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15 de nov. de 2011

LIBIA: Talitha, a amante do filho de Gaddafi, no fogo cruzado

29/08/2011

LIBIA
Talitha, a amante do filho de Gaddafi, no fogo cruzado
A modelo holandesa, capa da Playboy, foi a Tripoli encontrar com o ex-amante, o quinto filho de Gaddafi, Moatassem, as vésperas dos rebeldes invadirem Trípoli. Acabou ilhada num hotel, cercada de inimigos do ex-namorado que segundo seu entendimento, pretendiam incendiá-la, com gasolina. Escapou com ferimentos leves, e contou a um jornalista, os momentos de aflição e os tempos de glamour que passou ao lado do filho do ditador líbio.


Talitha van Zon, modelo holandesa, nos tempos em que estrelava as páginas da Playboy do seu país.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The Daily Mail , The Sunday Telegraph , The Sydney Morning Herald, Volkskrant, Newshopper Sulekha , Sol

O jornalista do jornal inglês The Sunday Telegraph encontrou a modelo Talitha van Zon, capa da Playboy holandesa, edição de dezembro de 2000, sozinha e assustada numa enfermaria de um hospital de Trípoli, onde ela estava sendo tratada dos ferimentos, após se atirar da sacada de um hotel de luxo, quebrou um braço, machucou as costas e sofreu escoriações, fugindo de um grupo de rebeldes, que segundo ela estavam a ponto de "queimá-la viva".

Foto: Reuters

Moatassem Gaddafi, o quinto filho do ditador, atual candidato a sucedê-lo, gosta de gastar, cercar-se de lindas mulheres e tomar uísque Jack Daniels com Coca-Cola.

Talitha conhecida como ex-namorada do quinto filho do coronel Gaddafi, Moatassem Gaddafi, 35 anos, Conselheiro de Segurança Nacional da Líbia, havia ido ao Líbano encontrá-lo, em Trípoli, pela segunda vez neste ano, segundo ela, para buscar ajuda para pagar o tratamento de saúde do seu pai, que sofre do mal de Alzheimer.

A modelo disse ao jornalista que se encontrará com o ex-namorado na Líbia, em fevereiro, deste ano, pouco antes do levante, e lembra que Moatassem havia reclamado do "povo ingrato", relatando inquietações de populares, no leste do país.

Nesse final de agosto, ela fez o que chamou de "grande erro", retornando para a Líbia. Mutassim, que a convidou, assegurava que a situação estava sob controle e que o regime mantinha-se vitorioso nos enfrentamentos com os rebeldes.

A encontrá-lo, numa única vez, na sexta-feira que antecedeu o ataque dos rebeldes a Trípoli, Talitha disse que durante o encontro ele bebeu calmamente fartas doses do uísque americano Jack Daniels, com Coca-Cola, brindando uma vitória sobre os rebeldes. Era servido por garçons filipinos, que vestiam impecáveis jaquetas brancas, em pleno cenário da guerra, num hotel da capital.

Mutassim Gaddafi, na ocasião, exibia um exagerado otimismo, até porque seu prestígio havia crescido, dentro do regime. Sob seu comando estivera às tropas de elite do governo, que enfrentaram os rebeldes em torno das cidades de Benghazi e Misurata, e apesar de seu desempenho questionável, ganhara a imagem do filho guerreiro do coronel Gaddafi, o herdeiro eficaz.

"Fiquei chocado quando me reencontrei com Mutassim. Ele havia mudado- disse Talitha ao Sunday Telegraph.

"Foi à primeira vez que eu o tinha visto desde um pouco antes do levante de fevereiro. Ele estava de barba, sentado em um sofá repleto de armas automáticas, e ele era escoltado por sisudos guardas costas, muito jovens, pareciam ter 16 anos, armados com submetralhadoras.

Talitha na Playboy holandesa
A imagem de Mutassim sentado debaixo de um retrato de seu pai, planejando a guerra contra os rebeldes estava muito longe do divertido playboy, com quem ela tinha tido um relacionamento, depois de conhecê-lo numa boate na Itália, em 2004.

Seu romance durou apenas três meses, até que Talitha descobriu que havia "outras mulheres" na vida Mutassim. Mesmo assim a dupla manteve um relacionamento íntimo, descompromissado, desde então.

A ex-coelhinha da Playboy foi atraído para o mundo do luxo que o clã Gaddafi, ostentação e glamour regado a caríssimos presentes.

