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21 de out. de 2014

Banco do Brasil dribla regras e bom senso ao emprestar R$ 2,7 milhões para “amiguinha” do presidente do banco

BRASIL – Má Gestão
Presidente do Banco do Brasil autoriza empréstimo de
R$ 2,7 mi, sem garantias, para "amiga íntima" caloteira
A apresentadora de TV e socialite, Val Marchiori, conseguiu um surpreendente empréstimo milionário no Banco do Brasil: tinha restrição de crédito, por não ter pagado empréstimo anterior ao próprio BB, não possuía capacidade financeira para obter o financiamento, nem apresentou fiadores com recursos compatíveis com a transação. Pesou em seu favor o fato de ser “amicíssima” do presidente do Banco, o petista Aldemir Bendine. Isso pode Arnaldo?

Foto:Folhapress

O presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine e a sua “amiga” a socialite Val Marchiori

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S. Paulo, Folha de S, Paulo , Estadão, Portal IG

O Banco do Brasil concedeu empréstimo de R$ 2,7 milhões à apresentadora de TV Val Marchiori (?), a partir de uma linha subsidiada pelo BNDES, contrariando normas internas das duas instituições.

Marchiori tinha restrição de crédito por não ter pagado empréstimo anterior ao BB e também não apresentava capacidade financeira para obter o financiamento, segundo documentos internos do Banco do Brasil, obtidos pela Folha de S.Paulo.

A empresa pela qual Marchiori tomou o crédito, a Torke Empreendimentos, apresentou como comprovação de receita a pensão alimentícia de seus dois filhos menores de idade. O financiamento, repassado pelo BB a partir de uma linha do BNDES com juros de 4% ao ano –mais baixos que a inflação–, foi usado na compra de caminhões.

A Torke não tinha experiência na área de transportes e a atuação da empresa até então estava relacionada à carreira de Marchiori na TV.

Na condição de administradora com poderes plenos na empresa, Marchiori tinha dívidas antigas com o BB que representavam impedimento para o novo empréstimo. Por isso, foi feita uma "operação customizada", ou seja, sob medida para Marchiori, para liberar os recursos.

Val Marchiori é amiga do presidente do BB, Aldemir Bendine. A apresentadora esteve com ele em duas missões oficiais do banco, uma na Argentina e outra no Rio. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-motorista do BB Sebastião Ferreira da Silva disse que a buscava em diversos locais de São Paulo a pedido de Bendine. "Fui buscar muitas vezes a Val Marchiori", disse ele.

Imagens Editoria de arte/Folhapress

A área de análise de crédito destacou tratar-se de uma “operação customizada”, em virtude de a tomadora do crédito, Valdirene Marchiori, ter impedimento por não ter pago empréstimo anterior.


Pensão alimentícia dos sócios de empresas de Val Marchiori foi usada como garantia para o empréstimo

Bendine nega qualquer participação na concessão do empréstimo. Ele reconhece que ficou hospedado no mesmo hotel que Marchiori nas duas ocasiões, mas diz que a estadia dela não tinha relação com as missões do banco, que foram “coincidências”.

Oito dias antes de o BB começar a analisar a operação para a Torke, Marchiori enviou e-mail a Bendine, ao qual a Folha teve acesso, com perguntas sobre outro financiamento do banco, para empresa do marido da apresentadora, Evaldo Ulinski.

O papel dos bancos públicos virou tema de debate entre os candidatos a presidente Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Aécio acusa o governo do PT de usar o BNDES para financiar empresas aliadas. Dilma defende o banco, dizendo que 84% dos investimentos da indústria passam pelo BNDES.

A Torke tomou o empréstimo para, imediatamente, sublocar os caminhões para a Veloz Empreendimentos, que é do irmão da apresentadora, Adelino Marchiori.

Uma cláusula da linha Finame/BNDES, de onde saíram os recursos, impede cessão ou transferência dos direitos e obrigações do crédito sem a autorização do BNDES. A praxe do banco é financiar a atividade-fim do tomador do crédito.

Na análise de risco, o BB apontou que Marchiori não tinha como comprovar receita compatível com o empréstimo, que tem prazo de pagamento de cinco anos. No item "garantias mínimas" para o financiamento, o banco diz: "Coobrigação obrigatória da administradora Valdirene Aparecida Marchiori, ainda que sem recursos computáveis compatíveis".

