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8 de dez. de 2014

“Se quiser, mato um soldado por dia”, diz traficante da Maré

BRASIL – Violência
“Se quiser, mato um soldado por dia”,
diz traficante da Maré
Um cabo do Exército, veterano da missão no Haiti, foi morto a tiros na favela carioca

Foto: Rafa Von Zuben/Estadão Conteúdo

A TROPA ACUADA - Sepultamento do cabo Mikami: os militares estão em desvantagem nos domínios do tráfico no Complexo da Maré

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Leslie Leitão
Fonte: Veja

Faltavam cinco dias para o cabo do Exército Brasileiro Michel Augusto Mikami, 21 anos, encerrar a terceira campanha real de sua curta carreira militar. A primeira foi a missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti. E depois a Copa do Mundo. O plano de Mikami era voltar para casa, em Vinhedo, cidade vizinha a Campinas, no interior de São Paulo.

Como parte da Força de Pacificação formada por 3 000 militares da Marinha e do Exército, Mikami patrulhava as vielas do Complexo da Maré, aglomerado de favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro. A missão da tropa federal é apoiar a polícia do Rio no que se chamou apressada e exageradamente de “retomada do território do tráfico”.

Na tarde da sexta-feira 28, em meio a um tiroteio com os bandidos donos do “território retomado”, o cabo Mikami foi atingido por uma bala de fuzil na cabeça, que o matou instantaneamente.

Desde a ação para debelar a guerrilha comunista no Araguaia, em 1972, as Forças Armadas do Brasil não tinham um soldado morto em combate em território brasileiro. O cabo, enterrado com honras militares, é, porém, apenas mais um número da macabra estatística do combate ao crime no Rio de Janeiro.

O ano de 2014 ainda não acabou e o número de policiais mortos a tiros por bandidos no Rio de Janeiro chegou a 106 na semana passada. Uma cifra assustadora quando comparada à de outros países. Sim, porque não há base de comparação com cidades.

Em Nova York, neste ano, nem um único policial morreu assassinado a tiros por bandidos. Zero. Em todos os Estados Unidos, com quase uma vez e meia a população brasileira, tombaram baleados por bandidos 46 policiais. Menos da metade do que os bandidos mataram em 2014 só no Rio de Janeiro.

Todos os estados americanos têm legislação que pune com mais severidade o cop killer, ou assassino de policial. Em Nova York, o cop killer, não importa a circunstância do crime, é enquadrado automaticamente na categoria mais severa do código penal, o assassinato em primeiro grau. O condenado nessa categoria não tem acesso a benefícios jurídicos, como a diminuição de pena por bom comportamento.

VEJA foi ao Complexo da Maré na quarta-feira passada, cinco dias depois da morte do cabo Mikami. O “território retomado”, a “comunidade pacificada”, da propaganda oficial, vivia sua rotina esquizofrênica. As ruas eram patrulhadas por jovens armados com pistolas e radiocomunicadores. A menos de 100 metros de um posto do Exército guarnecido com seis soldados, o carro da equipe de VEJA foi parado pelos traficantes e vistoriado.

O gerente do grupo concordou em falar, sem se identificar, dentro de um bar. Ali, tranquilo, deu uma espantosa explicação para a coabitação de militares com bandidos em um mesmo território: os criminosos têm a vantagem por estarem bem armados e conhecerem melhor a região.

A morte do cabo Mikami foi descrita por ele como um evento normal, incapaz de perturbar a “paz” do lugar: “Se a gente quisesse, matava um soldado por dia”.

O plano de pacificação que começou em 2008 no Rio de Janeiro teve sucessos iniciais estrondosos com favelas tomadas sem o disparo de um único tiro. No ponto mais alto dos morros, os policiais de elite hasteavam bandeiras do Brasil, do Rio de Janeiro e de suas corporações.

Mas, sem que se desse a efetiva ocupação do território pelo estado, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas nas favelas foram sendo isoladas até chegar à situação atual de monumentos ao fracasso de um plano que parecia vitorioso. Não é raro a guarnição de uma UPP pedir a intervenção de unidades de elite para conseguir sair de sua base.

Só no conjunto de favelas do Alemão foram registradas quase duas centenas de tiroteios, escaramuças inconsequentes entre policiais e bandidos, sem que nenhum lado se declarasse vencedor.

