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7 de dez. de 2013

O livro bomba de Romeu Tuma Júnior: as contas de Dirceu no exterior, o assassinato de Celso Daniel e a atuação de Lula como informante da ditadura

BRASIL - Escândalo- Corrupção
O livro bomba de Romeu Tuma Júnior: as contas de Dirceu no exterior, o assassinato de Celso Daniel e a atuação de Lula como informante da ditadura
As impressionantes afirmações do ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Junior sobre a fábrica de dossiês dos petistas contra os adversários, o assassinato do prefeito Celso Daniel, o mensalão e revelações impactantes do passado do ex-presidente Lula

Foto: Paulo Vitale/Veja

APARELHO CLANDESTINO - Romeu Tuma Junior: "Recebi ordens para produzir e esquentar dossiês contra uma lista inteira de adversários do governo"

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Robson Bonin, para a Veja
Fontes: Veja, Blog do Paulinho

A Secretaria Nacional de Justiça é um posto estratégico no organograma de poder em Brasília. Os arquivos do órgão guardam informações confidenciais de outros países, listas de contas bancárias de investigados e documentos protegidos por rigorosos acordos internacionais. Cercado por poderosos interesses, esse universo de informações confere ao seu controlador acesso aos mais restritos gabinetes de ministros e a responsabilidade sobre assuntos caros ao próprio presidente da República.

Durante três anos, o delegado de polícia Romeu Tuma Junior conviveu diariamente com as pressões de comandar essa estrutura, cuja mais delicada tarefa era coordenar as equipes para rastrear e recuperar no exterior dinheiro desviado por políticos e empresários corruptos.

Pela natureza de suas atividades, Tuma ouviu confidências e teve contato com alguns dos segredos mais bem guardados do país, mas também experimentou um outro lado do poder — um lado sem escrúpulos, sem lei, no qual o governo é usado para proteger os amigos e triturar aqueles que são considerados inimigos. Entre 2007 e 2010, período em que comandou a secretaria, o delegado testemunhou o funcionamento desse aparelho clandestino que usava as engrenagens oficiais do Estado paia fustigar os adversários.

As revelações de Tuma sobre esse lado escuro do governo estão reunidas no livro Assassinato de Reputações — Um Crime de Estado (Topbooks: 557 páginas; 69,90 reais), que chega às livrarias nesta semana. Lançado no momento em que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, enfrenta acusações de ter usado a estrutura da pasta para vazar detalhes de uma investigação que comprometeria líderes da oposição, o livro mostra que esse procedimento, mais que uma coincidência, é um método dos petistas para perseguir e difamar desafetos do governo.

Segundo o ex-secretário, a máquina de moer reputações seguia um padrão. O Ministério da Justiça recebia um documento apócrifo, um dossiê ou um informe qualquer sobre a existência de conta secreta no exterior em nome do inimigo a ser destruído. A ordem era abrir imediatamente uma investigação oficial. Depois, alguém dava uma dica sobre o caso a um jornalista. A divulgação se encarregava de cumprir o resto da missão. Instado a se explicar, o ministério confirmava que, de fato, a investigação existia, mas dizia que ela era sigilosa e ele não poderia fornecer os detalhes. O "investigado", é claro, negava tudo. Em situações assim, culpados e inocentes sempre agem da mesma forma. O estrago, porém, já estará feito.

No livro, o autor apresenta documentos inéditos de alguns casos emblemáticos desse modus operandi que ele reuniu para comprovar a existência de uma "fábrica de dossiês" no coração do Ministério da Justiça.

Uma das primeiras vítimas dessa engrenagem foi o governador de Goiás,Marconi Perillo (PSDB). Senador à época dos fatos, Perillo entrou na mira do petismo quando revelou à imprensa que tinha avisado Lula da existência do mensalão. O autor conta que em 2010 o então ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto entregou em suas mãos um dossiê apócrifo sobre contas no exterior do tucano. As ordens eram expressas: Tuma deveria abrir uma investigação formal. O trabalho contra Perillo, revela o autor, havia sido encomendado por Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete do presidente Lula. Contrariado, Tuma Junior refutou a "missão" e ainda denunciou o caso ao Senado. Esse ato, diz o livro, foi o primeiro passo do autor para o cadafalso no governo, mas não impediu novas investidas.