Segundo a análise de crédito, os fiadores da operação, o irmão e a cunhada de Marchiori, donos da Veloz, também não apresentavam recursos para garantir a operação. Assim, o BB dispensou a comprovação de capacidade de pagamento da tomadora do crédito e dos fiadores.

Foto: Blog do Planalto

Presidente do BB, Aldemir Bendine, presidente do Brasil, Dilma Rousseff

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, esteve recentemente no noticiário, por ter sido obrigado a pagar multa de R$ 122 mil à Receita Federal para se livrar de questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio pessoal e um apartamento pago com dinheiro vivo em 2010.

Bendine foi autuado por não comprovar a procedência de aproximadamente R$ 280 mil informados em sua declaração anual. Na avaliação da Receita, o valor de seus bens aumentou mais do que seus rendimentos declarados poderiam justificar.

Dirigente da maior instituição financeira da América Latina, Bendine tem por hábito declarar que mantém dinheiro vivo em casa. Ele informou em suas declarações à Receita ter recursos em espécie quatro anos seguidos, entre 2009 e 2012, no valor de pelo menos R$ 400 mil.

Bendine entrou no radar da Receita Federal em 2010, quando a Folha de S.Paulo revelou que ele comprara um apartamento no interior de São Paulo pelo valor declarado de R$ 150 mil, pagos integralmente em espécie. O executivo também declarou ter feito obras no imóvel no valor de R$ 50 mil.

Ao justificar a legalidade da transação imobiliária, ele informou que declarou à Receita possuir R$ 200 mil em dinheiro vivo em casa, guardados desde 2009.

Ao que parece essa estranha transação do Presidente do Banco do Brasil, não causou espécies a área econômica do Governo Dilma, que apesar do escândalo manteve-se no cargo.

Bendine, tem tanta força, porque dirige o banco de acordo com diretrizes do PToa, já afirmou sem rodeios: o banco é, sim, um braço do governo na aplicação da política econômica. Disse que sabe que muitos enxergam o risco de que o banco seja administrado de acordo com as conveniências do governo. Nos anos 90, o uso político quase quebrou o BB. Lembrar que seu antecessor, Antonio Francisco de Lima Neto, não seguiu a cartilha do Planalto e foi ejetado do cargo.

Não é difícil prevê que a amiga do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, concretizar mais um calote ao BB, quando daqui a cinco anos vencer o papagaio milionário.

O Banco arcará solitariamente com o prejuízo, uma vez que os fiadores não possuem recursos compatíveis, com o valor do empréstimo, como o próprio Banco constatou, e a pensão alimentícia, apresentada irregularmente como garantia, não pode ser confiscada.

No fim, quem vai pagar a conta? Resposta: NÓS!

Foto: André Giorgi/IG

BELA CALOTEIRA - Pela foto vemos a razão do presidente do Banco do Brasil, “coincidentemente” se hospedar tantas vezes, nos mesmos hotéis que a sua amiga Val Marchiori. Ao participar do programa "Mulheres Ricas", da BAND, Marchiori disse acreditar que o dinheiro traz felicidade e se definiu como “linda, loira e rica”, “a mais rica, bonita e glamourosa do programa".

8 de set. de 2013

A fiscal que fiscalizava – ou a incrível petista honesta que desagradou a companheirada

BRASIL - Corrupção
A FISCAL QUE FISCALIZAVA
A incrível petista honesta que desagradou a companheirada
Maria Suely Fernandes, uma petista de longa data, foi nomeada para fiscalizar a Fundação Banco do Brasil – e, pensou que era para levar à sério, encontrou irregularidades, denunciou e colaborou com as investigações, por causa disso, sua vida se transformou num inferno

Foto: Adriano Machado/Bloomberg/Getty Images

DESVIOS - Prédio que abriga a Fundação Banco do Brasil, em Brasília

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Murilo Ramos , colaboraram Flávia Tavares e Marcelo Rocha
Fonte: Época

A administradora de empresas Maria Suely Fernandes, funcionária de carreira do Banco do Brasil, sempre quis trabalhar com projetos sociais. Há três anos, graças à indicação do PT, teve sua chance. Aos 29 anos, conseguiu uma vaga na Fundação Banco do Brasil, braço filantrópico da empresa, dominado pelo PT há dez anos. Com um orçamento anual de R$ 200 milhões, ele se dedica a financiar projetos sociais. Suely era filiada ao PT de Minas Gerais desde a adolescência e fora indicada ao cargo pelo sindicalista Jacques Pena, ex-presidente da fundação e quadro influente do partido em Brasília – ele foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Dilma na capital da República, em 2010. Quando assumiu o posto, Suely recebeu uma missão delicada: fiscalizar – ou não – a correta aplicação do dinheiro investido pela fundação em projetos sociais, a maioria deles ligados ao PT. Suely e o sindicalista Pena logo descobririam ter cometido os maiores erros de suas vidas.

