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29 de ago. de 2013

Patriota foi informado na véspera, pelo diplomata Eduardo Saboia, da operação de fuga do senador boliviano

BRASIL -
A operação de fuga do senador boliviano era do conhecimento do ex-Ministro Antonio Patriota
O diplomata Eduardo Saboia informou na véspera, a Patriota, da pretensão de executar a fuga do senador boliviano. Desconfiada Dilma teria demitido o chanceler, por achar que ele ficou pouco indignado com a ação do diplomata "rebelde" e agia “como quem não entendesse a gravidade da situação”

Foto: Antonio Cruz/ABr

A presidenta Dilma Rousseff e novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, no lugar de Antônio Patriota, durante cerimônia de posse no Palácio do Planalto

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Camarotti, Terra , Agência Brasil

O jornalista Gerson Camarotti diz que o editor de economia do Jornal das 10, da GloboNews, João Borges, soube por fontes seguras que o diplomata Eduardo Saboia, encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em La Paz, teria enviado uma mensagem para o ex-ministro de Relações Exteriores Antonio Patriota, na quinta-feira, 22 de agosto, um dia antes da operação deflagrada para trazer ao país o senador boliviano Roger Pinto Molina.

No comunicado a Patriota em que dizia que diante da piora do quadro do senador Molina, não restava a ele, como responsável pela embaixada, outra alternativa a não ser a remoção do parlamentar para local seguro com objetivo de tratar da saúde.

Saboia teria citado, inclusive, já ter os meios de transporte adequados para fazer a remoção em segurança. Ao final da mensagem, o diplomata teria enfatizado que o presidente da Bolívia, Evo Morales, certamente compreenderia a operação, pois, tendo sido vítima recentemente de uma tentativa de vistoria do avião presidencial em países da Europa, quando retornava de uma viagem a Moscou, tornou-se um ardoroso defensor da imunidade e da inviolabilidade das instalações e meios de transportes dos diplomatas.

Ou seja, Patriota soube, com a antecedência devida, o que iria acontecer, se não deu autorização, não tentou impedir a ocorrência. É bem verdade que o diplomata não teria revelado que estava disposto a por em prática a ideia no dia seguinte. Mas por certo, o fato de ter informado ao chanceler, foi um fator de encorajamento, em realizar a aventura.

Foto: Antonio Cruz/ABr

Dilma acabou sabendo que Antonio Patriota sabia, antecipadamente, da possibilidade da fuga do senador boliviano

Informada ou não desses fatos, interlocutores presidenciais dizem que a presidente Dilma Rousseff decidiu demitir o ministro Antonio Patriota do comando da pasta de Relações Exteriores ao perceber que ele não estava indignado o suficiente com a operação que trouxe o senador boliviano Roger Pinto para o Brasil. Isso ficou claro na conversa que os dois tiveram na última noite no Palácio do Planalto, antes do afastamento do ministro.

Nas palavras da fonte presidencial, Dilma há muito tempo já estava incomodada com o assunto. Ela havia ficado contrariada com o fato do senador boliviano ter entrado na Embaixada do Brasil, em La Paz, sem ter sido consultada no ano passado.

“O Patriota parece que não entendeu a gravidade do problema. Esse era um tema muito delicado para Dilma”, observou essa fonte ao Blog do Camarotti.

No sábado, quando o senador Roger Pinto Molina já estava em Corumbá, Dilma foi avisada por Patriota. Segundo relatos, ele disse que a situação do boliviano estava resolvida, apesar de não ter sido da melhor maneira.

O clima de contrariedade no Palácio do Planalto tomou conta com a entrevista do diplomata Eduardo Saboia ao Fantástico, da Rede Globo, em que reagiu à nota divulgada pelo Itamaraty.

“Não houve qualquer contestação de Patriota”, observou o interlocutor de Dilma. Para o Planalto, com esse gesto, o comando do Itamaraty avalizou a decisão do encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em La Paz.

Agora o Palácio do Planalto tenta dar por encerrado o episódio, considerando que é natural o “jogo de cena” do governo boliviano e que o presidente Evo Morales peça o retorno do senador à Bolívia.