A fábrica de dossiês voltou então a sua artilharia contra o então senador Tasso Jereissati (PSDB), severo opositor de Lula no Congresso. A fórmula era a mesma. Tuma Junior relata que foi chamado ao Congresso para uma conversa com o então senador Aloizio Mercadante (PT). No encontro, recebeu dele um pen drive e um pedido para que investigasse Jereissati. O autor abriu o dispositivo e constatou que se tratava de outro dossiê apócrifo. O livro conta que até o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), também chefiado por Tuma Junior, chegou a ser usado clandestinamente na tentativa de obter informações desabonadoras sobre despesas sigilosas da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

Assassinato de Reputações é um livro cujas revelações não podem simplesmente ser varridas para debaixo do tapete. Seu autor afirma relatar apenas fatos e situações vividas por ele próprio. E é rigoroso. Não se vale de depoimentos de terceiros nem passa adiante boatos ou insinuações. "Eu conto aquilo que vi", disse Tuma Junior a VEJA. Ele viu muita coisa. Seu livro traz documentos que deixam o governo Lula em péssima luz. Alguns deles mostram que o governo agiu para engavetar uma investigação que identificara uma suposta conta do mensalâo no exterior.

O ex-secretário revela que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal foram grampeados ilegalmente pela Polícia Federal e pela Abin em 2007. Um dos capítulos é dedicado ao ainda misterioso assassinato do prefeito petista Celso Daniel, em 2002. Tuma Junior reproduz um diálogo entre ele e Gilberto Carvalho no qual o ministro confessa que entregava o dinheiro desviado da prefeitura de Santo André nas mãos do mensaleiro José Dirceu. O autor se convenceu de que Celso Daniel foi mono em uma operação de queima de arquivo.

Idealizado inicialmente para desconstruir a campanha de difamação de que o autor foi vítima (Tuma foi demitido do governo sob a acusação de manter relações com contrabandistas), o livro, escrito em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli, professor de duas universidades em São Paulo, pescou mais fundo das memórias do autor: "Entrevistei Tuma Junior seis dias por semana durante dois anos. Ele queria uma obra baseada na revelação de fatos, queria que a publicação do livro o levasse ao Congresso para depor nas comissões, onde ele poderia mostrar documentos que não tiveram lugar no livro na sua inteireza". Fica a sugestão.

ENTREVISTA DE ROMEU TUMA JÚNIOR A VEJA:
"- Havia uma fábrica de dossiês no governo ..."

Por que Assassinato de Reputações?

Durante todo o tempo em que estive na Secretaria Nacional de Justiça, recebi ordens para produzir e esquentar dossiês contra uma lista inteira de adversários do governo. 0 PT do Lula age assim. Persegue seus inimigos da maneira mais sórdida. Mas sempre me recusei. Tentaram me usar para esquentar um dossiê contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, só porque ele avisou o Lula da existência do mensalão. Depois, quiseram incriminar o ex-senador Tasso Jereissati servindo-se do meu departamento para forjar uma investigação sobre contas no exterior. Havia uma fábrica de dossiês no governo. Sempre refutei essa prática e mandei apurar a origem de todos os dossiês fajutos que chegaram até mim. Por causa disso, virei vítima dessa mesma máquina de difamação. Assassinaram minha reputação. Mas eu sempre digo: não se vira uma página em branco na vida. Meu bem mais valioso é a minha honra.

De onde vinham as ordens para atacar os adversários do PT?

Do Palácio do Planalto, da Casa Civil, do próprio Ministério da Justiça... No livro, conto tudo isso em detalhes, com nomes, datas e documentos. Recebi dossiês de parlamentares, de ministros e assessores petistas que hoje são figuras importantes no atual governo. Conto isso para revelar o motivo de terem me tirado da função, por meio de ataque cerrado à minha reputação, o que foi feito de forma sórdida.Tudo apenas porque não concordei com o modus operandi petista e mandei apurar o que de irregular e ilegal encontrei.

O senhor queria denunciar a fábrica de dossiês do PT ou atingir o próprio partido quando escreveu o livro?

Tem muita gente do PT que eu respeito. Não escrevi este livro para atacar o PT. 0 maior problema do PT está nas facções do partido. Muitas vezes por disputas internas é que surgem os dossiês. As disputas são legítimas, mas fazer dossiê é incompatível com qualquer prática republicana. Levantar falso testemunho contra alguém é uma prática violenta que enoja. 0 pior é que as coisas continuam exatamente iguais. Se você trocar os personagens do livro, vai ver que os fatos continuam ocorrendo da mesma forma. É só olhar o que está acontecendo com o Cade nesse escândalo do metrô de São Paulo.

