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6 de ago. de 2014

Por que a guerra Israel-Hamas é típica guerra Exército-Guerrilha? - Gustavo Chacra

Oriente Médio - Opinião
Por que a guerra Israel-Hamas é típica
guerra Exército-Guerrilha?
O Exército de Israel não é diferente de nenhum outro Exército do mundo. O Hamas tampouco é diferente de outras guerrilhas urbanas do mundo.

Charge: Joep Bertrams – Het Parool - Amsterdam - Holanda

Postado por Toinho de Passira
Texto de Gustavo Chacra
Fonte: Estadão

O Exército de Israel não é diferente de nenhum outro Exército do mundo. Não é o mais moral e tampouco o mais cruel. Atua da mesma forma que a maior parte das Forças Armadas do mundo atuariam se enfrentassem uma guerrilha como o Hamas.

Como exemplo, pegue os Estados Unidos, do celebrado Barack Obama, Nobel da Paz. Seus Drones bombardeiam o Yemen para combater a Al Qaeda. Mas no fim morrem centenas de civis nestes ataques. E olhe que os iemenitas não lançam um foguete sequer contra o território americano.

Noto que os conflitos mais sanguinários do Oriente Médio no pós Guerra envolveram potências não árabes – Irã (Guerra Irã-Iraque), EUA (Guerra do Iraque) e França (Guerra da Argélia). Todos mataram bem mais do que qualquer conflito entre israelenses e palestinos.

O Hamas tampouco é diferente de outras guerrilhas urbanas do mundo. Age de forma similar a outros grupos guerrilheiros, independentemente da região. Suas táticas são comuns em uma zona com elevada densidade demográfica, bloqueada e enfrentando um Exército superior. É um pouco óbvio que se esconderão no meio da população.

Trata-se de um conflito assimétrico. Não há condições de nenhum dos lados sair totalmente vencedor, embora guerrilhas, como o Hamas, tendem a sair vencedoras ao não perderem. Foi o que aconteceu no atual conflito.

A única forma de estabilidade definitiva seria um acordo de paz. Isso também já ocorreu em outras partes do mundo. Os europeus, que são o povo que mais se matou na história da humanidade, hoje vivem em relativa paz, a não ser pela Ucrânia.

Por que no Oriente Médio, onde nunca houve violência que chegasse aos pés da violência europeia, judeus e árabes não conseguirão o mesmo?
*Guga Chacra é comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY.
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

26 de jul. de 2013

Passarinho capturado, na Turquia, suspeito de ser espião israelense, foi libertado, por falta de provas

TURQUIA – Bizarro
Passarinho capturado, na Turquia, suspeito de ser espião israelense, foi libertado, por falta de provas
A lenda de que o serviço secreto de Israel é capaz de coisa impensáveis provoca esse tipo de comportamento surrealista na vizinhança. Preferem pecar por excesso, mesmo correndo o risco de serem mundialmente ridicularizados, do que facilitar para com os judeus. Afinal, o falcão investigado tinha um ar muito suspeito.

Foto: Gulbin Yildiz / Associated Press

Momento em que o falcão penereiro ganha a liberdade depois de comprovada a sua inocência, ou de não ter sido encontrado nada que comprovasse sua culpa

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Reuters, Times of Israel, The .Independent, New York Daily, Terra, Israel Cool

Depois de uma investigação formal e médica, um falcão, da espécie peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus) foi inocentado e libertado pelas autoridades turcas, livre da grave acusação de ser um espião israelita, a serviço do Mossad, o serviço secreto de Israel.

Longe de ser uma piada, o fato é que a ave de rapina foi capturada por moradores de uma aldeia na província de Elazig, na turquia, usando uma pulseira metálica de identificação, numa das patas, com a inscrição "24311 Tel Avivunia Israel."

Foto: Gulbin Yildiz / Associated Press

O anel que levantou as suspeitas sobre o falcão

Anéis como esse são freqüentemente usados para rastrear os movimentos migratórios das aves. Mas os moradores não vacilaram em capturar o animal e entregá-lo a autoridades locais que enviaram a ave para ser examinada na Firat Universidade de Elazig.

O "espião" foi exaustivamente interrogado, digo, examinado e até radiografado sem que nada suspeito fosse encontrado. Depois de um amplo debate, as autoridades concluiram que tratava-se de um inocente passarinho, e que não tinha nenhuma ligação com o serviço secreto de israel.

Sem mais delongas soltaram o animal na natureza. Segundo consta ele voou na direção de Moscou, onde deve pedir asilo temporário, até encontrar um jeito de asilar-se na Venezuela.

Foto: Reprodução

Radiografia do suspeito identificado como o espião israelita

Esta não é a primeira vez que autoridades turcas imaginaram que animais estaria sendo usados como espiões pelo Mossad. Ano passado, outro passarinho, da espécie conhecida como Comedor de Abelha, uma ave da família Meropidae recebeu a mesma acusação. Encontrado morto na natureza o cadáver do passarinho foi dissecado, sob supervisão das autoridades de segurança, na busca de encontrar algum indício de envolvimento do morto, com o Mossad.

Relatos da época afirmava que as autoridades tiveram as suspeitas levantadas pelo tamanho incomum das narinas da ave. Imaginou-se que algum equipamento eletrônico poderia ter sido implantado no bico do animal.

Em dezembro do ano passado, no Sudão, uma águia com uma dessa pulseiras de pesquisa israelense, foi apontada como espião.

Em 2010, um oficial egípcio disse que tubarões controlados por Israel poderia estar envolvido em uma série de ataques turísticas no Mar Vermelho.

Se não forem mesmo verdadeira essas suspeitas de espionagem animal, até agora, nada indica que ela não possa ser uma realidade a qualquer momento.