É verdade, por exemplo, que o próprio Evo chegou a propor três vezes a solução de fuga do senador boliviano e, em todas as ocasiões, ela negou e solicitou o salvo-conduto.

Depois dos discursos desta quarta, no Itamaraty, durante a cerimônia de posse do novo ministro, a ordem é “baixar a poeira” e não fazer estardalhaço.

Continuará o processo que apura a conduta do diplomata Eduardo Saboia, que não deve receber uma sanção extrema, mas uma advertência; o ex-chanceler Antonio Patriota ficou bem resolvido com o cargo na ONU; e o senador boliviano deve permanecer no Brasil, desde que calado. Ele já foi alertado para não fazer novas declarações políticas porque isso poderá prejudicar sua estada no país.

A presidenta Dilma Rousseff e o presidente da Bolívia, Evo Morales, se reunirão amanhã, sexta-feira (30), em Paramaribo, capital do Suriname, onde estarão para a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O encontro bilateral servirá para os chefes de estado encontrarem uma forma de administrar a crise criada com a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina.

27 de ago. de 2013

Fuga de senador boliviano faz Dilma demitir Patriota

BRASIL - Crise Diplomática
Fuga de senador boliviano faz Dilma demitir Patriota
Antonio Patriota, o Ministro das Relações Exteriores, será substituído no cargo por Luiz Figueiredo, representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU)

Foto: Valter Campanato/ABr
DEGOLA - Antonio Patriota, ministro de Relações Exteriores: demitido após o resgate do senador boliviano, após dois anos e oito meses à frente da diplomacia brasileira

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Folha de S. Paulo, Estadão

A presidente Dilma Rousseff demitiu na noite desta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Ele perdeu o cargo após a fuga para o Brasil do senador boliviano Roger Pinto Molina, que passou mais de um ano asilado na embaixada brasileira em La Paz. Opositor do governo Evo Morales, Molina é acusado de corrupção em seu país.

Patriota será substituído no cargo por Luiz Figueiredo, representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).

O ex-ministro das Relações Exteriores substituiu Celso Amorim (hoje ministro da Defesa), que foi um do seu principal padrinho na carreira diplomática. Ao contrário de Amorim, no entanto, ele tinha estilo discreto e nunca agradou à presidente Dilma. O resgate do senador boliviano foi o último em uma série de episódios que fizeram Dilma avaliar que Patriota exercia mal e pouco sua liderança à frente da chancelaria brasileira.

Além da avaliação já consolidada do perfil de Patriota no posto, pesou o fato de que um senador do PMDB, Ricardo Ferraço (ES), tenha sido o interlocutor do diplomata brasileiro Eduardo Saboia na empreitada que trouxe Molina ao país. Saboia usou um carro da representação brasileira em La Paz para percorrer um trajeto de 1.600 quilômetros até Corumbá (MS). O veículo dispõe de imunidade diplomática e foi escoltado por dois fuzileiros navais brasileiros.

Oficialmente, o governo brasileiro afirmou que Patriota entregou o cargo. "A presidenta Dilma Rousseff aceitou nesta segunda-feira o pedido de demissão do ministro Antonio de Aguiar Patriota, e indicou o representante do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, para ser o novo ministro das Relações Exteriores. A presidenta agradeceu a dedicação e o empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos em que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a Missão do Brasil na ONU", diz a nota divulgada nesta noite.

O governo brasileiro afirma não ter autorizado a operação, que provocou mal-estar nas relações diplomáticas com o país vizinho. A versão oficial coincide com o que se ouve no Itamaraty: Saboia teria agido sem comunicar Patriota.