O Cade era um dos instrumentos da fábrica de dossiês?

Conto isso no livro em detalhes. Desde 2008, o PT queria que eu vazasse os documentos enviados pela Suíça para atingir os tucanos na eleição municipal. 0 ministro da Justiça, Tarso Genro, me pressionava pessoalmente para deixar isso vazar para a imprensa. Deputados petistas também queriam ver os dados na mídia. Não dei os nomes no livro porque quero ver se eles vão ter coragem de negar.

O senhor é afirmativo quando fala do caso Celso Daniel. Diz que militantes do partido estão envolvidos no crime.

Aquilo foi um crime de encomenda. Não tenho nenhuma dúvida. Os empresários que pagavam propina ao PT em Santo André não queriam matar, mas assumiram claramente esse risco. Era para ser um sequestro, mas virou homicídio.

Por que o senhor sabe tanto sobre a morte de Celso Daniel?

Eu era o delegado da área onde o crime aconteceu. Fui o primeiro a chegar ao local quando o corpo foi encontrado. Tanto que fui eu que reconheci oficialmente que era o Celso Daniel e mandei abrir a investigação para apurar a morte. Só que, naquela época, nem o PSDB nem o PT quiseram prolongar o caso por causa das eleições. Fui afastado das investigações, mas apurei tudo. Eu encontrei o carro e fotografei os cabelos que, depois, os peritos disseram que eram pelos de cachorro. Mas eu sei que não eram. Só que nunca quiseram apurar a fundo. Ponho no livro o que descobri e não foi considerado.

O ministro Gilberto Carvalho disse ao senhor que havia um esquema de cobrança de propina na prefeitura?

Foi num momento de emoção, quando eu estava sob fogo cruzado na imprensa e fui falar com o Gilberto Carvalho. Desabafei, chorei e ele começou a chorar comigo. Aí ele falou: "Veja, Tuma, quanto fui injustiçado no caso Celso Daniel. Quando saiu aquela história de que havia desvios na prefeitura, eu, na maior boa-fé, procurei a família dele para levar um conforto. Fui dizer que o Celso nunca desviou um centavo para o bolso dele, e que todo recurso que arrecadávamos eu levava para o Zé Dirceu, pois era para ajudar o partido nas eleições". Fiquei paralisado quando isso aconteceu. Pensei comigo: estou ouvindo uma confissão mesmo?

Com que convicção o senhor afirma que todos os ministros do STF foram grampeados?

Minha convicção está em tudo o que vivi e descobri conversando com alguns personagens dentro do governo na época. Eu não tenho dúvida de que os ministros foram grampeados. Se isso for investigado a fundo, com seriedade, será provado facilmente.

O senhor também diz no livro que descobriu a conta do mensalão no exterior.

Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar. Quando entrei no DRCI, encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a VEJA tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo.

Quem engavetou a investigação?

Eu levei o processo para o Tarso Genro e disse: olha, tem de apurar isso. Mas, quando veio essa resposta de Cayman, os caras pararam tudo. Isso foi para a gaveta da Polícia Federal e do ministro Tarso Genro. Estou esperando até hoje o retorno. Eu tenho certeza de que era a conta do mensalão. Eu publico no livro o documento para dizer isto: o governo não deixou investigar isso em 2007.

No livro, o senhor escreve que um dos réus confirmou que essa era a conta do mensalão.

Não posso revelar o nome, mas, quando ele soube, disse-me: "Você matou na mosca. Ainda bem que você não estava investigando isso". Seis meses depois da minha demissão, esse personagem me disse que eu tinha caído por mandar investigar a conta do mensalão, a conta que pagava as viagens para Portugal. Eu falei para ele: os caras vão mandar me matar.

Como surgiu a ideia de fazer o livro?

