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9 de dez. de 2014

Camargo Corrêa pagou R$ 886 mil a empresa de Dirceu, antes de fechar contrato bilionário com a Petrobras

BRASIL – Lava Jato
Camargo Corrêa pagou R$ 886 mil a empresa de Dirceu, antes de fechar contrato bilionário com a Petrobras
Uma empresa do ex-ministro José Dirceu (PT) recebeu R$ 886,5 mil da empreiteira Camargo Corrêa entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. No mesmo mês em que o acordo entre as duas companhias foi firmado, a Camargo Corrêa fechou dois contratos com a Petrobras, que somam R$ 4,7 bilhões, para prestar serviços na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Foto: André Coelho / O Globo

Em busca e apreensão na sede da empreiteira, há três semanas, a PF encontrou um contrato confidencial de "consultoria", fechado em 2010, com a empresa do mensaleiro José Dirceu.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Diego Escosteguy
Fontes: Época, O Globo

Uma empresa do petista José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, condenado por corrupção no escândalo do mensalão e político mais influente na Petrobras nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu R$ 886 mil da empreiteira Camargo Corrêa entre 2010 e 2011. Na época, ele já era réu no processo mensalão e exercia influência na Petrobras. No mesmo mês em que assinou o contrato com a empresa de Dirceu, a Camargo obteve dois contratos com a Petrobras para prestar serviços na refinaria Abreu e Lima. Os contratos somam R$ 4,7 bilhões e, segundo os depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, foram fechados mediante pagamento de propina ao PT e ao PP.

Embora negue, foi Dirceu quem indicou Renato Duque, então diretor de Serviços da estatal e responsável pelos contratos da Camargo, acusado por Costa, Youssef e por um empreiteiro de cobrar propina para o PT.

As provas da relação secreta entre Dirceu e a Camargo foram descobertas pela PF há três semanas, durante buscas na sede da Camargo. No mesmo dia, apelidado pelos investigadores de "Juízo Final", houve buscas em outras oito empreiteiras, nas casas de executivos dessas empresas e em escritórios de lobistas.

São milhares e milhares de páginas, que se somam às já dezenas de milhares de documentos apreendidos desde o começo da operação Lava Jato, em março. Elas expõem a relação promíscua entre as grandes empreiteiras do país e os políticos que detêm influência em estatais como a Petrobras. Reforçam, com fortes evidências, a acusação de que essas empreiteiras formavam um cartel para assegurar os maiores contratos da Petrobras.

Apontam novos casos de corrupção em outros órgãos do governo - e até no exterior. Nos próximos dias, fundamentados em larga medida nesses documentos apreendidos, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato denunciarão à Justiça os empreiteiros acusados de montar o cartel.

O contrato entre a Camargo e a empresa de Dirceu, chamada JD Assessoria, foi assinado em 21 de fevereiro de 2010. Não tinha um objeto claro. Previa apenas que Dirceu faria análise de “aspectos sociológicos e políticos do Brasil” e prestaria "assessoria na Integração dos países da América do Sul”.

Dirceu também deveria, de acordo com o contrato, divulgar o nome da Camargo na comunidade nacional e internacional, além de fazer palestras e seminários em assuntos de interesse dela. O contrato é marcado como sigiloso. Dirceu deveria receber R$ 75 mil por mês. Durante dez meses, segundo os comprovantes encontrados, recebeu mesmo. Entre maio de 2010 e fevereiro de 2011, o mensaleiro faturou R$ 886.500 com base no contrato. O primeiro pagamento foi retroativo e abarcou três meses de "consultoria".

Foto: Época

Cópia do contrato da Camargo Corrêa com a JD Consultoria, apreendido pela Polícia Federal. O ex-ministro José Dirceu foi contratado para prestar consultoria à empreiteira em ano de campanha eleitoral

Não se sabe por que um gigante como a Camargo precisava da capacidade de divulgação de Dirceu no Brasil e na América do Sul. Nem o valor de suas análises políticas e sociológicas. Sabe-se, porém, que Dirceu exercia forte influência na Petrobras, mesmo após deixar o governo Lula, no auge do mensalão, em 2005.

