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16 de out. de 2013

Cúpula do crimes organizado, o PCC, diz planejar atentados contra turistas durante a Copa do Mundo

BRASIL - Violência
Cúpula do crimes organizado, o PCC, diz planejar
atentados contra turistas durante a Copa do Mundo
Em escutas de conversas telefônicas interceptadas, presos diziam que a Copa só aconteceria se o PCC a autorizasse e que os ataques fariam o mundo "esquecer o 11 de Setembro". Especialista internacional em segurança diz que é hora de polícia brasileira trabalhar com a hipótese de que extremistas internacionais como a Al-Qaeda possam se associar ao PCC.

Foto: Reuters

Onibus incendiado, em São Paulo, numa das ondas de atentados do PCC, em 2012

Postado por Toinho de Passira
Baseado na reportagem de Luis Kawaguti
Fonte: BBC Brasil

Segundo o site da BBC Brasil lideranças da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que cumprem pena em presídios no interior de São Paulo estão enviando ordens para que seus subordinados em liberdade planejem atentados contra turistas durante a Copa do Mundo de 2014, segundo uma investigação do Ministério Público.

As mensagens dizem que os ataques devem ocorrer se as lideranças da facção forem transferidas para prisões mais rígidas, onde podem ficar praticamente sem comunicação com seus subordinados.

Analistas e a própria Polícia Militar do Estado afirmaram que, embora a facção tenha capacidade para realizar tais ataques, há indícios de que as ameaças não sejam reais, mas, sim, uma forma de pressionar a Justiça e o governo. O objetivo seria evitar a transferência dos 35 membros da cúpula da facção para o chamado RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Um promotor envolvido nas investigações sobre o PCC disse que a estratégia da facção é organizar atentados direcionados aos torcedores da Copa — como sequestros de grupos de turistas estrangeiros e a detonação de explosivos no metrô de São Paulo.

'SALVES'

As ordens para a elaboração dos planos de ataque começaram a ser dadas pelas lideranças da facção dentro de presídios para seus subordinados em liberdade desde o último dia 10.

A propagação das mensagens (conhecidas como "salves") teria tido início depois que a facção tomou conhecimento dos resultados de uma investigação realizada pelo Ministério Público sobre o grupo por três anos e meio.

A investigação revelou que a facção tem cerca de seis mil membros presos e outros 1,8 mil em liberdade, e que está presente em 22 Estados brasileiros, na Bolívia e no Paraguai. Foram descobertos também planos para resgate de presos e até a intenção de assassinar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Com base nessa investigação, a Promotoria denunciou 175 líderes do grupo e solicitou à Justiça que toda a cúpula da facção fosse enviada para o RDD por um ano. Nesse regime disciplinar, os presos ficam praticamente sem comunicação e enfrentam dificuldades para dirigir a facção.

Até agora a Justiça não acatou o pedido, mas a decisão ainda pode ser rediscutida. A ideia da Promotoria era a de que as lideranças ficassem isoladas durante todo o período da Copa e na maior parte da campanha eleitoral de 2014.

De acordo com um promotor, os líderes do PCC autorizaram que seus membros tratassem dos planos para os atentados usando telefones celulares. Isso seria um indício de que as ordens possam vir a ser apenas ameaças ao poder público. Isso porque boa parte dos celulares usados pelo bando são monitorados em escutas telefônicas monitoradas pelas autoridades (e os membros do PCC sabem disso).

Planos considerados secretos são discutidos pela facção por meio de mensagens enviadas por advogados ou mulheres de detentos que visitam presídios transportando bilhetes dos criminosos.

Na avaliação de um promotor, "o PCC tem capacidade (para realizar os atentados), mas, por enquanto, é um jogo".

'ALARMISMO'

As ameaças de ações criminosas por presos do PCC durante a Copa do Mundo já haviam sido interceptadas no ano passado, quando o sentenciado Roberto Soriano, da cúpula da organização, foi transferido para o RDD por ordenar a morte de policiais militares.

Em escutas de conversas telefônicas interceptadas, presos diziam que a Copa só aconteceria se o PCC a autorizasse e que os ataques fariam o mundo "esquecer o 11 de Setembro".

O coronel Benedito Roberto Meira, comandante da Polícia Militar de São Paulo, disse que a divulgação das investigações do Ministério Público na mídia o levou a dar um alerta geral aos policiais para redobrarem os cuidados tanto durante o período de serviço quanto fora dele.

"Não temos nenhuma informação de inteligência de que (a ordem para realizar os atentados) seja uma real ameaça. Logicamente, estamos atentos, mas não é hora de alarmismo", disse.

Ele afirmou que a Polícia Militar ainda tem de "ouvir, identificar e contextualizar" os grampos obtidos pelo Ministério Público. Mas, até lá, o alerta permanece "por via das dúvidas". O comandante quer que a onda de ataques do PCC a forças de segurança ocorrida em 2006 não se repita.

AL-QAEDA

Para a pesquisadora Camila Nunes Dias, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do ABC, esses episódios (as ameaças dos criminosos e a possibilidade de enviar os líderes do PCC para o RDD) voltaram a elevar muito a tensão entre a PM e o PCC.

Porém, diz ela, essa guinada ocorreu sem que nenhum evento novo mudasse o panorama da segurança.

"Se a investigação ocorre há três anos, por que essa urgência agora? O RDD nunca foi uma prioridade dessa administração."

Na opinião dela, tanto as autoridades quanto o PCC aparentam ter suas próprias estratégias, cujos objetivos políticos ainda não estão claros.

"Não acho que as ameaças (do PCC) sejam impossíveis", disse. "A ameaça do RDD pode detonar uma crise".

O consultor internacional em segurança Peter Tarlow, que presta serviços para a Polícia do Rio de Janeiro, também destacou que é realista pensar que o PCC vá aproveitar a Copa do Mundo para tentar pressionar as autoridades.

“Se eu fosse parte do PCC, eu pensaria em usar a Copa do Mundo como uma forma de fazer chantagem com o governo”, disse ele, durante um seminário na Escola Superior do Ministério Público, nesta quarta-feira.

Além disso, Tarlow afirmou que o fato de o Brasil estar em evidência em 2014 por causa do mundial de futebol o torna um possível alvo de ações terroristas.

Nesse contexto, segundo o consultor, a polícia brasileira tem que trabalhar com a hipótese de que extremistas internacionais como a Al-Qaeda possam se associar ao PCC.

16 de mar. de 2013

VEJA: A hora da verdade no Complexo do Alemão

BRASIL – Rio de Janeiro
A hora da verdade no Complexo do Alemão
Depois de dois anos de ocupação no Complexo do Alemão, a bandidagem ainda comanda um naco da favela. Sem extirpá-la, não haverá vitória definitiva contra o crime

Foto: Tasso Marcelo/AE

Veículos blindados da Marinha da Brasil, ocupam a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro. 25/11/2010

Postado por Toinho de Passira
Texto de Leslie Leitão, para a Veja
Fonte: Veja- 11/03/2013

As cenas dos blindados da Marinha espantando a bandidagem de seu maior enclave no Rio de Janeiro – o aglomerado de favelas da Penha e do Alemão, na Zona Norte carioca – correram o mundo e demarcaram um novo capítulo na história do combate ao crime no Brasil. Nunca os marginais haviam perdido poder em um território tão estratégico. Houve desde aí avanços inequívocos nessa área onde residem 200.000 pessoas e que por décadas subsistiu à margem do estado. Mas, dois anos e três meses depois, a batalha do bem contra o mal chegou a uma encruzilhada. A retomada de terreno sob o jugo do crime – ponto nevrálgico da política de instalação de Unidades Pacificadoras de Polícia (UPPs) – vem sendo afrontada.