Quando a imprensa publicou todos aqueles fatos inverídicos sobre o meu envolvimento com uma suposta máfia chinesa, busquei toda as instâncias para me defender, mas não consegui contar a minha versão. Fui defenestrado do governo por fatos baseados numa investigação arquivada na qual eu não tinha sido denunciado nem processado. Quando aconteceu tudo aquilo comigo na Secretaria Nacional de Justiça, percebi que não teria espaço para me defender em nenhuma instância, muito menos no governo ou na própria Justiça. Conversando com dois jornalistas, meus conhecidos e amigos, resolvi escrever o livro para contar a minha história sobre os fatos que vi em três anos de governo, para explicar por que isso aconteceu comigo, por que tentaram me defenestrar, por que acabaram tentando assassinar a minha reputação.

É uma espécie de vingança pessoal?

De forma alguma. Quem ler o livro vai perceber que o que escrevo são fatos. Eu precisava explicar por que cheguei ao governo, por que havia a confiança do presidente Lula em mim. Só dá para fazer isso contando as histórias que vivi com as pessoas, os fatos, e como a minha reputação foi construída para depois ser destruída. 0 livro é uma prestação de contas às pessoas que me querem bem, que sempre me honraram com sua confiança. É a forma que encontrei de tornar pública a minha história para aqueles que têm o interesse de conhecer esse retrato da minha vida profissional. Para que eles possam compreender o motivo pelo qual virei alvo do governo do PT.

As pessoas podem interpretar como vingança ou ressentimento, não?

É lógico que tem a mágoa. Eu vi meu pai, o senador Romeu Tuma, morrer por causa do que fizeram comigo no governo. Mas isso é diferente de vingança. Eu descrevo fatos no livro, conto a minha história, exponho a minha vida e até corro riscos. Vingança não se faz assim. Eu não seria burro de praticar uma vingança dessa forma. As colocações podem ser fortes, mas é o meu jeito. Não tem nada ali que seja leviandade. São fatos verdadeiros.

Por que o senhor decidiu fazer essas revelações só agora?

De tudo que vivi em três anos de governo, não há nada relatado no livro que eu não tenha denunciado imediatamente aos órgãos adequados. O livro só vai ser publicado agora porque demorei a escrever e porque precisei me aposentar da carreira de Estado para ter liberdade de tornar públicos os fatos sem ser acusado de oportunismo político ou eleitoral. Eu sei que neste momento vão querer me atacar, dizer que estou a serviço de interesses escusos. Mas não sou de me prestar a servir ninguém. Quem me conhece sabe que falo o que penso e presto contas do que faço.

O senhor afirma no livro que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. É uma acusação muito grave.

Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. Conto esses fatos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeou secretário nacional de Justiça, não vinha do nada. Era de muito tempo. O Lula era informante do meu pai no Dops.

O senhor tem provas disso?

Não excluo a possibilidade de algum relatório do Dops da época registrar informações atribuídas a um certo informante de codinome Barba. Era esse o codinome dele. Os relatos do Lula motivaram inúmeras operações e fundamentaram vários relatórios de inteligência para evitar confusões maiores com os movimentos na época. Ademais, o livro por si só é uma prova. Existe na área policial prova documental e prova testemunhal. Eu sou uma testemunha viva. Não tem nada contado no livro que eu não tenha vivido. Ninguém me contou aquilo. Eu vivi e agora estou relatando. E digo mais: como informante do meu pai no Dops, o Lula prestou um grande serviço naquele período. Eu quero deixar isso muito claro. Graças às informações que o Lula prestava ao meu pai, muitos relatórios foram produzidos, muitas operações foram realizadas.

Uma afirmação dessas certamente vai gerar protestos e processos.

É uma forma de interpretação, mas eu não acho. Acho que o Lula prestou um grande serviço ao país. Por se portar dessa forma, ele chegou aonde chegou. Sabe essa violência nas manifestações de hoje com black blocs? Se fosse no tempo do Dops com o Lula, não se criava. O Lula combinava tudo com o Tumão (Romeu Tuma, ex-chefe do Dops e ex-senador). Quando fazia as manifestações dos metalúrgicos, era tudo tranquilo. O Lula conseguia manter a manifestação sob o controle dele.

Além do senhor e do próprio Lula, quem mais sabe dessa história?

Meu pai está morto. Então, só eu e ele. Talvez alguma pessoa próxima a ele saiba. Digo e repito isso em público, pessoalmente e até no Estádio do Pacaembu. Quero que o Lula se sente na minha frente e diga que é mentira. Tenho fotos com ele desde a época do Dops. Ele e o meu pai tinham uma relação muito sigilosa. Se isso vazasse, os dois estariam mortos.


