15 de jul. de 2012

Seis por cento: Lula lá, Eduardo cá

BRASIL – São Paulo – Recife- Eleição 2012
Seis por cento: Lula lá, Eduardo cá
Os dois escolheram postes fiéis como candidatos, pensando em passar seu prestígio eleitoral para os apadrinhados, até agora as pesquisas dizem que ambos apostaram mal e os filhotes só conseguiram atrair 6% dos eleitores. Só a grana do Caixa 2 pode salvar esses postes?

Montagem sobre foto de Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Eduardo e Lula, padrinhos de postes com mesmos 6%

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Portal Terra - Recife, Portal Terra- São Paulo

Coincidências ou não tanto o candidato de Lula em São Paulo, o poste petista, Fernando Haddad, quanto o candidato de Eduardo Campos, em Recife, o poste socialista Geraldo Júlio, aparecem nas pesquisas na faixa de 6%, apesar dos padrinhos poderosos e fanfarrões.

Claro que a coisa está só começando e ainda vai passar muito dinheiro e conchavo por baixo da ponte.

A história começa a esquentar quando os partidos enchem os bolsos dos candidatos a vereadores, com verba do caixa 2. Eles são encarregados de comprar os líderes comunitários, que, por sua vez, distribuem “favores” nas comunidades em nome dos candidatos majoritários.

Nessas ocasiões há verdadeiros leilões pelos passes desses líderes, comunitários, alguns deles, também candidatos a vereadores. Uma dentadura, um milheiro de tijolos, um telhado novo, um botijão de gás, vão fazendo os eleitores bandearem-se para o lado indicado por esses benfeitores.

Esse submundo municipal, é um micro universo da política nacional, portanto, num como outro, há traições, corrupções, falsos apoios e gente que para ganhar mais dinheiro joga dos dois lados. No grande universo as negociações de compra de apoio, possuem lances maiores, que tanto pode ser um canal de televisão, ou, um cargo federal para administrar um cofre recheado.

Por isso, essa pesquisa de começo de campanha parece-se mais com a realidade eleitoral, do que as próximas que já virão contaminadas pela compra de eleitores.

A última pesquisa divulgada em Recife, feita pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau, diz que o senador Humberto Costa (PT) tem 35,5%, o deputado federal Mendonça Filho (DEM) 20,7%, o candidato da Frente Popular do Recife, o poste de Eduardo Campos, Geraldo Júlio (PSB), está com 6,8%, e PSDB, Daniel Coelho (PSDB) com 5,6%.

Em São Paulo o instituto de pesquisa Datafolha divulgou, no mesmo período, o resultado da última pesquisa de intenção de votos, em segundo lugar aparece o ex-deputado Celso Russomanno (PRB), o poste de Lula, Fernando Haddad, que já teve 8%, depois do apoio de Maluf desceu e ficou estacionado com 6%, empatado com Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Netinho de Paula (PCdoB) - que deixou a disputa, para ganhar um canal de televisão prometido por Lula, para apoiar Haddad -, todos 6%.

As coincidências estão aí, tanto Lula quanto Eduardo veem os candidatos que eles não queriam na bica para se elegerem, ambos com a preferencia na faixa de 30% do seu eleitorado, enquanto seu apadrinhados estão no final da tabela com míseros, 6%. Agora é ver o que o caixa 2 pode fazer por esses postes apadrinhados. As próximas pesquisas dirão.

ESTAMOS ALERTANDO: Se ninguém tomar uma providência Humberto Costa acaba prefeito do Recife, se ele fizer por aqui, o mesmo que fez no Ministério da Saúde...(?) Vamos ter saudades de João da Bosta.


MULHER: Stephannie Oliveira, o melhor voleio de Bebeto

BRASIL – Mulher
Stéphannie Oliveira, o melhor voleio de Bebeto
O atacante da seleção brasileira, Tetracampeão mundial pelo Brasil na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, conhecido como Bebeto, vai acabar conhecido apenas como pai de Stephannie, a capa e o recheio da Revista VIP desse mes

Foto: Daniel Aratangy / Revista VIP

Postado por Toinho de Passira
Fontes: VIP, Terra, Yahoo - Fotos, Universo Movie, Ego

O soteropolitano José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, Tetracampeão mundial pelo Brasil, ficou conhecido mundialmente pelos golaços que marcava de voleio, sua marca registrada. O mais famoso deles foi contra a Argentina na Copa dos Estados Unidos.

Idolos de varias torcidas pelo planeta, seus feitos como atleta está sendo ofuscado pela paternidade de Stéphannie Oliveira, 21 anos.

Não tarda, vai acabar conhecido apenas como o pai de Stephannie, uma das mais promissoras entre as modelos brasileiras, da nova geração, que sonha também com a carreira de atriz.

Fotos: Daniel Aratangy/VIP

Em 2010, a revista VIP apresentou ao mundo, a filhinha do craque, nas Preliminares da edição 305. Agora, dois anos depois, deram à moça o lugar mais nobre da publicação, a capa, além de um ensaio explosivamente sensual, brechada pelas lentes de Daniel Aratangy.

Na entrevista Stephannie disse à revista que o comportamento do pai, o ex-jogador Bebeto, é parecido com o do argentino Lionel Messi. "Meu pai nunca se envolvia em escândalos, nunca tinha polêmicas com ele. E quantas vezes você já viu polêmicas com o Messi?", opinou a jovem, que se declarou flamenguista roxa.

Foto: Revista Vizoo

Adiante afirmou ter uma boa relação com o pai e, com bom humor, só lamentou não ter recebido dele uma homenagem em campo - o famoso "nana nenê" da Copa de 1994 foi para o irmão caçula, Mattheus, que hoje joga no Flamengo.

Foto: Daniel Aratangy/VIP

Stéphannie Oliveira, tem um estilo que vai na contramão do senso comum do universo fashion. Em entrevista para a revista Vizoo, a bela morena - de 1,81m de altura, 90 cm de quadril, 60 cm de cintura e 85 cm de busto - disse que passa longe do estilo "mulherzinha". “Sou um molequinho. Fiquei mais vaidosa pela necessidade da profissão, mas estou sempre toda roxa, ralada. Tenho muito mais amigos homens. Menina é sempre muito fresca, muito sensível”, diz ela, que também adora comer sem culpa. “Dieta de alface não tem vez comigo”, afirma.

Apesar do jeito moleque, Stéphannie se transforma em um mulherão nas fotos e não se envergonha da própria sensualidade. Evangélica, ela afirma que encara o nu com naturalidade.

“Acho que é preciso separar a nudez de algo sexual. Não faria nada vulgar”, explica. “Às vezes, o pastor reclama, mas é trabalho, sei separar", garante.

Claro! Claro! Claro! A gente compreende. Manda esse pastor catar coquinho.

Foto: Daniel Aratangy/VIP

Obrigado Bebeto!!!


14 de jul. de 2012

Chávez comemora "milagre da cura" com eleitores

VENEZUELA - 2012
Chávez comemora "milagre da cura" com eleitores
Chávez mesmo convalescente do tratamento do câncer, saiu em campanha pela Venezuela. Havia rumores que ele não conseguiria fazer comícios, e que seu estado de saúde delicado, o afastaria do corpo a corpo com os eleitores. Mesmo mais comedido e visivelmente exaurido ele faz o que pode para animar e arrastar as multidões de seguidores, disposto a lutar pela reeleição a qualquer custo.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

O presidente e candidato à reeleição, Hugo Chávez, em carreata pelas ruas de Barcelona, Venezuela

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Terra, El Universal, El Tiempo

Mesmo que esteja curado do cancer, todo mundo sabe que o tratamento deixa sequelas e limita fisicamente o paciente. Mas Hugo Chávez em plena disputa eleitoral não pode se dar o luxo de convalecer. Dentro do possível vai as ruas pedir votos para se reeleger. As pesquisas o mostram ainda como vitorioso, em outubro, mas a oposição tem subido nas pesquisas.

Elogiando a sua recuperação do câncer como um "milagre" e alegrando seus partidários com uma retórica espiritual, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, caiu na estrada para fazer campanha para a reeleição em outubro.

Há poucos dias rebatendo a oposição que insinuava que ele não tinha mais a mesma energia, tanto que não estava fazendo campanha, como sempre fez, Hugo Chávez disse que não estava nas ruas, nem em comícios, porque estava sem tempo, cuidado da Venezuela e dos venezuelanos, insinuando que seu opositor Henrique Capriles é um desocupado.

Mas como as pesquisas começaram a se movimentar, mesmo que timidamente, na direçãodo opositor, Chávez foi para a estrada. Para pedir votos e para demonstrar que está “saudável”.

Iniciou uma série de comícios iniciados pela cidade de Barcelona, no leste do país, procurando mostrar que a sua saúde está boa e para aproveitar a conexão emocional com os pobres da Venezuela, que apoiam seu regime, não recuou, nem quando uma tempestade caiu sobre a multidão em delírio.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

A multidão o acompanhava em cortejo, na noite fria e chuvoso, antes e depois do comício

"Estou na rua novamente, graças a Deus, depois de tudo o que aconteceu no ano passado. É um milagre!", bradou ele a dezenas de milhares de partidários na noite de quinta-feira na primeira de uma série de aparições planejadas ao redor do país.

"O furacão bolivariano está de volta!", acrescentou Chávez a aplausos calorosos, referindo-se ao herói da independência sul-americana Simon Bolivar cujos ideais - e persona - ele procura adotar.