No Complexo do Alemão, o foco da resistência tem nome e lugar: chama-se Areal, um naco do morro de difícil acesso, emoldurado por um matagal de onde se pode acompanhar o vaivém da favela. Para cruzar a linha imaginária que delimita o lugar, só mesmo com a autorização do bando ali encastelado. Nas poucas vezes em que os policiais atravessaram a fronteira, arrependeram-se. Na última, em dezembro, um PM acabou alvejado com um tiro na cabeça. O bunker abriga o arsenal bélico e uma porção importante da droga que, sim, é vendida por todo o Alemão. É também o escritório do último dos chefões ainda não capturado: Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. A polícia sabe que ele vai e volta àquela trincheira.

Nos últimos dois meses, Veja acompanhou a vida no complexo, ouvindo mais de 150 pessoas, entre moradores, policiais e turistas – estes movidos pela curiosidade de pisar numa grande favela e pela vista deslumbrante que se descortina do alto. Chegam ao cume pelo teleférico que virou cartão-postal da era das UPPs, já baseadas em 31 antigos domínios do crime no Rio.

Foto: Robson Fernandjes/AE

Comunidade do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, labirinto favorece criminosos

Por seu relevo tomado de ruelas labirínticas, sua extensão e proeminência no crime, é o Alemão que impõe de longe os maiores obstáculos. As primeiras conquistas são visíveis. O amontoado de lixo e o emaranhado de fios ilegais pendentes vão aos poucos sendo subtraídos da paisagem. A frequência e o rendimento escolar subiram e o morro avança rumo à formalidade: 460 negócios foram recém-legalizados e há até um shopping à vista.

Mas a persistência dos criminosos e suas constantes exibições de poder, ainda que sem a velha ostentação de fuzis, continuam a intimidar os cidadãos de bem – e são um lembrete contundente de que é preciso sustentar com mão de ferro a guerra contra a lógica criminosa que sempre reinou.

"Nunca tivemos a ilusão de que os bandidos fossem desistir fácil. Resta-nos ainda uma longa missão", reconhece o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

A bandidagem se reorganizou em novas bases, agora mais modestas e discretas, instalando seus Q.G.s em locais sem UPP. Os soldados do tráfico passaram a circular no Alemão em grupos de cinco ou seis, e não mais em "bondes", às dezenas. Carregam pistolas escondidas e pequenos lotes de drogas, dos quais podem se livrar rapidamente se necessário.

Há bocas de fumo nos becos e vielas, e não mais à vista de todos. As poucas apreensões realizadas nas semanas em que Veja esteve no Alemão mostram que a droga chega já embalada em saquinhos com preço, identificação do conteúdo e um selo em que se lê CV, as iniciais da facção que atua na favela. O pacote pequeno de cocaína ("Suave Veneno") custa 3 reais, e o maior ("Avenida Brasil"), 10. Os preços são os mesmos cobrados antes da instalação da UPP. Um economista poderia concluir que a força pacificadora não acarretou nenhum aumento no custo marginal da cocaína na favela – trocadilho que nesse caso tem sua dose de realidade.

Os traficantes não arredaram pé dos negócios que tocam na base do terror. Eles continuam a cobrar um pedágio – ou "taxa", no jargão local – dos vendedores de gás: 5 reais o botijão. No último dia 19 de janeiro, um desobediente, talvez depositando excessiva fé nos novos tempos, fez que se esqueceu da tarifa. Foi morto a tiros em uma das praças centrais do complexo.

Não foi a única barbárie presenciada por Veja no Alemão. Em 23 de fevereiro, a movimentada Praça do Terço ferveu de gente que foi ao Baile da Paz, iniciativa da UPP para substituir as agora proibidas noitadas promovidas pelos marginais, embaladas a drogas e funks com letras de apologia ao crime. O morador Edival Carvalho Miranda, 39 anos, participou da organização. Os chefes do tráfico sentiram-se ofendidos com a iniciativa. Dois dias depois, veio o castigo. O corpo de Edival foi encontrado com dois buracos de tiro na cabeça, sinais claros de execução. Sinal também da antiga e devastadora certeza da impunidade, o combustível do crime organizado.

Foto: Marino Azevedo

Mototaxistas do Alemão

Do lado da polícia, a favela também parece ter voltado ao seu passado de trevas. Quem mais sabe das coisas em uma favela carioca são os mototaxistas. Veja ouviu de uma dezena deles a mesma história. Policiais da banda podre estão extorquindo 30 reais mensais dos mototaxistas, a infame taxa de segurança que eles antes pagavam aos bandidos.

A presença da UPP na favela tem a dinâmica de uma cabeça de ponte, o termo militar para descrever a situação altamente instável em que apenas um pedaço do terreno do inimigo foi conquistado. Em uma situação dessas existem duas possibilidades apenas. O avanço ou o revés total, com a retomada do território pelo inimigo.

O revés total é um fantasma que paira sobre a UPP. O avanço só será possível com uma mudança radical na polícia, a começar pela própria formação dos agentes. O propósito mais nobre da UPP é permitir que as instituições da vida civilizada cheguem à população favelada. Isso significa, antes de mais nada, que os direitos de cidadania das pessoas serão garantidos pelo estado.

Foto: Fábio Motta/AE

Policiais colocam bandeira do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro no topo do teleférico da Estação Alemão, no Rio de Janeiro. 28/11/2010

Nos territórios retomados, os policiais deveriam ser reconhecidos como o braço armado das instituições. Em muitos lugares isso é apenas uma utopia. No ano passado, 46 policiais que atuavam em UPPs foram flagrados e presos por crimes contra a população local. Esquemas de propina já foram desnudados aos montes em favelas ocupadas – o mais recente no pequeno Fallet/Fogueteiro, no centro do Rio, onde bandidos de farda recebiam mesada de 53.000 reais do chefão da área, que continua à solta.

À Veja, a Secretaria de Segurança revelou a entrada em operação de um serviço de inteligência montado exclusivamente para investigar e coibir crimes de policiais de UPPs. É uma boa iniciativa, mas insuficiente para impedir o retrocesso.

Os militares que fazem seu trabalho com honestidade são alvo constante de tiros de fuzil disparados por traficantes contra suas precárias instalações – contêineres de aço adaptados para abrigar pessoas. Num dia de janeiro, em represália a incursões da polícia, os marginais cravaram diversos balaços na parede de uma UPP. Não custa lembrar que a força policial foi colocada nos morros para pacificá-los.

Os frequentes ataques a bala mostram que esse objetivo está longe de ser alcançado. Os tiroteios continuam fazendo parte do cotidiano com a mesma espantosa naturalidade com que um grupo de garotos brincava de guerrear no meio da rua com "armas" feitas com canos de PVC sobre as quais eles fantasiavam: "Essa é uma Desert Eagle. Em casa tenho um FAL e um AK". Se nada for feito, a inocente brincadeira vai evoluir para cenas reais de crimes no futuro.


*Alteramos título, acrescentamos subtítulo, fotos e legendsa a publicação original

23 de ago. de 2010

Manhã de medo na Cidade Maravilhosa

BRASIL – RIO DE JANEIRO
Manhã de medo na Cidade Maravilhosa
Uma perseguição policial acabou com a invasão de um grupo de bandidos, num um hotel de luxo, em São Conrado, onde havia 1.500 hospedes entre os quais 300 estrangeiros. Os bandidos fizeram 35 reféns, mas acabaram se rendendo após negociação. Apesar do medo e do pânico, apenas uma pessoa morreu, uma mulher, que pertencia ao grupo de traficantes. Obviamente por causa desses fatos a violência no Rio acabou virando manchete nos jornais e sites de todo o mundo

Foto: El Pais/AFP

IMAGEM DO RIO - Essa foi a imagem do Rio exibida pelos principais sites do mundo. O hotel Intercontinental transformado em zona de guerra.

Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Extra, BBC Brasil, The New York Times, O Globo, El Pais, Chicago Tribune

O Estado do Rio de Janeiro é um dos mais violentos do Brasil, registra a cada ano mais de 40 mil assassinatos, gerando uma taxa anual de 23,8 homicídios a cada 100 mil habitantes, na América latina só perde para a Caracas, na Venezuela.

Dissipado os primeiro momentos após o dia de violência vivido no Rio de Janeiro, no último sábado, quando bandidos perseguidos pela polícia, entraram no Hotel Intercontinental, um cinco estrelas, em São Conrado, começam a surgir versões que tenta explicar o estranho incidente, comentando pelos mais importantes órgãos de imprensa do mundo.

Segundo o jornal O Globo, uma operação não autorizada pelo comando da Segurança Pública feita por 12 policiais militares, para tentar prender o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o ”Nem”, chefe do tráfico nas favelas do Vidigal e da Rocinha, estaria por trás da manhã de terror vivida neste sábado por centenas de turistas e moradores de São Conrado.

Os policiais do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 23º BPM (Leblon) foram informados da presença do bandido na Favela do Vidigal, ainda de madrugada. O traficante ““Nem”” estaria em uma festa acompanhado de ao menos 60 traficantes armados com fuzis, metralhadoras e pistolas. Ele chegou à favela por volta de 5h, anunciando bebida de de graça para os cúmplices e moradores. Ao deixar a comunidade, às 7h15m, os policiais - todos à paisana - tomaram um dos acessos da Avenida Presidente João Goulart, principal ligação entre a Avenida Niemeyer e o alto do morro, e ficaram esperando, escondidos.

Foto: Cleber Junior/Extra

BANDIDOS PRESOS NA OPERAÇÃO: - Esses são os bandidos que haviam feitos reféns e foram presos pela polícia, após negociação e as armas que conduziam

Surpreendidos pelos PMs, “Nem” e seu bando, que seguiam em comboio para a Favela da Rocinha, reagiram a tiros. A intensa troca de tiros aconteceu por volta das 7h30m.

Moradores do Vidigal confirmaram que “Nem” e seus cúmplices estavam numa festa no alto da favela, no final da Avenida João Goulart, uma das principais ruas da comunidade. Segundo fontes do GLOBO, “‘Nem” e seus cúmplices obrigaram a dois motoristas de Vans, do Vidigal, que os transportassem até a Rocinha, quando o grupo cruzou com policiais militares e começou o tiroteio.

Segundo o coronel Paulo Henrique Moraes, comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), há suspeitas de que “Nem” tenha se ferido durante o confronto, mas a polícia não sabe de seu paradeiro.

Na ação, 35 pessoas foram feitas reféns. Entre elas havia cinco hóspedes estrangeiros do Hotel Intercontinental.

Foto: Domingos Peixoto/O Globo

Adriana Medeiros, que tinha um mandato de prisão expedido pela Justiça e trabalhava para o tráfico da Rocinha foi a única vítima fatal do confronto

Duas pessoas ficaram feridas. Elas foram socorridas e levadas para o Hospital Miguel, Couto na Gávea.

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18 de out. de 2009

RIO DE JANEIRO: Cenas de guerra na sede das Olímpiadas 2016

RIO DE JANEIRO
Cenas de guerra na sede das Olímpiadas 2016
Pânico, pavor, mortes, armas de guerras disparadas, populações em fuga, esse cenário em nada combina com uma cidade que em poucos anos vai receber a abertura da Copa do mundo e depois os Jogos Olímpicos

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

Policiais entrincheirados na rua, em posição de combate. População civil em meio ao fogo cruzado

Fontes: El Pais, Aljazeera, The Guardian, O Dia, Blog Caso de Polícia, Twitter Militar Legal, Portal Terra, The New York Times

A população do Rio de Janeiro amanheceu, neste sábado 17, acuada e perplexa diante da violência do maior confronto dos últimos tempos. A disputa entre traficantes rivais produziu, nas primeiras horas de ontem, cenas de morte e destruição, comparáveis apenas a zona de guerra. Bandidos do Complexo do Alemão e do Jacarezinho invadiram o Morro dos Macacos, através do Morro São João por volta das 3h da manhã deste sábado.

Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia

Policiais combatem as chamas dos destroços do helicóptero da Polícia abatido pelos bandidos, dois policiais morreram carbonizados

A Polícia Militar entrou em ação e foi recebida a bala pelos bandidos. Depois de sete horas de intenso tiroteio entre quadrilhas no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, O helicóptero do Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM) da Polícia Militar acabou abatido enquanto sobrevoava os morros da Matriz e do Sampaio.

A aeronave havia socorrido para o Hospital Central da Polícia Militar, um soldado ferido e voltou ao local para apoiar a operação policial, quando foi alvejada, provavelmente por um míssil antiaéreo.

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

O Cabo Izo Gomes Patrício, 36, sendo socorrido pelos companheiros

Houve um princípio de incêndio ainda no ar e o piloto, capitão Marcelo Vaz, mesmo atingido por um tiro, conseguiu evitar uma tragédia maior, desviando das casas, fazendo um pouso forçado num campo de futebol da Vila Olímpica do Sampaio.

Dois soldados, da tripulação da aeronave Marcos Stadler Macedo, 40, e Edney Canazaro de Oliveira, 30, morreram carbonizados. Ainda estavam a bordo o capitão Marcelo de Carvalho Mendes, 29, copiloto, que levou tiro de fuzil no pé direito; o cabo Anderson Fernandes dos Santos, 34, que sofreu queimaduras e o cabo Izo Gomes Patrício, 36, que teve 80% do corpo queimado e está em estado grave.

Foto: Reuters

Familiares junto a quarto vítimas civis

Até a noite de ontem, o saldo era de 15 mortos, incluindo os PMs. Segundo a polícia, 12 seriam traficantes, mas famílias de quatro jovens negam essa versão. Além dos quatro feridos na queda do Esquilo, foram baleados um cabo e o major João Jacques Busnello, que como atirador de elite, há um mês matou um ladrão que mantinha refém na Tijuca. A Secretaria de Segurança montou uma operação de emergência com 2 mil policiais, para evitar novos confrontos, hoje de manhã, domingo 18, dois traficantes foram mortos em confronto com o BOPE.

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

Os chefes do tráfico mandam que sejam queimados ônibus para tumultuar a ação da polícia

Pouco depois, uma onda de terror tomou conta da Zona Norte. Houve ataques a ônibus perto de favelas ligadas ao Comando Vermelho (CV), facção que invadiu o Morro dos Macacos, para desviar a atenção da polícia, noticia-se que 10 ônibus e um automóvel foram destruídos. A empresa estatal Rio Ônibus orientou as empresas que tinham linhas passando pelos bairros em confronto que recolhessem seus veículos.

