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8 de nov. de 2012

Jarbas e Renan Calheiros nos cardápios de Brasília

BRASIL - Política
Jarbas e Renan Calheiros nos cardápios de Brasília
Nesta terça-feira, 06, em dois lugares diferentes da capital federal, sob o pretexto de jantar, políticos se reuniram para discutir sobre a moralidade pública a começar pelos nomes dos que ocuparão a presidência do senado e da câmara, no próximo ano e os acertos para a eleição presidencial de 2014

Ilustração Toinho de Passira

Jarbas e Renan, pratos distintos no self service da capital federal

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Josué Nogueira, Terra, Noticia R7, Wikipedia, Valor Economico

Nesta terça-feira, 06, em dois lugares distintos de Brasília, políticos reuniram-se em torno de uma mesa de jantar, para debater sob o futuro político do país. Desproporcionalmente comparados, o primeiro era formado por um pequeno grupo de senadores, no apartamento funcional do senador pernambucano o peemedebista Jarbas Vasconcelos, noutro lado da cidade, no Palácio da Alvorada, a presidenta Dilma Rousseff, recebia para jantar toda a cúpula do PMDB e do PT.

Em comum, no cardápio dos dois eventos, a sucessão da presidência do senado, após o fim do mandato de José Sarney (PMDB- AP), em fevereiro do próximo ano.

A turma de Jarbas, uma espécie de “Exercito de Brancaleone” buscava uma fórmula de impedir que o senador alagoano Renan Calheiros (PMDB-AL) volte à presidência do Senado. Como se sabe, em 2007, debaixo de acusações de corrupções variadas e comportamento antiético e comprometedor Renan teve que renunciar para evitar ser cassado. Sacrificou o cargo, para não perder o mandato.

Ao todo, houve seis representações contra o Senador Renan Calheiros, no Conselho de Ética do Senado do Brasil, por seus pares, pedindo sua cassação de Renan, que, apesar de tudo, continuava a ocupar o posto de Presidente do Senado.

Mesmo assim, Renan conseguiu se reeleger, com folga, em 2010, para mais um mandato de Senador, por Alagoas, e desde que retornou ao Senado não pensa noutra coisa, senão a de retornar a presidência do Senado.

O grupo dos resistentes a Renan, é composto, além de Jarbas, de Pedro Taques (PDT-MT), Cristovam Buarque (PDT-DF), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Aloísio Nunes Ferreira (PSDB-SP) .

Também Cyro Miranda (PSDB-GO), Ana Amélia (PP-RS), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-PR), Casildo Maldaner (PMDB-SC), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Pedro Simon (PMDB-RS).

Discutiram na ocasião lançar uma candidatura alternativa para enfrentar Renan, que poderia ser tanto o nome de Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Pedro Taques (PDT-MT) ".

Como se sabe, o acordo fechado pelos maiores partidos do Congresso Nacional – PT e PMDB – em 2011 estabeleceu que no biênio 2013- 2014 as duas casas parlamentares seriam comandadas por peemedebistas.

Na Câmara, o escolhido é o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que também enfrenta questionamentos, embora de proporções menores das reações adversas enfrentadas pela postulação de Renan Calheiros.

Os senadores da resistência temem que a volta de Renan, ao Senado, ocasione novo processo de desgaste junto à opinião pública e comprometimento do governo de Dilma Rousseff.

A bem da verdade, Dilma e Lula, farão qualquer coisa para impedir que Jarbas Vasconcelos, o arquinimigo de Lula e do PT, e agora aliado queridinho de Eduardo Campos seja presidente do Senado. Jarbas sabe disso e sua "candidatura" seria um gesto simbólico de resistência e realce a desaprovação a Renan Calheiro e sua turma .

A bem da verdade, diga-se também, que Dilma, não engole Renan de bom grado, ainda que timidamente, chegou a sugerir, em julho, que veria com bons olhos, o senador Edison Lobão, atual Ministro das Minas e Energia, com sucessor de Sarney na presidência do Senado.

Traduziu-se o gesto da presidenta como uma tentativa de matar dois coelhos com uma só cajadada: livrar-se de ter que de negociar com Renan, na presidência do senado, e despachar Lobão do ministério das Minas e Energia.

Consultado na ocasião, Lobão odiou a ideia, que a princípio teve o apoio de Michel Temer. O vice-presidente quer emplacar um candidato seu no Ministério, no lugar de Lobão, posto no ministério na cota de Sarney.

Tudo mudou, porém, com a eleição municipal e a ascensão nacional do PSB de Eduardo Campos, que ameaça mover-se de forma mais independente na base aliada do Governo.

Instruída por Lula, que passou nesta mesma terça-feira, três horas reunido com a presidenta acertando os detalhes, Dilma seguiu para o jantar no Palácio da Alvorada, disposta a comprometer-se com a aliança do PT e PMDB, sem questionar nomes, nem reputação dos peemedebistas indicados para os cargos.

Para tanto, quase no mesmo horário que acontecia o modesto jantar de Jarbas, a presidenta se reuniu palacianamente com as lideranças do PT e do PMDB, quando formalizou-se algumas questões que dificilmente deixarão o projeto anti-Renan ir adiante.

Ficou acertado entre eles, primeiramente, que não haverá troca de vice presidente no caso de Dilma concorrer a reeleição, diante das especulações que Michel Temer seria substituído por Eduardo Campos, do PSB.