Ela conta que o acompanhou em viagens deslumbrantes ao redor do mundo. Em Mônaco, Talitha disse que além de ter assistido o Grand Prix, de formula um, compareceu, à noite, a um jantar, para convidados VIPs, onde a princesa Caroline de Mônaco era uma das comensais.

No natal desfrutou das férias na ilha caribenha de Saint Barts, juntos com outras dezenas de convidados de Mutassim, que foram levados ao paraíso tropical, num Boeing especialmente fretado.

De acordo com Talita, quando Mutassim estava em Paris ou Londres, ocupava vários andares dos hotéis mais caros. Enchia-os com amigos, cabeleireiros italiano, gente vinda de todas as partes do mundo.

"Perguntei-lhe uma vez o quanto ele gastava, e ele levou um minuto para responder: ''cerca de US $ 2 milhões”! Eu disse ''você quer dizer um ano? Ele disse: ''não – em um mês''.

Cercada de coleções de bolsas Louis Vuitton e relógios caros, Talitha disse que permaneceu em uma “gaiola dourada" e tinha pouca ideia sobre a vida dos líbios que parecia "bastante felizes".

Foto: Reuters

Em 2009, Moatassem reuniu-se com a secretária Hillary Clinton. Na viagem demonstrou interesse em modernizar as forças armadas líbia. Disse que apesar de ter ofertas de vendas da Rússia e da China, prefeira comprar armas aos EUA. Não conseguiu convencer os amerincanos.

Das vezes que visitou Trípoli, ficou em casas de Mutassim, em praias, fazendas e vilas do seu país, sempre decorados com exageradas aplicações de ouro e lustres gigantescos, caros, mas de gosto duvidoso.

Talitha disse que Mutassim negava que o povo líbio passasse dificuldades. Dizia que eles, além de assistência hospitalar e escolar gratuitas, dispunham de programas que forneciam alimentos mais baratos.

A jovem disse que o filho de Gaddafi confessava idolatrar Adolf Hitler, Hugo Chávez e Fidel Castro e ansiava ter o tipo de sucesso que eles desfrutaram.

Sabe-se que durante muito tempo, ele passou na sobra do seu irmão mais velho, Saif al-Gaddafi, até então considerado como o verdadeiro herdeiro político de Gaddafi. Sabe-se que Mutassim, teria tentado derrubar seu pai, do poder, e isso lhe custou anos de exílio, no Egito, só tendo regressado recentemente, quando depois de conseguir readquirir a confiança do pai, foi investido no importa cargo de Conselheiro de Segurança Nacional da Líbia.

Talitha disse que certa vez ele confirmou a participação do governo líbio no atentado Lockerbie, que parecem ter sido feito por vingança.

O atentado de Lockerbie foi um ataque terrorista ao voo 103 da Pan Am em 21 de dezembro de 1988. O avião Boeing 747-121 que partira de Londres com destino a Nova Iorque, explodiu no ar logo acima da cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas (259 no avião e 11 na terra) de 21 nacionalidades diferentes. Deste total, 189 vítimas eram cidadãos dos Estados Unidos da América.

Talitha disse: 'Eu disse a ele que as vítimas eram civis, não militares, e ele disse: ''Talitha, os americanos atacaram a nossa casa na Líbia e meu pai perdeu um filho (uma referência ao bombardeio dos EUA de Trípoli em 1986)''.

Naquela sexta-feira, no hotel, em certo momento, disse ela, Mutassim ergueu a taça e brindou a vitória que ele tinha certeza estava próxima.

Mas no dia seguinte os rebeldes apoiados por ataques aéreos da OTAN lançaram um ataque surpresa em Trípoli e Mutassim partiu sem se despedir, para se juntar aos combatentes a deixando para trás.

Talitha, então, foi posta, por pessoas do governo, num comboio que partia de Trípoli, em direção à Tunísia. A viagem não prosseguiu, pois foram emboscados pelos rebeldes. Com tiroteios eclodindo pela cidade, ele foi levada de volta e colocada sob os cuidados de uma funcionaria do hotel.

"À medida que a batalha estava acontecendo, conversando com o pessoal do hotel, fui tomando conhecimento, pela primeira vez, o que realmente pensava líbios, a respeito de Muammar Gaddafi.- disse a jovem.

”As pessoas disseram que odiavam e que ele havia arruinado sua vida."