Para desgosto de Pena e do grupo petista que controla a fundação, Suely ignorou o apadrinhamento do partido. Resolveu fazer seu trabalho – e era boa nele, segundo funcionários da fundação que conviviam com ela. Descobria tudo, fossem pequenas falhas na apresentação de projetos, fossem fraudes complexas em contratos milionários. Os casos acumulavam-se. Revelavam, pelas semelhanças e nomes dos beneficiários, que a fundação desviava, sistematicamente, dinheiro para gente do PT. Ingênua, Suely relatava as falcatruas encontradas – a maioria envolvendo seu padrinho político, Jacques Pena – a seus superiores na fundação e no Banco do Brasil. Era ignorada. Ela insistiu, insistiu, insistiu… até que, em dezembro passado, convencida de que ali ninguém nada faria, juntou seus relatórios e denunciou as fraudes ao Ministério Público do Distrito Federal e à Polícia Civil de Brasília.

A polícia e o MP passaram a investigar o caso. Os dirigentes da fundação, ao saber da colaboração de Suely com as autoridades, promoveram-na ao almoxarifado. Não tardou para que ela deixasse a fundação e voltasse ao serviço no Banco do Brasil. Foi então que Suely finalmente percebeu com quem estava se metendo. Poucos dias depois de deixar a fundação, segundo relatos, recebeu um torpedo no celular com seu nome, local de trabalho e nome e idade de seu filho, que tem 6 anos. Suely interpretou o torpedo como uma ameaça velada. Comunicou o ocorrido aos delegados que investigavam a fundação. A polícia não conseguiu rastrear a origem da ameaça. Dias depois, Suely recebeu outro torpedo. Ele continha informações sobre seu cotidiano e de seu filho, como horário em que ele deixara a escola e a placa da van que o transportava diariamente. Apavorada, temendo por sua vida e pela vida de seu filho, Suely conseguiu convencer a direção do Banco do Brasil a transferi-la para outro Estado. A decisão de enfrentar o esquema montado pelo padrinho custara-lhe a vida em Brasília. Teve de deixar tudo para trás. Levou apenas o filho. Hoje, vive longe, e vive com medo. Tanto medo que, procurada por ÉPOCA, recusou-se a dar entrevista sobre o caso.


A decisão do juiz que resolveu investigar as irregularidades

O drama de Suely, ao menos, não foi em vão. Com autorização da Justiça, os delegados e promotores do caso interceptaram os telefones dos dirigentes da fundação, incluindo o sindicalista Pena. As escutas confirmaram as informações prestadas por Suely e revelaram mais casos de desvio de dinheiro. Há dez dias, o juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Frederico Ernesto Maciel, autorizou a polícia e o MP a apreender documentos e computadores na sede da fundação, em Brasília, e nos escritórios dos suspeitos de integrar o esquema. ÉPOCA teve acesso à decisão do juiz. Assim o juiz Maciel explica o que foi descoberto nas escutas: “Os representados (suspeitos) planejam a forma de burlar a lei para desviar dinheiro público, discutem entre si expressivos valores que poderão obter ilegalmente, irregularidade de pagamentos, fraudes em contratos e convênios e execuções de projetos que possam se apropriar do dinheiro público”.

Com a autorização do juiz, a polícia e o MP deram início à Operação Overnight, uma referência à antiga operação financeira que garantia ao investidor rendimentos diários. Às 7 da manhã da quinta-feira, dia 29, agentes entraram discretamente no 10º andar de um prédio na região central de Brasília, onde funciona a sede da fundação. Apreenderam computadores, CDs e DVDs. Não conseguiram apreender o computador portátil do presidente da fundação, Jorge Streit, que não estava lá. Mas os policiais obtiveram uma cópia de todas as informações contidas no computador central da fundação. Na sequência, os agentes apreen¬deram documentos na sede de uma ONG que pertence a Joy Pena, irmão mais novo do sindicalista e ex-presidente da fundação Jacques Pena.