Confirmou-se também o apoio do PT aos dois nomes indicados pelo PMDB para presidir, a partir do próximo ano, no Senado, Renan Calheiros, e na Câmara, Henrique Eduardo Alves, cumprindo o acordo firmado entre os dois partidos no ano passado.

O futuro do Brasil foi servido de sobremesa.

29 de out. de 2012

BALANÇO ELEITORAL: Perdas e ganhos

BRASIL – Eleição 2012
BALANÇO ELEITORAL: Perdas e ganhos
Eduardo Campos e Lula se deram bem nas apostas eleitorais, Kassab se fortaleceu, Dilma, não perdeu nem ganhou, Serra, entrou em processo de extinção e Aécio, não apareceu. O DEM encolheu ainda mais. PDT renasceu. O PT, o PMDB e o PSDB, a partir de 2013, vão governar quase 50% do eleitorado brasileiro.

Foto: Joka Madruga/Futura Press

Sistema biométrico para identificação de eleitores nas eleições 2012 sendo utilizado em Curitiba (PR), na manhã deste domingo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ana Flor e Jeferson Ribeiro
Fonte: Reuters

Lideranças políticas com influência direta nas campanhas, mesmo sem ter os nomes na urnas das disputas municipais deste ano, contabilizam ganhos e perdas com o pleito e a nova configuração política regional no país a partir de janeiro.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campo (PSB), contudo, é quem sai mais fortalecido com os resultados das eleições. Campos nacionalizou seu nome e seu partido, ampliou para o número de capitais comandadas Pela legenda para cinco --superando o PT e PSDB-- e espalhou sua influência para além do Nordeste, afirmaram especialistas ouvidos pela Reuters.

Para o cientista político da Unicamp Roberto Romano, o PSB foi quem mais teve ganhos neste pleito, por conseguir dobrar sua representatividade em termos de prefeitos e vereadores.

"Há uma liderança nacional (Eduardo Campos) que cresce e preocupa tucanos e petistas. Ele tem condições de fazer alianças que preocupam eles (PT e PSDB)", disse Romano.

Em 2008, o PSB conquistou 310 prefeituras. Agora, chegou a 450, considerando os resultados deste domingo. E governará cinco capitais, entre elas Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. E em todas essas disputas teve o PT como adversário.

O ex-presidente Lula, que apostou na renovação e fez o PT reconquistar o comando da capital paulista com um nome neófito nas urnas, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, também colheu dividendos políticos no pleito deste ano.

"Mesmo com erro em Recife, quem saiu consagrado é o Lula", disse o cientista político e diretor do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais (Inpro), Benedito Tadeu Cesar, argumentando que o ex-presidente bancou a percepção de que o eleitorado queria mudança em São Paulo.

Em Recife, Lula pediu e a cúpula nacional do partido interveio no diretório local e impôs a candidatura do senador Humberto Costa, que acabou em terceiro lugar.

Para Romano, o êxito da estratégia de Lula em São Paulo não revela uma fórmula infalível. "Em São Paulo, pelas condições especialíssimas é que deu certo", analisou.

Já a presidente Dilma Rousseff, que pessoalmente teve modesta participação nas campanhas municipais, viu quatro dos cinco palanques em que subiu (Salvador, Campinas, Manuas, Belo Horizonte e São Paulo) serem derrotados.

Porém, para os analistas, a participação cirúrgica pode ter ajudado a presidente a irritar pouco sua grande base aliada, que se fragmentou nas disputas pelo país, principalmente o PSB e o PMDB.

"Ela conseguiu em parte não se transformar em 'cheerleader' (animadora de torcida) do PT, esteve em Salvador e Campinas e perdeu, mas não comprometeu sua pessoa com essas vitórias ou derrotas", analisou Romano.

Já o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), apesar de ter apoiado José Serra, derrotado na capital paulista, sai desta eleição com um trunfo importante: conseguiu consolidar seu novo partido, o PSD, em apenas um ano.

Além de conquistar 495 prefeituras --entre elas uma capital--, o partido já tem como certa a promessa de um ministério na Esplanada.

RENOVAÇÃO

O PSDB perdeu a prefeitura de São Paulo --a maior cidade e colégio eleitoral do País--, mas manteve número semelhante de prefeituras e capitais em relação à eleição anterior. O partido, que sempre teve tradição no Sudeste, cresceu no Norte e Nordeste do país. A maior derrota pessoal, segundo os especialistas ouvidos, foi do tucano José Serra, que perdeu a prefeitura paulistana para Fernando Haddad.

Foi a sua segunda derrota em dois anos --perdeu a corrida à Presidência da República em 2010 para Dilma. Serra, que já abandonou dois cargos -- de governador e prefeito -- para tentar outras candidaturas, aos 70 anos tem contra si a idade e resistências crescentes em seu partido.

Neste domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que é hora de o PSDB buscar o novo.

"O partido com um todo, o que vai precisar mesmo, é exatamente de renovação. Há um momento em que as gerações mudam, nós estamos num momento de mudança de geração. Isso não quer dizer que os antigos líderes desaparecem, mas quer dizer que eles têm que empurrar os novos para ir à frente", argumentou FHC a jornalistas depois de votar.

Romano, porém, não acredita que o virtual candidato tucano à presidência em 2014, o senador Aécio Neves (MG), tenha condições de ser o condutor da renovação do tucanato.

"A derrota do Serra é a derrota do Aécio", disse Roberto Romano sobre o senador tucano, que consolidou sua supremacia em Minas Gerais, mas não expandiu seu capital político nacionalmente.

"Ele saiu bem, mas foi muito mineiro. Trabalhou muito em silêncio", disse David Fleischer, cientista político da UnB.

