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5 de dez. de 2012

Unesco reconhece o frevo pernambucano como patrimônio da humanidade

BRASIL – Pernambuco - Cultura
Unesco reconhece o frevo pernambucano
como patrimônio da humanidade
Em reunião em Paris, a Unesco tornou nesta quarta-feira o frevo pernambucano patrimônio imaterial da humanidade.

Foto: Passarinho/Prefeitura de Olinda

Frevo pernambucano nas ruas de Olinda. Objetivo da inclusão na lista da Unesco é proteger a tradição do Nordeste brasileiro

Postado por Toinho de Passira
Fontes: UNESCO, BBC Brasil, Estadão, Diario de Pernambuco, Correio Braziliense, Jornal do Commercio

A decisão de incluir o frevo como "artes do espetáculo do Carnaval de Recife e de Olinda" e que se alastra por todo território pernambucano e estados vizinhos. na lista do patrimônio imaterial da humanidade foi anunciada na 7ª sessão do comitê intergovernamental de proteção desta área da Unesco (braço da ONU para educação, ciência e cultura), formado por 24 países.

O objetivo é proteger essa tradição do Nordeste brasileiro para que ela se mantenha viva.

"O frevo é uma tradição artística muito dinâmica, na qual podemos encontrar expressões que mudaram ao longo dos anos, mas que permaneceram importantes na realização do Carnaval de Recife", afirmou a Unesco.

"Estimamos que a inclusão de um evento tão festivo e inclusivo pode contribuir para a criatividade da humanidade."

Marta Suplicy participou da reunião da entidade, com sede em Paris. "Essa decisão representa o reconhecimento dos progressos de nossa política de proteção do patrimônio cultural imaterial", afirmou a ministra na reunião, em um discurso em francês.

A votação foi rápida, já que nenhum dos representantes dos países-membros do comitê pediu informações complementares ou fez objeções.

Após a votação, um frevo foi tocada durante alguns instantes.

O patrimônio imaterial da humanidade, segundo a Unesco, se refere às práticas, representações, expressões e conhecimentos transmitidos por várias gerações e que representam o sentimento de identidade de uma comunidade.

Ele é considerado "imaterial" porque sua existência e transmissão dependem da vontade humana, diz a entidade da ONU.

"O patrimônio imaterial é vital para manter a diversidade cultural no mundo globalizado", afirma a Unesco.

O frevo pernambucano junta-se ao tango argentino e a gastronomia francesa.

No ano passado, o Yaokwa, ritual da tribo indígena brasileira Enawene Nawe, do sul da Amazônia, integrou a lista do patrimônio imaterial da Unesco que necessita de proteção urgente (outra classificação realizada nessa categoria), devido ao desmatamento e às atividades de mineração na região.

Até o final do ano passado, a lista do patrimônio cultural imaterial da Unesco reunia 232 elementos, sendo 33 deles na América Latina e no Caribe.

Além do frevo do Recife, também foram incluídas na lista nesta 7ª sessão do comitê interministerial cinco expressões culturais de países como Argélia, Armênia, Áustria e Bolívia.

Agradecemos, com ironia, a ministra Marta Suplicy o apoio, o esforço que ela, que não tem menor ideia do que é frevo, fez em se deslocar até Paris, seguindo com um giro pela Europas só para nos apoiar.

Incrível como ela arranja desculpa para ir a Paris, sob as expensas do contribuinte, tanto na época que era ministra do Turismo, quanto quando era Prefeita de São Paulo.

Ela é que deveria agradecer ao frevo, o pretexto de ir a Paris.

Foto: Passarinho/Prefeitura de Olinda

A superoquestra de frevo de Olinda


5 de fev. de 2012

Alceu Valença - “Diabo Loiro” - de J. Michiles

Alceu Valença canta “Diabo loiro”
de J. Michiles


”passiravideo”


5 de set. de 2009

Nascimento do Passo levou o frevo para eternidade

Nascimento do Passo levou o frevo para eternidade
O maior dançarino do frevo de Pernambuco foi enterrado essa semana, dia 03, num folguedo carnavalesco que espantou os vivos e animou as almas do cemitério de Santo Amaro


Nascimento do Passo junto ao Boneco de Nascimento do Passo, da Troça ”Os Indecentes”

Fontes: pe360graus, Jornal do Comércio, Diário de Pernambuco

Um arrastão de frevo foi a forma escolhida para prestar as últimas homenagens a Francisco do Nascimento Filho, o passista Nascimento do Passo, 73 anos, sepultado no Cemitério de Santo Amaro, na área Central do Recife. O cortejo saiu da Casa Funerária Batista, na Rua Marquês de Pombal, onde o corpo foi velado, até o cemitério.

Passistas, porta-estandartes, o boneco da Troça “Os indecentes”, que o homenageia e uma orquestra tocando frevos, abriram alas para a última passagem de Nascimento do Passo pelas ruas do Recife.