13 de ago. de 2013

VEJA: Lewandowski, como presidente do TSE, interferiu na aprovação das contas do PT e da campanha de Dilma

BRASIL - Justiça Eleitoral
VEJA: Lewandowski, como presidente do TSE, interferiu na aprovação das contas do PT e da campanha de Dilma
Segundo a Revista Veja, depoimento prestado pelo auditor Rodrigo Aranha Lacombe, no próprio tribunal, mostram que, em 2010, o TSE sumiu com relatórios que apontavam irregularidades e recomendavam a rejeição da prestação de contas apresentada pelo PT em 2003 – quando o esquema do mensalão começava as ser montado. Algo parecido aconteceu, também em 2010, com o processo que analisava os gastos da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Novamente, documentos que apontavam irregularidades sequer foram anexados ao processo.

Foto: Divulgação

Ricardo Lewandowski: interferência para alterar pareceres de área técnica do TSE

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Exame, Olhar Jurídico, Veja

A denuncia de Veja, baseada em uma investigação do próprio Superior Tribunal Eleitoral, estarrece sem surpreender. Afinal não é surpresa para ninguém que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, nunca escondeu que é capaz de enfrentar situações vexatórias e adaptar as suas convicções de julgado, com os interesses do Partido dos Trabalhadores, vide o julgamento do mensalão, no qual protagonizou momentos bizarros, querendo defender os réus, principalmente o chefe quadrilheiro José Dirceu.

Segundo reportagem de Rodrigo Rangel, na VEJA desta semana, em outubro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal monopolizava as atenções do país quando alinhavava as últimas sentenças aos responsáveis pelo escândalo do mensalão. Naquele mesmo mês, só que em outra corte de Justiça e bem longe dos holofotes, um auditor prestava um surpreendente depoimento, que jogava luz sobre episódios ainda nebulosos que envolvem o maior caso de corrupção da história. O depoente contou que, em 2010, às vésperas da eleição presidencial, foi destacado para analisar as contas do PT relativas a 2003 – o ano em que se acionou a superengrenagem de corrupção.

Foi nessa época que Delúbio Soares, Marcos Valério, José Genoino e o restante da quadrilha comandada pelo ex-ministro José Dirceu passaram a subornar com dinheiro público parlamentares e partidos aliados. Havia farto material que demonstrava que a contabilidade do partido era similar à de uma organização criminosa. Munido de documentos que atestavam as fraudes, o auditor elaborou seu parecer recomendando ao tribunal a rejeição das contas. O parecer, porém, sumiu – e as contas do mensalão foram aprovadas.


Trecho do depoimento

Menos de dois meses depois, ocorreu um caso semelhante, tão estranho quanto o dos mensaleiros, mas dessa vez envolvendo as contas da última campanha presidencial do PT. O mesmo auditor foi encarregado de analisar o processo. Ao conferir as planilhas de gastos, descobriu diversas irregularidades, algumas formais, outras nem tanto. Faltavam comprovantes para justificar despesas da campanha. A recomendação do técnico: rejeitar as contas eleitorais, o que, na prática, significava impedir a diplomação da presidente Dilma Rousseff, como determina a lei.

Ocorre que, de novo, o parecer nem sequer foi incluído no processo – e as contas de campanha foram aprovadas. As duas histórias foram narradas em detalhes pelo auditor do Tribunal Superior Eleitoral, Rodrigo Aranha Lacombe, em depoimento ao qual VEJA teve acesso.

Ambas cristalizam a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender a interesses políticos – o que já seria um escândalo. Mas há uma acusação ainda mais grave. A manipulação que permitiu a aprovação das contas do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do TSE, o ministro Ricardo Lewandowski.

VEJA teve acesso a outros documentos ainda mais contundentes, incluindo mensagens eletrônicas despachadas pelo próprio Lewandowski, que revelam o empenho dele na aprovação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff. Faltavam dez dias para a cerimônia de diplomação da presidente eleita. Nas mensagens trocadas com assessores, o ministro, que tecnicamente nada tinha a ver com o processo, cujo relator era o juiz Hamilton Carvalhido, demonstra irritação com o teor do parecer que pedia a rejeição das contas — um “problemão”, nas palavras dele.