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

Jornalistas e curiosos próximos ao helicóptero abatido, ainda em chamas

Foto: AP

Famílias em fuga, “apenas com a roupa do corpo”

Dezenas de moradores do Morro dos Macacos abandoram suas casas com mochilas nas costas ou só com a roupa do corpo. A., de 24 anos, deixou a favela com a esposa e os filhos de 1 e 4 anos, para passar pelo menos o fim de semana na casa de familiares, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

"Não dá para viver assim, estamos saindo com a roupa do corpo". A doméstica M., 43 anos, que nasceu no morro, disse que foi a pior invasão que o morro sofreu. "Precisei tomar calmante, chorava e pedia misericórdia", disse, ao deixar a casa com mais 12 familiares em direção a Saracuruna.

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

Cenas dignas de filmes de ação: uma realidade, ao vivo, no Rio de Janeiro

Um gabinete de crise foi montado no 6º BPM (Tijuca), de onde a cúpula da segurança acompanhou a operação, sem data para acabar. Para conter os confrontos entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) foram montados cercos nos complexos da Penha e Alemão, Manguinhos e Jacarezinho, todas do CV, além do Morro do São Carlos e da Rocinha, da ADA. “Foi uma ação desesperada do tráfico para recuperar espaço e dinheiro que perderam. A criação das Unidades de Polícia Pacificadora contribuiu para isso. Ataques não vão desviar nossa estratégia”, disse Beltrame.

Foto: Pablo Jacob/Jornal Extra

Policiais com armas pesadas percorriam as ruas em busca dos bandidos

A mobilização das polícias começou cedo. Pela manhã, o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, determinou que agentes da Capital fossem convocados. A maior parte ficou nas ruas, e, outro grupo, no Centro de Inteligência da Civil. “Nada ficará sem resposta. Sabemos o motivo e quem foi o responsável. A resposta virá. Outras invasões já aconteceram. O que diferenciou a de hoje (ontem) foi a queda do helicóptero”, avaliou Turnowski. “Não estamos movidos por sentimento de vingança, mas de justiça. Eles (bandidos) serão vítimas de suas próprias escolhas”, avisou o comandante-geral da PM, Mário Sérgio.

Foto: Alexandre Brume Carlo Wrede/Agência O Dia

Não é um filme, não é um treinamento é guerra ao vivo, nas ruas do Rio

As suspeita do ataque ao helicóptero, recaem sobre o traficante Fabiano Atanázio da Silva, o FB, da Vila Cruzeiro, que chegou ao Macacos após a invasão e saiu à tarde. Há dois meses, policiais civis receberam a informação de que ele tinha planos de derrubar um helicóptero. Ontem, ele teria dado ordens para os criminosos usarem um míssil antiaéreo comprado por R$ 200 mil. Na operação foram apreendidos seis fuzis; uma carabina ponto 30; duas pistolas; 20 quilos de maconha; 1.450 munições. Quatro motos e oito carros foram recuperados.


Detalha da primeira página de dois jornais cariocas

Os principais jornais do mundo noticiaram o episódio de violência envolvendo traficantes rivais e a Polícia Militar do Rio de Janeiro, o The New York Times, dos Estados Unidos, lembrou que o confronto ocorreu apenas duas semanas depois que a cidade foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. O britânico The Guardian deu em manchete que a “sede da Copa de 2014 foi abalada por uma violenta batalha pelo controle do tráfico”. A guerra também foi divulgada pelos jornais espanhóis El Pais e El Mundo e pela rede árabe de notícias Aljazeera.

Uma coisa é certa, se esses fatos tivessem ocorrido algumas semanas antes, o Rio não teria ganhado a possibilidade de sediar as Olimpíadas. Mas do que nunca, agora, a cidade maravilhosa, passa a ser observada. Se as autoridades não conseguirem vencer a guerra contra o tráfico, nesses próximos anos, poderemos ter Jogos Olímpicos sem turistas.


10 de out. de 2009

GUERRILHA DO MST: A máquina do terror no campo

GUERRILHA DO MST
A máquina do terror no campo

A revista Veja mostra como funciona a guerrilha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que “além de invadir, depredar e saquear fazendas, agora também faz ameaça de morte, pratica extorsão e espalha o terror entre os próprios camponeses

Foto: Fotos Fernando Cavalcanti e Valter Campanato

ATAQUES COM DIGITAIS OFICIAIS - O presidente do Incra, Rolf Hackbart, criticou a destruição na fazenda do grupo Cutrale promovida por militantes do MST. Que ninguém se engane: o Incra funciona como um braço auxiliar dos criminosos, que recebem dinheiro, informações e apoio logístico para executar as operações

Sofia Krause, Diego Escosteguy e Raquel Salgado
Fonte: Revista Veja

O lavrador Francisco do Carmo Neto, morador do assentamento Barreirinho, na divisa entre Goiás e Minas Gerais, a cerca de 150 quilômetros de Brasília, dorme com um olho aberto e uma espingarda ao alcance da mão. A arma está sempre carregada. Francisco não tem medo de jagunços a soldo de fazendeiros ou dos ladrões de galinha que pululam na região. Francisco tem medo dos homens do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Os líderes da organização ameaçam matá-lo há anos – tudo em razão de sua recusa em alistar-se como soldado do movimento.

Ali, como em diversos assentamentos espalhados Brasil afora, o MST é o patrão; os camponeses, seu proletariado. Tal qual uma boa empresa capitalista, a organização sabe captar e multiplicar o seu dinheiro. Quer plantar? O MST consegue o financiamento, desde que mediante o pagamento de uma pequena taxa de administração. Cobra um pedágio de 2% dos trabalhadores que pegam empréstimo com o governo. Quem discordar dos métodos tem a liberdade de partir. Se não quiser partir, jagunços do movimento se encarregam de convencê-lo – a bala, queimando e saqueando as casas, ameaçando de morte. O Incra, órgão governamental que deveria gerir os assentamentos, sabe de tudo isso, mas nada faz e, segundo os lavradores, sempre que pode, ainda dá apoio logístico aos criminosos do MST.

É essa perigosa simbiose entre a violência do movimento e a leniência do governo que proporciona espetáculos grotescos como o de dez dias atrás, quando integrantes do MST invadiram a fazenda Santo Henrique, em São Paulo, de propriedade da Cutrale, a maior produtora de sucos de laranja do país.

Alegando que a propriedade estava em litígio, 250 sem-terra ocuparam o local. No começo, o Incra confirmou que a posse da fazenda estava em discussão na Justiça, o que impediu os advogados da Cutrale de conseguir rapidamente a reintegração de posse. Pura malandragem. A propriedade da fazenda já fora discutida na Justiça, e o Incra perdera o processo em segunda instância – e, evidentemente, sabia disso.

Quando os juízes descobriram o estratagema do MST e de seus comparsas no Incra, era tarde demais. Os sem-terra haviam devastado a fazenda. Os vândalos destruíram 10 000 pés de laranja, roubaram 45 toneladas de produtos agrícolas e sumiram com 12 000 litros de diesel. Para completar o serviço, quebraram 28 tratores. A empresa calculou os prejuízos em 3 milhões de reais. A ação foi tão repugnante que até a cúpula do governo Lula, incluindo o Incra, veio a público condená-la.

"A minha reação é de indignação. Não tem razão para isso", disse Rolf Hackbart, o presidente do Incra. No Congresso, reavivaram-se os debates para a criação de uma CPI destinada a investigar o MST.

Foto: Cristiano Mariz

SEM-TERRA X SEM-TERRA - Em depoimentos ao MP, sem-terra, armados para se defender, acusam o MST de implantar um clima de terror no assentamento: tiros, ameaças e destruição de casas de quem se recusa a participar de novas invasões

As ilegalidades cometidas pelo movimento dos sem-terra, entremeadas por tantas outras manifestações recentes de brutalidade autoritária, trazem à luz o verdadeiro espírito do MST: uma organização criminosa, espalhada pelos quatro cantos do país, mantida por dinheiro dos contribuintes e cujo poder provém do livre exercício da violência.