Já o partido que mais contabilizou insucessos foi o DEM --apesar da importante vitória de ACM Neto em Salvador.

"O DEM foi o que mais perdeu. Perdeu mais de metade dos seus deputados para o PSD e perdeu muitos prefeitos... Desde 2004 estão descendo a ladeira", disse Fleischer.

Apesar disso, Fleischer não acredita que a legenda deixe de existir nos próximos meses.

"Acho que tem muitos políticos do DEM com brios e com a fusão perderia liderança no novo partido. É mais provável que o DEM continue", afirmou o cientista político da UnB.

SOBE E DESCE DAS LEGENDAS

Entre os partidos, além de PSB, PSD e PT, os especialistas ressaltam o "renascimento" do PDT, sigla de origem da presidente Dilma.

"Além do crescimento com PSB, continuo insistindo no crescimento do PDT, que conquistou duas capitais do Sul (Porto Alegre e Curitiba)... Partido que renasce depois da morte de (Leonel) Brizola", disse Tadeu César. O PDT conquistou ainda a prefeitura de Natal.
*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original

1 de mai. de 2012

Brizola Neto vai surfar no Ministério do Trabalho

BRASIL - MINISTÉRIOS
Brizola Neto vai surfar no Ministério do Trabalho
Depois de quase cinco meses, após de ter dado o bilhete azul a Carlos Lupi, por corrupção, Dilma anunciou o deputado Brizola Neto, como o novo Ministro do Trabalho. O PDT, partido do velho e do novo ministro, sentiu-se desprestigiado, por falta de consultas. O PDT esperneia sem muita razão: como levar a sério um partido que deixa Lupi, assumir a presidência da legenda, após ter sido posto para fora do ministério sob a pecha de corrupto? O avô do futuro Ministro, o gaúcho Leonel Brizola é o fundado do PDT.

Foto: Antonio Cruz/ABr

O JOVEM - Em seu blog, Brizola Neto, que é surfista, diz que a pouca idade não é incompatível com o “equilíbrio”, não se sabe se ele está falando de política ou de surf.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Blog do Josias de Souza, G1, Agencia Brasil, Correio do Brasil, Blog do Lobo

O Palácio do Planalto anunciou nesta segunda-feira (30) que o deputado Brizola Neto(PDT-RJ), 33, será o novo ministro do Trabalho. Ele está no segundo mandato de deputado federal e é Neto do fundador do PDT, o ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, falecido em 2004. Quando tomar posse se tornará o mais jovem ministro do governo Dilma.

O novo ministro começou a vida política como vereador do Rio de Janeiro em 2004 e foi Secretário de Trabalho e Renda do estado. Em 2006, foi eleito deputado federal e assumiu a liderança do PDT na Câmara em 2009, aos 30 anos.

Há mais cinco meses, o PDT vinha pressionando a presidente Dilma Rousseff para reassumir o comando do ministério do Trabalho, que se tornou cota do partido desde o governo Lula. O presidente do PDT, Carlos Lupi, ficou no cargo por mais de quatro anos. Saiu em dezembro de 2011, depois do desgaste provocado por denúncias de corrupção no ministério.

Brizola Neto não era o preferido do PDT, foi uma escolha pessoal da presidente Dilma e Lupi só foi comunicado da indicação, poucas horas antes do anúncio, em uma conversa com a presidente Dilma. Saiu sem comentar a escolha de Brizola Neto.

O PDT tem 26 deputados federais e cinco senadores, que se dividem entre os que apóiam e os que pregam independência ao governo.

As resistências no partido levaram Brizola Neto a cancelar a tradicional entrevista coletiva à imprensa. Segundo a assessoria, o novo ministro precisa de mais tempo para conversar dentro do PDT.

Em entrevista ao repórter da Globo News, Gerson Camarotti, Brizola Neto admitiu essas dificuldades: “Às vezes existe uma resistência ou outra, mas nada que não seja passivo da gente superar. O Lupi é fundamental para esse processo de unidade partidária”.

A coisa parece mais séria que o imaginado por Brizola Neto. O vice-presidente do PDT e líder da legenda na Câmara, André Figueiredo (CE), não se negou a comentar a decisão sem a participação do partido:

“O ministro Gilberto Carvalho [Secretaria-Geral da Presidência] ligou depois da decisão tomada, para nos comunicar. Coloquei a insatisfação de nunca ter sido chamado, nos últimos cinco meses, para conversar.”

O ex-líder na Câmara, Giovani Queiroz (PA), completou: “A presidente está mal assessorada. Se a assessoria tivesse dito a ela que ele não tem a simpatia, nem tem trânsito nem na bancada nem na Executiva, ela não teria indicado. Ideli [Salvatti, ministra de Relações Institucionais]. Se ele (Brizola Neto) tem o apoio das centrais, a presidente nomeou o ministro da Força Sindical, não do PDT.”

E acrescentou:

“Brizola Neto não conseguiu ganhar a confiança da bancada. […] Ele é o queridinho da presidente, não é nosso. Se [Leonel] Brizola estivesse vivo, ele teria levado umas palmadas, apesar da lei. Ele trai princípios partidários do PDT. No Ministério fará o jogo da presidente não o de interesse do partido.”

A insatisfação estende-se ao secretário-geral do PDT, Manoel Dias:

“O partido não avaliou. O partido está perplexo, porque ela [Dilma] fez uma indicação pessoal dela. Ela comunicou a escolha do ministro. Os partidos todos são ouvidos. Ao PDT, ela comunicou.”