A ONG de Joy Pena funciona numa salinha dum centro comercial decadente de Brasília. Mas tem dinheiro para alugar uma salona. Essa ONG recebeu da Fundação Banco do Brasil, desde 2004, quando Jacques Pena ainda era presidente, ao menos R$ 4,6 milhões. Sem licitações. Em tese, a ONG de Joy Pena ajudava pequenos agricultores a aumentar a produtividade e renda. Não se sabe exatamente como ele fazia isso. A Fundação Banco do Brasil afirma que todos os serviços foram prestados. Joy Pena não quis se explicar. A ÉPOCA, Jacques Pena disse apenas que já deixara a presidência da fundação quando seu irmão mais novo assumiu, formalmente, a direção da ONG. (Antes disso, seu irmão já tocava a ONG, segundo as investigações.)

Foto: Rodrigo Lima/Nitro/ÉPOCA

GALPÃO - Centro de Excelência do Café, em Caratinga. Equipamentos enferrujados e aranhas mortas

Os investigadores também descobriram, por meio das escutas, que a ONG de Joy Pena apresentou uma nota fiscal fria para receber recursos antecipados da fundação. As conversas interceptadas mostram, ainda, que Joy Pena atuava como lobista do grupo. Buscava “projetos sociais”, sempre de gente ligada ao PT, que pudessem receber dinheiro da fundação. É dos quadros do PT o prefeito do município gaúcho de Canoas, Jairo Jorge, cunhado de Pena – a fundação financiou em Canoas projetos de reciclagem de lixo e “inclusão digital”. Numa das escutas realizadas pela polícia, funcionários da fundação cogitavam transferir um equipamento de triturar lixo de obra – adquirido para o município vizinho de São Leopoldo, com recursos da fundação – para Canoas, em razão de a prefeitura de São Leopoldo ter passado para as mãos de PSDB nas últimas eleições.

O favorecimento a prefeituras administradas pelo PT fica evidente na investigação. Caratinga, terra natal de Pena, a 320 quilômetros de Belo Horizonte, é um exemplo. A cidade, até o ano passado, era administrada pelo PT. Celebrou muitos convênios com a fundação. Um deles, no valor de R$ 2 milhões, foi firmado para criar um Centro de Excelência do Café. Torraram o dinheiro da fundação à toa. ÉPOCA visitou o local na semana passada. O galpão do centro foi entregue há apenas dois anos, sem paredes e sem, sequer, equipamentos para tratar o chorume produzido com a despolpa do café. Nos galpões onde funciona o tal centro de excelência, sobram equipamentos enferrujados, poeira e aranhas mortas. Nas escutas da polícia, os assessores da fundação demonstram preocupação com a possibilidade de alguma autoridade investigar o dinheiro investido em Caratinga.

A investigação revela que o atual presidente da fundação, Jorge Streit – petista e candidato ao governo de Roraima em 1994 –, também distribuiu dinheiro às ONGs de seus amigos. Indicado por Jacques Pena para o cargo, Streit, de acordo com as investigações, conversava com ele com frequência. Num dos diálogos interceptados entre os dois, no dia 18 de março, Streit e Pena falam abertamente sobre um projeto em que “houve desvios de recursos para tapar buracos”. Não fica claro a qual dos convênios os dois se referem. Jacques Pena ainda pede informações a Streit com o objetivo de ajudar um amigo interessado em celebrar convênios com a fundação. Streit, então, o instrui a procurar, na fundação, o funcionário capaz de atender à demanda do amigo. Mais à frente, Streit faz uma pergunta a Jacques Pena sobre “aquele outro assunto”. Pena responde, segundo a polícia, “que não pode tratar pelo telefone”. Esse diálogo reforçou a convicção do juiz de que era necessário apreender os computadores dos suspeitos para avançar nas investigações.

