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11 de abr. de 2013

Deus e o diabo na terra do pastor Feliciano

BRASIL – Bizarro
Deus e o diabo na terra do pastor Feliciano
Para o pastor Feliciano, foi a Justiça Divina que matou John Lennon, derrubou o avião em que viajavam “Os Mamonas Assassinas” e afundou o Titanic. Em contrapartida atribui ao demônio o sucesso de Caetano Veloso e da pop star Lady Gaga. No momento de maior delírio afirmou que o “Satanás está infiltrado no governo brasileiro, não só no governo brasileiro, mas no governo do mundo!”.

Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara

Feliciano sobre críticas após a publicação de vídeos polêmicos: - Não me arrependo de nada do que digo no púlpito. O púlpito é um lugar de inspiração

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Ultimo Segundo, Radar Online, Extra, APP, Correio Braziliense, Wikipedia, Portal Marco Feliciano, Blog do Camaroti

Marco Antônio Feliciano, 41, é pastor da igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento e deputado federal brasileiro eleito pelo Partido Social Cristão (PSC). Em março de 2013, Feliciano foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados do Brasil, quando então ganhou negativa notoriedade nacional por sofrer pressão para renunciar ao cargo, devido a sua história de pronunciamentos tidos como racistas, homofóbicos e delirantes, incompatível com a missão da comissão que passou a presidir.

No seu site oficial Feliciano diz que como escritor, publicou 18 livros, e é autor de DVDs com mensagens de autoajuda que venderam cerca de 600 mil cópias.

O pastor enfrenta um feroz movimento vindo dos movimentos gays e de combate à discriminação racial, que tem infernizado sua vida na presidência da Comissão, na Câmara, não permitindo que as reuniões ocorram normalmente, através de manifestações ruidosas e constantes, que estão se estendendo as ruas das principais cidades do país.

Os adversários do Pastor Feliciano, foram em busca do seu passado e encontraram perolas, para todos os gostos em vídeo divulgados na internet pelo próprio pastor. Num deles mostra Feliciano pedindo a senha do cartão de crédito de um fiel de sua igreja. Nas imagens, Feliciano diz: "É a última vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre pra Deus e Deus não vai dar e vai falar que Deus é ruim."

Mas as coisa toda não é só folclórica, o deputado Feliciano, atualmente responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por homofobia e estelionato (por ter sido acusado de receber 13 mil reais para realizar um culto no estado do Rio Grande do Sul sem ter comparecido ao evento).

John Lennon assassinado devido a uma “vingança divina", por ter afrontado Deus, segundo o pastor Feliciano
Corre na Câmara dois pedidos de abertura de processo de falta de decoro parlamentar contra o pastor deputado: um do PSOL cita reportagens de jornais e revistas que denunciaram suposta contratação de funcionários fantasmas e o uso de cota parlamentar para pagamento de empresas que prestaram serviços particulares ao deputado.

Um segundo pedido de investigação partiu da ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos deputada Iriny Lopes (PT-ES), pedindo que a Corregedoria investigue se houve quebra de decoro por parte de Feliciano ao dizer, durante um culto evangélico, que antes da chegada dele à presidência da comissão o “satanás” comandava o colegiado.

Segue-se mais um monte de besteirol na trilha dos vídeos e das redes sociais em mensagens postado por ele e sobre ele na internet.

Em março de 2011, Feliciano postou em sua conta na rede social Twitter frases de cunho racista, ao dizer: "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polemica (sic). Não sejam irresponsáveis twitters. A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!"

Feliciano defende a ideia de que os povos africanos negros vivam sob a chamada "Maldição de Cam", descrita no livro Gênesis da Bíblia e interpretada de várias maneiras, e de que essa seria a causa dos problemas sócio-econômicos e políticos enfrentados pelo continente africano.

Em uma publicação sobre os homossexuais, Feliciano disse: "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas", o que lhe gerou acusações de comportamento homofóbico.

