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10 de mar. de 2014

Mistério padrão FIFA: quando custou de verdade a Arena Pernambuco?

BRASIL - Escândalo - Copa do Mundo 2014
Mistério padrão FIFA:
quando custou de verdade a Arena Pernambuco?
Todo político costuma divulgar com orgulho o custo das obras feitas na sua administração. É uma forma de demonstrar para a sociedade como o dinheiro dos impostos está sendo empregado. Por que então ninguém quer dizer quanto custou de verdade a Arena Pernambuco? O Jornal do Commercio apelou, sem sucesso, até para Lei de Acesso à Informação. Parece que nunca saberemos a não ser que o Ministério Público ou a oposição resolva se movimentar

Foto: Celso de Campos Jr./Veja

O POVO QUER SABER: Por que os governos estadual e federal não revelam o quanto foi gasto para erguer a Arena Pernambuco?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco, Brasil 247, Veja

Quanto custou a Arena Pernambuco? Essa pergunta foi feita pelo Jornal do Commercio que a todo custo tentou descobrir os números reais do investido na obra faraônica. Diz a reportagem que se você buscar na internet e achar R$ 532 milhões, nada mais errado. Há quase um ano, desde que o estádio ficou pronto, o governo admitiu que o custo aumentou. Mas nunca disse para quanto. Chegou-se a falar em algo próximo a R$ 650 milhões, (um acréscimo de R$ 118 milhões) depois mais nada.

Querendo buscar a verdade que teimava em não aparecer o jornalista Giovanni Sandes reporta que o jornal fez a pergunta por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), criada para dar mais transparência à administração pública. O resultado foi mais mistério. O governo reconhece o óbvio, que os R$ 532 milhões eram só o “investimento inicial” e que recebeu um pedido de aumento. E só. É assim que a pergunta continua: afinal, quanto custou a Arena Pernambuco?

A reportagem protocolou no último dia 12 um pedido de informação com três questões, uma delas direta, sobre a arena. A resposta da Secretaria de Planejamento e Gestão, três semanas depois, foi esquiva e pouco reveladora:

“O investimento inicial previsto, conforme proposta vencedora da licitação, foi de R$ 532 milhões. Encontra-se, em análise pelo Estado, pedido de reequilíbrio econômico-financeiro.”

A resposta mistura questões bem diferentes. Para entender, basta lembrar que a concessão com a Arena Pernambuco Negócios, do grupo Odebrecht, é uma parceria público-privada (PPP): mistura 3 anos de obras e 30 anos de prestação de serviços.

Por causa do prazo longo, o pagamento de tudo em geral é diluído em três décadas, um custo final bem maior que o da construção. É como um apartamento: o financiamento custa bem mais que o imóvel. Então, este é o drible do governo: perguntado sobre o “preço do apartamento”, diz estar revendo o financiamento.

Não satisfeito a reportagem diz que voltou a buscar a Secretaria de Planejamento e Gestão, pela assessoria de imprensa, enfatizou a diferença entre uma questão e outra e repetiu a pergunta: qual foi o custo da Arena Pernambuco? A resposta foi a mesma: “Encontra-se em análise pelo Estado pedido de equilíbrio econômico-financeiro, que resultará no valor final do contrato.”

Apesar da esquiva, já é mais que sabido, o orçamento estourou. Quando o contrato foi assinado, em 10 de junho de 2010, o Estado se comprometeu a levar para a arena os 20 melhores jogos por ano de cada um, Náutico, Sport e Santa Cruz, uma receita anual de R$ 73,2 milhões.

A condição era suspensiva: sem times, sem obras. Então, um aditivo em 21 de dezembro de 2010 destravou tudo. O Estado garantiu uma receita mínima de R$ 36,6 milhões por ano até 2043. Mas o prazo de obras ainda era 3 anos, ou seja, depois da Copa das Confederações, em dezembro de 2013. O governo pediu para a entrega em abril, a um custo alto: só o número de operários dobrou para 5 mil.