Memorando de Lewandowski: interferência indevida em tom pra lá de imperial

“Não estamos lidando com as contas de um “boteco” de esquina. mas de um comitê financeiro de uma presidente eleita com mais de 50 milhões de votos. Se fosse assim, contrataríamos um técnico de contabilidade de bairro”, escreveu o ministro a Patrícia Landi, sua funcionária de confiança e então diretora-geral do TSE.

Em outra mensagem, em resposta a uma minuta que acabara de receber apontando justamente as irregularidades nos documentos apresentados pelo PT, o ministro estrila:

“Não entendi! Qual a diferença entre faturas e notas fiscais para o efeito de prestação de contas? É uma irregularidade insanável? As despesas não têm origem? Foram fraudadas?”. Ele segue indagando: “Quais as consequências práticas dessa desaprovação? Não seria possível a aprovação com ressalvas ou essa era a única alternativa? De quem foi a decisão? Qual a repercussão desse parecer sobre a diplomação dos candidatos eleitos?”. “Quero receber explicações detalhadas por ocasião do meu retorno na quarta-feira”, arremata o ministro, em tom imperial.

Diligente, Ricardo Lewandowski estava em viagem ao exterior. “Assim que voltou a Brasília, ele reuniu os chefes do setor e ordenou as alterações nos pareceres”, disse a VEJA um graduado funcionário da área técnica.

O presidente do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP), diz que é preciso cautela, mas afirma que as informações da sindicância são gravíssimas: "Não se pode imaginar que o poder Judiciário, por decisão de um de seus membros, fraude um processo. Não é um problema de simples investigação ou inquérito; envolve o representante de um poder da República. E, tal como o presidente da República, a pena é o impeachment", diz o parlamentar.

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal retoma a parte final do julgamento dos mensaleiros. Analisará os últimos recursos dos 25 réus condenados a cadeia. Provavelmente serão reeditados os acalorados debates entre o relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa, e o revisor Ricardo Lewandowski, que sempre defendeu a absolvição dos principais acusados.

29 de jan. de 2013

O incômodo candidato ao ‘Oscar’, de Dorrit Harazim, para O Globo

ESTADOS UNIDOS- Denúncia
O incômodo candidato ao ‘Oscar’
“Pela primeira vez a prática de abusos sexuais nas fileiras militares americanas é exposta em toda sua extensão”.”Os números absolutos são de estarrecer: segundo dados referentes a dois anos atrás, 19 mil mulheres e homens das três armas foram sexualmente atacados por companheiros de farda enquanto serviam”.


Cartaz do impactante documentário

Postado por Toinho de Passira
Texto de Dorrit Harazim, para O Globo
Fontes: Blog do Noblat

Não, não estamos falando do polêmico “A hora mais escura” (“Zero Dark Thirty”) da diretora Kathryn Bigelow, sobre a operação da CIA que culminou na invasão do Paquistão, captura e assassinato de Osama bin Laden.

Tampouco se trata do exuberante e violento “Django livre”, de Quentin Tarantino, que levou a América politicamente correta ao ridículo, ao denunciar que o epíteto nigger (crioulo), hoje tabu, povoa o filme de ponta a ponta.

Houve quem contabilizasse a heresia — foram 109 vezes — como se o fazendeiro escravocrata pré-abolição do filme devesse chamar sua propriedade humana de “afrodescendentes”.

O tema, aqui, é um dos cinco concorrentes ao Oscar de Melhor Documentário, a ser anunciado no festão do próximo dia 24 de fevereiro. “The Invisible War” (“A guerra Invisível”, em tradução literal), com roteiro e direção de Kirby Dick, tem narrativa convencional, linguagem cinematográfica pedestre e fotografia banal. Ainda assim, provocou vários estrondos nas Forças Armadas dos Estados Unidos.

Pela primeira vez a prática de abusos sexuais nas fileiras militares americanas é exposta em toda sua extensão.

Os números absolutos são de estarrecer: segundo dados referentes a dois anos atrás, 19 mil mulheres e homens das três armas foram sexualmente atacados por companheiros de farda enquanto serviam. Apenas 244 acusados foram condenados.

Pior: o Departamento de Defesa americano avalia que 86% dos abusos permanecem não notificados. Hoje, uma mulher alistada nas Forças Armadas dos Estados Unidos tem mais chances de ser atacada por um colega do que ferida por fogo inimigo.

Com depoimentos na primeira pessoa e um arsenal de dados desenterrados junto às próprias autoridades militares, o filme premiado no Sundance Festival de 2012 expõe a cultura do estupro e do assédio até mesmo no prestigioso Marine Barracks da capital do país, sede dos Fuzileiros Navais desde 1801.