Na famosa Favela da Rocinha, a presença constante de 700 policiais não consegue impor a ordem, tampouco impedir o tráfico de drogas e os crimes violentos associados a ele. Rajadas de fuzis automáticos cortam o céu noturno do morro que foi durante algum tempo a vitrine da política de pacificação na cidade. Entre os 267 policiais baleados neste ano, 79 foram feridos em combates em áreas de UPPs, onde oito morreram.

É melancólico constatar que sob o rótulo de “pacificação” esteja ocorrendo mesmo uma guerra. Além dos policiais mortos, perderam a vida no Rio de Janeiro até outubro 481 pessoas em circunstâncias oficialmente registradas em “autos de resistência”. Esse termo deveria descrever apenas situação em que, esgotadas todas as outras opções, a polícia recorre às armas para deter um criminoso.

Infelizmente, no Rio de Janeiro, o “auto de resistência” pode ser mesmo a clássica “resistência seguida de morte”, mas serve também para encobrir ações de criminosos de farda. A boa notícia desse lado da trincheira é que as mortes de civis em operações policiais na cidade têm diminuído ano a ano: em 2007, antes do início das UPPs, foram 1 330. A má é que mais policiais estão sendo assassinados.

“A verdade é que a polícia está matando menos, mas seus homens continuam morrendo como moscas”, diz Richard Ybars, antropólogo e policial civil.

A lógica mais simples levanta a seguinte questão quando alguém se detém diante da resistência do tráfico no Rio de Janeiro: se os morros não produzem drogas nem têm fábricas de armas pesadas, não seria o caso de, em vez de correr em vão atrás do varejo, impedir no atacado o fornecimento de cocaína e fuzis AK-47 aos bandidos?

Raramente se consegue uma resposta satisfatória a essa pergunta. Uma fresta de luz, porém, entra no debate quando se analisam as favelas do Complexo da Maré. Com seus 130 000 habitantes, a Maré tem localização geográfica estratégica. Fica próxima do Aeroporto Internacional Tom Jobim e tem saída para o mar. A área é contígua às duas principais vias de trânsito da cidade, a Linha Vermelha e a Avenida Brasil.

“A Maré é muito importante na geopolítica do tráfico, porque quase tudo passa por ela. Para os criminosos, é essencial comandá-la”, diz o sociólogo Cláudio Beato, especialista em segurança pública.

Com sua óbvia importância tanto para o atacado quanto para o varejo do comércio ilegal de drogas, o Complexo da Maré deveria merecer atenção especial das autoridades.

A região é policiada por soldados jovens vindos de diversas partes do Brasil e treinados — quando são — para outro tipo de batalha.

“Essa guerra não é nossa”, disse um deles a VEJA. Não é mesmo. O militar das Forças Armadas é treinado para matar o inimigo. Suas armas são canhões, bazucas, carros de combate, jatos e navios de guerra. Reduzidas à função policial, as Forças Armadas correm o risco de ser desmoralizadas por terem sido colocadas em uma guerra que não podem vencer.

Foto: Brendan McDermid/Reuters

AÇÃO E REAÇÃO - Patrulhamento em Nova York, onde os assassinos de policiais
recebem pena máxima

O despreparo é uma queixa comum também em relação às forças que operam nas 38 UPPs do Rio — um contingente incrementado ao ritmo de até 500 homens por mês, formados a toque de caixa para cumprir a meta de pôr a segurança nas favelas nas mãos de uma tropa nova, livre de vícios.

“A ânsia política de colocar novas turmas nos morros prejudica a formação”, afirma Paulo Storani, ex-capitão do Bope. A tropa das UPPs é de fato majoritariamente nova, mas nem por isso vícios como corrupção, desvios e apatia foram extirpados.

“A intenção era ‘uppeizar’ a PM, mas o que se vê é a ‘peemização’ das UPPs”, diz Beato.

Entre setembro e outubro, duas operações do Ministério Público contra a corrupção na polícia puseram na cadeia mais de quarenta homens. Os promotores investigam ainda uma fraude milionária em unidades de saúde da corporação que deve levar à prisão de mais oficiais.

Em consequência dessas denúncias, o comando da PM foi trocado. É um movimento positivo, mas será preciso bem mais do que operações episódicas para reverter a derrocada da segurança no Rio e impedir que as UPPs sejam lembradas apenas como mais uma das tantas utopias massacradas pela realidade.