Em maio de 2013, o secretário Extraordinário da Copa, Ricardo Leitão, disse que a “ordem de grandeza” do novo custo era R$ 650 milhões. Depois silenciou sobre esse ou qualquer outro número. Naquele mesmo mês, a IFL Empreendimentos e Tecnologia foi contratada para rever todo o contrato, após pedido de revisão da Odebrecht.

Talvez nunca se consiga saber o valor real da empreitada, pois nem o governo federal, nem o estadual, nem a empreiteira têm o menor interesse de revelar. Embora o povo queira, mereça e tenha a o direito de saber.

28 de fev. de 2014

Carnaval de Pernambuco 2014 - EMPETUR

Carnaval de Pernambuco - 2014
Cliente: Empresa de Turismo de Pernambuco
Agência: Arcos Propaganda
Produtora: Urso Filmescanta


”passiravideo”


3 de dez. de 2013

Vítimas da seca recebem água contaminada em caminhões-pipa dos programas de governos federal e estaduais

BRASIL - Corrupção
Vítimas da seca recebem água contaminada em caminhões-pipa dos programas do governo
Durante dois meses, uma equipe de reportagem do programa Fantástico percorreu a região Nordeste para investigar como funcionam os programas que combatem a seca com caminhões-pipa. Suspeita de corrupção, fiscalização afrouxada, riscos para a saúde das populações "assistidas". O escândalo atinge igualmente tanto o programa do governo federal, coordenado pelo Exército, quanto os implementados pelos governos estaduais da região

Todas as fotos deste post são captura de Vídeo da reportagem do Fantástico



Em Ouricuri, Pernambuco, um ponto clandestino de abastecimento de água

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Portal do FANTÁSTICO

Um crime contra a saúde de brasileiros carentes! Esse é o tema da reportagem especial do Fantástico deste domingo (1º). Durante dois meses, nós percorremos a região Nordeste, para investigar como funcionam os programas que combatem a seca com caminhões-pipa.

Encontramos tanques imundos, água contaminada e entregas que não chegam nunca. A reportagem é de Wilson Araújo, Alan Graça Ferreira e Maurício Ferraz.

No meio do agreste nordestino, perto de um rio seco, e de famílias que sofrem com a falta d’água, um tanque de combustíveis está à venda. O preço: R$20 mil. “Se for dinheiro, dá pra baixar. Botar em R$17 mil, R$18”, diz o vendedor.

Até um ano atrás, o tanque era usado para estocar álcool e gasolina. A lei manda que um tanque desses, quando esgota sua vida útil, seja incinerado, destruído. Não pode transportar mais nada. Mas dois homens dizem que dá pra carregar água tranquilamente.

“Tanque para combustível jamais pode ser usado para armazenar ou transportar água. Sempre vai causar problema de saúde. Inacreditável a cor da água”, afirma Anthony Wong, toxicologista da Faculdade de Medicina da USP.

Durante dois meses, o Fantástico investigou denúncias graves, envolvendo programas de distribuição de água em caminhões-pipa.

É dinheiro público que deveria atender com dignidade as vítimas da seca. Hamilton Souza, caminhoneiro, do Piauí, conhece bem a água que leva pra população.
“O senhor não tem coragem de beber?”, pergunta o Fantástico .
“Ah, eu não bebo, não. pra falar a verdade, eu compro a água. Eu compro mineral e bebo”, afirma Hamilton Souza, caminhoneiro.

Nossa equipe rodou mais de seis mil quilômetros em Alagoas, Pernambuco, Piauí e Bahia. E constatamos que a má qualidade da água não é o único problema. Os prazos de entrega raramente são respeitados.

“Dia 15, você não entregou. Dia 3, não entregou. Dia 10, você não entregou quase nada de água”, disse o repórter.
Uma mulher concorda que, se viesse água com frequência, quatro vezes por semana, não faltaria. “Se falta água, a gente tem que partir para os açudes. Beber essa água suja dos barreiros”, diz um homem.
O principal responsável pela distribuição de água no semi-árido brasileiro é o Exército, que coordena a "Operação carro-pipa".