Porém, os países envolvidos, devem considerar que é ingênuo imaginar, que o conceitua serviço secreto israelita, o Mossad, vá enviar um dos seus espiões plumados, em missãoo, com uma pulseira identificadora personalizada.

7 de jun. de 2013

Irã acusado de terrorismo contra judeus na Argentina

ARGENTINA – Terrorismo
Irã acusado de terrorismo contra judeus na Argentina
O Irã é acusado, formalmente, pela procuradoria federal, de ordenar o sangrento atentado de 1994 na Argentina e de ainda manter células terroristas na América Latina, inclusive no Brasil

Foto: Arquivo

Escombros da Associação Mutual Israelita Argentina, destruída por uma bomba terrorista, 1994

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja 03/06/2013

Quase vinte anos depois da explosão de um carro-bomba em frente do prédio da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que matou 85 pessoas E feriu mais de 300 no centro de Buenos Aires, foi finalmente concluída a investigação que aponta os mandantes do atentado.

Na semana passada, o procurador especial Alberto Nisman apresentou à Justiça argentina uma denúncia de 500 páginas em que acusa o governo do Irã de ter organizado o ataque. Funcionários iranianos já haviam sido citados em investigações anteriores, e oito deles tiveram a ordem de prisão expedida pela Interpol, mas é a primeira vez que o regime dos aiatolás é formalmente acusado. "Há inúmeras provas da ação da República Islâmica do Irã, que há décadas monta bases para ações terroristas em várias partes da América Latina por meio de seu apêndice, o grupo libanês Hezbollah", diz Nisman.

O governo iraniano, segundo o relatório do procurador argentino, montou na região uma extensa rede de espionagem e logística para financiar e planejar ações terroristas.

Além da Argentina, as células iranianas seguem ativas em diversos países latino-americanos, inclusive no Brasil. Nisman aponta a Mesquita Profeta Mohammad, no bairro do Brás, em São Paulo, como um local de "reuniões habituais" do Hezbollah.

A denúncia afirma ainda que vários centros islâmicos comandados por ex-alunos do clérigo Mohsen Rabbani, que já recrutou três dezenas de brasileiros para seus cursos de radicalização religiosa, como revelou VEJA em 2011, são ameaças potenciais.

Rabbani, ex-adido cultural na Embaixada do Irã na Argentina, foi o arquiteto do ataque contra a Amia. Além de Rabbani, entre os foragidos da Interpol está o atual ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, que em 1994 comandava as operações da Guarda Revolucionária com o Hezbollah.

Em 2011, ele foi à Bolívia para inaugurar, ao lado do presidente Evo Morales, a Escola de Defesa da Alba, uma academia militar de orientação bolivariana com instrutores cedidos pelo Irã.

A Bolívia, país-membro da Interpol, tinha a obrigação de prender Vahidi, mas não o fez.

"O presidente venezuelano Hugo Chávez facilitou a expansão iraniana na região com a ajuda de seus aliados”, diz o consultor de segurança americano Joseph Humire.

A presidente argentina Cristina Kirchner está entre os que seguiram essa orientação, e até firmou neste ano um memorando com o Irã para uma investigação conjunta sobre o atentado de Amia. O relatório de Nisman é um duro golpe nesse plano estapafúrdio.

13 de mai. de 2013

Israelitas protesta contra orçamento e despesas de viagem do premier Netanyahu

ISRAEL – Escândalo
Israelitas protesta contra orçamento e despesas de viagem do premier Netanyahu
Os jornais de Israel desse fim de semana gastaram mais espaço criticando uma cama que o primeiro ministro mandou colocar no voo para ir ao funeral de Margareth Thatcher que com os problemas de segurança e os ataques aéreos a Síria.Em matéria de escândalos e desperdício do dinheiro dos contribuintes, os políticos de Israel estão anos luz na retaguarda dos políticos brasileiros.

Foto: Kirsty Wigglesworth/Reuters

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e sua esposa Sara, na Catedral de St Pau, no funeral da ex-primeiro-ministro britânica Margareth Thatcher, 17 de abril de 2013, em Londres.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Times of Israel, Publico – Portugal , The Guardian, Jornal do Brasil, The Jerusalem Post

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está enfrentando críticas veementes por conta dos gastos com sua viagem, acompanhado da primeira dama Sara Netanyahu, até a Inglaterra para participar da funeral da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, no mês passado.

Segundo o “Times of Israel” o premier e sua mulher viajaram a bordo de um avião cuja cabine foi customizada ao custo de US$ 127 mil (R$ 300 mil).

O valor faz parte dos US$ 427 mil (R$ 850 mil) gastos para fretar um voo a Londres para participar do funeral. Auxiliares e guarda-costas do primeiro-ministro também participaram da comitiva. A cabine de Netanyahu incluía uma cama de casal, que foi cercada por divisórias para dar privacidade ao casal.

A notícia sobre a viagem de cinco horas e meia provocou uma onda de protestos na mídia e redes sociais de Israel.

A revelação chega em má hora: quando um crescente descontentamento sobre o austero orçamento proposto pelo ministro das Finanças, Yair Lapid, provocou protestos que levaram mais de 15 mil pessoas as ruas de Tel Aviv, Jerusalém e outras cidades importantes, na noite deste domingo.

O governo desculpou-se dizendo, através de uma nota, que “não sabia dos altos custos da instalação de uma cabine adaptada em um avião”, de acordo com o jornal Ynet.

Ainda segundo a nota, no entanto, o primeiro-ministro tem direito a um descanso depois de um dia agitado no trabalho. O voo de Netanyahu foi agendado para "meia-noite, depois de um dia agitado. No dia seguinte, (ele) iria representar o Estado de Israel (...). Em vista disso, é apropriado que o primeiro-ministro tenha como descansar à noite entre dois dias tão movimentados".