Quando os rebeldes chegaram ao hotel, quando ela foi pedir ajuda a funcionária que ficara responsável pela sua proteção, foi por ela arrastada para fora do quarto, e exibida aos rebeldes, possivelmente como amante do filho de Gaddafi.

Talitha disse que não entendia o que estava sendo dito em árabe, mas detectou a palavra "benzeno" (gasolina) que era repetida várias vezes. Convenceu-se de que eles estavam dispostos a “queimá-la viva”.

Sozinha, apavorada, escapou das mãos da mulher e se jogou da sacada de um hotel. Quebrou um braço, sofreu lesões nas costas e inúmeras escoriações. Depois disso outros funcionários do hotel a socorreram, correndo risco de vida, levando-a para o hospital através de ruas onde ainda havia combates.

Agora ela está a caminho de casa.

"Vir para a Líbia, no meio de uma guerra foi o maior erro da minha vida", disse ela.

O paradeiro de Moatassem Gaddafi é desconhecido enquanto os rebeldes estão entusiasticamente saqueando suas casas luxuosas.

Ele foi visto pela última vez, na resistência do complexo Bab al-Azizia, invadida na semana passada por rebeldes. A qualquer momento saberemos da sua morte. Se é que ele ainda está vivo.

Foto: Lino Azzopardi/Associated Press

TRIPOLÍ NUNCA MAIS - A Associated Press, mostrou, agora a tarde, Talitha van Zon, chegando com outros refugiados, sã e salva, ao porto de La Valetta, Malta, nesta segunda-feira 29 agosto, após uma viagem de 35 horas no mar agitado.


23 de fev. de 2011

LÍBIA : Kadafi resiste em meio a um banho de sangue

LÍBIA
Kadafi resiste em meio a um banho de sangue
A rebelião líbia é até agora a mais sangrenta das revoltas que varreu o mundo árabe com uma velocidade surpreendente, nas últimas semanas, derrubando autocratas no Egito e na Tunísia, e desafiando os outros no Bahrein e Iêmen. Mesmo os que já esperavam uma reação cruel e violenta por parte do coronel Kadafi, assutam-se com o que já aconteceu e temem com o que estar por vir

Foto: Líbia televisão estatal, via Associated Pres

""Não sou presidente, não posso renunciar. Se tivesse um cargo renunciaria" , disse Kadafi na TV estatal

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, El Universal, ”thepassiranews”, Reuters, , El Pais, Estadão, Guardian,

O líder líbio, coronel Muamar el Kadafi, prometeu nesta terça-feira, num pronunciamento pela TV, morrer na Líbia como um mártir.

"Eu não vou deixar esta terra, morrerei aqui como um mártir", disse Kadafi na televisão estatal. Recusando os pedidos feitos por seus próprios diplomatas, soldados e aos manifestantes das ruas que exigem o fim de seu governo de quatro décadas.

"Muammar Kadafi é o líder da revolução. Não sou um presidente para renunciar... Este é o meu país. Muammar não é um presidente para deixar o cargo, Muammar é o líder da revolução até o final dos tempos."

"Eu permanecerei aqui desafiador", completou Kadafi, falando do lado de fora de uma de suas residências, bastante danificada num bombardeio dos Estados Unidos de 1986 durante uma tentativa de assassiná-lo.

Foto: El Pais

Diante do edifício, de onde ele falou, há um monumento de um punho gigante esmagando um caça norte-americano.

No pronunciamento, sinuoso como de hábito, Kadafi, que fala, dele mesmo, na terceira pessoa, pediu que seus partidários saíssem às ruas, dizendo que os manifestantes estavam condenados à pena de morte. Ele também prometeu uma reformulação vaga nas estruturas do governo.

Kadafi disse ainda que os responsáveis pelos distúrbios são "ratos e mercenários" que querem transformar a Líbia em um Estado islâmico.

O líder afirmou que vai "limpar casa a casa da Líbia" se os manifestantes não se renderem.

Ironicamente disse que ainda não usou a força contra os manifestantes, mas que o fará se for necessário.

"Protestos pacíficos são uma coisa, mas rebelião armada é outra", disse.

Foto: The New York Times

Cerca de 10.000 partidários do líder líbio, coronel Kadafi, reuniram–se em Tripoli, depois do seu discurso à nação, para lhe manifestar apoio

Mais cedo, testemunhas que atravessaram a fronteira da Líbia com o Egito disseram que Kadafi estava usando tanques, caças e mercenários no esforço de sufocar a rebelião, aparentemente incontrolável.

