Mostrando postagens com marcador Rosemary Noronha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rosemary Noronha. Mostrar todas as postagens

19 de mai. de 2014

Rosemary Noronha, a amante de Lula, fez chantagem contra o governo Dilma - diz a revista Veja

BRASIL - Corrupção
Rosemary Noronha, a amante de Lula, fez chantagem contra o governo Dilma - diz a revista Veja
Revelada mensagens de celular da ex-chefe de gabinete da Presidência ameaçando autoridades do governo e antigos amigos do PT


Dizendo-se abandonada, a ex-chefe do escritório da Presidência da República queria ajuda — e conseguiu

Postado por Toinho de Passira
Texto de Robson Bonin …
Fontes: Veja

A discrição nunca foi uma característica da personalidade da ex¬-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha. Quando servia ao ex-presidente Lula em Brasília, ela era temida. Em nome da intimidade com o “chefe”, como às vezes também se referia a ele, Rose fazia valer suas vontades mesmo que isso significasse afrontar superiores ou humilhar subordinados.

Nos eventos palacianos, a assessora dos cabelos vermelhos e dos vestidos e óculos sempre exuberantes colecionou tantos inimigos — a primeira-da¬ma não a suportava — que acabou sendo transferida para São Paulo. Mas caiu para cima. Encarregada de comandar o gabinete de Lula de 2009 a 2012, Rose viveu dias de soberana e reinou até ser apanhada pela Polícia Federal ajudando uma quadrilha que vendia facilidades no governo.

Ela usava a intimidade que tinha com Lula para abrir as portas de gabinetes restritos na Esplanada. Em troca, recebia pequenos agrados, inclusive em dinheiro. Foi demitida, banida do serviço público e indiciada por crimes de formação de quadrilha e corrupção.

Um ano e meio após esse turbilhão de desgraças, no entanto, a fase ruim parece ter ficado no passado. Para que isso acontecesse, porém, Rosemary chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo.

Em 2013, no auge das investigações, quando ainda lutava para provar sua inocência, a ex-se¬cretária Rosemary procurou ajuda entre os antigos companheiros do PT — inclusive Lula, o mais íntimo deles.

Desempregada, precisando de dinheiro para pagar bons advogados e com medo da prisão, ela desconfiou que seria abandonada. Lula não atendia suas ligações. O ex-ministro José Dirceu, às vésperas da fase final do julgamento do mensalão, estava empenhado em salvar a própria pele e disse que não podia fazer nada.

No Palácio do Planalto, a ordem era aprofundar as investigações. Em busca de amparo, Rose concluiu que a única maneira de chamar a atenção dos antigos parceiros era ameaçar envolver figuras importantes do governo no escândalo.

Mensagens de celular trocadas pela ex-secretária com pessoas próximas mostram como foi tramada a reação. Magoada com o PT por ter permitido que a Casa Civil aprofundasse as investigações sobre suas traficâncias, Rose destila ódio contra a então ministra Gleisi Hoffmann.

Em uma conversa com um amigo, em abril do ano passado, desabafa: “Tão chamando a ministra da Casa Civil de Judas!!! Ela bem que merece!!!”. O interlocutor assente: “Ela vazou a porcaria toda. Vamos em frente”. Rose acreditava que o próprio Palácio do Planalto estava por trás das revelações sobre o desfecho da sindicância — “a porcaria toda” — que apontava, entre outras irregularidades, o seu enriquecimento ilícito no cargo.

Com o fundo do poço cada vez mais próximo, Rosemary decidiu arrastar para dentro do escândalo figuras centrais do Planalto e, se possível, a própria presidente Dilma Rousseff. A estratégia consistia em constranger os antigos colegas de governo pressionando-os a depor no processo que tramitava na Controladoria-Geral da União.

“Quero colocar o Beto e a Erenice Guerra”, diz Rose em uma mensagem. “Você quer estremecer o chão deles?”, questiona o interlocutor. “Sim”, confirma Rose. “Porque vai bombar. Gilberto Carvalho também?”, indaga. “O.k.”, devolve ela.

As autoridades que deveriam “estremecer” não foram escolhidas por acaso. Atual chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff, Beto Vasconcelos era na ocasião o número 2 da Casa Civil. Ao lado da ex-ministra Erenice Guerra, ele servira a Dilma no Planalto durante anos. Rose os conhecia como a palma da mão e sabia que eles tinham plena consciência do seu temperamento explosivo.

A conclusão da conversa no celular, resumida pelo interlocutor, revela as reais intenções da ex-secretária: “Vai rolar muito stress... Vão bater na porta da Dilma. Vão ficar assustados”.

O plano embutia um segundo objetivo. Rosemary também queria se reaproximar de um ex-amigo em especial. Ao tentar “estremecer” o chão de Gilberto Carvalho, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência e homem de confiança de Lula, Rose tinha um propósito bem específico. Ela queria restabelecer as suas ligações com “Deus”, como a ex-sec-retária¬¬ costuma se referir ao ex-presidente Lula.