VEJA esteve no assentamento Barreirinho, onde moram 140 famílias que, assim como o lavrador Francisco, convivem com a natureza belicosa do movimento. Essas famílias estão há anos sob o signo do terror, levando uma vida pior do que as outras, aquelas que aceitam se submeter às ordens despóticas da organização.

Muitos já foram embora, com medo da morte. Os lavradores que resistem sofrem toda sorte de retaliação. Desde que foram assentados pelo Incra, há uma década, os sem-terra criaram uma cooperativa própria e decidiram se afastar da cartilha maoísta do MST. Isso, na prática, significava dizer que não participariam mais de invasões e não aceitariam mais as duras regras impostas pelas lideranças do movimento.

A situação no assentamento deteriorou-se seriamente há dois anos, quando, diante do crescente número de famílias que se negavam a participar das ações do movimento, o MST resolveu radicalizar – com a competência de sempre. Sobrevieram ameaças de morte e atos de vandalismo. Alguns, como Francisco dos Santos Rodrigues, acordaram um dia com armas apontadas para a cabeça e ordens de abandonar a própria casa. Para mostrar que não estavam para brincadeira, os pistoleiros do MST descarregaram seus revólveres aos pés do camponês.

"Se você abrir a boca sobre o que aconteceu aqui, nós vamos te matar", prometeram os bandidos. Diz o lavrador: "Fui expulso de casa sem carregar nada junto, só a roupa do corpo. Eles não tiveram dó". Teimoso, Francisco decidiu voltar. Está marcado para morrer.

Foto: Cristiano Mariz

EXTORSÃO - Os assentados da fazenda Barreirinho, como Antônio Lisboa, são obrigados a destinar ao MST 2% do dinheiro que recebem do governo para plantar

As famílias acabaram procurando o Ministério Público de Minas Gerais. Em fevereiro de 2007, formalizaram a denúncia, narrando os abusos em detalhes. Os promotores ainda investigam o caso. Ato contínuo, elas também buscaram ajuda no Incra em Brasília. Bateram na porta errada. Desde o começo do governo Lula, em razão da admiração histórica entre o PT e o MST, o órgão é dominado por integrantes ou simpatizantes do movimento.

Segundo o líder dessas famílias, o assentado Antônio Teixeira, o Incra nada fez – e, para piorar, seus agentes passaram a hostilizar abertamente os lavradores. As famílias dizem que o governo travou os processos de regularização dos lotes e tentou realocá-las em outros assentamentos.

Diz Teixeira: "Eles querem que as terras voltem para o controle do MST". E já voltaram. Lá, não há conversa. As famílias que quiserem obter dinheiro público para tornar a terra produtiva precisam obedecer ao MST. No papel, conceder empréstimos para os assentados cabe ao Incra. Na terra, vale a lei do movimento.

Foto: Juliana Leitão/Diário de Pernambuco/Futura Press

MAUS RESULTADOS - Cerca de 520 000 famílias foram assentadas no governo Lula: venda de lotes e dificuldades para conseguir produzir

Quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou uma linha de crédito para que os assentados pudessem plantar mandioca, os dirigentes sem-terra aprenderam rapidamente os lucrativos mecanismos da economia de mercado. Ofereceram-se para ajudar as famílias – desde que um porcentual dos empréstimos ficasse com o movimento.

Nesse quesito, o MST inovou: criou o pedágio com débito em conta! O politburo local dos sem-terra alugou um ônibus, levou as famílias até o banco e, sabe-se lá como, cuidou das formalidades junto ao governo. Na hora de fechar os empréstimos, os sem-terra obrigaram os camponeses a assinar a autorização para débito em conta. Era pegar ou largar. Quase todos pegaram. Os lavradores, que não têm nada a ver com o movimento, passaram a pagar pedágio como se fosse conta de telefone.

Um dos clientes do MST foi o camponês Antônio Lisboa. Ele contraiu um empréstimo de 1 000 reais. Deixou 20 na conta do movimento. Procurado, o Incra não quis se pronunciar sobre as acusações.

"Não sei nada a respeito de violência, e, com relação a essa taxa, não é coisa oficial do movimento", disse Gaspar Martins Araújo, líder local do MST, sem mostrar nenhuma surpresa quando informado de que a conta do pedágio é administrada por um colega do MST.

Essa relação siamesa entre o Incra e o MST está na raiz do fracasso do projeto de reforma agrária do governo Lula. Nos últimos anos, o Incra distribuiu mais terras do que em toda a história do país. Foram 43 milhões de hectares, nos quais cerca de 520.000 famílias de sem-terra foram assentadas. Há água, energia e um teto para a maioria desses camponeses. Eles têm moradia, o que certamente constitui um avanço – mas isso basta?

"A reforma agrária não é apenas a redistribuição de terras improdutivas, mas um meio de fazer com que os lavradores consigam produzir nos assentamentos", explica o professor Gilberto de Oliveira Júnior, da Universidade de Brasília. Hoje, mesmo após o governo ter gasto 1,3 bilhão de reais, os assentados produzem pouco, como confirma uma pesquisa feita pelo Ibope nos assentamentos.

Produzindo pouco, não têm renda. Sem renda, não conseguem sair da pobreza. A lógica que governa a política do Incra e do MST é simples – e cruel. Ela aponta um descompasso entre a dinheirama investida pelo governo e a situação de penúria na qual vivem os assentados. Aponta também uma solução: em vez de usar o dinheiro da reforma agrária para financiar as atividades criminosas do MST, o governo deveria investi-lo na produção agrária dos assentamentos. Essa lógica, a de quem realmente precisa dos investimentos para sair da pobreza e desenvolver a economia do país, é impecável.
”Como funciona a máquina do terror no campo” é o Título original na material de Veja
**Alteramos o subtítulo

13 de ago. de 2009

Trambiqueiro do “Boi Gordo” está livre da cadeia

Trambiqueiro do “Boi Gordo” está livre da cadeia
Paulo Roberto de Andrade, dono da Boi Gordo, que lesou 30 mil pessoas e deu um golpe de R$ 2,5 bilhões ficou livre de crime falimentar, por decisão do STJ

Foto: Ricardo Benichio/Abril

Paulo Andrade da Boi Gordo, antes de ser empresário havia sido condenado por assalto a mão armada, artigo 157 do Código Penal, cumpriu pena e mudou o ramo de assalto, agora sem violência e impune

Fontes: Estadão, Veja

O empresário Paulo Roberto de Andrade, dono da Boi Gordo, uma firma de investimento em gado que lesou mais de 30 mil pessoas, não corre mais risco de ser punido criminalmente.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ)anulou a ação penal contra ele e reconheceu a prescrição do processo. A Boi Gordo quebrou em 2004, deixando uma dívida de R$ 2,5 bilhões na praça. Andrade, até então celebrado como um empresário moderno e inovador, passou a ser tratado como um golpista. Denunciado à Justiça por prática de crimes falimentares, agora está livre das acusações.

"É a pizza. Fazer o quê?", afirma o promotor de Justiça Eronides Aparecido Rodrigues dos Santos, da Vara de Falências de São Paulo. "Lamento a anulação de um caso emblemático como esse. Houve um golpe, milhares de pessoas foram lesadas e não haverá responsabilização penal".

