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15 de out. de 2014

Caso Petrobras é epílogo para o mensalão, diz Roberto Jefferson

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
Caso Petrobras é epílogo para o mensalão,
diz Roberto Jefferson
"Ela (a presidente Dilma) está manietada, é uma presidente pela metade. Ela tem um compromisso de silêncio. Não pode expor as vísceras do partido que integra". "A Dilma está engordando. É sofrimento, ansiedade". "Na política econômica, é um desastre. Ela está desorganizando os fundamentos da economia. Adotou no BNDES uma política russa, de proteger os empresários que são compadres do governo. É como o Putin faz" - comentou Jefferson na entrevista.

Foto: Bruno Kelly/Folhapress

O petebista Roberto Jefferson, delator do mensalão, dá sua primeira entrevista após sua prisão

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Bernardo Mello Franco
Fonte: Folha de S.Paulo

No primeiro dia fora da cadeia desde que foi preso, em fevereiro, o ex-deputado Roberto Jefferson, 61, afirmou à Folha que o escândalo da Petrobras é o "epílogo do mensalão", que ele denunciou ao jornal em 2005.

O petebista diz que os dois casos tiveram a mesma motivação: financiar o "projeto do PT para se perpetuar no poder". "O mensalão foi o prefácio. Agora o Brasil está lendo o epílogo", afirma.

Jefferson acusa a presidente Dilma Rousseff de proteger corruptos para preservar seu partido e compara o aliado Aécio Neves (PSDB) ao lutador Rocky, personagem de Sylvester Stallone. "É o Aécio Balboa. Apanhou nove assaltos e virou a luta no décimo."

Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão, o ex-deputado recebeu a reportagem nesta segunda-feira (13) no escritório de advocacia em que começou a trabalhar, no Rio. Horas depois, voltaria à cadeia.

Ele quer mudar para o regime aberto daqui a seis meses e já sonha em retornar ao Congresso em 2022, quando recuperar os direitos políticos. "Eu voltarei", promete.

Folha – O sr. denunciou o mensalão no governo Lula. Como vê o escândalo da Petrobras?

Roberto Jefferson
– Se você reparar a data, isso vem lá do mensalão. É o financiamento de base, da estrutura da base do governo, para o PT se perpetuar no poder. O mensalão foi o começo da destruição do mito do PT. Esse caso da Petrobras consolida o que já vem de 2005. É o epílogo daquela história. O mensalão foi o prefácio, agora o Brasil está lendo o epílogo. O PT prostituiu a classe política.

A Petrobras é a maior empresa do Brasil, uma das maiores do mundo. Isso é o pior assalto que nós já vimos. Pega governadores, senadores, a elite do Congresso. É uma bomba atômica. No ano que vem, vamos ver muitos processos de cassação.

Como avalia o governo da presidente Dilma Rousseff?

Dilma é uma mulher séria, honrada. Mas tem uma herança de corrupção terrível do partido, que não pode expor porque pode atingir o Lula. Ela está manietada, é uma presidente pela metade. Ela tem um compromisso de silêncio. Não pode expor as vísceras do partido que integra. A Dilma está engordando. É sofrimento, ansiedade.

Na política econômica, é um desastre. Ela está desorganizando os fundamentos da economia. Adotou no BNDES uma política russa, de proteger os empresários que são compadres do governo. É como o Putin faz.

Está acompanhando a disputa eleitoral da prisão?

Leio os quatro jornais todo dia. Tenho TV na cela, acompanhei os debates. Vibrei muito com o Aécio. É meu velho amigo, fiquei muito feliz com a ida ao segundo turno.

Ele teve que aguentar dois desastres: a queda do avião do Eduardo Campos e a decolagem da Marina nas pesquisas. Era uma candidatura inconsistente, mas não é fácil vencer a emoção com a razão. O Aécio resistiu. É o Aécio Balboa, o lutador. Apanhou nove assaltos e virou no décimo, no debate da Globo. Ele mostrou, com apoio do eleitor, que não somos uma republiqueta bolivariana.

O sr. articulou da cadeia para o PTB apoiar Aécio?

Não pude liderar o processo, mas sei que muitos convencionais do PTB tomaram a decisão em solidariedade a mim. Eles não podiam apoiar o meu algoz, que era o PT.

Vai falar com ele agora?

Tudo o que eu fizer pode ser interpretado para atingi-lo. Não quero ser chibata para bater no Aécio. Sou um réu condenado, em cumprimento de pena. Não tenho que fazer isso. Minha filha [a deputada federal eleita Cristiane Brasil] dá o recado.

Na semana passada, ela esteve com ele em Brasília, na festa do Memorial JK. Eu disse: "Filha, dá um abraço nele. O pai tá gostando..."

O que decidirá a eleição?

Os debates serão fundamentais. Aécio tem experiência em derrotar o PT, sempre derrotou. O povo cansou do PT. Não é só por causa das denúncias. Eles querem mais quatro anos, para depois voltar o Lula. Serão vinte anos. Quem aguenta isso?
O Brasil ficou muito tempo sem oposição. Quem fez o papel da oposição, mostrando os erros que aí estão, foi a mídia. Por isso o PT quer o controle social, para calar a mídia.
Na Venezuela, até papel proibiram de entrar, para os jornais não circularem. Se persistir o PT, nós não vamos ter papel para circular jornal. É um projeto totalitário, de poder a qualquer preço.

Na eleição do Rio, apoiará Luiz Fernando Pezão (PMDB) ou Marcelo Crivella (PRB)?

Pezão. O Crivella é a soma de bispo Macedo, Garotinho, Lindberg e Paulo Roberto Costa. É o homem da Igreja Universal. Eles já chutaram a santa. Se for eleito, vai querer derrubar o Cristo Redentor?

O sr. está preso desde o fim de fevereiro. Já se arrependeu?

Nunca me arrependi. Deus só dá carga a quem pode puxar. Estou saindo mais forte. Sou vítima das minhas palavras e das minhas atitudes, mais nada.
Fui condenado a mais tempo de prisão do que o [José] Genoino, presidente do PT, e que o Delúbio [Soares], tesoureiro do PT. Eles articularam o mensalão. Fui o denunciante e fiquei mais tempo preso que os denunciados. Mas saí sem mágoa ou ressentimento. Faria tudo de novo.

O sr. confessou ter recebido R$ 4 milhões do caixa dois do PT. O que fez com o dinheiro?

Vocês sabem que eu partilhei. Por que eu nunca perdi influência no meu partido? Porque os candidatos a prefeito receberam aquele recurso que o PT transferiu ao PTB na eleição de 2004. E podem ficar em paz, porque eu não vou revelar [quem recebeu].

Como vê seu futuro?

Daqui a seis meses, vou pleitear o regime aberto para dormir em casa, com tornozeleira. A cassação dos direitos políticos dura oito anos.

Ainda quer ser deputado?

Eu voltarei. Sinto muita falta de Brasília, do Congresso e do PTB. Minha vida é essa, não sei fazer outra coisa.

Acha que o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que defendeu sua condenação, vai entrar na política?