Josias de Souza no seu Blog comenta:

”... se o objetivo não era obter a simpatia do PDT e garantir os votos da legenda no Congresso, por que diabos Dilma não acomodou na poltrona de ministro do Trabalho alguém do ramo, apartidário, realmente talhado para o cargo?

Foto: Fedoca Lima/Blog do Lobo

SURFANDO EM MAR AGITADO - Brizola Neto (PDT) é mais que um surfista de fim de semana, no ano passado, venceu o Osklen Surfing Arpoador Clássico, categoria Open. A habilidade no mar poderá ser útil para enfrentar as ondas adversas dentro do próprio partido? Como uma “Back door” (Parte da onda que quebra da direita para a esquerda), ou uma “Back Wash”(onda que vem ao contrário, da direção da areia

26 de mar. de 2012

‘Não tem nada de mais’ - a série - Carlos Alberto Sardenberg

OPINIÃO
‘Não tem nada de mais’ - a série
“Vamos supor, portanto, que tenha ocorrido uma enorme coincidência. O ministro precisou de um avião confortável e um assessor desavisado providenciou o aparelho logo com um empresário conhecido e que tem negócios com o ministério.” “Não haveria aí um problema ético? Não gera a suspeita de troca de favores?”

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Carlo Lupi: Estão me acusando de quê? (Corrupção pode causar perda de memória)

Carlos Alberto Sardenberg
Fonte: Estadão

E segue a nossa série "não tem nada de mais", feita com a colaboração das autoridades quando explicam algumas situações, digamos, embaraçosas. E vamos falar francamente: há boas mentiras, histórias bem contadas, que ficam de pé por muito tempo. Há também mentiras inocentes, daquelas que todo mundo sabe, mas deixa passar. Não é o caso das versões contadas pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Reparem: não é que ele se esqueceu do nome e do jeitão de um eleitor qualquer, desses com os quais as autoridades vivem topando por aí, apesar dos seguranças. Ele não se lembrou de ter viajado num jatinho com o diretor de uma organização não governamental (ONG) que tem contratos com o seu ministério, nem se lembrou de ter jantado na casa do empresário.

Como não se lembrava, negou. Confrontado com fotos e vídeos, além das declarações do diretor da ONG dizendo que serviu a janta para o ministro pessoalmente, Lupi caiu em si. "É mesmo!" - deve ter comentado - "agora me lembro."

Então o ministro havia mentido na primeira versão?

De jeito nenhum, ele simplesmente não tem "memória absoluta", contestou, não num bate-papo de bar, mas numa reunião oficial no Senado.

Qual é o problema? Político se encontra com tanta gente, frequenta tantos almoços e jantares que é impossível lembrar tudo assim, de memória, explicou Lupi.

E o jatinho? Ora, ministro de Estado está toda hora viajando de jatinhos e jatões, como é que pode se lembrar em qual voou tanto tempo atrás? Mais impossível ainda é lembrar quem era o dono do jatinho ou quem pagou a viagem. Isso lá é atribuição de ministro? - argumentou Lupi.

Vamos supor, portanto, que tenha ocorrido uma enorme coincidência. O ministro precisou de um avião confortável e um assessor desavisado providenciou o aparelho logo com um empresário conhecido e que tem negócios com o ministério.

Não haveria aí um problema ético? Não gera a suspeita de troca de favores?

Só na cabeça da mídia e da oposição. Como se pode pensar nisso - segue a argumentação do ministro -, se ele nem sabia de quem era o avião ou quem estava pagando o aluguel do jatinho?

Reparem: se essa tese, digamos, faz algum sentido, então qualquer autoridade pode apanhar carona no avião de um traficante. Não teria nada de mais, se a autoridade não soubesse quem estava patrocinando sua viagem.

Fico imaginando: o assessor diz ao ministro "arrumei um avião, excelência, o problema é que pertence ao...". E o ministro adverte: "Não me diga nada, quer me comprometer?".

Resumindo, pois: o ministro agora sabe que viajou num jatinho providenciado pelo diretor da ONG que tinha interesse concreto em decisões tomadas por ele, ministro. Mas, como ele não sabia na ocasião, não tem nada de mais. Também não tem nada de mais ele ter apresentado duas versões, porque a primeira fora uma traição da memória.

O problema é que o Código de Conduta da Alta Administração Federal diz, em seu artigo 7.º: "A autoridade pública não poderá receber (...) transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade".

Ressalva e explica o parágrafo único desse artigo: "É permitida a participação em seminários, congressos e eventos semelhantes, desde que tornada pública eventual remuneração, bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade".

Ou seja, não apenas a autoridade tem de saber quem patrocina sua viagem e sua boca-livre. Todo mundo precisa saber. E se a coisa toda puder gerar alguma suspeita de favorecimento, então não pode fazer.

Poderia uma autoridade alegar que não sabia dessa regra?

Claro que não, no entanto Lupi já deu um drible na Comissão de Ética da Presidência. Informado de que não poderia ser, ao mesmo tempo, ministro de Estado e presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT), depois de ter reclamado muito Lupi se licenciou do cargo no partido. De araque. Todo mundo sabe que ele continuou comandando o PDT. Aliás, na tal viagem, ele estava justamente num trabalho partidário. Tanto que já disse que vai devolver a diária de ministro.

Assim, viajou na condição de ministro de Estado no avião providenciado pelo diretor da ONG contratada pelo ministério, fez campanha partidária e ainda cobrou diária do bolso dos contribuintes. Não tem nada de mais. Devolve o dinheiro e o resto se esquece, certo?

