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8 de set. de 2012

CHARGE: HUMBERTO - Jornal do Comércio (PE)



HUMBERTO- Jornal do Comércio (PE)


14 de ago. de 2012

5 de ago. de 2012

Morreu, conterrâneo, Severino Araújo, o maestro da orquestra Tabajara

BRASIL – Pernambuco - Luto
Morreu, conterrâneo, Severino Araújo,
o maestro da orquestra Tabajara
O músico, compositor, arranjador, maestro, nascido em Limoeiro, quando Passira ainda era distrito, comandou a famosa Orquestra Tabajara por 69 anos

Foto: Arquivo

Severino Araújo, o autor do chorinho “Espinha de Bacalhau”, com sua inseparável clarineta

Postado por Toinho de Passira
Texto de José Teles com agências
Fontes: Jornal do Comercio, Conexão, G1, Jornal Nacional

Maestro da mais longeva orquestra de bailes do País, a Tabajara, o pernambucano Severino Araújo, 95 anos, morreu na noite desta sexta (3), no Rio, vítima de falência múltipla de órgãos.

Ele estava internado no hospital Ipanema Inn há 15 dias e afastado do comando da banda há cinco anos, por problemas de saúde que foram se agravando.

Filho de um mestre de banda de Limoeiro, no Agreste, Araújo aprendeu música durante a infância, inicialmente como clarinetista, e assumiu o comando da Orquestra Tabajara em 1938, aos 21 anos, quatro anos após sua criação, em João Pessoa.

Severino transformou o grupo de jazz tradicional em um conjunto brasileiro com linguagem própria, interpretando sambas, valsas e choros. Ao longo de sete décadas, gravaram mais de 100 discos e continuam na estrada. Liderou por quase seis décadas o conjunto, até que um problema na perna o deixou com dificuldades de locomoção e o fez passar o comando para seu irmão Jaime Araújo.

Severino Araújo era casado com Neuza Monteiro, 85, sua segunda mulher, e deixa quatro filhos: Tânia, Ronaldo, Francisco e Ieda – os dois últimos, de seu primeiro casamento. O corpo do maestro foi sepultado este sábado (4), ao meio dia, no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio.


Em 15 de junho de 2010, a TV Cultura levou ao ar, no programa Mosaicos, o especial “A arte de Severino Araújo e Orquestra Tabajara”, um documentário musical narrado por Rolando Boldrin, que resgata a história e a obra dos homenageados.

Dirigido por Nico Prado, o programa recupera imagens históricas do artista. Também promove o encontro inédito de Jaime Araújo, Spok e Proveta, da Banda Mantiqueira.

Eles falam sobre a importância de Severino para a música brasileira e interpretam três clássicos de autoria do maestro pernambucano: Relembrando o norte, Espinha de bacalhau e Chorinho em Aldeia.

O maestro Severino Araújo tinha dez anos a menos do que o frevo. Há 74, ele estava à frente da Orquestra Tabajara, uma lenda na música brasileira – ambos, o maestro e a orquestra. Aos 90 anos, convalescente de uma operação no joelho, ele alterou uma rotina iniciada no final dos anos 30.

TRAJETÓRIA - Severino Araújo teve uma trajetória parecida com a de Capiba, cujo pai exercia a mesma profissão. Ainda criança, a família de Severino Araújo mudou-se para a pequena Ingá, no interior da Paraíba. Foi ali que se destacou como clarinetista, a ponto de sua fama chegar à capital do Estado e receber convite para integrar a Banda da Polícia Militar.

A carreira recordista de Severino Araújo com a Orquestra Tabajara começa em 1937, João Pessoa, quando foi contratado como clarinetista da PRI-4, emissora do governo do Estado, a Rádio Tabajara. E no ano seguinte, com o falecimento do maestro Luna Freire, ele foi convidado para reger a orquestra, da qual passou afastado um ano, quando foi contratado pela poderosa Rádio Tupi, do Rio.

Na então capital federal, Severino Araújo logo tornou-se requisitado como músico e arranjador, e gravou seus primeiros discos. A estreia, com frevo, naturalmente. Com o cantor Déo, no vocais, e uma orquestra de estúdio lançou “Eu vou pra Pernambuco”, em outubro de 1944.