Ele tem perfil. É um grande nome, vai ter voto. Não tenho ressentimentos. O PTB está aberto para ele. (risos)

29 de nov. de 2012

Supremo reduz pena de Roberto Jefferson, considerando a delação premiada

BRASIL – Julgamento do Mensalão
Supremo reduz pena de Roberto Jefferson,
considerando a delação premiada
“A principal contribuição (de Roberto Jefferson) foi trazer a público o nome do maior operador do grupo criminoso, Marcos Valério, figura até então inteiramente desconhecida", afirmou o Ministro Joaquim Barbosa, justificando a redução da pena do ex-presidente do PTB .

Foto: Arquivo

Em uma das ocasiões Roberto Jefferson apareceu para depor no Congresso com um machucado no olho. Declarou que havia sido um acidente doméstico. Circulou a versão que ele havia sido atacado por uma dupla de motoqueiros quando saia de casa. E apesar da agressão intimidadora, resolveu comparecer e continuar falando as

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Blog do Jefferson

Na reta final do julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu na sessão plenária desta quarta-feira que o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deve ser beneficiado com redução de pena por ter exposto pela primeira vez as articulações criminosas do publicitário Marcos Valério com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

A proposta de benefício ao delator do esquema do valerioduto partiu do relator Joaquim Barbosa e só foi rejeitada por um ministro, o revisor Ricardo Lewandowski. A pena final de Jefferson foi de sete anos e 14 dias em regime semiaberto.

“A principal contribuição foi trazer a público o nome do maior operador do grupo criminoso, Marcos Valério, figura até então inteiramente desconhecida", afirmou Barbosa. A redução da pena foi crucial para livrar Roberto Jefferson da cadeia.

Pela pena original de Joaquim Barbosa, por exemplo, a sanção ao petebista seria de dez anos, seis meses e dez dias pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Punições acima de oito anos impõe ao condenado regime fechado.

Ao defender atenuar a pena de Jefferson, Barbosa se valeu da lei 9807/99, que prevê o benefício ao “indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais coautores ou partícipes do crime”. “Ao anunciar o nome do distribuidor do dinheiro, Jefferson também trouxe à luz a participação de um personagem importantíssimo em toda a trama criminosa, o tesoureiro do PT Delúbio Soares. Também anunciou os nomes dos parlamentares que firmaram acordo com os corréus José Dirceu e José Genoino em troca de apoio de seus partidos.

Prestou sempre colaboração fundamental, em especial ao informar os nomes de outros autores da prática criminosa”, afirmou a magistrado em seu voto.

Em 2005, Roberto Jefferson denunciou o escândalo do mensalão, classificado por ele como o pagamento de mesada a deputados da base aliada a mando do ministro da Casa Civil na época, José Dirceu, e operacionalizado pelo até então desconhecido publicitário Marcos Valério.

Ao denunciar o esquema, o então deputado apontou o nome de parlamentares que receberam propina e detalhou o loteamento político de cargos na administração pública. Ele admitiu que, ao lado do tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, recebeu 4 milhões de reais pessoalmente das mãos do publicitário Marcos Valério.

O dinheiro foi pago em duas parcelas, uma de 1,8 milhão de reais e outra de 2,2 milhões de reais, na versão dele como parte de um acordo de 20 milhões de reais que o PT havia prometido ao PTB em troca de apoio político nas eleições municipais de 2004. Uma negociação com empresários portugueses conduzida por Palmieri e Valério garantiria o restante dos recursos.

Embora tenha admitido o recebimento do dinheiro, o petebista negou ao longo do processo que soubesse da origem ilícita dos valores – argumento utilizado para tentar se livrar da condenação por lavagem de dinheiro. Também nunca admitiu que o PTB vendeu apoio político no Congresso Nacional – em uma tentativa de ser inocentado por corrupção passiva.

A revelação de Jefferson sobre o mensalão, apesar de ter levado à condenação de parlamentares de outros quatro partidos e do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, não o livrou de também ser levado ao banco dos réus.

Em 2005, VEJA revelou que o ex-diretor dos Correios, Maurício Marinho, dava as diretrizes de um esquema de corrupção na estatal. Dizia estar ali em nome de um partido, o PTB, e sob ordens de Roberto Jefferson. Contou a empresários onde era mais fácil roubar, quais os percentuais de propina para cada negócio e como o dinheiro poderia ser pago. O vídeo com as imagens de Marinho embolsando 3 000 reais foi o estopim para as denúncias de Jefferson sobre o mensalão.

Na hora em que viu que estava sozinho no meio de um escândalo que o destruiria, o deputado Roberto Jefferson, deu o famoso abraço de afogado e trouxe Dirceu e sua turma, para o fundo lamacento onde se encontrava.

Não se poderia chamar o gesto dele como digno e meritório, mas não se pode negar que ele prestou um serviço imensurável a democracia brasileira.

Roberto Jefferson não perdoa o supremo de tê-lo indiciado no processo. Ele queria ser reconhecido com um herói que corajosamente enfrentou uma sofisticada e poderosa quadrilha política.

Se imaginava na condição de testemunha do processo embora tivesse de alguma forma participado do esquema de corrupção.

Logo após ter sido decidida a sua pena, ele enigmático e lacânioco escreveu no seu Blog:

A grande maioria dos Ministros do Supremo consideraram positiva a colaboração do réu Roberto Jefferson:

Foto: Roberto Jayme/UOL

"Ao revelar o esquema tornou-se possível desvendar o plano criminoso instalado por detentores de importantes cargos públicos", disse o ministro-relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), durante sessão em que se definiu a pena de Roberto Jefferson Foto: Nelson Jr/STF
Roberto Jefferson acabou prestando um grande serviço a essa pátria, no que escancarou as mazelas existentes", disse o ministro Marco Aurélio, que foi favorável ao benefício da confissão para o réu Roberto Jefferson no julgamento do mensalão


5 de out. de 2012

“Plano Perfeito”, por Nelson Motta, para o Estadão

BRASIL - Opinião
Plano Perfeito
E se Roberto Jefferson não tivesse denunciado o mensalão, como estaria o Brasil hoje?


PROPAGANDA ENGANOSA: Cartaz de propaganda do candidato Lula, eleições de 2002

Postado por Toinho de Passira
Texto de Nelson Motta para o Estadão
Fonte: Estadão

Pelo que o julgamento do Supremo Tribunal Federal está provando, o PT teria a maior e mais fiel base de apoio do Ocidente, maior até do que a velha Arena da ditadura, presidida por Sarney. Além dos cargos e boquinhas de sempre, os partidos aliados teriam suas despesas de campanha bancadas pelo PT. Assim, tanto nas votações no Congresso como nas eleições, não seria uma coalizão, mas um rolo compressor. A democracia perfeita de Lula e Dirceu.

Seria preciso apenas encontrar novas fontes de financiamento da operação, além dos empréstimos de araque de Marcos Valério no Banco Rural e no BMG e do desvio de dinheiro do Visanet, que não seriam suficientes para pagar as dívidas e as campanhas do PT, e as despesas crescentes com a voracidade da base aliada, que quanto mais come mais fome tem.

De onde sairia o dinheiro? Militantes do partido em postos-chave na administração pública facilitariam concorrências e superfaturariam campanhas publicitárias e eventos produzidos pelas agencias de Marcos Valério, que ficaria com uma parte do butim. Depois era só lavar o dinheiro na Bonus Banval e distribuí-lo aos aliados para garantir a governabilidade sem fazer concessões politicas e a aprovação de seus projetos que - eles tinham certeza - eram os melhores para o povo brasileiro.

