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17 de nov. de 2014

Ao diabo não se diz amém

BRASIL – Opinião
Ao diabo não se diz amém
A proposta de flexibilizar a meta fiscal enviada ao Congresso Nacional é obscena sob qualquer ótica.


LAMBANÇA - A recém-reeleita, Dilma se vê forçada a confessar que não tem saldo para fechar as contas. Sugere mudar as regras do jogo exigindo que o Congresso dê cobertura para o "jeitinho".

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan
Fontes: Blog do Noblat

Não é a primeira e por certo não será a última vez que o governo Dilma Rousseff transfere para outros a tarefa de corrigir os males provocados por um dever de casa que ela não fez. Mas nunca antes da história deste país um governo foi tão longe: quer aprovar uma lei para descumprir a lei.

A proposta de flexibilizar a meta fiscal enviada ao Congresso Nacional é obscena sob qualquer ótica.

Dilma gastou muito mais do que arrecadou por meses a fio. Passou a campanha eleitoral inteira mentindo que a economia ia bem, tratando qualquer crítica como mau-agouro de gente que torce pelo quanto pior, melhor.

A menos de dois meses do fim do ano, a recém-reeleita se vê forçada a confessar que não tem saldo para fechar as contas. Sugere mudar as regras do jogo pertinho do apito final, exigindo que o Congresso limpe a sua lambança.



Mais: pede arrego com a marca registrada da arrogância. Nem Dilma nem os seus admitem qualquer erro na condução da política econômica. Ao contrário. Publicamente, ela faz pouco caso do tema: “Dos 20 países do G-20, 17 estão hoje numa situação de ter déficit fiscal”, disse em Catar, antes de seguir para a Austrália para o encontro dos 20 ricos que ela afirma estarem mais debilitados do que o Brasil.

Se assim fosse, por que então inventar uma lei de última hora para pintar de azul o vermelhão das contas públicas?

Na sexta-feira, em entrevista à jornalista Míriam Leitão, o ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, ultrapassou todos os limites. Arguido sobre a hipótese de rejeição da proposta, ele, sem qualquer constrangimento, transferiu a conta da irresponsabilidade governamental: “Se o Congresso não der autorização nós cumpriremos o superávit. É simples. Suspende as desonerações, corta os investimentos para as obras e para uma parte da economia. Nós vamos ter mais desemprego e ficará na responsabilidade de quem tiver essa atitude.”

Falou isso de cara limpa, como se ao invés de estagnação e PIB menor de 0,5%, o país estivesse crescendo horrores graças à indução das políticas públicas.

À obscenidade agregam-se à lei outros atributos da mesma estirpe. Se aprovada, não servirá a quem interessa, já que credores e investidores sabem que o anil do balanço é falso. Mas, de forma perversa, derrubará o instituto da responsabilidade fiscal também nos estados e municípios. Se a União pode, por que não os demais? Um desastre anunciado.

Ainda que a manobra arisca dos aliados para acelerar a votação indique a possível aprovação do projeto, o Congresso Nacional tem uma chance única de evitar a catástrofe. De mostrar que não se ajoelha para quem faz o diabo.

6 de jul. de 2014

A Copa não é dela - Mary Zaidan – Blog do Noblat

BRASIL – Opinião
A Copa não é dela
Nada – nem o desejado hexa – será capaz de esconder a orgia de gastos que por antecipação assegurou ao Brasil o título da Copa mais cara já realizada. Só as 12 arenas custaram R$ 8 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro dos R$ 3,2 bilhões da África do Sul e dos R$ 3,6 bilhões da Alemanha.

Foto: Thomas Hodel/Reuters

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan*
Fonte: Blog do Noblat

Animação geral, bandeiras, emoção. Dentro de campo e nas ruas, tudo é festa só. Até a alegria coletiva a campanha de Dilma Rousseff tenta transformar em feito de seu governo.

“Derrotamos os pessimistas que diziam não haver possibilidade, a menor que fosse, de dar certo a Copa do Mundo aqui. Deu certo e mostrou um País alegre, que sabe receber os turistas”, disse a presidente na sexta-feira, em Porto Alegre, pouco antes da vitória da seleção sobre a Colômbia.

