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18 de ago. de 2013

New York Times diz que Ivete é ousada e atrevida, e a compara a Tina Turner, Janis Joplin e Bette Midler

BRASIL - ESTADOS UNIDOS - Entretenimento
New York Times diz que Ivete é ousada e atrevida,
e a compara a Tina Turner, Janis Joplin e Bette Midler
O jornal "The New York Times", publicou no caderno de cultura, na sua edição impressa, deste sábado, 17, depois reproduzida no site, uma extensa reportagem com a cantora baiana Ivete Sangalo. O texto, assinado por Larry Rohter é uma espécie de apresentação de Ivete Sangalo ao público americano. Há até mesmo uma orientação de como pronunciar seu sobrenome ("San-GAHL-oh").

Foto: Detalhe do site do New York Times

Sem ter que provar mais nada ao Brasil, Ms. Sangalo começou olhando para o mercado global- diz o New York Times

Postado por Toinho de Passira
Texto de Larry Rohter, para O The New York Times
Fontes: The New York Times, Ivete News, Caras, O Globo, O Dia, Folha de S. Paulo

Se Ivete Sangalo fosse uma cantora americana, ao invés de “A vocalista feminina mais popular no Brasil“, sem dúvida, ela poderia ser descrita como uma belter (expressão americana que significa “marcante”, “inesquecível”). No palco, ela é ousada, atrevida e barulhenta (no bom sentido), e faz parte de uma classe vocal que inclui Tina Turner, Janis Joplin e Bette Midler, e em seus registros ela muitas vezes se favorece de canções que lhe permitem cantar em voz alta e de forma dramática.

É uma oportunidade esplêndida para Ivete, que no sábado estará se apresentando no Prudential Center, em Newark. Ela já vendeu mais de 15 milhões de discos como artista solo, é chamada pela imprensa brasileira de a performer ativa mais bem paga do país, ganhando até US $ 500.000 por show, tem 8,5 milhões de seguidores no Twitter e dirige sua própria empresa de produção.

“Ser capaz de entreter as pessoas é um triunfo, mas o engraçado é que eu nunca sonhei quando criança em ser uma cantora, nunca me olhei no espelho e brincava de ser uma estrela pop,” Ivete, 41 anos, disse em uma entrevista esta semana em um hotel de Manhattan. “Eu brincava de ser atriz, e não fui, até que eu comecei a ir ao Carnaval quando adolescente e ouvi tudo o que música alta e alegre estridente dos caminhões que eu disse a mim mesma: "Não há nada que eu prefiro fazer do que isso“.

Foto: Demetrius Freeman/The New York Times

“Há algo em sua voz que é muito quente, que transmite alegria aos ouvintes“,
diz Marco Mazzola seu produtor musical

Ivete Sangalo é o principal expoente de um estilo alegre e muitas vezes estridente conhecido como axé music, que combina uma variedade de influências brasileiras e estrangeiras, em uma mistura de alta octanagem, que lembra o que é ouvido no carnaval . Samba e reggae são as fontes mais óbvias, mas rock, soul e do gêneros caribenhos, como salsa e merengue, assim como ritmos regionais locais, também entram na mistura.

Sua enorme popularidade ilustra a diferença entre a percepção externa da música brasileira e da realidade lá. Enquanto cantores e compositores como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marisa Monte ganha aplausos no exterior para seus vocais sutis e melodias e harmonias sofisticadas, os gráficos do Brasil são dominados por axé, baladas pop românticas e uma versão local de música country chamado sertanejo universitário.

“Para melhor ou pior, Ivete reflete o estado da música popular brasileira em um momento em que as pessoas estão comprando muita música simples, de dança com letras que são muito básicas,” Chris McGowan, um co-autor da história da música pop “o som brasileiro“, disse em entrevista por telefone do Brasil. “Ela é uma profissional consolidada com uma voz poderosa, controlada, que pode ir além dos tambores e da polirritmia“.