Em outra troca de mensagens de celular, um interlocutor diz a Rose que, com a indicação das testemunhas — Gilberto Carvalho, Beto Vasconcelos e Erenice Guerra — no processo da CGU, “o momento é oportuno para aproximação com Deus...”. Mas a ex-pro¬tegida de Lula se mostra cética e insatisfeita. “Vai ser difícil. Ele está com muitas viagens. Não posso depender dele”, diz Rose.

Não se sabe exatamente o que aconteceu a partir daí, mas a estratégia funcionou. Um dos homens mais próximos a “Deus”, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, cuidou pessoalmente de algumas necessidades mais imediatas da família de Rosemary durante o processo.

Além de conseguir ajuda para bancar um exército de quase quarenta juristas das melhores e mais caras bancas de advocacia do país, a ex-se¬cretária reformou a cobertura onde mora em São Paulo e conseguiu concretizar o antigo projeto de ingressar no mundo dos negócios.

Rosemary comprou uma franquia da rede de escolas de inglês Red Balloon. Para evitar problemas com a ficha na polícia, o negócio foi colocado no nome das filhas Meline e Mirelle e do ex-marido José Cláudio Noronha. A estratégia para despistar as autoridades daria certo não fosse por um fato. A polícia já havia apreen¬dido em 2012, na casa de Rose, todo o planejamento para aquisição da franquia. Os documentos mostravam que o investimento ficaria a cargo da quadrilha que vendia influência no governo. Na época, a instalação da escola foi orçada em 690 000 reais — padrão semelhante aos valores praticados atualmente no mercado —, dinheiro que Rosemary e seus familiares não possuíam.

Como, então, a família que informava ter um patrimônio modesto conseguiu reunir os recursos?

Procurada por VEJA, Meline Torres, responsável pela administração da escola, informou que todos os investimentos foram realizados a partir de “economias”. “Eu trabalhei muito durante a minha vida (Meline tem 29 anos). Trabalho desde os 18 anos com registro em carteira e tenho poupança. Meu pai também está me ajudando com recursos dele, aliás, do trabalho de uma vida”, explicou. Rosemary não quis se pronunciar.

22 de abr. de 2013

QUE RAINHA SOU EU? A sindicância sobre Rose Noronha, a assessora e amante de Lula

BRASIL - Corrupção
QUE RAINHA SOU EU? A sindicância sobre Rose Noronha, a assessora e amante de Lula
Veja revela os detalhes da sindicância que foi mantida em segredo pelo governo porque poderia criar "instabilidade institucional". Ela mostra como a ex-secretária Rosemary Noronha se aproveitou da intimidade com o ex-presidente Lula para ganhar dinheiro, traficar poder e viver como uma soberana. Abandonada pelos companheiros petista ela ameaça colocar a sujeira no ventilador.

Foto: Reprodução Veja

VIDA DE RAINHA

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Revista Veja 22/04/2013

Construído no centro da Piazza Navona, um dos endereços mais cobiçados de Roma. o Palazzo Pamphili é uma preciosidade arquitetônica entre os edifícios que abrigam a embaixada brasileira nas capitais do mundo. O prédio, erguido no século XVII, tem salões, quartos e pátios adornados com quadros, esculturas e afrescos barrocos de alta qualidade artística. São poucos os privilegiados que conhecem suas dependências mais íntimas. Estão nessa lista presidentes e ex-presidentes da República e personalidades estrangeiras convidadas, entre elas a princesa Diana da Inglaterra. Tão luxuoso quanto restrito, sabe-se agora, o palácio frequentado pela realeza e por chefes de estado também abriu seus a aposentos reservados para uma funcionária pública, Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, que protagonizou recentemente um dos mais rumorosos casos de promiscuidade entre os interesses públicos e privados. Veja teve acesso a documentos oficiais que registram esse e outros capítulos inéditos da história envolvendo a mulher que, por anos, conduziu uma repartição pública como se fosse um pequeno reino - o reino de Rose.

Durante dois meses, uma comissão especial do governo colheu depoimentos de funcionários, vasculhou mensagens eletrônicas, registros de agenda e listas de visitantes para tentar reconstituir, ao menos em parte, a rotina no gabinete da Presidência da República em São Paulo entre 2009 e 2012. No ano passado, a Polícia Federal descobriu que Rosemary Noronha usava a influência e a intimidade que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder. Ela patrocinou lobbies, agendou encontros com autoridades e ajudou uma quadrilha que vendia pareceres a empresários. Em troca, recebia vantagens e remuneração em dólar, euro, real e até em won, a moeda coreana. Exonerada do cargo e indiciada por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, Rosemary foi alvo de uma sindicância conduzida por técnicos da Presidência. O relatório final da investigação, mantido em segredo por determinação expressa do próprio governo, é a síntese do que para alguns é a norma fria do serviço público em Brasília, uma grande loja de facilidades.

