Mostrando postagens com marcador George Bush. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador George Bush. Mostrar todas as postagens

22 de mar. de 2013

Como dois espiões, com informações falsas, ajudaram a causar a guerra no Iraque

IRAQUE -
Como dois espiões, com informações falsas,
ajudaram a causar a guerra no Iraque
Boa parte da informação-chave usada pelo governo americano, de Geoge Bushs e britânico, Tony Blair, de que o Iraque estava produzindo armas químicas de destruição em massa, foi baseada em invenções e mentiras de dois espiões. Frederick Butler, que chefiou o primeiro inquérito parlamentar sobre o dossiê após a guerra, diz que Blair e os organismos de inteligência britânicos "enganaram a si mesmos".

Foto: Ramzi Haidar/AFP/Getty Images

A Capital do Iraque, Bagdá, bombardeada pelas tropas da coalizão, 23 de março de 2003

Postado por Toinho de Passira
Texto de Peter Taylor para BBC News Magazine
Fonte: BBC Brasil

O principal argumento que levou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a invadir o Iraque há dez anos, o de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, foi baseado em informações falsas divulgadas por dois espiões iraquianos.

É o que revela uma investigação conduzida pelo programa de televisão Panorama, exibido nesta semana pela BBC na Grã-Bretanha.

Mesmo antes da ação militar no Iraque, várias fontes confiáveis de serviços secretos ocidentais diziam que Saddam não tinha as supostas armas de destruição em massa.

No dia 24 de setembro de 2002, o governo do primeiro-ministro Tony Blair apresentou um dossiê sobre a suposta ameaça das armas de Saddam. "O programa de armas de destruição em massa do Iraque não foi encerrado", disse Blair. "Ele permanece ativo."

No entanto, o dossiê - preparado para o público doméstico e com um prefácio pessoal de Tony Blair assegurando "não haver dúvidas" de que Saddam Hussein continuava a produzir armas de destruição em massa - omitiu questionamentos feitos por agências de inteligência como o MI6 (serviço secreto britânico voltado para o exterior).

Frases e adjetivos como "esporádico e inconsistente" ou "permanece limitado" foram cortados do texto original, o que conferiu ao documento um grau de certeza que ele não deveria ter.

Foto: Associated Press

'OURO DE TOLO'

Boa parte da informação-chave usada pela Casa Branca e por Downing Street (sede do governo britânico) foi baseada em invenções e mentiras.

No Panorama, o general Mike Jackson, então chefe do Exército britânico, diz que "o que parecia ser ouro em termos de inteligência acabou se revelando ouro de tolo, porque parecia, mas não era".

Frederick Butler, que chefiou o primeiro inquérito parlamentar sobre o dossiê após a guerra, diz que Blair e os organismos de inteligência britânicos "enganaram a si mesmos".

Butler e o general Jackson concordam que Blair não mentiu. Segundo eles, o primeiro-ministro realmente acreditava que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.

Seja como for, boa parte da base das acusações contra Saddam no dossiê - que "justificou" uma guerra violenta que devastou um país e deixou mais de uma centena de milhares de mortos - derivara de informações falsas passadas por um desertor iraquiano, o espião Rafid Ahmed Alwan Al-Janabi.

Suas invenções e mentiras contribuíram para consolidar uma das maiores falhas de inteligência de que se tem memória.

Janabi ficou conhecido como Curveball (bola com efeito), codinome dado a ele pelos serviços secretos americanos - e que acabaria se mostrando bastante apropriado.

DÚVIDAS

Janabi chamou a atenção do serviço de inteligência alemão, o BND, ao se apresentar como engenheiro químico quando chegou a um centro de refugiados iraquianos na Alemanha, em 1999, pedindo asilo político.

Ele disse ter visto laboratórios biológicos móveis montados em caminhões para evitar sua detecção.

Os alemães tinham dúvidas sobre as informações passadas por Janabi e alertaram os serviços secretos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha sobre isso.

