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6 de jul. de 2014

A Seleção vai para cima da Alemanha - Juca Kfouri

BRASIL - Copa 2014
A Seleção vai para cima da Alemanha
Juca Kfouri acredita que Felipão, mesmo com a ausência de Neymar, ou até pela ausência de Neymar, vai montar um time ainda mais ofensivo.


Detalhe da primeira página do Diário Catarinense desse domingo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri
Fonte: Blog do Juca Kfouri

Este blog não se surpreenderá se a Seleção Brasileira entrar em campo contra a Alemanha mais na ofensiva do que, como muitos apostam, na defensiva, por causa da ausência de Neymar e de Thiago Silva.

Se o que se espera de Felipão é um time mais cuidadoso, com três volantes, para jogar por uma bola ou mesmo pela decisão na marca do pênalti, a surpresa, inclusive para os alemães, será a entrada de um atacante.

Não exatamente no papel de Neymar, que deve ser reservado a Oscar, mas aberto pela direita com Willian, deixando Hulk com sua força partindo para cima de Lahm, um craque que costuma se irritar quando muito fustigado.

Tanto Willian como Bernard podem ocupar o mesmo espaço e o dilema de Felipão é este: ir para cima e mostrar que não tem medo ou escalar Ramires e jogar com cautela?

Pelo espírito de quem fala que catástrofe é oportunidade, este blog acredita que o time partirá para cima.

Júlio César, Maicon, Dante, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho e Oscar; Willian, Fred e Hulk eis o time em que o blog aposta.
*Acrescentamos subtítulo, ilustração e legenda à publicação original

24 de jun. de 2014

Era Neymar. Aliás, é! - Juca kfouri

BRASIL - Copa 2014 - Opinião
Era Neymar. Aliás, é!
Juca kfouri analisa a vitoria do Brasil sobre Camarões

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri
Fonte: Blog do Juca Kfouri

Brasil e Chile já se enfrentaram três vezes por Copas do Mundo. No Chile, em 1962, nas semifinais, goleada brasileira por 4 a 2. Na França, em 1998, nas oitavas, goleada brasileira por 4 a 1. Na África do Sul, nas oitavas, goleada brasileira por 3 a 0.

Imagine o estado de espírito para o jogo de Belo Horizonte, no sábado que vem, pela quarta vez em jogo de vida ou morte, pela terceira vez nas oitavas de final, e contra uma Seleção Brasileira que passou bem por Camarões, no Mané Garrincha.

Estado de espírito que poderia beirar o terror caso o time brasileiro tivesse passado por Camarões sem mostrar ainda tantas deficiências.

O Mané Garrrincha viu as diabruras de Neymar, dois gols dele ainda no primeiro tempo, aos 17 e 35 minutos, e nova boa exibição de Luiz Gustavo, autor do desarme e do passe que resultaram no primeiro gol brasileiro, quando Camarões já ameaçava a defesa brasileira, principalmente na cobrança de escanteios e pela avenida Daniel Alves, toda esburacada, responsável direto pelo gol africano depois que Nyom pintou e bordou em cima dele e cruzou para Matip empatar, aos 26.

Fred, na frente, e Paulinho, no meio, revelavam absoluta insegurança e desfilavam mais uma vez um futebol abaixo da crítica.

A Seleção abusava da ligação direta, pela inexistência do meio de campo.

Fato é que se o Brasil não tem Neymar as coisas estariam complicadas e Jorge Sampaoli há de estar queimando seus neurônios para descobrir um meio de neutralizá-lo, como, aliás, os mexicanos conseguiram.

Não fosse por Neymar e estaríamos em plena “Era Luiz Gustavo”, o dito tosco cão de guarda que tem sido decisivo até para os gols brasileiros.

Quem sabe se o destino do Bayer Munique não teria sido melhor na temporada passada caso tivesse mantido o brasileiro em seu meio de campo?

Felipão, enfim, trocou Paulinho por Fernandinho no intervalo e o Mané Garrincha aplaudiu.

Na primeira bola de Fernandinho o volante deu para Hulk fazer o terceiro gol e o atacante, ao demorar para bater, desperdiçou.

Mas foi ainda uma jogada sua que redundou no terceiro gol, o primeiro, enfim, de Fred, aos 4 minutos, atrás da linha da bola, completando o belo cruzamento de David Luiz.