Indicara Duque para a Diretoria de Serviços e mantinha petistas em cargos estratégicos da estatal. Sabe-se, também, que, no mesmo mês em que Dirceu assinou o contrato com a Camargo, o Consórcio CNCC, de que a Camargo faz parte, ganhou dois contratos para fazer "serviços de implantação de unidade de coqueamento" na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Eles somam R$ 4,7 bilhões.

Com base nas evidências documentais e nos depoimentos de testemunhas e delatores, os procuradores e a Polícia Federal suspeitam que os contratos da Abreu e Lima tenham sido superfaturados e fechados à base de propina.

Por meio de sua assessoria, a José Dirceu afirma que " prestou consultoria na área internacional à Camargo Corrêa, entre maio de 2010 e fevereiro de 2011”. “Por razões de confidencialidade contratual, a JDA não pode se manifestar sobre a natureza nem os resultados dos serviços prestados", diz a assessoria da JD. A Camargo Corrêa confirmou a “existência do contrato”, mas não quis fazer comentário a respeito.

Foto: Época

Tabela de pagamentos da Camargo Corrêa para a JD Consultoria.
A empreiteira pagou R$ 886.500 para Dirceu em dez meses

29 de nov. de 2014

A farra dos contratos sem licitação na Petrobras

BRASIL – Corrupção
A farra dos contratos sem licitação na Petrobras
Dos cerca de 890 mil contratos fechados pela empresa desde 2003, 88% foram com dispensa de leilão. O resultado é um buraco negro que, para alguns, pode servir como convite à corrupção. Quando questionada sempre usava o argumento de que possuía controles internos capazes de vetar condutas duvidosas durante a negociação de contratos. Ineficazes esses controles deixou a corrupção drenar da empresa algo em torno de 10 bilhões de reais.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação/VEJA

A Presidente Dilma Rousseff durante visita às obras da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca ( PE)

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Ana Clara Costa
Fonte: Veja

À medida que avança a Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal no início deste ano, os desmandos recorrentes na Petrobras se tornam cada vez mais chocantes. Um levantamento feito pelo site de VEJA com base em dados divulgados pela empresa em seu Portal de Transparência mostra que, entre 2003 e 2014, dos cerca de 890 mil contratos fechados pela estatal, 784 mil foram dispensados de licitação — o que representa 88% do total. Isso corresponde a um montante de cerca de 60 bilhões de reais gastos no período, levando-se em conta apenas os contratos fechados em moeda local.

A Petrobras se vale do Decreto 2.745, do governo de Fernando Henrique Cardoso, para escapar do processo licitatório previsto na Lei 8.666 — à que estão sujeitas todas as compras de órgãos da administração pública. O decreto foi criado para dar agilidade à execução de obras num momento em que a estatal se abria para o capital privado. Porém, a partir de 2006, se tornou regra para quase todos os contratos.

Os montantes que envolvem a dispensa de licitação espantam. Um dos contratos, fechado com o consórcio Techint - Andrade Gutierrez, no valor de 2,4 bilhões de reais, foi dispensado de certame concorrencial porque as demais concorrentes fizeram propostas com preços “incompatíveis”. Assim, a Petrobras optou por nem mesmo fazer o leilão. Outro contrato mostra uma compra de 2,3 bilhões de reais da GE em que a empresa alega que “situações atípicas” tornaram a licitação inexigível. Outro contrato com a construtora Engevix, cujos executivos foram presos no âmbito da Lava Jato por suspeita de corrupção no fornecimento de serviços à estatal, foi firmado por 1,4 bilhão de reais com dispensa de licitação, sob a justificativa de se tratar de uma “urgência”. A obra consistia em fornecer material e serviços para um projeto básico.