17 de mai. de 2014

Saqueadores do Recife apressam-se para devolver objetos roubados das lojas durante greve da PM

BRASIL - Pernambuco - Greve da PM
Saqueadores do Recife apressam-se para devolver objetos roubados das lojas durante greve da PM
Passado os momentos iniciais de euforia selvagem, os pobres saqueadores descobriram que não ficariam impunes e voltaram atrás. Vivendo num país de tanta impunidade, acharam momentaneamente que como os políticos, que saqueiam os cofres públicos, não iriam ser molestados

Foto: JC/Imagem


Allan Torres/DP/D. A Press
O horror do saque, uma turba desgovernada roubando sofregamente, como se estivessem numa liquidação de custo zero

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco

Algumas delegacias da região metropolitana do Recife transforam-se em depósitos de lojas de eletrodomésticos com a onda de devolução dos eletrodomésticos roubados nos saques durante a greve da Polícia Militar.

A demanda dos itens, tanto devolvidos, quanto recuperados: TVs, ventiladores, ar-condicionados, geladeiras, fogões, computadores e até carrinhos de supermercados, estão amontoados nas delegacias que não souberam precisar para a imprensa a quantidade do material estocado.

As pessoas que entregam os produtos voluntariamente não são presas. Elas fornecem seus dados para responder procedimento, pois estavam com material roubado. A maioria delas alega que comprou os itens de outra pessoa, caracterizando receptação. Aqueles que são pegos em flagrante, através de denúncias, vão presos, levados para o Cotel, por flagrante de furto.

Foto: Michele Souza/JC Imagem.

PM recolhendo objetos abandonados nas ruas ou indo buscar na casa dos saqueadores

No dia de ontem, mais de 100 pessoas ficaram diante da Delegacia de Abreu e Lima, assistindo o espetáculo da devolução de objetos e a chegada de presos com mercadoria apreendida.

A intensa movimentação na Delegacia de Abreu e Lima obrigou o delegado Alberes Félix a solicitar à Diretoria Integrada Metropolitana (DIM) um reforço no contingente para poder realizar um mutirão na próxima semana. Ontem, muita gente foi à delegacia para devolver eletrodomésticos, portáteis, itens de vestuário e até alimentos.

Na delegacia, não há mais espaço para todos os objetos devolvidos. Félix está em contato com a CDL para encontrar um depósito onde os itens podem ser armazenados durante as investigações. “Aqui devemos ter só 10% do que foi furtado. Algumas pessoas estão abandonando os objetos em vias públicas, com medo de serem presas em flagrante. Temos policiais circulando pelas ruas para apreender esses produtos”, afirma. Quem for à delegacia devolver qualquer objeto levado durante os saques não será preso em flagrante, mas poderá responder pelo furto. “Recolhemos o nome, endereço e telefone para contato. Estamos estudando a viabilidade de indiciar os responsáveis pelos furtos”, completa Félix.

Em Abreu e Lima, foram presos – entre quinta e sexta passada – cinco pessoas, sendo duas por flagrante de roubo e outras três por receptação de produtos furtados. “Desde quando começou a ser divulgado que quem devolvesse não seria preso, a quantidade de pessoas arrependidas ou com medo de serem pegas aumentou”, diz o delegado. Para o caso do item levado ser de tamanho grande, como geladeiras, fogões e freezers, a polícia e a CDL dispõem de carros e caminhões para recolher o objeto e levar até a delegacia.

Considera-se que a aparição do delegado Alberes Félix, na televisão, no dia seguinte aos saques, comprometendo-se a investigar, mas não prender as pessoas que devolvessem os itens saqueados, foi uma das motivações principais que fez os saqueadores tomarem o caminho de volta.

Contribuiu também a divulgação de as imagens feitas pelas câmeras de segurança e pelas equipes de televisões, seriam usadas para identificar os saqueadores, fez muita gente, que delinquiu por impulso - sonhando em conseguir itens que são objetos do desejo, como geladeira, maquina de lavar e televisores - concluir não valia a pena correr o risco de ir para cadeia por causa de um eletrodoméstico.

A diferença entre os pobres saqueadores de eletrodomésticos e os políticos saqueadores dos cofres públicos, é que só para os primeiros há a certeza de cadeia e punição severa.

Foto: Diario de Pernambuco

O delegado Alberes Félix, de Abreu e Lima, examinando, na delegacia, os eletrodomésticos devolvido pelos saqueadores

14 de abr. de 2011

Márcio Alexandre Alves , o Sargento herói

BRASIL
Márcio Alexandre Alves , o Sargento herói
O sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que parou o atirador autor da chacina no colégio Tasso da Silveira, vira ícone do policial que as cidades brasileiras precisam. Sua ação dignifica o trabalho das corporações policiais, mais comumente noticiadas nos seus momentos negativos. O seu exemplo serve tanto para angariar a simpatia da população, como para servir de modelo aos integrantes das forças policiais.