O primeiro sucesso foi Chorinho em Aldeia, composto quando ele serviu o Exército no Recife (Aldeia a que se refere é o bairro de Camaragibe, embora o batalhão em que serviu fique em Paudalho).

A orquestra foi para o Rio em 1945. Ela e seu maestro nunca mais se separaram desde então.

Em 2007, ele concedeu entrevista ao JC: “Eu não sou o mais indicado para falar da história do frevo. Meu pai é que foi um grande compositor de frevos”, disse, modesto, em entrevista por telefone. Mas não demorou a lembrar que a Orquestra Tabajara gravou muitos frevos, e que ele compôs alguns clássicos do gênero, e pelo menos um álbum antológico, A Tabajara no frevo (Continental, 1956).

Selo do disco de 78 rotações – pela gravadora Continental. O frevo, “Furiosa” um clássico dos carnavais pernambucano, é de autoria maetro Zumba (José Gonçalves)
É deste álbum um dos frevos mais regravados de Severino Araújo, Relembrando o Norte, “Esta música eu ainda fiz em João Pessoa, com o nome de Frevo de Cabo Branco, mas como ninguém no Rio sabia o que era Cabo Branco, mudei para Relembrando o Norte”, revelou o maestro.

Para ele foi a força das escolas de samba que barrou o sucesso do frevo no Rio:

“As escolas estão pelo Brasil todo, são muito poderosas. Mas quando chegamos aqui, em 1945, contratados pela Rádio Tupi, fizemos sucesso tocando frevo. Ficamos seis meses fazendo bailes com frevos, e o que o patrocinador nos pagou deu para juntar uns bons cruzados (sic), e ainda sobrou dinheiro para a Tupi”, conta.

Com um dos currículos mais ricos da MPB, gravando com praticamente todos os grandes nomes da era do rádio, o frevo nunca saiu do repertório da Orquestra Tabajara. Foi acompanhada pela orquestra de Severino Araújo que Carmélia Alves emplacou um sucesso, em 1954, com o frevo-canção “Casa de Noca” (de Capiba).

Quando soube que no Recife as escolas de samba não têm mais tanta força, ele emendou:

“Nem o frevo. A última vez que a Tabajara fez Carnaval no Recife foi em 1977. Sei que o frevo não toca mais por aí. E isso acontece porque os grandes compositores morreram, existem poucos dos cantores do passado, e as orquestras desapareceram. Mas não foi só por causa do fim dos bailes de Carnaval, e sim porque os clubes de pedestres que saíam levando o povo pela rua, com boas orquestras, também desapareceram”, analisou.

O mais idoso compositor de frevo, que entrou para a história, não aprovava muito o que lhe tem chegava de Pernambuco: “Ouço pouco, mas acho um frevo errado, é muito corrido. No último Carnaval vi o Recife na TV, mas quando a orquestra toca é muito ligeiro, não era assim o frevo que conheci”.


Severino Araújo (1917 -2012)


Orquestra Tabajara executa ”Bachiana Brasileira n°5”
de Heitor Villa-Lobos sob a regência de Severino Araújo


Sujeito a Guincho executa “Espinha de Bacalhau”
do maestro Severino Araújo



1 de ago. de 2012

RECIFE: Polêmica que brota do mangue

BRASIL – Recife - URBANISMO
Polêmica que brota do mangue
Paisagistas defendem a poda de árvores e do mangue para deixar mais visíveis o Capibaribe e o casario histórico ao longo do rio, junto ao projeto de drenagem do rio, que começa em outubro

Foto: Divulgação

Casa da Cultura, no Bairro de Santo Antônio, uma imponente edificação do século XIX, antiga Casa de Detenção, transformada em centro cultural e mercado de artesanato, escondida pela vegetação do manguezal

Postado por Toinho de Passira
Texto de Cleide Alves.
Fonte: Jornal do Comércio Edição Online

O projeto de dragagem do Capibaribe, anunciado pelo governo do Estado semana passada e previsto para começar em outubro próximo, abre no Recife debate sobre a vegetação de mangue plantada na margem do rio no fim da década de 80. Arquitetos paisagistas defendem a poda das árvores ou, até mesmo, a erradicação de trechos do manguezal no Centro, para deixar mais visíveis tanto o Capibaribe quanto o casario histórico ao longo do curso d’água.