O primeiro-ministro de Israel, só pode usar companhias israelitas, para seus voos, até por razões de segurança, a exigência da aeronave comportar cabine com uma cama de casal, excluiu duas - a Israir e Arkia - das três companhias aéreas israelense – pois a El Al é a única que tinha condições de atender o pedido.

Segundo o Canal 10, que divulgou em primeira mão a história, salientou que o presidente de Israel, Shimon Peres, que está prestes a completar 90, viajou sentado, num recente voo de 11 horas para a Coréia.

Reportaram também que os ex-primeiros-ministros Ehud Olmert e Ariel Sharon também nunca pediram uma cama em seus voos pela Europa, e que, por vezes, Sharon optou por não ter uma cama instalada mesmo em voos transatlânticos.

Os israelitas estão sempre atentos aos gastos do governo. No começo do ano, Benjamin Netanyahu enquanto negociava a complexa formação de um novo governo, foi denunciado por causa de um contrato de 2 mil euros (R$ 6 mil) por ano, que seriam gastos em sorvetes na residência oficial onde vivem Netanyahu, a sua mulher, Sara, e os dois filhos do casal.

O diário Yedioth Aharonoth que divulgou a história fez as contas e concluiu que seriam fornecidos cerca de 14 quilos de sorvetes por mês. Ao tomar conhecimento da denúncia Netanyahu cancelou o contrato.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma chegando à Roma, no aero-Lula

Os israelitas estão reclamando com a barriga cheia. Vê-se que o seu primeiro ministro não tem um avião próprio, como o Aero-Lula, brasileiro, o líder de uma frota de três aviões presidenciais, com capacidade para voos transatlânticos.

O avião presidencial brasileiro, tem cama, chuveiro e até já serviu de motel, para o Presidente Lula e sua amiga secretaria Rosemary Noronha, famosa pela sua bunda avantajada.

Sem incluir as despesas com o avião presidencial, segundo a BBC Brasil a viagem de Dilma a Roma, três dias, para a posse do papa Francisco custou R$ 324 mil. Outras viagens presidenciais tiveram custos muito mais elevados. Em dezembro de 2011, uma visita de Dilma a Paris que também durou três dias custou R$ 1,23 milhão. A presidente se hospedou com sua comitiva no hotel Bristol, um dos mais luxuosos da capital francesa.

A viagem de Dilma a Londres durante as Olimpíadas, em julho de 2012, custou R$ 1,08 milhão. Em setembro de 2011, uma visita a Nova York durante a Assembleia Geral da ONU custou R$ 917 mi.

Como se vê, esses judeus não sabem o que é um governo gastar sem limites e impunemente o dinheiro do contribuinte.


4 de mai. de 2013

Israel ataca, na Síria, comboio que transportava armas destinadas ao Hezbollah

ORIENTE MÉDIO
Israel ataca, na Síria, comboio que transportava
mísseis destinadas ao Hezbollah
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse neste sábado que Israel tem o direito de se proteger contra a transferência de armas avançadas para o Hezbollah, um dia depois de Israel atacar comboio no território Sírio.

Foto: Ofer Sidom / Flash 90

Caça F-16, da Força Aérea israelense, possivelmente semelhante aos usados no ataque à Síria

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Stern, The Telegraph, Time of Israel, The New York Times, Al Jazeera, Reuters

Israel realizou um ataque aéreo contra um carregamento de mísseis na Síria, que tinha como destino as guerrilhas do Hezbollah no vizinho Líbano, confirmou neste sábado uma autoridade israelense.

Obama, em uma entrevista para a rede de língua espanhola Telemundo, como parte de uma turnê de três dias na América Latina, deixou claro que os ataques seriam justificados.

"O que eu disse no passado, e eu continuo a acreditar, é que os israelenses justificadamente têm de se proteger contra a transferência de armamento avançado para organizações terroristas como o Hezbollah. Nós coordenamos de forma muito próxima com os israelenses, reconhecendo que eles estão muito perto da Síria, e muito perto do Líbano ", afirmou.

Israel deixou claro há tempos que está preparado para usar a força para impedir que armas sírias, inclusive o arsenal químico do presidente Bashar al-Assad, cheguem aos xiitas do Hezbollah, ou a insurgentes islâmicos que promovem uma revolta contra o governo sírio há mais de dois anos.

O Hezbollah, que é aliado do Irã, um dos maiores inimigos de Israel, chegou a entrar em guerra contra o Estado judaico em 2006 e continua sendo uma potencial ameaça aos olhos israelenses. Outra preocupação dos judeus é de que, em caso de uma eventual queda de Assad, rebeldes islâmicos possam voltar suas armas contra o país após décadas de relativa calma na região fronteiriça das Colinas de Golã.

O ataque ocorreu depois de o gabinete de Segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter aprovado o ato em um encontro secreto na noite de quinta-feira, informou a fonte.

Fontes do governo sírio negaram ter informações sobre um ataque. Bashar Ja'afari, embaixador do país na Organização das Nações Unidas (ONU), disse à Reuters: "Não estou ciente de ataque algum neste momento".

Mas Qassim Saadedine, um comandante e porta-voz do Exército Livre da Síria, disse: "Nossa informação indica que houve um ataque israelense em um comboio que estava transferindo mísseis para o Hezbollah. Ainda não confirmamos a localidade".

Unidades rebeldes discordaram quanto a qual tipo de arma estava no comboio. Um membro da inteligência do grupo disse que o carregamento era de mísseis antiaéreos: "Houve três ataques de caças F-16 de Israel, que danificaram um comboio carregando mísseis antiaéreos para o partido libanês xiita, na estrada militar Damasco-Beirute".