Embora Chávez tenha dito que está completamente curado do câncer depois de três cirurgias em Cuba durante o ano passado para remover dois tumores malignos na região pélvica, as dúvidas persistem. Os médicos dizem que é impossível ser declarado livre do câncer até que dois anos se passem sem reincidência. Mas muitos disseram no passado, que ele nem estaria vivo para tentar se reeleger.

Embora o líder de 57 anos esteja claramente desfrutando de um surto de energia, ele está longe de seu estilo famoso da política de rua, onde ele mergulhara na multidão, praticava esporte nas aldeias, e infinitamente abraçava mães e crianças.

No comício de quinta à noite, Chávez subiu em um caminhão, mandando beijos e colocando a mão no coração, em vez de andar por entre a multidão. Ele caminhou devagar no palco e pareceu visivelmente cansado no final de um discurso de campanha de duas horas.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Para os partidários, simplesmente vê-lo ao vivo é suficiente

Muitos esperaram sob a chuva para a sua aparição triunfal em cima de um veículo decorado com as cores do partido e estampado com seu slogan: "Chávez, o coração da minha pátria".

Ele disse a frase repetidas vezes durante seu discurso. "Quando eu vejo vocês, eu me sinto me tornando vocês. Vocês também são Chávez, cada jovem venezuelano, cada trabalhador, cada avô. Vocês são todos Chávez."

Chávez enfrenta agora talvez o mais difícil desafio eleitoral até agora, uma vez que partidos de oposição da Venezuela se juntaram para apoiar um jovem ex-governador de Estado, Henrique Capriles, de 40 anos, que também vêm atraindo multidões pelo país. Chávez lidera a maioria das pesquisas em dois dígitos, mas assessores de Capriles afirmam que sua turnê "de casa em casa" renderá frutos em breve.

Chávez fará tudo que for necessário para impedir.


13 de jul. de 2012

Gal Costa canta "Vaca Profana" de Caetano Veloso (1984)

Gal Costa - canta "Vaca Profana"
de Caetano Veloso (1984)

VACA PROFANA
Caetano Veloso


Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a movida Madrileña
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los puretas

Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é meu bem, meu mal
No mais, as ramblas do planeta
Orchta de chufa, si us plau
No mais, as ramblas do planeta
Orchta de chufa, si us...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas...
”passiravideo”


Wilder Moraes, o traído, assumiu vaga de Demóstenes

BRASIL - SENADO
Wilder Moraes, o traído, assumiu vaga de Demóstenes
O suplente do senador Demóstenes Torres, Wilder Morais tomou posse na vaga deixada pelo conterrâneo, cassado na última quarta-feira. Numa posse relâmpago, apressou-se em tomar seu lugar, para ganhar foro privilegiado. De agora em diante, investigações contra ele, só com permissão do Supremo Tribunal Federal. Wilder Pedro de Morais assumiu mandato de senador representando o estado de Goiás, os Democratas e o seguimento dos maridos traídos. Sua esperteza desmente o ditado: Quem é besta é corno!”

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

NOSSO HOMEM NO SENADO - Os chifrudos brasileiros sentem-se bem representados com a posse de Wilder (no centro) no senado, em Brasília, nesta sexta

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog Cristiana Lobo, Veja, Agência Senado, Estadão

Numa cerimônia surpresa e relâmpago, que não durou nem cinco minutos, o empresário Wilder Pedro de Morais (DEM-GO) assumiu na manhã desta sexta-feira, 13, o mandato de senador, por seis anos e meio, sem que os eleitores tenha lhe destinado um único voto sequer. Ocupa a vaga deixada por Demóstenes Torres (sem partido-GO), cassado na quarta, 11, pela suspeita de usar o mandato para defender interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Somente quatro senadores participaram da posse, número mínimo previsto no regimento do Senado: Ciro Nogueira (PP-PI), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Ana Amélia (PP-RS) e Roberto Requião (PMDB-PR).

Coube a Ciro Nogueira, como único representante da Mesa Diretora, ciceronear o novo senador pelo DEM no plenário, apresentá-lo aos presentes e empossá-lo, pouco depois das 9h. Logo em seguida, Morais deixou o Senado sem falar com os jornalistas.

Não estava fazendo nada de errado, mas parecia. Empossado, Morais garante direito a foro privilegiado, ou seja, só responderá a investigações criminais com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
Receberá um salário de R$ 26,7 mil por mês, além de uma série de outros benefícios como verba para montar o gabinete, auxílio-moradia (em caso de não ocupar imóvel funcional) e a cota de combustível.

A jornalista Cristiana Lobo, da Globo News, por experiências anteriores, já tinha previsto, no dia cassação de Demóstenes, que o novo senador ia tomar posse sorrateiramente, “quando menos se esperasse”.

Afirmou Cristiana, no seu Blog, que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que abriu uma sessão especial no senado só para dá posse ao novo membro é antigo amigo do novo senador. Desmentindo a notícia de que o senador chegou a Brasília, de surpresa para tomar posse, sugere que o amigo Ciro Nogueira, sabia de tudo e tomou as devidas providencias.

Wilder Moraes, logo após a posse, deu explicações generalizadas das acusações que pesam sobre ele: Sobre a não declaração de todos os bens ao Tribunal Superior Eleitoral. Ele justifica que estes bens “estão em nome do grupo do qual ele é acionista e devidamente declarados”

Sobre a conversa com Carlos Cachoeira, grampeada pela Polícia Federal, na qual Cachoeira diz que o indicou para a suplência de senador e para o cargo de secretário, ele diz que são “fragmentos de conversa de foro íntimo” e que resultaram em sua separação (a ex-mulher Andressa é hoje mulher de Carlos Cachoeira) e acrescenta que se o conteúdo total do diálogo for ouvido, “a interpretação dos fatos certamente seria outra”.

Tudo leva a crer que ele está instruído por algum advogado experiente, tipo Márcio Thomaz Bastos.

O senador, porém, não corre riscos. Os senadores não consideram o mau comportamento, antes de tomar posse, como falta de decoro. Dizem que se o cidadão não era senador, não podia faltar com o decoro parlamentar. Não analisam se o indivíduo tem condições “morais” para assumir o cargo eletivo. Isso é lá com os eleitores.

Foto: Dida Sampaio/AE

“Volta Andressa!” - pedem os cornos brasileiros dando uma força para o senador Wilder Morais

Mas, o importante, da posse de Wilder, publicamente traído pela mulher, é o simbolismo da assunção de um corno manso e choroso, no senado federal.

Sabe-se que entre os integrantes da casa, que labutam em outras bancadas, como os evangélicos, os ruralistas, os direitistas, os corruptos, etc. também há muitos cornos. Mas são chifrudos enrustidos, que nem assumem as protuberâncias, nem defendem os interesses dos chifrudos brasileiros.

Estamos torcendo que Wilder Morais, nesse momento de glória, legitime-se, cada vez mais, como representante supremo dos cornos no senado.

Para tanto, estamos fazendo uma corrente nacional, apelando para que a esposa do senador, a Sra. Andressa Mendonça, que, num momento impensado, foi esquentar a cama do contraventor Carlinhos Cachoeira, volte para casa. Vai ser lindo!

Volta Vanessa! Perdoa Wilder!

Viva os cornos do Brasil!!!


"Na Estrada", de Walter Salles, estreia hoje

BRASIL - Cinema
"Na Estrada", de Walter Salles, estreia hoje
A Adaptação do cineasta para o clássico livro de Kerouac, “On The Road”, estreia nos cinemas brasileiros. O longa retrata a juventude além de seu tempo.

Foto: Divulgação

Sam Riley, Kristen Stewart e Garrett Hedlund numa cena de “Na Estrada” de Walter Salles

Postado por Toinho de Passira
Fontes: JC Online, The Guardian, G1, Band, Ultimo Segundo

Escrito em 1951, o romance beat “On The Road”, de Jack Kerouac, radicalizou o comportamento de uma geração de jovens e chocou os conservadores da época.

Afinal, retratava personagens libertários, que queriam seguir seus próprios caminhos, usavam drogas para expandir a mente e viviam o sexo sem pudores.

A ideia de transpor o livro para o cinema era, desde então, um desejo de cineastas, mas as produções nunca foram adiante. Coube ao diretor brasileiro Walter Salles tornar o projeto, enfim, realidade.

Em maio, o filme, que tem no elenco Sam Riley, Garret Hedlund, Kristen Stewart e participação de Alice Braga, disputou a Palma de Ouro em Cannes.

Antes de “Na Estrada” ganhar versão cinematográfica, Salles fez um documentário prévio sobre a história na busca de “uma identidade para o longa”.

“Foi um processo inspirador. Sem ele não teria sido possível fazer o filme. Mas aí ele foi alimentando o roteiro, procuramos personagens ainda vivos, até que decidimos: o longa tem que ser feito”, conta Walter Salles, hoje com 56 anos, que leu Kerouac pela primeira vez aos 18 anos.

“Li várias vezes e em cada uma tive uma reação. Tem algo que fica que é o momento de transformação interna que vivemos aos 18 anos, e queremos ampliar as possibilidades. Esses relatos de formação encontramos em qualquer geração. É o que faz esse livro sobreviver ao tempo.”

Foto: Divulgação

Na Estrada” narra a história do jovem escritor Sal Paradise (Riley), que tem a vida transformada ao conhecer Dean Moriarty (Hedlund) e sua namorada Marylou (Stewart), de 16 anos.