Ramires entrou no lugar de Hulk, aos 16.

A Seleção tinha o jogo controlado, mas brilhar não brilhava até que, em linda triangulação com Fred e Oscar, Fernandinho fez o 4 a 1, exatamente quando quase 70 mil vozes pediam “mais um”.



NOTAS

Júlio César, sem culpa no gol, 6;
Daniel Alves
, culpado, 3;
Thiago Silva
, como sempre, 7;
David Luiz
, igual, 7;

Marcelo
, parece que vai, mas…5;
Luiz Gustavo
, fundamental, 7,5;
Paulinho
, irreconhecível, 3;
Oscar, trabalhador, mas ineficaz, 4,5;

Neymar
, o cara, 8,5;

Fred
, pelo terceiro gol e pelo passe para o quarto gol, 5;
Hulk
, indeciso na hora agá, 5,5;
Fernandinho
, mudou a cara do jogo, 7,5;
Ramires
, morno, 5,5;
Willian
, quente, 6;

Felipão, pela troca de Paulinho por Fernandinho, 6,5. Tivesse posto Maicon levaria 7,5.
Tirar Fred é mais complicado, mas trocar Oscar por Willian também seria uma boa, coisa que ele iria fazer até resolver, prudente e corretamente, que seria melhor poupar Neymar.

2 de jun. de 2014

A Brahama especial da Copa foi mesmo produzida com cevada plantada na Granja Comary?

BRASIL - Copa 2014 - Publicidade
A Brahama especial da Copa foi mesmo produzida
com cevada plantada na Granja Comary?
A edição especial da cerveja Brahma Granja Comary, cuja cevada foi promovida pela marca como plantada, cultivada e colhida no local de treino da seleção brasileira, está tendo sua origem questionada, por jornalistas e especialistas. A publicidade do produto, que tem Felipão como garoto propaganda, vai ser julgada pelo Conar, pode sair do ar, e gerar processos por propaganda enganosa

Foto: Divulgação

No comercial, Felipão, um tanto canastrão, aparece num campo de cevada, que seria na Granja Comary, com um talo de cevada na boca

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Juca Kfouri, Exame, R7

Juca Kfouri escraveu no seu Blog que durante dois dias e meio procurou incansavelmente, sem sucesso, a plantação de cevada na Granja Comary, com indica um comercial da Ambevm, que fala da cerveja Brahma Seleção Especial, que teria sido produzida com a gramínea cultivada no solo onde fica a concentração da seleção brasileira.

Diz Kfouri:

Foto: Divulgação

Eu via na TV e, como gosto de uma cervejinha, tratei de procurar a plantação de cevada na Granja Comary.

Nada na segunda-feira, quando me orientei pela foto acima, da campanha publicitária.

Achei que estava fora de forma.

Voltei ontem e, outra vez, do lado oposto, nada de nada.

Tomei chuva hoje pela manhã, procurei, investiguei, perguntei aos companheiros se alguém tinha visto, pedi aos funcionários da Granja que me orientassem e a conclusão é desoladora: a tal cerveja especial anunciada não é feita com cevada da Granja Comary.

Alguém me disse que nem com cevada é, mas não acreditei, porque na garrafa diz que tem cevada e eu sou um cara de boa-fé.

Sim, também sei que a propaganda vive de metáforas, mas não precisava exagerar.

No mesmo dia, à tarde, o jornalista acrescentou uma atualização:

Por incrível que possa parecer, a nota acima causou um terremoto na Ambev.

E, segundo a empresa, pedidos de indenização por parte de clientes e de devolução de mercadoria por parte de supermercados.

Prometeram mandar ao blog a tal gritaria e até agora o blog nada recebeu.

Mas é importante lembrar que minha avó já dizia que uma brincadeira que precise ser explicada vira drama.

É exatamente o que aconteceu com a nota.

De fato não existe a plantação, mas isso é tão importante como aqueles simpáticos bichinhos da Parmalat, que depois se soube era uma empresa objeto da operação Mãos Limpas, na Itália.

A empresa diz que a plantação não existe mais porque está dentro das garrafas pretas da cerveja especial.