O ministro das Relações Exteriores libanês foi crítico a Israel: "Ataques como esse resultarão em mais tensão", disse. "Isso não dará a Israel a paz ou a segurança que pretendem, mas vai colocar a região em uma luta inflamada e rumo ao desconhecido."

Israel permanece tecnicamente em guerra com a Síria. O país capturou as Colinas de Golã em 1967, construiu assentamentos e anexou a região ao seu território. Mesmo assim, conflitos são raros, e a região está relativamente pacificada há décadas.

Mas as preocupações israelenses cresceram desde que militantes ligados à Al Qaeda assumiram um papel importante na revolta contra Assad.

O Estado judaico também quer impedir que o Hezbollah tenha armas químicas e outros tipos de arsenal, mais eficiente e com maior poder de destruição, que possa atingir Israel a partir do território Palestino.

30 de nov. de 2012

Em Israel, vitória da Palestina no ONU
é considerado 'bofetão diplomático'

BRASIL -
Em Israel, vitória da Palestina no ONU
é considerado 'bofetão diplomático'
A aprovação na Assembleia Geral da ONU da elevação do status palestino na entidade para "Estado observador não-membro" - uma resolução a que Israel e Estados Unidos se opuseram traz consequência diferentes no Oriente Médio. De um lado os palestinos festejam, o que chamam a certidão de nascimento da sua pátria, do outro os judeus, cobram do primeiro minsitro Netanyahy, o que chamam de uma derrota vergonhosa

Foto: Marko Djurica / Reuters

Um menino palestino acena com uma bandeira Palestinain durante um comício na Cisjordânia, em Ramallah, na festa de comemoração da resolução na ONU

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Times of Israel, Haaretz , The New York Times, G1, Ultimo Segundo com AP, Reuters e AFP

Enquanto nos territórios palestinos a população comemora o novo status de "Estado observador não-membro" nas Nações Unidas, em Israel o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu vem sendo responsabilizado pelo que os críticos consideram uma grave derrota diplomática.

Nesta quinta-feira, a Assembleia Geral da ONU aprovou por 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções a nova condição para os palestinos, que os equipara à condição do Estado do Vaticano.

O respaldo ao pedido palestino por reconhecimento como Estado superou até os cálculos mais otimistas da Autoridade Nacional Palestina e de seu presidente, Mahmoud Abbas.

Mas o que para Abbas foi um grande triunfo diplomático, para Netanyahu é um revés que muitos em Israel já estão lhe cobrando.

Foto: Andrew Gombert / EPA

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, centro, chanceler palestino Reyad al-Maliki, direito, e outros membros da delegação palestina emocionados após a votação das Nações Unidas da resolução que considerou a Palestina "Estado observador não-membro" nas Nações Unidas

'Bofetão'

A deputada Shelly Yacimovich, presidente do Partido Trabalhista, de oposição, afirmou que o resultado da votação na ONU é consequência da política externa de Netanyahu e do aprofundamento da paralisação do processo de paz com os palestinos.

Em declarações à imprensa local, Yacimovich afirmou que Netanyahy e o chanceler Avigdor Lieberman "envergonharam o país internacionalmente" e presentearam os palestinos com uma vitória histórica.

Zahava Gal On, presidente do partido pacifista Meretz, afirmou que a comunidade internacional "deu um bofetão na cara de Netanyahu", mas assegurou que o reconhecimento palestino poderia ajudar Israel a se envolver de novo no processo de paz.

A se julgar pelas declarações dos principais porta-vozes israelenses, porém, é pouco provável que o novo status palestino possa ter esse efeito.

Lieberman afirmou que o discurso de Abbas na ONU pedindo "um certificado de nascimento para a Palestina" demonstra que ele não está interessado na paz.

Foto: Issam Rimawi/Flash90

Palestinos comemorando em Ramallah

'Luz de advertência'

Em sua edição desta sexta-feira, o diário israelense Haaretz afirma que Israel sofreu uma derrota "humilhante" na ONU e diz que o resultado foi uma "luz de advertência" ao país. Segundo o diário, países "amigos" enviaram com seus votos a mensagem de que a paciência com a ocupação dos territórios palestinos está acabando.

Em um artigo no jornal, o especialista em assuntos diplomáticos Avi Issacharoff afirma que "Abbas nunca admitirá, mas deve um enorme agradecimento ao governo israelense e em particular ao chanceler Avigdor Lieberman".

"Até alguns poucos dias atrás, parecia que Abbas poderia evaporar da consciência palestina e internacional em consequência dos avanços do Hamas durante a operação Pilar de Defesa", escreveu Issacharoff, fazendo referência à recente ofensiva militar israelense contra Gaza para neutralizar os ataques com foguetes lançados por grupos palestinos.

O analista destaca que, agora, Abbas recuperou sua posição de liderança, ao menos entre os círculos políticos do mundo árabe, e conseguiu um consenso raro entre os palestinos, divididos entre os seguidores do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e do Fatah, de Abbas, que controla a Cisjordânia.

Foto: Ronen Zvulun / Reuters

Registro da construção no assentamento judeu na Cisjordânia, em Maale Adumim, em junho passado

'Ocupação racista'

Em seu discurso diante da Assembleia Geral, antes da votação, Abbas fez declarações duras contra Israel, acusando o país de promover "uma ocupação colonial racista" equiparável ao apartheid, o sistema de discriminação racial vigente na África do Sul até os anos 1990.

"O mundo pôde ver um discurso difamatório e venenoso, cheio de propaganda mentirosa contra o Exército israelense e os cidadãos israelenses", afirmou Netanyahu, em um comunicado divulgado após a intervenção de Abbas.

