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21 de jun. de 2010

ELEIÇÃO COLOMBIA: Juan Manuel Santos é o novo presidenca da Colômbia

ELEIÇÕES 2010
Juan Manuel Santos é o novo presidente da Colômbia
O ex-ministro da defesa do governo Alvaro Uribe conseguiu eleger-se em segundo turno, com quase 70% dos votos, 42% a frente do seu adversário o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, que manteve praticamente a mesma quantidade de votos que obteve no primeiro turno

Foto: Getty Images

Gracias Colombia! disse Manuel Santos aos simpatizantes na festa do resultado da eleição, agradeceu ao adversário a lealdade e respeito pela democracia e ao presidente Alvaro Uribe a que diz dever a eleição e se compromete a manter suas políticas inclusive o combate a guerrilha

Toinho de Passira
Fontes: AFP, O Globo, Reuters , El Espectador, Semana

Juan Manuel Santos, 51 anos, é o novo presidente da Colômbia, depois de conseguir 69,05% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo. O candidato do Partido Social da Unidade Nacional (U, direita) substituirá a partir do próximo dia 7 de agosto seu mentor político, o presidente Álvaro Uribe, no poder desde 2002, indo ocupar, no seu lugar “Casa de Nariño”, o palácio presidencial colombiano.

O novo presidente colombiano tem sólida formação intelectual e experiência política. É graduado em Economia e Administração de Empresa e já exerceu em diferentes governos os cargos de Ministro do Comercio Exterior, Ministro da Fazenda e finalmente Ministro da Defesa, no governo de Alvaro Uribe.

O pleito de hoje, domingo, caracterizou-se por uma enorme abstenção. Como nas eleições na Colômbia o voto não é obrigatório, essas ausências de eleitores costumam ser consideradas normais. Apenas Basta dizer que dos 29,9 milhões de eleitores habilitados apenas 13 milhões compareceram, o equivalemente a 40%, índices abaixo inclusive da média histórica de outros pleitos.

Pela abstenção culpa-se a liderança isolada de Santos, que tirou a paixão do pleito, as partidas da Copa do Mundo de Futebol e principalmente as ameaças da guerrilha.

Como as FARC sofreu um grande golpe há oito dias quando um general dois coronéis e um sargento que eram reféns dos guerrilheiros foram resgatados pelas forças armadas temia-se que eles aproveitassem o pleito para retaliar.

Com efeito apesar das Forças de Segurança do país ter posto em ação mais de 350 mil agentes, houve confrontos em algumas regiões e destruição de seções eleitorais.

No fato mais grave do dia, sete policiais morreram em uma explosão de minas terrestres no estado de Norte de Santander, fronteira com a Venezuela e mais quatro Soldados da Província de Meta foram assassinados pela FARC.

Em um ataque separado em Meta, ao leste da capital Bogotá, tropas afirmaram que foram mortos seis guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que agora tem um dos seus piores adversários como presidente do país.

Foto:Reuters

SEGURANÇA MILITAR NAS ELEIÇÕES: O novo governo ainda tem muito que fazer para tirar a Colômbia deste estado permanente de guerra


19 de jun. de 2010

COLOMBIA – Candidato de Uribe é o favorito no segundo turno

COLOMBIA – ELEIÇÕES 2010
Candidato de Uribe é o favorito no segundo turno

No primeiro turno o candidato do governo Manuel Santos obteve 46%, contra os 21% de Antanas Mockus, do Partido Vede,. Pelas alianças acertadas e a empolgação da campanha, acredita-se que o candidato Santos tomará posse como o novo presidente da Colômbia e o Mockus, terá menos votos que teve no primeiro turno.

Fotos: Reuters/Getty Images

Santos à direita, o possível novo presidente da Colombia. Mackus, uma nova aposta, uma nova liderança que nasce entre os colobianos

Claudia Jardim
Fonte: BBC Brasil

Colombianos vão as urnas neste domingo definir em segundo turno o futuro presidente do país após oito anos de governo de Álvaro Uribe.

Ogovernista Juan Manuel Santos, do partido da "U", visto como o herdeiro do uribismo, aparece como favorito nas pesquisas de intenção de votos com pelo menos 25 pontos à frente de seu adversário do partido Verde, Antanas Mockus, ex-prefeito de Bogotá.

Santos venceu o primeiro turno com mais de 46% dos votos - 3,6 milhões à frente de seu adversário do Partido Verde, Antanas Mockus, que obteve 21%.

