30 de ago de 2014

Dilma muda o alvo e parte para o ataque contra Marina

BRASIL - Eleição
Dilma muda o alvo e parte para o ataque contra Marina
Um dia depois dos novos números do Datafolha, presidente-candidata sugere que a adversária é autoritária e suas propostas são 'fundamentalistas obscurantistas e retrógradas'

Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com

Dilma Rousseff durante evento de campanha na cidade de Jales, no interior paulista

Postado por Toinho de Passira
Texto de Felipe Frazão, de Jales
Fonte: Veja

A resposta veio rápido. Em um comício na cidade de Jales, no interior de São Paulo, a presidente-candidata Dilma Rousseff deixou de lado a artilharia contra o PSDB e dirigiu suas críticas a Marina Silva (PSB), seguindo à risca a orientação do PT para centrar fogo na nova rival direta pela disputa ao Palácio do Planalto.

"Numa democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo. No mundo, não há um único lugar em que se governa sem partidos", disse a petista. Filiada ao PSB somente para disputar as eleições, Marina é idealizadora da Rede Sustentabilidade, partido que foi barrado pela Justiça Eleitoral, e crítica das agremiações regidas pelo que chama de "velha política". Uma das linhas de ação traçadas pelo PT é martelar que, se eleita, Marina não terá respaldo dos partidos no Congresso Nacional que hoje apoiam Dilma.

Sem citar nominalmente Marina, que ontem lançou seu plano de governo, a petista disse que as propostas da adversária são “fundamentalistas, obscurantistas e retrógradas”. “Sabe o que acontece com propostas aventureiras, obscurantistas e atrasadas? Elas fazem parte de uma proposta aparentemente avançada, mas que é demagógica e que, sobretudo, não sei a que interesse serve. Por isso fiquem atentos, olho aberto. Vai afetar a vida de todos nós.”

Ao lado do vice, Michel Temer, anfitrião do ato, a petista também fez um aceno direto ao PMDB, que chamou de "partido da democracia". O comício no Oeste paulista é uma tentativa de atrair prefeitos e lideranças regionais do PMDB para minimizar a rejeição à presidente no Estado de São Paulo. "O Brasil precisa, nesta eleição, conhecer a verdade que existe aqui em São Paulo e que é oculta", afirmou Dilma, sugerindo que o governo estadual, administrado pelo PSDB, esconde parcerias com a administração federal. "O Estado tem de fazer parceira com o município. O que não é certo é esconder a parceria." "Colocamos aqui em São Paulo, recursos no Minha Casa, Minha Vida e teve casas entregues e casas que estão por entregar. Foram beneficiadas 2,4 milhões de pessoas e tem gente que diz que foram eles que fizeram o Minha Casa, Minha Vida", afirmou.

Em mais uma referência a Marina, Dilma defendeu a exploração do pré-sal e afirmou que o país poderia perder 1,3 trilhão de reais em investimentos. “Isso é tirar dinheiro para ampliar creche, porque está na criança a raiz da desigualdade. A gente tem de dar a mesma oportunidade para os brasileirinhos e brasileirinhas", discursou.

“Aqui estão aqueles que acham que a Petrobras e o pré-sal não só têm de ser preservados como têm de ser estimulados, que acreditam que a Petrobras é uma grande empresa, que não querem reduzir seu papel e sabem que o Brasil precisa não só do petróleo, mas de transformar essa riqueza finita em perene, num passaporte para o futuro, para a educação.”

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