O investimento na Boi Gordo foi uma febre do final dos anos 90 até quebrar, em 2004. A maior parte de sua clientela era formada por poupadores de classe média, mas entre suas vítimas há lista enorme de pessoas conhecidas. Entre elas o técnico de futebol Luiz Felipe Scolari; os ex-jogadores Evair e César Sampaio; a atriz Marisa Orth; o designer Hans Donner, da Rede Globo; o economista Rogério Buratti, ex-assessor do deputado Antônio Palocci (PT) em Ribeirão Preto; e Paulo Okamoto, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Fazendas Reunidas Boi Gordo popularizou no País as chamadas empresas de parcerias. O investidor aplicava em animais (bois, frangos, porcos) da empresa parceira, como a Boi Gordo e, no fim do contrato, recebia o lucro da venda do animal engordado. A Boi Gordo prometia rendimento de 42% depois de 18 meses. Eram ganhos que batiam de longe qualquer outro investimento da época.

Mais tarde descobriu-se que a empresa funcionava como uma pirâmide, pagando os contratos vencidos com o dinheiro da entrada de novos investidores. Quando os saques superaram os investimentos, a pirâmide desmoronou.

Foto: Arquivo Rede Globo

Patricia Pilar a sem terra, Luana Berdinazzi , da novela “Rei do Gado” que fez “merchandising” das Fazendas Boi Gordo.

A Boi Gordo ficou conhecida no País inteiro por meio dos anúncios publicitários estrelados pelo ator Antonio Fagundes nos intervalos da novela o Rei do Gado, da Globo. Ela abriu caminho para outras empresas parecidas, como a Gallus Agropecuária, pertencente a um estelionatário chamado Gelson Camargo dos Santos. A Gallus também quebrou, deixando 3 mil pessoas no prejuízo.

A decisão do STJ não interfere nos processos de indenização das vítimas da Boi Gordo. O síndico da massa falida, Gustavo Sauer, está terminando o processo de avaliação de 14 fazendas, donas de um total de 250 mil hectares de terra. Duas fazendas ficam em São Paulo, as outras em Mato Grosso.

"Estamos terminando a avaliação e as propriedades devem ser leiloadas ainda este ano", afirma Sauer. "Mas já sabemos que não será possível indenizar integralmente as vítimas da Boi Gordo."

Comparando com o caso do megainvestidor americano Bernard Madoff, 71 anos, (foto) que deu um golpe semelhante nos Estados Unidos, embora em valores bem maiores, num processo que durou quatro meses foi condenado em sentença final a 150 anos de prisão sem direito a vantagens de liberdade na metade da pena. Quanta diferença!

31 de mar. de 2009

Pombos correios suspeitos de trabalharem para o PCC

Pombos correios suspeitos de trabalharem para o PCC
Pelo menos dois desses animais foram presos tentando entrar penitenciária Dr. Danilo Pinheiro, em Sorocaba, no Interior de São Paulo, com peças de celulares nas asinhas

Foto: Arquivo

Meliantes semelhantes a esses estavam a serviço do PCC, foram presos e estão arriscados a acabar na panela se não conseguirem um habeas corpus

Fontes: Terra , O Dia , Yahoo

Dois agentes penitenciários desconfiaram das atitudes suspeitas de dois pombos que traziam mochilas amarradas às costas, numa rua próxima a penitenciária Dr. Danilo Pinheiro, em Sorocaba, no Interior de São Paulo e os atraíram por uma armadilha de alimentos. Ao serem capturados constataram que em pequenas sacolas presas as suas costas, com tiras de látex, os animais traziam peças diversas de celulares desmontados.

O fato não é novidade, ano passado na penitenciária de Marília uma mulher que fizera visita ao presídio, foi surpreendida saindo da penitenciária com duas pombas escondidas dentro de uma marmita. Os animais tinham pequenos sacos de tecido presos ao corpo, o que levou a polícia a supor que seriam utilizados para o transporte de pequenos objetos.

Funcionários do presídio disseram ter percebido nos últimos meses um aumento do número de pombos entrando nas celas, de agora em diante os pombos só entraram nas penitenciárias depois de serem revistados.

A Polícia tentou investigar os prisioneiros alados, mas eles não abriram o bico, disseram que só arrulham na presença de seus advogados


22 de mar. de 2009

Prefeito impedido de demolir “droga mall” da Rocinha

Prefeito impedido de demolir “droga mall” da Rocinha
Um prédio apelidado de minhocão, construído pelo tráfico, impera soberano sobre a favela da Rocinha, contra a vontade da Prefeitura que pretendia demoli-lo há uma semana, mas está impedida pela justiça, que foi acionada pelos traficanes

Foto: Ricardo Leni/O Globo

O minhocão da Rocinha continua de pé, desafiando as autoridades

Fontes: O Globo, O Dia, O Globo, G1, Noticia Bol

Os traficantes ergueram na famosa favela da Rocinha um shopping, o “droga mall”, um prédio de 600 metros quadrados avaliado em R$ 460 mil, com quatro apartamentos e dezoito cubículos, estes com 16 metros quadrados cada um, onde os futuros clientes poderão comprar coisas para cheirar, fumar e injetar, com muito mais conforto, diversidade e segurança.

A comunidade apelidou de “minhocão” e após a denúncia da imprensa, o prefeito Eduardo Paes resolveu demoli-lo e foi até lá para ver “in loco” o empreendimento.

Foto:

Durante toda a visita o prefeito foi fiscalizado pelo vereador Luiz Cláudio de Oliveira, o Claudinho da Academia (PSDC), ex-líder comunitário e representante dos traficantes na favela, que apoia o empreendimento, construído pela moradora Maria Clara dos Santos, conhecida como MC Boquinha, que encarou o prefeito, acompanhada do vereador, defendendo sua propriedade.

O prédio tem vista privilegiada: das janelas, avistam-se o Morro Dois Irmãos, a Praia de São Conrado e a Pedra da Gávea. A prefeitura não deu licença para a obra e chegou a multá-la quatro vezes. Esse tipo de empreendimento naquele local configura especulação imobiliária e incentiva a expansão da favela. Também contou na decisão a insalubridade dos cômodos minúsculos e por estar às margens do rio Taquara caracterizando crime ambiental.

Foto: Ricardo Leoni/O Globo  

A poderosa Pedra da Gávea emoldurando a Rocinha

Do alto da Rocinha o prefeito Eduardo Paes anunciou a demolição para o dia seguinte, diante das câmeras do fantástico, do domingo passado, como um ato irreversível.

O prédio continua de pé. Para sua surpresa do Prefeito, a proprietária conseguiu uma liminar na Justiça, durante a madrugada, suspendendo a demolição, num despacho feito a mão pela juíza de plantão Regina Passos.

Na justificativa a magistrada dez que não faz sentido à "atuação midiática de demolição de um prédio, isoladamente, no universo de construções irregulares daquele bairro "sui generis".

Foto: Marcelo Piu/Agência Globo

Logo na entrada do morro portões que controlava a entrada e a saída na favela. (um dos primeiros sinais da presença do tráfico)

A prefeitura afirma que o verdadeiro responsável pelo empreendimento é o comerciante Rodrigo Carvalho, dono de uma lanchonete no campus da Pontifícia Universidade Católica e morador da Gávea, bairro de classe média alta na Zona Sul do Rio.

Mais “legalmente” a proprietária é a MC Boquinha, que por ser moradora da favela, mereceu a compreensão da justiça.

Começou então a guerra de liminares. No dia seguinte, na 4ª feira a procuradoria da prefeitura derrubou a liminar, da juíza com despacho do Juiz da 8ª Vara de Fazenda Pública, Eduardo Gusmão Alves Neto.