Embalada pela pesquisa Datafolha que lhe conferiu 4 pontos a mais depois do início da Copa, Dilma ocupa todos os espaços para associar sua imagem ao evento. Insufla o ufanismo e pesa na crítica aos adversários, os pessimistas, que acusa torcerem pelo “quanto pior, melhor”.

Vangloria-se dos aeroportos que funcionam (vários deles entre tapumes), dos estádios que ficaram prontos (alguns com gambiarras), como se isso não fosse exigência mínima para a realização de um evento para o qual o País teve sete anos para se preparar. Fala como se seus opositores estivessem torcendo contra o Brasil – a seleção e o País.

Esquece-se, por esperteza ou má fé, que as reais campanhas contra a Copa vinham de movimentos sociais adulados pelo governo. Alguns deles de estimação, como o MTST, com o qual a presidente negociou a inclusão no programa Minha Casa Minha Vida, depois de visitar a invasão batizada de Copa do Povo, próxima ao Itaquerão.

E trata como birra de quem teria “complexo de vira-lata” qualquer crítica ao Mundial.

Mas nada – nem o desejado hexa – será capaz de esconder a orgia de gastos que por antecipação assegurou ao Brasil o título da Copa mais cara já realizada. Só as 12 arenas custaram R$ 8 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro dos R$ 3,2 bilhões da África do Sul e dos R$ 3,6 bilhões da Alemanha. Sem computar o legado muito aquém do prometido: das 100 obras previstas, mais da metade não estão prontas e 20% ficaram para as calendas.

Futebol é futebol, eleição é eleição. Misturá-los, como faz a campanha de Dilma, é aposta de risco.

Não existe jogo fácil; não existe mais bobo no futebol. É o que se diz, com provas. Basta ver as zebras como as quedas prematuras de Portugal, Espanha e Inglaterra, e as dificuldades de seleções fortes como a Alemanha, Argentina e Brasil. Tudo pode acontecer, até a injustiça de deixar de fora da Copa o craque Neymar, vitimado pela violência, pelo anti-jogo.

Agora, a força total é para que a seleção brasileira despache a Alemanha e parta para o hexa, colorindo o Maracanã de verde-amarelo no próximo domingo. Três dias depois, rompe-se a união e o futebol retorna ao digladio das torcidas no Brasileirão.

Nada que se conecte com as urnas.

Não existe eleição fácil. Nem o povo é bobo. Dilma finge não saber.
*Mary Zaidan é jornalista
Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

8 de jun. de 2014

Em time que está perdendo... - Mary Zaidan

BRASIL - Opinião
Em time que está perdendo...
“Se ela, que deveria saber, não sabe, está mais do que na hora de passar a bola para quem sabe, não? Mudança já.” - Myriam Macedo, Fórum dos Leitores/O Estado de S. Paulo

Foto: George Gianni

A que ou a quem serve a farsa dessa expertise fenomenal, só revelada no último semestre de mandato da sucessora?

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan
Fonte: Blog do Noblat

Não é de hoje que os mais gabaritados analistas advertem sobre a fragilidade na condução da economia. Mas o governo Dilma Rousseff se fez de surdo. Escolheu não dar tratos à bola. Agora, a quatro meses da eleição e assistindo à insatisfação popular crescer perigosamente, atropela-se na tentativa de impedir cartão vermelho nas urnas.

Como não será Dilma – que confessou a jornalistas estrangeiros não saber por que o País não cresce - que conseguirá esse tento, entra em ação o professor Lula, o salvador da pátria.

Na semana que passou, o técnico Lula debulhou receituários econômicos. Falou de remédio para segurar a inflação, colocando-a na meta máxima de 4,5%; ensinou como se faz para crescer a partir do estímulo ao consumo e até deu um pito público no secretário do Tesouro, Arno Augustin.

