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6 de dez. de 2014

Reviravoltas na LDO - Maria Helena Rubinato

BRASIL – OpiniãoReviravoltas na LDO
Ninguém é ingênuo a ponto de não saber que essa manobra repulsiva já foi usada outras vezes. Mas assim, às claras, e publicada no Diário Oficial da União, foi a primeira vez.

Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo

SÍMBOLO - Ruth Gomes de Sá, 79 anos, na terça-feira (2), ao ser retirada das galerias

Postado por Toinho de Passira
Texto de Maria Helena Rubinato
Fonte: Blog do Noblat

Tive que ler mais de uma vez os comentários sobre o decreto publicado no Diário Oficial da União em 28 de novembro deste ano, no qual dona Dilma, com a tranquilidade dos superpoderosos, condicionou a liberação de verbas extras aos parlamentares que votassem a favor da mudança na LDO.

Em suma: "vocês fazem o que eu quero e receberão R$748 mil cada um, para usar, como bem entenderem, em seus redutos eleitorais... Se não fizerem a minha vontade, não verão a cor desse dinheiro".

Ninguém é ingênuo a ponto de não saber que essa manobra repulsiva já foi usada outras vezes.

Mas assim, às claras, e publicada no Diário Oficial da União, foi a primeira vez. Por isso, assustou muito: uma vez aberta essa trilha, quem nos garante que nunca mais será usada?

As galerias do Congresso, que é a Casa do Povo, ficaram vazias por ordem de seu presidente, Renan Calheiros, como sempre aliado dos Governos, porque, na véspera, das galerias saiam palavras de ordem contra o governo de dona Dilma.

Dizem que uma das deputadas, para quem o povo gritava "Vai pra Cuba!", achou que a chamavam de "vagabunda". Sabe-se lá por que...

Renan Calheiros mandou esvaziar as galerias mas esqueceu de interromper as transmissões por rádio e TV. Resultado, a transmissão, fosse em nossas casas, ou nos botequins da vida, foi uma campeã de audiências, até porque certos parlamentares são impagáveis ao falar... Imperdíveis!

A sessão plenária durou mais de 18 horas. Surpreendente quando se sabe que o governo tem maioria esmagadora. Mas compreensível quando nos lembramos que a base aliada está unida por sentimentos egoístas, mesquinhos, nenhum deles ligado ao bem do Brasil, o que a torna esfrangalhada.

Durante a sessão, já bem avançada a madrugada, quando um dos mais idosos parlamentares da situação queria falar e a oposição tumultuava, ouviu-se claramente um “Olha o Estatuto do Idoso!”.

Estatuto ignorado na terça-feira, quando um segurança do Congresso deu uma gravata numa idosa que estava lá para exercer seu direito de protestar.

A oposição, ainda muito distante da expertise da oposição petista, os mestres em tumultuar tudo aquilo que não lhes interessa, aprende lentamente, mas com determinação.

Não conseguiu impedir que as contas estrambóticas de dona Dilma fossem aprovadas, mas conseguiu interromper a fieira de votação dos destaques ao constatar que não havia mais o quorum mínimo de 257 deputados.

O espetáculo continua na terça-feira que vem, 9 de dezembro. Espero que com as galerias ocupadas pelos donos da Casa.

14 de jul. de 2014

Notas sobre a 'Copa das Copas' - Maria Helena Rubinato

BRASIL - Opinião
Notas sobre a 'Copa das Copas'
Nunca pensei que o resultado de um campeonato fosse interferir com o resultado das eleições. Agora, começo a desconfiar do contrário. E a culpa é de quem? De dona Dilma que, entusiasmada com a vitória contra a Croácia, resolveu unir o Brasil/Governo ao Brasil/Copa do Mundo. Ou por teimosia, ou por ser mal assessorada, fez mal. Água e óleo não se misturam e jamais se misturarão!

Foto: R7/Divulgação

Postado por Toinho de Passira
Texto de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Fonte: Blog do Noblat

Simon Kuper, colunista do ‘Financial Times’, autor de um livro sobre futebol, ‘Soccernomics’ (com Stefan Szymanski, 2009), declara-se encantado com o ambiente no Brasil, apesar de não ter se deixado iludir pelo que viu. É bom jornalista, não é tolo. Sabe que a realidade é muito diferente da fantasia ‘Copa das Copas’.

Mas leiam uma definição que ele faz que explica seus sentimentos: “Procurem, por favor, entender o efeito de Copacabana sobre um cidadão do norte da Europa. (...) Alguns dos meus melhores momentos aqui foram as caminhadas que fiz descalço à beira-mar no Rio, em Fortaleza e em Salvador. Desconfio que muitos estrangeiros sentiram o mesmo”.

(Já tentou andar descalço nas praias da Cornualha ou mesmo da Côte d’Azur? Já? Pois é.)

Ele se deslumbrou, também, com o nosso à vontade e a nossa alegria, que são legítimos. Festas? Somos especialistas! Sempre deixamos o amanhã para o amanhã...