Na cidade de Tobruk, no leste do país, um correspondente da Reuters no local afirmou que agora só podiam ser ouvidas explosões esporádicas, um sinal recente de diminuição do poder de fogo de Kadafi.

Foto: Reuters

"Todas as regiões do leste estão fora do controle de Kadafi agora...O povo e o Exército estão juntos ali", afirmou o ex-major do Exército Hany Saad Marjaa.

A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados, pediu que os vizinhos da Líbia concedam refúgio aos que fogem da insurreição, deflagrada por décadas de repressão e pelas revoltas populares que derrubaram os líderes da Tunísia e do Egito.

No lado líbio da fronteira com o Egito, rebeldes anti-Kadafi armados com porretes e fuzis Kalashnikov saudavam os visitantes. Um homem levava um retrato de Kadafi de ponta cabeça com as palavras "o tirano carniceiro, assassino de líbios", disse um correspondente da Reuters que entrou na Líbia pela fronteira.

Milhares de egípcios - há cerca de 2 milhões na Líbia - que lá trabalhavam e residiam estão abandonando o país, 15.000 já haviam cruzado a fronteira.

Na cidade de Al Bayda, no leste do país, o morador Marai Al Mahry disse à Reuters por telefone que 26 pessoas, incluindo seu irmão Ahmed, foram mortos a tiros durante a noite por simpatizantes de Kadafi.

"Eles atiram em você apenas por andar nas ruas", disse ele, soluçando sem parar enquanto pedia ajuda.

Manifestantes foram atacados com tanques e aviões de guerra, afirmou ele.

"Foi uma quantia obscena de tiros", disse uma testemunha, segundo o “The New York Times” falando também do confronto de Trípole. "Eles metralhavam as pessoas que corriam em todas as direções."

"O tiroteio não foi concebido para dispersar os manifestantes", disse um morador, identificado apenas como Waleed. "Ele foi utilizado para matá-los."



A Human Rights Watch afirmou que 62 pessoas morreram nos confrontos em Trípoli nos últimos dois dias, somando-se à conta anterior de 233 mortos. Grupos de oposição apontam para um número muito maior.

A chefe dos direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que a matança poderá ser considerada crime contra a humanidade e exigiu uma investigação internacional.

Foto: Al Jazeera

O ditador líbio, coronel Muamar el Kadafi

Desde que se falou que as revoltas que foram bem sucedidas na Tunísa e no Egito espalhar-se-ia pelo mundo árabe, sabia-se que quando esse surto de anseio de liberdade chegasse à Líbia as coisas iam ser mais difíceis, mais cruéis, mais desumanas.

O ditador líbio, coronel Muamar el Kadafi, 68 anos, é um homem violento na essência, está no poder por quase 42 anos, e governa com as mãos ensanguentadas, desde 1 de Setembro de 1969, quando liderou uma revolução e depôs o velho rei Idris I, 91 anos, que estava há 18 anos no trono.

Logo após a tomada do poder Kadafi declarou ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar, exigiu e obteve a retirada americana e inglesa de bases militares e expulsou as comunidades judaicas.

Nos anos 90 passou a ser o vilão do planeta por financiar toda a espécie de terrorismo contra americanos e seus aliados, principalmente contra Israel.

Entre as proezas de financiamento terroristas de Kadafi, estão o “atentado de Lockerbie” quando uma bomba explodiu no voo 103 da Pan Am em 21 de dezembro de 1988, quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas (259 no avião e 11 na terra). Entre os mortos 189 eram cidadãos americanos.

Também financiou e apoiou o grupo terrorista conhecido como Setembro Negro responsável pelo massacre de Munique, onde 11 atletas israelenses foram assassinados durante as Olimpíadas de 1972.

Nos últimos 11 anos, por ter adotado uma política externa sem agressões diretas, começou a ser aceito pela lentamente pela comunidade internacional. Havia ficado livre das sanções que lhe haviam sido impostas tanto pela ONU, quanto pelos Estados Unidos.

Agora Kadafi sente o hálito da multidão no seu cangote autoritário e reage como um leão enfurecido.

Nesta segunda-feira surgiram especulações de que Khadafi havia deixado Trípoli.O chanceler britânico, William Hague, disse ter informações sobre uma possível ida de Khadafi à Venezuela, o que foi negado pelo governo venezuelano e depois pelo próprio Kadafi, que fez uma breve aparição na TV estatal, para dá fim aos rumores:

"Eu quero mostrar que estou em Trípoli e não na Venezuela", disse Kadafi, para cameras. Aproveitou para chamar os proprietários dos canais de notícias que haviam informado sua fuga do país, de "cães vadios".