Estava tudo pronto para a demolição na quinta de manhã, mas outra liminar, desta vez do desembargador Sergio Jerônimo Abreu da Silveira, que estava de plantão, na noite da quarta-feira, voltou a impedir a demolição.

Foto: Marcelo Piu/Agência Globo

No alto do morro, diante da construção e do vereador Claudinho da Academia, o prefeito Paes dá ordens para a demolição na manhã seguinte.

Agora a questão está nas mãos da desembargadora Inês da Trindade, da 13ª Câmara Cível, que deve julgar o mérito da questão, sem data marcada para a decisão, uma semana, um mês, um ano.

Ninguém tem dúvidas que os chefões do tráfico não vão deixar o Prefeito Eduardo Paes ganhar essa parada facilmente, os melhores advogados cariocas estão mobilizados, para impedir a demolição, enquanto a Prefeitura conta com a equipe de procuradores, que nem sempre são bons profissionais e não tem a mobilidade e a influência dos grandes escritórios de advocacia.

Como Raposa Serra do Sol, essa questão vai acabar no Supremo Tribunal Federal e entrar na fila de milhares de processos. Em tudo por tudo, há quem aposte 1 por mil que serão os traficantes os vencedores em algum momento do futuro distante.

Empire States da Rocinha

Foto: O Globo

O Empire State da Rocinha é o maior edifício construído no alto da Favela, próximo à localidade conhecida como Portão Vermelho, com vista para São Conrado, tem 11 pavimentos e 56 apartamentos. Consta que num terreno de encosta vizinho, o mesmo dono do Empire State planeja fazer outra construção de fôlego, serão as Torres Gêmeas da Rocinha.

Justiça eleitoral investiga Claudinho da Academia
O procurador geral e representante municipal do tráfico na Rocinha

Foto: O Globo

Rocinha, o país de Claudinho

Fontes: O Globo, Site da Rocinha

O Ministério Público Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro solicitou nessa semana à Polícia Federal instauração de inquérito policial para apurar a ocorrência crime eleitoral beneficiando o vereador Luiz Claudio de Oliveira (PSDC), conhecido como Claudinho da Academia, que forneceu os advogados no caso do minhocão da Rocinha.

A procuradora eleitoral, Silvana Batini, quer que a PF apure se ocorreu compra de votos ou transporte ilegal de eleitores para beneficiar o candidato, durante a campanha eleitoral, no ano passado.

O pedido foi motivado pela existência de um dvd que indica que moradores da Rocinha ganharam transporte para ir ao local de votação, em troca de voto em Claudinho da Academia.

O dvd foi entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pelo deputado federal Índio da Costa (DEM). Se ficar comprovada a existência e autoria do crime eleitoral, o vereador está sujeito à pena de prisão de até seis anos, multa e perda de mandato. Os demais envolvidos estão sujeitos à prisão e multa.

Em julho do ano passado, o Ministério Público Eleitoral abriu investigação contra Claudinho. Na ocasião, o pedido foi motivado pelas descobertas feitas por operação da Polícia Civil, em que foi encontrada, na casa do chefe do tráfico na Rocinha, uma ata de reunião que ordenava "todo o empenho para o candidato da Rocinha, não aceito derrota".


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1 de mar. de 2009

Qual a diferença do MST para o bando de Lampião?

QUAL A DIFERENÇA DO MST PARA O BANDO DE LAMPIÃO?
O interior de Pernambuco era mais seguro nos tempos dos cangaceiros?


A revista Veja dessa semana pergunta:
“Até quando esse bando de delinquentes terá licença para afrontar a lei?
Não falava do bando de Lampião, mas dos guerrilheiros do MST.

Fontes: Revista VEJA

- O bando de Lampião não era financiado com o dinheiro federal, era tratado como fora da lei e combatido como uma praga social pelas volantes da polícia.Os proprietários estavam autorizados a defender os seus bens até as últimas consequencias.

- O bando do MST abarrotado de dinheiro público e proteção federal, sente-se autorizado a matar e destruir sem ser incomodado. Travestido de movimento social, quer sempre passar por vítima e não vacila em pedir proteção policial. Os donos das propriedades são reféns indefesos diante dos bandidos.

Os episódios acontecidos na semana passada, quando os guerrilheiros dos Sem Terra, executaram com requintes de crueldades quatro trabalhadores, é apenas mais um, na história dos embates entre os cidadãos que querem preservar seus patrimônios e esses facínoras, que, tais quais os cangaceiros de outrora, intranqüilizam os moradores das comunidades interioranas.

Nas narrativas dos jornais locais e o texto da Revista Veja dessa semana, sobre os fatos, vê-se que o campo, não só aqui, mais em todo o Brasil, está entregue a sanha dos bandidos do MST.

Os cangaceiros não tinham porta voz, nem advogados as lhe instruir as ações: para se mostrarem frágeis depois da barbárie praticada, os Sem Terra de Pernambuco, depois de acusarem as vítimas de serem pistoleiros, alegaram legítima defesa e pediram proteção policial ao Governo do Estado.

O governador lhe negou a proteção e será certamente responsabilizado por qualquer coisa que lhe acontecer de agora em diante. Observe-se que os bandidos não vacilam em tentar encurralar também as autoridades constituídas.

Na narrativa da jornalista Laura Diniz, da Veja, que foi até São Joaquim do Monte, Pernambuco, diz que tudo “começou com um bate-boca entre um grupo de sem-terra e cinco homens contratados para evitar que a fazenda Jabuticaba, no agreste pernambucano, reintegrada por ordem judicial, fosse novamente invadida (pela nona vez) por membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. “

Foto: Rodrigo Lôbo/ JC Imagem

JAIME AMORIM, o chefe da guerrilha do MST em Pernambuco desrespeita as vítimas assassinadas por seu bando, afirmando: "O que matamos não foram pessoas comuns. Eram pistoleiros violentos". Não tem licitude para comentar os fatos, pois é mandante dos crimes do seu bando e deve ser alcançado pela justiça

Dos seguranças, continua a revista Veja, apenas João Arnaldo da Silva, de 40 anos, era profissional. Rafael Erasmo da Silva, de 20, e Wagner Luís da Silva, de 25, trabalhavam como mototaxistas em São Joaquim do Monte, a 137 quilômetros do Recife. José Wedson da Silva, de 20, e Donizete Souza, de 24, eram agricultores. Para fazerem bico como guardas, eles recebiam de 20 a 30 reais por dia trabalhado.

Naquele sábado, era João quem estava à frente da discussão com os sem-terra, numa fazenda vizinha à Jabuticaba. No meio da briga, um dos invasores acertou-lhe um tiro na perna. João caiu e, imediatamente, recebeu uma bala na cabeça. Rafael, ao seu lado, foi o segundo a ser morto – também com um tiro na cabeça, que trespassou o capacete de motociclista que ele usava.

Ao ver os colegas tombarem mortos, Wagner, Wedson e Donizete correram. Donizete conseguiu escapar. Wagner e Wedson, alcançados pelos sem-terra 1 quilômetro adiante, foram igualmente mortos como cães. Wagner levou um tiro na perna e dois na cabeça, um deles na nuca. Wedson recebeu um tiro na perna e dois no rosto – morreu de braços abertos, como quem pede clemência.

Fotos Titular ag. Fotografica

SEM FUTURO - A mulher e o filho de Wagner da Silva, que sustentava a família trabalhando como mototaxista. Ele foi morto com tiros na cabeça depois de ser perseguido por 1 quilômetro por um grupo de sem-terra.