São 835 cidades, em nove estados, totalizando quase quatro milhões de pessoas. Este ano, o governo federal já gastou mais de meio bilhão de reais nesse programa, que conta com cerca de seis mil "pipeiros", como são chamados os caminhoneiros que distribuem a água.

Cada um recebe do Exército um pagamento de até R$15 mil por mês.

Sem saber que era gravado, o pipeiro, contratado pelo Exército assume que o tanque dele já armazenou combustível e era subterrâneo: ficava debaixo das bombas de gasolina.

Números da Polícia Rodoviária Federal revelam: nos últimos dois anos, já foram identificados 70 caminhões-pipa suspeitos de transportar água em tanques que já armazenaram combustível.

Esses veículos prestavam serviço para o Exército e também para estados e prefeituras.

“O uso dele era de veículo de transporte de combustível. As características, a ferrugem, o desgaste do material, o tipo de corte interno”, afirma Sylvio Jardim Neto, da polícia Federal.

“Nós fizemos um relatório de todo o levantamento e encaminhamos para o Ministério Público”, diz Vera Lúcia Pretto Cella, superintendente da Polícia Rodoviária Federal de Alagoas.

Os tanques subterrâneos de postos de gasolina são geralmente cilíndricos e com divisões internas.

O que mostramos no início da reportagem e está á venda tem capacidade para 20 mil litros.

Encontramos o tanque, ainda com terra, num posto desativado, em Palmeira dos Índios, Alagoas.

Fantástico - Foi desenterrado há quanto tempo?
Dono do tanque - há uns oito meses.
Fantástico - ficou quanto tempo lá embaixo?
Dono do tanque - lá embaixo, acho que foi, mais ou menos, um ano e meio, dois anos.
O homem que negocia o tanque por R$20 mil diz ao nosso produtor que já vendeu outros quatro.
Fantástico - Os caras que compraram os outros foram pra carregar água?
Dono do tanque - Foi pra carregar água. Pra operação pipa, no caso.
Ele fala que, para entrar no programa do Exército, o tanque tem que ser modificado numa oficina.

Nesta, um mecânico nos atende diz como transformá-lo num caminhão-pipa.
“Tem que diminuir ele, cortar ele. Aí, rebaixa ele e ele fica bem rebaixadinho”, conta o mecânico.
Fantástico - Você já fez muito isso?
Mecânico - Já, já.
Fantástico - Quanto vai cobrar pra fazer isso pra gente?
Mecânico – Quatro mil ‘conto’.
Fantástico - Quatro mil?
Mecânico - É.
No preço, está incluído um “serviçinho”. Diz o mecânico que é pra tirar as sobras do combustível.
Fantástico - Lava com sabão.
Mecânico - Só sabão?
Fantástico - Sabão com água, né?
O dono do tanque confirma.

“Não sai com sabão, não sai com detergente, não sai com soda e não sai com ácido. Faz parte permanente da estrutura já do tanque”, explica Anthony Wong, toxicologista da Faculdade de Medicina, USP.

Ao saber que se tratava de uma reportagem, o dono do tanque não apareceu mais.

“Você não pode lavar um caminhão e achar que ele está bem. A água vai estar contaminada e não é adequada para o consumo humano”, explica Pedro Mancuso, engenheiro e professor da Faculdade Saúde Pública/USP.

Quem bebe dessa água pode ter diarreia e até câncer.

“Pode provocar tumores em qualquer órgão do corpo: coração, pulmão, fígado principalmente, baço”, afirma o toxicologista.

Entre maio e agosto, houve uma epidemia de diarreia em Alagoas. Foi a única registrada no Brasil nos últimos 10 anos:131 mortes, e um total de mais de 52 mil casos.

