24 de fev de 2014

Paulo Câmara para Governador de Pernambuco - Eduardo Campos tira outro poste do bolso do colete

BRASIL - Pernambuco- Eleição 2014
Paulo Câmara para Governador de Pernambuco
- Eduardo Campos tira outro poste do bolso do colete
O governador escolheu seu secretario da fazenda para ser o seu candidato a Governador de Pernambuco. Desconhecido e técnico, como o José Júlio, o prefeito do Recife, o novo candidato nunca disputou uma eleição. O vice João Lyra não gostou da escolha, a única que aprovaria seria a dele mesmo. Armando Monteiro, o adversário, sabendo agora com que vai disputar, prepara as armas e estratégia. O jogo começou para valer.

Foto: Divulgação

O CANDIDATO - Paulo Câmara, um ilustre desconhecido é o candidato apoiado pelo governdor Eduardo Campos: “Câmara é um homem sincero, generoso e capaz de se emocionar pelos que sofrem”, classificou o governador

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Diário de Pernambuco, NE 10, Terra, Jornal do Comércio , JC Online, Blog PC Cavalcanti, Blog do Vanguarda - Hélio Júnior, Blog do Jamildo

Hoje, oficial e festivamente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tirou do bolso interno do colete o nome do secretário da Fazenda, Paulo Câmara, para ser o candidato da Frente Popular, a governador de Pernambuco, da mesma maneira que fez na indicação de Geraldo Júlio, que acabou ganhando em primeiro turno a eleição para Prefeito do Recife. Estimulado pelo sucesso municipal, o governador aposta alto, ao designar um desconhecido para a disputa.

Paulo Câmara, 42 anos, economista, sempre passou despercebido nos eventos do governo de Pernambuco. Atualmente no comando da Secretaria Estadual da Fazenda, Paulo Câmara já esteve à frente das pastas de Administração e Turismo durante as gestões Eduardo Campos.

Auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Nos bastidores, Câmara tem sido um interlocutor importante de Eduardo Campos com “celebridades” do meio fazendário nacional. Posições do governador em relação à guerra fiscal ou à criação dos fundos regionais de desenvolvimento e compensação de perdas financeiras são alguns temas resultantes de conversas do ainda secretário estadual com o “ex-número 2” do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Sua personalidade metódica o faz ser comparado – por vezes – ao prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB). Portanto, não seria surpresa se um novo objeto ligado ao universo do trabalho fosse utilizado pelo marketing político como marca para vendê-lo candidato. O prefeito do Recife adotou um capacete de operário na eleição municipal de 2012.

Casado com Ana Luiza Câmara – cuja mãe, Vanja Campos, é tia de Eduardo Campos e irmã de seu pai, o escritor Maximiano Campos, já falecido – ele é pai de duas meninas: Helena (9) e Clara (4).

Câmara ascendeu internamente no governo graças ao seu apreço pelo diálogo. Teve seu nome lançado por socialistas como o deputado estadual Aluísio Lessa; o secretário de Governo, Milton Coelho; o prefeito de Moreno, Adilson Gomes Filho; pelo procurador-geral do Estado, Thiago Norões e pelo chefe de gabinete do governador, Renato Thiebhaut.

Estreante em disputas eleitorais, Câmara se enquadra nos padrões de “nova política” prescritos por Eduardo Campos. É diretamente ligado à gestão do Estado, tem perfil técnico e é um homem de sua absoluta confiança. De quebra, é o “pai” do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM), iniciativa que iniciativa que injetou R$ 280 milhões nos cofres das prefeituras.

Eduardo Campos apresentou o secretário como autor da nova lei do ICMS e como o responsável por definir um calendário anual para pagamento dos salários dos servidores estaduais.

Desconhecido no interior de Pernambuco, é dependente da força do governador para garantir a sua eleição. O complicador é que envolvido na própria postulação a Presidente da Republica, Eduardo não vai poder ficar com ele debaixo do braço como fez com Geraldo Júlio, durante campanha eleitoral do Recife.