É preciso fazer um estudo para definir onde preservar e onde retirar o mangue no Centro do Recife, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas e professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luiz Vieira. Ele sugere a supressão das árvores nas imediações da Casa da Cultura, no cais da Rua da Aurora e atrás do jardim do Palácio do Campo das Princesas. O mangue cresceu, ficou muito alto e esconde os prédios históricos do Centro. ”

Foto: Toinho de Passira/Passiranews

Manguezais na Ilha do Leite, próximo ao Forum do Recife

A vegetação poderia ser mantida, na avaliação de Luiz Vieira, na parte mais larga do Rio Beberibe, logo após o Palácio do Governo até a Ponte do Limoeiro, que liga o Bairro do Recife à Avenida Norte. “Nesse trecho, o efeito do mangue é positivo na paisagem, comenta. A dragagem do rio, para criar um canal de navegação no Capibaribe, seria a oportunidade ideal para debater o assunto na cidade, argumenta.

Francisco Cunha, arquiteto e integrante do Observatório do Recife, entidade que monitora indicadores de qualidade de vida da cidade, propõe a erradicação da planta no Centro. Além de esconder os prédios, a vegetação estaria impedindo a contemplação do Capibaribe. O rio é um componente fundamental da paisagem do Recife, diz. “É justo condenar a Casa da Cultura a ficar ocultada atrás de uma floresta de mangue? A árvore cresceu daquela forma porque o rio está cheio de matéria orgânica.

Ele defende a poda do mangue nos bairros do Derby, Madalena, Torre e Casa Forte, fora do Centro. Coordenadora do Laboratório da Paisagem da UFPE, a arquiteta Ana Rita Sá Carneiro discorda da supressão do mangue. Os edifícios precisam ser vistos, mas o mangue tem uma história e uma identidade com o Recife, pondera a professora.


Frans Post e os manguezais do Recife

O manguezal do Capibaribe, diz Ana Rita, foi registrado no século 17 pelo pintor holandês Frans Post (1612-1680), primeiro europeu a retratar as paisagens brasileiras. A pesquisadora concorda com a poda de manutenção de trechos da vegetação, para permitir a abertura de grandes janelas e dar mais visibilidade aos edifícios históricos.

Uma das janelas tornaria mais aparente os jardins do Palácio do Campo das Princesas, que será restaurado numa parceria do governo como o Laboratório da Paisagem da UFPE e terá de volta o projeto do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994). A proposta seria cortar as árvores na altura da balaustrada do palácio e do guarda-corpo do cais próximo à Casa da Cultura. “O mangue continuaria existindo, sem encobrir as edificações históricas, diz ela.

Foto: Geovani Xiru/Flickr
Biólogo e pesquisador do Laboratório da Paisagem da UFPE, Joelmir Silva propõe a substituição gradual do mangue branco (Laguncularia racemosa) plantado na década de 80, que pode atingir 20 metros de altura, por outra espécie de menor porte. “Um estudo de impacto ambiental pode orientar a substituição. Embora a contemplação dos monumentos esteja prejudicada, o mangue tem a função de limpeza do rio, afirma o biólogo.

Peixes, caranguejos e garças se alimentam no manguezal do Capibaribe. “Há uma cadeia alimentar formada há cerca de 20 anos e que será prejudicada com a retirada da vegetação, alerta o biólogo. O mangue (coletado na área próxima à Igreja de Santo Amaro das Salinas, no Centro) foi plantado na gestão do então prefeito Jarbas Vasconcelos (1986-1988) na lateral da Casa da Cultura. Com o passar dos anos, espalhou-se pelo rio.

Protegido por lei federal, o manguezal é uma Área de Preservação Permanente (APP) e não pode ser derrubado ou sofrer intervenções, exceto em caso de utilidade pública. (A Lei Federal nº 4.771/65 cria a APP e a Resolução nº 369/2006, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, proíbe a derrubada da vegetação). Desde o século 16 havia mangue no Capibaribe, o ecossistema desapareceu com os aterros do rio, informa José Zanon Passavante, professor do Departamento de Oceanografia da UFPE.

