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5 de jul. de 2013

Depois dos contratempos na Europa, Evo Morales é recebido, com festa, em La Paz

BOLÍVIA – Incidente Diplomático
Depois dos contratempos na Europa,
Evo Morales é recebido, com festa, em La Paz
Depois de 14 horas de espera, o avião que transportava Morales, forçado a pousar em Viena obteve permissão de Portugal, Espanha, Itália e a França, de sobrevoar os seus territórios, que havia sido negado no dia anterior. Suspeitavam que Morales havia dado uma carona ao espião americano Snowden, procurado pelo EUA. Ao chegar em casa, Morales instou os países europeus a "libertaram-se do império americano". Disse que não bastarão as desculpas dos países europeus que proibiram o uso de seu espaço aéreo e anunciou que seu país tomará medidas diante de organismos internacionais.

Foto: Jorge Bernal / AFP

Evo Morales ganha colares e chuva de pétalas em seu retorno à Bolívia

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Folha de S. Paulo, Pagina Siete, La Razon, El Dia, El Pais

Depois de um voo de 17 horas entre Viena e La Paz e 14 horas parado no aeroporto da capital austríaca aguardando autorização para trafegar no espaço aéreo europeu, o presidente da Bolívia, Evo Morales, finalmente chegou ao seu país no início da madrugada de ontem. O boliviano atribuiu o incidente a uma conspiração orquestrada pelos EUA e disse que analisará o fechamento da embaixada americana em La Paz.

Abatido pela longa viagem, o presidente foi recebido como herói no aeroporto de El Alto, afirmando que "alguns países da Europa têm de se libertar do império americano". Portugal, França, Espanha e Itália impediram a passagem sobre seus territórios do avião que trazia Evo da Rússia, segundo o governo boliviano, em razão da desconfiança de que o ex-agente americano Edward Snowden - que revelou à imprensa detalhes sobre a espionagem dos EUA e é procurado pelas autoridades do país - estivesse a bordo.

"Não vão nos assustar porque somos um povo que tem dignidade e soberania", disse Evo diante de dezenas de correligionários que o esperavam no aeroporto, que cobriram o presidente com colares de flores, cachecóis tradicionais indígenas e papel picado.

Quando estava na Rússia para uma reunião de países produtores de gás natural, Evo declarou que analisaria um pedido de asilo político feito por Snowden. Horas depois de chegar à Bolívia, ele afirmou que não aceitará meros pedidos de perdão sobre o incidente diplomático.

"A posição firme que vamos assumir no governo nacional é se fazer respeitar, ante os organismos internacionais, as normas, os tratados internacionais. Não bastam somente as desculpas de algum país que não nos permitiu passar pelo seu território", disse Evo.

Na quarta-feira, o presidente da França, François Hollande, a gafe diplomática a "informações contraditórias", afirmando que, quando a presença de Evo foi confirmada na aeronave, sua passagem foi garantida. O chanceler francês, Laurent Fabius, lamentou o "contratempo". Os outros países que proibiram a passagem da comitiva boliviana, até ontem, não haviam comentado o incidente.

Cúpula

Em Cochabamba, a União de Nações Sul-Americanas fez ontem uma reunião para apoiar a Bolívia com a presença dos presidente de Argentina, Equador, Venezuela, Uruguai e Suriname, além de Evo.

"Um ministro de um país europeu me disse pessoalmente que pediriam desculpas porque foram informados pela CIA de que Snowden estava a bordo", disse o venezuelano Nicolás Maduro, que prometeu rever as relações de seu país com a Espanha.

"Pelo menos uma vez na vida, espero que peçam perdão pelo que fizeram", afirmou a argentina Cristina Kirchner. Segundo Evo, seu governo estudará o fechamento das representações diplomáticas dos EUA no país para evitar uma "conspiração interna". "Não precisamos de uma embaixada americana na Bolívia", disse.
Leia ainda no “thepassiranews”:
Avião de Morales proibido de sobrevoar França, Itália e Portugal..."

24 de jun. de 2012

Líderes latinos consideram golpe o “impeachment” paraguaio

PARAGUAI
Líderes latinos consideram golpe o “impeachment” paraguaio
Os governos do Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Chile, Bolívia, México, Peru e até Cuba criticaram a forma como foi deposto o presidente Lugo e a maioria se diz dispostos a não reconhecer o novo governo do presidente Federico Franco.