Foto: Nicolas Garrido/Reuters

INCOMPATÍVEIS - Patriota teve que defender teses que abominava para se manter no cargo, mesmo assim, não conseguia a simpatia da turrona e enfezada Dilma Russeff

AS TURRAS

A relação entre o ex-chanceler Antonio Patriota e a presidente Dilma Rousseff nunca foi tranquila. Secretário-geral sob Celso Amorim, Patriota foi indicado à presidente pelo atual ministro da Defesa. Dilma, que nunca teve muito apreço pela diplomacia, gostou do perfil discreto e contido do embaixador mas, em pouco mais de dois anos e meio, não foram poucas as vezes em que entrou em crise com seu chanceler. Como disse o jornalista da Globo, Álvaro Pereira, o sangue de Dilma nunca combinou com o de Patriota.

O maior "desconforto" entre os dois possivelmente foi a entrada da Venezuela no Mercosul, feita à revelia do Itamaraty. Apesar de concordar com a suspensão do Paraguai, Patriota foi contrário a que se usasse a suspensão para incorporar os venezuelanos. Dilma, no entanto, conseguiu um parecer da Advocacia Geral da União e mandou tocar adiante a operação. O ministro Patriota, diplomaticamente passou meses defendendo uma ação que desaprovava nos bastidores da diplomacia.

Durante a Rio+20, a presidente e o chanceler tiveram outro atrito. Apesar de ser a anfitriã, Dilma, que estava na reunião do G20, no México, não queria fazer o discurso de abertura do encontro no Rio. Auxiliares próximos puderam ouvir a discussão dos dois, por telefone. A presidente terminou por discursar, mas de cara amarrada.

Outra crise aconteceu pouco depois do início da guerra civil na Síria. A delegação brasileira havia sido a principal negociadora de uma nota mais dura - "com dentes", como disseram alguns diplomatas - mas, antes de aprovar a votação, a presidente quis saber como votariam os demais membros do Conselho de Segurança. Ao saber que não havia unanimidade, mandou a missão brasileira se abster, o que causou enorme irritação entre os diplomatas.

Há cerca de um ano, Patriota era dado como "demitido" por auxiliares da presidente. Pouco afeita às firulas da diplomacia, a presidente se irritava com questões levadas pelo chanceler e via pouca utilidade em algumas das viagens que Patriota insistia que ela fizesse. Ainda assim, tinha dificuldades de encontrar um substituto.

Políticos e outros Ministros assistiram por inúmeras vezes tratamento vexatório e humilhante que Dilma dispensava a Patriota, em dose exagerada, mais desrespeitosa do que costuma ser com o resto do ministério. Subservientemente Patriota curvava-se para se manter no cargo. O caso da fuga do embaixador boliviano acabou sendo a gota d'água que fez transbordar o copo da paciência presidencial, cansada da polidez e da formalidade do ministro demissionário. A demissão de Patriota agora vai ser útil para reduzir a tensão entre a presidenta e o boliviano Evo Morales, que por sua vez, finge está zangado com a fuga do senador Ricardo Pinto, mas interiormente feliz por ver o adversário longe da Bolívia.

11 de mai. de 2013

A falácia dos médicos cubanos

BRASIL - Cuba
A falácia dos médicos cubanos
Governo decide trazer seis mil profissionais de saúde cubanos para as áreas mais remotas do País, onde, apesar dos salários mais altos, brasileiros não querem se estabelecer. As associações médicas reclamam que isso não é a solução

Foto: France Press

Médicos cubanos comemoram a graduação

Postado por de Toinho de Passira
Fonte: Estadão

Não poderia ser pior a medida em estudo pelo governo federal - a importação de 6 mil médicos cubanos - para resolver o problema da falta desses profissionais em cidades do interior, principalmente nas regiões mais pobres do País. Além das restrições legais ao seu trabalho aqui, que deveriam bastar para invalidar a ideia, é preciso considerar também a duvidosa qualificação técnica desses médicos. Como essa não é a primeira vez que a medicina cubana é apresentada como valiosa ajuda para a solução de nossos problemas, sem base em nenhum dado objetivo, tal insistência torna inescapável a conclusão de que o governo está misturando perigosamente política com saúde da população.