"Alguém que deseja a paz não fala dessa maneira", diz o comunicado. "Não se criará um Estado palestino que não garanta a segurança dos cidadãos israelenses", afirmou.

"O caminho da paz entre Jerusalém e Ramallah passa por negociações diretas sem condições prévias e não por decisões unilaterais na ONU", acrescentou.

Em declarações à BBC, o porta-voz do governo israelense Mark Regev afirmou nesta sexta-feira que a concessão de status de Estado aos palestinos é "um teatro político negativo" e "prejudicará a paz".

"Isso é um teatro político negativo, que vai nos tirar do processo de negociação. Vai prejudicar a paz", disse Regev.

Foto: Rina Castelnuovo/The New York Times

De sua casa em Jerusalém Oriental no ano passado, Haj Ibrahim Ahmad Hawa olhou para a barreira de separação em torno de Jerusalém com o assentamento israelense de Maale Adumim no fundo

ONU 'hostil'

Apesar de Israel ter nascido a partir da resolução da ONU pela partilha da Palestina, aprovada exatos 65 anos antes, em 29 de novembro de 1947, seus governos costumam acusar a organização de "hostilidade" contra o país e de pretender impor uma solução multilateral ao problema com os palestinos.

"Temo que a Autoridade Palestina possa usar a ONU como um clube político contra Israel", afirmou o senador republicano americano Lindsey Graham.

O republicano e outros congressistas americanos apresentaram um projeto de lei ao Congresso que retiraria os fundos que os Estados Unidos destinam à ONU se os palestinos não entrarem em "conversações significativas" para solucionar suas questões bilateralmente.

Apesar de a Casa Branca ter deixado claro que não considerava boa a ideia de mudança do status palestino na ONU, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, pediu que os dois lados comecem a falar de paz "e parem de se provocar em Nova York (cidade sede da ONU) ou em qualquer outra parte".

Foto: Foto: AP

Netanyahu: pressão interna às vésperas das eleições que acontecerão em janeiro

REAÇÃO

Longe de apresentar um comportamento de paz negociada, começa a ser noticiado, que em contrapartida Israel vai autorizar a construção de 3 mil novas casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, em represália a aprovação do novo status da Palestina como Estado observador da ONU.

O governo conservador do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizou a construção de 3 mil moradias e ordenou o "zoneamento preliminar e planejamento de (outras) milhares".

A imprensa israelense disse que o governo busca reforçar sua imagem domesticamente, em frente a rejeição sofrida após à aprovação da medida.

Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital indivisível e quer manter faixas de assentamentos na Cisjordânia sob qualquer eventual tratado de paz com palestinos.

A maioria das potências mundiais consideram os assentamentos ilegais por serem em terras capturadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Palestinos querem que seu Estado inclua a Faixa de Gaza, que Israel desocupou em 2005 e agora é governada por islâmicos do Hamas.

Isso tudo é mais gasolina no incêndio da relações entre Judeus e Palestinos.


19 de nov. de 2012

ISRAEL - GAZA: Ganhos políticos apesar dos mais de 100 mortos

ISRAEL – PALESTINA – Conflito
Ganhos políticos apesar dos mais de 100 mortos
O número de palestinos mortos no sexto dia da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza chegou a 100 nesta segunda-feira. Do lado de Israel, três civis morreram por um foguete na quinta-feira. Há centenas de feridos em ambos os lados. Em meio aos cadáveres e ameaça de piora da situação, pesquisas informam que tanto o governo israelense como o Hamas obtiveram ganhos políticos com os confrontos, por absurdo que isso possa parecer.

Foto: Nir Elias / Reuters

Judeu hassídicos, da seita Breslov, dançou com soldados israelenses durante uma visita a apoiar os soldados, perto da fronteira com a Faixa de Gaza em 19 de novembro.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Ultimo Segundo, Estadão, Haaretz

Com a notícia de que ultrapassou de 100 o número de mortos no somatório dos seis dias de conflito entre Israelenses e palestinos, na Faixa de Gaza, a BBC Brasil, revela que tanto o governo israelense como o Hamas obtiveram ganhos políticos com os confrontos.

Em qualquer lugar essa seria uma tragédia horripilante, no Oriente médio se faz pesquisa para saber o que a opinião pública está achando.

Os palestinos levam a pior, mas exultam por assustar Israel com todo o seu poderio. Os judeus sentem-se mais seguros com as forças armadas israelense disparando contra os vizinhos.

Informa-se que o número de palestinos mortos, até essa segunda-feira, chegou a 100, do lado de Israel, três civis vitimas de um foguete na quinta-feira. Dentre os palestinos mortos, 53 eram civis, enquanto os feridos somam 840, incluindo 225 crianças. Há dezenas de feridos também em Israel em decorrência do ataque de quinta.

Foto: Ibraheem Abu Mustafa / Reuters

Palestino usa seu iPad para tirar fotos de uma casa destruída após um ataque aéreo israelense em Khan Younis, sul de Gaza, Faixa em 19 de novembro.

Mas de acordo com uma pesquisa de opinião publicada pelo jornal Haaretz, a popularidade dos dois líderes israelenses que estão à frente da chamada Operação Coluna de Nuvem – o premiê Binyamin Netanyahu e o ministro da Defesa Ehud Barak – aumentou em decorrência dos confrontos. A pesquisa indica que o apoio do público a Netanyahu e Barak subiu em 20 pontos e que 84% da população concorda com a decisão do gabinete de lançar a ofensiva contra a Faixa de Gaza. Lembrar que em janeiro há eleições em Israel.

Por outro lado, analistas palestinos afirmam também que o Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, também obteve ganhos políticos desde que os confrontos começaram.