Embalados por sexo – com direito a cenas de “ménage à trois” –, drogas, bebop e jazz, eles cruzam os EUA em busca da última fronteira americana, ultrapassando todos os limites conservadores da época.

“Todas as experimentações e aventuras são vividas. Mas há, também, uma viagem interna que vem junto com a dor”, define Walter Salles.

Ernesto Barros, o crítico de cinema do Jornal do Comercio, comenta que “poucos cineastas poderiam estar melhor preparados para uma adaptação cinematográfica do clássico da geração Beat Pé na estrada (On the road, no original) que o brasileiro Walter Salles”.

E explica: “Filmes como Terra estrangeira (1996), Central do Brasil (1998) e Diários de motocicleta (2004) pavimentaram seu interesse pela temática da estrada e suas paisagens tanto físicas quanto espirituais”.

O filme de Salles, não tem recebido criticas entusiasmadas, como sempre acontece com filmes adaptados de livros cultuados. Seu primeiro teste de público, porém, foi promissor: permaneceu entre as 10 melhores bilheterias da França durante três semanas.

Foto: Divulgação

No dia seguinte à exibição em Cannes, Walter Salles falou a jornalistas brasileiros e comentou sobre o projeto a qual dedicou oito anos. Confirmou a sua longa filiação aos road movies. “Passageiro: profissão repórter, de Michelangelo Antonioni, me levou ao cinema, assim como os primeiros filmes de Wim Wenders, como Alice nas cidades. Depois teve a revelação de Bye Bye Brasil, que foi o primeiro filme sobre identidade brasileira construída na estrada, que me marcou”, relembrou.

“Eu tenho a impressão que os filmes de estrada têm uma qualidade muito específica: eles querem dizer que a medida em que você se distancia do ponto de partida, entende-se melhor de onde você vem e quem você é. Eventualmente, até quem você pode vir a ser. Então, nesse sentido, você está sempre se confrontado com personagens em crises existenciais e que se redefinem ao longo da narrativa. Como instrumento cinematográfico é muito atraente”, continuou.

Ao realizar o documentário, antes do filme, Salles seguiu as pegadas de Jack Kerouac e sua trupe pelas estradas americanas.

Das andanças e conversas com sobreviventes da época, Walter fez descobertas que definiram a maneira como ele conta em imagens as viagens do trio formado por Sal Paradise (vivido por Sean Riley), Dean Moriarty (Garrett Hedlund) e Marylou (Kristen Stewart) – na vida real, o próprio Kerouac, o amigo Neal Cassady e sua mulher, a adolescente LuAnne Henderson, que se esbaldaram no jazz, nas drogas e no sexo livre, bem antes que este trinômio simbolizasse o máximo da liberdade para jovens de todo o mundo.

Foto: Divulgação

Sam Riley, no filme “Na Estrada“

“Quando estava fazendo o documentário, me deparei, em 2006, com uma cópia do manuscrito do Pé na estrada, que o irmão da última mulher de Kerouac tinha guardado e nos emprestou.

Descobrimos que o início do manuscrito era completamente diferente do início do livro. Ao invés de começar com o divórcio do personagem narrador, o Sal Paradise, o manuscrito tem início com a morte do pai dele. É essa morte que impele o personagem para ir em frente e isso conduz à questão da busca dos pais possíveis, abandonados ali à beira da estrada – ou desaparecidos –, uma das razões de ser da história”, contou Walter.

Antes da chegada do cineasta brasileiro ao projeto, financiado por produtores franceses, (o título francês do filme é “Sur la route” 0 que se associaram ao diretor e produtor americano Francis Ford Coppola, que detinha os direitos da adaptação desde 1979, "Na Estrada" (“On The Road”) foi considerado, por muitos anos, infilmável. No entanto, inúmeros roteiristas e cineastas chegaram a fazer adaptações do livro, como o próprio Coppola e o escritor Barry Gifford, que fez uma versão que seria dirigida por Gus Van Sant.

“Na verdade, há mais de 15 roteiros escritos desde 1950. Os primeiros roteiros terminavam, invariavelmente, com a morte de Dean Moriarty, que nunca foi um personagem assimilável pela cultura protestante americana. Uma das razões pelas quais o filme demorou tanto tempo para ser feito é o desconforto que esse personagem, politicamente incorreto, gerava”, considerou.

Foto: Divulgação

A atriz Kristen Stewart numa cena de “Na estrada”

Sobre a atriz Kristen Stewart, a Bella da saga Crepúsculo, Walter falou que ela sempre foi a primeira opção para interpretar Marylou. “Eu a vi pela primeira vez em Na natureza selvagem, de Sean Penn. Mas a indicação foi do compositor Gustavo Santaolalla, que viu o filme ainda na montagem.

No primeiro contato que fizemos, ela disse que “On the road” era seu livro de cabeceira – e tinha 16 anos, na época. Foi interessante ouvir isso, porque Kristen se revelou uma atriz que não recusa a possibilidade de pular sem paraquedas”, comentou o cineasta.

Fotos: Divulgação
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Cartazes do filme, um deles com a brasileira Alice Braga, que faz uma participação especial


A transparência de Sharapova

ESTADOS UNIDOS - RÚSSIA
A transparência de Sharapova
A rainhas das quadras de tenis roubou a cena no tapete vermelho, em Los Angeles, na entrega do na entrega do ESPY Awards. Fez um ace de sensualidade e elegância

Foto: Chris Pizzello/Invision/AP

A tenista russa Maria Sharapova, sucesso no tapete vermelho do Nokia Theatre, em Los Angeles

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Daily Mail, Revista Quem, Diário da Rússia, UOL Esporte, Site Oficial Sharapova

A tenista russa Maria Sharapova, 25 anos, atraiu olhares ao circular pelo tapete vermelho do ESPY Awards 2012, em Los Angeles, Califórnia, nesta quarta-feira (11), desfilando um diáfano vestido da coleção Resort 2013 de J.Mendel.

O vestido longo azul decotado e com direito à fenda e transparências, deixava visualizar as bens torneadas, e põe bem torneadas nisso, pernas da tenista.

Sharapova que no ano passado foi citada pela revista “Forbes” como a esportista mais bem paga do mundo, vai conduzir a bandeira da Rússia, no desfile de Abertura das Olimpíadas, no próximo dia 27 de julho em Londres.

Apesar dos resultados expressivos alcançados ao longo da carreira, a tenista ainda se prepara para estrear nos Jogos Olímpicos. Ela não conseguiu se classificar para a edição de Sydney-2004 e perdeu o evento de Pequim-2008 por uma séria lesão no ombro.

Líder do ranking mundial, Sharapova, recebeu, no último dia 11, em Los Angeles, o prêmio ESPY 2012 como a melhor atleta do ano.

No ano passado, Sharapova ganhou os torneios de Roma e Cincinnati, e chegou à final de Wimbledon, perdendo para Petra Kvitova, da República Tcheca.

Fotos: Getty Images
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Em 2012, entrou na seleta lista das 10 jogadoras que venceram as quatro principais competições da modalidade ao conquistar o torneio de Rolland Garros. As vitórias nos Abertos da Austrália dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França a colocou ao lado de nomes como Serena Williams, Martina Navratilova, Billie Jean King e Margaret Court.

Foto: Getty Images


12 de jul. de 2012

Por breve momento Humberto foi caçado por Demóstenes

BRASIL - Corrupção
Por breve momento,
Humberto foi caçado por Demóstenes
Por um instante o ex-senador Demóstenes, durante sua defesa, na tribuna do senado, pôs o seu algoz, Humberto Costa, numa situação muito desconfortável, quando falou do escândalo dos hemoderivados. Ao ouvir a palavra vampiro, Humberto quase se metamorfoseou. Foi um momento tenso. Humberto rebateu logo em seguida, mas ficou no ar aquele odor desagradável de dúvida, de coisa que tem que ser explicada. Foi um erro ter aceitado ser o relator desse processo. Fez o seu trabalho corretamente, mas os senadores não vão lhe perdoar. Ele ainda vai pagar caro por isso.

Foto: Marcello Casal Jr./ABr

HORA DA CAÇA - Demóstenes Torres lembrando durante sua defesa, das denúncias de superfaturamento, contra o relator Humberto Costa, na compra de remédios quando o petista era ministro da Saúde.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Congresso em Foco, G1, Procuradoria Geral da República, Agência Senado

Durante sua defesa o senador Demostenes Torres que passou o dia ouvindo tantas coisas desagradáveis ao seu respeito, resolveu pagar na mesma moeda ao relator do seu processo de cassação, o senador Pernambucano e candidato a prefeito do Recife, Humberto Costa.

Por um instante a caça virou caçador. Enquanto Demostenes falava do caso da Operação Vampiro, o pesadelo do pernambucano, a TV Senado, mostrava a fisionomia “emputecida” de Humberto.

Foram dois longos minutos. Parecia aquele discurso de Marco Antonio, no velório de Júlio Cesar, da peça de William Shakespeare. Demóstenes não atacava a honra de Humberto, mas expunha algumas cicatrizes incômodas, mal saradas, que Humberto preferia que nunca fossem mencionadas, e muito menos expostas, principalmente agora, em plena campanha eleitoral.

Assim falou Demóstenes:

Eu quero lembrar aqui para V. Exas. um processo absolutamente ruidoso que aconteceu com o Sr. Relator.