Durante uma entrevista para o livro Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil, o pastor Feliciano afirmou ser contrário às reivindicações do movimento feminista porque elas podem tornar a sociedade majoritariamente homossexual.

"Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos."

Um novo vídeo mostra Feliciano ao fazer críticas ao Congresso diz, entre outras coisas, que se "apavora" todas as terças-feiras quando chega à Câmara e que o Satanás "está infiltrado no governo brasileiro".

Feliciano chega a dizer que, ao dizer isso, pode até cortar suas emendas, mas que ele, embora seja deputado, como pastor tem que dizer o que está ocorrendo.

Durante um culto, o deputado também faz críticas a parlamentares evangélicos que não querem assinar proposta de sua autoria para a realização de um plebiscito sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Foto: JF Dionio/Estadão

Protesto contra a permanencia da Feliciano na Comissão de Direitos Humanos no Congresso, no fim de semana em São Paulo

"Recebi uma mensagem de pureza e santidade. Vou falar como profeta. Me apavora entrar dentro da Câmara dos Deputados desse país e saber como o Satanás está infiltrado no governo brasileiro, não só no governo brasileiro, mas no governo do mundo. Satanás tem levantado homens e as mulheres, e a Igreja não tem se atinado a isso (...) Satanás levantou seu ativismo nesse país, existe uma ação de Satanás contra a família, dentro desse nosso governo, de esquerda, talvez vão cortar minhas emendas. Não fiquem apavorados, sou pastor, tenho que falar... Quando precisamos de apoiamento para coisa a favor da família, nem deputados crentes tem coragem de apoiar. Plebiscito sobre o casamento de homossexuais... imagine, a causa é boa, encontrei gente que é da Igreja que não possa assinar, o anti-cristo está operando...ninguém vai” , diz o deputado no vídeo

Os pronunciamentos de Feliciano, porém, não tem estribeiras: recentemente noutro vídeo o deputado diz, durante um culto religioso, que o cantor britânico John Lennon foi castigado e morto por Deus por ter dito em certa ocasião que "Os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo". Sobre a morte do cantor, assassinado em 1980 por Mark Chapman, Feliciano disse que se tratou de uma "vingança divina" e que "ninguém afronta Deus e sobrevive para debochar".

No mesmo vídeo e ainda sobre o assunto, o pastor diz: "Eu queria estar lá no dia em que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: 'me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse é em nome do Espírito Santo'."

Em outro vídeo, aparentemente gravado no mesmo culto, Feliciano diz que as músicas dos Mamonas Assassinas, ao se dirigirem para crianças, tocaram na “santidade de Deus”. Ele criticou o cantor da banda, Dinho, por ter sido evangélico da Assembleia de Deus, e o chamou de “vendido”. “Se vendeu ao diabo pelo vil dinheiro, dizem por aí que todo homem tem seu preço”.

Todos os integrantes da banda, conhecida pelas letras engraçadas e cheias de duplo sentido, morreram em um acidente aéreo em 1996.

“Até hoje há uma interrogação do que aconteceu ali para os homens. Eu sei o que aconteceu ali. O avião estava no céu, região do ministro do juízo de Deus. Lá na Serra da Cantareira, ao invés de virar para um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças", disse.

Foto: Divulgação

Caetano e Lady Gaga, auxiliados pelo Satanás, segundo o pastor Feliciano

Em outra ocasião, o pastor afirma que o cantor Caetano Veloso, que é ateu, obteve sucesso com a canção "Sozinho" com o auxílio de "forças malignas" após um encontro com Mãe Menininha do Gantois, uma conhecida iyálorixá brasileira. No mesmo vídeo, ele diz que "o diabo tem uma Lady Gaga que canta e encanta", se referindo à cantora pop norte-americana.

A última de Feliciano, divulgada no Radar Online de Lauro Jardim, diz que o deputado pastor, credita à morte dos 1 523 passageiros do Titanic a justiça divina.