O caso da base aérea de Lackland, em San Antonio, Texas, também abordado no filme, envolve 51 instrutores que abusaram de 52 recrutas, muitas delas ainda adolescentes recém-alistadas e oriundas de famílias de militares.

O depoimento do pai de uma delas é acachapante. Envergando uniforme, ele narra o telefonema da filha que acabara de ser estuprada e perdera a virgindade.

Outra jovem de família militar viu sua denúncia se arrastar por um ano. Encerrado o inquérito, o comandante da guarnição concluiu que o acusado de estupro, embora não tivesse tido “comportamento de cavalheiro”, não merecia ser condenado — recebera a menção honrosa de “Melhor Desempenho Militar” da unidade, naquele ano.

Por ordem do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Marc Welsh III, todo o comando da base de Lackland teve de assistir ao documentário em novembro passado.

“The Invisible War” também foi exibido para membros do Congresso e nas convenções nacionais dos partidos Democrata e Republicano. O próprio ministro da Defesa, Leon Panetta, não se esquivou e assistiu a uma exibição dirigida a vários integrantes do alto escalão militar.

Fez bem, visto que o comportamento predatório está longe de se manter confinado aos alojamentos da soldadesca. O exemplo vem de cima.

Dos 255 comandantes militares americanos exonerados por má conduta desde 2005, 78 foram defenestrados por ofensas relacionadas a sexo. Alcoolismo e uso de drogas derrubaram outros 27. O quadro no escalão mais alto confirma a regra: dos 18 generais e almirantes exonerados, 10 cometeram crimes sexuais.

Na semana passada, foi apresentada denúncia contra o general Jeffrey Sinclair no tribunal militar de Fort Bragg, Carolina do Norte.

Exonerado de suas funções de comando da 82ª Divisão Aerotransportada no Afeganistão, Sinclair é acusado de sodomia, adultério, pornografia e má conduta sexual contra cinco militares que serviram sob suas ordens.

Submetido à Corte Marcial dentro de três meses, se condenado poderá pegar prisão perpétua.

Envolvidos em guerra ininterrupta há mais de dez anos, os Estados Unidos começam a sentir o esgarçamento moral e físico de seu tecido militar. E foi em meio a este pano de fundo que o Pentágono e o presidente reempossado Barack Obama anunciaram, esta semana, o fim da proibição formal que vetava funções de combate a mulheres nas Forças Armadas.

Decisão histórica, embora tardia. Desde 1948 o general cinco estrelas Dwight Eisenhower já pregava a equiparação.

“A meu ver”, testemunhou o comandante da vitória aliada na II Guerra durante uma audiência no Congresso, “as mulheres da reserva devem ser integradas ao exército regular. Precisamos delas”. E precisam mesmo, pois já representam 15% da força total uniformizada.

No Canadá, mulheres integram unidades de combate há quase um quarto de século, e mesmo nos Estados Unidos elas frequentam as estatísticas de guerra, apenas sem qualquer reconhecimento formal: até agora, 140 já perderam a vida em combate e mais de 800 estão entre os feridos de Iraque e Afeganistão.

Atuam como oficiais de inteligência, pilotos de helicópteros Apache, policiais militares, médicas de campanha, motoristas de blindados.

No entanto, por estarem formalmente em missões “de apoio” e não de combate, permaneciam excluídas das promoções aos mais altos escalões da carreira.

A medida agora anunciada por Obama não precisa de aprovação do Congresso. Em caso de discordância, os parlamentares teriam de encaminhar nova lei proibindo a mudança, o que tem poucas chances de ocorrer.

Embutido na medida, foi dado o recado para quem praticava a guerra que deixou de ser invisível: a condescendência militar com a cultura do estupro tem prazo de validade.
Dorrit Harazim é jornalista

4 de fev. de 2012

COMPESA: descaso com o desperdício d’água

PERNAMBUCO - PAULISTA
COMPESA: descaso com o desperdício d’água
Testemunhando um cano d’água quebrado por uma empreiteira a serviço da Prefeitura de Paulista, comunicamos o incidente a COMPESA, neste sábado, dia 04. A funcionária informou que devido à urgência que o caso requer, até o dia 08, três dias uteis, após o registro da queixa, uma equipe virá ao local, consertar o cano. Constatamos que o nosso caso nem é o mais grave, fomos para a internet e esbarramos com centenas de canos furados vazando há meses.