Não é o que dizem os funcionários da Granja Comary, nem os especialistas em cerveja da região, pródiga na produção das artesanais e de qualidade.

Os funcionários contam que o que se plantou de cevada na Granja foi o suficiente apenas para fazer a campanha publicitária.

Os especialistas garantem que seria necessário tempo, pouco mais de três meses, e área muito maior, para plantar, colher, produzir e abastecer uma produção, mesmo que limitada, fruto de forte campanha na TV.

Enfim, o que era, como a cerveja, para sair na urina, virou uma crise.

Definitivamente, o mundo perdeu o senso de humor e, cá entre nós, é rigorosamente desimportante saber de onde vem a cevada, a não ser como criação publicitária.

Ou será que alguém acha mesmo que é verdadeira a situação daquele anúncio do posto de gasolina em que o astronauta manda descer na banguela para abastecer ?

Por sinal, pode parar, que agora sou eu quem quer descer.

Em resposta a um post no blog de Juca Kfouri, a Ambev, fabricante do produto, divulgou uma nota em que reafirma que uma área da Granja Comary foi usada para o cultivo de cevada, sim.

"A Ambev repudia com veemência as falsas acusações a respeito do nosso plantio na Granja Comary, com Brahma Seleção Especial. A companhia plantou cevada na Granja Comary, como diversos documentos e fotos comprovam. A plantação aconteceu no período de reformas da Granja Comary. Foram 6 meses de plantação, com o plantio das sementes começando em meados de 2013 e colheita da cevada no começo de janeiro de 2014. O cereal foi beneficiado, transformado em malte e utilizado na produção da cerveja. Se hoje não há cevada na Granja Comary é justamente porque o cereal foi usado no lote limitado que já está à venda desde abril no Brasil inteiro."

Mas a questão se avolumou e as dúvidas persistiram e a Ambev acabou sendo questionada sobre os fatos pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, que marcou para julgar as denúncia, na próxima quinta-feira, 05, quando o fabricante terá de reunir provas reunir provas de que a informação veiculada em anúncios e no rótulo da embalagem é verdadeira. O processo pode, se for o caso, ser arquivado. Caso a fonte não seja autêntica, o Conar pedirá alteração ou suspensão da publicidade do produto.

Além dos estádios, o torcedor agora tem que se preocupar, se está sendo enganado, sobre a origem da cevada da cerveja que vai tomar durante os jogos. E até se a cerveja que está tomando tem mesmo cevada. Além dos estádios, o torcedor agora tem que se preocupar, se está sendo enganado, sobre a origem da cevada da cerveja que vai tomar durante os jogos. E até se a cerveja que está tomando tem mesmo cevada. Isso pode descambar para propaganda enganosa e processo nos Procons com pedidos de indenização.

16 de jun. de 2013

Vaias só para o Poder, de Juca Kfouri

BRASIL – Copa das Confederações
Vaias só para o Poder
"Com 3 minutos, Marcelo virou o jogo para Fred matar no peito, à futvôlei, para Neymar pegar um tirambaço de direita e fazer um GOLAÇO, para ouvir seu nome entoado em coro no estádio"

Foto: Flavio Florido/UOL

Neymar, fez um golaço, foi bem marcado, driblou, só não fez chover porque já tinha saído quando começou

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri
Fonte: Blog do Juca Kfouri

A “festa” de abertura foi chinfrim, mas isso não tem a menor importância porque quem quer ver futebol quer ver futebol.

Os telefones não funcionavam na tribuna de imprensa, o 3G caiu ainda antes de o jogo começar e o pau comia lá fora, com barulho de bombas sendo percebidos mesmo com música alta no Mané Garrincha.

Dois “fiscais” da Anatel, assim identificados em suas camisas, com uma geringonça nas mãos, sentados para ver o jogo, se surpreederam ao saber o que ocorria…

Os monitores de TV da tribuna de imprensa tinham sua marca, Semp Toshiba, ocultada por fitas pretas porque o patrocinador da Fifa é a Sony…

Imagine na Copa.

Foto: Ivan Pacheco/Veja

Mas nada se comparou à cara da presidenta Dilma Roussef quando foi estrepitosamente vaiada ao lado de Joseph Blatter, que pediu fair play para ser ainda mais vaiado. Como ela, ao declarar a Copa das Confederações oficialmente aberta.