Procurada pelo site de VEJA, a Petrobras afirmou, em nota, que as contratações seguem a legislação vigente e que, mesmo feitas com o respaldo do decreto, têm modelo similar ao licitatório. A opinião cria divergências, já que a Lei de Licitações não prevê, por exemplo, o advento da carta-convite, em que a Petrobras escolhe as empresas que podem participar da concorrência. Tampouco está na lei o artigo que permite que, depois que houve a escolha do vencedor, ambos sentem numa sala, a portas fechadas, para “renegociar” os valores e o escopo do contrato. O Tribunal de Contas da União (TCU) tem 19 mandados de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a revisão dos termos do decreto — e sua regulamentação. A Petrobras entrou com uma medida liminar, que foi concedida pelo STF, permitindo o uso do decreto até o julgamento de mérito. Isso ocorreu há cerca de 10 anos e o Supremo nunca mais se manifestou.

A estatal vem sendo questionada há muitos anos sobre a dispensa de licitação, e sempre usa o argumento de que possui controles internos capazes de vetar condutas duvidosas durante a negociação de contratos. Tais afirmações estão disponíveis de maneira farta em seu site Fatos e Dados, usado para se comunicar com a imprensa. Contudo, o propinoduto que vem sendo descoberto pelas investigações da Polícia Federal mostra que tais controles não são tão eficazes assim. Segundo as investigações, a estimativa inicial é de que ao menos 10 bilhões de reais tenham sido drenados da empresa em direção aos caixas de partidos políticos, lobistas, funcionários da estatal e executivos de empreiteiras. Com o congelamento de contas de apenas cinco acusados que aceitaram a delação premiada, a Justiça prevê repatriar quase 500 milhões de reais.

O site de VEJA ouviu especialistas em contratos que prestam serviços para a estatal, que aceitaram falar em condição de sigilo. As informações obtidas são emblemáticas porque mostram que a cultura da estatal não prevê a busca de solução para casos de superfaturamento. “Há um sentimento de onipotência, de que nada de errado pode estar acontecendo ali”, afirma um auditor. Seus mandatários sequer cogitam admitir suspeitas de desvios apontadas por órgãos de prestação de contas, como o TCU.

Até 2010, por exemplo, quando dados de orçamento de obras eram pedidos pelo Tribunal, a empresa os enviava com muito atraso e, propositalmente, em arquivos PDF, não em Excel. Isso dificultava a tabulação dos números, já que muitos dos orçamentos tinham mais de 200 páginas. Isso quando o envio não era vetado, por se tratar de “sigilo comercial”. Nos últimos anos da gestão de José Sérgio Gabrielli, a estatal passou a liberar as contas com mais presteza, não por vontade própria, mas por pressão do Congresso Nacional, ainda sob o efeito da fracassada CPI de 2009. A melhora da transparência prosseguiu nos anos de Graça Foster, mas ainda está longe de ser ideal para uma empresa que tem ações listadas na bolsa de valores. "A postura da empresa sempre é reativa. Em 99% dos casos, não acredita em denúncias de irregularidades", diz o técnico.

Quando casos de sobrepreço são levantados pelo TCU, como ocorreu em pelo menos quatro dos principais contratos de Abreu e Lima, a primeira reação da empresa foi negar. Foi o que aconteceu em 2009, quando o Tribunal pediu a paralisação das obras na refinaria pernambucana, alegando suspeitas de superfaturamento. À época, o então presidente Lula ameaçou enviar ao Congresso um projeto de lei limitando os poderes da corte de contas. Lula declarou que o órgão "quase governa o país". Em seguida, vetou um projeto de lei que bloqueava o envio de recursos públicos para Abreu e Lima. Sabe-se, agora, conforme revelou VEJA, que nessa mesma época o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, enviou pessoalmente um e-mail à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, alertando sobre a investigação do Tribunal.