Como Lula e Dirceu sabiam melhor que ninguém, pelo menos 300 picaretas estavam à venda no Congresso. Então, por que não comprá-los para servir ao governo do primeiro operário a chegar à Presidência, para atualizar e fazer as "reformas de base" que derrubaram Jango e Brizola em 1964? Era uma causa nobre, um velho sonho, um plano perfeito. Ou quase.

Mais do que um inútil exercício de retrofuturologia, imaginar as consequências funestas da continuidade do mensalão - que não ia parar ali, cresceria e envenenaria o Congresso, as campanhas eleitorais, a democracia e o Estado - serve para dar um suspiro de alívio e agradecer ao procurador-geral e aos ministros do Supremo Tribunal Federal. E ao gesto tresloucado de Roberto Jefferson.


*Acrescentamos imagem e legenda a publicação original

26 de set. de 2012

Revista Veja: Será que Roberto Jefferson merece perdão?

BRASIL – Opinião
Será que Roberto Jefferson merece perdão?
Em caso de condenação, ministros do Supremo Tribunal Federal discutem a possibilidade de reduzir as penas do ex-deputado Roberto Jefferson, o delator do mensalão.

Ilustração « thepassiranews »

NO TÚNEL DO TEMPO: Roberto Jefferson no Congresso denunciando o mensalão

Postado por Toinho de Passira
Texto de Adriano Ceolin e Laura Diniz , para a Veja
Fonte: Veja- 24/09/2012

       Na tarde da última quinta-feira, o ex-deputado Roberto Jefferson estava em seu apartamento, no Rio de Janeiro, assistindo pela televisão ao julgamento do mensalão — o seu julgamento. Sete anos depois de ter revelado a existência do maior escândalo de corrupção política da história, ele viu o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, condená-lo pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Esse Roberto Jefferson aí não sou eu", comentou. Em 2005, o então deputado confessou ter recebido 4 milhões de reais para que o seu partido, o PTB, apoiasse o governo Lula—e também forneceu as pistas iniciais que permitiram ao Congresso, à Polícia Federal e ao Ministério Público identificar a maioria dos personagens envolvidos na trama montada pelo PT. Jefferson é ao mesmo tempo réu e principal testemunha de acusação. Dependendo do que decidirem os demais ministros, sua punição poderá chegar a 28 anos e oito meses de prisão. O Supremo, porém, pode reservar uma surpresa extra ao ex-parlamentar.

       A ponta do iceberg que deu origem ao escândalo do mensalão apareceu com o vídeo que mostrava um funcionário dos Correios recebendo propina, ao mesmo tempo em que revelava que a estatal funcionava como um centro de captação de dinheiro para o PTB. Seria mais um dos muitos casos de corrupção se Roberto Jefferson, o então todo-poderoso presidente do PTB, não tivesse decidido contar o que sabia: o governo do presidente Lula havia montado uma gigantesca estrutura de arrecadação e distribuição de dinheiro para comprar partidos políticos e subornar parlamentares — "um mensalão", como definiu pela primeira vez o deputado, Jefferson deu o nome dos envolvidos (seis parlamentares de quatro partidos), trouxe à luz a identidade do pagador ("um carequinha chamado Marcos Valério") e apontou o dedo para quem julgava ser o chefe (o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu). As investigações confirmaram o que o ex-deputado relatou. A Procuradoria-Geral da República denunciou quarenta pessoas por diversos crimes e dez delas já foram condenadas pelo Supremo. Sem o testemunho de Roberto Jefferson, a punição aos corruptos não passaria de uma miragem. É por isso que alguns ministros estudam propor, na hipótese de condenação do ex-deputado, a redução de sua pena, um prêmio pela colaboração.

       "A lei permite e é um caso que pode, inclusive, ter efeito pedagógico", diz um ministro do STF que já conversou com alguns colegas sobre o caso. A ideia é recompensar Roberto Jefferson pela delação que levou à comprovação do esquema. Há dois benefícios possíveis, extraídos de uma lei que trata da colaboração voluntária de réus nas investigações dos crimes de que participaram — o perdão judicial, livrando-o de qualquer punição, e a redução de até dois terços da pena. Esses benefícios são resultado do reconhecimento de que só a ajuda dos próprios infratores, em determinados casos, pode acelerar investigações que se arrastariam por anos e teriam conclusão incerta. "O Judiciário se vê diante de crimes tão complexos atualmente que, muitas vezes, sem essa colaboração, não se chega aos culpados", diz o ex-ministro Carlos Velloso. "Contar com a colaboração de corréus é uma tendência mundial no combate ao crime organizado. O estado só dribla a intimidação imposta pela organização criminosa a seus membros oferecendo mecanismos de proteção", reforça o promotor paulista José Reinaldo Carneiro, especializado no combate ao crime organizado.

       Por enquanto, Jefferson diz que seu maior temor não é cumprir pena na cadeia após o julgamento do mensalão. Ele estaria às voltas com um desafio bem mais prosaico: alimentar-se, um processo que ficou tormentoso depois que seu aparelho digestivo teve de ser remodelado em consequência de uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno no pâncreas. "Tirei quatro quintos do estômago, 1,5 metro de intestino delgado, um quarto do fígado e metade do pâncreas. Tomei 500 pontos. Preciso comer, mas, se como um pouco a mais, meu estômago grita. Sinto cólicas." Em tratamento contra o câncer, Jefferson vive uma rotina de quase reclusão. Uma vez por semana, deixa o apartamento onde mora, na Barra da Tijuca, rumo ao hospital. O resto do tempo passa em casa, onde acompanha o noticiário com atenção redobrada. Na quinta-feira, os jornais repousados sobre a mesa da sala registravam o voto do ministro Joaquim Barbosa pela sua condenação. "Olhe como estou magro nesta foto", diz. Jefferson era obeso quando desfilava como ponta de lança da tropa parlamentar da República das Alagoas, no governo Collor. Chegou a pesar 175 quilos.

       Na gestão Lula, com um corpo bem mais magro, chegou a brincar, num depoimento no auge do escândalo do mensalão com o fato de ter sido chamado de metrossexual. Refutou a pecha, apesar de saboreá-la. Na última semana, a perda de peso foi agravada porque Jefferson sofreu uma infecção. Ele deixou o hospital com 74 quilos, 8 menos do que quando entrou. Para o ex-deputado, o câncer é resultado da carga diária de stress que enfrenta ao acompanhar o processo e toda a sua repercussão. "Eu sempre descarreguei tudo no intestino. Estou bem, mas quando me deito não consigo tirar a tomada do cérebro. Fico pensando o que será da minha vida." Jefferson tenta medir as palavras quando fala do processo. "Ao ouvir o Joaquim Barbosa me condenar, não me aborreci. Ele tem um estilo mais de promotor do que de juiz." Na sequência, porém, ao fazer uma análise geral do caso, emenda um comentário que denota mais sua indignação. Volta à cena o combativo Jefferson de outrora. "As condutas estão sendo julgadas num pacote. Está no bolo, está no oba-oba. Isso é muito cruel, cruel!" E repete: "Não sou aquele Roberto Jefferson que o Joaquim Barbosa colocou no processo".