É o preço que paga quem se cala diante das iniquidades do país e faz acordos espúrios para sobreviver, como seus antecessores.

Mas o Brasil, parece, está acordando.

José Maria Marin, escondido pelo cerimonial, acabou se dando bem…

É claro que dirão que foram os brancos, a elite que vaiou a presidenta. Pode ser. Mas o excluídos estavam fora do estádio tomando bomba na cabeça.

No gramado, o inverso.

Com 3 minutos, Marcelo virou o jogo para Fred matar no peito, à futvôlei, para Neymar pegar um tirambaço de direita e fazer um GOLAÇO, para ouvir seu nome entoado em coro no estádio.

Oscar errou um passe no meio de campo e armou o contra-ataque japonês, mas Honda mandou a bola no Palácio da Alvorada, onde, certamente, Dilma preferiria estar.

Honda fez Julio César bater roupa na secura do Distrito Federal e a Seleção mais ameaçava que cumpria, com sua saída de bola marcada pelos japoneses.

Até que ponto aguentariam aquele ritmo com o fuso horário ao contrário?

Hulk tabelou com Daniel Alves e por pouco o Brasil não ampliou, aos 21.

O Brasil trocava passes e Marcelo os errava.

Foto: Ivan Pacheco/Veja

Torcedora feliz

Aos 24, o juiz português entendeu o coro que o mandava tomar naquele lugar.

E a torcida cantava que é brasileira, com muito orgulho.

Ah, e muito amor.

Os dois únicos times classificados para a Copa 14 não homenageavam o futebol na abertura do evento teste.

Marcelo fez uma jogadaça e Fred bobeou.

Felipão via seu time jogando com a paciência do Barcelona e não devia estar gostando, porque acha o jogo do time catalão, “chato”.

Hulk bateu falta com violência e amassou a lataria do Honda.

Ali pelos 40, “Lucas”, “Lucas”, como se ele fosse…ah, deixa pra lá.

Mas Hulk logo calou a galera mandando uma bomba, das boas, rente à trave, para em seguida, uma combinação entre Neymar e Fred quase resultar no segundo gol antes de o primeiro tempo acabar sem vaias nem com aplausos entusiasmados, mas com alguns.

Foto: Associated Press

Que viraram euforia quando Paulinho, nos mesmos 3 minutos do gol inicial, deu bela virada para ampliar: 2 a 0.

E tome toque de bola.

Curiosamente, o goleiro Kawashima fizera menos defesas que Júlio César, aliás, soltando bolas fáceis.

A massa pedia Lucas como se fosse…, ah, deixa pra lá.

Mas Felipão esquentava Dantes, Hernanes e Jô.

Provavelmente para avançar David Luiz e poupar a costela de Fred.

Jo entrou e fez o dele
Só Neymar divertia a galera, com dribles insinuantes sob o olhar respeitoso de seu marcador, Uchida.

Júlio César fez boa defesa, mas a torcida, mais de 67 mil torcedores, aplaudiu mesmo foi o ataque japonês, numa demonstração do tal fair play pedido por Blatter.

Às vésperas de a torcida dormir, Felipão, que de bobo não tem nada, mudou de planos, evitou ser vaiado como foram os poderosos e tratou de botar Lucas para jogar, aos 28, no lugar de Neymar, que se machucara.

Sobraram aplausos para quem saiu e para quem entrou, extensivos ao treinador certamente, pelo menos na cabeça dele.

Depois saiu Hulk e entrou Hernanes e deu para sentir que o atacante começa a ganhar a galera.

Fred, que só faz gols quando é mesmo preciso, saiu para entrar Jô.

Caía uma leve chuva quando, nos acréscimos, em contra-ataque, Oscar deu para Jô completar a festa em campo: 3 a 0.

A estreia brasileira foi bem melhor que a abertura da Copa, Dilma que o diga, assim como dirão os ativistas que foram bombardeados, os torcedores que ficaram horas na fila dos ingressos e os jornalistas que tiveram más condições de telecomunicações. Mas estes últimos que se danem.