O resultado da investigação é um manual de como proceder para fraudar e trapacear no comando de um cargo público quando seu ocupante priva da intimidade do presidente da República. Sob o comando da Casa Civil da Presidência, os técnicos rastrearam anormalidades na evolução patrimonial de Rosemary Noronha e recomendaram que ela seja investigada por suspeita de enriquecimento ilícito. Um processo administrativo já foi aberto na Controladoria-Geral da União. Ex-bancária, Rose, como é chamada pelos mais íntimos, foi uma destacada militante do movimento sindical no início da década de 90. Era admirada na categoria pelos belos cabelos longos e por outras peculiaridades do seu biótipo (a bunda? Perguntamos nós) . Seus talentos foram logo notados pelos figurões do PT. O então deputado José Dirceu. de quem se tornou muito amiga, contratou-a como secretária de gabinete. Logo depois, promovida, Rose passou a organizar a agenda do candidato Lula, cuidar das suas contas, anotar seus recados, enfim, gerenciar o cotidiano do futuro presidente. E fazia isso com muita competência, segundo pessoas próximas. No governo petista, ela continuou cuidando do dia a dia do presidente, principalmente quando havia viagens internacionais. Por determinação do cerimonial do Palácio do Planalto, era autorizada a se engajar na comitiva sempre que Marisa, a esposa de Lula, não podia acompanhar o marido. Sem uma função definida, Rose ficava hospedada no mesmo hotel do presidente, de prontidão para ser acionada em caso de necessidade. A extrema proximidade com o presidente provocou ciúme e desentendimentos. Em 2007, ela deixou o cargo de assessora especial de Lula e assumiu a chefia do escritório da Presidência da República em São Paulo. Àquela época, a corte já sabia: falar com Rose era o atalho mais rápido para se comunicar com o presidente.

Foto: Jorge Araujo/Folhapress

A ex-servidora do Planalto em SP Rosemary Noronha, em viagem de Lula à Costa Rica, em junho de 2009

A sindicância destoa da tradição dos governos petistas de amenizar os pecados de companheiros pilhados em falcatruas. Dedicado exclusivamente aos feitos da poderosa chefe de gabinete, o calhamaço de 120 páginas produzido pela sindicância é severo com a ex-secretária. Mostra que Rosemary encontrou diferentes formas de desvirtuar as funções do cargo. Ela pedia favores ao "PR" - como costumava se referir a Lula em suas mensagens - com frequência. Era grosseira e arrogante com seus subalternos. Ao mesmo tempo, servia com presteza aos poderosos, sempre interessada em obter vantagens pessoais - um fim de semana em um resort ou um cruzeiro de navio, por exemplo. Rosemary adorava mordomias. Usava o carro oficial para ir ao dentista, ao médico, a restaurantes e para transportar as filhas e amigos. O motorista era seu contínuo de luxo. Rodava São Paulo a bordo do sedã presidencial entregando cartas e pacotes, fazendo depósitos bancários e realizando compras. Como uma rainha impiedosa, ela espezinhava seus subordinados.

Depoimentos de motoristas, secretárias e copeiras que recebiam ordens da ex-secretária revelam uma rotina de humilhações públicas. Rosemary gritava e distribuía insultos na frente de visitantes do gabinete. Um simples cumprimento de boa tarde dirigido a ela na hora errada poderia resultar em tremenda grosseria. Certo dia, humilhou uma secretária a tal ponto que o caso foi parar no hospital. Depois de cair em prantos por ter sido ameaçada de demissão, a servidora passou mal e precisou ser socorrida pelos bombeiros do órgão. Ao constatar que a pressão dela estava muito alta, o bombeiro chamou Rosemary à sala e relatou a necessidade de levar a servidora imediatamente ao médico. Não havia ambulância disponível - mas alguém lembrou que o carro oficial estava na garagem. Rosemary ficou transtornada com a sugestão e proibiu o motorista de prestar socorro. A funcionária e o bombeiro acabaram indo de táxi para o hospital. Depois disso, a rainha Rose ainda proibiu a serva de lhe dirigir a palavra e, por fim, a demitiu.

Foto: Edson Ruiz/Agência Estado

Rosemary Noronha, Evanise dos Santos e José Dirceu no litoral da Bahia, ferido de 15 de novembro de 2012

Rosemary Noronha se comportava e era tratada como majestade, independentemente de onde estivesse. Os registros de uma viagem à Itália em 2010, por exemplo, comprovam que as regalias à sua disposição extrapolavam as fronteiras. Mensagens inéditas reunidas no relatório da investigação mostram que a ex-secretária foi recebida com honras de chefe de estado na embaixada brasileira em Roma. Todas as facilidades possíveis lhe foram disponibilizadas. Rose temia ter problemas com a imigração no desembarque em Roma. O embaixador José Viegas enviou-lhe uma carta oficial poderia ser apresentada em de algum imprevisto. Rose conhecia a Itália. O embaixador colocou o motorista oficial à sua disposição. Rose não tinha hotel. O embaixador convidou-a a ficar hospedada no Palazzo Pamphili - e ela não ocuparia um quarto qualquer. Na mensagem, o embaixador brasileiro saudou a ida de Rose com um benvenuti!, em seguida desejou-lhe buon viaggio e avisou que ela ficaria hospedada com o marido no "quarto vermelho". Quarto vermelho?