O mangue, diz ele, fornece alimento para crustáceos, peixe-boi e peixes de modo geral, contribui para a limpeza do rio e embeleza a cidade. A vegetação é típica do estuário, área onde a água do mar é diluída pela do rio. No Recife, o estuário vai do Centro até a Madalena, afirma Zanon.

Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, Sérgio Xavier aposta no equilíbrio. Os arquitetos poderiam apresentar um projeto que preservasse a área verde e abrisse a paisagem para os monumentos históricos. É possível ter o mangue e o casario, diz ele. “O mangue na cidade captura dez vezes mais gás carbônico do que a vegetação terrestre e o Recife precisa melhorar a qualidade do ar. ”

O projeto de dragagem do Capibaribe prevê a abertura de um canal com 36 metros de largura (o serviço não será feito de uma margem à outra) e 2,5 metros de profundidade, para criação do transporte fluvial. Uma rota de 11 quilômetros ligará o Centro até a BR-101. Outra, de 2,9 quilômetros, vai da Rua Sol à Tacaruna.

A dragagem prevê estudos prévios e o mangue está contemplado, diz Ana Suassuna, secretária-executiva das Cidades. Segundo ela, o Plano de Controle Ambiental, que será licitado e levado a público, vai orientar a intervenções. “É cedo para se falar em poda ou supressão do mangue.
*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas ao texto original

31 de jul. de 2012

Batman é o rock do americano doido, por Arnaldo Jabor

BRASIL – OPINIÃO
Batman é o rock do americano doido
“Esse filme se pretende mais complexo que os outros, mas não é. Parece “complexo”, mas é apenas “emaranhado”. Isso. Assim como o mistério da arte é abolido no “entretenimento”, nos atuais filmes de ação a “complexidade” é substituída por um simulacro: o proposital “emaranhamento”, que nos dá a sensação de profundo”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Arnaldo Jabor
Fonte: Jornal do Comércio

Fui ver O Cavaleiro das Trevas, mas não vou analisar o Batman como “arte”. Agora existe um novo tipo de coisa – um filme-game que não se mede por estrelinhas ou bonequinhos aplaudindo. Não existe mais “gostei” ou “não gostei”. Os roteiros não contam mais. A mise-en-scène é a tempestade de planos de três segundos montados em enxurrada com efeitos especiais incessantes. O significado dos filmes está além deles. Interessa ver os conceitos que estão por baixo das cenas, a intenção por baixo da ação. O filme se esconde no décor – ali está o verdadeiro sentido. Acabaram mocinhos x bandidos, as personagens principais são as coisas, os computadores, a tecnociência.

Esse filme se pretende mais complexo que os outros, mas não é. Parece “complexo”, mas é apenas “emaranhado”. Isso. Assim como o mistério da arte é abolido no “entretenimento”, nos atuais filmes de ação a “complexidade” é substituída por um simulacro: o proposital “emaranhamento”, que nos dá a sensação de “profundo”. É claro que Batman é um herói genial, que os outros empregados da Marvel são heróis encantadores das histórias em quadrinhos. Nada contra as aventuras maravilhosas que tinham uma cândida simplicidade nos enredos. O que enche o saco é ver como os produtores se apropriam dessas historinhas ingênuas e tentam dar-lhes um sentido do “ar do tempo”, construindo um sarapatel de fatos políticos: terrorismo, “patriotic act”, política do medo, impotência social, numa espécie de “rock do americano doido”... “Ah... deixa de ser chato, é apenas gibi filmado...” Gibi é o cacete – alguns desses filmes são manifestos com interpretações ridículas sobre o momento atual. E ninguém percebe.

No entanto, gostei muito do Batman 2, com Heath Ledger criando uma obra prima rara no cinema, uma ilha do cinismo contemporâneo, misturando bem e mal, misturando horror e simpatia. “Escolhi o caos” – ele diz para Batman. Heath, de certo modo, faz uma crítica ao próprio filme. Heath é quase uma paródia do “grande espetáculo”, é um marginal dentro do elenco.