Embora a questão esteja sendo estudada, além dele, também pelos Ministérios da Saúde e da Educação, não deixa de ser significativo que tenha sido o titular do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, que anunciou a possível adoção da medida, depois de um encontro com seu colega cubano, Bruno Rodriguez, em Brasília. "Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos (cubanos) aqui, em vista do déficit de profissionais de medicina. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e a qual atribuímos um grande valor estratégico", disse ele.

Acrescentou o ministro, de acordo com o jornal O Globo, que a vinda daqueles médicos fortaleceria ainda mais a parceria do Brasil com Cuba numa área em que este país "detém clara vantagem e se estabeleceu mundialmente como um país que contribui para elevar os níveis de saúde aqui na América Latina". Como o que está em discussão não são sistemas de saúde, mas especificamente a possível contribuição de médicos cubanos, supõe-se que Patriota, ao falar em "clara vantagem", tenha se referido à da medicina cubana sobre a brasileira. Isto é, na melhor da hipóteses, um exagero retórico, que não pode ser levado a sério, mas que coloca em evidência o componente político da medida em estudo.

Os médicos cubanos viriam como prestadores de serviço ao governo brasileiro, com contratos temporários - de dois a três anos - assinados com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Como a lei exige a revalidação dos diplomas desses profissionais para que eles possam trabalhar aqui, o Ministério da Saúde estaria tentando, desde o ano passado, negociar com o Conselho Federal de Medicina (CFM) a concessão de licença provisória por aquele período, tanto para médicos de Cuba como de Portugal e Espanha. A pronta reação do CFM ao anúncio de que aquela medida estava em estudo, com duras críticas do governo, mostra que a negociação deu em nada.

Em dura nota oficial, ele condena "qualquer iniciativa que proporcione a entrada irresponsável de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de Medicina obtidos no exterior sem sua respectiva validação". Como pela lei essa validação é obrigatória, a questão deverá ser levada à Justiça. A nota chama a medida de "agressão à Nação", porque atenderia a "interesses específicos e eleitorais". A posição adotada pelo CFM se justifica plenamente. Como o governo sabe que dificilmente os médicos cubanos conseguirão passar no exame para validação de seus diplomas, a tal licença provisória é um expediente para contornar a exigência legal.

Foram decepcionantes os resultados do exame, feito no ano passado, para a validação de diplomas de médicos, cubanos ou não, formados em Cuba. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), dos 182 inscritos, só 20 foram aprovados, ou seja, 1 de cada 9. É aos cuidados desse tipo de médico, comprovadamente sem a necessária qualificação, que o governo quer deixar a população pobre das pequenas cidades.

Têm razão portanto os especialistas, quando afirmam que a solução não é importar médicos cubanos ou contratar brasileiros formados em Cuba, sem diplomas validados. É investir cada vez mais na formação de médicos brasileiros e criar estímulos para que trabalhem no interior.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

7 de mai. de 2013

Brasileiro, Roberto Azevêdo, é eleito diretor-geral da Organização Mundial do Comércio

BRASIL – Relações Exteriores
Brasileiro, Roberto Azevêdo, é eleito diretor-geral
da Organização Mundial do Comércio
O diplomata brasileiro foi eleito nesta terça-feira como o novo diretor-geral da OMC, ao derrotar o mexicano Herminio Blanco, que também concorria ao posto.

Foto: Gustavo Ferreira/MRE

Roberto Azevêdo será o primeiro latino-amerciano a chefiar a OMC desde sua criação em 1995. Em setembro substituirá, o francês Pascal Lamy, para um mandato de quatro anos..

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, BBC Brasil, Reuters, Euronews

O diplomata brasileiro Roberto Azevêdo foi escolhido o próximo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o órgão máximo do comércio internacional, a partir de setembro, segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

O anúncio é informal; a confirmação oficial será feita pela OMC na quarta-feira (8). A decisão ainda será formalizada em reunião entre os países membros na próxima semana.

A disputa final ficou entre o brasileiro, que contou com o apoio dos países emergentes e em desenvolvimento, e o mexicano Hermínio Blanco, visto como candidato dos países ricos.

Nove candidatos se apresentaram para suceder o francês Pascal Lamy, que deixará seu posto no fim de agosto. Lamy está no cargo desde 2005.