O ministro ainda perguntou: estão me acusando de quê?

Presentinho? O Código de Conduta da Alta Administração ainda esclarece: "É vedada à autoridade pública a aceitação de presentes, salvo de autoridades estrangeiras nos casos protocolares em que houver reciprocidade". Agora, presentinhos pode, desde que "distribuídos por entidades de qualquer natureza a título de cortesia, propaganda, divulgação habitual ou por ocasião de eventos especiais ou datas comemorativas, não ultrapassem o valor de R$ 100 (cem reais)".

Quem sabe o aluguel do jatinho saiu por uns R$ 99,99?..


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

3 de mar. de 2012

GOVERNO DILMA: O dia em que a base aliada ameaçou desmoronar

BRASIL
O dia em que a base aliada ameaçou desmoronar
Presidenta adia nomeação de novo ministro do Trabalho para contornar uma sucessão de rebeliões entre os partidos aliados. Veja como foi os bastidores da tensa quinta-feira de Dilma, que acabou o dia, insesperadamente em São Bernardo do Campo, pedindo conselho a Lula.

Foto: Ricardo Stuckert

A presidenta Dilma Rousseff, no meio do turbilhão, fez uma “visita” não programada, de quase quatro horas, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi aconselhada a esperar a poeira baixar.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Congresso em Foco

Era por volta das 14h de quinta-feira (01) quando o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) chegou ao Palácio do Planalto. Estavam com ele os deputados Cadoca (PSC-PE) e Felipe Pereira (PSC-RJ).

A alguns metros dali, na Câmara dos Deputados, os demais parlamentares do PSC comemoravam efusivamente. Hugo Leal havia sido chamado pela presidenta Dilma Rousseff para se tornar o novo ministro do Trabalho, em substituição a Paulo Roberto dos Santos Pinto, que está interino no ministério desde a demissão de Carlos Lupi, do PDT. Cerca de uma hora depois, Hugo Leal saiu do Palácio do Planalto sem falar com Dilma e, consequentemente, sem se tornar ministro. Na sequência, a presidenta pegou o avião e rumou para São Paulo, para se encontrar pessoalmente com o ex-presidente Lula no seu apartamento em São Bernardo do Campo.

O que fez Dilma dar um chá de cadeira em Hugo Leal, frustrar – pelo menos momentaneamente – sua expectativa de se tornar ministro, pegar um avião correndo e ir se consultar com Lula foi a iminência do que poderia ser a mais grave crise política enfrentada pela presidenta desde que tomou posse em janeiro do ano passado. Depois da surpreendente nomeação de Marcelo Crivella no Ministério da Pesca, o PMDB, principalmente, ameaçava uma rebelião que, àquela altura, poderia se estender para o PDT também e para outros aliados. Diante do risco, Lula aconselhou Dilma a adiar qualquer outra mexida ministerial até as coisas se acalmarem.

PREFEITURA DE SÃO PAULO - Em torno das ações de Dilma e das reações que poderiam terminar em rebelião estão os movimentos feitos por todos os partidos em torno das eleições para a prefeitura de São Paulo. Maior cidade do país, berço do PT e do PSDB, o resultado das eleições em São Paulo será importante definidor dos rumos eleitorais do país em 2014. Daí, a sua importância.

Quando resolveu tirar o deputado Luís Sérgio (PT-RJ) do Ministério da Pesca para ali colocar Marcelo Crivella, a intenção de Dilma era fortalecer a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, que tentará a prefeitura paulistana pelo PT. O PRB, partido de Marcelo Crivella, tem um pré-candidato na disputa de São Paulo, que aparece bem colocado nas pesquisas, Celso Russomano. Embora ainda mantenha sua pré-candidatura, Russomano vinha, ao mesmo tempo, conversando com o pré-candidato do PMDB, o deputado Gabriel Chalita. Depois da entrada de José Serra, do PSDB, na disputa, o quadro eleitoral em São Paulo tornou-se confuso, e um eventual fortalecimento de outras candidaturas poderia até acabar por tirar Haddad do segundo turno. Daí, a estratégia de desidratar outras candidaturas dentro da base aliada para fazer com que esses partidos unam-se desde o início a Haddad.

O problema é que Dilma fez a mexida no Ministério da Pesca ignorando solenemente o PMDB, seu principal aliado na coalizão do governo. O vice-presidente Michel Temer, principal líder peemedebista, só soube da nomeação de Crivella pela televisão. E ficou imensamente irritado. Na quinta-feira, os deputados do PMDB preparavam uma carta, que pretendiam entregar a Temer para que ele a encaminhasse para Dilma, na qual o partido manifestaria claramente a sua contrariedade, acusando o PT de optar por uma estratégia hegemônica atropelando de forma truculenta os planos eleitorais de seus parceiros. Quando se preparava para receber Hugo Leal para discutir o Ministério do Trabalho, Dilma ficou sabendo da rebelião peemedebista. Naquele momento, a nova mexida iria colocar ainda mais lenha na fogueira.

MAIS UMA PEDRA CONTRA CHALITA - A escolha de Hugo Leal seria mais uma pedra contra as pretensões de Chalita e do PMDB em São Paulo. Assim como era o PRB de Crivella, o PSC é um partido aliado com cargos ministeriais, e igualmente com peso junto à bancada evangélica. Em São Paulo, o PSC já fechava um acordo para apoiar a candidatura de Chalita à prefeitura de São Paulo.

