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9 de out. de 2012

O dia em que a formiga visitou a cigarra, por Valéria Maniero

13h23m

BRASIL - Opinião
O dia em que a formiga visitou a cigarra
A colunista comenta a visita da primeira ministara alemã Angela Merkel, a Grécia, para conversar com o primeiro ministro Antonis Samaras e as semelhanças com a fábula da cigarra e a formiga.

Foto: Grigoris Siamidis / Reuters

Manifestantes gregos vestidos de nazistas, desfilam pelas ruas de Atenas, para protestar contra a presença e Angela Merkel na Grécia

Postado por Toinho de Passira
Texto de Valéria Maniero
Fonte: Blog da Miriam Leitão

O encontro de hoje entre Antonis Samaras, da Grécia, e Angela Merkel, da Alemanha, lembra um pouco a fábula "A Cigarra e a Formiga". A Grécia viveu bem durante um tempo, acima das suas possibilidades, como costumam dizer os analistas, mas um dia, a conta chegou. Cheia de juros. A Alemanha, por sua vez, trabalhou duro, em todas as estações, e está mais preparada para o inverno, para essa crise da dívida que atingiu a Europa.

É a primeira vez que a chanceler alemã pisa em Atenas desde que a crise começou na Grécia, devorando empregos, crescimento econômico e esperança. Para os gregos, Merkel representa a austeridade, os cortes que produzem piora na qualidade de vida de um país que caminha para o quinto ano de recessão. Por isso, eles foram para as ruas protestar hoje, enquanto Merkel se encontrava com Samaras.

Os jornais estrangeiros contam que a Grécia montou um forte esquema de segurança para receber Merkel: 7 mil policiais pela cidade, franco-atiradores nos telhados, ruas, bairros e estações de metrô bloqueados. Apesar de as manifestações terem sido proibidas, muita gente saiu às ruas para protestar, manifestantes enfrentaram a polícia.

Como disse Samaras, a Grécia não pede mais dinheiro, mas sim, oxigênio que, nesse caso, significa mais tempo para cumprir as medidas acordadas com a troica (FMI, CE e BCE), os credores que deram ajuda ao país. Mas ela também quer que seja liberada mais uma parte do resgate, no valor de 31,5 bilhões de euros - para isso, é preciso um "sim" dos credores. A Grécia espera um reconhecimento de que, apesar de não ter cumprido alguns pontos, já fez muitas coisas, como informa o "El País".

A Reuters destacou uma frase dita pela alemã, que disse não estar ali "como uma professora para fazer um exame", mas como sócia para expressar seu apoio a um país que atravessa um "caminho difícil".

E o caminho da Grécia tem sido mesmo complicado. Os números ajudam a entender o que aconteceu com o país nos últimos anos: no período de 2000 a 2007, cresceu, em média, 4,15%, mas aí veio 2008 e estragou tudo. O país teve retração de 0,16% naquele ano, quando a crise começou nos EUA, e foi se afundando no atoleiro: em 2009, a economia teve queda de 3,25%; em 2010, de 3,51%; em 2011, encolheu 6,9%. Este ano, segundo previsão do FMI, a queda deve ser de 6% e, em 2013, de 4%. O desemprego é de 24,5%, mas chega a 55,4% entre os jovens.

Segundo Merkel, a Grécia "progride a cada dia na gestão das tarefas difíceis", mas ainda "há trabalho por fazer", como diz a imprensa europeia.

- Se não resolvermos os problemas agora, eles voltarão a aparecer mais adiante de forma mais dramática - disse a chanceler, segundo a Efe.

O "El País" informou também que o ministro alemão Guido Westerwelle disse, em entrevista a um jornal local, que a visita de Merkel é um "gesto europeu, um ato de reconhecimento para com o governo grego que está sob grande pressão por conta de sua política de reformas".

No entanto, falou, mais uma vez, da importância de o país cumprir as medidas de austeridade para poder receber mais uma parcela do resgate. E que existe a vontade de "ajudar o país a criar uma administração eficiente, mas em algum momento deve poder se sustentar sozinho, não pode ser um poço sem fundo".