Cada vez mais, a popularidade de Ivete Sangalo, uma ex-modelo, com expressivos olhos escuros, uma voz rouca e uma personalidade efervescente, se estende para além do palco e das gravações. Ela aparece regularmente na televisão e anúncios impressos e na capa de revistas de celebridades e orientada, tem sido adotado por jogadores da equipe nacional de futebol como sua musa, se aprimorou na atuação e também tirou os spreads de moda para a Vogue brasileira e outras revistas.

“Ela não é apenas uma cantora ou artista, ela também é uma personalidade que as pessoas aqui gostam muito, alguém que é admirada e vista como um modelo a seguir“, Ricardo Pessanha, o outro autor do livro “O Som brasileiro“, disse do Rio de Janeiro . “As mulheres, em particular, são inspiradas por ela, vê-la como uma pessoa que é forte, independente, feliz, bem-vestida, com um filho e bastante dinheiro.”

Foto: G1

Ivete no festival de verão de Salvador, 2013

Ivete Sangalo nasceu no interior do estado da Bahia, em Juazeiro, também o local de nascimento de João Gilberto, um dos pais da bossa nova. Quando criança, a mais nova de uma ninhada de seis filhos, ela ouviu todos os tipos de música brasileira, mas depois a sua família mudou-se para Salvador, capital da Bahia, o estado mais rico musicalmente em um país obcecado com a música, ampliou seus horizontes para incluir o reggae, pop americano e soul music.

“Eu adoro Sly and the Family Stone, George Clinton, Prince, Kool and the Gang e, especialmente, Stevie Wonder,” ela disse. Normalmente, “eu não faço covers, mas trago eles para a minha música e os traduzo para as percussões.”

Depois que o pai de Ivete Sangalo, um joalheiro, morreu quando ela era uma adolescente, ela começou a tocar nos bares de Salvador, acompanhada da guitarra, e aprendeu a projetar sua voz acima dos instrumentos, e desarmar multidões potencialmente hostis. Ela se juntou a um grupo chamado Banda Eva, em 1993, lançou vários discos de sucesso com eles, e, em seguida, se aventurou por conta própria a partir de 1999.

Querida em Portugal: Ivete, show em Lisboa
Foto: Agencia Zero/Petrus
Marco Mazzola é um produtor que, antes de trabalhar com Ivete no início de sua carreira solo, fez registros com grandes cantoras brasileira das últimas décadas, incluindo Elis Regina, Gal Costa, Elba Ramalho e Fafá de Belém. Citando características da baiana, Mazzola listou o poder de sua voz, seu carisma no palco, seu tino comercial e sua integridade.

“Há algo em sua voz que é muito quente, que transmite alegria aos ouvintes“, acrescentou. “Ela é uma artista de teatro, atriz e dançarina, tanto como uma cantora, que canta com o coração, e tem unidade e determinação.”

Com nada a provar no Brasil, Ivete Sangalo começou a olhar para o mercado global. Ela percorreu primeiro os Estados Unidos em 2010, incluindo um show esgotado no Madison Square Garden, que foi transformado em um DVD de sucesso, e chega para seu show de Newark depois de provar das águas da Costa Oeste e na área de Boston, com chegando em Miami no domingo.

Durante a sua primeira turnê, a maior parte do público em seus shows nos Estados Unidos tinha raízes no Brasil ou em Portugal, onde ela também é bastante popular. Mas, em sua estreia em Los Angeles na semana passada, feliz ela registrou, “metade do público era de americanos”, tanto em Inglês e Espanhol.

No ano passado, ela ganhou um Grammy Latino por um álbum que fez com Gilberto Gil e Caetano Veloso, a quem ela idolatrava quando era criança. Para facilitar, na arena internacional, ela também já fez dupla com Dave Matthews, Shakira, Juan Luis Guerra e Alejandro Sanz, e quando, em dezembro, gravar seu novo disco ao vivo, em um show em Salvador, para comemorar seus 20 anos de carreira, planeja incluir canções em Inglês de Bob Marley e Stevie Wonder.

Mas não está claro, nem mesmo para ela, se ela quer seguir os passos de alguém como Shakira, a cantora colombiana, que alterna entre projetos em Inglês e em espanhol. Isso exigiria um compromisso com a ausentar-se de sua terra natal, que tem desfrutado de um boom econômico.