- No caso do Titanic, o comandante disse: ‘Nem Deus afunda o Titanic”, e logo depois aconteceu o que aconteceu. Não é que eu ache que Deus pune, mas por que zombar de Deus? Eu acredito nisso. Para que zombar de quem não te fez nada?

A única coisa aproveitável, dita por Feliciano, ultimamente, foi a resposta dada diante de apelo do líder do PT, deputado José Guimarães (CE), para que deixe a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

“Renuncio se João Paulo Cunha e José Genoíno, condenados no julgamento do mensalão, também renunciarem aos cargos que ocupam na Comissão de Constituição e Justiça”. Os petistas Cunha e Genoíno são membros titulares da CCJ.

Nos mais se sabe que Satanás provavelmente está satisfeito com os poderes a eles atribuídos, pelo Pastor, mas em contra partida, espera-se a qualquer momento um pronunciamento de Deus ou sua Divina Ira, sobre a cabeça de Feliciano.

Foto: Arquivo

Feliciano credita o naufrágio do Titanic a justiça divina


14 de jan. de 2012

Casal de sargentos gays brasileiros pedem ajuda a OEA

BRASIL - HOMOFOBIA
Casal de sargentos gays brasileiros pedem ajuda a OEA
O ex-sargento do Exército Brasileiro, o pernambucano Fernando Alcântara e o sargento Laci Marinho, decidiram recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) para obter segurança internacional. O motivo são as constantes ameaças que dizem sofrer desde que assumiram publicamente sua relação homossexual. “Os direitos humanos estão sendo desrespeitados no país e nada está sendo feito de fato contra isso”, afirma Alcântara ao site “Congresso em Foco”.

Foto: Revista Época

Os sargentos Laci Marinho de Araújo e o ex-militar Fernando Alcântara de Figueiredo. "É tudo como um casal normal", dizem confirmando uma união estável de 13 anos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Congresso em Foco, Congresso em Foco, Revista Época

O site Congresso em Foco divulgou, no início da semana, que o ex-sargento do Exército Brasileiro, o pernambucano Fernando Alcântara e o sargento Laci Marinho, decidiram recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) para obter segurança internacional. O motivo são as constantes ameaças que dizem sofrer desde que assumiram publicamente sua relação homossexual. A intenção é sair do Brasil e garantir “uma vida normal”, de acordo com Fernando.

O site volta à notícia, neste fim de semana, constatando que a matéria de conteúdo polêmico, gerou grande debate no campo de comentários na página da reportagem. Foram mais de 800 manifestações, a maioria cheias de agressividades contra o casal, que incluiu, além de agressões verbais, incitações a violência física.

A reportagem de capa da Revista Época, em 2008, o começo da polêmica
“Esses comentários nada mais são do que a prova do que estamos tentando dizer. Somos agredidos pela nossa opção sexual”, comenta Fernando, que diz entender a reação e até achá-la normal na internet. “As pessoas são livres para expressarem o que quiserem, mas ao mesmo tempo é preocupante. Os direitos humanos estão sendo desrespeitados no país e nada está sendo feito de fato contra isso”, afirma.

Os temores da dupla vão além das ameaças que sofreram ou de manifestações de intolerância. Os dois também se preocupam com os crescentes atos de violência contra homossexuais.

“Temos visto cada vez mais casos de agressões nas grandes cidades, e, querendo ou não, somos o casal gay mais visado do país, por sermos militares e termos assumido nossa relação. Não aguentamos conviver com tantas ameaças. Ficamos em casa, não podemos sair. Só queremos garantir uma vida tranquila, como qualquer pessoa tem direito”, afirma Fernando.

Com uma relação que já dura mais de 13 anos, eles dizem que recorreram à ajuda internacional por terem desistido de lutar por seus direitos nos órgãos públicos brasileiros.

“Não acreditamos em mais nada que venha do Exército e não conseguimos nos sentir à vontade em nosso próprio país. Queremos proteção internacional porque as pessoas que nos ameaçaram de morte ainda continuam recebendo dinheiro dos cofres públicos. E tudo fica por isso mesmo. Como vamos acreditar que aqui haverá alguma solução?”, indagam.