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne relata que Khadafi aparentemente perdeu o apoio da maioria dos setores da sociedade.

Foto: Seth Wenig/Associated Press

Abdurrahman Mohamed Shalgham, o chefe da delegação da Líbia, na ONU, um dos poucos diplomatas que continua fiel a Kadafi, de quem se diz amigo de infância: "Eu posso criticá-lo, mas não posso atacá-lo."

Nesta segunda-feira, em ato de rompimento com o líder, membros da delegação de diplomatas da Líbia na Organização das Nações Unidas pediram uma intervenção internacional contra a onda de violência no país.

O vice-embaixador da Líbia, na ONU, Omar Al-Dabbashi, fez um apelo por proteção aos cidadãos, alegando que está em curso um "genocídio" patrocinado pelo governo líbio contra manifestantes.

O embaixador da Líbia nos Estados Unidos, Ali Aujali, renunciou e pediu a saída de Muamar Kadafi do poder, junta-se a outros embaixadores da Índia, China e Austrália, que decidiram deixar o cargo em protesto contra o uso da violência. De acordo com o jornal “Quryna”, o ministro da Justiça, Mustafa Abdal Khalil, também renunciou pelo mesmo motivo.

Al Manara, um site Web da oposição, informou que um alto oficial militar, o coronel Abdel Fattah Younes em Benghazi, resignado, o jornal Asharq al-Awsat informou que o coronel Kadafi havia ordenado que um dos seus principais generais, Abu Bakr Younes, ser colocado sob prisão domiciliar depois de desobedecer uma ordem para usar força contra manifestantes em várias cidades.

Foto: Reuters

Um dos pilotos líbios deixa o Mirage da Força Aérea da Líbia, em Malta. Os militares fugiram do país por negarem-se a obedecendo ordens de Kadafi de atirar nos manifestantes

Dois pilotos de caça da Líbia ordenou a bombardear os manifestantes mudaram de curso e, em vez desertou para Malta, de acordo com funcionários do governo maltês citado pela Reuters.

O governo líbio tem tentado impor um blecaute de informação do país. Os jornalistas estrangeiros não podem entrar. acesso à Internet foi quase totalmente cortado, apesar de alguns manifestantes parecem estar usando conexões via satélite. muitas novidades sobre o que está acontecendo veio a partir de entrevistas por telefone com as pessoas dentro do país. Vários moradores relataram que o serviço de telefonia celular foi para baixo, e até mesmo serviço de telefone fixo esporádicos.

"Há mortos nas ruas, você não pode mesmo buscá-los", disse ele por e-mail. "O Exército está atirando em todo mundo. Isso não impediu as pessoas de continuar. "

Embora o resultado da batalha é impossível determinar, alguns manifestantes disseram que o derramamento de sangue em Tripoli apenas redobrou sua determinação.

"Ele nunca vai abandonar seu poder", disse um deles, Abdel Rahman. "Este é um ditador, um imperador. Ele vai morrer num estalar de dedos. Já não estamos com medo. Estamos prontos para morrer depois do que vimos. "


22 de ago. de 2009

Líbia diz que Londres trocou terrorista por petróleo

Líbia diz que Londres trocou terrorista por petróleo
O terrorista líbio Megrahi teria sido libertado como parte de um vantajoso acordo comercial petrolífero entre os governos ingleses e líbios

Foto: AP

O terrorista Megrahi chega a Trípole em companhia de Seif al-Islam, filho de Kadafi, uma multidão o esperava para saudá-lo como herói

Fontes: The New York Times, Daily Mail, O Globo, AFP, The Times, BBC Brasil

Aumentou a indignação internacional, contra as autoridades britânicas, ao se tornar público que a libertação do “terrorista de Lockerbie”, o líbio Abdel Baset-Megrahi, poderia fazer parte de um escuso acordo petrolífero entre o governo inglês e a Líbia.

O jornal Daily Mail noticiou em forma de denunciou neste sábado uma "semana da vergonha" para os dirigentes britânicos.

“Em todos os contratos comerciais, de petróleo e de gás com a Grã-Bretanha, Megrahi sempre foi um elemento das negociações", afirmou Seif al-Islam, um dos filhos do coronel Kadafi, em entrevista divulgada na noite de sexta-feira por seu canal de TV, Al-Muntawasset.