Em 2004, diz a Folha de S. Paulo:

A Operação Vampiro foi uma ação da Polícia Federal, desencadeada em maio de 2004, que levou à prisão empresários, lobistas e servidores acusados de manipular compras de medicamentos para o Ministério da Saúde, então chefiado por Humberto Costa. O alvo principal da quadrilha era a compra de hemoderivados, daí a inspiração para o nome.

Em 2006, a advogada, brilhantíssima, do Dr. Humberto Costa diz o seguinte, em outra matéria do jornal O Estado de S. Paulo:

A advogada do ex-Ministro Humberto Costa, Marília Fragoso, acusou ontem o Procurador da República Gustavo Peçanha de ter agido de má-fé e sem nenhuma lógica jurídica na denúncia contra o petista.

Vejam que eu não tenho nem denúncia contra mim.

Em entrevista por e-mail ao Estado [aí veio o Procurador], Peçanha destacou que Costa não foi denunciado porque Luiz Cláudio [que era alguém que trabalhava dentro do Ministério] também o foi, mas porque as provas nos autos indicaram a sua participação. Há diálogos interceptados mediante autorização judicial [vejam a semelhança com o meu caso]que demonstram o envolvimento de Humberto Costa com diversos membros da organização criminosa e sua adesão aos crimes cometidos pela quadrilha.

Então, vejam o que disseram a respeito do Senador Humberto Costa.

Segundo a advogada dele, Marília, o ex-Ministro vai provar a sua inocência na Justiça.

E, em 2010, o jornal O Globo:

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região absolveu, nesta quarta-feira, por unanimidade, o ex-Ministro da Saúde Humberto Costa das acusações de corrupção passiva e formação de quadrilha no escândalo da Máfia dos Vampiros, que desviou cerca de R$2 bilhões na compra de remédios superfaturados.

A decisão foi justificada por falta de provas.

O que eu quero de V. Exas. é o mesmo tratamento que foi dado ao Senador Humberto Costa. Ele provou que era um homem honrado. Ele provou que era um homem decente. Foi acusado. Foi grampeado. O grampo acusava que ele participava. O procurador disse isso. Eu quero esse direito. Por que a minha cabeça tem que rolar? Eu provei aqui várias vezes que sou inocente. Eu quero este direito, eu quero o direito do tempo; o direito que toda pessoa tem, o direito da ampla defesa e do contraditório. Por que me negaram o direito da perícia? Era o único direito que eu tinha.


Quando Demóstenes acabou a defesa, Humberto pediu a palavra e disse rebatendo:

— Em nenhum momento fui grampeado falando com bandido.

Demóstenes em seguida esclareceu que não estava criminalizando o companheiro, sua fala havia sido no sentido de que “gostaria de ter tido o mesmo tempo de defesa que teve Humberto”, a quem classificou de honesto e decente.

Foto: Pedro França/Agência Senado

VAMPIRO ? Eu ? - Humberto Costa, no limite, ouvindo Demóstenes falar de vampiros, parecia que a qualquer momento ia sair voando pelo plenário, na forma de morcego. Dava medo.

Humberto Costa foi inocentado pela justiça, ninguém pode lhe acusar pelos crimes da quadrilha dos vampiros, apesar de sua proximidade com os protagonistas e de ser ele, como ministro quem assinava a liberação das verbas destinadas a corrupção.

Apesar do Ministério Público ter retirado o nome e Humberto da denúncia “por falta de provas”, os inimigos políticos de Humberto, vão poder sempre insinuar que falta de provas, pode tanto pode representar uma inocência plena, como uma investigação mal feita, ou uma corrupção bem feita.

Humberto sempre diz, nestes momentos, clamando inocência, que a investigação foi pedida por ele. Isso é uma verdade parcial. A investigação já acontecia antes mesmo dele ser ministro e ele pode ter tomando conhecimento que ela já existia, quando esbarrou com algum investigador. A quadrilha estava aboletada dentro do ministério da saúde, antes do governo Lula, desde o governo Fernando Henrique, nos tempos em que José Serra era Ministro da pasta.

Mas com a assunção de Humberto, a corrupção ficou desvairada, descuidados, esfomeada e explodiu.

O fato do principal articulador da nova fase da quadrilha ser Luiz Cláudio Gomes da Silva, homem de confiança de Humberto Costa, que com ele já havia trabalhado na Prefeitura do Recife, credita o senador, pelo menos a pecha gestor incompetente e descuidado, por ter nomeado um corruto voraz para cuidar das licitações do ministério.

Demóstenes não usou, mais podia ter argumentado, que se Humberto quer ter o beneficio da dúvida, que não sabia das atividades pouco republicanas do seu assessor, poderia dá esse mesmo crédito para ele, que afirma não saber dos mal feitos de Carlinhos Cachoeira.

Acreditamos que o assessor de Humberto, não roubava para o chefe, devia estar pegando grana naquele esquema de financiamento de campanhas. Isso tem acontecido amiúde nas administrações petista. Também, como sempre acontece nesses casos, os corruptos "autorizados" acabam pegando um pouco para si, pois não prestam contas para ninguém, não passam recibo, e sentem-se merecedores "de algum", pelos riscos que são obrigados a correr.

Pelo que se sabe da biografia de Humberto não se pode dizer que ele é corrupto, não há provas.

Pode-se creditar uma vista grossa, um “não quero nem saber disso”.

O fato é que Humberto Costa fez um excelente trabalho como acusador de Demóstenes. Foi irrepreensível. Fez o politicamente correto. Mas, embora bem intencionado, vai pagar caro por isso. Os senadores não vão perdoar sua eficiência de inquisidor.

O congresso abomina quem massacra os companheiros, mesmo que seja uma missão, como foi o caso de senador Humberto.

Há quem condicione a cassação de Demostenes, a impiedade do goiano, para com os pares pegos em desvios. Foi cruel com Renan Calheiros, com Sarney e com tantos quando imaginou estar em desvio de conduta, além, é claro, de ter sempre a mira apontada contra a testa de Lula.

Lembrar que o Senado não é um local exatamente povoado por pessoas de consciência tranquila. Todos ficarão olhando Humberto, de agora em diante, como um potencial carrasco, um inimigo à espreita. Os poucos amigos de Demostenes, não gostam de Humberto, os muitos e poderosos inimigos, o temem.

Humberto, quando voltar para o senado, após as eleições de prefeito, vai encontrar um clima pesado.

Podem ficar certo, que na hipótese dele ser julgado no Senado, por qualquer coisa - pelo escândalo dos Vampiros, por exemplo, que pode ser desenterrado - seria imolado, sem piedade, mesmo que não merecesse, mesmo que não houvesse “provas suficientes”.


"A aula de gestão do trem-bala" por Elio Gaspari

OPINIÃO
A aula de gestão do trem-bala
”Em 2006 “Juquinha” anunciou que o projeto executivo estava pronto, a obra custaria US$ 9 bilhões, a Viúva não colocaria um ceitil e o trem rodaria antes da Copa de 2014. A doutora Dilma Rousseff, que então estava na chefia do Gabinete Civil, encantou-se com a proposta e incluiu-a no PAC. O presidente Lula anexou-a ao Programa Nacional de Desestatização, informando que o trem seria licitado em 2008. Tudo lorota”

Foto:Blog Restos de Colecção

Locomotiva a vapor nº 801 fabricada por Henschel & Sohn, 1930

Postado por Toinho de Passira
Texto de Elio Gaspari
Fonte: Blog do Noblat

No mesmo dia em que a Polícia Federal pôs na cadeia José Francisco das Neves, o “Doutor Juquinha”, ex-presidente da Valec, o governo anunciou a retomada do projeto do trem-bala com a abertura de uma licitação internacional para a elaboração do projeto executivo da obra. Foi uma trapaça do acaso, talvez um mau presságio.

“Doutor Juquinha” foi o comissário das ferrovias públicas, presidindo a Valec de 2003 a 2011. No seu mandarinato prosperou a ideia de um trem que ligaria o Rio a São Paulo e sua trajetória é uma aula para o conhecimento da leviandade e da inépcia que acompanham os projetos de infraestrutura do governo federal.

Em 2006 “Juquinha” anunciou que o projeto executivo estava pronto, a obra custaria US$ 9 bilhões, a Viúva não colocaria um ceitil e o trem rodaria antes da Copa de 2014.

A doutora Dilma Rousseff, que então estava na chefia do Gabinete Civil, encantou-se com a proposta e incluiu-a no PAC. O presidente Lula anexou-a ao Programa Nacional de Desestatização, informando que o trem seria licitado em 2008.

Tudo lorota. Não havia projeto executivo e o consórcio italiano que alavancava a marquetagem inventara uma demanda de 32 milhões de passageiros/ano. O trem do Doutor Juquinha seria o único do mundo a percorrer uma distância como a do Rio a São Paulo (430 km.) sem uma única parada.

O Tribunal de Contas acendeu o sinal de perigo e o projeto foi da Valec para o BNDES. Lá, o consórcio foi desmascarado e posto para fora.

O Doutor Juquinha só foi demitido da Valec no ano passado, sem que se discutisse sua gestão. Agora o Ministério Público confiscou-lhe quinze imóveis, parte de uma fortuna de R$ 60 milhões, uma acumulação de alta velocidade, pois em 1998 declarava um patrimônio de R$ 560 mil.

O trem-bala é uma atração do parque de diversões do governo. A cada ano anuncia-se uma nova data para a licitação e a cada ano surge um novo preço. As grandes empreiteiras nacionais têm mais medo desse trem da doutora Dilma do que de CPI. Fracassaram dois leilões e o projeto continua enfeitando as contas do PAC, agora com um custo estimado em US$ 21 bilhões.