Mas o tempo da Grécia é cada vez mais apertado: na reunião de ontem dos ministros das Finanças da zona do euro, foi dado um ultimato ao país. Que ela se apresse em aplicar as reformas pendentes até o dia 18 de outubro, se quiser receber o resto da ajuda.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

18 de jun. de 2012

MÉXICO: G20 tenta fortalecer o euro e economia mundial

MÉXICO – Los Cabos – G20
G20 tenta fortalecer o euro e economia mundial
A reunião do G20 que começa nesta segunda-feira, no México, tem como pano de fundo a boa notícia, diante do resultado das eleições neste fim de semana, de que os gregos querem permanecer na zona do euro. Os debates se concentrarão nas salvaguardas para o euro, para evitar que a crise grega se espalhe pela Europa e como gerar ''crescimento vigoroso'' no mundo.

Foto: Reuters

Grécia - Antonis Samaras, o líder do partido de direita Nova Democracia Nova Democracia, que venceu as eleições legislativas deste domingo pediu a "todas as forças políticas que se unam em torno do objetivo de manter o país no euro (...) formando um governo de união nacional". A Grécia "não pode perder mais um minuto".

Postado por Toinho de Passira
Texto base de Pablo UchoaEnviado especial da BBC Brasil a San José del Cabo, México
Fontes: BBC Brasil, Notícia Yahoo

Com a pressão ligeiramente aliviada pelos resultados das eleições na Grécia, o G20, grupo das principais economias emergentes e avançadas do mundo, se reúne em Los Cabos, no México, para discutir o fortalecimento da economia global.

O pleito grego do final de semana foi vencido pelos conservadores do partido Nova Democracia, que defendem a permanência do país na zona do euro e acatam as medidas de austeridade defendidas pela União Europeia.

As atenções devem estar quase totalmente voltadas para o debate sobre como salvaguardar o euro e evitar que a crise grega se espalhe para outros países europeus, como Espanha e Itália, ainda que a agenda oficial seja mais ambiciosa no sentido de discutir como gerar ''crescimento vigoroso'' no mundo.

Espera-se que o G20 expresse na sua declaração final um apoio firme em favor do euro. E os mercados já especulam que pode ser anunciada na reunião uma ação conjunta de Bancos Centrais para injetar liquidez no sistema financeiro.

Entretanto, o Brasil, que avalia como positiva a sinalização de que a Grécia permaneça na zona do euro, vai enfatizar que a solução para o problema grego – e europeu em geral – não é apenas financeira, mas passa por estimular os mercados dos países em crise, gerando dinamismo econômico.

A presidente Dilma Rousseff, que está em Los Cabos acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai reforçar o coro dos que defendem uma pitada de estímulos econômicos no coquetel de medidas de austeridade adotado nos países avançados.

Além disso, o país vai barganhar ao lado de outros emergentes reunidos nos Brics – grupo que inclui também Rússia, China, Índia e África do Sul – mais poder no Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de aportes para reforçar o caixa da instituição contra a crise.

SOCORRO À GRÉCIA

Às vésperas do encontro, quando as delegações dos países ainda estavam a caminho do balneário de Los Cabos, na costa mexicana do Pacífico, sede da cúpula, o tema que mais preocupou as delegações foram as eleições gregas – vistas como um referendo sobre a permanência ou não do país na zona do euro.

Foto: Reuters

Cúpula também é palco de protestos de manifestantes, como estes da Oxfam Manifestantes da Oxfam com máscaras do primeiro Ministro indiano Manmohan Singh, do Presidente americano Barack Obama e da presidenta Dilma Roussef

Mas logo após os resultados iniciais do pleito, que favoreceu o partido mais inclinado a manter a Grécia na zona do euro e honrar os compromissos do país com seus credores, o tom foi de menor tensão.

Os Estados Unidos, que consideram que sua economia está sendo arrastada pela crise na zona do euro e que por isso têm gerado empregos aquém do necessário, expressaram o desejo de que a eleição grega ''leve à formação de um novo governo que possa alcançar progresso rápido nos desafios econômicos que o povo grego enfrenta''.

''Acreditamos que é no interesse de todos que a Grécia permaneça na zona do euro, enquanto respeitando seus compromissos com reformas'', disse a Casa Branca em comunicado.

Já o ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle, amaciou o tom ao falar do cenário político grego e indicou que os credores do país poderiam concordar com um relaxamento das condições impostas para emprestar recursos ao governo de Atenas.