Claro também que, do meio desse barroquismo digital, linguagens e verdades podem estar nascendo. Mas se descascarmos as camadas de significação, em meio ao enxame de efeitos especiais, podemos ver Batman e outros como “sintoma”, como queriam os professores da “filmologia” francesa. Nos anos 1960, Gilbert Cohen-Seat criou uma espécie de filosofia do cinema, a filmologia, onde analisava não só os filmes, mas o berço de onde saíram, o chão histórico de onde brotavam. Foram várias fases desse pós-cinema de porrada e velocidade.

Nos filmes violentíssimos dos anos 1980, com os atores brutais como Sylvester Stallone, Van Damme etc... Hollywood inventou o prazer do sangue, das facas dentadas, dos peitos estourados, das metralhadoras fálicas. Era a safra do cinema pós-Vietnã, como uma vingança na tela pela derrota humilhante dos americanos pelos guerreiros comedores de arroz, eram um show de força para compensar o fracasso da guerra.

Mais tarde, ainda antes do 11 de Setembro, rolou a grande onda de filmes sobre a destruição de Nova York. Parecia uma sugestão a Osama Bin Laden, que acabou realizando essa volúpia destrutiva, satisfazendo esse estranho desejo de autoextermínio dos americanos. Por quê? Ninguém filma Paris acabando ou Londres em pó. Mas americano paranoico só pensa em inimigos. Podem conferir as obras: os USA invadidos por “godzillas”, por discos voadores letais, por asteroides, por explosões no Armageddon (há em Godzilla uma cena absolutamente igual à multidão real de 2001, fugindo pela rua, com as torres se suicidando ao fundo. Aliás, no mundo real, as próprias torres encarnavam uma arrogância arquitetônica, pedindo bombardeio.)

Bin Laden, o Coringa do deserto, acabou com a ideia de guerra. Ele nos atacou de outro tempo – fora da história. A queda das torres do WTC está nos filmes de hoje como uma cicatriz na dramaturgia. Neste Batman 3 também tiveram o prazer de massacrar a Bolsa de Valores, (com dezenas de metralhados, como no Colorado), explodir o SuperBowl, ver a cidade tomada, a ponte de Brooklyn desabando. Por quê?

Recentemente, a violência dos “estoura-peitos” e o suicídio virtual dos filmes-catástrofe deram lugar a uma cultura de massas mais “reflexiva”. Hollywood, claro, se apropriou até dos heróis anarquistas ou psicopatas, ameaçando a “boa” sociedade. Passaram a fingir uma “crítica ao Sistema” como em Matrix ou Clube da luta, que foi a tela de onde surgiu o nosso assassino Matheus, alguns anos atrás em São Paulo, lembram?

Hoje, a verdade de Hollywood está fora das telas, nas motivações financeiras e paranoicas dos produtores. Já se disse que o 11 de setembro em NY foi o único momento de realidade na escalada do mundo virtual. Depois da catástrofe das torres e agora com a tremenda crise do mundo atual, o cinema só quer faturar em cima da confusão, explorar o inexplicável com fábulas ridículas com terroristas angustiados, monstros do mal e heróis do bem, tudo bem simplificado para agradar a patuleia. Onde estão os comportamentos humanos verdadeiros? Ninguém liga mais para isso.

Este filme não é o Bem contra o Mal. Fala sobre a liberdade do povo, mas deixa um odor republicano no ar. Gozamos o tempo todo com o mal e, no final, os produtores nos “concedem” o arbítrio de escolher o bem, quando a tecnologia e as cenas celebram o mal durante toda a projeção. Este “meio” é muito mais importante que as “mensagens” que, ao final, vêm em pequenas lições morais defendendo a família, a solidariedade, o amor.

No Batman a política e a polícia tentam dar conta da imensidão da corrupção e da criminalidade global. Ninguém sabe o que fazer, mas o cinema americano acha que sabe, com suas alegorias paranoicas e lucrativas. Quando Bin Laden-Coringa atacará de novo?


