diante da “metáfora” de lula, sobre os culpado brancos de olhos azuis, pela crise financeira mundial o jornal britânico The Guardian, no seu editorial disse que “talvez o premiê britânico devesse usar melhor o seu tempo, preparando o encontro do G20 na semana que vem” do que ter feito essa viagem a America do sul.

Estava aí a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para não deixar o jornal se enganar, quando ontem,sábado, pediu o reinicio das conversações, sobre a posse das ilhas Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands, um dia após Brown dizer que poderia não discutir o assunto.

Foto: Linda Garrison

Porto Stanley nas Ilhas Malvinas é a menor e mais remota capital do mundo

O governo britânico deixou vazar que Gordon Brown respondeu a presidente que não havia nenhuma alteração no pensamento do governo britânico sobre a posse, soberania da Ilha que foi motivo de guerra entre os dois países em 1982.

Mais uma vez, o primeiro ministro britânico estava sendo envolvido com declarações de um presidente que estava jogando demagogicamente para a platéia interna.

O ministro do Exterior da Argentina, Jorge Taiana, que como diplomata deveria ter desestimulado Cristina Kirchner a tratar do assunto naquele momento, foi quem divulgou que o assunto foi tratado e que a presidente “havia sido clara e firme, na necessidade do Reino Unido fazer o que a Organização das Nações Unidas (ONU) tem pedido e manter conversações para encontrar a solução para um conflito de soberania entre o Reino Unido e a Argentina sobre as Malvinas".

Guerra das Malvinas ou Falklands

Foto: Military Images

Um multidão de ingleses foi a Portsmouth saudar o porta avião HMS Hermes que retova com os heróis da guerra das Malvinas

Fontes: Wikipedia , Guerras – Brasil Escola , BBC Brasil Military Images

As ilhas malvinas ou Falkland Island são territorios britânicos ultramarinos, um arquipélago formado por duas ilhas principais e aproximadamente outras 700 ilhas menores, somando uma área total de 12.173 km², situado no Atlântico Sul, a 500 quilômetros da costa argentina.

Os kelpers (nome dado a quem nasce nas Ilhas) se consideram cidadões britânicos e não querem nem ver falar de argentinos.

Foto: Arquivo

No começo da Guerra o General Leopoldo Guatieri, ovacionado por multidão de argentinos que apoiava a invasão

Em 1982 o general Leopoldo Galtieri, que na ocasião presidia a Argentina estava com a popularidade em baixa e decidiu invadir a Ilha, imaginando que o ingleses não reagiriam devida a distância, do território ocupado para a Inglaterra e a pouca importancia do arquipelágo.

Foto: Military Images

Soldados britânicos desembarcando nas geladas praias das Falklands.

A primeira ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher reagiu instantaneamente com veemência e determinação. Apoiados pelos norte-americanos, Ronaldo Reagan era o presidente e pelo Chile do General Pinochet, os britânicos atacaram as tropas argentinas invasoras, furando o bloqueio naval e aéreo Argentina, que patrulhavam os mares e os céus próximos ao arquipélago acabando por tomar de volta a posse das Ilhas.

O papa João Paulo II envolveu-se pessoalmente em fazer a guerra cessar, visitando os dois países em pleno conflito.

Em certo momento da guerra, que durou apenas dois meses, do início de abril a meados de junho de 82, cercado por terra, mar e ar, sem apoio logístico, o exército argentino invasor, estava prestes a ser dizimado se continuasse nas Malvinas. Não precisava nem haver combates, os soldados morreriam de fome, pois as provisões não lhe chegavam e do frio glacial reinante, pois suas roupas de combate não eram apropriadas para enfrentar aquelas condições adversas.

Foto: Military Images

Soldados argentinos prisioneiros sob a guarda de soldados britânicos

Havia ainda o risco da força aérea ou naval britânica atacar o território continental argentino. A população de Bueno Aires, assustada, chegou a fazer exercícios e ensaiar apagões, treinando para o caso de ataque aéreo britânico.

Foto: Military Images

Às 11h07min do dia 4 de Maio de 1982, um míssil Exocet AM39, lançado por um avião Super Étendard da Armada Argentina, atingiu em cheio o destróier HMS Sheffield, a mais moderna embarcação da Royal Navy na época, morrem dez marinheiros ingleses e o navio afunda. Na foto uma fragata auxilia no combate ao incêndio e resgata tripulantes.

Ao invés de se render, a Argentina disse que estava acatando uma resolução da ONU, que no início do conflito recomendará o cessar fogo e recomendava aos dois países que sentassem à mesa de negociações, para discutir a posse das Ilhas.

É nessa resolução que Cristina se baseia para tentar fazer o assunto voltar à pauta ou fingir que pretende seriamente.

Cerca de 712 soldados argentinos e 255 britânicas morreram nos combates.

Na próxima quarta feira 02 de abril, a invasão das tropas argentinas ao arquipélago completa 27 anos.

Foto: Military Images

Margaret Thatcher ousadamente logo ao fim da guerra visitou as tropas vencedoras nas Ilhas Falklands

Politicamente a guerra serviu tanto aos argentinos, que logo após a guerra o general Galtieri foi forçado a renunciar. Em seu lugar assumiu o general Reynaldo Bignone, que iniciou as negociações para devolver o poder aos civis pondo fim a ditadura militar que havia se instalado no país há 10 anos. Realizaram eleições que levaram o civil Raúl Alfonsín ao poder.

Na Inglaterra, o conflito fortaleceu a imagem política de Margaret Thatcher, que antes estava em declínio. Possivelmente por causa da guerra conseguiu se reeleger como primeira-ministra.

Plantão do Jornal Nacional durante a Guerra das Malvinas