Assim, a escolha de Hugo Leal serviria para neutralizar mais um possível acordo eleitoral para fortalecer a candidatura de Chalita em São Paulo e enfraquecer a candidatura de Haddad. Assim, caso acontecesse na sequência da escolha de Crivella, a nomeação de Hugo Legal agravaria a insatisfação peemedebista.

À grita do PMDB, iria somar-se à do PDT. Depois da votação da Fundação de Previdência do Servidor Público (Funpresp), a avaliação dentro do governo é de que o PDT, pela sua insubordinação, não deveria ter mais direito ao Ministério do Trabalho. Praticamente toda a bancada do PDT, com exceção de Brizola Neto (RJ) e Marcos Medrado (BA), votou contra a Funpresp. Para completar, um dos deputados do partido, João Dado (SP), ainda resolveu entrar na Justiça contra a criação da fundação. A constatação de Dilma era de que Brizola Neto, como líder, não tinha o comando da bancada, que não tinha o menor pudor em agir de forma contrária aos interesses do governo.

Ao mesmo tempo, o PDT dava sinais de querer abandonar de vez a base do governo, ao aceitar a Secretaria do Trabalho no governo tucano de Geraldo Alckmin em São Paulo. Era, assim, consenso dentro do governo que se deveria tirar o PDT do Trabalho e entregar a pasta a outro partido. Enquanto, porém, costurava-se a solução Hugo Leal para o ministério, parte do PDT fazia gestões junto a Dilma para permanecer no ministério. Assim, havia uma chance de manter o PDT na base. Por outro lado, a decisão definitiva de retirá-lo do ministério faria com que o partido de Lupi seguisse definitivamente para a oposição.

Foi com esse quadro confuso que Dilma resolveu pedir conselhos a Lula. O ex-presidente sugeriu, então, a Dilma que deixasse as coisas como estão, esperasse a poeira baixar, reavaliasse a situação antes de tomar a decisão. Hugo Leal continua cotado para o Ministério do Trabalho, mas tudo irá depender das futuras reações e dos acertos que Dilma venha a fazer. Enquanto ela estava em São Paulo com Lula, o candidato do PSC ao Ministério do Trabalho teve reuniões em Brasília com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.


5 de dez. de 2011

Finalmente Carlos Lupi pediu penico

BRASIL – CORRUPÇÃO
Finalmente Carlos Lupi pediu penico
O Ministro do Trabalho do governo Dilma, oriundo da base aliada do PDT resistiu o que pode, mas acabou capitulando. Mesmo depois de dizer que só saia do Ministério alvejado à bala e de confessar amor pela presidenta da Republica Dilma Rousseff. Sabendo que Dilma ir tacar o pé no seu traseiro na reunião que aconteceria na manhã desta segunda, resolveu sair de fininho dizendo-se perseguido e injustiçado.

Foto: Antonio Cruz/ABr

"Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa - decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.” – diz um trecho da carta de demissão de Lupi

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Agencia Brasil, O Globo, Reuters, Folha de São Paulo

O Ministro Carlos Lupi pediu demissão sufocado por uma enxurrada de denuncias de irregularidade na pasta e a descoberta de um desabonador passado político. Foi estimulado a pedir o penico e sair, pois não havia mais chances dele sobreviver à frente do ministério nem mais um dia.

. Ele se antecipou, desta forma, à decisão da presidente, que convocou para esta segunda-feira reunião da coordenação política para tratar especificamente do caso.

Na sexta-feira, em Caracas, Dilma já dera a indicação de que bateria o martelo sobre o futuro de Lupi nesta segunda. Afirmando que tomava decisões objetivas e que não era nada romântica, em alusão ao fato de Lupi ter dito declarado "Dilma, eu te amo" em audiência no Congresso Nacional.

Carlos Lupi, do PDT, entregou neste domingo à presidente Dilma Rousseff seu pedido de demissão.

A Reuters afirma, citando fonte próxima a presidenta, que Dilma ainda não escolheu um substituto para Lupi: o secretário-executivo do ministério, Paulo Roberto Santos Pinto, responderá pela pasta interinamente.

É possível que Dilma só escolha um substituto definitivo na reforma ministerial prevista para o começo do próximo ano.

Lupi é o sétimo ministro a deixar o governo Dilma, o sexto diante de denúncias de irregularidades publicadas pela imprensa. Ele foi um dos integrantes do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foram mantidos por Dilma em seus cargos.

A situação política de Lupi se deteriorou ainda mais na quarta-feira, após a Comissão de Ética Pública (CEP), órgão consultivo ligado à Presidência da República, ter recomendado à Dilma a exoneração do ministro.

Em nota, Lupi se disse vítima de "perseguição política e pessoal da mídia" e afirmou ter sido condenado "sumariamente" pelo parecer da CEP.

"Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do governo," disse o comunicado, publicado no site do ministério na Internet.

Lupi era alvo de denúncias de acumular cargos públicos na esfera federal e municipal. Esse problema foi que mais pesou na decisão dele de deixar o cargo, de acordo com o ministro que falou com a Reuters.

Dilma havia decidido mantê-lo no cargo na quinta-feira, mesmo com a publicação desta denúncia e com a decisão da CEP, que julgou ter havido desvio de ética dele nos casos de irregularidades de convênios e cobrança de propina no Ministério do Trabalho, divulgados pela imprensa.

O relatório da conselheira Marília Muricy Machado Pinto disse que o ministro "tem inquestionáveis e graves falhas como gestor" e é irresponsável "em seus pronunciamentos públicos."