Como o Itamaraty desconhece esse tipo de denominação, acredita-se que "quarto vermelho" fosse um código para identificar os aposentos relacionados ao chefe - assim como normalmente se diz "telefone vermelho", "botão vermelho", "sala vermelha"... Independentemente disso, com a ajuda da Controladoria-Geral da União, a investigação da Casa Civil confirmou que a ex-chefe de gabinete não estava a trabalho em Roma. Por isso, considerou que a estada nas dependências diplomáticas configurou mais um caso de apropriação particular do patrimônio público e recomendou que o Itamaraty apurasse o episódio. Indagado, o embaixador José Viegas, que deixou o posto em 2012, disse que não podia "discriminar quem chega com dinheiro público ou privado" à embaixada. Em tese. portanto, qualquer mortal de passagem por Roma está autorizado a pernoitar uns dias na embaixada. Sobre o tal "quarto vermelho", garantiu que se trata de um cômodo secundário.

Tanto nessa passagem pela embaixada brasileira em Roma quanto nos desmandos e abusos cometidos no gabinete de São Paulo, a fonte de poder de Rosemary sempre foi a mesma: a relação de intimidade com o ex-presidente Lula. Por força dessa proximidade, ela passava boa parte do tempo recebendo gente importante preocupada em bajulá-la. Um rosário de empresários que apostavam no prestígio dela para conseguir reuniões com servidores inacessíveis do governo, intermediar contratos milionários em órgãos públicos e abrir caminho para nomeações em cargos de alto escalão. Diariamente, por telefone ou e-mail, dirigentes da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e da Petrobras, para citar alguns exemplos, recebiam pleitos de Rosemary. Na maioria das vezes, os pedidos eram mequetrefes, como ingressos para shows e eventos culturais. Mas, em outras oportunidades, os contatos envolviam cifras milionárias. As mensagens interceptadas revelam a falta de cerimônia com que ela misturava interesses públicos com privados, chegando até a falsificar diplomas para ela e o marido. Por ser tão próxima de Lula - seu único fiador no cargo -, Rosemary articulava nomeações nas mais variadas áreas do governo. De vagas em agências reguladoras a tribunais superiores, os candidatos constantemente recorriam a sua influência. Uma troca de mensagens apreendidas mostra que Francis Bicca, então assessor de Dias Toffoli na Advocacia-Geral da União, procurou os serviços de Rose para tentar emplacar o irmão em uma cadeira do Superior Tribunal Militar. Rosemary pergunta: "Quem mais além do Toffoli falou com o PR?". Bicca responde que "só tem certeza mesmo" da recomendação direta do "ministro José Dirceu, do Gilberto Carvalho e do Chefe, além dos militares". Rose diz a Bicca que cumpriu sua missão: "Entreguei ao PR. conversei e falei dos apoios. Ele levou o currículo e acho que vai dar tudo certo". Nesse caso, alguma coisa deu errado. Depois de reconstituir esses episódios da corte de Rosemary, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, determinou a abertura de processo administrativo. Um detalhe curioso: o relatório final da sindicância era mantido em segredo porque a comissão avaliou que sua divulgação poderia causar "instabilidade institucional". A reação de Rosemary Noronha mostra que realmente há motivos mais do que concretos para tamanha preocupação.

Foto: Arquivo

A ponderosa Rose Noronha

A ameaça de Rose

Rosemary Noronha está magoada e ameaça um revide em grande estilo. Sentindo-se desamparada pelos velhos companheiros que deixaram correr solta a investigação que pode levá-la mais uma vez às barras da Justiça, agora por enriquecimento ilícito, a ex-chefe do gabinete presidencial em São Paulo ameaça contar seus segredos e implicar gente graúda do partido e do governo. Se não for apenas mais um jogo de chantagem típico dos escândalos do universo petista, Rose poderá enfim dar uma grande contribuição ao país. Pelo menos até aqui, a ameaça da amiga dileta de Lula faz-se acompanhar de lances concretos - tão concretos que têm preocupado enormemente a cúpula partidária. O mais emblemático deles é a troca da banca responsável por sua defesa. Rose, que vinha sendo defendida por advogados ligados ao PT, acaba de contratar um escritório que durante anos prestou serviços a tucanos. O Medina Osório Advogados, banca com sede em Porto Alegre e filial no Rio de Janeiro, trabalhou para o PSDB nacional e foi responsável pela defesa de tucanos em vários processos, como os enfrentados pela ex-governadora gaúcha Yeda Crusius.