*Acrescentamos subtítulo e imagem ao texto original

18 de jul. de 2012

15 de jul. de 2012

18 de jun. de 2012

7 de mai. de 2012

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Pernambuco é o berço da Delta e de Cavendish

PERNAMBUCO
Pernambuco é o berço da Delta e de Cavendish
A Delta Construções S/A. empresa envolvida na CPI do bicheiro Carlinhos Cachoeira nasceu em terras pernambucanas e cresceu, 50 anos atrás, à sombra de obras do governo pernambucano. Fernando Cavendish Soares, o afastado Presidente do Conselho de Administração da Delta, é filho de um dos fundadores da empresa e nasceu em Recife em 17 de junho de 1963

Foto: Divulgação

Canteiros de obra da Delta espalhados pelo território pernambucano, a maioria realizando obras do PAC

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Delta Construções, JC Online, JC Online, Blog de Olho no Trânsito, Contas Abertas, Delta R7, Blog do Josias de Souza, Coluna Felipe Patury – Revista Época

Segundo o jornalista Giovanni Sandes, em matéria publicada neste domingo, no Jornal do Comércio, “Pernambuco é a terra da Delta”, pois a construtora que nasceu por aqui, e desde suas origens , tem um vínculo antigo e entranhado com o poder público em Pernambuco. A empreiteira só virou a sexta maior do Brasil porque, há 50 anos, foi adotada pela extinta Telecomunicações de Pernambuco (Telpe). Décadas depois, em meio ao atual escândalo em que está envolvida, Pernambuco aparece como um importante contratador num destacao capítulo dessa história.

A empreiteira é acusada de cometer irregularidades graves por Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU) e Polícia Federal. Além de estar na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

”Curioso é que tudo só está aparecendo agora, depois do crescimento meteórico da Delta, maior executora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado em 2007 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”

A Delta Construções foi montada por ex-servidores do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, entre eles o engenheiro pernambucano, Inaldo Soares, pai do atual presidente do conselho de administração da Delta, o recifense Fernando Cavendish.

“Em seus primeiros trabalhos, um grupo de quatro a cinco pessoas saía diariamente em um caminhão de material pré-misturado, conhecido como asfalto frio, para tapar buracos nas estradas próximas, prestando serviços ao governo estadual. Anos depois, a partir do contrato firmado com a Telpe, operadora de telefonia do Estado, a Delta teve seu primeiro grande impulso para o sucesso. Em um período de cinco anos, realizou obras em praticamente todos os bairros de Recife e em quase todo o Estado de Pernambuco”, registra a própria Delta, no documento dos seus 50 anos de existência.

Foto:Divulgação Alerj

A Delta estava no consórcio que reformava o Maracanã, afastou-se após o escândalo

Com o tempo, sob o comando de Cavendish, em 1994, a empresa decidiu estender seus tentáculos para além de Pernambuco e do Nordeste, mudando sua sede e seu foco para o Rio de Janeiro, atrás de contratos federais, como os da Petrobras.

Sua participação em Pernambuco foi inexpressiva por um período, comparada com a sua atuação no resto do país. Nos governos Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Mendonça Filho (DEM), ela obteve modestos contratos no valor de R$ 5,5 milhões.

Mas com o surgimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), gestado em 2007, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da então Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff a Construtora saltou de um faturamento com o estado de Pernambuco, de R$ 2 milhões, em 2005, para R$ 105 milhões, ano passado.

Segundo Giovanni Sandes, o governador Eduardo Campos demorou muito a se preocupar com o escândalo que envolvia a Delta, e só “anunciou a abertura de uma auditoria especial nos contratos da empreiteira com órgãos das Secretarias de Transporte e Cidades depois da ampliação das denúncias envolvendo a Delta. Porém, conforme revelou o JC, a auditoria poderia começar pelo Canal do Jordão, no Jordão Baixo. A obra já recebeu nove aditivos e, segundo o governo, ficará pronta este mês. Porém, as imagens e a população mostram outra coisa: uma construção de péssima qualidade e com aspecto de desgaste.