"Não deve haver mudança substancial nos compromissos", disse o ministro, ''mas posso imaginar, sem problemas, uma negociação sobre novos prazos".

Até agora, a Alemanha vinha se mantendo inflexível na negociação dos recursos emprestados à Grécia. Mas Westerwelle disse que o país viveu "uma paralisia política nas últimas semanas devido às eleições" e que ''os cidadãos comuns não podem ser punidos, especialmente porque já suportaram cortes drásticos".

CRESCIMENTO SOLIDÁRIO

O tom ''solidário'' com a Grécia – para usar um termo aplicado pelo próprio ministro alemão – coincide com a avaliação brasileira de que para salvar a economia grega não basta oferecer empréstimos e exigir condições: é preciso que as autoridades europeias trabalhem junto com o governo de Atenas para fortalecer a economia do país.

Em Los Cabos, onde todos concordam que é preciso fazer os ajustes fiscais estipulados em reuniões anteriores do G20, alguns países até então alinhados com as ideias de austeridade, como o Canadá e a Grã-Bretanha, já sinalizaram uma mudança de posição tendendo mais à segunda opção, a do estímulo crescimento.

O premiê britânico, David Cameron, cujo país voltou a entrar em recessão neste ano, deve defender uma ''ação decisiva'' para fortalecer a demanda no continente europeu, a fim de evitar o fim da moeda comum e o consequente contágio que os analistas consideram inevitável se persistir a crise grega.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é um dos que já urgiram os países com superávits orçamentários, em especial a Alemanha, a adotar programas de estímulo que evitariam as distorções cambiais e agiriam contra a estagnação econômica.

PREVENINDO CRISES

Além desses temas, estão sendo discutidas maneiras de evitar futuras crises. Tem-se especulado sobre a adoção de medidas conjuntas por parte dos Bancos Centrais para injetar liquidez no sistema financeiro, como foi feito após a reunião do G20 em Londres em 2009.

Foto: Getty Images

Anfitrião Calderón pretende discutir aumento de capital ao FMI

Naquela ocasião, o grupo mobilizou de maneira coordenada US$ 5 bilhões (cerca de R$ 10,2 bilhões) em estímulos fiscais para conter a freada da economia global, reforçou o caixa do FMI e do Banco Mundial em US$ 1,1 bilhão e criou mecanismos para monitorar o nível de risco nos mercados financeiros.

O anfitrião, o presidente mexicano, Felipe Calderón, também lembrou que pretende finalizar as discussões para o aumento de capital do FMI, no valor de US$ 430 bilhões (cerca de R$ 878,5 bilhões) – praticamente o dobro do poder de fogo do órgão contra a crise.

Os países do bloco Brics já indicaram em abril que devem contribuir com o aporte, mas decidiram não falar publicamente em números até esta reunião de Los Cabos. O grupo se reúne na segunda-feira de manhã para tratar do assunto, com a presença da presidente Dilma Rousseff e do ministro Guido Mantega.


*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

8 de mai. de 2010

EUROPA: O dia em que o euro tremeu

EUROPA
O dia em que o euro tremeu
Aprovado o pacote de 110 bilhões de socorro à Grécia, resta esperar que o país cumpra a sua parte para salvar a moeda comum

Foto: Stefan Simonsen/AFP

COM O DINHEIRO DOS OUTROS Em Hanover, alemães satirizam a ajuda de 22 bilhões que seu país dará à Grécia

Ana Claudia Fonseca
Fonte: Revista Veja

Um homem e duas mulheres, uma delas grávida de quatro meses, foram as primeiras vítimas da crise financeira grega. Os corpos carbonizados estavam em um dos oito prédios atacados na quarta-feira passada por coquetéis molotov lançados por uma multidão enfurecida. Não se sabe quem jogou as bombas, mas os alvos eram claros: bancos e instituições públicas.

Cientes de que terão de permanecer com o cinto apertado pelos próximos três anos, 100.000 gregos saíram às ruas. Armados com paus e pedras, eles enfrentaram os policiais enquanto, no Parlamento, os políticos debatiam se aceitariam ou não as medidas austeras exigidas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a Grécia pudesse receber um resgate bilionário anunciado no domingo 2.

O pacote foi aprovado pelos parlamentares gregos na quinta-feira, mas isso não impediu que as bolsas do mundo despencassem em meio ao temor do impacto da crise grega sobre os outros países da zona do euro.