Em primeiro lugar, a Lula. Ele pode até não gozar mais da quase unanimidade alcançada no final do seu segundo mandato, mas ainda tem músculos de sobra para enfrentar qualquer um. Seja como candidato – algo que afasta, mas não descarta para manter os adversários em alerta permanente -, seja para empurrar a complicada reeleição de Dilma.

Lula é habilidosíssimo nesse jogo. Fala dos males da carestia, incentiva a ampliação de crédito sem constrangimento de vender sonhos a milhares de famílias pobres condenadas à inadimplência. Assume os ares de combatente incansável. Discursa contra a inflação como se oposição fosse. Quem o escuta nem lembra que o governo da vez é o da sua pupila, continuidade do seu.

Ao mesmo tempo, livra Dilma de qualquer responsabilidade ao personificar os problemas econômicos no secretário do Tesouro, como se Augustin nada tivesse a ver com o governo. Dribla o público e segue apostando na ignorância do eleitor.

Sempre que pode – e Lula pode sempre – ele arremata dizeres subindo o tom contra a mídia. Diabólica, ave de mau agouro, inimiga do País, a imprensa é a responsável por todos os males internos e pelas visões negativas do mundo sobre o Brasil, acentuados pela proximidade da Copa do Mundo.

A tática de Lula de arredondar bolas quadradas pode dar certo. Mas, mesmo craque na ginga, para ele e sua candidata-presidente, melhor seria não abusar. Ânimo e dinheiro no bolso costumam caminhar juntos. Difícil um sem o outro. Quando o custo de vida não para de subir e os serviços ficam mais caros e piores, o eleitor descrê nas promessas de vitórias. Ele sabe: em time que está perdendo, mexe-se.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas. Atualmente trabalha na agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'

22 de jul. de 2013

Lula de volta, de Mary Zaidan

BRASIL - Opinião
Lula de volta
Vítimas das alegorias marqueteiras, que a cada dia produzem uma ideia nova para fazer de conta que se está atendendo às demandas dos protestos, eles não se emendam. Fazem qualquer coisa para tentar tirar o monstro do cangote do Planalto.

Charge: Aroeira (RJ)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan
Fonte: Blog do Noblat

Longe do ringue desde o quase nocaute desferido pelo escândalo Rosemary Noronha, e mais sumido ainda depois das manifestações juninas, o ex-presidente Lula reapareceu. E, ainda que zonzo, sentindo o golpe de não ser mais a voz máxima das ruas, reencontrou-se com o seu melhor estilo: o de reinventar a história.

“Na Europa, os protestos são para não perder o que conquistaram. No Brasil, protestos são para conquistar mais”, disse Lula na tarde de quinta-feira, durante palestra na Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo. Repetiu o que já publicara no dia anterior na sua coluna mensal no jornal The New York Times e que sua pupila Dilma Rousseff, bem ensaiadinha, passou a dizer nos últimos dias.

Vítimas das alegorias marqueteiras, que a cada dia produzem uma ideia nova para fazer de conta que se está atendendo às demandas dos protestos, eles não se emendam. Fazem qualquer coisa para tentar tirar o monstro do cangote do Planalto.

Se invencionices do tipo Constituinte exclusiva e plebiscito para uma reforma política urgente urgentíssima não deram certo, agora é a vez de tentar atrair a plateia com o avesso do avesso, repetindo a tática que Lula usou para se reerguer quando o mensalão o jogou na lona.

O novo bordão preconiza que a grita só está acontecendo agora porque os governos do PT “reduziram drasticamente a pobreza e a desigualdade”; que jovens que nada tiveram hoje têm e desejam mais. Um raciocínio ainda mais tortuoso do que “recursos não contabilizados”, expressão imortalizada por Delúbio Soares, vulgo caixa 2, utilizado por Lula para safar os seus dos crimes do mensalão.

Tal desfaçatez não é a única, mas uma das fortes razões para o crescente repúdio à política, não só entre os jovens.

Lula também tratou dessa ojeriza ao falar aos estudantes do ABC. Abusou de expressões de baixo calão, em uma tentativa burlesca de se aproximar do palavreado que imaginou fazer sucesso naquele público. Mas mesmo com linguajar chulo - nada apropriado para quem presidiu o país por oito anos e é visto como exemplo por muitos - foi veemente em seus conselhos para que os jovens não neguem a política.