Foto: Blog do Jamildo

O vice-governador João Lyra, dirimindo dúvidas compareceu a cerimônia de lançamento da candidatura de Paulo Câmara, não foi eloquente, mas também não comprometeu

FATOR JOÃO LYRA

A escolha de Eduardo provocou mágoas profundas no vice-governador João Lyra Neto (PSB), por ter sido preterido como candidato e nem ouvido no processo decisório.

Lyra – que assume o governo no dia 4 de abril, com a desincompatibilização de Eduardo para disputar a Presidência – compareceu ao lançamento da candidatura Paulo Câmara e afirmou ao Blog de Jamildo, protocolarmente, “que está animado em assumir o governo do Estado e realizar as entregas de obras, no período de nove meses que ficará no comando do governo do Estado, após a saída de Eduardo Campos”.

“[A chapa] foi uma decisão do governador Eduardo Campos, que com certeza já unificou toda a Frente Popular”, disse o vice-governador, que negou ter ficado insatisfeito por não ter sido escolhido candidato.

Só tempo dirá se ele está sendo sincero ou não. Comenta-se que ele não foi o escolhido “porque não preenchia o perfil ideal para se ajustar ao discurso nacional de Eduardo, o de que a sociedade quer novos atores”.

A lógica de ter Caruaru na chapa de governador, mantendo a tradição e reconhecendo a importância da Capital do Agreste, não foi levada em conta por Eduardo Campos.

O Blogueiro Hélio Júnior, do Jornal Vanguarda de Caruaru comentou nesse fim de semana: “Com a confirmação de Paulo Câmara candidato ao Governo do Estado, Raul Henry vice e Fernando Bezerra Coelho para senador, a cidade perdeu para Petrolina”.

Foto: Elza Fiúza/ABr

MISSÃO IMPOSSÍVEL - Armando Monteiro, para ter chance, precisa unir o PT de Pernambuco em torno do seu nome.

ARMANDO MONTEIRO

O candidato das oposições em Pernambuco, nunca foi segredo, será o senador Armando Monteiro (PTB), eleito para o senado com o apoio de Eduardo Campos e que nunca desceu do palanque durante os sete anos da gestão de Eduardo Campos – atraindo prefeitos e líderes políticos locais e construindo as bases para a sua candidatura, apesar do seu perfil pouco carismático.

Seu maior desafio é montar uma aliança que lhe dê tempo de TV e rádio para concorrer em pé de igualdade, na propaganda eleitoral, com a Frente Popular liderada pelo PSB do candidato Paulo Câmara.

Para ter uma chapa forte, vai precisar contar com os petistas, inclusive para penetrar em redutos da Região Metropolitana do Recife, tradicionalmente divididos entre o PMDB de Jarbas Vasconcelos, – hoje, fragilizado –, o PSB arraesista e o PSB de Eduardo, e o PT irradiado nos 12 anos de gestão da capital.

Para se contrapor à força política de Eduardo, Armando já tem o apoio de Lula e Dilma. Resta o difícil apoio verdadeiro do dividido e autofágico PT estadual e o do Recife.

O senador tenta ainda atrair o PDT e o PP para a aliança. O PCdoB nacional determinou o apoio, mas o local está nas gestões de Eduardo e Geraldo Julio e já decidiu apoiar Câmara.

Se Armando Monteiro conseguir formar a chapa dos seus sonhos, com o deputado federal João Paulo (PT) na vaga de vice, e o também deputado federal Eduardo da Fonte (PP) na vaga de Senador, Pernambuco caminha pra ter uma das disputas mais acirradas do Brasil, com dois palanques de peso.

Definido os guerreiros, a batalha começou de verdade, hoje em Pernambuco.

Foto:
IMAGEM
LEGENDA


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

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