A única coisa que andou foi o processo do consórcio italiano que cobra ao governo brasileiro uma indenização de US$ 290 milhões. Aquilo que seria uma obra inteiramente privada tornou-se um projeto público, com a Viúva desembolsando boa parte do investimento.

Não há trem e não há projeto, mas já há uma empresa estatal para cuidar do assunto, a Etav. Tudo indica que será presidida pelo doutor Bernardo Figueiredo, diretor administrativo e financeiro da Valec do “Doutor Juquinha” até 2005 e diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres a partir de 2008, na fase 2.0 do trem-bala.

Pelas previsões de hoje, o projeto executivo ficará pronto no ano que vem. É improvável que a obra seja licitada antes de 2014.

O comissariado anunciou que contratará um projeto executivo de engenharia com a naturalidade de quem troca uma sandália. Durante cinco anos vendeu-se para a patuleia um trem que percorreria 518 quilômetros, do Rio a Campinas, atravessando 103 quilômetros de túneis (duas vezes a extensão do “Chunnel”, que liga a Inglaterra à França), e agora vai se começar do zero? É isso mesmo.


*Acrescentamos subtítulo e foto a publicação original

11 de jul. de 2012

VEJA: “A república da cocaína”

BOLÍVIA
VEJA: “A república da cocaína”
Um relatório policial revela o encontro de um traficante brasileiro com o número 2 do governo boliviano e uma ex-miss Bolívia ligada ao governo de Evo Morales

Foto: Veja

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja - 09/07/2012, El Diario, La Razon, Reportero 24, Portal Terra

O presidente da Bolívia, Evo Morales, orgulha-se de ser um incentivador das plantações de coca, a matéria-prima de mais da metade da cocaína e do crack consumidos no Brasil, sob o argumento de que as folhas servem para produzir chás e remédios tradicionais.

Apenas um terço da coca plantada em seu país, contudo, atende a essa demanda inofensiva, segundo estimativa das Nações Unidas. O restante abastece o narcotráfico e, como consequência, contribui para corroer a vida de quase 1 milhão de brasileiros e de suas famílias.

Agora, surgem evidências de que a cumplicidade do governo boliviano com o narcotráfico vai além da simples defesa dos cocaleros, os plantadores de coca. VEJA teve acesso a relatórios produzidos por uma unidade de inteligência da polícia boliviana que revelam, entre outros fatos, uma conexão direta entre o homem de confiança de Evo Morales, o ministro da Presidência Juan Ramón Quintana, e um traficante brasileiro que atualmente cumpre pena na penitenciária de segurança máxima em Catanduvas, no Paraná.

Maximiliano Dorado Munhoz Filho, o traficante brasileiro, que segundo Veja, recebeu secretamente autoridades bolivianas
Um dos documentos, intitulado Apreensão de Fugitivo Internacional e assinado com o codinome Carlos, descreve como os agentes bolivianos identificaram a casa do brasileiro Maximiliano Dorado Munhoz Filho, em 2010.

Max, como é chamado, e sua gangue possuíam fazendas em Guajará-Mirim e em outras oito cidades de Rondônia, onde recolhiam a droga arremessada por aviões bolivianos. Por mês, o bando de Max interceptava 500 quilos de cocaína, que depois eram levados para São Paulo e Rio de Janeiro.

O traficante fugira da cadeia de Urso Branco, em Rondônia, em 2001, e suspeitava-se que estivesse escondido na Bolívia. De fato, ele mantinha um imóvel na Rua Chiribital, esquina com Pachiuba, em um bairro nobre de Santa Cruz de la Sierra. No dia 18 de novembro de 2010, às 2 da tarde, os policiais que vigiavam o imóvel presenciaram uma cena bombástica. Quintana, hoje o segundo homem mais poderoso da República, apareceu na companhia de Jéssica Jordan, de 28 anos, famosa no país por ter sido eleita miss Bolívia apenas quatro anos antes.

Ambos tinham, então, cargos de confiança em órgãos estatais. Quintana era diretor da Agência para o Desenvolvimento das Macrorregiões e Zonas Fronteiriças. Jéssica, cinco meses antes, fora indicada pelo vice-presidente Álvaro Garcia Linera para o posto de diretora regional de Desenvolvimento no estado de Beni, departamento que faz fronteira com Rondônia e por onde entra no Brasil boa parte da droga boliviana. Quintana e Jéssica entraram na casa de Max de mãos vazias e saíram de lá vinte minutos depois com duas maletas 007. Não se sabe o que havia nelas.

O poderoso ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, visto, segundo relatórios da polícia boliviana, visitando o traficante brasileiro
Dois meses depois do encontro com os integrantes do governo de Morales, Max foi detido em uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira com alguns membros escolhidos a dedo no serviço de inteligência boliviano e levado ao Brasil.

Quintana, por sua vez, foi nomeado por Evo Morales no ano seguinte para comandar a Pasta da Presidência, o equivalente à Casa Civil brasileira, posto que ele já havia ocupado entre 2006 e 2009. O relatório do agente Carlos sobre o encontro entre os membros do governo e o traficante brasileiro faz parte de uma série de documentos vazados para a imprensa boliviana e americana por um político do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales. Para o autor do vazamento, o governo não cumpriu a promessa de melhorar a vida dos pobres e indígenas da Bolívia. Evo Morales venceu duas eleições presidenciais propagando-se como um candidato defensor dos índios. A maioria deles, porém, está insatisfeita.

Desde que Morales tomou posse, houve um aumento de 22% na área de cultivo de coca no país. Enquanto a Colômbia, que nos anos 80 cultivava e refinava 90% da cocaína consumida no mundo, combateu os cartéis e reduziu a produção, a Bolívia e o Peru viram sua participação nesse mercado crescer. Hoje, respondem por metade das drogas derivadas das folhas de coca.

Fábricas de cocaína, que até então não existiam na Bolívia, começaram a aparecer às centenas. Cartéis colombianos, mexicanos e o PCC brasileiro operam no país. Ao verem o crescimento do crime organizado e as portas da política fechadas para seus representantes, indígenas e sindicalistas passaram a criticar abertamente Morales.

No mês passado, policiais entraram em greve por melhores salários. Há duas semanas, uma nova marcha de índios chegou a La Paz para impedir a construção de uma estrada em um parque ecológico indígena, o Isiboro Sécure. O projeto, que liga “dois povoados sem povo”, segundo os bolivianos, visa a abrir uma nova fronteira para a plantação de coca, pois a produtividade na região vizinha do Chapare, o principal reduto de Morales e onde 90% das folhas viram droga, está em queda.

Jéssica Jordan , ex- miss Bolivia, mulher de confiança de Evo Morales, saiu com uma valise, que não havia levado, do encontro com o traficante brasileiro.
Quintana — olha ele aí de novo - não se cansa de atacar os índios contrários à estrada, ao mesmo tempo em que defende os cocaleros. Ex-militar, ex-araponga que recebeu treinamento americano e ex-assessor do ministro da Defesa do presidente Hugo Banzer (1997-2001), Quintana também é o autor de algumas das declarações mais antiamericanas do governo Morales.

Atribui-se a ele a ideia, acatada por Morales, de expulsar do país os agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), o órgão americano de combate ao narcotráfico que pagava a gasolina e parte do salário dos policiais bolivianos do setor de entorpecentes.

Não é de estranhar que essa medida tenha saído da cabeça do homem que divide com o vice-presidente Álvaro Garcia Linera a tarefa de administrar as relações do governo boliviano com o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os relatórios que revelam os laços comprometedores do governo boliviano com traficantes foram feitos por agentes simpáticos a Morales, estupefatos com a incapacidade do presidente de perceber a podridão à sua volta.

“Os esforços que faz nosso amigo irmão Evo para erradicar a corrupção caem em um saco furado, e isso pode ser usado pela oposição para manchar a sua honra’’, elucubra um policial de codinome Confúcio.

Um dos documentos revela que Raúl Garcia, pai do vice-presidente Linera, era viciado em cocaína e teria influenciado na escolha do diretor da alfândega do aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, por onde sai boa parte da droga com destino ao Brasil. “Alguns narcotraficantes colombianos que asseguram ter dado um apartamento em Santa Cruz ao pai do vice-presidente em troca de proteção para que saiam alguns aviões de Santa Cruz dizem ter provas disso”, afirma-se em um dos relatórios confidenciais.

Raúl Garcia morreu de infarto no ano passado. "A crescente atuação dos narcotraficantes brasileiros na Bolívia foi facilitada por inúmeros fatores, entre os quais possibilidade de negociar com membros do governo”, diz Douglas Farah, especialista americano em tráfico de armas e drogas que está analisando todos os documentos confidenciais vazados pelo político do MAS.

Não há dados, até momento, que ajudem a esclarecer se Evo Morales está apenas mal-acompanhado ou se tem participação direta em negócios de seu governo com o narcotráfico. No mínimo, ele finge não haver nada de errado. Nenhuma investigação foi aberta depois que a oposição levou ao governo os documentos comprometedores. Em vez disso, tenta-se punir os mensageiros.

O senador Roger Pinto, por exemplo, que em março de 2011 teve ousadia de levar ao Palácio Quemado uma cópia do relatório sobre o encontro de Quintana e Max, entre outros papéis com denúncias, foi acusado de corrupção por Morales e acabou recebendo asilo político na Embaixada do Brasil em La Paz, há um mês. Até sexta-feira passada, ele não havia recebido salvo-conduto do governo boliviano para embarcar em um avião com destino ao Brasil.