       E como seria o Roberto Jefferson verdadeiro? "Sou um político prático, mas sei os limites. Nunca cruzei a linha da indignidade. Muitas vezes eu até bordeei essa linha. Caixa dois sempre teve e ainda tem." Jefferson diz não se arrepender de ter denunciado o mensalão. "Quando enfrentei a briga, sabia que estava me suicidando. Eu botei fogo na roupa. Eu me imolei." Dizendo-se sem saudade da Câmara e prestes a deixar a presidência do PTB, ele lamenta não poder viajar pelo país para conversar com dirigentes do partido ou para andar de motocicleta — tem duas Harley-Davidson (uma modelo Road King e outra Fat Boy). Na quarta-feira, após receber alta, negou-se a usar uma cadeira de rodas para deixar o hospital. Saiu andando. É assim que espera sair também do julgamento: doente, magro e até culpado, mas de pé. O destino de Jefferson e dos outros réus do chamado núcleo político do mensalão começou a ser traçado na semana passada. O relator já pediu a condenação de doze dos 23 nomes analisados nesse tópico. Joaquim Barbosa já antecipou que houve, de fato, um esquema de compra de apoio parlamentar no governo Lula — justamente o que Jefferson denunciou em 2005. Mesmo com voto já proferido por sua condenação, o delator tem o que comemorar.


*Acrescentamos ilustração e legenda a publicação original

16 de set. de 2012

Mensalão: chegou a vez da compra de votos

BRASIL – Julgamento Mensalão
Mensalão: chegou a vez da compra de votos
Supremo Tribunal Federal começa a julgar nesta segunda-feira o objeto principal da denúncia do mensalão. Quatro partidos estarão na mira. “Os magistrados foram taxativos ao atestar que não importa o destino que cada parlamentar deu aos recursos desviados. Chegaram a afirmar que, mesmo se a propina tivesse sido destinada à caridade, ainda assim haveria o crime de corrupção”.

Foto: Dida Sampaio/AE Beto Barata/AE Ailton de Freits/Ag. Globo Beto Barata/AE AE

O então deputado Roberto Jefferson contou ao Congresso como o governo do PT criou o mensalão, o esquema de suborno de parlamentares que era operado pelo publicitário Marcos Valério (ao lado). As revelações provocaram decepção e choro de alguns parlamentares petistas, ameaçaram a continuidade do governo Lula e resultaram no processo que acusa 36 pessoas de crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro ()

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja

Era tarde de terça-feira, 14 de junho de 2005, sob os holofotes de toda a imprensa nacional, quando o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) entrou no Congresso Nacional escoltado por dois advogados, arrastando uma mala vermelha com rodinhas, recheada de papéis que, segundo ele, derrubariam a República. Em seis horas e 35 minutos de depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, ele listou pela primeira vez os nomes dos parlamentares que venderam votos ao governo Lula, a elite do esquema que ficaria eternizado como mensalão.

Presidente do extinto PL (hoje PR), o deputado federal Valdemar Costa Neto (SP), um dos cabeças da base parlamentar do governo montada - hoje, sabe-se como - por José Dirceu, insurgiu-se contra Jefferson, dedo em riste, com ares de desespero e ira. “Nós no PL só temos bons deputados. Diga o nome de quem recebe. Caso o PL tenha parlamentares envolvidos, quero que o senhor dê o nome, para nós investigarmos",afirmou. O discurso desmoronou em segundos. Jefferson olhou fixamente para o desafeto e fuzilou: "Eu afirmo que Vossa Excelência recebe".

O deputado do ex-PL era um dos nomes de uma lista que o petebista havia apontado minutos antes: Bispo Rodrigues (PL-RJ), Sandro Mabel (PL-GO) - não é réu na ação penal -, Pedro Corrêa (PP-PE), José Janene (PP-PR) - morreu em 2010 - e Pedro Henry (PP-MT). “Não são todos os deputados que recebem mensalão. Mas deputado Valdemar Costa Neto, deputado José Janene, Pedro Corrêa, Sandro Mabel, Bispo Rodrigues, Pedro Henry, me perdoem, de coração, não posso ser cúmplice de vocês", disse. O Congresso entrou em alvoroço. E o governo Lula, em convulsão.

Depois de 23 sessões de julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará nesta segunda-feira uma etapa crucial do julgamento do mensalão. É o capítulo mais longo do voto do relator, Joaquim Barbosa, e também um dos mais importantes: chegou a vez da compra de parlamentares no governo Lula. O roteiro do voto de Barbosa começa pelos partidos que vitaminaram a base, PTB, PMDB, PL (agora PR) e PP. Em seguida, será a vez do próprio PT, até chegar à aquele que, segundo a Procuradoria-Geral da República, chefiava a quadrilha: José Dirceu.

Nesta segunda, Dirceu, literalmente senta no banco dos réus, do julgamento do mensalão
Condenações - O STF já condenou João Paulo Cunha por ter fraudado uma licitação na Câmara em favorecimento a Marcos Valério de Souza, o "carequinha", operador do esquema. Valério foi considerado culpado por ter integrado um engenhoso sistema de lavagem de dinheiro. Condenou ex-dirigentes do Banco Rural e do Banco do Brasil por repasses dissimulados ao esquema.

Só agora, entretanto, o julgamento se voltará ao centro da denúncia, o motivo pelo qual o mensalão constituiu a maior ameaça às instituições democráticas desde a redemocratização do país: a negociação de apoio político no Congresso Nacional.

A primeira fase do julgamento não foi dos melhores para os réus. A confirmação do Supremo de que o grupo criminoso se valeu de empréstimos fraudulentos e usou um ardiloso esquema de lavagem de dinheiro ameaça os mensaleiros. Ao atestar que crimes deram início à liberação de dinheiro a parlamentares e confirmar que houve intenção em dissimular a origem e os reais beneficiários do esquema, os ministros colocam os acusados do PP, PMDB, PR e PTB à beira do cadafalso da condenação por corrupção passiva.

Os magistrados foram taxativos ao atestar que não importa o destino que cada parlamentar deu aos recursos desviados. Chegaram a afirmar que, mesmo se a propina tivesse sido destinada à caridade, ainda assim haveria o crime de corrupção.

Com esse entendimento e sob a condução de Joaquim Barbosa, devem ser anunciadas nesta semana as primeiras condenações de deputados e ex-deputados que traíram seu eleitorado e se corromperam no exercício parlamentar. A tese da compra de votos para a aprovação de projetos de interesse do Palácio do Planalto é a base da denúncia do Ministério Público contra o maior escândalo político da Era Lula.

Negacionismo - A sequência de condenações (dez até agora) tirou o ânimo de mensaleiros e calou os negacionistas porque, ao que tudo indica, os principais pilares da acusação serão aceitos pelo Supremo ainda que petistas e defesa tentem desmentir os fatos. Na semana passada, um trecho da fala do ministro José Dias Toffoli, ex-advogado de petistas, surpreendeu até mesmo seus colegas da corte: "A denúncia conseguiu comprovar o valerioduto. Aquilo que a imprensa chamou de mensalão são cenas que assistiremos no próximo capitulo".

Dos mensaleiros enquadrados nesse trecho da denúncia, dois têm mandato na Câmara: Pedro Henry e Valdemar Costa Neto. Alguns refizeram a trajetória política fora do Congresso: José Borba, na época do PMDB (hoje no PP), virou prefeito do município de Jandaia do Sul, no Paraná. Roberto Jefferson, impedido de concorrer a cargos públicos por ter sido cassado pela Câmara, faz política por meio da presidência do PTB.