Saíram da disputa, na primeira fase da seleção, os quatro candidatos que conseguiram menor apoio por parte da consulta feita com os 159 países-membros da OMC: Alan John Kyerematen (Gana), Anabel González (Costa Rica), Amina Mohamed (Quênia) e Ahmad Thougan Hindawi (Jordânia). Na segunda fase, deixaram a disputa o neozelandês Tim Groser, o sul-coreano Taeho Bark e a indonésia Mari Pangetsu.

É a segunda vez que o Brasil tenta emplacar no comando do órgão. Em 2005, quando Pascal Lamy foi eleito, o Brasil lançou Luiz Felipe de Seixas Corrêa para o posto. Desde sua fundação, em 1995, nunca um brasileiro ocupou a presidência da OMC, responsável por conduzir as rodadas que visam à liberalização do comércio mundial.

Um dos grandes desafios do novo chefe da OMC será reativar as negociações da Rodada Doha para liberalizar o comércio mundial, em ponto morto há anos.

Currículo do brasileiro

Azevêdo é diplomata de carreira, tem 55 anos e está no Itamaraty desde 1983.

Em nota divulgada em dezembro, na ocasião do lançamento do nome do diplomata, o Itamaraty destacou que "a candidatura brasileira representa a importância atribuída pelo país ao fortalecimento da OMC e procura contribuir para o progresso institucional da Organização e para o desenvolvimento econômico e social mundial".

O Itamaraty também chamou a atenção para a Rodada de Doha, em que o Brasil negocia para derrubar subsídios agrícolas em países desenvolvidos como forma de dar mais competitividade às mercadorias do país.

No comunicado, o ministério mencionou como objetivos da OMC a "melhoria dos padrões de vida, à garantia do pleno emprego e da renda, à expansão da produção e do comércio de bens e serviços, bem como ao uso dos recursos disponíveis em conformidade com o desenvolvimento sustentável".

Azevêdo é o representante do Brasil no órgão e atua como "negociador-chave". Antes, ocupou diversos cargos relacionados a assuntos econômicos no Ministério das Relações Exteriores, tendo atuado em contenciosos como os casos de Subsídios ao Algodão (iniciado pelo Brasil contra os Estados Unidos), Subsídios à Exportação de Açúcar (iniciado pelo Brasil contra as Comunidades Europeias) e Medidas que Afetam a Importação de Pneus Reformados (litígio iniciado pelas Comunidades Europeias), além de chefiar a delegação brasileira na Rodada Doha.

11 de jan. de 2011

BRASIL: Farra dos passaportes é maior que se imaginava

BRASIL
Farra dos passaportes é maior que se imaginava
Todo escândalo no Brasil é maior do que parece no começo. A história dos Passaportes Diplomáticos para os filhos de Lula são a ponta do iceberg, de uma zorra total. O documento foi emitido para outros membros da família Silva, para deputados federais e suas respectivas mães, mulheres, filhos e apaniguados, em férias. Até o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus conseguiu um. Estranho é que até agora não houve nenhuma reação do Ministério Público. A sociedade está perdendo a capacidade de se indignar?

Ilustração Toinho de Passira

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha Online, Band, Terra, Estadão, G1

Político brasileiro acha que o mandato dar-lhe o direito de ser um cidadão com benefícios acima dos cidadãos que os elegeram. Desde que encontrem uma brecha na lei, que eles mesmos redigiram, saem aproveitando ao máximo esses benefícios, sem que aja a menor preocupação com o bom senso, e muito menos com a ética.

A definição de que o político, seja ele vereador ou Presidente da República, é um servidor público está ultrapassada. No Brasil, o político acha que essa definição quer dizer, que ele deve se servir do estado em toda a amplitude possível.

Claro que não havia sentido se fazer uma lei, para que alguém tivesse passaporte diplomático para fazer turismo. A honrosa atividade diplomática prevê a atuação de um representante no exterior, para defender ou representar os interesses nacionais, nunca uma atividade particular.