Foto: Reuters

Sargento Alves, um herói brasileiro reverenciado pela mídia internacional

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja - 11/04/2011, G1

O momento em que o sargento Márcio Alexandre Alves com precisão, profissionalismo, serenidade e eficiência, parou com um único disparo o atirador de Realengo, passa para a história como uma ação policial perfeita. Foi uma operação de alto risco, com muitas chances de erro e apenas uma maneira correta de ser executada.

Sem poder esperar por instruções, reforços ou receber ordens superiores, o militar assumiu a responsabilidade da ação, acompanhado de dois subordinados os cabos Denilson Francisco de Paula e Edinei Feliciano da Silva, sem titubear.

Cada minuto de vacilação, da sua parte, podia significar a vida ou a morte de crianças indefesas. Alves estava em desvantagem diante do atirador: não conhecia as instalações do colégio, nem possuía qualquer informação do inimigo que iria enfrentar.

Tinha apenas a noticia do garoto Alan, que fugira da chacina, baleado na cabeça, ombro e na mão, e o encontrou trabalhando numa blitz de transito, a cerca de dois quarteirões do colégio e lhe avisara sobre o atirador.

Ninguém estaria lhe criticando hoje, se ele tivesse cercado a escola e esperado pela chegada das unidades policiais encarregadas de agir em situações como essa.

Mas seu senso de responsabilidade como policial e cidadão não lhe permitiu apenas cumprir o dever de rotina. Sem pensar na própria segurança invadiu o prédio disposto a cumprir sua missão.

Guiado pelos sons dos disparos chegou ao segundo andar e de repente ficou cara a cara com o atirador que recarregava seu revólver ao pé da escada que o levaria ao 2º andar.

Como manda as boas regras policiais ainda deu uma chance ao bandido ordenando-lhe que “abaixasse a arma” e se entregasse. Ao invés de atendê-lo, o atirador tentou reagir, só então, cumprida as regras, Alves disparou.

Mesmo nesse instante extremo, teve a cautela de alvejar, visando apenas imobilizar o bandido, acertando-lhe a perna. Comprovando a versão do sargento Alves, a perícia constatou, mais tarde, que depois de ferido o atirador suicidou-se, com um tiro na cabeça.

A lei permitia que Alves tivesse atirado mortalmente no atirador de Realengo. O ato estaria enquadrado na mais autêntica das extinções de punibilidade, a “legítima defesa”, prevista no Código Penal Brasileiro:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato em legítima defesa. A lei define Legítima defesa como a “defesa necessária utilizada contra uma agressão injusta, atual ou iminente, contra direito próprio ou de terceiro que inclui sempre o uso moderado, proporcional e necessário.”

“Policiais com experiência em situações de conflito que visitaram o local da barbárie concluíram que o sargento Alves e os cabos Denilson Francisco de Paula e Edinei Feliciano da Silva, correram muitos riscos. Eles agiram em um ambiente propício a todo tipo de erro. "É raro, numa circunstância como aquela, o policial ter calma para atingir apenas o alvo, sem matá-lo e sem machucar mais ninguém.

O que o sargento Alves fez foi extraordinário", disse o coronel Djalma Beltrami, coordenador do salvamento e responsável pelas investigações iniciais.

Ainda no local dos acontecimentos o sargento recebeu uma ligação do filho de 12 anos, que reconheceu a voz do pai na televisão.

"Ele ficou preocupado. Ao ouvir sua voz, eu me dei conta da gravidade do que havia passado. Choramos juntos."- disse o herói sensível e família, na sua versão humana de cidadão comum.

Casado com uma enfermeira, Alves tem ainda uma menina de 4 anos. Ganha cerca de 2 500 reais por mês na PM e seu único patrimônio é uma casa em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

Proclamado como herói, promovido pelo governador do Rio por ato de bravura, a 2º Sargento, o sargento Alves não cansa de declinar, desse merecido título, dizendo apenas que “cumpriu o seu dever”, mostrando cada vez mais que possui o caráter e a dignidade dos verdadeiros heróis.

No comovente encontro, registrado pelo Jornal Nacional, que teve com o menino Alan, que atingido três vezes consegui chegar até ele para avisar o que estava acontecendo no colégio. O sargento Alves disse ao garoto que ele era o verdadeiro herói da história.