De acordo com o analista Mahdi Abdul Hadi, para a população palestina "tanto na Faixa de Gaza, como na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental", o Hamas torna-se cada vez mais o símbolo da "resistência".

O Hamas, que esteve isolado desde que tomou à força o controle da Faixa de Gaza em 2007, agora obtém mais e mais legitimidade, principalmente por parte do novo governo egípcio.

Foto: Majed Hamdan / AP

Palestino chora pela morte de parente, no necrotério do Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, 18 de novembro.

Desde a vitória do lider da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, nas eleições egípcias, houve uma mudança drástica na relação do país com o Hamas.

O líder anterior do Egito Hosni Mobarak colaborava com o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, enquanto Mursi manifesta solidariedade ao Hamas, grupo que tem afinidade ideológica com a Irmandade Muçulmana.

O fato de que, apesar da disparidade de forças com Israel, o Hamas tem conseguido colocar mais de 4 milhões de civis israelenses dentro da linha de fogo, atacando inclusive Tel Aviv, é visto pela população palestina como um êxito.

Foto: Hatem Moussa / AP

Explosão em Gaza, durante bombardeio israelense, 17 de novembro.

"A nova geração palestina já não acredita mais no caminho das negociações, no qual o Fatah apostou, o processo de paz está morto, agora o que prevalece entre os jovens é a cultura da resistência", afirmou Abdul Hadi, que é diretor da Passia, Associação Palestina de Estudos Internacionais.

O presidente Abbas enviou um dos líderes do Fatah, Nabil Shaat, à Faixa de Gaza com uma mensagem de solidariedade com os palestinos da região, que desde o dia 14 deste mes, sofreram mais de mil bombardeios das tropas israelenses.

A vida das cidades do sul de Israel se encontra praticamente paralisada desde o início dos confrontos e a população desta região já foi alvo de mais de 900 foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

De acordo com porta-vozes do Exército israelense, desde o início da operação as tropas "já destruíram grande parte do arsenal do Hamas e mataram líderes militares importantes do grupo".

No sexto dia desde o início da violência entre Israel e os grupos armados da Faixa de Gaza – Hamas, Jihad Islâmico, Comitês de Resistência Popular e grupos salafistas – o confronto se aproxima de uma encruzilhada.

Foto: Abir Sultan / EPA

Israelense olha pela janela de seu apartamento depois que um foguete disparado de Gaza atingiu diretamente o edifício em seu prédio em Ashkelon, em 18 de novembro.

Se por um lado há a possibilidade de cessar-fogo bilateral - que está sendo negociado principalmente com intermediação egípcia, não se descarta também o risco de um recrudescimento da violência.

O Exército israelense já recrutou 40 mil reservistas e deslocou tropas para a fronteira da Faixa de Gaza, se preparando para uma invasão terrestre.

O vice-premiê de Israel, Moshe Yaalon, afirmou nesta segunda-feira que Israel "quer cessar-fogo em troca de cessar-fogo" e que se o Hamas não parar de disparar foguetes contra seu país, "não haverá outro caminho exceto a operação terrestre".

De acordo com as últimas informações, o lider político do Hamas, Haled Mashal, que está negociando um acordo com os chefes da Inteligência egípcia no Cairo, aproveita a oportunidade para exigir que o cessar fogo seja acompanhado por um alivio do bloqueio israelense à Faixa de Gaza, o que Israel não vai aceitar de forma alguma.

Foto: Uriel Sinai / Getty Images

Um míssil israelense do sistema de mísseis de defesa Iron Dome é lançado para interceptar e destruir foguetes disparado da Faixa de Gaza em 17 de novembro, em Tel Aviv, Israel.


18 de nov. de 2012

Jornalista da BBC relata o rompimento da 'bolha' de normalidade em Tel Aviv

ISRAEL - Opinião
Jornalista da BBC relata o rompimento
de 'bolha' de normalidade em Tel Aviv
“Na manhã deste domingo, os alarmes antiaéreos soaram pelo quarto dia consecutivo em Tel Aviv, desde o inicio da chamada Operação Coluna de Nuvem” A terminologia utilizada pelos dois lados desse confronto tem conotações religiosas. O nome dado por Israel à operação militar, Coluna de Nuvem, é uma citação de um trecho da Bíblia. Já o nome utilizado pelo Hamas é "Pedras do Céu", em referência a um trecho do Corão.

Foto: Daniel Bar-On / AFP

Muitos edifícios em Tel Aviv contam com bunkeres para a proteção em caso de ataque

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guila Flint, para a BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil

Moradora de Tel Aviv, a repórter da BBC Brasil em Israel, Guila Flint, conta como a nova onda de violência vem alterando o dia a dia:

"O som alto e lúgubre das sirenes mexe com os nervos da população e rompe a sensação de segurança que havia na maior cidade de Israel.

De acordo com as instruções das autoridades, quando soa o alarme antiaéreo o cidadão deve correr para o bunker ou para o chamado 'espaço protegido' dentro do próprio apartamento.

Só que eu moro em um prédio velho, no centro de Tel Aviv, que foi construído ainda na época do Mandato Britânico, em 1921.

Aqui não tem bunker. Também não tenho o tal 'espaço protegido' no meu apartamento.

Desde a Guerra do Golfo, em 1991, a lei de Israel obriga todas as construções novas a terem um espaço especial em cada apartamento, no qual as paredes são reforçadas e as janelas são de ferro.

Na ausência de tal espaço e de um bunker, as autoridades recomendam correr para a escadaria do prédio, de preferência para um andar que não seja o mais alto.

Quando corro para a escadaria encontro vários dos meus vizinhos, muitos deles idosos.

Outro dia, quando soou o alarme, me deparei com uma vizinha tremendo e chorando no segundo andar. Tentei acalmá-la.