Acertou no teor, errou na forma.

E fica longe de qualquer acerto quando, sabendo que atenta contra a lógica e, pior, falta com a verdade, pretende convencer que os que hoje reivindicam só estão nas ruas depois do condão de seu governo.

Desrespeita os milhares de manifestantes, faz ouvidos moucos. Erra no teor e na forma.
Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'.

25 de fev. de 2013

Lula-luz e o poste, de Mary Zaidan

BRASIL – Opinião
Lula-luz e o poste
”É certo que Lula anda menos falante. Tem preferido palcos sob medida, com claque garantida, sem chance de ser questionado sobre a sua auxiliar Rose-tudo-pode ou sobre as denúncias de Marco Valério de que o ex-presidente teria usufruído de dinheiro do mensalão. (...) De jornalistas não oficiais, quer distância..”



Lula sabe que “se a economia - que já patina – piorar (...) e Aécio pode crescer e Campos torna-se realmente um perigo.”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan, para o Blog do Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Dilma Rousseff é a presidente com o maior índice de aprovação que o País já teve. É alguém que obedece tão fielmente às instruções de seu marqueteiro que tem coragem de, sem qualquer constrangimento, bater no peito e anunciar a data do fim da miséria. É “o poste que está iluminando o Brasil”, como disse Lula ao lançá-la candidata à reeleição na festa dos 33 anos do PT e do decênio do partido no poder.

Então, por que Lula e o PT andam tão aflitos? Por que gastar quase dois anos de um mandato seguro, popularíssimo, para tentar garantir o próximo?

Com o batido discurso do "nós x eles", em que o eles é Fernando Henrique Cardoso, a mídia golpista, os que não suportam um operário ter chegado ao poder e toda essa ladainha, Lula consegue trazer o debate para o seu campo de conforto.

É certo que Lula anda menos falante. Tem preferido palcos sob medida, com claque garantida, sem chance de ser questionado sobre a sua auxiliar Rose-tudo-pode ou sobre as denúncias de Marco Valério de que o ex-presidente teria usufruído de dinheiro do mensalão.

De jornalistas não oficiais, quer distância.

Ainda assim, se mantém no topo do noticiário, como o grande articulador, o imbatível. Aquele que conseguirá, mais uma vez, trazer a vitória das urnas.

As chances são grandes.

Mas, ao contrário do que Lula quer fazer crer, sua preocupação do momento não é o governador do Pernambuco Eduardo Campos (PSB), muito menos o senador tucano Aécio Neves (MG). Eles só vão incomodar se a economia - que já patina - piorar. Aí, Aécio pode crescer e Campos torna-se realmente um perigo.

Ao insistir no lengalenga populista, no “nunca antes neste País”, Lula redirecionou e personalizou o debate. É ele x FHC. É ele x Campos. É ele x qualquer um.

Com isso, divide as atenções, dá um refresco nas críticas mais afiadas contra ele, seu governo, sua pupila e os seus.

Substitui as manchetes sobre a inflação, que começa a corroer os ganhos dos mais pobres. Tira o fiasco da Petrobrás das primeiras páginas. E com sua fala de efeito, ocupa todos os espaços com articulações mirabolantes – como a de oferecer a candidatura ao governo de São Paulo a Michel Temer (PMDB) e a vaga de vice a Campos.

Safo como ele só, Lula é capaz até de culpar a oposição pela incompetência do poste que escolheu para a cadeira do Planalto. De atribuir os reveses da economia à elite, a mesma que lhe garantiu e lhe assegura o trono.

Há tempos reservou para si o papel da luz.

Joga ciente de que, se ao fim e ao cabo a economia fraquejar, será ele, Lula, o ungido. Não dá para saber quem torce mais para esse curto-circuito: se o PT ou Lula. Ou ambos.


Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa.
*Acrescentamos subtítulo e legenda na foto, da publicação original