Foto: Reuters

ISOLADO, ACUADO E SOLITÁRIO - o Novo presidente paraguaio, Federico Franco, no seu gabinete no Palácio Presidencial, em Assunção, neste sábado, 23, primeiro dia como Presidente da Republica do Paraguai

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, G1, Cronica, ABC, Ultima Hora, G1, BBC Brasil, Correio Braziliense

Em sua primeira manifestação sobre o impeachment do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, o governo brasileiro condenou o "rito sumário de destituição" e convocou o embaixador no Paraguai para consultas.

Em nota, o Itamaraty, disse considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental a democracia, condição essencial para a integração regional,

Adiantou que eventuais sanções ao Paraguai estão sendo avaliadas entre os membros do Mercosul e da Unasul. O Itamaraty diz, no entanto, que o governo brasileiro "não tomará medidas que prejudiquem o povo irmão do Paraguai".

Lugo foi deposto na sexta-feira pelo Congresso paraguaio com base em artigo da Constituição que lhe confere poderes para julgar politicamente o presidente.

Entretanto, por ter durado apenas 24 horas, o processo foi considerado por governos da região como um golpe de Estado "branco" contra Fernando Lugo, o primeiro político de esquerda a chegar à Presidência paraguaia.

A convocação do embaixador brasileiro para consultas, que no protocolo diplomático indica séria reprovação à decisão paraguaia, foi anunciada horas após a Argentina adotar a mesma postura.

INDIGNADO - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que seu país "não reconhece a este nulo, ilegal e ilegítimo governo que se instalou em Assunção".
A chancelaria argentina afirmou que a representação diplomática do país ficará a cargo de um encarregado de negócios "até que seja restabelecida a ordem democrática" no Paraguai.

Ainda neste sábado, a OEA (Organização dos Estados Americanos) também reprovou o impeachment de Lugo. Em nota, José Miguel Insulza, secretário-geral da organização, disse que a destituição foi um "julgamento sumário que, ainda que formalmente apegado à lei, não parece cumprir com todos os preceitos legais do Estado de direito de legítima defesa".

"O que nos preocupa não é somente o respeito ou a falta de respeito à lei, mas que a norma escrita seja interpretada de forma propícia para alterá-la com fatos."

Governos de Argentina, Venezuela, Equador, Chile, Bolívia, México e Peru criticaram o processo de impeachment do presidente do Paraguai.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou que a situação em Assunção é "inaceitável". "Sem dúvidas, houve um golpe de Estado", disse Cristina.

O presidente equatoriano Rafael Correa acredita que foram ignorados procedimentos no processo de destituição de Lugo. "Já chega destas invenções na nossa América, isto não é legítimo, e não acredito que seja legal. O governo do Equador não reconhecerá outro presidente do Paraguai que não seja o senhor Fernando Lugo", criticou.

Evo Morales, presidente da Bolívia, elogiou o trabalho de Lugo no comando do Paraguai. "A Bolívia não reconhecerá um governo que não surja das urnas e do mandato do povo", disse. Segundo ele, Lugo estava acabando com os "grupos de poder" no país, o que "sempre tem um custo".

O chanceler do Chile, Alfredo Moreno, disse que "claramente, isso não cumpriu os padrões mínimos do devido processo e a legítima defesa que merece qualquer pessoa, e é isso que nos preocupa."

Os governos do Peru e do México também se pronunciaram contra o processo. Até Cuba do ditador Rául Castro, condenou energicamente oq eu classificou de golpe de Estado parlamentar e anunciou que não reconhecerá o novo governo de Federico Franco, nomeado depois de sua destituição.

O governo de Cuba "não reconhecerá autoridade alguma que não venha do voto legítimo e do exercício da soberania por parte do povo paraguaio", informou uma declaração de sua chancelaria, lida no telejornal local.

O comunicado destacou que "este golpe se soma à longa lista de atentados contra a autodeterminação dos povos latino-americanos, sempre realizados pelas oligarquias com a autoria, a cumplicidade ou a tolerância do governo dos Estados Unidos", a fim de "frear os processos de mudanças progressistas e de genuína integração" na América Latina.

Nos bastidores diplomatas concordam que vai depender da reação da população paraguaia ao impeachment as decisão do Mercosul e da Unasul sobre a aplicação de sanções ao Paraguai, como a exclusão do país dos blocos regionais. O protocolo do Mercosul prevê a possibilidade de exclusão de país membro que viole princípios democráticos.

