13 de mar de 2012

Cai Romero Jucá, na continuação do dia de São Nunca

BRASIL- SENADO
Cai Romero Jucá, na continuação do dia de São Nunca
Cristiana Lobo no seu Blog comenta que havia uma lenda que apesar de nunca se saber por antecipação os resultados eleitorais, uma coisa era, porém, certa, o líder do governo no senado seria o pernambucano Romero Jucá, há 12 anos no cargo, desde os tempos em que o presidente era Fernando Henrique Cardozo. Dilma usou uma rebelião do PMDB para num só golpe derrubar Jucá e ameaçar as lideranças de Sarney e Renan Calheiros no Senado, colocando no lugar o independente Senador Eduardo Braga (PMDB-AM)

Foto: Renato Araujo/AgenciaBrasil

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) resiste em acreditar que perdeu o cargo de líder do governo no Senado. Mas ele já era.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Agência Brasil, Blog da Cristiana Lobo, Terra

No inicio da tarde de ontem, a presidente Dilma Rousseff comunicou ao PMDB que estava tirando o líder do governo no Senado, Romero Jucá. A decisão da presidente é a reação revanche depois da derrota do governo, com a recusa da recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência de Transporte Terrestre, ANTT, no Senado. A derrota do governo, que tem ampla maioria no Senado, foi uma demonstração de força do PMDB rebelado, que anda queixoso, em busca de mais poder e mais verbas, em liberações de emendas parlamentares.

Quem pagou o pato foi Romero Jucá que ocupava o cargo há mais de 12 anos – desde o governo Fernando Henrique Cardoso, passando pelos oito anos do governo Lula e este primeiro ano de Dilma Rousseff.

A saída de Jucá abala o grupo que comanda o Senado há muitos anos, do qual fazem parte o presidente da Casa, José Sarney, o líder da bancada do PMDB, Renan Calheiros, e o vice-presidente do PMDB, Valdir Raupp, agora reforçado com a chegada de Jader Barbalho ao Senado.

Desde o início do atual legislatura, foi formado no Senado um grupo de dissidentes da bancada do PMDB, chamado “Grupo dos Oito”, que resiste à liderança de Sarney e Renan sobre a bancada. Neste grupo, estão, além de Eduardo Braga, os senadores Ricardo Ferraço, Luiz Henrique, Vital do Rego, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e Roberto Requião.

Foto: Renato Araujo/Agencia Brasil

Eduardo Braga, o novo líder do governo no Senado, a resposta de Dilma, a chantagem do PMDB de Sarney e Renan

Braga já governou o Amazonas por dois mandatos, mas é estreante no Senado. Logo na chegada, ele marcou diferenças com o grupo dominante na Casa e no partido, formado por José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá – agora reforçado pela chegada recente de Jader Barbalho. A partir de agora, Eduardo Braga passa a dividir o poder que antes era do grupo.

Lula não abria mão do apoio do trio Sarney-Renan-Jucá. Por isso, mesmo se expondo, pôs sua mão protetora sobre eles que em algum momento estiveram sob uma saraivada de denuncias de corrupção. Agora, Dilma destitui Jucá da liderança e enfraquece o grupo.

Esse movimento no tabuleiro do xadrez político, pode ter um resultado futuro de consequências alvissareiras, se Eduardo Braga se sair bem no papel de líder, ele poderá se cacifar para ser indicado presidente do Senado no próximo ano, no lugar do enfraquecido Renan Calheiros, que contava a indicação como favas contadas.

Cristiana Lobo no seu Blog fala também da possibilidade de se retirar Edison Lobão do Ministério de Minas e Energia para ele assumir a candidatura à presidência do Senado. Na verdade dificilmente Lobão ganharia a eleição, mas a sua saída do poderoso e rico ministério, minguaria o poder de Sarney, o seu padrinho político.

Não se pode negar que Dilma com um gesto, está promovendo uma faxina e tanto no Senado Pemedebista, mas ela vai precisar de mais munição, pois tanto o mafioso Sarney, quanto o cangaceiro Renan Calheiros, não vão aceitar tudo isso mansa e pacificamente, por certo vão por jagunços de tocaias nas veredas do Senado a espera dos próximos interesses políticos da presidenta.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

Esperar para ver como os enfraquecidos e peçonhentos Sarney e Renan Calheiros vão reagir.


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