O governo e a Fifa amargaram uma enorme reversão de expectativas e Felipão, se continuar a mostrar trabalho assim, pode se candidatar à presidência…

Foto: Antonio Milena/Veja



NOTAS

Júlio César, soltou bolas e fez boas defesas: 7;
Daniel Alves, ficou mais preso, desceu pouco e aí combinou bem com Hulk: 7;
Thiago Silva e David Luiz no mesmo bom nível: 7;
Marcelo errou muito no começo, cresceu do meio para o fim: 7;
Luiz Gustavo, sério às pampas, deu um chutão que deve ter deixado Felipão encantado:7
Paulinho, quase como no Corinthians, foi muito bem: 7,5
Oscar, cumpridor, hoje sem maior brilho, a não ser no passe brilhante do terceiro gol: 7;
Hulk, sempre um perigo, para o bem ou para o mal. Eu gosto: 7;
Fred, discreto, mas deu o gol para Neymar: 7;
Neymar, fez um golaço, foi bem marcado, driblou, só não fez chover porque já tinha saído quando começou: 8;
fez o gol e leva 7, enquanto Lucas e Hernanes ficam sem nota;
Felipão fez o que tinha de fazer: 7,5
*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original

6 de jun. de 2013

Branquearam o futebol, de Juca Kfouri, para a Folha de S.Paulo

BRASIL – Opinião
Branquearam o futebol
Juca Kfouri comenta o fenomeno da ausência de negros e até mestiços como ídolos do nosso futebol

Foto: Luiz Paulo Machado/Placar

O fotografo Luiz Paulo Machado flagrou o suor na camiseta do Rei Pelé formando o desenho de um coração. Foi publicada em 1970 na Revista Placar. Essa imagem é real, não tem truques, não é montagem, na época photoshop ainda não tinha sido inventado

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri, coluna Folha de S.Paulo
Fonte: Folha de S.Paulo

Que perdoem os que vivem num país tão diferente que imaginam não haver racismo no Brasil.

Que perdoem, ainda, os que diziam que a política de cotas é que estabeleceria discriminação racial em nossas faculdades, o que os fatos têm desmentido à exaustão.

Que perdoem, também, os complacentes de plantão que a tudo justificam, até a entrega de estádios inacabados, sujos, com entornos perigosos, por mais que as obras tenham estourado todos os prazos e quase dobrado os custos.

Porque o preço médio do ingresso na reabertura do Maracanã ficou na casa dos R$ 150!

Negros, no estádio, só os que lá foram para trabalhar.

Dê uma olhada neste time, dos anos 80, convocado por Telê Santana: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Edinho e Pedrinho; Falcão, Sócrates e Zico; Dirceu, Careca e Éder. Sabe o que ele tem de extraordinário, apesar de jamais ter entrado em campo, embora os 11 tenham convivido na mesma concentração para a Copa da Espanha? São todos brancos.

Fruto do momento em que a várzea perdeu para a especulação imobiliária, do surgimento das escolinhas de futebol e, é claro, de circunstâncias aleatórias.

Curiosamente, os maiores ídolos dos times mais populares do eixo Rio-São Paulo eram brancos, Zico e Sócrates, filhos da classe média.

João Saldanha se preocupava e apelava: "Não acabem com os nossos crioulos!".

Do time que disputou a Copa de 1982, Luisinho, Júnior, Toninho Cerezo e Serginho eram os titulares que davam o tom mestiço que sempre caracterizou nossas seleções de Djalma Santos, Didi, Mané Garrincha, Pelé, Zózimo, Amarildo, Jairzinho, Brito, Everaldo, Cafu, Aldair, Márcio Santos, Mauro Silva, Mazinho, Romário, Ronaldos, Rivaldo, Roque Júnior, Gilberto Silva, Kleberson, Roberto Carlos, para citar apenas os titulares campeões mundiais.

Será que teremos de criar cotas também nos estádios, para evitar que a elitização em marcha exclua ainda mais os excluídos? Se até no velho Pacaembu, nos jogos mais cotados do Corinthians, é perceptível o branqueamento, como será nos novos estádios da Copa-14, chamados impropriamente de arenas?

Dia desses esta Folha fez certeiro editorial sobre as oportunidades que a nova situação enseja para a modernização do futebol brasileiro.

Organização, conforto, segurança e bons gramados, tudo é essencial e há décadas se luta por isso.