Os novos advogados foram contratados para defendê-la no processo administrativo em que ela é acusada de usar e abusar da estrutura da Presidência da República em benefício próprio - justamente o motivo da mágoa que Rose guarda de seus antigos companheiros. Para ela, com esforço, até dá para compreender que a companheirada não tenha conseguido barrar a Operação Porto Seguro, investigação da Polícia Federal que apontou suas ligações com uma máfia especializada em vender pareceres oficiais. O que ela não engole é que o próprio Palácio do Planalto, numa apuração administrativa, esteja permitindo que seus podres venham à tona - e, mais do que isso, que ela possa ser responsabilizada e cobrada judicialmente por seus malfeitos. Dizendo-se abandonada, ela já confidenciou a pessoas próximas que está perto de explodir. O que isso quer dizer? Não se sabe. O fato é que seus advogados anunciaram que vão arrolar como testemunhas de defesa no processo figuras-chave da república petista. Na semana passada, ela decidiu pedir que quatro destacados companheiros sejam ouvidos na investigação administrativa tocada pelo governo. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e ex-chefe de gabinete de Lula, e Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil e ex-braço-direito da presidente Dilma, encabeçam a lista. Completam o rol Beto Vasconcelos, atual número 2 da Casa Civil, e Ricardo Oliveira, ex-vice-presidente do Banco do Brasil e um assíduo visitante do gabinete que ela chefiava na Avenida Paulista. São apenas os primeiros nomes, segundo a estratégia montada pela ex-secretária.


20 de abr. de 2013

Relatório das falcatruas de Rose Noronha, a toda poderosa ex-assessora e amante do presidente Lula

BRASIL - Corrupção
Relatório das falcatruas de Rose Noronha, a toda poderosa ex-assessora e amante do presidente Lula
Relatório do governo federal que embasou a abertura de um processo disciplinar contra a ex-chefe de gabinete da presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, traz detalhes de como ela atuava e se beneficiava de sua relação de intimidade com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



CAPA DA VEJA: Rainha Rosemary Noronha, acumulava
os cargos de assessora e amante do presidente Lula

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Folha de São Paulo

Segundo a revista "Veja", desta semana, o documento utilizado para justificar abertura do processo, contra a ex-assessora e amante do presidente Lula, relata ao menos uma viagem a Roma na qual Rose, como ela é conhecida, e seu marido ficaram hospedados na embaixada brasileira, localizada em um palácio na Piazza Navona, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade.

A revista afirma que ela costumava pedir favores e usava o carro oficial para ir ao dentista, médico e restaurante, além de transportar as filhas e amigos.

Conhecida em Brasília pelo temperamento difícil, às vezes rude, "Veja" relata casos em que ela humilhava publicamente funcionários a serviço da Presidência.

A matéria lembra que a assessora se valia da “relação próxima” com Lula para patrocinar lobbies e agendar encontros com autoridades.

Segundo a publicação, em troca dos favores prestados, "recebia vantagens e remuneração em dólar, euro, real e até em won (moeda coreana)".

No ano passado, ela se tornou alvo da investigação deflagrada pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, sobre um esquema de venda de pareceres e tráfico de influência no governo.

Ela foi exonerada do cargo. Em dezembro, foi indiciada por formação de quadrilha.

>Paralelamente à investigação criminal, o governo decidiu abrir uma comissão de sindicância, formada pela CGU (Controladoria-Geral da União), AGU (Advocacia-Geral da União) e Casa Civil, para investigar administrativamente a conduta de Rose.

Em janeiro, o grupo elaborou o relatório, que a revista Veja, agora teve acesso, recomendou a abertura de processo disciplinar. Mesmo não sendo servidora de carreira, ela pode ser obrigada a ressarcir o erário de prejuízos, por exemplo.

15 de jan. de 2013

O ensurdecedor silêncio de Lula

BRASIL - Opinião
O ensurdecedor silêncio de Lula
Caso Rose: 55 dias de estrepitoso silêncio só serviram para confirmar que Lula não tem como sair do atoleiro em que se meteu

Fotocharge: Néo Correia

Postado por Toinho de Passira
Texto de Augusto Nunes
Fonte: Blog do Augusto Nunes

Se o tamanho da confusão é maior que o estoque de embustes, Lula emudece até ser socorrido pela crônica amnésia nacional — ou pelo aparecimento de outra encrenca que faça andar a fila de casos político-policiais que envolvem o ex-presidente. Foi assim, por exemplo, quando se descobriu a roubalheira do mensalão. Ou quando um avião da TAM explodiu na pista de Congonhas. Ou quando a imprensa revelou amostras da soberba gastança bancada com cartões corporativos.

Como o truque funcionou nos episódios anteriores, o mágico de circo resolveu reapresentá-lo para engambelar a plateia perplexa com o Rosegate. Desta vez não deu certo. A mudez malandra sobre a pornochanchada fora da lei que estrelou ao lado da primeiríssima amiga Rosemary Noronha só serviu para atestar que Lula não tem como sair do atoleiro em que se meteu.

Imposto pela enxurrada de ladroagens, bandalheiras, perguntas sem resposta e abjeções de variado calibre abastecida por quadrilheiros acampados no escritório da Presidência da República em São Paulo, o mais longo e estrepitoso silêncio de Lula é também o mais patético. Nesta segunda-feira, completou 52 dias. Amanhã serão 54. A coluna só vai encerrar a contagem quando o fugitivo da imprensa recuperar a voz ─ e tratar de usá-la para explicações mais convincentes do que as que deve ter balbuciado em casa.

O país que pensa exige respeito. Patroa é uma coisa, pátria é outra. Fartos de tanta tapeação, milhões de brasileiros não aceitam ser tratados como se fossem um bando de marisas letícias.