Um acórdão de um processo relatado pelo então ministro do TCU, Ubiratan Aguiar, hoje aposentado, em 2004, dá o tom da relação da empresa com os auditores públicos. “Observo, no entanto, como relator dos processos da estatal no biênio de 2003 e 2004, bem como em grande parte do biênio de 2001 e 2002, que a Petrobras não tem dado cumprimento às decisões deste Tribunal”, afirma. O ministro argumenta que a insistência da empresa em abrir mão da licitação para grandes obras, optando pela carta-convite, é prejudicial — e aponta que isso acontecia também na gestão de Fernando Henrique Cardoso, em que o presidente da empresa era Joel Rennó. “Pela experiência vivida nos últimos anos como relator da Petrobras, constato que os seus administradores adotaram, na quase totalidade das licitações, a modalidade de convite. Com isso os princípios da legalidade, da publicidade, da igualdade, da eficiência, da vinculação ao instrumento convocatório, têm sido violados de forma contumaz”, relatou Aguiar.

Quando se descobre um esquema de desvio de recursos como o que, tudo indica, ainda é vigente na Petrobras, a primeira reação dos órgãos de controle é escarafunchar para encontrar o ovo da serpente, ou seja, a origem do problema. Contudo, no caso da estatal, as perspectivas são desoladoras: teme-se que a origem não seja encontrada e que exterminar o mal tampouco seja possível. Dentro do próprio TCU, há a constatação de que a corte de contas, sozinha, não é capaz de destacar todos os casos de irregularidades simplesmente pelo fato de os contratos da estatal serem bilionários. Isso significa que quanto maiores os valores, mais fácil é o desvio de pequenos porcentuais que não saltem aos olhos dos auditores.

Para extirpar a cultura da corrupção, será preciso, primeiro, que a empresa reconheça o mal que opera em suas salas e deixe de lado a postura tão comum entre seus diretores, que é a de “negar até a morte”. Uma aula dessa cultura foi dada recentemente por Graça Foster. A presidente sabia desde maio deste ano sobre a propina paga pela holandesa SBM a funcionários da estatal. À época, a executiva negou com veemência. Semanas atrás, por fim, reconheceu ter sido avisada sobre o crime pela própria empresa estrangeira. Ironicamente, no mesmo dia, anunciou a criação de uma diretoria de governança.

31 de out. de 2014

Na obra da Refinaria Abreu e Lima, superfaturaram até a macaxeira servida no café da manhã dos operários

BRASIL – Corrupção
Na obra da Refinaria Abreu e Lima, superfaturaram até
a macaxeira servida no café da manhã dos operários
Não pensem que se trata de uma piada, é verdade que o Tribunal de Contas da União, constatou que a mandioca, que aparece na refeição dos quase 40 mil funcionários da obra de construção da refinaria pernambucana, custou sete vezes o valor de referência. Só com os custos exagerados de alimentação, o superfaturamento pode totalizar R$ 37,9 milhões


Macaxeira com carne de sol, iguaria pernambucana, também suspeita de estar envolvida no escândalo do superfaturamento da Refinaria Abreu e Lima

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo

Se era difícil conceber o que mais poderia ter sido superfaturado na caríssima obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a cada dia o limite se estende. Reportagem do jornal O Globo desta quinta-feira (30) aponta que até mesmo a mandioca servida no café da manhã dos operários foi orçada a valores muito superiores.

A constatação veio do Tribunal de Contas da União (TCU) em auditoria e já faz parte de inquérito na Polícia Federal. Segundo o Globo, a estatal listou pagamento de R$ 2,88 para cada 220 gramas de mandioca usada em refeições no canteiro. Mas os auditores indicaram que, pela tabela máxima da Ceasa de Pernambuco com preço corrigido, o preço deveria ser de R$ 0,39.

A estatal usou a mandioca para rebater acusações de que a obra estava superfaturada. A reportagem indica que, só com alimentação, a PF aponta haver R$ 37,9 milhões em gastos considerados exagerados. Dos sete gerentes da refinaria convocados a explicar o superfaturamento nesta área, três citaram a necessidade de ter mandioca no cardápio do café.