Problemas nas obras da Delta não são exatamente novidade. Ela é responsável, por exemplo, do lote 6 da transposição do Rio São Francisco, em Mauriti, Ceará, o trecho do canal que ficou famoso no Brasil por ter placas quebradas onde a obra supostamente estaria acabada.

O problema é que, muito antes de Pernambuco anunciar a abertura de uma auditoria especial pela Controladoria Geral do Estado, o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou irregularidades graves na duplicação de 50 quilômetros da BR-104, realizada por um consórcio da Delta com a Queiroz Galvão e Galvão Engenharia. A obra começou em dezembro de 2008, programada para terminar em janeiro de 2011, mas está prometida para dezembro deste ano.

O contrato desta obra é problemático desde a licitação. Segundo o TCU, o consórcio recebeu R$ 3,2 milhões a mais do que o devido, entre outras irregularidades graves: critério de medição inadequado, sobrepreço por quantidades erradas e duplicidade, mudanças relevantes de tipo e qualidade de materiais, ausência ou inadequação de prestação de contas e até inexistência de aditivo formalizado.

Foto: Pedro Romero/JC

Denuncia de fratura no asfalto e precariedade no acostamento, na parte concluída e ainda não inaugurada da BR 104, próximo a Caruaru

O Tribunal multou gestores do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER-PE) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), determinou redução do contrato de R$ 308 milhões para R$ 304 milhões e a repactuação de mais R$ 14 milhões nos itens irregulares.

O surpreendente é que mesmo depois dessa intervenção saneadora do TCU, os custos da obra continuaram subindo, pelas últimas divulgações ela vai acabar custando R$ 353 milhões, R$ 49 milhões a mais que previu o calculo do TCU.

Segundo a Secretaria de Transporte, os aditivos atendem “às cláusulas contratuais de atualização financeira e prorrogação de prazos.”, informou a matéria do Jornal do Comercio. Ah! Tá!

Isso sem contar, que segundo o levantamento do Contas Abertas, a obra pela qual a Delta recebe o maior montante de recursos do governo federal é a de integração do Rio São Francisco com as bacias dos rios Jaguaribe, Piranhas e Açu e Apodi, na região nordeste. A ação é desenvolvida pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, que tem a frente o ministro pernambucano, Fernando Bezerra Coelho. Nessa iniciativa, já foram pagos este ano 16,4 milhões de reais à empreiteira.

Foto: Divulgação

O recifense Fernando Cavendish Soares, 49 anos, filho de Inaldo Soares, fundador da Delta Construções, é formado em Engenharia Civil pelas Faculdades Integradas Veiga de Almeida do Rio de Janeiro. Desde 1º de dezembro de 1990 foi admitido como Presidente do Conselho de Administração da Delta Construções S/A.

Segundo o site da Delta, durante sua gestão, a Delta foi responsável por diversas obras em distintos segmentos da engenharia e construção por todo território nacional. Foram feitas obras em rodovias estaduais e federais, na construção do Estádio Engenhão, e atualmente a reforma do Maracanã.

Depois das denuncias de envolvimento da empresa com Carlinhos Cachoeira e de aparecer dançando agachado com o governador Sérgio Cabral num farra em Paris, Cavendish resolveu afastar-se da direção da empresa e até já negocia a sua venda.

Acuada pelas denúncias, a Delta já começou um movimento de abandono de grandes obras, como a sua participação nos consórcios que tocam a reforma do Maracanã, a construção da TransCarioca e do polo petroquímico de Comperj.

Com 25 mil empregados diretos e 5 mil indiretos, a empresa tenta agora evitar o efeito dominó que atingirá outros projetos. Segundo o Blog de Josias de Souza: “Após deixar a presidência da Delta Construções, Fernando Cavendish decidiu vender a empresa. A operação que resultará na transferência do controle acionário encontra-se em avançado estágio de negociação.Participa da operacionalização do negócio Henrique Meirelles, o ex-presidente do Banco Central nos dois governos de Lula.


19 de abr. de 2012

13 de mar. de 2012

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19 de jan. de 2012

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5 de dez. de 2011

12 de abr. de 2011

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13 de fev. de 2011

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16 de nov. de 2010

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13 de out. de 2010

10 de out. de 2010

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