REPERCUSSÃO

Foto: Associated Press

Mulheres bolivianas comemorando a safra de folha de coca durante o chamado "Dia Nacional de folha de coca para mascar" em La Paz, Bolívia.

A reportagem da Veja repercutiu fortemente na imprensa boliviana. O governo de Evo Morales quer transformar a história em ofensa ao povo boliviano.

Segundo a maioria das publicações o novo embaixador da Bolívia, no Brasil, nesta quarta-feira, o político socialista Jerjes Justiniano, vem com a missão de exigir uma retratação da revista "Veja" por, segundo ele, "difamou" funcionários do governo do presidente Evo Morales. Caso a publicação brasileira não o faço será acionada judicialmente.

"É uma responsabilidade que tenho que assumir imediatamente, porque estão envolvidos funcionários do Estado. O que a "Veja" fez, através de seu título e em seu artigo, é uma agressão ao Estado boliviano", declarou Justiniano, que substitui o jornalista José Alberto González.

Justiniano afirmou que demonstrará que a matéria intitulada "A República da cocaína" é "uma mentira grosseira" que tem como único interesse fazer dano ao Estado boliviano e ao governo Morales.

O político também disse que mostrará às autoridades brasileiras e à revista provas de que nunca aconteceu tal reunião, por isso pedirá uma retratação ou iniciará uma ação judicial.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, o principal acusado na reportagem da Veja, foi quem apresentou hoje, Justiniano, como novo embaixador do Brasil. Na ocasião negou veementemente as acusações contidas na revista Veja.

O que se comenta nos meios jornalísticos brasileiros, é a que a Veja, publicou apenas uma pequena amostra do material explosivo que possui dessa relação cocaína, governo boliviano. Esperemos os próximos capítulos.


ligações perigosas: (Clique na imagem para ampliar)


Demostenes Torres não é mais senador

BRASIL – Corrupção
Demostenes Torres não é mais senador
Os senadores cassaram Demóstenes. Bastavam 41 votos para sua condenação, o painel eletrônico do senado indicou que 56 companheiros votaram pelo seu afastamento definitivo do parlamento. 15 a mais do que o necessário. 19 votaram ao se favor, e cinco se abstiveram de votar. Agora ele só poderá se candidatar de novo após o ano de 2027.

Foto: Antônio Cruz/ABr

O ex-senador Demostenes Torres deixando o plenário do senado acompanhado do seu advogado

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Agencia Senado, BBC Brasil, Agência Brasil

A carreira política de Demóstenes Torres no Senado chegou ao fim às 13h24 desta quarta-feira (11), depois de 103 dias de agonia iniciados pela representação do PSOL no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Numa sessão histórica, o projeto de resolução (PRS) 22/12, determinando a cassação do senador, foi aprovado pela esmagadora maioria de 56 senadores. Outros 19 foram contrários a cassação e se registraram cinco abstenções.

Com a perda do mandato, Demóstenes fica inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato para o qual havia sido eleito. Ou seja, só poderá concorrer a um cargo político em 2028, visto que seu mandato se encerraria em fevereiro de 2019 e não há eleições previstas para outubro de 2027, seguindo-se o calendário atual.

No lugar dele, assumirá o mandato de senador o primeiro suplente de Demóstenes, Wilder Pedro de Morais, que é ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Acusado de envolvimento com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, atualmente preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, Demóstenes tornou-se o segundo senador cassado nos 186 anos na história do Senado brasileiro. O primeiro foi Luiz Estevão (PMDB-DF), em junho de 2000, por ter mentido ao Senado sobre seu envolvimento no desvio de verbas na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT).

Uma das acusações contra Demóstenes também é a de ter faltado com a verdade a seus pares em discurso no dia 6 de março deste ano, quando negou qualquer ligação com Cachoeira, além de uma antiga amizade, e de nunca ter defendido interesses do negócio dos jogos ilegais. Cachoeira é apontado em relatórios da Polícia Federal como chefe de um esquema de corrupção, tráfico de influência, escutas ilegais e operação de máquinas caça-níqueis.

O fim do mandato de Demóstenes Torres foi anunciado às 13h24 pelo presidente José Sarney (PMDB-AP), diante de um Plenário cheio, com 80 senadores, e de galerias lotadas de populares. Assim que o resultado foi divulgado pelo painel do Senado, Demóstenes não esperou a proclamação pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) retirou-se rapidamente, e em silêncio, na companhia de seu advogado, pelo elevador privativo, até a chapelaria, onde um carro os aguardava.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Humberto Costa acusando Demostenes

O primeiro a falar na sessão foi o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ele resumiu o relatório que havia feito no Conselho de Ética, destacando as 97 ligações interceptadas pela Polícia Federal num aparelho Nextel entregue a Demóstenes por Cachoeira, e 40 encontros entre os dois, no período de março a agosto de 2011.

Para Humberto, é muito difícil acreditar que Demóstenes não sabia das atividades ocultas de Cachoeira:

– Um ex-secretário estadual de segurança pública, ex-chefe do Ministério Público, ex-integrante do CPI dos Bingos, que indiciou Cachoeira por seis crimes, entre eles corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Como não saber de suas atividades criminosas? Que amigo é esse que não procura saber como o outro se houve numa CPI de conhecimento de todo o Brasil? Perdoe-me, mas vossa excelência faltou com a verdade – afirmou.

Ainda na opinião de Humberto Costa, Demóstenes Torres defendeu interesses de Cachoeira em vários órgãos e entidades, entre os quais Anvisa, Ibama, Dnit, Infraero, Receita Federal, governo de Goiás e prefeituras. E o mais grave: ajudou a proteger o contraventor, vazando informações sobre operação policial, conforme gravação interceptada pela Polícia Federal.

Os presentes recebidos pelo parlamentar goiano também foram destacados, assim como o pagamento da conta do Nextel.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), líder do partido responsável pela representação contra Demóstenes, chamou atenção para o fato de que a República é o regime da coisa pública e do bem comum, portanto, ser republicano exige ética.

– Conduta moral e decoro não são favores à sociedade. São o dever-ser do parlamentar, o comportamento exigido de quem se dispõe à função pública – discursou.

Ao avaliar aspectos legais do processo, sem entrar no mérito da questão, o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), disse que ficou comprovado que “Demóstenes adotou conduta incompatível com o decoro, ferindo de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe a parlamentares”.

– Os fundamentos bem alinhavados demonstram a correta punição de perda de mandato. Também foram respeitados os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. O representado foi devidamente assistido por advogado e teve acesso a todas as provas e foi avisado de todos os atos processuais, portanto a decisão do Conselho de Ética foi corretamente fundamentada, e ficou claro o cumprimento da Constituição, do Regimento Interno e do Código de Ética desta casa – opinou.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Demostenes, pela última vez usando a tribuna do senado, como senador, para se defender.

DEFESA

Demóstenes Torres teve 30 minutos para se defender. Em seu discurso, ele disse ter sido prejulgado pela imprensa, que o perseguiu como um “cão sarmento” e agora lhe deve um pedido de desculpa.

Apelando para a emoção, disse ser terrível ser julgado pelo clamor público e comparou a sua situação à de Jesus, diante de populares querendo a crucificação.

– Deixem-me ser julgado pelo Judiciário. Deixem-me ser julgado pelo povo de meu estado. Dêem-me o direito que foi dado a tantos outros de fazer a minha defesa. Quero o mesmo tratamento que foi dado a Humberto Costa. Por que a minha cabeça tem que rolar? – apelou, referindo-se ao processo respondido por Costa quando era ministro da Saúde por superfaturamento na compra de remédios. A história da gang dos vampiros da qual Humberto foi absolvido em 2010 pelo Judiciário por falta de provas.

Em relação ao Nextel, Demóstenes alertou para a existência de 250 mil horas de gravações, que, em nenhum momento registram a voz dele “pedindo dinheiro”.

– Mais de três anos de grampo. O que existe contra mim? Nada, nada, nada!.

Demóstenes disse também que jamais mentiu e desafiou os colegas a apontar uma única vez em que ele bateu no gabinete de alguém para pedir favores a Cachoeira ou a qualquer integrante do grupo criminoso.

O senador encerrou a defesa dizendo ser um bode expiatório que vai ser pego para não ficar mal para a imagem do Senado.

– Um senador com patrimônio ridículo: um imóvel financiado, carro do ano de 2010 e 20% de uma faculdade no interior de Minas que nunca me rendeu um centavo sequer. O que pega mal é punir um inocente. Não existe nenhuma prova contra mim – afirmou. Chorando, disse ainda que não renunciou porque deveria dar explicações à família.

– Quem cassa senador é senador e não a imprensa. Não acabem com a minha vida! – finalizou.

Noblat, que tinha Demostenes como um dos colaboradores do seu Blog lembra que Demóstenes perdeu o direito a fórum especial. Antes só poderia ser investigado mediante autorização do Supremo Tribunal Federal. E somente pelo Supremo poderia ser processado.

”Agora está entregue aos cuidados da Justiça comum.” – diz Noblat e complementa:
“Corre o risco de ser preso por ordem de um juiz de primeira instância. Existem no país 13 mil desses juízes”.