Numa área onde há racionamento de água, a COMPESA, vai deixar esse cano, quebrado pela empreiteira contratada pela Prefeitura, jorrando por cinco dias, pelo menos.

Postado por Toinho de Passira

A associação Prefeitura do Paulista – COMPESA e empreiteira está transformando a vida dos moradores da rua feira nova, janga paulista, num inferno. A empresa contratada para fazer o calçamento, pela prefeitura, há mais de dois anos, agora, está quebrando trechos do calçamento já colocado, para construir as galerias pluviais que foram esquecidas no primeiro momento.

Neste fim de semana, 04 de fevereiro, uma dessas crateras, abertas diante das residências, impedindo a circulação de veículos e acesso as garagens, está merecendo a atenção dos moradores. Antes de saírem para o fim de semana, os funcionários da construtora, romperam um dos canos da COMPESA ligado à residência de n° 949 da dita rua feira Nova.

Como está numa área de racionamento d’água, na hora o cano não jorrou e não chamou a atenção. Pela manhã, porém, verificou-se o desperdício da água potável, vazando para dentro do buraco, provavelmente desde a madrugada. Como a empreiteira não trabalha no fim de semana, resolvemos buscar auxilio da companhia de água de Pernambuco.

Ligamos para a COMPESA, 0800 081 0195, um número exclusivo para denunciar vazamentos. Pois bem, a nossa reclamação realizada às 10hrs, recebeu o n° de protocolo 2012-1006-013564.

A gentil e atenciosa funcionária, do outro lado da linha, nos comunicou a providência que seria tomanda: “em três dias úteis, no máximo, o problema seria solucionado...”

- Como? Quer dizer que agua vai ficar jorrando até quarta-feira? – perguntamos ingenuamente.

Demonstrando complacência, ela explicou que estava falando em prazo máximo, que o problema poderia ser solucionado, antes disso, em 24hrs, por exemplo, mas não podia garantir.

Agradeceu a nossa ligação e desligou.

Devido ao cano quebrado as residências ao redor, não estão recebendo água. Estão perdendo a chance de serem abastecidas, no dia contemplado do racionamento, e a água só irá aparecer novamente, talvez na quarta-feira, quando talvez a COMPESA, venha consertar o cano furado.

Incrível, com o mundo todo falando na necessidade de se economizar água, em campanhas internacionais, a nossa COMPESA trate o desperdício do precioso líquido dessa maneira.

Não existem equipes de emergências no fim de semana? Um motociclista com uma pequena escada e uma chave de cano resolveria o problema.

Não é fácil, e seria até temeroso aos moradores, interferirem civicamente, para resolver o problema. É uma coisa que deve ser feita por um técnico, pois há riscos de barreiras despencarem e há equipamentos ligados a rede elétrica no local.

O curioso é que durante toda a semana, com poderosas bombas d´águas, a empresa ficou retirando água dos lençóis subterrâneos do buraco, para poder realizar a obra. Vão ter uma surpresa quando voltarem na segunda feira.

Ao final, o aumento do custo da obra feita de forma incompetente e negligente e a água cara, devido aos desperdícios, são pagos, por nós, o contribuinte, a vítima constante desse sistema maluco.


Rua Feira Nova, parece ter sofrido um ataque nuclear. Sofreu sim, um ataque de incompetência e descaso para com o contribuinte

Quando tomaram conhecimento que a rua onde moravam, Feira Nova, Janga, Paulista, ia ser calçada, os moradores não sabiam o calvário que enfrentaria. Há mais de dois anos que a rua está em obras. A colocação do revestimento vem sendo feita em trechos aleatórios. Se a situação era ruim sem a construção, piorou em muito nos trechos sem revestimento (mais de 80% da rua) que ficam rotineiramente submersos, durante qualquer evento de chuva.

Alguns moradores não conseguem chegar com seus carros em casa, e a saída a pé, poderar requer caminhar com água até os joelhos.

Equipes de todas as televisões já estiveram no local, atendendo denuncia dos moradores. Na última, em dezembro passado, a Prefeitura de Paulista, prometeu, a uma equipe da Globo Nordeste, que até o dia 16 de janeiro concluir a obra. Só faltou dizer o ano (?).