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1 de set. de 2013

Preso, petista assessor da Casa Civil, acusado de 23 estupros, se diz "inocente”. Aprendeu com quem?

BRASIL - Escândalo
Preso, petista assessor da Casa Civil, acusado de 23 estupros, se diz "inocente”. Aprendeu com quem?
Ninguém pode imaginar que um juiz vá decretar a prisão preventiva contra um ex-prefeito e assessor do Ministério da Casa Civil, se não possuir provas muitos robustas da veracidade das acusações. O Ministério Público e a polícia, em três anos, reuniu depoimentos de 23 vítimas que acusam o ex-prefeito petista de oferecer dinheiro e emprego na prefeitura em troca de favores sexuais. A ministra Chefe da Casa Civil conterrânea e colega de partido do tarado disse que não sabia da investigação.

Foto: João Carlos Frigério/Estadão

PRESO EM FOZ DO IGUAÇU - Eduardo Giaevski, não pode ser considerado um petista inteligente, foi encontrado escondido na casa de parentes, em Foz do Iguaçu. Claro que a polícia ia procurar lá, meu caro tarado.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Gazeta do Povo, Veja , Uol, Estadão, Ucho.Info

Foi preso neste sábado o ex-assessor da Casa Civil, o petista paranaense, Eduardo Gaievski, que estava foragido há uma semana, entocado em Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai. Ele é denunciado por estupro de menores e favorecimento de prostituição, na época em que ainda era prefeito de Realeza (547 km de Curitiba) entre os anos de 2005 e 2012.

Gaievski frequentou a cozinha de Dilma, durante o tempo que foi assessor da Casa Civil, convocado que foi pela conterrânea, a Ministra Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), pré-candidata a governadora do Paraná, nas eleições de 2014 e esposa do Ministro das Comunicações Paulo Bernardo.

Em nota, a ministra disse que Gaievski foi contratado, desde janeiro, "para acompanhar e monitorar alguns programas do governo federal executados em parceria com municípios" e que “antes da contratação foram realizadas todas as pesquisas que se faz para ocupação de cargo de confiança na administração pública federal. Em nenhum momento, durante o processo de contratação, foi encontrada qualquer indicação sobre as acusações que hoje surgem contra Eduardo Gaievski e que levaram à sua prisão na manhã deste sábado", diz o texto.

O Ministério Público do Paraná informou que já investigava o tarado petista há três anos. Ou a poderosa Casa Civil fechou os olhos para a acusação ou foi incompetente ao investigar a vida pregressa do futuro assessor, e acabou trazendo o pedófilo para a intimidade do Palácio do Planalto.

Ainda de acordo com a nota, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, lamenta profundamente a situação. "Tenho uma história de vida, não só política, em defesa da mulher e seus direitos, mas também de crianças e adolescentes. As acusações imputadas a Eduardo Gaievski são da mais alta gravidade e têm que ser apuradas levando-se às últimas consequências. Jamais compactuei ou compactuarei com crimes, ignorando-os ou acobertando-os", disse agora depois do leite derramado.

Foto: Veja

O TARADO E AS MENINAS - O assessora petista Eduardo Gaievski abraça com intimidade a presidenta Dilma Rousseff e a ministra Gleisi Hoffmann, durante solenidade não é lindo?

Na verdade ele era encarregado de coordenar importantes programas sociais do governo, como o de combate ao crack e o de construção de creches, esse último um dos programas que é a "menina dos olhos" da presidenta Dilma.

Ninguém pode imaginar que um juiz vá decretar a prisão preventiva contra um ex-prefeito e assessor do Ministério da Casa Civil, se não possuir provas muitos robustas da veracidade das acusações. Como o processo corre em segredo de justiça por envolver menores, sabe-se apenas que ele é uma investigação do Ministério Público e da polícia reuniu depoimentos de 23 vítimas que acusam o ex-prefeito petista de oferecer dinheiro e emprego na prefeitura em troca de favores sexuais.