7 de jan. de 2013

VEJA: O poder oculto de Rose, a amante de Lula

BRASIL -
O PODER OCULTO DE ROSE, A AMANTE DE LULA
Edição de VEJA desta semana mostra que a amiga íntima de Lula participou das negociações que definiram o comando do banco e do fundo de pensão de seus funcionários, defendeu pleitos de caciques do PT e atuou como lobista de luxo

Foto: Fernando Cavalcanti/Veja

ESTRELADA - Rosemary Noronha, fotografada três semanas depois de ser indiciada pela Polícia Federal: batom, brincos, unhas feitas e estrelas vermelhas tatuadas no pulso

Postado por Toinho de Passira
Texto de Rodrigo Rangel e Daniel Pereira
Fonte: Veja - 07/01/2013

A agenda de Rosemary Noronha, a amiga de Lula, revela sua influência no Banco do Brasil, nos fundos de pensão e no trato com empresários poderosos.

Não era bem o que parecia. Quando o nome de Rosemary Nóvoa de Noronha veio a público com a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, a amiga íntima do ex-presidente Lula e então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo não passava de uma "petequeira".

A expressão, cunhada pelo ex-deputado Roberto Jefferson para designar funcionários públicos que se deixam corromper em troca de ninharia, parecia feita para ela.

Rose, como é conhecida, foi acusada de integrar uma quadrilha especializada em fraudar pareceres oficiais para beneficiar empresários trambiqueiros. Defendia os interesses dos criminosos no governo e, em contrapartida, tinha despesas pagas por eles — de cirurgia plástica a prestações de carro.

A versão da petequeira foi providencialmente adotada pelo PT. Rose, ventilou o partido, agiria apenas na arraia-miúda do governo e sem nenhuma relação com a sigla. Eis uma tese que os fatos vêm insistindo em derrubar.

No mês passado. VEJA revelou que a amiga de Lula usava o cargo para agendar reuniões com ministros de estado: abria as portas, inclusive de gabinetes no Palácio do Planalto, a interesses privados. Agora, descobre-se que sua área de atuação abrangia também setores de orçamentos bilionários, como o Banco do Brasil (BB) e o fundo de pensão de seus funcionários, a Previ.

Amiga e assessora do ex-Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu
Rose, a petequeira, participou ativamente das negociações de bastidores que definiram a sucessão no comando tanto do BB quanto no da Previ, defendeu pleitos de caciques do PT junto à cúpula do banco e atuou como lobista de luxo de empresários interessados em ter acesso à direção e ao caixa da instituição.

Sua agenda de compromissos como chefe do gabinete da residência em São Paulo, obtida por VEJA. mostra que, graças à intimidade com o então presidente, a mulher que num passado não muito remoto era uma simples secretária se transformou numa poderosa personagem do governo Lula.

Com integrantes da cúpula do BB, em cujas dependências funcionava o gabinete que chefiava, suas audiências eram corriqueiras. De 2007 a 2010, foram pelo menos 39 reuniões com ocupantes de postos importantes da hierarquia do banco.

Apenas com vice-presidentes do BB, ela se reuniu 28 vezes. A explicação para tantos encontros: Rose usava a proximidade com Lula para influir nas decisões que envolviam o Banco do Brasil, inclusive sobre quem deveria ser escolhido para ocupar cargos de direção. Ela era frequentemente procurada e bajulada pela cúpula da instituição, interessada em fazer com que seus pleitos chegassem ao ex-presidente da República.

"A Rose levava as demandas institucionais do banco para o presidente. Esse contato direto foi muito positivo", admite Ricardo Oliveira, vice-presidente do BB até o ano passado e até hoje um dos mais fiéis aliados do presidente do banco, Aldemir Bendine.

A agenda de Rose registra dezesseis reuniões com Oliveira. Ele conta que a lista de serviços que ela prestou à cúpula da instituição incluiu missões espinhosas. Segundo Oliveira, Rose foi acionada, por exemplo, como ponta de lança da ofensiva destinada a convencer Lula a autorizar o BB a comprar a Nossa Caixa, um negócio de 5,3 bilhões de reais.

Prestigiada, operou no processo que resultou na escolha do próprio Bendine, em 2009, para o comando do banco. Na ocasião, intercedeu junto a Lula por dois candidatos ao posto: Bendine e Ricardo Flores, petista que ocupava uma das vice-presidências da instituição.

Preterido, o companheiro Flores — sempre com a providencial ajuda de Rose — ganhou a presidência da Previ, fundo de pensão que tem uma carteira de investimentos de 150 bilhões de reais. Flores e Rose se tomaram amigos — mas só até a Operação Porto Seguro estourar.

Agora, ele diz: "Eu não me lembro dessas audiências com a Rose" Bendine, embora não tivesse seus encontros registrados, também costumava se reunir com ela, mas preferia deixar os assuntos mais comezinhos a cargo de Ricardo Oliveira, seu fiel escudeiro.

Na luta por poder dentro do banco, Rose chegou a costurar um acordo, jamais cumprido, pelo qual Flores sucederia a Bendine no comando do BB. O fracasso do acerto acabou por minar a unidade do grupo. Bendine e Flores viraram inimigos figadais. Para refrear a guerra, a presidente Dilma Rousseff demitiu Ricardo Oliveira do BB e Ricardo Flores da Previ.