O projeto inicial de Abreu e Lima foi orçado em R$ 2,5 bilhões, mas atualmente está em torno de R$ 20 bi. Auditoria do TCU divulgada no último dia 23 de setembro indica que a obra foi superfaturada em R$ 367,865 milhões em quatro contratos assinados com empreiteiras.

24 de set. de 2014

Ato irregulares fazem auditores do TCU sugerirem suspensão de repasses a obras de refinarias da Petrobras

BRASIL - Suspeição
Ato irregulares fazem auditores do TCU sugerirem suspensão de repasses a obras de refinarias da Petrobras
Servidores identificaram irregularidades, como na refinaria Abreu e Lima (PE) com custo oito vezes maior que o previsto. O primeiro orçamento da refinaria era de US$ 2,3 bilhões. Quando for inaugurada, terão sido gastos mais de US$ 20 bilhões.

Foto: AE

O procedimento que fiscaliza as cláusulas de reajustes dos contratos das refinarias foi aberto em 1º de abril deste ano e tem como responsável investigada a presidente da Petrobras, Graça Foster.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Vinicius Sassine
Fonte: O Globo

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades nos reajustes de contratos de obras de refinarias da Petrobras e pediu a suspensão cautelar dos repasses de dinheiro da estatal para alguns dos empreendimentos, entre eles a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, como consta em relatório preliminar de auditoria cuja votação em plenário está pautada para a sessão desta quarta-feira. A Petrobras usou índices distintos de reajustes para as refinarias em obra, o que levou ao superfaturamento de contratos, conforme o entendimento técnico.

O processo, relatado pelo ministro José Jorge, passou a ser o novo foco de preocupação e peregrinação de advogados da estatal no TCU. O procedimento que fiscaliza as cláusulas de reajustes dos contratos das refinarias foi aberto em 1º de abril deste ano e tem como responsável investigada a presidente da Petrobras, Graça Foster.

O processo integra o Fiscobras 2014, que investiga os repasses de recursos federais em obras públicas com o objetivo de subsidiar o Congresso Nacional na elaboração do Orçamento Geral da União. O TCU, ao fim desse procedimento, faz recomendações de paralisação ou de continuidade das obras, conforme os índices de gravidade. A decisão final é dos parlamentares.

Em quase cinco meses de auditoria, a área técnica do tribunal analisou 52 contratos referentes a projetos de refinarias da Petrobras em andamento. Estão em obras Abreu e Lima, em Pernambuco; o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); a Premium 1, no Maranhão; e a Premium 2, no Ceará. A partir do relatório de auditoria, o ministro José Jorge elaborou o voto a ser apresentado em plenário, o que está previsto para a sessão desta quarta.
Se o relator e a maioria dos demais ministros concordarem com a suspensão dos repasses a Abreu e Lima, a Petrobras corre o risco de não cumprir a promessa de inaugurar a refinaria já no próximo mês de novembro. José Jorge não fala a respeito do processo. Tanto o relatório técnico quanto o voto podem ser alterados.

Advogados da Petrobras compareceram ao gabinete do ministro na segunda-feira e hoje, como parte da estratégia para derrubar os argumentos da unidade técnica. Os defensores jurídicos da estatal já informaram quem fará a sustentação oral em plenário e entregaram a defesa por escrito. O ponto central sustentado pelos advogados é a inexistência de qualquer tipo de superfaturamento por conta de eventuais índices discrepantes usados em contratos de obras de refinarias.

Foto: Arquivo

Dilma ao lado de Graça Foster em cerimônia em Suape, PE, onde está sendo construída a superfaturada Refinaria Abreu e Lima

A refinaria de Abreu e Lima é o projeto da Petrobras mais fiscalizado pelo TCU, com 23 processos abertos pelo tribunal – 12 ainda estão em curso. Auditorias já apontaram um superfaturamento de R$ 1,1 bilhão nos contratos da refinaria. O primeiro orçamento da refinaria era de US$ 2,3 bilhões. Quando for inaugurada, terão sido gastos mais de US$ 20 bilhões.