Com base nas marcas dos tiros e no depoimento de duas testemunhas oculares, o delegado Luciano Francisco Soares diz que os assassinatos não foram cometidos em legítima defesa, como afirma o MST.

"As vítimas foram executadas", resume ele.

A polícia prendeu em flagrante e indiciou por homicídio qualificado Aluciano Ferreira dos Santos, líder do MST na região, e Paulo Alves, participante do grupo. Eles são acusados de perseguir e matar Wagner e Wedson. Os dois sem-terra apontados como assassinos de João e Rafael estão foragidos.

Depois do crime, o MST teve o desplante de pedir "proteção" policial para seus integrantes. Como se isso não bastasse, o coordenador nacional do movimento, Jaime Amorim, numa declaração que deixa evidente a régua moral pela qual seu grupo se pauta, afirmou:

"O que matamos não foram pessoas comuns. Eles foram contratados para matar, eram pistoleiros violentos".

É mais uma declaração delinquente de um dos chefões do bando que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, aterroriza o campo brasileiro desde 1990. Naquele ano, durante uma manifestação no centro de Porto Alegre, uma turba de sem-terra cercou um carro de polícia e, a golpes de foice, degolou o cabo Valdeci de Abreu Lopes, de 27 anos.

Desde então, ao menos outros quarenta integrantes do MST foram acusados de homicídio (dois deles já foram condenados em primeira instância).

Esse dois bandidos do MST, do caso aqui de Pernambuco, que se encontram foragidos, estão sob a proteção dos chefões do MST, escondidos em algum acampamento por esse vasto país, bem longe da ação da polícia e da justiça, prontos para cometerem mais delitos. Do jeito que vai a gente acaba com saudades de Lampião e seu bando.

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15 de fev. de 2009

O MAIOR ARQUIVO VIVO DO PAÍS EM PERIGO
Marcos Valério, o operador do mensalão, tem a vida ameaçada

Detalhe da Primeira Pagina do Correio Braziliense deste domingo 15/fev

A principal facção criminosa de São Paulo, PCC cobrou dinheiro para Marcos Valério não ser assassinado em presídio. Ameaças continuam O empresário Marcos Valério foi forçado a pagar “pedágio” a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para sobreviver na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.

No presídio onde ficou por três meses, o pivô do escândalo do mensalão teve parte dos dentes da frente quebrados e cortes profundos no corpo feitos com estiletes. Mesmo fora da prisão, Valério continua sendo extorquido pelos criminosos. Vinte quilos mais magro, hoje ele vive totalmente recluso.

Fonte: Correio Braziliense

Empresário acusado de ser o operador do mensalão foi agredido por integrantes da facção criminosa paulista e obrigado a pagar “pedágio” para sair vivo do presídio de Tremembé, no interior de São Paulo

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza — acusado de ser o operador do mensalão, esquema de pagamento de propina para a base aliada do Palácio do Planalto em troca de aprovação de projetos de interesse do governo — vive hoje sob ameaça de morte de integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Depois de ter ficado preso por pouco mais de três meses na Penitenciária II do Presídio de Tremembé (foto), no interior de São Paulo, a 138km da capital, por força de um processo no qual é acusado de integrar uma quadrilha que praticava extorsão, fraudes fiscais e corrupção, Marcos Valério, mesmo em liberdade, está sendo extorquido pela organização, nascida nas cadeias paulistas na década de 1990, e traz no corpo as marcas da violência do grupo que lhe exigiu dinheiro durante o tempo em que esteve preso.

Vinte quilos mais magro, ele vive hoje totalmente recluso, depois de ter parte dos dentes da frente quebrados e cortes profundos no corpo feitos por estiletes, de acordo com fontes da Polícia Civil de São Paulo. Ele foi preso em 11 de outubro, por força de mandado de prisão expedido pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo e ficou encarcerado até 14 de janeiro. Para conseguir sair do presídio de Tremembé com vida, Marcos Valério precisou fazer um acordo com o advogado Jeronymo Ruiz Andrade do Amaral, considerado o chefe do departamento jurídico do PCC, organização para a qual trabalha desde 2000.

O acerto entre eles aconteceu em 9 de janeiro, numa conversa que se estendeu por cerca de 40 minutos, no parlatório da Penitenciária II do presídio, onde os carcereiros não têm acesso, somente presos e advogados.

O valor pago pela “proteção” da organização é segredo guardado a sete chaves, mas fontes da Polícia Civil relatam que Marcos Valério era obrigado a desembolsar o que chamam de “pedágio”. Jeronymo, assim como o empresário, estava preso na Penitenciária II de Tremembé depois de ter sido preso em flagrante tentando levar para integrantes do PCC, encarcerados na unidade prisional de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, componentes de telefones celular.

A prisão de Jeronymo aconteceu em 2 de abril, depois que ele se recusou a passar pelos raios x da revista. Ele trazia um processo e as peças estavam escondidas entre as folhas. Para entrar no presídio, ele pediu uma visita para ver o detento Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, apontado como um dos generais do PCC, além de outros dois presos da facção.

O advogado trazia duas placas de circuito, dois visores de cristal líquido e duas baterias, com os quais era possível fazer dois celulares. O encontro entre Jeronymo e Marcos Valério foi amplamente divulgado, mas somente agora a Polícia Civil paulista descobriu o real motivo. A justificativa de primeira hora foi que o advogado teria ido apenas visitar o empresário de quem ficou amigo depois da temporada juntos em Tremembé.

O acordo de Marcos Valério com o PCC, entretanto, está saindo caro. As extorsões não tiveram fim nem com a libertação do empresário. E pior. Agora também sua família está sob a mira do grupo criminoso.

Os telefonemas ameaçadores são constantes e a tensão durante a prisão de Valério chegou a níveis tão insuportáveis que a mulher dele, Renilda de Souza, pediu socorro ao advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Lula. Foram pelo menos três encontros até a concessão de habeas corpus pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, antes mesmo do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgar o mérito do pedido apresentado anteriormente.

Marcos Valério se recusa a falar sobre as agressões, até para os amigos mais próximos, e seu advogado Marcelo Leonardo nega que elas tenham acontecido.

“Eu que o acompanhei de Tremembé até Belo Horizonte não sei de nada disso”, afirmou, sustentando que o encontro entre Valério e o advogado do PCC foi apenas uma gentileza.

“Ele foi rever outros presos também, mas a conversa com meu cliente teve repercussão, porque ele é o mais famoso”, concluiu.

Marcelo Leonardo demonstrou ainda preocupação com a vida dele, dizendo que a divulgação das informações da Polícia Civil paulista o colocaria em risco. Outro advogado, Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho, que também esteve preso em Tremembé, foi direto:

“Não tratavam bem nem mal. Era normal”.

Importantes delegados da Polícia Federal consideram que as ameaças do PCC ao empresário, na verdade, vêm ao encontro a interesses de vários outros grupos, no entanto, em outro universo: o da política.

De acordo com a PF, ao operar o mensalão, Marcos Valério reuniu informações que são consideradas estratégicas tanto para políticos do atual governo como da oposição e ainda para empresários e banqueiros, suspeitos de envolvimento.

Até agora, o empresário falou pouco sobre o esquema e mandou recados, como quando ele pediu uma audiência com o delegado Luiz Flávio Zampronha, há dois anos, e não falou uma palavra sequer sobre o assunto, reunindo a imprensa apenas para dizer que se manteve calado.

Portanto, integrantes da PF acreditam que a mira do PCC sobre Marcos Valério interessa a muito mais gente do que se imagina e, de fato, sua vida está em perigo

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