O resultado surpreendeu, por contrariar pesquisas de intenção de voto que apontavam um "empate técnico" entre os candidatos.

Para este domingo, o partido Verde aposta em reduzir a ampla diferença de votos a favor de Santos e tem chamado seus simpatizantes a conseguirem ao menos outros três votos de eventuais abstencionistas.

"Colômbia pode fazer um gol impressionante neste domingo. Ganhemos essa partida. Se você convence três pessoas, ganhará um país melhor", escreveu Mockus no Twitter.


Apesar de cerca de 30 milhões de eleitores estarem inscritos no registro eleitoral, analistas consideram que a abstenção neste domingo poderá superar a abtenção de 49% registrada no primeiro turno.

O Movimento de Observação Eleitoral (MOE) considera que o amplo favoritismo do candidato governista, a Copa do Mundo e a semelhança de projetos entre os dois candidatos, são fatores que podem contribuir à alta abstenção.

"Ao menos um milhão de eleitores não veem em nenhum dos dois candidatos uma opção, haverá dois jogos importantes da Copa e um número importante de eleitores veem o favoritismo de um dos candidatos como um fator desestimulante, porque pensam que seu voto não fará diferença no resultado", afirmou à BBC Brasil Arial Ávila, analista do MOE.

Analistas consideram que a consolidação da candidatura de Santos se deve à herança de Uribe, que pode terminar o mandato com mais de 70% de popularidade, e ao uso da máquina do Estado, em especial dos votos de eleitores beneficiários de programas sociais do atual governo. Outro fator é a ampla aliança feita com os demais partidos conservadores, cujo apoio pode incrementar de maneira significativa o número de votos a seu favor neste segundo turno.

"Se Santos vencer com uma ampla votação terá maior liberdade para governar e colocar características próprias a seu governo, sem estar atado à figura do presidente Uribe", afirmou à BBC Brasil a analista política Maria Teresa Ronderos.

Se essa tendência for confirmada, Ronderos acredita que Santos poderá fazer um governo "mais institucional e menos populista".

"Santos pode ter a opção de fazer um governo diferente, mais respeituoso das instituições e menos agressivo, inclusive com os países vizinhos", disse.

"A incógnita é se ele estará disposto a romper com as máfias no Congresso e com o sistema clientelar de governar."

Manuel Santos apelando para o rebolation colombiano para ganhar votos
Por outro lado, Mockus, que durante o primeiro turno foi visto como um fenômeno eleitoral utilizando redes sociais como Facebook e Twitter, com uma mensagem direta de ataque ao clientelismo, corrupção e desigualdade, teria cometido erros durante debates televisivos que teriam "desinflado" sua candidatura, de acordo com analistas.

Para Ronderos, o desafio de Mockus neste domingo será manter os três milhões de votos conquistados no primeiro turno. "Se isso acontecer, já será um resultado bastante significativo para a oposição", afirmou.

Durante a campanha, ambos candidatos prometeram dar continuidade à política de segurança do presidente colombiano Álvaro Uribe, principal marca do atual governo, e a seus principais programas sociais.

A diferença entre os dois candidatos, no entanto, está no estilo. Santos preferiu não marcar diferença entre ele e o presidente Álvaro Uribe, de olho na capitalização dos votos do atual presidente e convocou os colombianos a "não mudar o rumo".

Mockus, por sua vez, utilizou escândalos como execuções extra-judiciais e a aliança entre políticos e paramilitares para defender a "legalidade" e "honestidade" para resolver os problemas do país.

Eleito em 2002 e reeleito em 2006, com a promessa de enfrentar as guerrilhas, Uribe implementou uma ofensiva militar sem precedentes, principalmente através de sua política "Segurança Democrática" e da ampliação do "Plano Colômbia" – um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos.

Quem sair vitorioso das urnas neste domingo receberá um país com 45,5% de pobres, 5,2 % menos que há oito anos, com uma taxa de desemprego de 12%, uma das mais altas da América Latina e com um déficit fiscal estimado em mais de 4% do Produto Interno Bruto.

O resultado final da eleição deve ser divulgado a partir das 18h em Bogotá (20h em Brasília).

Foto: Getty Images

Cada eleição na Colômbia é um desafio de segurança. Na foto as tropas das forças especiais deslocando-se para as áreas de risco, onde a guerrilha costuma atacar, para garantir a liberdade dos eleitores.


*Acrescentamos subtitulos fotos e legendas, ao texto original