Como não se deve esquecer de que o bom gestor do negócio do futebol haverá de ser aquele profissional que, friamente, for capaz de exacerbar a paixão.

Que perdoem as arenas, mas sem os crioulos a paixão será absorvida pela areia virtual e movediça que as caracterizam, porque até do ponto de vista puramente da língua elas são uma fraude, plastificadas, pasteurizadas e higienizadas.

4 de jun. de 2013

Neymar na Catalunha e a Seleção Brasileira em Goiânia, de Juca Kfouri, para CBN

BRASIL - Opinião
Neymar na Catalunha e a Seleção Brasileira em Goiânia
Ao passar a noite em Barcelona, Neymar não poderá treinar hoje com a Seleção Brasileira em Goiânia, um despropósito para um time que jogará, no domingo, em Porto Alegre.

Foto: Reuters

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri, para CBN
Fonte: Blog do Juca Kfouri

Neymar fez tudo como manda o figurino ao se apresentar ao Barcelona.

Falou em catalão no Camp Nou, disse que chegava para ajudar Lionel Messi a continuar como melhor do mundo e que realizava seu sonho de infância.

Até dormiu na cidade em que vai morar, cidade que, como Santos, tem mar, motivo de gozação em faixas da torcida catalã lembrando o presidente do Real Madrid que a capital da Espanha “não tem mar nem Neymar”.

Mais Neymarketing, impossível.

Ao passar a noite em Barcelona, Neymar não poderá treinar hoje com a Seleção Brasileira em Goiânia, um despropósito para um time que jogará, no domingo, em Porto Alegre.

Absurdo fruto da velha politicagem que prejudica a Seleção desde quando se inaugurou o velho Maracanã, em 1950, e que foi, agora, motivo de justas queixas de Carlos Alberto Parreira.

A razão da lambança é clara: de mal com o governo federal, José Maria Marin busca apoio na oposição.

Aí, agrada desde o governador tucano de Goiás, Marconi Pirillo, até o candidato à presidência da República, Aécio Neves, do PSDB, que levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao camarote da CBF no novo Maracanã para ver o empate com a Inglaterra.

Os jogadores da Seleção não têm nada a ver com isso, mas pagam o pacto e perdem pelo menos um dia de treinamentos antes de enfrentar a desfalcada França, que virá ao Brasil sem sua maior estrela, o craque Franck Ribéry, do Bayern Munique.

17 de dez. de 2012

O mundo tomado por um bando de loucos, por Juca Kfouri, para a CBN

BRASIL - Opinião
O mundo tomado por um bando de loucos
Juca Kfouri comenta sobre a participação da torcida do Corinthians na vitória de Yokohama

Foto: Blog do Juca

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri, para a CBN
Fontes: Blog do Juca

Abra bem os olhos, aguce bem os ouvidos e perceba.

Para onde quer que você olhe, venha o som de onde vier, uma coisa é certa nesta segunda-feira: o mundo ficou preto e branco e de todos os cantos se ouve alguém dizer: “Volta, Corinthians!”.

Sim, depois do mantra “Vai, Corinthians!”, ter invadido o Japão nas últimas duas semanas, agora a expectativa é outra, é pela chegada dos heróis do bicampeonato mundial.

Os manos fiéis querem ver Cássio, Guerrero, Tite, querem ver a nova taça que irá morar no museu do Parque São Jorge, belíssimo, por sinal.

Os corintianos estão em estado de graça e não é para menos.

No dia 4 de dezembro do ano passado eles comemoram a conquista do Campeonato Brasileiro; no dia 4 de julho deste ano, a Libertadores e, agora, de novo, o Mundial da Fifa.

Na celebração do pentacampeonato brasileiro, o maior homenageado foi o Doutor Sócrates, que nem viu conquista, porque resolveu ir embora pouco antes, pela madrugada.

Na festa da Libertadores, sob lua de São Jorge, comemorou-se a invencibilidade de um grupo tão forte que destronou o Boca Juniors, além do campeão anterior, o Santos.

Ontem, finalmente, no estádio de Yokohama, que passou pela mesma metamorfose do de Toyota, ambos transformados em Pacaembu, a festa foi da Fiel com a Fiel e para a Fiel.