O espírito da Lei do Passaporte, no aspecto Passaportes diplomáticos, previa que alguns parentes de autoridades brasileiras, como o presidente e vice-presidente da República, ministros dos tribunais superiores e parlamentares em atividades diplomáticas, ou seja, representando ou defendendo os interesses do Brasil, tivessem direito a esses passaportes, que deveriam valer durante a missão especificamente.

Nossos políticos afrouxaram a lei, com a ajuda do Itamarati e o que era para ser uma exceção virou uma rotina vulgar.

Descobriu-se isso da pior maneira possível. Integrantes do Ministério das Relações Exteriores, revoltados com a derrama, denunciaram que dois filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cláudio Lula da Silva, 25, Marcos Cláudio Lula da Silva, 39, e mais um neto de 14 anos receberam passaportes diplomáticos ilegais em 29 de dezembro, dois dias antes do fim do mandato de papai e de vovô. A lista pode crescer.

Esperava-se que os parlamentares, principalmente os de oposição, mesmo estando em recesso, fizessem declarações de repúdio, contra essas irregularidades do ex-presidente. Mas o que se “ouviu” foi um silêncio cúmplice.

O Estadão, na trilha da Folha de São Paulo que fizera a primeira denuncia desvendou o mistério: os parlamentares também estão no mesmo desgovernado barco de Lula.

Foto: Arquivo

IGREJINHA- O senador Bispo Crivella conseguindo passaporte diplomático para o Bispo Panceiro, o sucessor de Edir Macedo, tudo pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Por exemplo, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Romualdo Panceiro Filho, ganhou um passaporte diplomático a pedido do bispo senador Marcelo Crivella, o braço político da seita de Edir Macedo e seu braço político no Parlamento.

Panceiro, tido como o sucessor de Edir Macedo, é o arrecadador mor da Igreja Universal, para a América Latina. Trocando em miúdos, o bispo faz viagens “diplomáticas”, pegando a grana dos latinos, para encher os cofres de Macedo.

Daí surgiu à dúvida: será que com apenas um pedido de um parlamentar, qualquer pessoa ganha oficialmente status de diplomata?

O Estadão apurou que os passaportes diplomáticos são usados por deputados e parentes para conhecer o mundo e literalmente fazer turismo. Pelo menos dois terços desses passaportes especiais solicitados pela Câmara dos Deputados ao Itamaraty, entre fevereiro de 2009 e janeiro de 2010, foram para mulheres, maridos e filhos dos parlamentares. A motivação para a expedição do documento, em 87% dos casos, foi turística.

Fotomontagem Toinho de Passira

LAS VEGAS É AQUI- Se os deputados estivessem aprovados o funcionamento de cassinos no Brasil, não teria que viajar para o deserto de Nevada para jogar.

Verificou-se que durante o atual recesso parlamentar, os parentes do parlamentares seguiram para destinos como Miami, Las Vegas, Nova York, Atlanta, Dubai, Vancouver, Buenos Aires, Austrália, Japão, entre outros.

Filhos de deputados que vão passar um período de estudos no exterior também aproveitam para viajar com o passaporte especial. É bom lembrar, que quem tem esse documento recebe privilégios em aeroportos, como fila e atendimento especiais, prioridade em bagagens, que na maioria das vezes não é revistas e, dependendo do país, fica até dispensado da necessidade de visto.

Esmiuçando a farra, viu-se que a Câmara, desde 2009, solicitou para viagens de deputados e parentes portadores de Passaportes Diplomáticos, conseguidos por afrouxamentos e brechas na lei, 662 vistos, destes quase a totalidade, 577 deles, foram para turismo e apenas 69 cumpriam o objetivo de missão oficial, a trabalho.

Cerca de 360 passaportes diplomáticos foram emitidos nestes últimos dois anos, requeridos por parlamentares. De acordo com os dados, pelo menos 125 passaportes foram emitidos para filhos e 110 para cônjuges.