Eles apresentaram a denúncia contra o Brasil em 17 de maio do ano passado, baseando-se principalmente nos problemas que enfrentaram no Exército, mas responsabilizam o Estado brasileiro como um todo pelos percalços que têm enfrentado desde que assumiram seu relacionamento.

Irina Bacci, da ABGLT: “O fato de não tomar uma atitude, de não haver um pronunciamento da presidenta, por exemplo, legitima o preconceito.”
“O Exército é uma instituição do governo brasileiro e essa estrutura governamental foi complacente com tudo o que nos aconteceu”, resume Fernando.

O casal diz não ter preferência por nenhuma nação em especial para residir. Procura, sim, um lugar seguro, onde a sua relação afetiva seja aceita. O casamento civil também não está entre os seus planos atuais, nem será decisivo na opção por um país. Questionado a respeito, Fernando, que não pertence mais ao Exército e luta na Justiça para ser reconhecido como dependente econômico de Laci, se limita a responder: “A importância do casamento civil tem relação com o reconhecimento de dependência. O que nos importa é que nossa família nos aceita”.

Para a secretária-geral da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Irina Bacci, o que está havendo é um processo de legitimação de preconceitos pela sociedade brasileira.

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) afirmou que agressões físicas e verbais contra a comunidade LGBT são entendidas como crimes que devem ser apurados e punidos. No entanto, ainda não existem leis que condenem quem pratica atos de homofobia.

Para a presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), a tipificação da homofobia como crime é o próximo passo que o país tem que dar no sentido de coibir práticas de agressão contra grupos homossexuais.

“A mesma intolerância que gera comentários absurdos e impregnados de preconceito contra o casal, gera conflitos religiosos, violência contra a mulher, o negro, o índio, o pobre, o diferente. Muitos comentários são feitos porque as pessoas acreditam na impunidade e no suposto anonimato da internet. Enquanto não tipificarmos a homofobia como crime, isso continuará acontecendo não apenas na internet, mas nas ruas, nas escolas, no ambiente de trabalho”, opina a deputada.

Deputada Manuela D’Ávila, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, defendendo criminalização da homofobia
No ano passado, o governo Dilma Rousseff vetou a distribuição de materiais do projeto Escola sem Homofobia, em que kits com cartilhas e vídeos para combater o bullying homofóbico seriam distribuídos em escolas da rede pública. O veto foi atribuído a pressões feitas pela bancada evangélica da Câmara dos Deputados. Na época, o grupo composto por 74 parlamentares ameaçou obstruir a pauta do Congresso, além de pressionar pela convocação do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) para prestar esclarecimentos sobre sua evolução patrimonial, motivo que o levou a ser demitido da pasta.

Para o ex-sargento Fernando, a aproximação do Estado com grupos conservadores e fundamentalistas leva o poder público a ser condescendente com os casos de homofobia: “Não confiamos mais no Estado brasileiro e não podemos contar com os órgãos brasileiros. Precisamos apelar para outros países, para não corrermos riscos aqui”, diz.

Para Irina, a percepção de Fernando está correta. “O fato de não tomar uma atitude, de não haver um pronunciamento da presidenta, por exemplo, legitima o preconceito. Essa pauta conservadora e religiosa acaba parecendo um projeto político de poder.”

Para os defensores das causas LGBT, a grande quantidade de igrejas com canais de televisão e rádios, além de outros meios de comunicação, contribui para a disseminação de discursos contrários às minorias.

A consequência disso, segundo Irina, é a falta de um debate amplo sobre o assunto.

O site Congresso em Foco diz que procurou a seção de imprensa do Exército brasileiro para ouvir a instituição sobre o caso do sargento Laci Marinho e do ex-sargento Fernando Alcântara, mas não obteve resposta.

- Veja alguns comentários dos leitores do site “Congressso em Foco”
- Entenda a história de Fernando e Laci