FHC recebeu premio da Biblioteca do Congresso americano

BRASIL – ESTADOS UNIDOS
FHC recebeu premio da Biblioteca do Congresso americano
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu nesta terça-feira o prêmio John W. Kluge, concedido a intelectuais da área de Ciências Humanas, em cerimônia realizada na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington. FHC é o primeiro latino-americano a receber o prêmio e foi escolhido em consulta a cerca de 3 mil intelectuais e homens públicos. Quando a premiação foi anunciada, em maio, a instituição destacou a trajetória do ex-presidente como sociólogo, da academia para a política.

Fotos: Associated Press

O ex-presidente recebendo a medalha do “Prêmio Kluge” das mão do Diretor da Biblioteca do Congresso americano, o bibliotecário James H. Billington


A medalha do Premio Kluge, ortogada a Fernando Henrique

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, Portal Terra, BBC Brasil, Instituto Fernando Henrique Cardoso, Times, Library of Congress

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) recebe terça-feira (10), em Washington, o Prêmio John W. Kluge, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. O prêmio, cuja escolha é feita após consulta a 3 mil intelectuais e personalidades públicas em todo o mundo, foi anunciado em maio e tem o valor de US$ 1 milhão.

Fernando Henrique é o oitavo ganhador do prêmio, concedido desde 2003 a pensadores da área de humanidades. Sociólogo, ele é o primeiro intelectual latino-americano a ser homenageado.

Segundo o site da Biblioteca do Congresso americano, em sua carreira, Fernando Henrique envolveu-se com questões variadas desde as relações raciais (como no livro de 1962, Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional: o Negro na Sociedade Escravocrata do Rio Grande do Sul) até a dependência econômica e integração da economia global (como em seu livro mais conhecido, Dependência e Desenvolvimento na América Latina, escrito em 1969 com Enzo Faletto).

No comunicado sobre o prêmio, a Biblioteca do Congresso traça uma linha entre a trajetória acadêmica e a carreira política de Fernando Henrique: “Talvez a maior prova de sua realização intelectual é que seus sucessores continuaram muitas das suas políticas e asseguraram seu legado como um dos maiores líderes do Brasil”.

Autor de mais de 20 livros e uma centena de artigos, Fernando Henrique Cardoso tem hoje 81 anos e escreve periodicamente em jornais de circulação nacional no Brasil. Ele é integrante do Conselho Curador da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso e presidente de honra do Diretório Nacional do PSDB, partido que ajudou a fundar na década de 1980, na época da Constituinte.

Para os organizadores do prêmio, a teoria de FHC ajudou a mostrar que os países periféricos "podem fazer escolhas inteligentes e estratégicas" para promover modernização e desenvolvimento, mesmo estando em desvantagens em relação às nações industrializadas.

Na prática, afirmou FHC, as políticas do seu governo integraram o Brasil no sistema capitalista internacional de forma a "assentar as bases para a ascensão (do país) à proeminência mundial".

Agradecendo o prêmio, FHC disse que o prêmio "não se deve só a mim", mas a este avanço do Brasil. "Passamos a ser uma fonte de interesse global e portanto alguém que escreve sobre o Brasil e é brasileiro se qualifica para receber esse prêmio", disse.

O ex-ocupante do Planalto disse que "não são os presidentes" os responsáveis pela continuidade no avanço de uma sociedade como o Brasil.

"É o povo, é o processo democrático, é a sociedade brasileira que está evoluindo. Não foi um presidente que fez a democracia ou a Constituição. Foram as lutas, as Diretas Já, as greves, a briga na Constituinte, o sentimento de que era necessário crescer", disse.

"O presidente está lá. Às vezes ele atrapalha, às vezes ele acelera (o avanço). Eu acho que eu acelerei."

A jornalista Eva Rodriguez, no preambulo da entrevista de FHC ao Washinton Post, diz: “Fernando Henrique Cardoso tornou-se o mais alta mandatário do seu pais, em meados da década de 1990. Com formação de sociólogo, Cardoso é creditado por muitos como o construtor das fundações que fizeram do Brasil um dos maiores economias e de mais rápido crescimento no mundo.

Foto: Associated Press

Fernando Henrique: “...não são os presidentes" os responsáveis pela continuidade no avanço de uma sociedade como o Brasil.

"É o povo, é o processo democrático, é a sociedade brasileira que está evoluindo.

Não foi um presidente que fez a democracia ou a Constituição. Foram as lutas, as Diretas Já, as greves, a briga na Constituinte, o sentimento de que era necessário crescer."
"O presidente está lá. Às vezes ele atrapalha, às vezes ele acelera (o avanço). Eu acho que eu acelerei."

10 de jul. de 2012

Demostenes pode ser cassado amanhã! Ou não!?

BRASIL – Corrupção
Demóstenes pode ser cassado amanhã! Ou não!?
Se 41 senadores disser sim, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) deixará de ser senador nesta quarta-feira, por falta de decoro parlamentar. Reconhecido e cultuado como intransigente defensor da ética política, estarreceu o país, quando se descobriu que era uma fraude. Sua promíscua associação criminosa com bandido Carlinhos Cachoeira é mais de que um suficiente motivo para ser cassado e banido da vida pública brasileira. Suas chances de escapar são mínimas, mas, não totalmente improváveis.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Caso seja cassado, Demóstenes Torres terá seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do fim de seu mandato parlamentar, que acabaria somente em 2019. Neste caso, ele só poderá se candidatar novamente a partir de 2027, quando terá 66 anos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Revista Época, Folha de S. Paulo, O Globo , Estadão, Agencia Senado,

Está marcada para às 10h desta quarta-feira (11) sessão do Plenário do Senado destinada a apreciar o Projeto de Resolução 22/2012, propondo a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

O projeto foi aprovado no Conselho de Ética Decoro Parlamentar, que entendeu que Demóstenes feriu o decoro parlamentar ao manter estreitas relações com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro sob a acusação de crimes como exploração de jogos ilegais e corrupção.

Gravações feitas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo mostram grande proximidade do senador com o contraventor Cachoeira. O bandido pagava inclusive a conta de um aparelho Nextel para Demóstenes, pois achava que esse tipo de telefonia não podia ser grampeada pela Polícia Federal (estava enganado). A carreira política de Demóstenes era manipulada por Cachoeira, que queria ampliar seus negócios e se aproximar da presidente Dilma Rousseff.

Todos os Senadores poderão usar a tribuna do Senado, para opinarem durante a sessão de julgamento.

Na abertura, o relator do processo no Conselho de Ética, senador Humberto Costa (PT-PE), e o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Pedro Taques (PDT-MT), apresentarão seus pareceres por 20 minutos cada, tempo que poderá ser prorrogado por mais 10 minutos.

Em seguida, concedida a palavra para os líderes de bancada e de partido e por fim os outros senadores que queiram se manifestar, pelo tempo máximo de 10 minutos.

Encerrada a discussão, falará por 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, o senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL, partido que ingressou com representação contra o senador goiano. O último a falar será o senador Demóstenes ou seu defensor, que também terá 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, para se pronunciar. Se os dois decidirem usar a palavra, o tempo será duplicado (20 minutos para cada). Só então, será iniciada a votação.

Segundo informou o líder do PT no Senado, senador Walter Pinheiro (PT-BA), as galerias serão abertas ao público, mas mediante a distribuição de senhas, que serão partilhadas entre os partidos políticos com representação na Casa. A prática, esclareceu, costuma ser adotada em todas as votações importantes no Senado.

O líder do PT destacou ainda que a votação será secreta, uma vez que não houve mudanças no rito de tramitação do processo disciplinar no Congresso. Os senadores não poderão divulgar, em Plenário, qual foi o seu voto, sob o risco de comprometer a legitimidade do processo. As declarações só poderão ser dadas do lado do fora do Plenário.

Ao iniciar a sessão no Plenário, por determinação do presidente José Sarney, as reuniões de comissões em andamento na Casa serão suspensas.

A última vez que o Plenário decidiu processo disciplinar em que esteve em jogo um mandato parlamentar foi em 2007, quando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido pelos colegas. O rito do julgamento foi semelhante ao adotado no caso de Demóstenes.

Até agora, o único senador cassado pela Casa foi Luiz Estevão, do Distrito Federal, em 2000. Ele foi acusado de envolvimento no desvio de verbas na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

Segundo informações de bastidores, a situação não é positiva para Demóstenes. A votação deve acontecer com o plenário cheio, e a maioria dos senadores não quer assumir o desgaste político perante a opinião pública ao absolver o parlamentar.

O jornal “Folha de S. Paulo” fez uma enquete com 76 dos 81 senadores, perguntando como eles votariam: 52 disseram que votariam pela cassação e 24 não quiseram responder. Ninguém admitiu votar pela absolvição.

Ainda assim, de acordo com o jornal “O Globo”, setores de pelo menos cinco partidos - PMDB, PTB, PR, PP e PSDB - estariam dispostos a votar pela absolvição de Demóstenes. Esses senadores consideram que a perda do mandato é uma punição rigorosa demais, e alguns senadores estariam preocupados em criar um precedente. Além disso, segundo as lideranças do Senado, alguns parlamentares que optaram pela cassação no Conselho de Ética, onde o voto é aberto, podem mudar de opinião no plenário, com voto secreto.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Para se defender das acusações, Demóstenes preparou uma série de discursos políticos no Plenário do Senado. Sua principal tese é a de que a Polícia Federal editou e manipulou as conversas telefônicas para incriminá-lo e destruir sua reputação. Demóstenes pediu desculpas aos demais senadores, disse que é vítima de uma "máquina de moer reputação", que vive só de salário e quase não tem patrimônio. No sétimo e último discurso, antes do julgamento, o senador afirmou que chega ao julgamento com a "cabeça erguida", convicto de que será absolvido.