Dona Maria foi uma das vítimas. “Aqueles enjoo, sem querer comer nada e enfraquecendo e a gente levando no médico, mas infelizmente não teve como vencer”, conta José Silva Balbino, filho de dona Maria.

Durante a epidemia, não foram feitos testes para detectar combustível. Mas os laudos apontaram que a água estava contaminada por fezes e bactérias.

“A água que está sendo transportada pelos caminhões-pipa e a qualidade desses caminhões-pipa, com certeza, foram preponderantes para essa epidemia de diarreira”, afirma Micheli Tenório, promotora de Justiça.

Um camionheiro de Alagoas diz trabalhar no Exército há quatro anos e assume que o tanque dele, que hoje leva água, era de combustível. E diz que o pessoal do Exército sabe disso.

“Eles sabem, porque eles vêm a proporção do tanque. Quem é que não conhece, né?”, diz.

De acordo com o Ministério Público, existem denúncias que indicam que oficiais e ex-oficiais do Exército cobram propina de caminhoneiros. Segundo as acusações, dando dinheiro, o motorista consegue ser contratado e passa por uma fiscalização menos rigorosa: o veículo é liberado para o serviço, mesmo sem condições.



“... isso é realmente repugnante”, afirma Michelini Tenório, promotora de Justiça.

“Se chegar ao fim e ao cabo dessas investigações e que tudo indica, nós chegaremos nessa conclusão de que houve esse episódio lamentável de propina, de corrupção, isso é realmente repugnante”, afirma Michelini Tenório, promotora de Justiça.

..

Veículos irregulares, sem condições de trafegar, como esse que tem os pneus estão carecas e a placa adulterada,mas passou na vistoria do Exército.

“Jamais poderia ter sido aprovado na vistoria. Não poderia jamais estar transitando”, explica Décio Lucena, da Polícia Rodoviária Federal da Bahia.

O motorista ainda não cumpre a planilha que diz onde e quando a água deve ser entregue.

Fantástico - O senhor entregou 15 viagens. O senhor teria que entregar 27.
Moisés Dias, caminhoneiro - Exatamente. Ainda falta mais pra eu ir. Que o carro deu problema.

Fantástico - Estava quebrado o caminhão?
Moisés Dias, caminhoneiro - É. Exatamente. Deu problema.
Durante uma fiscalização recente, várias outras irregularidades. Esse caminhão acaba de ser apreendido pela Polícia Rodoviária federal. O motorista não tem habilitação. O caminhão também não tem nenhum tipo de documentação. O motorista também não tem o controle da distribuição dessa água, pra quem entregou a água.

“Mesmo que atrase a entrega da água, é necessário que a água seja potável e seja uma água boa para o consumo”, afirma Vera Lúcia Pretto Cella, superintendente PRF/AL.

O dono do caminhão apreendido reconhece que não segue a planilha do Exército.

“A mulher disse que não tava necessitando ainda, que tem na cisterna”, diz dono do caminhão.
Será que é isso mesmo?

Ao contrário do que disse o dono do caminhão, não encontramos nenhuma cisterna cheia no sítio Loiola, perto da cidade de Uauá, a mais de 450 quilômetros de Salvador.
Fantástico - Sobrando água não está?
Loiola Cardoso - Está nada. Pode até sobrar de um dia para o outro. A coisa está dura.

Voltamos a Alagoas, para apurar uma denúncia de fraude. A empresa Wash Service ganhou duas concorrências públicas do Exército para distribuir água. Entre 2012 e 2013, já recebeu mais de R$ 4,2 milhões.

No lugar onde seria a sede da empresa, em Maceió, não há nenhuma placa de identificação e não encontramos ninguém.

A mais de 250 quilômetros, em Senador Rui Palmeira, fica o endereço de uma sócia.
Janaína da Conceição Silva, que seria sócia da empresa que ganhou a licitação, não é encontrada em casa pelo Fantástico . A mãe dela nos recebe.