Porque nunca mais o Mundial de Clubes será o mesmo depois da invasão corintiana, coisa que levou o reservado jornal londrino The Guardian a classificá-la como fantástica.

E a Fiel que ficou não vê a hora de receber a que foi e, de quebra, Tite e seus campeões.

Por isso, “Volta, Corinthians!”, e seja muito bem-vindo na manhã de amanhã.

O bando de loucos o espera de braços abertos.

Foto: Blog do Juca

Corinthianos comemorando na Avenida Paulista

Fotos: Flavio Florido/UOL

Torcida do Corinthians toma as ruas de Yokohama horas antes da final contra o Chelsea


Torcida do Corinthians toma boa parte do estádio de Yokohama, onde aconteceu a final do Mundial de Clubes contra o Chelsea


*Acrescentamos fotos e legenda a publicação original

30 de nov. de 2012

A Copa do Fuleco, por Alvaro Oliveira Filho, para O Lance

BRASIL – Copa do Mundo 2014
A Copa do Fuleco
“Acreditei fulecamente quando o ex-presidente Lula garantiu que teríamos estádios moderníssimos sem que fosse gasto um centavo sequer do dinheiro publico.” “Conclusão?” “Fulequei-me”.


Fuleco o tatu bola, mascote da Copa do Mundo 2014

Postado por Toinho de Passira
Texto de Alvaro Oliveira Filho, para O Lance
Fonte: Blog do Juca Kfouri

Não sei quanto a vocês, mas eu achei genial o nome da mascote da Copa do Mundo no Brasil. FULECO…

Querem um nome que se identifique mais com a nossa Copa do que este?

Fuleco vai virar verbo, adjetivo, advérbio.

No próximo Enem podem se preparar para conjugar o verbo fulecar: eu fuleco, tu fulecas, ele fuleca, nós fulecamos, vós fulecais, eles fulecam. É questão certa.

Eu, por exemplo, comemorei a escolha do Brasil como sede da Copa.

Acreditei naquele discurso de que a Copa nos ajudaria a tomar vergonha na cara e começar a trabalhar com planejamento por um país melhor.

Acreditei fulecamente quando o ex-presidente Lula garantiu que teríamos estádios moderníssimos sem que fosse gasto um centavo sequer do dinheiro publico.

Conclusão?

Fulequei-me. Mas, sejam sinceros, não fui só eu. Vão dizer que vocês não se fulecaram também?

Fuleco é tão genial, que poderia virar sobrenome do presidente da CBF e do Comitê Organizador Local.

Já imaginaram? José Maria Fuleco.

Seria o máximo. Fuleco pode ganhar o mundo: Joseph Fuleco Blatter… Jerome Fuleco Valcke… Imaginem os cumprimentos: “Senhor Marín, o senhor está com uma gravata muito fuleca hoje”…

Querem fulecagem maior do que demitir o técnico da Seleção, prometer anunciar o nome do substituto em janeiro e refazer tudo às pressas, da noite para o dia?

A cúpula da CBF simplesmente não levara em consideração que haveria uma cerimônia oficial da Fifa neste sábado e que seria um vexame desfulecal a seleção-anfitriã não ter um técnico para representá-la.

Na hora da coletiva para apresentar o novo técnico e o novo coordenador-técnico, o presidente da CBF ainda consegue errar duas vezes o nome de Carlos Alberto Parreira… Presidente, o senhor precisa tomar fulecol para reativar a memória.

Amigos, acreditem, não poderia haver nome melhor.

No futuro, nossos netos e bisnetos poderão pesquisar nos sites: “2014, a Copa do Mundo Fuleca”.

Tenho a impressão de que ainda vamos sentir orgulho deste nome, diferentemente dos padrinhos da mascote, que, de tanta vergonha, fizeram o batismo na calada da noite de um domingo chuvoso.

Não é uma bela fulecagem? É fantástico.


*Publicado hoje no diário “Lance!”

8 de set. de 2012

SELEÇÃO BRASILEIRA: Hulk salva a Pátria

BRASIL – Seleção Brasileira
Hulk salva a Pátria
“Só a irritação evitava o sono profundo.”