“É uma carta na manga, para deixar meu país e vir aqui por um ano para me dedicar a isso e aproveitar o que está aqui, o que é realmente bom e maravilhoso“, disse ela. “Mas o que eu tenho lá, no Brasil, também é maravilhoso, mas diferente. O que não podemos fazer é parar de cantar.”

Foto: João Alvarez/Contigo

Ivete na Bahia, recarregando as baterias

26 de jan. de 2013

Ministério Público vai a justiça para obrigar governador do Ceará a devolver cachê pago a Ivete Sangalo

BRASIL – Escândalo
Ministério Público vai a justiça para obrigar governador do Ceará a devolver cachê pago a Ivete Sangalo
O Estado do Ceará pagou R$ 650 mil de cachê à cantora Ivete Sangalo para que ela fizesse um show na inauguração de um hospital em Sobral, base eleitoral do governador Cid Gomes (PSB), na sexta-feira passada. Segundo o procurador federal a verba foi retirada do Fundo Municipal de Saúde (FMS), e questiona a legalidade e a moralidade de se gastar verba destinada a saúde com promoção política.

Foto: Dom Lobo/Prefeitura de Sobral

Ivete no Show em Sobral, uma hora que custou mais de meio milhão aos cofres públicos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, G1, Estadão, Folha de S. Paulo, Facebook Prefeitura de Sobral

A polêmica referente à contratação do show da cantora baiana Ivete Sangalo pelo Governo do Estado do Ceará agora tem um novo ingrediente. O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na tarde desta quinta-feira uma ação contra o governador Cid Gomes, pedindo que ele seja condenado a devolver o dinheiro aos cofres públicos.

O cachê da cantora foi de R$ 650 mil. Ela fez o show de inauguração de um hospital no município de Sobral, no último dia 18. O procurador da República Oscar Costa Filho solicita que a restituição seja feita com os recursos financeiros do próprio governador. Segundo ele, a verba foi retirada do Fundo Municipal de Saúde (FMS).

— O que ele vem fazendo são privilégios. Isso viola o princípio da moralidade administrativa. Nós vivemos hoje uma verdadeira crise de atendimento nas emergências dos hospitais públicos, que não têm estrutura. É um desrespeito com os pacientes que estão nas filas — argumenta o procurador, que recentemente ingressou com uma outra ação, solicitando a criação de leitos.

Ele pede também que a Justiça determine a abstenção por parte do governador de utilizar recursos públicos vinculados direta ou indiretamente à saúde pública para a realização de eventos festivos.

A assessoria de imprensa do governo do estado informou que ainda não houve notificação oficial em relação à ação civil pública, mas adiantou que o dinheiro utilizado para pagar o show da cantora foi proveniente da Casa Civil, e não do FMS.

Para o Ministério Público de Contas (MPC), é preciso averiguar a legalidade em torno do valor. Segundo o procurador-geral do MPC, Gleydson Alexandre, contratações recentes do show de Ivete feitas por instituições públicas custaram entre R$ 400 e R$ 500 mil. Para justificar o cachê, o Governo havia apresentado dois exemplos de contratação da cantora.

— O problema é que um deles foi há mais de um ano e o outro foi o da penúltima festa de ano-novo de Fortaleza. Nós sabemos que cachê de festa de réveillon não deve ser usado como referência porque normalmente os artistas aumentam o valor. Além disso, a legislação diz que é preciso apresentar três exemplos recentes da contratação do artista para servir como base, e isso não ocorreu — argumenta o procurador.

Já no ano passado ele havia entrado com uma representação junto ao TCE para que fosse feita uma vistoria nas contas. Na semana passada, o então presidente interino do Tribunal, Pedro Timbó, arquivou o processo. Após esse episódio, o MPC ingressou com um recurso na última segunda-feira e agora aguarda a avaliação pelo pleno, que é esperada para o dia 5 de fevereiro.

— A partir desse resultado é que vou tomar as providências cabíveis — sublinhou Gleydson Alexandre.