Foto: Associated Press

ALIADA - Dilma, na foto, reunida com Lugo, em viagem oficial ao Paraguai, junho de 2011, vê nas circunstância do “impeachment” uma ameaça a democracia

Segundo um interlocutor da Presidência brasileira, se não houver "clamor popular" contra a destituição de Lugo, o fato indicará que a responsabilidade pela perda de apoio político é do próprio presidente paraguaio. Nessa circunstância, o Mercosul poderá reconhecer o novo governo.

Mas, se houver manifestações contundentes a favor de Lugo, Mercosul e Unasul deverão abrir processo de discussão sobre eventuais sanções ao Paraguai no âmbito dos blocos – diz o site G1.

A BBC Brasil diz que no dia seguinte à queda do ex-presidente, a capital Assunção viveu um sábado como outro qualquer. Nas ruas da região central, que na noite de sexta-feira foram palco de confrontos entre apoiadores do ex-líder e policiais, o comércio funcionava normalmente e não se via qualquer protesto.

Em frente ao Congresso, onde os manifestantes se concentraram no dia anterior, a única agitação provinha de uma feira ao ar livre, onde clientes compravam frutas e verduras.

"Já se foram todos", disse à BBC Brasil o funcionário público Fabián Balbuena, referindo-se aos cerca de 5.000 manifestantes presentes na véspera. Eles protestavam contra um julgamento instaurado pelo Congresso na quinta-feira contra Lugo.

Mas as coisas não serão fáceis para o novo presidente: já se noticia que partidos de esquerda, movimentos sociais, campesinos, agrários e indígenas, além de centrais sindicais e de trabalhadores rurais formaram neste sábado (24) a “Frente pela Defesa da Democracia no Paraguai”, que promoverá uma série de manifestações e atos pelo país pedindo o retorno de Fernando Lugo ao poder.

Foto: Fernando Romero/ ABC Color

BOCA NO TROMBONE - Lugo na madrugada desse domingo, nas ruas de Assunção, junto aos manifestantes que protestavam contra a sua deposição

O próprio presidente deposto, Fernando Lugo, surpreendeu um grupo de manifestantes que protestavam contra a sua destituição, diante da TV Pública, na madrugada desse domingo, 24.

Em meio a seus seguidores e flashes de câmeras, Lugo falou que havia aceitado o veredito injusto do parlamento em nome da “paz e da não violência”. Lembrou que "ditadura não é apenas militar, mas também parlamentar...”

Conclamou a população a um protesto pacífico, porque “deixaram de lado a democracia e não respeitaram a vontade do povo.”

Antes Fernando Lugo havia dito a jornalistas que pretendia se candidatar a senador no próximo pleito, que acontecerá em 12 de abril do próximo ano, e apresentaria um candidato a presidente da republica, para enfrentar o candidato do governo de Frederico Franco.

Foto: Getty Images

APOIO PAPAL - A visita oficial do núncio apostólico do Vaticano Eliseu Ariotti, ao presidente Frederico Franco, neste sábado, 23, sinaliza que Roma reconhece como legítimo o “impeachment”. Fernando Lugo, não era bem visto pela sua igreja desde que quatro mulheres requererem reconhecimento de paternidade de filhos do bispo presidente

O novo presidente paraguaio, Federico Franco, não esperava uma reação dos lideres latinos nessa proporção e tenta amenizar os fatos, dizendo-se disposto a procura-los, em especial a presidenta Dilma, para explicar exatamente que o ocorrido, não teria nada a ver com um golpe. Declarou até que irá pedir ajuda ao presidente deposto, Fernando Lugo, para evitar que o Paraguai sofra com o isolamento internacional.

Por enquanto delegou ao novo chanceler, Jose Felix Fernandez, a missão de apaziguar os ânimos dos países vizinhos e explicou a imprensa:

"Aqui não houve golpe nem quebra institucional. Temos pleno respeito pela Constituição",

O artigo 225 da Carta Magna paraguaia prevê procedimento para iniciar um julgamento político de um funcionário eleito se ele for considerado responsável por algum delito. Com a anuência de ao menos dois terços da Câmara e do Senado, o presidente pode ser cassado – o que foi o caso de Lugo, removido em votação quase unânime.