O domínio do PT na fundação estendia-se até aos contratos. Um deles, no valor de R$ 4 milhões, foi fechado com a Vibe Marketing e Publicidade. Uma auditoria da Controladoria-Geral da União descobriu que a fundação contratou essa empresa numa licitação suspeita, em que todas as concorrentes foram desclassificadas. A Vibe não ofereceu as garantias necessárias de que cumpriria o contrato. Mesmo diante dessas irregularidades, a fundação renovou o contrato com ela por duas vezes – e até elevou o valor. A Vibe pertence ao publicitário André Fratti, que se engajou na campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Procurado por ÉPOCA, Fratti afirmou que a situação da Vibe com a fundação já foi acertada e que não trabalhou oficialmente na campanha de Dilma. “Só apoiei a candidata. Só isso”, afirmou.

START UP - A Casa das Redes (acima) e Pablo Capilé. A fundação banca o aluguel de nove ativistas e um bebê
(Fotos: Celso junior/época e Felipe Rau/Estadão Conteúdo)
Quanto mais os investigadores cavavam na fundação, mais encontravam. Numa das escutas, funcionários disseram que o presidente da cooperativa de catadores de lixo de Uberaba, a Cooperu, se apropriara de dois caminhões doados com dinheiro da fundação, para transportar material de uma empresa particular. Os funcionários da fundação ainda apelidaram a cooperativa de Coopergato, numa alusão à quantidade fantasiosa de catadores de lixo associados à cooperativa. Descobriu-se que a fundação investe em qualquer coo¬perativa. Uma delas, espécie de cooperativa do novo milênio, chamada Casa das Redes, recebeu R$ 370 mil.

A associação é comandada pelo jornalista Pablo Capilé, guru do Movimento Fora do Eixo e da Mídia Ninja. O dinheiro serviria para criar uma “estação digital” em Brasília. E o que faria essa estação? Difícil saber. O argumento de Capilé para convencer a fundação a lhe entregar dinheiro é irresistível: chaleirar o governo petista. “Na gestão Lula, o acesso aos recursos e bens de produção, principalmente sustentados pelas novas tecnologias, somados ao empoderamento da sociedade civil, como partícipe da construção de políticas públicas para o setor foram medidas importantes que contribuíram para a articulação, fortalecimento e ampliação de alternativas econômicas à classe cultural em todo o país”, escreveu Capilé.

Com o dinheiro na mão, Capilé e seus amigos Fora do Eixo alugaram uma casa bacana em Brasília. Mobiliaram e equiparam a casa com tudo o que têm direito: bons móveis, TVs de LCD, computadores MacBook, mas não quaisquer MacBooks: MacBooks Air, aqueles fininhos, mais modernos e charmosos. A fundação banca o aluguel, contas de água, luz e telefone de nove ativistas e um bebê de 9 meses, Benjamin, filho de um deles. (Não se sabe se a fundação paga as fraldas.) Por dentro, a tal casa criativa parece mais uma start up de tecnologia que uma comunidade de “agitadores culturais”, como eles se definem. Como a luta de Capilé e de seus amigos Fora do Eixo nunca foi pelos 20 centavos, há também um carro para servir a casa. Até recentemente, de acordo com uma apuração da própria fundação, o carro circulava pelas ruas de São Carlos, no interior paulista.

Jacques Pena afirma que saiu da fundação há mais de três anos e que não comentaria assuntos da instituição. A gestora da Casa das Redes, Carolina Tokuyo, diz que atendeu a todas as exigências da fundação. O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, diz que ser cunhado de Jacques Pena só atrasou a aprovação de um convênio solicitado pela prefeitura. O presidente da Cooperu, José Eustáquio de Oliveira, afirma não ter se apropriado dos caminhões doados com recursos da Fundação Banco do Brasil. A Fundação Banco do Brasil disse que colabora com as investigações e que “atua em conformidade às normas dos órgãos de administração, controle e fiscalização externos e internos”. A direção do Banco do Brasil afirma que não tem conhecimento das irregularidades praticadas na fundação.

30 de nov. de 2012

Felipão, penta + Parreira, tetra = hexa?

BRASIL – Copa do Mundo 2014
Felipão, penta + Parreira, tetra = hexa?
Felipão vencedor da Copa da Coreia do Sul e Japão e Parreira Campeão em 1994, nos EUA, vão tentar levar o Brasil à conquista do sexto título mundial. “Não somos favoritos no momento, mas pretendemos ser durante a competição", acrescentou o técnico.
O que os desocupados do Banco do Brasil estão fazendo nessa notícia?