Fantástico - A senhora sabe se ela é dona de alguma empresa?
Mãe - Não. Quem tem empresa é o marido dela.
Fantástico - Ah, o marido?
Mãe - Sim. O Sargento Moreira.

William dos Santos Moreira foi sargento do Exército. Ele pediu dispensa da corporação em setembro deste ano. Portanto, ainda era militar na época que a Wash Service ganhou a concorrência pública. A lei das licitações determina que servidor não pode participar de concorrências na instituição em que trabalha. E o regimento do Exército ainda proíbe que o militar tenha outra atividade profissional.

No contrato social, o nome do sargento Moreira não aparece. Por telefone, Janaína - a mulher dele - disse: “A empresa é no meu nome mesmo”.

Fantástico - E quem tomava conta era o seu marido? O sargento Moreira?
Ela não responde.
Fomos a outras casas da região.
Fantástico - Qual a última vez que chegou água para o senhor?
Agricultor – Há mais ou menos uns 60 dias.

Já na casa da sogra do Sargento Moreira: “Agora, não falta não. Porque ele manda colocar”, diz ela.
“Quem?”, pergunta o Fantástico .
“O Sargento Moreira”, responde a sogra.
Procuramos o ex-militar durante três dias. Deixamos vários recados, mas ele não nos atendeu. Um motorista contratado pela Wash Service tem que abastecer a comunidade Pai Mané - na cidade de Dois Riachos, Alagoas, quatro vezes por semana. Mas os moradores dizem que isso não acontece.
Fantástico - Ficam quantos dias sem água?
Senhora - Às vezes, passam oito dias, 15 dias, um mês. Os quatro caminhões na semana, estava ótimo. Não carecia mais.
“Isso é crime. Você está lidando com água, que é vida para uma população que já é tão ressentida, que é a população do sertão nordestino”, diz Michelini Tenório, promotora de Justiça.

“Nós vamos abrir um procedimento administrativo para apurar essa possível irregularidade. E, caso constatada, serão adotadas as penalidades conforme a lei”, diz o coronel Valdênio Barros da Rocha, coordenador da operação carro-pipa do Exército.


Programa do Governo de Pernambuco

Além dos veículos do Exército, as populações de Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas também são atendidas por caminhões-pipa mantidos pelos governos estaduais.
Juntos, esses programas de distribuição vão consumir mais de R$121 milhões até o fim do ano.

O Fantástico também investigou como esse dinheiro é aplicado. Por onde passamos, os problemas se repetiram.

Fantástico - Essa água é limpa?
Caminhoneiro - É limpa.

Fantástico - Mas está cheio de terra ali no fundo. Está sujo.
Caminhoneiro - Não. Ela é limpa. Agora é que, às vezes, pega alguma poeira.
O desleixo maior foi em Ouricuri, Pernambuco. O lugar é como se fosse um cemitério de animais. E há um ponto clandestino de abastecimento de água.

Nossa equipe filmou quando um caminhão - a serviço do governo estadual - pegava água no açude. O motorista afirmou: “Pega desse açude aí?”.
“É. pra beber”.

Ao ser avisado que se trata de uma reportagem, o caminhoneiro disse que o veículo é do irmão dele: um vereador de Ouricuri.
Fantástico - Seu irmão entrega água para os eleitores?
- Para os eleitor.
Fantástico - O pessoal que vota nele, ele dá uma força?
- É, dá uma força.
Fantástico - A água está barrenta, não está?
- Mais ou menos. Não é muito barrenta, não.


O vereador saiu do programa depois da denúncia do Fantástico

O vereador Edilson Silva Oliveira aparece logo depois.
- Aqui não tem preferência, nem troca de voto.
- O senhor bebe essa água ai?
- Não. Isso é pras minhas plantas. Isso aí só serve para aguar plantas e pra animais beberem. Vai lá para o meu sítio.

Ele recebe, em média, R$5 mil por mês para levar água que deveria ser de boa qualidade aos moradores da região.