"Não há um cálculo preciso, mas estima-se que a campanha de demolição da minha honra tenha produzido até agora 3 milhões de textos dos mais diversos tamanhos e graus de agressividade", disse. "Mas eu resisti e chego à véspera da votação com a cabeça erguida e a convicção de que a verdade prevalecerá".

Que verdade?


COLOMBIA: No fogo cruzado vilarejo pede cessar fogo a Farc

COLOMBIA
No fogo cruzado vilarejo pede cessar fogo a Farc
A pequena localidade de Toribío no Departamento de Cacua, sudoeste da Colômbia, cansada e amedronta, vivendo debaixo de uma chuva de balas e explosivos, de confrontos entre as Forças Armadas colombianas e os guerrilheiros da FARC, fizeram acordo de cessar fogo com os guerrilheiros e protestaram quanto a permanência do exercito regular em seu território

Foto: Getty Images

Soldado colombiano patrulhando nas ruas de Toribío

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BC Brasil, Semana, El Nuevo Siglo, El Espectador, El Tiempo

Depois de aguentar quase 72 horas de confrontos entre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e tropas do Exército colombiano, a população civil do município de Toribío, no Departamento de Cauca decidiu procurar os líderes da guerrilha para pedir um cessar-fogo.

No último domingo, líderes indígenas, camponeses e a população urbana da cidade de pouco mais de 26 mil habitantes falaram diretamente com as Farc.

De acordo com a contagem oficial, os ataques que começaram na sexta-feira deixaram cinco feridos, embora a população contabilize ao menos 13.

Entre os atingidos estão funcionários de uma missão médica que trabalhavam em um centro de saúde, alvo de um explosivo lançado por guerrilheiros baseados nas montanhas.

Além disso, pelo menos dez casas foram atingidas e 600 pessoas foram deslocadas por conta da ofensiva.

O líder indígena Gabriel Pavi contou à BBC Brasil que, apesar da presença do Exército na região, a situação estava incontrolável.

Segundo Pavi, no começo da tarde do domingo a comunidade se dividiu em quatro comitivas que caminharam a diferentes áreas rurais para falar com as Farc.

"Cada grupo levou entre uma e duas horas até chegar aos guerrilheiros. Nós conversamos com eles e exigimos que parassem de lançar bombas contra a cidade", explicou.

De acordo com o Pavi, a "missão civil" foi concluída com sucesso e, por volta de seis horas da tarde de domingo, os ataques cessaram.

Além de ir atrás da guerrilha, a população local também protestou contra os militares. Nesta segunda-feira, um grupo de indígenas destruiu trincheiras usadas pelos militares para se proteger das investidas da guerrilha.

O prefeito da cidade, Ezequiel Vitonás, deixou transparecer em entrevistas a rádios e jornais colombianos que a situação ainda é delicada.

Ele contabiliza que a região foi atacada mais de 450 vezes pela guerrilha nos últimos dez anos.

Foto: Captura de Video/El Pais.com>


Civis colombianos decidiram destruir as trincheiras do exército, para forçar os militares a deixarem a região. O presidente Juan Manuel Santos vai até o lugarejo na próxima semana para se reunir com a população

Um dos maiores ataques ocorreu há exatamente um ano, quando as Farc instalaram em uma "chiva" (microônibus típico da região) explosivos que destruíram uma delegacia e afetaram 400 casas. Nesse incidente, três pessoas morreram e 70 ficaram feridas.

Os militares negam que haja falta de controle por parte do Estado. Para o Exército, as Farc estariam usando o lançamento de explosivos como estratégia para "despistar" o deslocamento de suas tropas no sul do país.

Em meio à crise, o presidente Juan Manuel Santos convocou uma reunião emergencial do Conselho de Ministros na próxima quarta-feira na cidade de Toribío.

Para analistas, esse é um sinal do alerta que a ofensiva e a iniciativa de mediação civil geraram no governo federal.

"Santos não quer que a população civil se torne intermediária do conflito, pois pode parecer que o Estado perdeu capacidade de enfrentar o problema, avalia Ariel Ávila, estudioso da ONG Corporación Nuevo Arco Íris.

Ariel explica que, apesar de ser incomum, não é a primeira vez que a sociedade resolve agir por conta própria. Segundo ele, houve outros momentos assim, inclusive em Toribío.

A população local diz estar aliviada com o fim do ataque prolongado do final de semana, mas tem dúvidas de que a trégua dure muito tempo.

ANO PASSADO

Fotos: Reuters





Imagens do ano passado, julho de 2011, registram protestos contra os mesmos enfrentamentos entre a Farc e o Exército, que há tanto tempo, vem causando prejuízos, medos e desconfortos a pobre população civil da região.


9 de jul. de 2012

Aloprados: esconderam o chefe do esquema

BRASIL – Corrupção
Aloprados: esconderam o chefe do esquema
Delegado do caso dos aloprados diz a amigos que a PF protegeu os mandantes do crime e que Lula tinha conhecimento da compra do dossiê

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja - 09/07/

O verbete “aloprado” foi usado pela primeira vez pelo ex-presidente Lula para qualificar os petistas presos numa atrapalhada e fracassada operação destinada a prejudicar candidatos tucanos nas eleições de 2006. Incorporado ao dicionário da corrupção brasileira, o termo bem poderia ser aplicado hoje aos investigadores do caso. Informações que vêm agora à tona provam que eles se preocuparam em incriminar apenas os bagrinhos e deixaram escapar os peixes graúdos: aqueles que encomendaram e planejaram o crime.

Um personagem central dessa história é o delegado Edmilson Pereira Bruno. No dia 15 de setembro de 2006, ele foi escalado para fazer um flagrante em um hotel em frente ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Lá estavam Valdebran Padilha e Gedimar Passos, petistas que, de posse de 1,7 milhão de reais, negociavam com notórios pilantras de Cuiabá a compra de um dossiê fajuto contra os tucanos.

Os dois foram presos. No curso das investigações, Bruno disse ao Ministério Público que havia condições de aprofundar a investigação e prender também os chefes do esquema, mas que seu trabalho estava sendo obstruído pela cúpula da Polícia Federal. Desde então, o delegado vinha se mantendo calado. Há duas semanas, porém, ele almoçou com um grupo de colegas e fez importantes confidências sobre o caso. Eis as principais:

• Ao ser preso, Gedimar disse a Bruno que temia ser morto, já que sua missão era de conhecimento dos principais dirigentes do PT. Citou nominalmente o então candidato ao governo de São Paulo e hoje ministro, Aloizio Mercadante, e o ex-presidente Lula. Ao chegar à sede da PF, porém, Gedimar foi instruído pelo então diretor executivo do órgão, Severino Alexandre, a mudar o depoimento e omitir os nomes estrelados.

• Na PF, contrariando as regras e com a anuência dos policiais, Gedimar circulou sem algemas e falou ao celular. Deu pelo menos cinco telefonemas, durante os quais avisou aos superiores o que estava ocorrendo. Em seguida, foi ao banheiro, jogou o chip do telefone na privada e apagou a memória do aparelho. Jamais se soube quem eram seus interlocutores.

• Valdebran Padilha afirmou em um primeiro depoimento que os papéis que tinha em mãos eram apenas parte do dossiê que o grupo havia comprado dos pilantras de Cuiabá. O restante do material tinha 2000 páginas e nomes de mais de 200 políticos supostamente ligados à máfia que fraudava licitações na área da saúde. Ele estaria em um jatinho em Congonhas. Bruno afirma ter sido impedido de buscar o material por seus superiores — Severino Alexandre e o superintendente Geraldo Araújo. Se encontrada, a versão integral do dossiê poderia fornecer mais pistas sobre quem o havia encomendado. A exemplo de Gedimar, Valdebran também foi orientado a mudar o depoimento e omitir essa informação, disse o delegado Bruno.

• No dia da prisão de Gedimar e Valdebran, Bruno solicitou ao hotel em que foi feito o flagrante uma cópia do circuito interno de TV. A direção do hotel pediu uma requisição formal da PF. Geraldo Araújo, o superintendente do órgão, no entanto, protelou o encaminhamento do pedido o quanto pôde, diz Bruno. Só o fez depois que um jornal publicou reportagem denunciando a demora. Foi graças a essas imagens que Hamilton Lacerda, o petista mais importante na lista dos denunciados, foi preso dias depois.

• Na delegacia, logo após o flagrante, o superintendente Araújo recebeu uma ligação de Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça, que queria saber se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos. Assim que desligou, Araújo disse a Bruno: “Olha o problema que você criou. Daqui para a frente, você deve agir como o macaco que não fala, não ouve e não vê”. Araújo ordenou ainda a Bruno que não divulgasse a foto do dinheiro apreendido com Gedimar e Valdebran.

Procurado por VEJA, Bruno afirmou que não daria mais declarações sobre o caso, já que isso só lhe havia causado problemas. Desde o dia do flagrante, o delegado foi alvo de três processos, dois deles para apurar o vazamento de informações sobre o inquérito e outro para averiguar eventual "comprometimento político” de sua parte. Na semana passada, a Justiça decidiu que o 1,7 milhão de reais apreendido ficará com a União, já que não foi reclamado por ninguém. É um raro caso de dinheiro sem dono — e de crime sem mandante. Mas este já não se pode dizer que seja tão raro assim.