Foto: Reuters

Felipão e as primeiras pressões

Postado por Toinho de Passira
Fontes: APP, Exame, Fifa, Globo Esporte

Na manhã desta quinta-feira, no Rio de Janeiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou o que já se esperava: Luiz Felipe Scolari (penta) é o novo técnico da Seleção Brasileira de Futebol. E Carlos Alberto Parreira (tetra) será o coordenador do time, em parceria formada para tentar o título da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil.

Campeão da Copa do Mundo em 2002 com a formação da "Família Scolari", Felipão assumiu oficialmente o comando da Seleção nesta quinta-feira e afirmou que a conquista do título em casa, em 2014, é obrigação para o Brasil.

Felipão deixou claro que utilizará parte da base que foi construída ao longo do trabalho de seu antecessor, Mano Menezes, que foi demitido na segunda-feira:

"Não vamos começar do zero. Vamos pegar na base que já existe e, a partir dela, implementar mais alguma coisa.

"Me sinto muito mais motivado, mais em condições [do que em 2002]. Apenas a sequência do trabalho pode repetir o que foi alcançado em 2002. Nós temos a obrigação, sim, de ganharmos o título. Não somos favoritos no momento, mas pretendemos ser durante a competição", acrescentou o técnico.

Mas a frase que vai marcar a volta de Felipão a seleção brasileira foi a que incomodou principalmente o Banco do Brasil e toda a classe bancária:

Em determinado momento, sem ter nem pra quê, comentou que estava pronto e ia fazer a equipe estar preparada para aguentar a pressão de ser da Seleção Brasileira:

“Se o jogador entrar sem pressão nenhuma, pensando que o objetivo é jogar a Copa, não pode ser assim. Fui jogador do interior. Eu era bom. O pessoal dizia que não, mas eu era bom. E tem pressão. Eles têm que saber. Nossos jogadores sabem que seria um dos títulos mais importantes que o Brasil já conquistou. Tem que trabalhar bem esse aspecto. Se não quiser pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada”. - disse o Felipão.

Pronto estava declarada a terceira guerra mundial, um bando de bancários, principalmente do Banco do Brasil, incluído aí o seu presidente, Sindicatos e ajuntamentos, aproveitando que não estavam fazendo nada, redigiram e divulgaram notas de repúdio, exigiram retratação, falaram de seus esforços e labutas burocráticas e entraram em pé de guerra.

Para acabar com a questão Felipão teve que entrar em contato com Aldemir Bendine, presidente do BB, para se desculpar.

De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa do BB, Felipão afirmou que não teve a intenção de ofender os funcionários da instituição financeira e fez questão de lembrar que há mais de três décadas é cliente do BB.

”Eu estou lá é para pedir a colaboração do povo brasileiro à seleção e não pretendia ofender o pessoal do Banco do Brasil. Foi apenas uma má colocação”, disse o treinador.

Em pleno expediente, depois de ter passado a tarde toda ocupado em resolver essa importante questão administrativa-financeira do Banco, o presidente Aldemir Bendine, finalmente declarou que o episódio está superado e até mandou um recado para Felipão.

“Você vai ter aqui uma família de 116.000 pessoas que estará torcendo pelo seu trabalho, que você seja muito feliz nessa nova empreitada e que traga de volta aquela alegria que você nos deu em 2002”, disse Aldemir Bendine, o presidente do BB.

Depois disso, exausto, junto com os outros 116.000, ficou sem ter o que fazer, o resto da tarde.

9 de jan. de 2012

Ôôô, Ana Júlia!!!

BRASIL - CORRUPÇÃO
Ôôô, Ana Júlia!!!
Indicada para diretora de uma subsidiária do Banco do Brasil, com salário de R$ 30 mil, a ex-governadora do Pará está enrolada com o sumiço de R$ 77 milhões

Foto: Antonio Cruz/Abr

CONTABILIDADE CONFUSA
Ana Júlia, o sistema viário de Belém (abaixo) financiado pelos bancos oficiais e uma das notas fiscais apresentadas duas vezes para justificar empréstimos diferentes (no fim). Segundo ela, foi apenas “um erro de informação numa planilha”

Marcelo Rocha
Fontes:Revista Época

Entre 2007 e 2010, a petista Ana Júlia Carepa foi governadora do Pará, interrompendo 12 anos de administrações tucanas no Estado. Ana Júlia conquistou o cargo com denúncias contra velhos vícios da política, como o nepotismo, mas não tardou a aderir às mesmas práticas. Empregou os irmãos na máquina pública, entregou ao namorado, presidente do Aeroclube do Pará, um contrato de R$ 3,7 milhões para treinamento de pilotos de helicópteros e, por fim, contratou a cabeleireira e a esteticista como assessoras especiais de seu gabinete.