O suposto esquema de desvio de recursos e pagamento de propinas montado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ocorreu a partir dos contratos superfaturados de Abreu e Lima, conforme as investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Lava-Jato. Costa, preso no Paraná, está em processo de delação premiada, acertado com o MPF.

O TCU ainda não finalizou a análise do processo sobre o bloqueio de bens de diretores e ex-diretores da Petrobras apontados como responsáveis por um prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

A maioria dos ministros já votou para livrar Graça da medida, mas uma decisão definitiva ainda não ocorreu por conta de um pedido de vista do ministro Aroldo Cedraz. A partir da conclusão desse recurso, serão abertas as tomadas de contas especiais para apurar as responsabilidades e tentar o ressarcimento de recursos aos cofres da estatal.

20 de ago. de 2012

Milhares de grevistas demitidos em Suape

BRASIL - Pernambuco
Milhares de grevistas demitidos em Suape
Cerca de mil trabalhadores dos Consórcios da Construção da Refinaria e da Petroquímica, de Suape, ao chegarem para trabalhar, na manhã desta segunda-feira (20), foram informados, na portaria que estava demitidos por justa causa. Teriam perdido os postos de trabalho, por estarem envolvidos com os incidentes do último dia 08, quando oito ônibus foram incendiados e houve confronto com a polícia, durante a greve que teve início no dia primeiro.

Foto: Guga Matos/JC Imagem

Trabalhadores exibem a carta de demissão entregue pelo Consórcio

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Jornal do Comércio, G1, Diário de Pernambuco

Vinte dias depois de iniciada a greve no canteiro de obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e Petroquímica Suape (PQS), as empresas dos consórcios envolvidos nos dois empreendimentos resolveram endurecer. Nesta segunda-feira (20), demitiram centenas de trabalhadores alocados no complexo industrial. O número é impreciso e, embora líderes do movimento paredista cheguem a citar até mil desligamentos, a informação não é endossada nem pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil Pesada (Sintepav) e nem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil Pesada (Sinicon).

Antes da paralisação, trabalhavam nas duas obras cerca de 54 mil operários. O Sinicon comunicou que “as novas contratações ocorrerão de acordo com a necessidade de cada empresa” e que, desde a última sexta (17), quase metade dos 54 mil empregados das duas obras voltaram ao trabalho normalmente.

As demissões seria por “justa causa”, uma punição pelo tumulto do último dia 8 de agosto, quando oito ônibus foram queimados e houve confronto com a polícia.

Foto: Guga Matos/JC Imagem



Segundo o Jornal do Comércio, com a notícia da demissão, muitos trabalhadores passaram mal. Alguns chegaram a desmaiar. Apesar do clima tenso, não houve registro de confusão ou confrontos.

Na última sexta (17), uma reunião em Brasília, na Secretaria Especial da Presidência da República, tentou uma conciliação entre empresas e operários. Entretanto, sem contar com representação dos funcionários, ficou decidido que o secretário das Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Manoel Messias, assumirá a função de conciliação entre as partes.

Histórico
O movimento grevista nos canteiros de obras da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica Suape começou oficialmente no último dia 1º de agosto, pela discordância em relação ao acordo coletivo aprovado em assembleia no dia 27 de julho. Na ocasião, ficou estabelecido reajuste de 10,5%, vale-alimentação de R$ 260 e equiparação salarial entre funcionários de mesma função trabalhando em empresas diferentes, entre outros pontos negociados.

Algumas funções receberiam até 40% de reajuste (devido à equiparação salarial).

A paralisação foi julgada ilegal pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-PE) também intermediou algumas rodadas de conciliação na expectativa de acabar com os conflitos.

Apesar dos afastamentos, muitos funcionários estariam trabalhando normalmente nas obras de construção da Refinaria Abreu e Lima e da PetoquímicaSuape, segundo levantamento do Sintepav. De acordo com a Polícia Militar (PM), não foram registradas nenhuma ocorrência que precisasse de intervenção policial nesta segunda.

Foto: Guga Matos/JC Imagem


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