A crise da Grécia foi causada pela irresponsabilidade do governo na gestão de sua política fiscal.

"Os gregos gastaram mais do que podiam num ambiente em que não tinham domínio algum sobre a emissão da moeda, um dos mecanismos para reduzir o endividamento", explica o economista Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora de São Paulo.

O euro é uma moeda supranacional; enquanto cada governo é responsável por sua política fiscal, a política monetária e cambial é gerenciada pelo Banco Central Europeu. A ajuda internacional foi a saída encontrada para evitar que a Grécia declare o calote de sua dívida pública, hoje em 115% do PIB.

O resgate dará aos gregos 110 bilhões de euros nos próximos três anos. A maior parte do dinheiro vem dos outros quinze países da zona do euro (80 bilhões de euros, ou 0,9% do PIB do bloco), e o restante, do FMI (que terá uma parcelinha brasileira equivalente a 227 milhões de euros).

Foto: Reuters

Parlamento alemão discutindo a lei de apoio econômico a Grécia

sar o dinheiro de impostos na ajuda financeira a outro país, obviamente, é uma medida impopular. Depois de semanas hesitante, a chanceler Angela Merkel aprovou em seu Parlamento a fatia alemã do socorro financeiro: 22 bilhões de euros.

"Ele determinará nada menos do que o futuro da Europa e o futuro da Alemanha na Europa", disse Merkel.

Bancos alemães e franceses detêm até 70% da dívida grega e seriam gravemente afetados no caso de um calote. A ajuda aos gregos não é um ato de caridade, portanto, mas de interesse mútuo.

O dinheiro a ser recebido pela Grécia está condicionado a ajustes duros, que incluem o corte de benefícios para cerca de 600 000 funcionários do inflado setor público do país, o congelamento de salários por três anos, o aumento na idade mínima para aposentadorias e a elevação nos impostos.

Com os ajustes, o governo grego pretende cumprir a meta de diminuir até 2014 seu déficit no Orçamento, dos 13,6% atuais para menos de 3%, o limite estabelecido pelo Banco Central Europeu.

Os altos juros exigidos pelos credores europeus (em torno de 5% ao ano) tornarão muito difícil que os gregos honrem o compromisso. Por isso, se o governo de Atenas fracassar na contenção dos gastos, terá de decretar a moratória. O calote da dívida grega espalharia o incêndio pela zona do euro.

Foto: Reuters

Manifestantes na Acrópole

Embora a expressão da Grécia no contexto do bloco europeu seja pequena, a moratória mostraria que o euro não consegue resgatar países em apuros. Os investidores então abandonariam a moeda. Isso aconteceu na semana passada, quando o euro caiu em relação ao dólar para o nível mais baixo em catorze meses, enquanto crescia o temor de que a continuação da crise grega contagiasse outras economias europeias enfraquecidas, chamadas de PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).

Foto: Getty Images

Euro despencando e assustando as bolsas em todo mundo

José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, defendeu a urgência de reformas estruturais para evitar a implosão do euro. O principal defeito da moeda comum é a ausência de uma política orçamentária unificada. Em outras zonas monetárias há um banco central e um ministério responsável pelo equilíbrio orçamentário. Na zona do euro, existe apenas um banco, o Banco Central Europeu. E no lugar do ministério há um "pacto de estabilidade", que ninguém respeita.

Barroso anunciou a criação de um mecanismo permanente para lidar com situações de crise como a atual. A possibilidade de a Grécia parar de usar o euro já foi descartada.

"Isso custaria caro demais aos cofres gregos e iria provocar uma crise da dívida, taxas de juro altíssimas e inflação", disse a VEJA o economista Iain Begg, da London School of Economics.

"A Grécia não pode sair da zona do euro sem se retirar da União Europeia", explicou Phoebus Athanassiou, conselheiro do Banco Central Europeu. Para os europeus se safarem desta, não há outra opção além de pressionar os gregos a fazer a lição de casa.

Foto:

Mulher põe flor em homenagem as vítimas dos atentados aos bancos em Atenhas, um homem e duas mulheres, uma delas grávidas, morreram em conseqüência de incêndios provocado por manifestantes


Acrescentamos fotos e legendas ao texto original da VEJA