Depois de uma gestão marcada por denúncias de falta de verbas na Saúde e na Educação e por crises na Segurança Pública, Ana Júlia não conseguiu se reeleger. Mesmo com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a maré econômica favorável, perdeu nas urnas para seu antecessor no cargo, Simão Jatene, do PSDB.

Ao longo de 2011, Ana Júlia ficou à espera de um cargo no governo federal. No fim do ano, a fila finalmente andou para a ex-governadora. Funcionária licenciada do Banco do Brasil, ela foi indicada para diretora financeira da Brasilcap, uma subsidiária do banco que opera títulos de capitalização, onde ganhará um salário mensal de R$ 30 mil. A nomeação ainda depende de aval da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a autarquia que fiscaliza as seguradoras e as empresas de capitalização. Cabe ao órgão avaliar o preparo técnico e a idoneidade de quem vai comandar essas empresas. Se a Susep fizer direito seu trabalho encontrará problemas na atuação de Ana Júlia que extrapolam o nepotismo e o favorecimento a parentes na administração pública.

A Auditoria-Geral do Estado (AGE), órgão vinculado ao governo do Pará, apontou irregularidades em empréstimos contraídos pela gestão de Ana Júlia – R$ 366 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 100 milhões com o Banco do Brasil. Os contratos foram assinados por Ana Júlia em 1º e 2 de julho de 2010, quando a campanha eleitoral oficial estava começando e a então governadora procurava se reforçar para a disputa da reeleição. O dinheiro foi obtido para obras de pavimentação de ruas e avenidas na região metropolitana de Belém, saneamento, construção de escolas e hospitais em vários municípios do Pará. Uma parcela também deveria ser destinada a obras patrocinadas pelos deputados estaduais do Pará por meio de emendas ao orçamento do Estado.

Ao verificar a prestação de contas da aplicação dos empréstimos, os auditores não conseguiram, porém, desvendar o paradeiro de R$ 77 milhões. De acordo com os técnicos da AGE, o dinheiro relativo ao financiamento do BNDES (R$ 366 milhões) foi movimentado sem transparência. Há, segundo os técnicos do Estado, despesas em desacordo com o contrato de empréstimo e indícios de desvio de finalidade das verbas.

Quando as duas prestações de contas, do BNDES e do BB, foram confrontadas, os técnicos constataram um problema mais grave. Um conjunto de 16 notas fiscais, emitidas por três empresas contratadas para as obras, apareceu nos dois processos. Para justificar despesas diferentes, o governo apresentou as notas fiscais duas vezes. Juntas, elas somam os R$ 77 milhões, cujo destino os auditores da AGE tentam rastrear.

Um dado relevante, segundo a AGE: as duas prestações de contas foram feitas por órgãos diferentes. Uma foi apresentada pela Secretaria de Projetos Estratégicos, no caso do financiamento do BB, e a outra pela Secretaria da Fazenda, no caso do BNDES.

Imagem Reprodução Revista Época

Sem comparar as duas prestações de contas, BNDES e BB não identificaram problemas nas operações financeiras nem a repetição de notas fiscais. Com base nos papéis fornecidos pelo governo do Pará, o BNDES concluiu que a aplicação do empréstimo não obedeceu ao que estava na lei que autorizou o financiamento.

O BB não teve acesso à documentação da AGE do Pará e disse que “as operações contratadas pelo governo do Estado do Pará estão em situação de total regularidade”. Ana Júlia atribuiu o uso repetido das 16 notas fiscais a um “erro de informação em uma planilha” e disse que os recursos foram transferidos para municípios paraenses.

Ela afirmou ainda que suas contas foram aprovadas pela Assembleia Legislativa do Pará e pelo Tribunal de Contas estadual. A direção do PT do Pará acusou o governador Simão Jatene de usar a máquina estadual para produzir “factoides” com o objetivo de causar danos à imagem de Ana Júlia.

Apesar das alegações do PT de motivação política, autoridades federais também apuram o caso. A Procuradoria da República no Pará abriu uma investigação em setembro e pediu à Polícia Federal a instauração de um inquérito.