Para Butler, Blair e serviços de inteligência "se enganaram"
O MI6 também tinha dúvidas, expressas em um telegrama secreto à CIA: "Elementos do comportamento [dele] nos desafiam por serem típicos de indivíduos que normalmente avaliaríamos como mentirosos, [mas estamos] inclinados a acreditar que uma parte significativa [do que dizia Curveball] é verdade."

O serviço de inteligência britânico decidiu aceitar as informações de Curveball, como fizeram os americanos - só bem mais tarde é que o ex-espião iraquiano viria a admitir que as informações eram fabricadas.

E, para azar dos serviços americano e britânicos, apareceram, na mesma época, informações de outro espião que pareciam confirmar as informações passadas por Curveball.

Tratava-se de um ex-oficial de inteligência iraquiano chamado Muhammad Maj Harith, que disse ter sido sua a ideia de desenvolver laboratórios biológicos móveis. Ele chegou a dizer que encomendou sete caminhões Renault para tal propósito.

Harith tinha desertado para a Jordânia, onde se entregou aos americanos. Aparentemente, ele inventou sua história porque queria um novo lar. Suas informações também viriam a ser descartadas como falsas.

O MI6 também havia acreditava ter uma confirmação da história de Curveball quando outra fonte, de codinome Rio Vermelho, revelou ter estado em contato com uma fonte secundária que disse ter visto fermentadores em caminhões.

Mas essa fonte jamais afirmou que esses fermentadores tinham a ver com a produção de armas biológicas. Depois da guerra, concluiu-se que Rio Vermelho também não era confiável como fonte.

TERNO FEITO À MÃO

Mas nem todas as provas e evidências estavam erradas. Informações de duas fontes altamente qualificadas próximas a Saddam Hussein estavam corretas. Ambas disseram que o Iraque não tinha qualquer arma de destruição em massa ativa.

A primeira fonte, da CIA, era o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri.

Ex-membro da CIA, Bill Murray - então chefe da agência em Paris - negociou com ele por meio de um intermediário, um jornalista árabe, a quem deu cerca de US$ 200 mil (cerca de R$ 400 mil) em dinheiro vivo como pagamento.

Murray não concorda com interpretação da CIA para informações obtidas junto a fontes de alta confiança
Murray disse que Sabri "parecia ser uma pessoa confiável - alguém com quem realmente deveríamos estar falando" e montou uma lista de perguntas para o ministro, com armas de destruição em massa no topo.

O intermediário se reuniu com Naji Sabri em Nova York, em setembro de 2002, quando o ministro estava prestes a prestar esclarecimentos à ONU - seis meses antes do início da guerra, e apenas uma semana antes de o dossiê britânico ser concluído.

O intermediário comprou um terno feito à mão para o ministro iraquiano, que este acabou usando nas Nações Unidas, um gesto que Murray interpretou como sinal de que Naji Sabri estava colaborando.

Murray diz que a informação era de que Saddam Hussein "tinha algumas armas químicas abandonadas no início dos anos 90, que havia dado a diversas tribos leais a ele".

"Ele teve a intenção de ter armas de destruição em massa - químicas, biológicas e nucleares - mas naquele momento praticamente não tinha nada", afirma o ex-agente da CIA.

A agência americana, por outro lado, insiste que o relato de Sabri indicava que o ex-presidente iraquiano tinha programas para desenvolver essas armas porque mencionava que "o Iraque estava atualmente produzindo e estocando armas químicas" e, "como último recurso, tinha plataformas móveis para lançamento de mísseis armados com armas químicas".

Murray contesta essa avaliação.

No baralho de cartas de Saddam, Tikriti era o valete de ouros
'SEM EXPLICAÇÃO'

A segunda fonte altamente qualificada que passou informações corretas foi o chefe de inteligência do Iraque, Tahir Jalil Habbush Al-Tikriti - o "valete de ouro" no baralho dos "mais procurados" pelos Estados Unidos, como eram classificados os membros procurados do governo de Saddam Hussein.