A Copa das Copas nem foi tão ruim quanto previam, nem tão perfeita quanto dizem. Mas tenho cá minha opinião: em qualquer lugar do mundo onde no mês da Copa fosse decretado férias escolares, que nos dias dos jogos fosse ponto facultativo (será que isso existe em outros países?) ou feriado geral nos dias dos jogos do anfitrião, a vida urbana correria muito bem.

Com menos turistas que o esperado, os aeroportos funcionariam, as estradas idem. Comparar o dia a dia do brasileiro com o dia a dia do turista aqui durante a Copa é brincadeira...

Não enganamos aos jornalistas de fora ou aos turistas atentos que mesmo sem compreender as palavras chulas, estúpidas, gritadas para dona Dilma, sentiram que ali não havia uma mensagem de amor. Ao contrário.

Não está nada muito bem no Brasil. Tiramos férias dos problemas de 12/6 a 13/7, mas agora voltamos ao real. E o real, misturado com a derrota vergonhosa para a Alemanha, aumentou a temperatura do desgosto.

Nunca pensei que o resultado de um campeonato fosse interferir com o resultado das eleições. Agora, começo a desconfiar do contrário.

E a culpa é de quem? De dona Dilma que, entusiasmada com a vitória contra a Croácia, resolveu unir o Brasil/Governo ao Brasil/Copa do Mundo.

Ou por teimosia, ou por ser mal assessorada, fez mal. Água e óleo não se misturam e jamais se misturarão!

Resultado: como em qualquer campeonato, o imprevisível podia acontecer. E aconteceu.

Dona Dilma honrou seu cargo e compareceu ao Maracanã para entregar a taça. Mas com que simpatia! Foi por isso que as câmaras de TV evitaram mostrá-la a sós, sempre ao lado de algum convidado.

Encerro com uma pergunta e um desabafo:

*quantos concordam com o prêmio de melhor jogador ao Messi, passando por cima do extraordinário Robben?

25 de mai. de 2013

Dilma a um estalar dos dedos, por Maria Helena RR de Sousa, para o Blog do Noblat

BRASIL - Opinião
Dilma a um estalar dos dedos*
Podem vir médicos portugueses, franceses, búlgaros, poloneses, a nacionalidade é o que menos importa. O que importa é que tipo de infraestrutura os médicos encontrarão para exercer seu trabalho.


Dilma estalando os dedos mágicos

Postado por Toinho de Passira
Texto de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Fonte: Bog do Noblat

Dona Dilma é uma figura curiosa. A impressão que dá é que ela em seus momentos de profunda meditação sobre os problemas do país que gerencia, tem uma ideia, elabora sobre o que pensou, estala os dedos e, pimba!, dá tudo como resolvido.

Os próximos passos são comunicar o que bolou aos seus assessores e depois, ao distinto público.

Os assessores, que querem tudo menos perder os cargos, ou ficam mudos ou, interpelados, acham a ideia magnífica.

O distinto público ouve estarrecido e se divide em crentes e não crentes.

Durante sua campanha para presidente da República, dona Dilma se apercebeu que um dos nossos maiores problemas era a falta de creches onde estacionar as crianças enquanto as mães trabalham. Como mãe, solidarizou-se com o problema e após sopesar os prós e os contras, prometeu a construção de seis (6) mil creches.

Estalou os dedos, aguardou a posse e seguiu a rotina acima mencionada. Pronto, para ela esse problema deixou de existir.

Quando da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro, sensível ao horror que via por toda a parte, estalou os dedos, etc. etc., e prometeu seis mil (6) casas. Mais um problema resolvido.

Pelo visto, dona Dilma gosta muito desse número...

Não sei quantas outras seis mil coisas ela prometeu, mas, agora, acompanho, com muita atenção, a promessa dos seis (6) mil médicos que vai contratar para resolver o angustiante problema dos municípios sem médicos.

Foto: Reprodução

Albert Schweitzer, em Lambaréné, Gabão

Não há, da minha parte pelo menos, nenhuma apreensão quanto à contratação de médicos cubanos. (Só peço que não enviem nenhum dos que trataram o indigitado Chávez. Mas o geriatra do Fidel seria até muito bem vindo!).

Podem vir médicos portugueses, franceses, búlgaros, poloneses, a nacionalidade é o que menos importa.

O que importa é que tipo de infraestrutura os médicos encontrarão para exercer seu trabalho.

Encontrarão saneamento básico? Água encanada? Energia farta? Acesso à Internet, hoje fundamental para qualquer médico? Laboratórios? Equipe de enfermagem preparada para auxiliá-los? Material hospitalar de fácil reposição? Enfermarias bem montadas? E salas de cirurgia? Transporte para os casos de pacientes que tenham que ser enviados para grandes centros?

Tenho para mim que dona Dilma andou lendo ‘Entre a água e a selva’, de Albert Schweitzer (1875/1965), o grande médico de Lambaréné, no Gabão. Ao fechar o livro estalou os dedos e imediatamente resolveu: importo seis (6) mil médicos e nosso problema está resolvido.

Ah! Se fosse possível clonar Schweitzers, médico, filósofo, teólogo, músico, humanista, um homem em um bilhão!

Com isso, o Brasil ficaria pequeno para o número de doentes do mundo inteiro que viria para nossas Lambarénés.

Sonhar ainda é possível.


*Altermos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original