Segundo os relatos, o então prefeito oferecia dinheiro a meninas pobres em troca de sexo. “Eu tinha 13 anos de idade e o prefeito foi me buscar no colégio para levar para o motel”, diz J. S., uma das vítimas, hoje com 17 anos. O prefeito, segundo os relatos, aliciava as garotas usando mulheres mais velhas para convencê-las a manter relações com ele.

“A gente era ameaçada para não contar nada a ninguém”, diz A.F., que tinha 14 anos à época em que conta ter sido levada ao motel Jet’aime pelo prefeito três vezes, recebendo entre 150 e 200 reais cada uma delas. P.B., outra suposta vítima, afirma que saiu com o prefeito três vezes em troca de um emprego na prefeitura. “Hoje tenho depressão e vivo a base de remédios”, diz a moça, que está com 22 anos. “Quando ele enjoou de mim, fui demitida.”

Logo que a prisão preventiva decretada, na sexta-feira, 23, chegou ao conhecimento do Planalto, Gaievski foi exonerado do seu cargo da Casa Civil, e suspenso do PT do Paraná, partido que era filiado.

Não cessam as indagações sobre o silêncio obsequioso da petista Maria do Rosário Nunes, a Ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, sempre tão apressada e indignada a fazer ilações e acusações, diante do escândalo envolvendo Eduardo Gaievski, petista que responde a 23 processos por estupro de vulneráveis e que estava foragido até este sábado.

Já o acusado, o tarado petista, Eduardo Giaevski, adotou o discurso ensinado pelo guru do partido, o mestre Lula: disse que era inocente, que as acusações eram obras de inimigos políticos, que o Ministério Público do Paraná não gosta dele, que o Poder Judiciário errou ao decretar sua prisão, que ele não estava escondido, quando foi preso em Foz do Iguaçu, fora lá para apreciar a natureza e apesar de estar tão perto da fronteira, não pretendia fugir para o Paraguai.

Ah, tá!

16 de jul. de 2012

VEJA: O PT de Dilma

BRASIL – Eleição 2014
O PT de Dilma
Os conflitos entre aliados na eleição municipal levam a presidente a montar grupo de ministros petistas para cuidar da articulação com os partidos e comandar sua campanha à reeleição em 2014, assunto sobre o qual ela já fala abertamente

Foto: Reuters

Dilma se encontrou com Temer para reforçar que o PMDB seguirá como o principal aliado do governo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Otávio Cabral
Fonte: Veja - 16/07/2012

Até agora, Dilma Rousseff era um raro caso de alguém que fez sucesso na política praticamente sem tê-la exercitado. Em sua primeira experiência eleitoral, quando não era uma liderança nem mesmo em seu partido, foi eleita presidente do quinto maior país do mundo. Para isso, contou com a popularidade de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seus primeiros dezoito meses como presidente, seguiu a mesma cartilha do tempo em que era ministra e concentrou-se nas questões administrativas — nem aí para a política. Essa parte foi deixada nas mãos de Lula e do PT. De novo, foi um sucesso. Seu governo atingiu índices de aprovação popular maiores que os do anterior.

No último mês, porém, a receita deu para desandar. Convalescendo do tratamento de câncer, Lula deixou a articulação política e focou suas ações na eleição para prefeito de São Paulo. O PT passou a defender interesses contrários aos de Dilma, como a defesa dos réus do mensalão. E, aproveitando o período eleitoral, partidos aliados, como o PSB e o PMDB, começaram a desafiar o governo.

A gota-d’água foi o caso Belo Horizonte, cidade onde o PSB rompeu com o PT e se aliou à oposição. Prevendo turbulências no horizonte, Dilma decidiu pilotar o próprio voo. Convocou cinco de seus ministros mais próximos e montou um grupo que será responsável pela costura política do governo e pela sua campanha à reeleição em 2014 — assunto que ela passou a mencionar abertamente. Com isso, deu o primeiro passo para montar seu próprio PT e afastar-se da órbita de Lula.