Lula sabia? Dirceu disse que sim.
Teses - Ao todo, 23 réus entre políticos, parlamentares e ex-funcionários de partidos começarão a ser julgados por corrupção e lavagem de dinheiro. Os chefes do chamado núcleo político – José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares – também terão suas teses de defesa colocadas pela primeira vez à prova no julgamento da ação penal do mensalão.

Neste capítulo de análise da denúncia, os ministros do STF devem confirmar que, para serem condenados por corrupção, não é preciso que a ação, alvo do achaque, tenha sequer sido completada.

Para os réus serem apenados no Supremo, o plenário também deve atestar que os parlamentares lavaram os recursos do valerioduto ao simular que o dinheiro serviria para a quitação de despesas eleitorais. A corte tende a confirmar não ser preciso nem que o processo de lavagem se complete ou que a propina seja incorporada ao patrimônio de cada um.

Ao analisar as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo políticos, o Supremo terá a oportunidade de ratificar as palavras ditas por Roberto Jefferson naquela tarde de 2005, que ecoam até hoje pelos corredores do Congresso. "Tudo o que eu disse aqui é de conhecimento do ministro José Dirceu. Tudo!".

13 de ago. de 2012

“Lula é 'mandante' do mensalão” – diz advogado de Jefferson no STF

BRASIL – Julgamento do Mensalão
“Lula é 'mandante' do mensalão”
– disse o advogado de Roberto Jefferson aos ministros do STF, durante a defesa do seu cliente. A tese contraria afirmações anteriores do próprio Jefferson, segundo a qual o ex-presidente é "inocente".

Foto: Getty Images

COMPARSAS - No organograma da quadrilha Dirceu era o chefe operacional da quadrilha
e Lula, o poderoso chefão

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fabiano Costa, Mariana Oliveira e Nathalia Passarinho
para o G1, em Brasília
Fonte: G1

O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, defensor do presidente do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, disse nesta segunda-feira (13) no Supremo Tribunal Federal, durante o oitavo dia do julgamento do processo do mensalão, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “ordenou” o esquema de compra de votos no Congresso.

Jefferson é o delator do esquema do mensalão. Na época, em 2005, também era presidente do PTB. Foi acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 4,54 milhões do chamado "valerioduto" [suposto esquema operado por Marcos Valério para abastecer o mensalão] a fim de votar a favor do governo no Congresso como parte de um acordo de R$ 20 milhões entre o PT e seu partido. Foi cassado pela Câmara em 2005.

Segundo o defensor, Lula é "mandante" do esquema. A tese contraria afirmações anteriores do próprio Jefferson, segundo as quais o ex-presidente é "inocente".

"O meu cliente aqui acusado tem dito e reiterado aos quatro ventos o que já dissera, que o presidente não sabia. Não há contradição. Ele tem de falar sobre aquilo que viu. Já eu tenho de iluminar o caso", declarou o advogado.

Para Luiz Francisco Corrêa Barbosa, o ex- presidente não é "um pateta" para que, na ocasião, não tivesse conhecimento sobre o que ocorria no governo. O advogado cobrou do procurador-geral da República a inclusão de Lula na denúncia.

“Disse o [PGR] que, entre as quatro paredes de um palácio presidencial, estariam sendo celebradas tenebrosas transações. [...] É claro que Vossa Excelência [procurador-geral] não poderia afirmar que o presidente fosse um pateta. Que sob suas barbas isto estivesse acontecendo e ele não sabia de nada. O presidente é safo. Não só é safo como também é doutor honoris causa em algumas universidades. Mas é um pateta? É claro que não. Não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso. Sim, ele ordenou. Aqueles ministros eram apenas executivos dele. Recebida a denúncia, o PGR deixou o patrão de fora. Por que fez isso? Vossa Excelência é que tem de informar”, disse o advogado, que falou por 40 minutos em defesa do cliente.

Procurada pelo G1, a assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente não assistiu ao julgamento e não se manifestará sobre assunto. Logo após as denúncias, em agosto de 2005, Lula fez pronunciamento em rede nacional, no qual se disse "traído". No começo de 2006, em entrevista, disse que o epísódio foi uma "facada nas costas".

Em outro momento da sustentação oral, o advogado de Jefferson voltou a questionar a ausência de Lula entre os réus do mensalão.

“Como procurei demonstrar na evolução dos fatos, este tribunal recebeu a denúncia de que três ministros de estado, auxiliares do presidente, estariam pagando parlamentares para aprovar projetos de interesse desse mesmo presidente, mas o presidente ficou fora.”

Segundo o advogado, “pela prova produzida [pelo Ministério Público Federal], vai gerar um festival de absolvições. O mandante está fora”.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, defensor do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) no processo do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF), faz a defesa de seu cliente no oitavo dia de julgamento do mensalão

Olho 'chegou a lacrimejar'
Segundo o advogado, Jefferson procurou integrantes do governo antes de avisar ao próprio Lula sobre o esquema.

“Em reunião de líderes disse: no meu partido, isso não poderá ser feito. Se isso voltar a ocorrer, eu vou denunciar. Dirigiu-se então ao então ministro Ciro Gomes e deu ciência desse fato. Foi também ao ministro Miro Teixeira, mas isso continuava”, narrou o advogado.

Barbosa relatou então que, diante da falta de providências, procurou o próprio Lula e que o olho do ex-presidente “chegou a lacrimejar”.

“Então, ele [Jefferson] foi ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e mediante testemunhas, Walfrido dos Mares Guia, Arlindo Chinaglia, José Múcio, deu ciência ao presidente que isso acontecia e que isso iria prejudicá-lo. O olho [de Lula] chegou a lacrimejar diante dessa informação e prometeu tomar providências. O líder do PTB estava dando notícia de crime ao presidente da República”, disse o advogado.

Nova denúncia
O advogado pediu ainda que o Supremo converta o julgamento em diligências para que sejam coletadas provas para o ex-presidente Lula ser denunciado.

“Converta esse julgamento em diligência, para que o PGR cumpra a lei e ofereça denúncia contra o ex-presidente. Não é possível que um escândalo dessa dimensão passe lotado por essa Suprema Corte.”

Ainda conforme o defensor, o procurador “sentou em cima da denúncia”. “Se esse tribunal quer a prova, digam ao povo que a culpa é do PGR, que não cumpriu o seu trabalho. Na verdade, se recusa. Sentou em cima da denúncia [contra Lula].”

Ele pediu que seu cliente seja inocentado. “Por que denunciar Jefferson? Para silenciá-lo. É denunciado apenas para não abrir aquela sua boca enorme.”

Recursos do PT
O advogado afirmou que o PTB recebeu recursos do PT para a eleição municipal de 2004, mas que o Roberto Jefferson não sabia da origem ilícita dos recursos.

“O PT por cuja direção nacional celebrou esse ajuste para o PTB para a eleição municipal de 2004 [...], transferiu dos 20 ajustados, quatro em dinheiro. Este fato, do recebimento, é alvo de duas imputações criminosas: lavagem de dinheiro e corrupção passiva.”

