14 de dez de 2014

PETROBRAS: começar de novo - Merval Pereira

BRASIL – Opinião
PETROBRAS: começar de novo
As queixas dos investidores internacionais que estão processando a Petrobras nos Estados Unidos: a empresa não respeita seus acionistas minoritários, sonegando-lhes informações sobre casos de corrupção que acabaram derrubando a cotação de suas ações no Brasil e nas bolsas internacionais

Baseado em foto de Vanderlei Almeida/AFP/VEJA

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fontes: Blog do Merval

A coisa na Petrobras está tão feia que até mesmo quando um diretor é erroneamente acusado de ter sido beneficiário do esquema de corrupção, como aconteceu com José Carlos Cosenza, ele acaba sendo envolvido em outros casos relacionados, e o pedido de desculpas da Polícia Federal acaba sendo neutralizado pelas novas descobertas.

A denúncia de que a gerente Venina Velosa da Fonseca enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo Cosenza e o seu antecessor, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, para apontar desvios em vários setores da empresa, mostra que muito antes da Operação Lava Jato a atual diretoria já tinha conhecimento dos esquemas de corrupção.

As medidas tomadas, como a demissão do responsável pela área de comunicação, ligado ao PT baiano do ex-governador Jacques Wagner e ao ex-presidente da Petrobras José Gabrielli, devido ao pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados em 2008, não tiveram efeito prático, pois o funcionário saiu de licença e permaneceu mais de cinco anos na empresa.

Já naquela época a gerente denunciava superfaturamento nos custos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e nada foi feito. Em outra ponta, a Controladoria Geral da União (CGU) anunciou que investiga o aumento do patrimônio do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dos ex-diretores da Área Internacional Nestor Cerveró e Jorge Zelada, em processos administrativos que apuram suposta participação dos três no esquema de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.

Esse caso é exemplar de como as coisas não funcionam na Petrobras. A revista Veja denunciou, e a estatal tratou de desmentir, alegando que uma comissão interna nada encontrara. Agora, que a empresa holandesa confessou ter dado o suborno, a presidente Graça Foster admitiu que soubera da confirmação dias antes. Só que, como em outras ocasiões, a questão fora abafada e a diretoria da Petrobras somente comentou o assunto por que foi confirmado na imprensa no exterior.

Essa é uma das queixas dos investidores internacionais que estão processando a Petrobras nos Estados Unidos: a empresa não respeita seus acionistas minoritários, sonegando-lhes informações sobre casos de corrupção que acabaram derrubando a cotação de suas ações no Brasil e nas bolsas internacionais. E, para culminar, quem chefia a Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal é o mesmo José Carlos Cosenza.

Os fatos mostram que não haverá solução sem que, como sugeriu o Procurador-Geral da República e a oposição agora exige, toda a diretoria seja mudada e a estatal comece da estaca zero sua reorganização.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

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