Dando nomes a alguns bois, detectou-se, por exemplo, que no fim do ano passado, o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO) pediu passaporte diplomático e visto para ele, a mulher e três filhos viajarem para Miami. O período do passeio, segundo o documento, seria de 3 a 17 de janeiro deste ano, no recesso parlamentar.

Um requerimento em nome do deputado Décio Lima (PT-SC) pede passaporte diplomático e visto para ele e sua mulher irem a Las Vegas, cidade famosa pelos cassinos, entre 10 e 25 de janeiro.

Em 2 de junho de 2009, Alexandre dos Santos (PMDB-RJ) pediu o documento especial para ele e a mulher. Naquele ano, usaram o documento para viajar a turismo para Dubai (Emirados Árabes) e Nova York (EUA). O deputado Charles Lucena (PTB-PE), sua mulher e mais três filhos pediram o passaporte diplomático para passear em Miami em julho de 2009.

Em julho de 2010, a Segunda Secretaria providenciou passaportes diplomáticos para dois filhos de Ratinho Júnior (PSC-PR) viajarem a "turismo", segundo a Câmara, para Miami.

O Estão disse que não conseguiu localizar os deputados citados na reportagem. Claro, eles estão viajando.

A legalidade ou não das emissões desses passaportes, fica naquela zona cinza das leis, onde nossos políticos sentem-se tão à vontade, onde algo parece legal embora esteja longe de ser ético.

Foto: Wilson Pedrosa/AE

MÁXIMO PROVEITO-Deputado E Ministro do turismo, Pedro Novais, mandou diplomaticamente a mulher para Miami, caiu na farra e mandou a conta para o contribuinte

Como registro final constatou-se que o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), usou o expediente de conseguir passaporte diplomático, para trair a mulher. Isso mesmo, o velhinho sátiro pediu um passaporte diplomático e um visto para sua esposa, Maria Helena Pereira de Melo, e enquanto ela comprava bugigangas na Florida, ele participava da famosa “suruba” num Motel em São Luis do Maranhão. Depois ainda requereu que a Câmara ressarcimento das despesas da orgia. Não é lindo?

Destaque-se também a cínica indignação do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), candidato a reeleição e o terceiro na linha de sucessão do Presidente da República.

Maia não gostou do presidente a OAB do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, ter pedido que os dois filhos do ex-presidente Lula que devolvam o passaporte diplomático que receberam e ter criticado a utilização do documento para turismo, por parte dos parlamentares.

Maia disse "estranhar" o pedido de Cavalcante para que os deputados que utilizam o documento para turismo o devolvam, já que em "outros Poderes acontece a mesma coisa".

O presidente do Parlamento deve ser interpelado para nominar os membros do Poder Judiciário e do Executivo que estão utilizando-se desse expediente para as devidas providencias legais.

Mas ele não acha que respeitar a lei seja importante:

"Me estranha que o presidente da OAB tenha feito declarações somente sobre a Câmara e não sobre os outros Poderes que gozam exatamente do mesmo benefício. O Brasil tem coisa mais importante para discutir neste momento. É um absurdo ele estar preocupado com uma coisa dessas", disse Maia querendo encerrar o assunto.

Esperamos que o Presidente da OAB parasse de dar conselhos, sem é que ele não tirou também passaportes diplomáticos para seus filhos e mulher, e acione o Ministério Público Federal, que já poderia ter se manifestado de moto próprio, para apurar responsabilidades, cassar os documentos ilegais, fazendo valer o espírito da lei do passaporte.

Há notícia que setores do Ministério de Relações Exteriores defendem a extinção do Passaporte diplomático. Anarquicamente sugeriríamos que a luz da Constituição que assegura os mesmos direitos para todos os brasileiros, que os passaportes, de agora em diante, sejam todos diplomáticos.

Fotomontagem Toinho de Passira

DUBAI É AQUI – Miami, Las Vegas, Nova York, Atlanta, Dubai, Vancouver, Buenos Aires, Austrália, Japão, os destinos preferidos dos parlamentares, esposas e filhos, munidos de passaportes diplomáticos. Coincidentemente os destinos mais solicitados pelos turistas.