Um importante funcionário do MI6 o encontrou na Jordânia em janeiro de 2003 - dois meses antes da guerra.

Pensava-se que Habbush queria negociar um acordo para evitar a invasão iminente. Ele também disse que Saddam Hussein não tinha um programa ativo de armas de destruição em massa.

Surpreendentemente, Frederick Butler - que diz que os britânicos têm "todo o direito" de se sentir enganados pelo seu então primeiro-ministro - só tomou conhecimento da informação de Habbush depois que seu relatório foi publicado.

"Não posso explicar isso", diz Butler. "Foi algo que perdemos em nossa análise. Quando perguntamos sobre isso, fomos informados que não era um fato muito significativo, porque o MI6 encarava aquela informação como algo plantado por Saddam."

Butler diz que também não sabia de nada sobre os relatos de Naji Sabri.

Já Bill Murray faz questão de frisar que não ficou satisfeito com a forma como a informação destas duas fontes altamente qualificadas foram utilizadas.

"Acho que provavelmente produzimos a melhor informação gerada no período pré-guerra, que se provaram - no longo prazo - precisas. Mas essa informação foi descartada."

Foto: John Moore/Getty Images

A famosa foto de John Moore registrando a jovem, Mary McHugh, pranteando, no Cemitério Nacional de Arlington, diante do túmulo de seu noivo, o sargento, James John Regan, morto no Iraque, em fevereiro de 2007


30 de dez. de 2011

Chávez acusa USA de plantar câncer em lideres latinos

VENEZUELA
Chávez acusa USA de plantar câncer em lideres latinos
Num discurso para as Forças Armadas da Venezuela, o presidente Hugo Chávez disse achar estranhos que tantos líderes latinos americanos, Cristina Kirchner, Lula, Dilma Rousseff, Fernando Lugo e ele, tenham sido diagnosticados sucessivamente com câncer em tão curto período. Para ele, mesmo afirmando não possuir evidencias, diz acreditar que essa poderia ser uma estratégia norte-americana de "minar" esses representantes. Ou seja, a CIA estaria de alguma maneira fazendo os políticos latinos contraírem a doença. O governo dos EUA rechaçou as declarações de Chávez.

Foto: Reuters

O presidente Hugo Chávez falando para as Forças Armadas, insinuou que uma onda de câncer entre os líderes da região pode ser um complô dos EUA.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Daily Mail, Portal Terra, Exame, The Guardian, Correio Braziliense

Enquanto Hugo Chávez chamava costumeiramente George W Bush de diabo e comparava Barack Obama com um palhaço, o governo americano não tomou conhecimento. Mas os ataques verbais habituais de Hugo Chávez, aos americanos tomaram um rumo incomum esta semana, quando o presidente venezuelano sugeriu que Washington poderia estar por trás de uma onda de câncer entre os chefes de Estado latino-americanos.

"Não soaria tão estranho que eles tivessem inventado a tecnologia para a propagação do cancer...” Falou após ter se solidarizado com a presidenta da Argentina Cristina Fernández de Kirchner que anunciou neste final de ano que tinha sido diagnosticada com câncer de tireóide e seria submetido a uma cirurgia em janeiro.

O presidente da Venezuela, falando na quarta-feira durante um discurso de fim de ano para as Forças Armadas, Chávez deu a entender que uma onda de câncer entre os líderes da região pode ser um complô dos EUA.

Afirmou que não pretendia "lançar acusações temerárias", mas considerou "muito estranho" o fato de cinco lideres sul-americanos terem sido diagnosticados com a doença recentemente.

"É muito difícil explicar o que está acontecendo conosco na América Latina, mas não deixa de ser estranho, muito estranho", completou Chávez.