“Não pode haver crime de lavagem de dinheiro sem a ciência prévia do agente recebedor de que se trata de dinheiro sujo. Quem entregou foi o Partido dos Trabalhadores, por um preposto? Sim. Mas é de supor por este fato de que há algum ilícito? Não”, argumentou o defensor.

Segundo o advogado, não é possível vincular o dinheiro recebido pelo PTB para saldar dívidas da campanha de 2004 com pagamentos em troca de apoio político. Ele destacou que a reforma da Previdência, projeto que enfrentava dificuldades para ser aprovado, só foi votado um ano depois.

“Não era possível vincular-se o que aconteceu um ano antes, na eleição municipal, com votação do projeto de lei que trata da previdência.”


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

6 de ago. de 2012

Roberto Jefferson diz que salvou o Brasil de Dirceu

BRASIL -
Roberto Jefferson diz que salvou o Brasil de Dirceu
Político, um dos 38 réus do julgamento do mensalão, se trata de um tumor maligno no pâncreas ao receber alta médica neste domingo, falou a imprensa sobre o transcorrer do julgamento do processo do mensalão

Foto: Marcos Tristão/ O Globo

O ex-deputado Roberto Jefferson, delator do esquema do Mensalão, durante coletiva à imprensa ao receber alta, domingo, do Hospital Samaritano, no Rio

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo

Um dos 38 réus do mensalão, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), de 59 anos, recebeu alta médica na manhã deste domingo do Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio, onde estava internado para tratamento de um câncer no pâncreas.

Em entrevista coletiva, Jefferson atacou o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula José Dirceu, também réu no processo e apontado na denúncia como ''chefe de quadrilha. Segundo o presidente nacional do PTB, delator do Mensalão, ele salvou o Brasil de Dirceu.

- A minha luta era com o Zé Dirceu. Ele me derrubou, mas eu salvei o Brasil dele. Isso para mim é satisfatório. Ele (José Dirceu) não foi, não é e não será presidente do Brasil. Caímos os dois - disse Jefferson.

Ao comentar sobre o seu diagnóstico, o ex-deputado afirmou:

- Eu sou um guerreiro. Já peitei o PT sozinho de frente. O que não vou fazer com um cancerzinho de pâncreas? Vou dar de pau nele, declarou o ex-deputado, ao lado da esposa Ana Lúcia.

Ainda sobre o caso Mensalão, Jefferson afirmou que a luta a partir de agora é da opinião pública:

- Meu octógono de luta com ele (José Dirceu) já exauriu. Agora, a luta é de vocês (jornalistas), da opinião pública e dos ministros (do Supremo Tribunal Federal).

O ex-deputado voltou a defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que ele não sabia do esquema do Mensalão. Mas deu a entender que seu advogado, Luiz Francisco Barbosa, citará Lula em sua defesa. Em entrevista ao GLOBO, há duas semanas, Barbosa afirmou que Lula não só sabia do esquema fraudulento, como também o ordenou.

- Ele (Barbosa) deduz com raciocínio constitucional. E eu só afirmo aquilo que eu vi - acrescentou o ex-deputado, que disse torcer para que o STF faça justiça e que a Corte ''afirme a democracia do Brasil''.

O ex-deputado revelou também que tem acompanhado todo o julgamento do mensalão pela tevê:

- É o maior momento de afirmação da democracia no Brasil. Nunca nossas instituições de direito democrático foram tão sólidas.

Ao ser questionado pelo GLOBO, Jefferson comentou ainda o bate-boca entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Levandovski no primeiro dia de julgamento, depois que Márcio Thomaz Bastos, um dos advogados de defesa dos réus, pediu o desmembramento do processo.

- Eles (Barbosa e Levandovski) são seres humanos como nós. Quando você é muito exposto na mídia, suas virtudes são ressaltadas, e os seus defeitos também. Como aquela Corte está sob o controle total da mídia, os defeitos ficam exponenciais - disse Roberto Jefferson.

O ex-deputado falou ainda sobre o relatório de acusação lido pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel:

- O procurador fez uma bela peça de acusação. Foi muito eficaz, apesar da prova ser frágil. Ele tem razão em muitas coisas que falou durante as cinco horas em que leu o relatório. Mas também não tem razão em tantas outras.

Na última sexta-feira, ao fim do julgamento, o procurador-geral da República pediu a prisão de 36 réus, incluindo o político. Gurgel pediu a absolvição, por falta de provas, de dois acusados: o ex-secretário de Comunicação Luiz Gushiken e Antonio Lamas, ex-tesoureiro do Partido Liberal, uma das cinco formações implicadas no escândalo.

Jefferson foi o delator do Mensalão em 2005. Até hoje, o ex-deputado admite ter recebido do PT R$ 4,5 milhões. No entanto, diz que o dinheiro foi usado pelo PTB nas eleições de 2004 e não para comprar o apoio do seu partido no Congresso em favor do governo Lula, entre 2003 e 2004.

BOLETIM MÉDICO

De acordo com o boletim divulgado no início da tarde deste domingo, o ex-deputado federal foi avaliado pelo médico José de Ribamar Saboia de Azevedo, que confirmou que o paciente tinha condições clínicas para deixar a unidade.

Jefferson foi internado no dia 26 de julho no Samaritano e se submeteu à cirurgia de retirada do tumor dois dias depois. A análise da lesão de quase cinco centímetros mostrou que o câncer tem 1,4 centímetros. Apesar de ser um tumor considerado raro, os médicos que acompanham o paciente no Hospital Samaritano, em Botafogo, afirmam que as chances de sobrevida nesses casos são acima de 60%.

Após quatro ou seis semanas, o presidente do PTB já deve iniciar a quimioterapia, que, de acordo com o oncologista Daniel Tabak, será feita de forma venosa, com aplicações semanais, por um período de aproximadamente seis meses, o que depende da avaliação médica no decorrer do tratamento. Segundo ele, o tumor retirado do político é caracterizado como T1, que é um estágio inicial e menos agressivo.


1 de ago. de 2012

Tumor de Roberto Jefferson é maligno

BRASIL
Tumor de Roberto Jefferson é maligno
Resultado foi divulgado nesta quarta-feira (1º), em boletim médico do Hospital Samaritano. No sábado (28), político foi submetido a cirurgia que durou oito horas

Foto: Eduardo Naddar/O Globo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1 – Rio de Janeiro, ”thepassiranews”

O tumor no pâncreas do advogado e presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson Monteiro Francisco, de 59 anos, é maligno. A informação foi dada nesta quarta-feira (1º) pela assessoria do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

De acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital nesta quarta, Roberto Jefferson "se alimenta por sonda intestinal, está lúcido, respira sem a ajuda de aparelhos e os sinais vitais estão mantidos. Todas as medicações já foram suspensas, inclusive as venosas".

Ainda segundo o Hospital Samaritano, "o resultado preliminar do material cirúrgico, realizado pelo patologista Wilhermo Torres, foi de tumor papilar mucinoso ductal, com displasia de baixo grau. O exame definitivo da peça operatória diagnosticou, além da displasia, um foco maligno de tamanho inferior a 2 cm, com a ausência de comprometimento dos linfonodos (gânglios), configurando o estágio mais inicial da doença".

Jefferson não tem previsão de alta médica e só está recebendo visitas da família.