Em nota, Dilma agradeceu a "colaboração, o empenho e a dedicação" de Lupi à frente da pasta.

"(A presidente) tem certeza de que ele continuará dando sua contribuição ao país," disse o comunicado.

A presidente vinha resistindo a demitir Lupi para não perder mais margem de manobra na reforma ministerial esperada para o início de 2012.

O Ministério do Trabalho havia sido alvo de denúncias de um suposto esquema de cobrança de propina de organizações não-governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta, num esquema que serviria para abastecer o caixa do PDT de Lupi.

O ministro também foi acusado de ter pegado "carona" em avião providenciado por um empresário e dirigente de ONG, que meses depois assinou convênios com o ministério. Ele também foi acusado de ter sido funcionário fantasma da Câmara por quase seis anos.

Desde junho, sete ministros deixaram o governo Dilma, seis deles em meio a denúncias de irregularidades - Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte) e, agora, Lupi.

Outros ministros devem deixar o governo no começo do ano que vem, quando a presidente deve fazer sua primeira reforma ministerial do seu governo, que deverá ser menos ampla justamente pelas substituições ocorridas ao longo do ano.

No fim, a imprensa, encabeçada pela Revista Veja, fez a reforma ministerial antes do tempo, trazendo à tona a sujeira dos ministérios mais apodrecidos. Tem se a impressão que a podridão estende-se por toda a esplanada dos ministérios. A questão não é acreditar que os ministros restantes são menos corruptos do que saíram. Apenas são mais competentes, em esconder as falcatruas ou ainda não foram descobertos.


23 de nov. de 2011

O SUBSTRATO DA CORRUPÇÃO

BRASIL
O SUBSTRATO DA CORRUPÇÃO
O patético caso do ministro Carlos Lupi dá à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de corrigir uma prática que está na raiz da maioria dos escândalos: o loteamento de cargos com o objetivo de obter apoio ao governo

Foto: Wilson Dias/ABr

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, falando na Comissão de Assuntos Sociais do Senado sobre as novas denúncias que teria usado um avião pago por empresário beneficiado por convênios do ministério.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja - 21/11/2011

Na última quinta-feira, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi ao Senado jogar uma cartada decisiva para as pretensões dele de continuar no cargo. Acusado de mentir ao Congresso e acossado por denúncias de cobrança de propina pela cúpula do ministério e de irregularidades na execução de convênios firmados com ONGs, Lupi prometera à presidente Dilma Rousseff, na véspera, rechaçar cabalmente as acusações e provar sua inocência.

A audiência seria a redenção do ministro e presidente licenciado do PDT. Seria. Como na semana anterior, quando participou de uma reunião na Câmara, Lupi produziu uma farta quantidade de provas - todas contra si mesmo.

Diante dos senadores, o ministro recuou e admitiu ter viajado no King Air providenciado por – como é mesmo o nome? - Adair Meira, dirigente de duas ONGs que têm contratos milionários com o Trabalho. Foi a confirmação da primeira de suas mentiras.

O ministro também recuou e admitiu conhecer Adair, um parceiro que, sabe-se agora, chegou a oferecer um jantar em homenagem a Lupi em Goiânia. Jantar na casa do próprio Adair, aquele de quem o ministro não sabia nem o nome nem o endereço. Foi a confirmação da segunda de suas múltiplas mentiras.

Posando no papel de vitima de uma conspiração urdida por adversários. Lupi desferiu mais golpes contra si mesmo. Ao contrário do anunciado na véspera, não apresentou prova de que seu partido pagara os aviões usados na viagem, em dezembro de 2009, pelo Maranhão. Não o fez porque seus correligionários vieram a público para dizer que não pagaram. Sem querer, Lupi ainda abriu brecha para a revelação de que, durante as "atividades partidárias" realizadas no Maranhão, ele recebera cerca de 1 700 reais em diárias pagas pelos contribuintes.

"Eu só quero saber do que sou acusado", clamou o ministro, para o espanto da audiência. Coube a um senador do próprio PDT, o novato Pedro Taques, ex-procurador da República, resumir a situação. Diante de sucessivas mentiras. Lupi e o partido não gozavam mais da confiança da sociedade para continuar à frente do ministério, disse Taques. Politicamente, estavam condenados numa sentença justa e inapelável.

Ministro há quatro anos e meio, Lupi tem uma memória privilegiada, segundo seus auxiliares, mas que lhe faltou desde que VEJA começou a revelar, há três semanas, os ilícitos cometidos por pedetistas lotados na cúpula do Trabalho.

O ministro só reconheceu ter viajado no King Air depois da divulgação, na segunda-feira passada, de uma foto dele desembarcando do avião. E só reconheceu ter viajado ao lado de - como é mesmo o nome? - Adair Meira após o site de VEJA publicar um vídeo no qual os dois aparecem numa solenidade oficial no município de Grajaú. As fotos e os vídeos o desmascararam.

Tomaram-no um espectro sem credibilidade na Esplanada, mas ainda assim ministro. Até o fechamento desta edição, Dilma não havia demitido Lupi - e nem pretendia fazê-la. Uma postura surpreendente, seja pelas sucessivas mentiras do pedetista, seja pelo desempenho dele como gestor. Quando era chefe da Casa Civil, Dilma já não gostava do trabalho de Lupi. Quando assumiu o Planalto, pensou em trocá-lo, mas foi dissuadida por Lula. À frente do governo, tirou poderes dele. como a prerrogativa de negociar com grevistas, e estava decidida a rifá-lo na reforma ministerial, prevista para janeiro.