Em troca do acesso privilegiado a Lula, Rose cobrava um tratamento à altura de seu prestígio. Pedia ingressos para shows, eventos em resorts e almoços em restaurantes caros patrocinados pelo banco. Mas não era só. A investigação da PF já havia revelado um contrato de 1,2 milhão de reais firmado sem licitação entre uma subsidiária do Banco do Brasil e uma empresa de fundo de quintal registrada em nome de familiares da ex-secretária.

Agora, sua agenda dá pistas que podem ser úteis à polícia: no mesmo período em que o contrato era negociado, Rose teve reuniões, no gabinete da Presidência, com funcionários do banco encarregados justamente da área onde ela arrumou a boquinha — entre eles, José Salinas, vice-presidente de tecnologia do BB até junho de 2010.

A pedido do amigão e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Rose chegou a advogar pela permanência de Salinas no posto. Não foi atendida — ninguém ganha todas. Mas o pupilo de Dirceu não ficou na chuva. Salinas hoje despacha em Nova York como gerente regional do BB na América do Norte. Em nota, o Banco do Brasil afirmou que a relação da instituição com Rosemary Noronha sempre foi institucional.

Agenda com Dias Toffoli, quando ele era ainda ministro da Advocacia-Geral da União
A agenda de Rose mostra suas incursões em outras áreas sensíveis. Ela registrou, por exemplo, um encontro em março de 2009 com o então ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Antonio Dias Toffoli, companheiro petista nomeado depois para o Supremo Tribunal Federal — no registro, fez constar que seria uma audiência para "despacho".

Os apontamentos revelam certa proximidade de Rose com Toffoli: além de marcar presença em sua posse no Supremo, ela recebeu, em São Paulo, o chefe do gabinete do ministro no tribunal.

Chama atenção a diversidade de áreas por onde Rose transitava. E as suspeitas decorrentes daí são inevitáveis. É de indagar, por exemplo, por que a chefe administrativa do gabinete presidencial em São Paulo despachava com dirigentes de fundos de pensão de estatais. Com Newton Carneiro, diretor administrativo e financeiro da Petros, o multimilionário fundo dos servidores da Petrobrás, foram cinco reuniões entre 2009 e 2011.

Nesse mesmo período, houve outros dois encontros com um emissário da presidência da Funcef, fundo de pensão dos servidores da Caixa Econômica Federal. As reuniões com empresários, muitos deles com interesses diretos no governo, eram igualmente frequentes.

Com aval de Brasília, Rose se encarregava até de dar as boas-vindas a empresas estrangeiras recém-chegadas ao país. Foi assim com a Boiron, multinacional do setor de medicamentos, cuja representante no Brasil se reuniu duas vezes com a ex-secretária em 2009. A empresa francesa, com negócios em oitenta países, diz que foi recebida por Rose para "apresentar o seu projeto para o Brasil". Hã? Isso mesmo.

O rol de compromissos inclui ainda representantes de uma companhia japonesa, bancos privados, empresas aéreas e associações empresariais. Coisa digna de ministra de estado. Petequeira?
Com reportagem de Hugo Marques

19 de dez. de 2012

Transparência, de Bruno Góes, para O Globo

BRASIL - Opinião
Transparência
"Quais são os objetivos dos gabinetes fora de Brasília?"

Foto: Antonio Milena / Milenar

PÚBLICO E PRIVADA - Gabinete da Presidência em São Paulo, decorado por Rosemary Noronha, a "namorada de Lula", com um pôster de Lula e almofadas estampadas com fotos do petista

Postado por Toinho de Passira
Texto de Bruno Góes, para O Globo
Fonte: Blog do Noblat

Gabinete da Presidência da República. Em São Paulo, por lá, soubemos tratar-se de um lugar ora chefiado por uma senhora: Rosemary Noronha. Poderíamos chamá-la de "madame", como gostava de ouvir dos seus subordinados.

Partícipe de uma quadrilha que constrange qualquer pessoa que acredita numa República, tinha sob sua administração um bem público, representação máxima do Poder Executivo.

Pois bem: viu-se que o tal gabinete - ainda há outro em Belo Horizonte e um a ser inaugurado em Porto Alegre - é tudo, menos um local público. É um ambiente privado pago com o dinheiro de todos. Em uma das salas, uma foto imensa de Lula é estampada numa parede, assim como um santo é reverenciado em uma igreja.

Após os acontecimentos desencadeados pela Operação Porto Seguro, a imprensa, por óbvio, foi vigiar a paróquia - quis saber o que acontecia ali dentro. Já se sabia que o recinto fora bastante utilizado para a articulação da candidatura de Fernando Haddad.

Este jornalista, então, resolveu apurar para saber quantas vezes a presidente da República havia se encontrado com o ex, Luiz Inácio Lula da Silva, no gabinete.

A resposta? Não poderia ser mais condizente com a constatação de que o que é público foi apropriado pelo governo da vez.