Na quinta-feira (2), os médicos do presidente do PTB vão dar uma coletiva de imprensa, informando o tratamento ao qual o paciente será submetido. No mesmo dia em que se inicia o julgamento do Mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal.


LEIA NO "thepassiranews":
'Estou com medo', diz Roberto Jefferson

27 de jul. de 2012

'Estou com medo', diz Roberto Jefferson sobre a cirurgia

BRASIL - Mensalão
'Estou com medo', diz Roberto Jefferson
O ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, vai ser submetido a uma cirurgia de grande porte, para retirada de um tumor cancerígeno no pâncreas. Segundo seus médicos, as chances de cura são de 60% a 70%, caso não sejam descobertas metástases em outros órgãos. Na próxima quinta-feira, o atual presidente nacional do PTB começará a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, como um dos 38 réus da ação que investiga o mensalão do

Foto: Hudson Pontes / Ag. O Globo

Roberto Jefferson chega ao Hospital Samaritano, em Botafogo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Luciana Nunes Leal
Fontes: Terra, Estadão, G1, Veja

Aos 59 anos, o ex-deputado Roberto Jefferson, autor da denúncia do mensalão e um dos 38 réus do processo, está com medo. Confessou na manhã de quarta-feira, 25, ao se internar no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, onde será submetido, na sexta-feira, 27, à cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas.

A uma semana do início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), Jefferson, que teve o mandato cassado em setembro de 2005, diz que, desde a descoberta da doença, o veredito da Justiça tornou-se uma preocupação menor.

"Não vou falar que sou herói. Estou com medo. Não depende mais de mim, não estou mais no comando do navio. Mas estou muito bem espiritualmente", disse o ex-deputado, pouco antes de começar mais uma série de exames preparatórios.

Além do tumor de 4 centímetros na cabeça do pâncreas, serão retirados também o duodeno e parte do intestino delgado e do canal do fígado.

Não é só a cirurgia - que deve durar entre oito e dez horas - que preocupa Jefferson. O ex-deputado está na expectativa do resultado da biópsia, que apontará se o tumor é benigno ou maligno. Os exames indicam que o tumor não é o mais agressivo, mas o cirurgião responsável, Ribamar Azevedo, diz que é preciso esperar.

Foto: Tasso Marcelo/AE
Ex-deputado Roberto Jefferson conversa com o cirurgião Ribamar Azevedo que fará nele a cirurgia para retirada de tumor no pâncreas
Além da retirara do tumor, Azevedo vai desfazer a cirurgia bariátrica a que Jefferson foi submetido em 2000. Será retirado o anel que estreita a entrada do estômago. "Vou reconstruir o estômago", diz o médico.

Segundo Ribamar, a reversão da cirurgia é necessária porque a retirada de parte do pâncreas e de segmentos de outros órgãos diminui a absorção de alimentos e faz o paciente emagrecer. Se a redução do estômago fosse mantida, ele emagreceria além do limite saudável.

Jefferson recebeu o diagnóstico do tumor na quinta-feira, 19, dia seguinte da convenção do PTB que o reconduziu à presidência do partido por mais três anos. O comando partidário é sua principal atividade.

O ex-deputado participou das negociações para as principais alianças destas eleições, como a coligação com o PRB de Celso Russomano em São Paulo. No Rio, ratificou a aliança iniciada em 2008 com o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição.

Ao contrário do acordo que diz ter firmado com os petistas para as eleições municipais de 2004, em que o PTB receberia R$ 20 milhões do PT para a campanha de seus candidatos, Jefferson afirma que as alianças atuais não envolvem financiamento.

"Os cuidados hoje são muito maiores", disse o líder petebista na quarta-feira, véspera da internação, em seu escritório no Rio.

Em 2005, depois de denunciar o pagamento de propina a deputados governistas, Jefferson disse ter recebido R$ 4 milhões do PT. Foi incluído no processo do mensalão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes que nega ter cometido.

"Em São Paulo, o próprio PTB vai financiar seus candidatos. No Rio, o material que roda para o Eduardo Paes roda para os candidatos do PTB, não envolve financiamento. Eduardo é meu amigo, foi do PTB. Um menino correto, faz um senhor governo. Não fica em restaurantes de luxo, não frequenta as cidades do circuito dos milionários, não faz foto com guardanapo na cabeça", disse Jefferson, no tom provocativo de sempre, em referência indireta ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), de quem, em tese, também é aliado.

Entre os candidatos a vereador pelo PTB carioca está a filha do ex-deputado, Cristiane Brasil, de 38 anos, que deixou a Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável da prefeitura para fazer campanha. Jefferson estimula a carreira política da filha, mas não quer vê-la candidata a deputada federal. "Não deixei que ela fosse para Brasília. Lá ainda tem muita gente que me odeia. Depois do julgamento do mensalão começará um novo momento", justifica.

"As pessoas me abraçam na rua, estão acompanhando tudo em relação ao meu pai, sobre a cirurgia, o julgamento. Meus eleitores são principalmente da terceira idade, o conhecem desde O Povo da TV", diz Cristiane, lembrando o programa da extinta TV Tupi onde Jefferson ganhou notoriedade como advogado dos pobres.

A tensão por causa da cirurgia não desviou o deputado da paixão pelas motocicletas Harley Davidson - tem uma Road King e uma Fat Boy - e do hábito diário de fazer exercícios para manter a forma. Na terça-feira, no Samaritano, recusou a cadeira de rodas para passar de um sala de exames a outra. Tirou a roupa de hospital, vestiu calça, camisa e sapatos e foi andando. "Não vou sair de cadeira de rodas, se posso caminhar perfeitamente", reagiu.

*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original

26 de jul. de 2012

Mambembe, por Dora Kramer

BRASIL – Mensalão - OPINIÃO
Mambembe
Enquanto José Dirceu faz o silente, Roberto Jefferson, seu companheiro de infortúnio na cassação do mandato de deputado devido ao escândalo que gerou o processo, faz o falante.

Fotos: Sergio Lima/Folhapress e AndreDusek/AE

BRIGA DE CACHORRO GRANDE - Roberto Jefferson, adotando a tática da falação heróica e José Dirceu, o silêncio conveniente

Postado por Toinho de Passira
Texto de Dora Kramer
Fonte: Estadão

O valentão encarnado por José Dirceu não foi às ruas mobilizar as massas; preferiu a casa da mãe em Passa Quatro, no interior de Minas, que é lugar quente e mais seguro ao abrigo de possíveis desagrados por parte de seus julgadores.

Atendendo aos conselhos de advogados e assessores, Dirceu fechou a boca e recolheu-se em copas a fim de adequar-se ao perfil de vítima de uma injusta perseguição.

O silêncio também é considerado pelos conselheiros do principal réu do mensalão como a melhor forma de não angariar antipatias e preparar o terreno para o retorno à vida política em caso de absolvição.

A partir da avaliação de que não ganha nada falando, arriscando-se ainda a perder a razão futura, Dirceu desistiu de participar no próximo sábado de um debate promovido pelo Movimento de Libertação Popular (Molipo), um dos expoentes da luta armada na ditadura.

Enquanto José Dirceu faz o silente, Roberto Jefferson, seu companheiro de infortúnio na cassação do mandato de deputado devido ao escândalo que gerou o processo, faz o falante.