Nascimento do Passo, exímio dançarino do frevo, ganhou fama por divulgar o carnaval pernambucano e sua dança, pelo país e pelo mundo. Ele foi o fundador da primeira escola de frevo de Pernambuco, em 1973, onde dava aulas de dança. Apesar de ser um caboclo amazonense, da cidade de Benjamim Constant, chegou à capital pernambucana com 13 anos, e por ironia do destino foi morar atrás do Clube Vassourinhas do Recife, daí se apaixonou pela dança e virou um “pernambucano da gema”, para sempre.

O dançarino era viúvo tinha 6 filhos e deixou muitos alunos órfãos. Ele foi o responsável pela primeira escola de frevo do Recife, chamada Escola Recreativa Nascimento do Passo, fundada em 1973. A escola fica no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife.

Nascimento deu aulas até 2003, quando se afastou por causa de falsas denúncias de abuso sexual e atentado violento ao pudor feito por alunas. Pelo menos uma delas já admitiu ter sido paga, por um inimigo do mestre, para incriminá-lo. O episódio abalou a saúde de Nascimento, que chegou a entrar em depressão.

“Nascimento não foi apenas o primeiro passista qualificado brasileiro que mergulhou profissionalmente na arte de dançar e ensinar o passo. Criou um método de ensinamento da arte da dança pernambucana, pois logo compreendeu que a espontaneidade, versatilidade, e musicalidade do passista dependem da aquisição da técnica corporal específica para dançar o frevo”.

A dançarina e pesquisadora do acervo Recordança, Valéria Vicente, tem uma dissertação de mestrado sobre a dança do frevo, onde coloca a atuação de Nascimento do Passo como decisiva para a transmissão da dança frevo tal qual a conhecemos hoje.

"A dança do frevo deve muito a ele. A gente não lembra que a trajetória da dança é muito mais complexa que a da música. A música era feita por músicos de bandas, a dança foi criada por marginais, que não entravam nos clubes de frevo. O que temos hoje só foi possível graças a atuação e inventividade de Nascimento do Passo” - para ela, o pai do frevo dançado - “Isso merece reconhecimento mais profundo, que não veio em vida", coloca Valéria.

Emocionada, à frente do caixão, a filha caçula de Nascimento, Milena Monteiro, 23, veio da Suíça, onde mora estuda e dá aulas de dança, para se despedir do pai.

Ela disse que era difícil distinguir o pai do mestre. "Como pai, era uma pessoa determinada, com muita força e garra. Foi ele quem me alfabetizou antes de me colocar na escola. Quando pequena, era ele quem construía nossos brinquedos.” Como mestre, ele era muito dedicado. O frevo fazia parte da família. A gente acordava e dormia ouvindo o ritmo.

A Secretaria de Cultura do Recife e o Clube de Máscaras Galo da Madrugada, já confirmaram que Nascimento do Passo será o homenageado no Carnaval do próximo ano, como não poderia deixar de ser.

O presidente do bloco Galo da Madrugada, Rômulo Meneses, durante o velório disse:

"Nascimento foi o precursor em divulgar o frevo como produto em todo o mundo. Ele foi para o frevo “dança” o que Capiba foi para a música", comparou.

A dançarina e pesquisadora do acervo Recordança, Valéria Vicente, tem uma dissertação de mestrado sobre a dança do frevo, onde coloca a atuação de Nascimento do Passo como decisiva para a transmissão da dança frevo tal qual a conhecemos hoje.

"A dança do frevo deve muito a ele. A gente não lembra que a trajetória da dança é muito mais complexa que a da música. A música era feita por músicos de bandas, a dança foi criada por marginais, que não entravam nos clubes de frevo. O que temos hoje só foi possível graças a atuação e inventividade de Nascimento do Passo” - para ela, o pai do frevo dançado - “Isso merece reconhecimento mais profundo, que não veio em vida", coloca Valéria.

O criador do boneco gigante que imortalizou Nascimento, o bonequeiro Silvio Botelho, disse que o estado perdeu um ícone da história do frevo.

Maestro Forró destacou a importância dos alunos na vida do professor, que agora “são os responsáveis por dar continuidade ao trabalho dele", disse.

Vestida a caráter, a passista e professora de frevo Flaira Ferro cantou e se emocionou. Ela disse que Nascimento foi seu primeiro professor e o responsável pela carreira de dançarina de frevo.

“Ele deu oportunidade a muita gente que vivia nas favelas. Foi ele quem me ensinou a gostar da dança. Minha vida é voltada para o frevo, que meu deu oportunidades de conhecer, por exemplo, várias cidades do mundo.

Nascimento do Passo, dedicou sua vida ao frevo, multiplicando-se em milhares de foliões alunos que dançam pelo recife e pelo mundo, fazendo os passos inventados pelo mestre, a "tesoura", a "porca", o "parafuso", sombrinhas na mão, com as cores de Pernambuco, evoluindo ao som dos metais das orquestras de frevo. Agora está frevando no céu.