"As atividades privadas não são divulgadas", diz a PR (Presidência da República), para citar a sigla do momento. Indago então se é permitido que haja encontros privados na representação do Executivo. Se sim, quero saber qual é a justificativa. " Sim, ela pode ter encontros privados".

Por que? "Ela pode definir o local, que pode ser o Palácio da Alvorada, por exemplo, que é a sua residência". Digo que não estava tratando da residência. A PR parece não entender a pergunta. Diz que "a presidente pode decidir onde quer realizar suas audiências ou agendas privadas".

À pergunta "quais são os objetivos dos gabinetes fora de Brasília?", a PR responde: "Aos Gabinetes Regionais compete prestar, no âmbito de sua atuação, apoio administrativo e operacional ao Presidente da República, Ministros de Estado, Secretários Especiais e membros do Gabinete Pessoal do Presidente da República, nas cidades em que se encontram sediados".

Concluo espantado que a agenda pessoal, privada, está incluída na razão de ser dos gabinetes detalhada acima. Uma piada de mau gosto.

Posso saber quantas vezes um ex-presidente, sem estar no cargo, esteve por lá? Não. A PR, no entanto, diz que os encontros, embora privados, foram fartamente noticiados. Sugere que eu vá ao Google.

Então ficamos assim: pagamos para sustentar um escritório, mas não podemos saber quem entra e quem sai.

Ficamos sabendo que lá tinha um braço de uma quadrilha, mas somos impedidos de saber a rotina de uma, repito, sede do Poder Executivo.

Agora entendo a frase da madame em grampo que consta dos autos da PF. Inconformada com a iminente condenação de JD no julgamento do mensalão, ela diz: "Nós temos que ir para as ruas pela transparência da Justiça. Vamos parar o Brasil. O PT é bom nisso".

Rose e a PR entendem o conceito 'transparência' no seu sentido inverso. Entendimento digno de uma suntuosa cleptocracia.
Bruno Góes é jornalista
*Acrescentamos legenda a foto da publicação original

13 de dez. de 2012

Rose, a amante de Lula, indiciada por quadrilha, trafico de influencia e falsidade ideológica

BRASIL – Operação Porto Seguro
Rose, a amante de Lula, indiciada por quadrilha,
trafico de influencia e falsidade ideológica
A secretaria da presidência do planaltinho, o escritório da presidência em São Paulo, guardava na Presidência fax sobre ilha de ex-senador, que teria comprado pareceres da Quadrilha flagrada pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal

Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula e Jorge Araujo/FolhaPress

Lula e a amante Rose

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Folha de S. Paulo

Rosemary Noronha, a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, e amante do presidente Lula, foi indiciada por formação de quadrilha, no inquérito conduzida pela Polícia Federal, principalmente, por causa de um documento encontrado no escritório da própria Presidência, em São Paulo, nos arquivos pessoais da secretaria,

O documento é descrito no relatório final da Operação Porto Seguro como um fax de 2008 à ouvidoria da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquáticos) para tratar dos interesses do ex-senador Gilberto Miranda na ilha das Cabras, em Ilhabela (SP).

Rose foi indicada ao cargo em 2005 pelo então presidente Lula e mantida por Dilma Rousseff, a pedido do ex-presidente, que com ela mantinha um relacionamento amoroso há 19 anos, até a deflagração da Operação Porto Seguro, no dia 23 de novembro. Ela é acusada de integrar uma quadrilha que vendia pareceres jurídicos de órgãos do governo para beneficiar empresários e receber dinheiro em troca.

A quadrilha seria chefiada por Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da ANA (Agência Nacional de Águas), diz a PF. Na época em que o fax foi enviado à Antaq, ele era ouvidor da agência reguladora.

Gilberto Miranda precisava da ajuda de Rose porque havia perdido uma ação na Justiça pela qual teria de deixar a ilha e recuperar o ambiente, o que representaria um prejuízo estimado em pelo menos R$ 10 milhões.

A Polícia Federal diz ter encontrado outros dois indícios de que ela integrava a suposta quadrilha. Num e-mail de 19 de novembro deste ano, quatro dias antes da operação da PF, ela pede a Paulo um empréstimo de "650" "em dinheiro" para o pagamento de um apartamento. O valor seria de R$ 650 mil, segundo a PF.

Noutro e-mail, ela agradece a Paulo pela compra da "casa de SJC" --a sigla seria São José dos Campos.

Além de formação de quadrilha, Rose também foi indiciada por tráfico de influência, corrupção e falsidade ideológica. Se for condenada por todos os crimes, pode pegar até 14 anos de prisão.

A PF aponta novos indícios de que Miranda tentou corromper funcionários para obter licença para construir um complexo portuário na ilha de Bagres no valor de R$ 2 bilhões. A ilha é uma área de proteção permanente.

No dia da operação, os policiais acharam um diretor da Anaq, Tiago Pereira Lima, dormindo numa casa de Miranda na rua Alemanha, Jardim Europa, em São Paulo.

Lima é acusado de ter produzido um parecer que ajudaria Miranda a obter para o projeto da ilha de Bagres, um porto privado, o caráter de utilidade pública. Só assim ela poderia ser desmatada.