“O carro que transporta água para o gado é destinado só para o gado. Está infringindo a lei. Não pode”, diz um homem.

A Vigilância Sanitária constatou que a água está contaminada por fezes humanas e de animais. Tudo foi jogado numa praça. Depois disso, o vereador foi retirado do programa de distribuição de água.

Em algumas regiões do Nordeste, esta é a pior seca dos últimos 50 anos.

Fantástico - A senhora tem água para mais quantos dias?
Ana Maria da Silva, agricultora - Na cisterna? Pra uns oito dias. Sempre está faltando água.
Se um caminhão-pipa não chegar, uma represa pode ser a única alternativa.
Um casal não recebeu nenhuma gota dos programas de distribuição de água. Pra não passar sede, recorreram a um açude.
Fantástico - É água limpa?.
- É amarela, mas dá pra beber.
“Água é tudo, né. Faltou água, falta tudo pra gente”, afirma Vanildo da Silva, agricultor.

12 de ago. de 2013

Recebendo com classe, por conta do contribuinte

BRASIL - Pernambuco - Mordomia
Recebendo com classe, por conta do contribuinte
O jornalista Fernando Castilho, deu uma espiada no Portal Transparência de Pernambuco e descobriu que o governo Eduardo Campos gastou em média, em bufet de eventos culturais, cerca de R$ 250 mil mensais, nos últimos 18 meses, haja canapé, vinhos, sucos e uisque

Foto: Luciana Ourique/Ministério da Cultura

GALO DA MADRUGADA: Eduardo e seus convidados no camarote do Governo do Estado: Marta Suplicy, Ministra da Cultura, e Fernando Bezerra Coelho, Ministro da Integração Nacional – conta alta para o contribuinte, quase R$ 400 mil

Postado por Toinho de Passira
Baseado no texto de Fernando Castilho
Fonte: JC Negócios

Para receber seus convidados em grandes eventos como Carnaval, Auto de Natal em Gravatá, Festival de Inverno de Garanhuns e São João de Caruaru, além dos encontros de promoção cultural, o governo de Pernambuco gastou nos últimos 18 meses R$ 4,5 milhões (R$ 4.510.786,39) apenas com serviços de refeições preparadas (bufês), segundo dados disponíveis no Portal da Transparência relativos à prestação de contas da Empetur, Fundarpe e gabinete da Governadoria.

No Carnaval deste ano, para os serviços de bufê na Torre Malakoff, onde foram recebidos os convidados do governo de Pernambuco, a Empetur pagou R$ 388.250,00. No Natal de Gravatá, do ano passado, a Empetur também pagou o bufê, que custou R$ 152.760,00 aos cofres do Estado.

Nos dois casos, e para o gabinete da Governadoria, os serviços foram prestados apenas pela empresa Arcádia Serviços e Representações Ltda., que faturou para o Estado, em 2012, R$ 1.259.703,30 dos quais R$ 721.412,55 apenas para o gabinete do governador Eduardo Campos. Este ano, a empresa já faturou R$ 808.883,04, dos quais R$ 354.010,04 diretamente com o gabinete do governador.

No São João deste ano, a Empetur optou por comprar a cota de patrocínio da festa de Caruaru da ABPA (Antônio Bernardes), no valor de R$ 1, 820 milhão, que forneceu o bufê para os convidados. As despesas com buffê, no Festival de Garanhuns, da Fundarpe, ainda não estão no Portal da Transparência. Mas, nos últimos 18 meses, a fundação contratou serviços da empresa Silvia Dayse da Silva Nogueira para a maioria de seus eventos no valor de R$ 2.268.825,30, em 2012, e R$ 160.145,75 já neste ano.

Consultada, a Secretaria de Imprensa respondeu que as despesas se devem à “atividade do cerimonial do governador e de representação do Estado, à promoção de Pernambuco como destino turístico e difusão cultural do Estado”.

Ah, tá!
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda e suprimimos parte da publicação original