Eu já morava em Tel Aviv em 1991, quando 45 mísseis iraquianos do tipo Scud foram lançados contra a cidade durante a Guerra do Golfo.

Aquela guerra, que durou um mês e meio, com alarmes antiaéreos constantes, de alguma maneira me preparou para esse tipo de experiência.

Naquela época, além do perigo de explosões, também se falava do risco de que o Iraque lançasse bombas químicas contra Israel e foram distribuídas máscaras de gás a toda a população.

Outra diferença é que em 1991 Tel Aviv era o principal alvo, e agora a cidade é um alvo secundário comparando com as cidades do sul do país.

Dos mais de 800 disparos contra o território israelense, apenas 4 foram contra Tel Aviv. São as cidades de Ashdod, Ashkelon, Beer Sheva e Sderot, no sul, que estão realmente sofrendo com o contínuo sobressalto das sirenes.

Foto: Activestills.org

Tel Aviv é o reduto de grupos pacifistas, de ONGs de direitos humanos e dos seculares

Ontem falei com uma brasileira que mora na cidade de Gaza. O que os israelenses estão passando no sul é bem ameno comparando com o que os palestinos estão vivendo na Faixa de Gaza.

Lá já houve mais de 900 ataques das tropas israelenses, com a Força Aérea, a Marinha e a artilharia.

A brasileira palestina relatou que "tudo treme o tempo todo e parece que o mundo vai acabar" desde quarta-feira.

Tel Aviv é chamada de "bolha", considerada uma ilha de normalidade dentro desse oceano de violência e fanatismo que é o Oriente Médio. Uma cidade tolerante e cosmopolita, na qual a maioria da população quer a paz.

Aqui fica o reduto dos grupos pacifistas, das ONGs de direitos humanos, dos seculares.

Cada alarme antiaéreo que soa em Tel Aviv rompe mais um pouco dessa tênue bolha.

A terminologia utilizada pelos dois lados desse confronto tem conotações religiosas.

O nome dado por Israel à operação militar, Coluna de Nuvem, é uma citação de um trecho da Bíblia.

Já o nome utilizado pelo Hamas é "Pedras do Céu", em referência a um trecho do Corão.

Grande parte da população dos dois lados do conflito é religiosa e acredita em algum tipo de proteção divina.

Aos seculares, como eu, resta acreditar na estatística. Afinal, a probabilidade de que um míssil iraniano do tipo Fajr, lançado a partir da Faixa de Gaza contra Tel Aviv, caia justamente na minha cabeça, é muito baixa. Mas, como já dizia John Lennon, “Give Peace a Chance."

John Lennon - canta "Give Peace a Chance”
de John Lennon, acompanhado da Plastic Ono Band, Toronto 1969


"Give Peace a Chance" foi composta por John Lennon em 1969, e se transformou num dos hinos da campanha contra a Guerra do Vietnã. Lennon gravou essa música durante o segundo Bed-in, no Canadá. Bed-ins eram conferências de imprensa em favor da paz, realizados em uma cama de hotel. Esse é um dos momentos mais marcantes dos protestos realizados por Lennon em favor da Paz Mundial.



16 de nov. de 2012

Terceiro morteiro atinge Tel Aviv, no 2º dia de ataque contra a cidade

ISRAEL – PALESTINA -Conflito
Terceiro morteiro atinge Tel Aviv,
no 2º dia de ataque contra a cidade
A crise agrava-se: enquanto o primeiro ministro egípcio visitava Gaza, em sinal de solidariedade ao Hamas, devido ao ataque de Israel que matou o seu líder Ahmed al-Jabari, palestinos e israelenses disparam misseis e foguetes em ataques mútuos que não cessaram nem durante o pacto de cessar fogo, combinado acontecer durante a visita do premier egípcio.

Foto: Mahmud Hams / Pool via EPA

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniya, à esquerda, e primeiro-ministro egípcio Hisham Qandil, segunda à esquerda, visitar um homem ferido em um ataque aéreo israelense, no hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza ,hoje, 16 . A visita de Hisham, a Palestina, forçou Israel a promover trégua de três horas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo

Um morteiro atingiu nesta sexta-feira Tel Aviv, centro financeiro israelense. É o terceiro incidente do tipo na cidade desde quinta-feira. Mais cedo, Israel chegou a decretar um cessar-fogo de três horas, durante a visita do premier egípcio, Hisham Kandil, ao território palestino, mas segundo os dois lados do conflito não teria sido respeitada.

Sirenes foram acionadas em Tel Aviv nesta manhã, e uma explosão foi ouvida, disse uma testemunha. Militantes palestinos dispararam dois morteiros contra a cidade na quinta-feira, e sirenes também foram acionadas pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991. Um deles teria caído no mar, e outro em um subúrbio de Tel Aviv; nenhum incidente foi registrado.

Foto: Wissam Nassar/The New York Times

Funeral de Ahmed al-Jabari, o comandante militar do Hamas, morto por Israel, na cidade de Gaza, nesta quinta-feira, 15

Segundo o Exército israelense, o foguete desta sexta-feira atingiu uma área aberta e explodiu antes de tocar o chão. A prefeitura de Tel Aviv, por sua vez, disse que vai abrir todos os abrigos públicos antibombas. Apesar de grande parte de imprensa local falar em um foguete, o jornal “Jerusalem Post” diz que dois morteiros atingiram Tel Aviv hoje.

Foto: Uriel Sinai / Getty Images

Uma nuvem de fumaça se eleva sobre Gaza durante um ataque aéreo israelense, visto a partir da cidade israelense de Sderot, em 15 de novembro.