"Talvez se descubra dentro de 50 anos" esse suposto plano americano para induzir ao câncer, disse o presidente, no poder desde 1999. "Não sei, só deixo para reflexão", acrescentou durante o evento, transmitido ao vivo pela televisão estatal.

O chefe de Estado venezuelano também deu as "boas vindas" à cúpula de "vencedores do câncer", que ele planeja realizar no começo de 2012 e à qual se prevê que participem seus colegas de Brasil, Dilma Rousseff, e Paraguai, Fernando Lugo, bem como o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Falando na quarta-feira durante um discurso de fim de ano para as Forças Armadas, Chávez deu a entender que uma onda de câncer entre os líderes da região pode ser um complô dos EUA - embora admita não ter provas e não quer estar fazendo "imprudentes" as acusações. Esbora já estivesse fazendo.

"Repito: não estou acusando ninguém estou simplesmente aproveitando minha liberdade para refletir diante de alguns acontecimentos muito estranhos e difícil de explicar". - disse ele no evento, transmitido ao vivo pela televisão estatal.

Foto: Reuters

Chávez: "É muito difícil de explicar, diante da lei das probabilidades, o que tem acontecido com alguns líderes da América Latina".

Apesar de alegar não ter provas Chávez deu a entender que outros líderes latino-americanos devem estar atentos - e recordou como os médicos dos EUA teriam infectado deliberadamente 2.500 guatemaltecos, inclusive crianças, com doenças sexualmente transmissíveis durante a década de 1940.

Mandou Evo Morales, presidente da Bolívia e Correa, do Equador, terem cuidado.

Chávez disse ter recebido palavras de advertência do ex-líder de Cuba Fidel Castro, supostamente alvo de dezenas de planos de assassinato frustados elaborados pela CIA, tentativas muitas vezes bizarras, incluindo um terno infectado com fungo e um charuto explosivo.

"Fidel sempre me disse: 'Chávez cuidado. Essas pessoas podem ter desenvolvido tecnologias. Você é muito descuidado. Tome cuidado com o que você come, o que eles lhe dão de comer... uma agulha pequena e eles injetam-lhe não sei o quê', disse.

Enquanto isso a economia da Venezuela continua intimamente ligado a dos Estados Unidos - o país da América do Sul exporta mais de 800 mil barris de petróleo dia para os States. Os venezuelanos precisam dos dolares americanos e os EUA precisam da exportação venezuelana. Sabe-se que os acordos comerciais de petroleo entre os dois países são cumpridos rigorosamente sem nenhum atropelo.

Politicamente, porém, Chávez não deixa de lançar ataques verbais, alguns deles beirando o ridiculo, sobre Washington.

Além dos insultos, Chávez também acusa os EUA de ter um plano para invadir o seu país e o envolvimento da CIA em uma tentativa de golpe, que ele sofreu em 2002.

O governo dos Estados Unidos rechaçou oficialmente as declarações de Chávez, sobre o vírus do câncer. O Departamento de Estado dos EUA chegou a qualificar a declaração de “horrenda e censurável”

No final de junho Chávez admitiu que estivesse se tratado de um câncer, afirmando que os médicos cubanos haviam removido "as células cancerosas" de seu corpo. De todos os canceres diagnosticados nos políticos latino, recentemente, o câncer de Chávez parece ser o mais grave e talvez terminal, segundo alguns especialistas.

Foto: Fernando Llano/Associated Press

O presidente Hugo Chávez durante a ceremonia comemorativa do 181º aniversario de morte do herói da independência venezuelana Simon Bolivar, em Caracas,Venezuela, em 17 de dezembro.

Chávez, sabe que seu câncer pode matá-lo à curto prazo, e não vacila em preparar a sua própria lenda. Não quer ser lembrado pelos venezuelanos morrendo de uma enfermidade qualquer. Sonha ser o Bolívar do século XXI, para tanto, precisa ser morto, por uma conspiração internacional, enquanto defendia o seu país.