Vale ressaltar que a polêmica em torno do cachê de Ivete Sangalo foi motivo de um ácido embate entre ele e o governador Cid Gomes, que chegou a classificá-lo como “um garoto que deseja aparecer e fica criando caso”. A declaração gerou muita polêmica e provocou a reação da Associação Cearense do Ministério Público (ACMP) e da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon), que publicaram nota repudiando a atitude do governador.

“As declarações feitas por ele são desrespeitosas em relação ao Ministério Público de Contas (MPC) e demonstram que o chefe do Executivo estadual não tem o menor respeito pelas instituições democráticas (...) Ademais, o direito de recorrer do MPC é assegurado constitucionalmente e será exercido toda vez que a decisão combatida estiver contrária ao interesse público, à Constituição ou à jurisprudência dos Tribunais Superiores”, defendeu-se o procurador, em nota.

No que tange ao show da cantora Ivete Sangalo, o governo do estado também informou não ter recebido nenhuma notificação sobre o recurso ajuizado pelo MPC.

Foto: André Teixeira/G1

Três milhões pelo show de Plácido Domingo, na inauguração do Centro de Convenções, só para poucos e seletos convidados do Governador Cid Gomes

MAIS POLÊMICAS

Além da discussão em torno do show da cantora Ivete Sangalo, o governo do estado do Ceará deve prestar mais esclarecimentos acerca da contratação do tenor espanhol Plácido Domingo, que teria custado mais de R$ 3 milhões. É o que garante a conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Ceará Soraya Victor, relatora do processo que apura o caso. Segundo ela, o despacho para a notificação foi dado na última quarta-feira, 23.

O artista foi uma das atrações da inauguração de um centro de eventos em Fortaleza, em agosto do ano passado, e a contratação também se tornou alvo de muita polêmica. A festa foi restrita a 3 mil convidados do governador Cid Gomes.

O Ministério Público de Contas havia entrado com uma representação junto ao TCE para que o governo do estado apresentasse a justificativa de preço e também a demonstração da exclusividade da empresa contratada, a D & E Consultoria e Promoção de Eventos Ltda. O objetivo era principalmente saber se o trâmite havia respeitado a Lei Nº 8666/93, que rege licitações e contratos públicos.

De acordo com o procurador-geral do MP, Gleydson Alexandre, para contratar trabalho artístico não é preciso fazer licitação, mas a legislação determina que isso seja feito diretamente com o artista ou com a empresa que tenha a exclusividade para agenciar o trabalho dele.

A análise técnica feita pelo TCE foi finalizada na sexta-feira passada. Segundo Soraya Victor, o governo não apresentou a justificativa de preço.

— Em relação à empresa contratada, foi enviada uma documentação, mas isso será avaliado pelo pleno do Tribunal — informa a conselheira.

Ela disse também que ainda não se sabe ao certo qual o custo total da festa.

— Não temos o detalhamento das despesas. É preciso verificar, por exemplo, se os gastos com bufê, mesa, decoração estão incluídos no pacote de R$ 3,3 milhões ou se isso foi somente o cachê do Plácido Domingo. É por isso que pedimos mais esclarecimentos — explicou ela.

A assessoria de comunicação da Casa Civil informou que o governo ainda não foi oficialmente notificado sobre o assunto, mas salientou que todos os esclarecimentos foram encaminhados ao TCE ainda em 2012. O prazo para o pronunciamento agora é de 15 dias a contar da notificação. Por conta do período de férias coletivas, o TCE só deve avaliar o caso novamente em fevereiro.

O governador Cid Gomes é um verdadeiro mecenas, no seu currículo de altos cachês, estão meio milhão para o cantor Luan Santana e a mesma quantia para a dupla Zezé di Camargo e Luciano no réveillon de 2013 promovido pelo governo em Fortaleza.

Isso sem levar em conta os efeitos terríveis da seca que assola o estado do Ceará, os problemas com a saúde, a educação e a segurança. Além, é claro, de evidentes suspeitas de cachês superfaturados e propinas dividida com os contratadores.