"Estamos arrumando a casa primeiro e depois vamos entrar em contato com os países vizinhos. Estou certo de que vão compreender a situação no Paraguai", afirmou Franco.

O temor do Paraguai não é somente o isolamento diplomático internacional, mas também impactos econômicos pela troca no comando.

A Unasul pode impor sanções comerciais ao país, afetando uma economia que vinha crescendo de forma consistente há três anos. Franco disse não acreditar em possíveis sanções do Mercosul e do Brasil.

"Não creio que o Brasil tenha que nos aplicar uma sanção comercial, já que os mais afetados são os brasileiros que têm investimentos em partes do nosso país". Cerca de 400 mil brasileiros, conhecidos como "brasiguaios", em sua maioria produtores rurais, vivem há décadas no Paraguai.- concluiu esperançoso.

Foto: UOL/Esportes

APOIO DE PEITO A modelo Larissa Riquelme, apoia o presidente deposto Fernando Lugo. Disse no seu Twitter, que estava “indignada com os acontecimentos em meu país”. Engajada disse ainda: “Gracias de corazón a todos los países que se están solidarizando con nosotros"


Leia no “thepassiranews”:
Impeachment “paraguaio” destituiu o presidente Lugo

22 de jun. de 2012

Impeachment “paraguaio” destituiu o presidente Lugo

PARAGUAI
Impeachment “paraguaio” destituiu o presidente Lugo
Na quinta-feira, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou o início do processo de impeachment, contra o presidente Fernando Lugo. Apenas um deputado votou contra a medida. Nesta sexta-feira, o Senado aprovou o impeachment, O processo sofreu fortes críticas da comunidade internacional. Lugo foi considerado culpado de cinco acusações por 39 senadores. Apenas quatro votaram por sua absolvição. Menos de duas horas depois de encerrada a sessão que o condenara, Lugo era substituído pelo vice, Federico Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

Foto: Reuters

O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, discursa ao tomar posse nesta sexta-feira (22), prometendo respeitar as instituições democraticas

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Reuters, G1, Ultima Hora

O impeachment paraguaio é tão falso como costuma ser o seu uísque: o rotulo é igual, a cor é parecida e a garrafa é semelhante, mas ingerido provoca uma invariável dor de cabeça, A rapidez com que o Congresso paraguaio destituiu o seu presidente, democraticamente eleito, e a nove meses de concluir o mandato, levanta suspeitas de um golpe branco, arquitetados por parlamentares insatisfeitos, com a reprovável e suspeitíssima participação do vice-presidente Federico Franco, 49 anos, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), agora aboletado na cadeira presidencial.

Como numa peça ensaiada, pouco mais de 90 minutos depois do senado ter afastado o presidente, Lugo, por “mau desempenho de suas funções”, Franco tomou posse, com toda pompa e circunstância, numa sessão conjunta do Congresso.

A comunidade dos países sul-americanos, consideraram os acontecimentos uma perturbação na ordem democrática no continente e ameaçam isolar, o novo governo.

Em seu discurso de posse, Franco fez referência à morte de policiais no confronto armado com sem-terra em Curaguaty, um dos motivos alegados pela oposição para afastar Lugo.

"A melhor maneira de honrar nossos policiais mortos é iniciar verdadeiro desenvolvimento rural sustentável", disse.

“Este compromisso só será possível com a ajuda e colaboração de todos vocês. A única maneira de levar adiante é entendendo que o Paraguai deve ser comandado por liberais e colorados, católicos e não católicos e integrantes de todos os movimentos sociais", disse.

Franco prometeu conservar e cumprir a Constituição e as leis.

“Pretendo com a ajuda de tantos vocês, chegar a 15 de agosto de 2013, e andar com a cabeça erguida nas ruas de meu país e entregar a Presidência da República a um novo presidente eleito.” .

"Devo ratificar minha vontade irrestrita de respeitar as instituições democráticas, o Estado de direito e os compromissos assumidos pelo governo", disse.

“Não tenho ódio, tampouco remorso. Vamos caminhar juntos, todos os partidos e representações partidárias. Vamos seguir juntos." .

"Quero entregar um país organizado, sem mais mortes, com inclusão, participação de todos os setores, com a presença de ricos e pobres", disse.

Franco também disse que não pretende adotar um programa de governo, mas dar continuidade ao mandato de Fernando Lugo. Mas ele enfatizou: "o que se fez bem"..