Desenterrou uma história segundo a qual o hoje líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, ofereceu facilidades junto à Polícia Federal para que ficasse calado e não denunciasse a existência de um duto financiador para partidos a serem cooptados para integrar a base de apoio ao governo Lula.

O caso não altera em nada o julgamento, mas ajuda Jefferson a compor a figura do herói que denunciou tudo e por isso não merece ser condenado.

João Paulo Cunha foi buscar nova absolvição nas urnas que já o haviam levado de volta à Câmara e podem levá-lo agora à prefeitura de Osasco. Se, eleito, não for para a cadeia.

Do elenco linha de frente fazem parte ainda Delúbio Soares e Marcos Valério de Souza. O primeiro no papel de arauto da tese de que nada houve além de crime eleitoral cometido apenas por ele na condição de tesoureiro do PT sem o conhecimento de ninguém mais no partido.

O segundo desenha o personagem vítima dos políticos para quem reclama mais atenção do público, mas a respeito dos quais adianta que nada falará.

"Sou igual ao Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém." Certo, não é dedo-duro. Mas teria algo a dizer?

Outra esfera. A decisão do Tribunal de Contas da União que considerou legal o contrato da agência DNA com o Banco do Brasil não afetará as acusações contra Marcos Valério e Henrique Pizzolato no processo do mensalão.

O entendimento preponderante no Supremo coincide com a interpretação da Procuradoria-Geral da República: a sentença do TCU tem alcance administrativo e em nada influencia o julgamento sob a ótica penal.

Precedência. Se quiser antecipar seu voto a fim de se manifestar antes da aposentadoria em 3 de setembro, o ministro Cezar Peluso terá o apoio dos colegas.

Significa que não prosperarão questões de ordem das defesas exigindo o cumprimento da ordem de votação.

Para participar do julgamento, Peluso teria de votar até a sessão de 28 de agosto, na quarta-feira anterior à data limite.

Telão. Devido aos seus graves problemas de coluna, o ministro relator Joaquim Barbosa acompanhará boa parte do julgamento pela televisão na sala de vestir dos ministros, acomodado numa espécie de "chaise longue" apropriada ao necessário conforto.

Liturgia. Entre os ministros do Supremo não é considerado adequado pronunciar em público o termo "mensalão" porque soa a prejulgamento.

A expressão usada é "ação penal 470", conforme se referiu ao caso o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, quando falou com a presidente Dilma Rousseff sobre o policiamento ostensivo na Praça dos Três Poderes durante o julgamento.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

25 de jul. de 2012

Roberto Jefferson acusa Lula de comandar mensalão

BRASIL- Mensalão
Roberto Jefferson acusa Lula de comandar mensalão
O ex-deputado, presidente do PTB, que denunciou a existência do mensalão, as vésperas de se submeter a uma cirurgia para retirada de um câncer no pâncreas, mandou seu advogado divulgar que a defesa acusará Lula como o verdadeiro chefãodo mensalão, no julgamento do processo que começará em agosto, no Supremo Tribunal Federal

Foto: Eduardo Naddar/O Globo

O ex-deputado Federal Roberto Jefferson, delator do esquema do mensalão, com câncer no pâncreas, apontando as baterias contra Lula

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo Segundo o jornal O Globo, a defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos 38 réus do mensalão, vai centrar fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua sustentação oral no julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, dirá que Lula não só sabia da existência de todo o esquema como “ordenou” a sua execução:

— (Lula) Não só sabia (do mensalão) como ordenou toda essa lambança — revelou Barbosa ao GLOBO. — Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.

A tese da defesa, no entanto, mostra que Jefferson, ou mentia, ou mudou de opinião, da sua versão apresentada em 2005, durante seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara. À época, antes de ter seu mandato cassado, o presidente nacional do PTB contou que foi ele quem avisou Lula sobre a existência do mensalão:

— Eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso — afirmou Jefferson, na ocasião.

No mesmo depoimento, ao se referir ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT), outro réu no processo e apontado na denúncia como “chefe da quadrilha”, Jefferson voltou a defender Lula:

— Zé Dirceu, se você não sair rápido daí (do governo), você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Rápido, sai rápido, Zé, para você não fazer mal a um homem bom, correto, que eu tenho orgulho de ter apertado a mão.

Nesta segunda-feira, porém, Barbosa desconversou sobre a mudança de tom:

— Naqueles dias turbulentos ele não deveria atacar Lula e Dirceu a um só tempo. O Lula não sabia nem onde apagava a luz, o Dirceu tinha controle total do governo. Então o alvo foi o Dirceu" disse Luiz Barbosa, advogado de Roberto Jefferson, ao dizer que aconselhou seu cliente, à época, a negar a participação de Lula no mensalão.

Ninguém pode acreditar porém, que a defesa está seguindo uma tese, não aprovada ou mesmo sugerida por Roberto Jefferson, que além de político é um dos mais experientes advogados criminalistas do país.

No mesmo embalo o advogado de defesa de Jefferson diz que também atacará as teses da Procuradoria Geral da República para desqualificar a denúncia.

Delator do mensalão, o ex-deputado está sendo acusado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Jefferson teria recebido R$ 4 milhões do chamado valerioduto. Ele nega qualquer irregularidade. Segundo a PGR, o esquema era operado por Marcos Valério e abastecia parlamentares aliados para votarem a favor de projetos do governo Lula, entre 2003 e 2004.

— Não houve crime. Vou mostrar que o processo é açodado, incompleto — disse Barbosa.

Roberto Jefferson confessou na ocasião da delação do mensalão, que recebeu para seu partido usar em campanha eleitoral, esses milhões, que agora estão lhe valendo o processo. Possivelmente, quanto ao dinheiro, o advogado de Jefferson deve adotar, a mesma tese, elaborada pelo então Ministro da Justiça, Thomaz Bastos, que toda a grana do mensalão foi usada no Caixa 2 das campanhas eleitorais. Esse tipo de delito tem uma pena branda, que já estaria prescrita.

Segundo O Globo, o professor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fernando Leal, a intenção de levar o nome de Lula ao julgamento pode ser uma tentativa de enfraquecer os argumentos da acusação, uma vez que o STF não poderia deixar de condenar os réus e excluir o suposto executor do esquema, no caso Lula. Leal, porém, disse que a iniciativa teria pouco efeito prático:

— As alegações do advogado de Roberto Jefferson, do ponto de vista jurídico, não tendem a prosperar na ação penal. A prerrogativa de incluir novos réus no processo é exclusiva do Ministério Público, que já optou expressamente por não fazê-lo.

Procurado pelo GLOBO, Lula não quis comentar o caso.

Jefferson chegou a arrolar Lula como testemunha da ação. Em outros momentos, ele também quis tornar o ex-presidente réu do mensalão, pedido negado pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, em 2010. O caso começou a tramitar no STF em 12 de novembro de 2007.

Reeleito semana passada presidente do PTB, o ex-deputado, de 59 anos, será operado no próximo sábado, no Hospital Samaritano, em Botafogo, para a retirada de um câncer no pâncreas. O diagnóstico foi feito em fase inicial da doença. Ele deverá ser internado quinta-feira.

— O tumor no pâncreas é de natureza indeterminada. Não existe um diagnóstico ainda. Só vamos saber depois da cirurgia, que é complexa, mas com grandes chances de recuperação — explicou José Ribamar Sabóia de Azevedo, o médico de Jefferson.