Nas duas últimas semanas, a presidente reuniu-se três vezes no Palácio da Alvorada com os ministros de sua nova tropa de elite: Alexandre Padilha (Saúde), Paulo Bernardo (Comunicações), Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). São todos petistas históricos, sendo que os dois primeiros já eram ministros no governo Lula. Hoje, não apenas são os auxiliares mais próximos de Dilma, como também seus principais conselheiros políticos. É a eles que a presidente recorre quando precisa se informar sobre eleições e é a eles que confia missões delicadas como as que envolvem negociações com os partidos aliados e o Congresso.

“A definição dos palanques municipais começou a sair do controle do governo e fez a presidente perceber que precisa dedicar mais tempo à política. Como ela não gosta muito do tema nem tem experiência partidária, montou uma equipe de confiança para isso”, diz um dos cinco ministros do grupo.

A primeira reunião da equipe foi convocada pela presidente assim que ela foi informada da crise na eleição de Belo Horizonte. Na cidade, havia desde 2008 uma inusitada aliança, com os rivais PT e PSDB apoiando o prefeito Marcio Lacerda, do PSB. Agora, o PSB decidiu romper com os petistas e manter o acordo apenas com os tucanos.

Há três fatores que colaboraram para transformar uma disputa local em uma questão nacional – e de honra - para a presidente. Belo Horizonte é sua cidade natal. O líder do PSDB local é o senador Aécio Neves, seu provável rival em 2014. E o mentor da aliança foi Eduardo Campos, presidente do PSB, governador de Pernambuco e, embora aliado do governo, possível adversário de Dilma em 2014.

Diante disso, a presidente resolveu usar a força do governo para equilibrar o jogo na capital mineira: lançou a candidatura do ex-ministro Patrus Ananias, do PT, e levou para o seu palanque uma dezena de partidos, inclusive o PMDB e o PSD, o que lhe dará o maior tempo na propaganda de televisão.

"Dilma se recusava a entrar na campanha municipal. Mas ela viu que o caso de BH terá influência direta em 2014. Foi a primeira vez que a vi falar em reeleição”, afirma outro ministro do grupo.

Na semana passada, a presidente se reuniu com Eduardo Campos e com o governador do Ceará, Cid Gomes, em um jantar no Palácio da Alvorada. Acompanhada de Paulo Bernardo e Gleisi, serviu bacalhau, sopa de legumes e vinho nacional — e foi dura no recado.

Em tom cordial, reafirmou o desejo de continuar ao lado dos socialistas em 2014, mas deixou claro que não aceitará que a eleição municipal sirva de instrumento de chantagem contra ela. Qualquer que seja o resultado, Eduardo Campos não substituirá Michel Temer como vice em sua chapa. E uma eventual tentativa de voo-solo de Eduardo será interpretada pelo governo como um rompimento.

No dia seguinte, Dilma se encontrou com Temer para reforçar que o PMDB seguirá como o principal aliado do governo e que ela nada fará para impedir que o partido ocupe a presidência da Câmara e a do Senado em 2013.

Historicamente, as eleições municipais servem como aquecimento para a disputa presidencial. Neste ano, há outros fatores que ajudam a levar a sucessão de Dilma ao tabuleiro. O principal é a convicção — no governo e em parte da oposição — de que Lula não tentará voltar à Presidência. Além dos problemas de saúde — que hoje dificultam sua fala e locomoção e inviabilizam a participação em uma campanha nacional —, ele perdeu parte da influência que tinha sobre o eleitorado.

Hoje, segundo o Datafolha, Dilma é um cabo eleitoral mais eficiente do que Lula em São Paulo. Há ainda o julgamento do mensalão, em agosto, que, em caso de condenação dos réus, tenderá a enfraquecer o PT de Lula e José Dirceu. Dilma sabe que precisa montar seu próprio PT para buscar um novo mandato. E dá mostras de que, para obtê-lo, está disposta até a fazer política.