IMPEACHMENT

O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista Lugo foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Eram necessários dois terços dos votos dos senadores para confirmar o afastamento, que foi decidido após cerca de 5 horas de julgamento.

A notícia do impeachment foi recebida sob protesto por manifestantes que ocupavam a praça em frente ao Congresso e que consideraram que houve, na verdade, um golpe contra o presidente.

Houve confusão e tentativa de invadir o prédio, reprimida pela polícia.

Fotos: Reuters

Em discurso, Lugo, reunido com seu ministério, aceitou a destituição decidida pelo Senado


"Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, hoje não é Fernando Lugo quem é destituído, é a história do Paraguai e sua democracia", afirmou Lugo na sua última fala como presidente


Lugo acompanhado de seus ministros e assessores deixa o Palácio Presidencial, em Assunção

Fernando Lugo, acusado de "mau desempenho de suas funções" pelo parlamento dominado pela oposição, decidiu não comparecer ao julgamento. Enviou sua equipe de cinco advogados para apresentar sua defesa. Eles pediram, em vão, a retirada das condenações e argumentaram que não houve tempo suficiente para a defesa.

Durante a tarde, chegou-se a anunciar que Lugo marcharia rumo ao Congresso junto com seus ministros, mas isso não se confirmou e ele acompanhou tudo do palácio presidencial, a 200 metros dali.

Ele recebeu a visita da comissão de chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), que condenou a atitude do Congresso.

A presidente Dilma Rousseff, no Rio, também apelou, em vão, por uma solução negociada para a crise.

O jornal paraguaio “Ultima Hora” diz que Dilma Rousseff sugeriu expulsar a Paraguai do MERCOSUL e da UNASUR, devido a destituição de Lugo, a que qualificou de antidemocrática.

Acrescenta que a presidenta brasileira realçou que tanto o MERCOSUL, quanto a UNASUR dispõem de cláusulas para preservar a democracia nos países integrantes e se poderia considerar que o Paraguai transgrediu a elas, diante dos últimos acontecimentos. O jornal comenta que se essas medidas forem adotadas o país sofrerá fortes consequências negativas na economia e um radical isolamento político continental.

O ministro de Finanças de Lugo, Dionisio Borda, disse que não ir ao Congresso foi uma "decisão pessoal" de Lugo, que considerou o processo contra si "inconstitucional".

Ricardo Canese, secretário-geral da Frente Guasu, aliança de partidos que elegeu o presidente, disse que o grupo iria convocar manifestações pacíficas em todo o país e uma paralisação geral caso o impeachmente fosse aprovado.

Foto: Reuters

Manifestantes protestavam diante do prédio do Congresso contra o impeachment de Lugo nesta sexta-feira (22) em Assunção

RECURSO À SUPREMA CORTE

Mais cedo, Lugo apresentou uma ação de inconstitucionalidade à Suprema Corte de Justiça do país contra o julgamento .

"O presidente reclama mais tempo para defesa", afirmou um porta-voz à imprensa, poucas horas antes do início do julgamento, que foi interpretado como um "golpe de estado branco pela comunidade latino-americana.

Lugo protestava contra o que considera o "rito sumário" em seu julgamento. Ele afirmou que iria acatar qualquer decisão do Congresso, mas que iria lutar contra sua possível deposição em "outras instâncias".

O processo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos na semana passada no interior do país.

A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira "imprópria, negligente e irresponsável.

O presidente também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas ou não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.

O caminho para abrir o processo ficou aberto depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do vice-presidente Franco, retirou seu apoio à frágil coalizão do presidente socialista.

A Câmara aprovou a abertura do processo numa votação quase unânime, por 76 votos a 1, e o Senado -onde Lugo também não tem maioria- marcou o julgamento político muito rapidamente já para esta sexta.

"Estão me fazendo um golpe de Estado 'expresso', porque fizeram entre a noite e a madrugada. Nós dizemos que é inclusive anticonstitucional, porque não se respeita o devido processo", disse Lugo, um ex-bispo católico de 61 anos, em entrevista à emissora de TV Telesur na noite de quinta-feira.

O último processo de impeachment no Paraguai havia acontecido em 1999, quando o então presidente Raúl Cubas foi acusado de envolvimento no assassinato do vice-presidente Luis Argaña e na posterior morte de sete manifestantes. Cubas renunciou e se exilou no Brasil antes da conclusão do julgamento.