Michel Temer e as propinas do Porto de Santos
| BRASIL - ESCÂNDALO Michel Temer e as propinas do Porto de Santos O vice-presidente da republica do Brasil, está sendo formalmente acusado de participar de um esquema de propinas nos anos 90, quando presidia a Câmara dos Deputados. Apesar de ter sido elaborado durante a campanha eleitoral do ano passado, a existência do inquérito, procedido no STF, não foi tornado público e os eleitores votaram sem saber que o vice de Dilma estava sob pesada investigação
Foto: Agência Brasil Postado por Toinho de Passira Há dez anos, na edição de 21 de março de 2001, a Revista Veja publicava uma reportagem que mostrava o então deputado Michel Miguel Elias Temer Lulia, mais conhecido como Michel Temer, do PMDB paulista, atual vice-presidente da República, citado numa acusação de propina, num processo judicial registrado na 3ª Vara de Família e das Sucessões, em São Paulo. Com a lentidão da justiça e algumas manobras jurídicas dos advogados de Temer, só agora essa história pouco relevante, esquecida do noticiário político e criminal, pousou na mesa do procurador geral da republica, por decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministério público irá decidir diante das provas apresentadas se o segundo homem na sucessão presidencial deve ser denunciado como suspeito de corrupção, ativa e passiva, numa distribuição de propina por empresas ligadas ao Porto de Santos na década de 90. Apesar de aparecer como estrela da investigação, Michel Temer acabou descoberto por vias indiretas e até acidentais. O processo da 3ª Vara de Família mencionava o nome de Michel Temer à margem do verdadeiro assunto da disputa. A papelada trata de uma separação litigiosa entre Marcelo de Azeredo e Erika Santos, uma estudante de psicologia que tenta, na Justiça, obter uma pensão de 10.000 reais mensais do ex-companheiro. Com o intuito de provar que Azeredo tinha condições de pagar a pensão, a minuta do processo narra a vida financeira do réu de modo a caracterizá-lo como um homem rico, mesmo ganhando um salário que mal passa da metade da pensão pretendida pela ex-mulher. É aí que ela revela um esquema de propina no porto de que o ex-companheiro se beneficiaria. Michel Temer aparece como parte de um rateio de propinas arrancadas de empresários que lidavam com o Porto de Santos, no litoral paulista. Segundo a denúncia escrita no processo, a sociedade era formada por Marcelo de Azeredo, que por três anos presidiu a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), entidade responsável pela administração do Porto de Santos, pelo deputado Michel Temer e por uma terceira figura, citada apenas como "um tal de Lima". Há seis planilhas no processo nos quais a divisão do butim é sempre na mesma proporção: 25% para Azeredo, 25% para o tal de Lima e 50% para Michel Temer. O processo da 3ª Vara de Família menciona o nome de Michel Temer à margem do verdadeiro assunto da disputa. A papelada trata de uma separação litigiosa entre Marcelo de Azeredo e Erika Santos, uma estudante de psicologia que tenta, na Justiça, obter uma pensão de 10.000 reais mensais do ex-companheiro. De início, seus advogados historiam a relação de ambos, de modo a caracterizar que havia entre eles uma "união estável", que durou três anos. Falam de viagens, festas familiares, bilhetes e cartões de juras de amor. Em seguida, com o intuito de provar que Azeredo tem condições de pagar a pensão, a minuta do processo narra a vida financeira do réu de modo a caracterizá-lo como um homem rico, mesmo ganhando um salário que mal passa da metade da pensão pretendida pela ex-mulher. É aí que ela revela um esquema de propina no porto de que o ex-companheiro se beneficiaria. A ação detalha o suposto esquema de propinas. Diz que a empresa Libra, por exemplo, que ganhou a concessão dos terminais 34 e 35 do Porto de Santos, brindou a tróica com 1,28 milhão de reais. Azeredo ficou com 320.000, o tal Lima com outra parcela do mesmo valor e Michel Temer com 640.000. Reprodução Revista Veja Para se municiar dessas informações, Erika Santos entrou no computador pessoal de Azeredo e copiou as planilhas de controle da divisão do dinheiro. É a cópia dos dados do computador que compõe o anexo. Foto: Reuters |