“Está todo mundo falando que eu sou herói, mas você é mais herói do que todos nós. Se não fosse você que tivesse avisado, não teríamos chegado lá”.

Adiante, ao receber a promoção das mãos do presidente da República em exercício, Michel Temer, mostrou-se agradecido pelo reconhecimento, mas lamentou ter que receber a homenagem:

- Preferia não estar recebendo essa homenagem. Preferia que as crianças estivessem aqui hoje - disse Alves usando as palavras com a mesma precisão que fizera quando da ação que o transformou num herói inconteste.


26 de set. de 2009

VIOLÊNCIA URBANA: Refém é salva em ação bem sucedida da PM do Rio

VIOLÊNCIA URBANA
Refém é salva em ação bem sucedida da PM do Rio
Acabou morto o bandido que ameaçava jovem com uma granada, alvejado por um atirador de elite da PM

Foto: Blog Caso de Polícia/Extra

Ana Cristina Garrido, a refém, com a família:
”- Eu não queria que ele tivesse morrido... Mas era eu ou ele.”

Texto de Camilo Coelho , Clarissa Monteagudo e Paulo Carvalho
Fonte: Blog Casos de Polícia – Jornal Extra

Sexta-feira, 25 de setembro, 9h30m. Ana Cristina Garrido, de 42 anos, está trabalhando no escritório da farmácia Viva Mais, na Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel. Oficial há 16 anos, o major João Jacques Busnello, atirador de elite da Polícia Militar, está à paisana no 6 BPM (Tijuca).

Mas uma sequência de acontecimentos marcará a história dos dois para sempre. Em liberdade há cinco meses, Sérgio Ferreira Pinto Junior, de 24 anos, rende o motorista de uma Kombi dos Correios. É descoberto pela polícia e, na fuga, invade a farmácia com granada nas mãos. Nesse momento, as três vidas se encontram.

Foto: Gustavo Azeredo/Extra

Sérgio faz Ana refém. A polícia cerca o local, mas Busnello é o último a chegar. Ficou no batalhão vestindo a farda da PM. Quando chega, escolhe o melhor ponto: a janela de um prédio em frente. A família fica assustada, mas aceita colaborar com a polícia. Busnello fica posicionado atrás de uma cortina, esperando o momento certo.

Foto: Pablo Jacob/Extra

A granada usada pelo bandido

Enquanto isso, o coronel Fernando Príncipe comanda a negociação. Desesperada, Ana Cristina passa mal e quase desmaia algumas vezes. Sérgio tira o pino da granada e, nervoso, diz que vai explodir todo mundo. Na primeira oportunidade, quando Ana abaixa para pegar uma garrafa de água, Busnello não atira. Espera um momento melhor. Às 10h40m, Ana quase desmaia e abaixa.

Foto: Gustavo Azeredo/Extra

Major Busnello faz o disparo certeiro, que mudou para sempre a história dos três.

Foto: Pablo Jacob/Extra

Major João Jacques Busnello, o atirador de elite

— Fiquei posicionado, de olho na luneta, esperando a determinação do comandante. Quando ele estava na iminência de detonar a granada, recebi a ordem de atirar, assim que possível.

Foto: Pablo Jacob/Extra

A violência é tal, que a gente tem que comemorar a morte violenta de um ser humano

Não podia errar. Guardei o boné e a cápsula como lembrança de um tiro certeiro — explica o major Busnello, aplaudido após o desfecho do sequestro. O disparo pôs fim a uma trajetória pontuada por passagens pela polícia.

Foto: Pablo Jacob/Extra

A refém já sã e salva retirada do local, por policiais

Sergio já havia cumprido pena por porte de arma, desobediência, estelionato e furto. Nascido no Méier, morava no Engenho Novo. Ano passado, foi preso em uma boate no Leblon após furtar uma bolsa. Em nove meses de prisão, nunca recebeu visita da família. É solto pela Justiça em caráter de urgência em fevereiro, pois estava preso desde agosto sem ser julgado. Só deixa o presídio em abril.

Foto: Pablo Jacob/Extra

Até a noite de ontem, ninguém apareceu para reconhecer seu corpo de Sérgio Ferreira Pinto Junior

Foto: Blog Caso de Polícia/Extra

O major João Jacques Busnello visitou neste sábado a comerciante Ana Cristina Garrido. Na chegada dele, Ana se emocionou:

“- Você salvou a minha vida. Muito obrigada” - disse ela, chorando.