Depois de demitir cinco ministros acusados de corrupção e tráfico de influência, o natural seria a presidente antecipar o cronograma e exonerar Lupi imediatamente. Mas ela, como o antecessor Lula, decidiu, neste caso, render-se à lógica nefasta da "governabilidade". Render-se ao temor de que a demissão afastaria o PDT da base aliada.

A presidente que angariou apoio popular graças à faxina ética preferiu na semana passada, fazer vista grossa à sujeira. Isso. obviamente, tem implicações. Entre elas, suspender a saudável ofensiva, até então em curso, destinada a desmontar máquinas de arrecadação instaladas pelos partidos nos ministérios. Caso do PCdoB no Esporte, do PMDB na Agricultura e no Turismo e do PR nos Transportes.

São essas engrenagens partidárias que servem de dínamo para a corrupção e o desvio de verbas. Com o aval do governo, surrupiam dinheiro de programas sociais e de obras para os cofres dos partidos e os bolsos dos correligionários. Diz o historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos: "O Brasil destoa das grandes democracias mundiais com este presidencialismo de transações que não são nada republicanas".

Desde a redemocratização, na década de 80, vigora no Brasil o chamado governo de coalizão. Funciona assim: o presidente da República de turno, para manter os partidos em sua órbita e receber deles votos favoráveis no Congresso, dá às legendas o controle de cargos importantes da máquina pública. De inicio eram ministérios. Com o decorrer dos anos, a fatura foi se tornando mais salgada. Agora, loteiam-se ministérios, autarquias, fundações e até os 23000 cargos comissionados à disposição do governo federal.

O rateio do butim garante a governabilidade mas, à custa, como mostram os recorrentes casos de corrupção, do suado dinheiro do contribuinte. "É possível governar sem o loteamento de cargos desde que sejam fechadas alianças programáticas", diz Villa.

Ou seja: desde que o amálgama da base governista sejam ideias comuns para solucionar os problemas do país. "É preciso extinguir a maioria dos cargos de nomeação política. O Brasil é a única grande democracia a ter essa quantidade exagerada", acrescenta.

A proposta é simples. Substituir os apadrinhados por servidores concursados. Trocar o QI - cínica abreviação do igualmente cínico "quem indica" - pela profissionalização e pela meritocracia. Dar uma visão empresarial a um estado tratado como bem privado por determinados setores.

Para o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), a reforma ministerial dará à presidente Dilma a possibilidade de romper com o sistema atual, no qual o loteamento de ministérios e de mais de 20000 cargos serve para amarrar os partidos ao governo. Fleischer considera prioritário acabar com a adoção do modelo chamado de porteira fechada, aquele em que o partido comanda todos os postos de uma estrutura administrativa - do titular de um ministério ao degrau mais baixo da hierarquia.

Dilma já impediu algumas porteiras fechadas. Previdência e Minas e Energia, por exemplo, têm ministros indicados pelo PMDB, mas secretários executivos escolhidos pela própria presidente. São exceções.

Desde junho, Dilma demitiu cinco ministros por irregularidades. Em todos os casos, trocou-os por colegas do mesmo partido, que continua indicando desde a secretária que anota recados até o diretor que libera o dinheiro. Para o experiente deputado Miro Teixeira, no décimo mandato como deputado federal, a queda dos ministros não passa de um "jogo de distração", no qual se corta a cabeça dos titulares mas se mantém a estrutura corrompida dos partidos nas pastas.

"O ministério fica" com o mesmo partido e acaba por isso mesmo. Há um sistema organizado para roubar o dinheiro público. A presidente tinha de demitir antes de submeter os ministros à fritura e ir a fundo", diz o parlamentar do PDT. Cientes disso, partidos governistas operam para retomar espaços perdidos quando foram alvo da tal faxina ética.

O PMDB emplacou o novo ministro da Agricultura, indicou o sucessor de Pedro Novais no Ministério do Turismo e praticamente todos os demais diretores. O PCdoB ainda trabalha para reorganizar seus camaradas no bombardeado Ministério do Esporte. O PR, que amargou um prolongado período de desgraça nos Transportes, tentou no último mês reconquistar fatias de poder. No fim de outubro, nove deputados da sigla jantaram com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Pediram rápida liberação de recursos para obras, mais trânsito no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e ascendência sobre a recém-nomeada diretoria da Valec, a estatal que cuida das ferrovias do país.

"Queríamos saber se o ministro estava ou não estava com a gente", conta o deputado Luciano Castro (PR-RR), anfitrião do jantar. Passos substituiu no ministério o senador Alfredo Nascimento, presidente nacional do PR. Desde a troca de comando, só tirou do partido o controle de uma das superintendências estaduais do Dnit. Os republicanos continuam, portanto, no comando das mesmas repartições denunciadas antes por cobrar propina de empresários.

Foram-se os anéis, ficaram os dedos. "Os ministros são cada vez mais desqualificados. Esses postos, que deveriam ser ocupados por estadistas, terminam sendo loteados por aqueles que têm interesses meramente partidários. Isso vem se agravando governo a governo, e não há perspectiva de que possa melhorar", critica o cientista político Octaciano Nogueira, professor da UnB. "Falta dar um sentido ético à política", conclui. É justamente o que esperam os brasileiros - mas, infelizmente, o contrário do que sinaliza o governo com a permanência do patético Carlos Lupi à frente do Ministério do Trabalho.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original