Foto: Foto:Leonardo Soares/UOL

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri
Fonte: Blog do Juca Kfouri


Com 20 minutos de atraso por motivos típicos de jogos da várzea — os dois times com camisas passíveis de confusão e Marcelo com camisa rasgada –, Brasil e África Sul começaram o amistoso no Morumbi, surpreendentemente mais cheio que vazio, com 51.538 torcedores, uma torcida de classe média alta, com pouca cara de torcida torcida, não sei se você entende.

E sob o coro que pedia, injustificadamente, por Luís Fabiano, coisa evidentemente dos torcedores do São Paulo, dono do estádio.

A primeira chance clara de gol foi dos visitantes que exigiram difícil defesa de Diego Alves, aos 12 minutos.

Quatro minutos depois, Dedé devolveu, de cabeça, a oportunidade de abertura do placar.

O jogo era fraco, como fraca é a África do Sul, daqueles times que Mano Menezes, com razão, dizia não querer enfrentar quando assumiu a Seleção, mas que, ao que tudo indica, as circunstâncias o obrigaram a aceitar,

A retranca africana não permitia desenvoltura ao time nacional.

Claro que seria melhor enfrentar um adversário mais qualificado que não se limitasse a jogar pelo empate, que tivesse a ambição de vencer e atuar de igual para igual.

Aos 37, as vaias tomaram conta do estádio, porque Neymar era o Neymar da Seleção, não do Santos, porque Lucas estava tímido e Leandro Damião, estático.

Além do mais, quem poderia vir de trás feito elementos surpresas, como os volantes, não vinham.

E Marcelo abria sua caixa de ferramentas irresponsavelmente.

Aos 42, Neymar teve a chance de mudar o humor da torcida para o segundo tempo, mas perdeu um gol cara a cara, ao chutar em cima do goleiro africano, depois de estupendo lançamento de Daniel Alves.

Era esperar pelo fim do primeiro tempo para medir o tamanho dos apupos, porque a massa gritava “olé” quando os africanos trocavam bola.

Os 12os. do ranking empatavam sem gols com os 74os. e foram para o intervalo sob vaias amplas, gerais e irrestritas.

Merecidas, sem dúvida.

O Brasil voltou igual para o segundo tempo, quando parecia evidente que Paulinho e Arouca poderiam mudar a cara do jogo.

Aos 2, Lucas começou bem e terminou mal uma jogada, mas foi o suficiente para ser saudado pelos tricolores no seu estádio.

Os africanos responderam com dois ataques assustadores e Neymar desperdiçou um contra-ataque por mergulhar ridiculamente no gramado, que nem molhado estava, muito ao contrário, mais seco impossível.

Só a irritação evitava o sono profundo.

E pensar que tem tanto time desfalcado em jogos importantes no Brasileirão por causa desse joguinho…

Aos 10, jogada colorada entre Oscar e Damião quase resulta em gol. Quase…

Aos 14, Marcelo, o sem noção, deu lugar a Alex Sandro, que não é tão bom, mas pensa.

Aos 18, Paulinho e Hulk, substituíram Rômulo e Damião e a torcida seguia impaciente.

Aos 27, saiu Lucas e Jonas entrou.

“Burro! Burro! Burro!”

Quem?

O Lucas? O Jonas?

Quem?

Dois minutos depois, Hulk, deu ótimo passe para David Luiz na esquerda e, ao pegar rebote do goleiro no chute cruzado do próprio David Luiz, fez 1 a 0, estufando a rede.

Como na Olimpíada, o injustiçado, pela crítica e por Romário, Hulk entrou e melhorou o time.

Até ao botar uma bola na cabeça de Neymar, que quase ampliou. Quase…

O ex-jogador do Porto, objeto de transação milionária para o Zenit, da Rússia, merece ser titular no Recife, contra a China, 78a. do ranking da Fifa.

Diego Alves teve de fazer nova difícil intervenção e Neymar, de novo, quase ampliou. Quase…

Daí, Neymar saiu sob vaias para Arouca entrar, aos 44, coisa que só Mano Menezes saberá explicar.

Aos 44?!

Para ver Arouca?

Para expor Neymar?!

No 190o. aniversário da Independência do Brasil, Hulk salvou a Pátria.

Não o suficiente para evitar as vaias ao fim do jogo, as quais, certamente, não foram para ele, que só mereceu aplausos.

Ele, o goleiro Diego Alves e, na batata, mais ninguém.