O governo britânico desmentiu imediatamente. "Não existe nenhum acordo" neste sentido, garantiu um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown, questionado pela AFP.

Foto: Manoocher Deghati/AFP/Getty Images

o terrorista, Megrahi, escoltado por dois agentes de segurança, na época de sua prisão em 1992

O líbio Abdelbaset Ali al-Megrahi, de 57 anos, é um ex-agente da inteligência líbia condenado à prisão perpétua, por ter participado do ataque a bomba contra o voo 103 da Pan American, que explodiu matando todos os 259 passageiros e tripulantes (189 deles americanos), assim como 11 pessoas no solo, em Lockerbie, a cidade de fronteira escocesa onde caíram os destroços do avião.

Megrahi estava cumprindo pena de prisão perpétua, com um mínimo de 27 anos, em uma prisão a oeste de Glasgow. Foi libertado sob a desculpa de questões humanitárias, já que teria câncer na próstata em estágio terminal, o que começa a ser questionado como completamente verdadeiro.

Foto: Reuters

Em Lockerbie policiais britânicos conduzem o corpo de uma das 270 vítimas do terrorista

O diretor do FBI, a polícia federal americana, Robert Mueller, que foi o advogado do departamento de Justiça americano que liderou a investigação do atentado, em 1988, fez duras críticas ao secretário de Justiça escocês, Kenny MacAskill, disse que a decisão “faz piada com a justiça” e dá conforto a terroristas ao redor do mundo.

A crescente sensação de desconforto do primeiro ministro inglês intensificaram hoje, depois de Kadafi elogiou o "meu amigo" Gordon Brown e o Governo Britânico para o seu papel na garantia da liberdade de Megrahi.

“Aos meus amigos, na Escócia, o Partido Nacional Escocês, e o primeiro-ministro escocês, e o secretário de Relações Exteriores, eu elogio a sua coragem, por ter provado a sua independência na tomada de decisão, apesar das pressões inaceitáveis e irracionais que enfrentavam. Não obstante, tomou esta corajosa decisão certa e humanitária", disse ele criando problemas instantâneos para todo o mundo.

Fotos: Reuters

Além da multidão o líbio terrorista foi recebido no aeroporto pelo próprio coronel Muammar Kadafi, não foi bem a recepção discreta sugerida por Londres

Gordon Brown já havia sido puxado para o centro do furacão, quando se descobriu que o coronel Kadafi havia pedido seu empenho pessoal para um regresso do seu “terroristazinho”. O primeiro-ministro escreveu ao líder líbio pedindo-lhe que “agisse com sensibilidade” e discrição. Em vez disso, o terrorista Megrahi foi dado recebido em Tripolí, como um herói, em cenas descritas na pelo presidente Barack Obama como "altamente censurável".

Foto: AP

A cratera provocada pelo queda do avião da Pan American, na simpática cidadezinha escocesa de Lockerbie

COMENTÁRIO: O líder líbio, coronel Muammar Kadafi, que pode ser tudo menos ingênuo, no poder desde 1969, sabia que as comemorações com o retorno de um terrorista ao seu país iam provocar protestos das famílias das vítimas, dos americanos e da comunidade internacional e está se lixando para isso.

Para ele o importante é o prestígio interno demonstrando que prestigia até as últimas conseqüências os membros da inteligência Líbia que brincaram de terroristas internacionais, nos anos 80, ao redor do mundo.

O estranho mesmo são os elogios que Kadafi faz as autoridades britânicas, a Tony Blair, Gordon Brown e até a Rainha Elizabeth, quando comenta a libertação de Megrahi. Ele sabe que seus agradecimentos são dispensados e afetam o prestígio e a popularidade dos mencionados junto a comunidade internacional, principalmente junto aos americanos e ao público interno inglês.

Há uma possibilidade real de Muammar Kadafi estar se vingando dessas pessoas, por ter durante todos esses anos, ter ouvido deles negativas ao tentar libertar Abdel Baset-Megrahi. Agora, aproveitando a soltura do prisioneiro por motivos humanitário, sem que se ouvissem os seus apelos, resolveu inventar a história do acordo para deixar em maus lençóis os líderes britânicos e de quebra ganhar prestígio dentro de casa.

Kadafi é bem capaz disso.

Foto: AP

Familiares visitam o memorial em homenagem as vítimas, com o nome de todas os mortos no ato terrorista, no local do acidente em Lockerbie