A viagem de Kandil a Gaza pode ser vista como um ato de solidariedade dos islamistas do Cairo com o Hamas, mas é também uma mensagem clara de que os tempos de cumplicidade com Israel, que vingavam durante o governo de Hosni Mubarak, acabaram. Durante a breve visita, Kandil chamou os ataques de Israel contra o território palestino de agressão:

- O que testemunho em Gaza é um desastre e não posso continuar calado. A agressão israelense tem que parar - disse o premier, durante uma visita a um hospital. - O Egito não vai poupar esforços para deter a agressão e alcançar uma trégua.

Foto: Uriel Sinai / Getty Images

Israelenses abrigados em um grande tubo de concreto usado como um abrigo anti-bomba depois que um foguete foi lançado a partir da Faixa de Gaza em 15 de novembro, 201, no Nitzan, Israel.

O presidente egípcio, Mohamed Mursi, emitiu um comunicado após a visita de seu premier a Gaza, denunciando os ataques israelenses como uma “gritante agressão contra a Humanidade” e se comprometendo a ajudar os palestinos.

O chanceler tunisiano também anunciou nesta sexta-feira que vai visitar o território palestino no sábado para oferecer seu apoio ao Hamas. O premier turco, Recep Tayyio Erdogan, também manifestou seu apoio a Gaza, chamando de “bárbara” a postura israelense.

Foto: Nir Elias / Reuters

Um rastro de fumaça traça o céu, produzido por um foguete lançado do norte da Faixa de Gaza, em direção a Israel, em 15 de novembro.

Cessar-fogo é decretado, mas ambas partes desrespeitam trégua

Apesar do breve cessar-fogo, Israel acusa o Hamas de não respeitar as três horas de trégua, e o grupo islâmico também acusa o Estado judeu de continuar os ataques. O governo de Tel Aviv ainda disse estar disposto a suspender a ofensiva, se e quando os islamistas fizerem o mesmo.

O Exército de Israel diz ter atingido 150 alvos na Faixa de Gaza durante a noite. Segundo o jornal “Haaretz”, três israelenses foram feridos nesta sexta-feira depois que um morteiro atingiu o sul do país. O Hamas diz ainda ter atingido um avião israelense, mas o Exército nega, informou o “New York Times”.

Vinte e um palestinos e três israelenses morreram desde o início da ofensiva, desatada com a morte do chefe militar do Hamas, Ahmed Jabari, na quarta-feira.

Nesta sexta-feira, 85 mísseis explodiram durante 45 minutos na Cidade de Gaza. Fontes militares disseram que os alvos do ataque são locais subterrâneos de lançamento de foguetes. Um míssil atingiu o Ministério do Interior, um símbolo de poder do Hamas, e outro alcançou uma casa vazia pertencente a um comandante do Hamas.

Segundo islamistas, uma criança e um militante teria morrido em um ataque israelense, durante a visita do premier egípcio. A violência, juntamente com um ataque a um prédio perto da casa do primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, em Gaza, indica que Israel está expandindo sua ofensiva além de alvos militares.

Fontes do Hamas dizem que o Exército israelense respondeu os ataques de morteiro com um bombardeio aéreo contra o norte da Faixa de Gaza, no qual dois palestinos teriam morrido. Israel nega que tenha atacado o território palestino durante a visita de Kandil.

No Twitter, um porta-voz do premier Benjamin Netanyahu acusou o “Hamas de não respeitar a visita do primeiro-ministro egípcio a Gaza e violar o cessar-fogo temporário”. Segundo um porta-voz do Exército, 50 morteiros foram lançados contra Israel durante a estadia de Kandil no território palestino.

Foto: Amir Cohen / Reuters

Um bebê judeu emoldurado por estilhaços de um janela quebrada após um foguete disparado por militantes palestinos na Faixa de Gaza re atingido sua casa no sul da cidade de Netivot, Israel, em 12 de novembro. A pesar dos danos, o pretado não causou vítimas, mas recebeu uma resposta dura por parte dos israelenses, nessa onda de violência sem data para acabar.


14 de nov. de 2012

Israel mata lider do Hamas e prepara ataque terrestre ao território palestino

ISRAEL- PALESTINA
Israel mata lider do Hamas
e prepara ataque terrestre ao território palestino
Na tarde desta quarta feira, o veículo onde estava Ahmed Jabari, considerado chefe do Estado Maior do Hamas, foi atingido por bombas disparadas por uma aeronave israelense. Logo depois, a Força Aérea israelense iniciou uma série de bombardeios à Faixa de Gaza, mais de 30 alvos na região foram atingidos. Em seguida recruta reservistas num claro sinal de preparação de um ataque de maior proporção ao território palestino. O Hamas declarou que "ao assassinar Jabari, Israel abriu as portas do inferno".

Foto: Mahmud Hams/AFP


Ali Ali/EPA


Mohammed-Salem-Reuters

O carro que conduzia o líder palestino Ahmad Jabari, foi pulverizado, com um único disparo oriundo de uma aeronave israelense. Israel disse que matou o militante devido as suas atividades terroristas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Expresso , Reuters, BBC Brasil, Aljazeera, Le Figaro, Folha de S. Paulo

Ahmed Jabari, chefe militar do Hamas, foi morto hoje, 14, na Faixa de Gaza quando o carro em que seguia foi alvo de um bombardeio aéreo lançado pelas forças israelitas. Logo depois, a Força Aérea israelense iniciou uma série de bombardeios à Faixa de Gaza, que já deixou pelo menos 11 mortos e dezenas de feridos na região. Nas primeiras horas da operação militar, mais de 30 alvos na região foram atingidos.

A mídia israelense relatou que três israelenses foram mortos, nesta madrugada, quando foguetes disparados da Faixa de Gaza, atingiram um prédio de apartamentos na cidade de Qiryat Malakhi, no sul do país.

De acordo com analistas militares, os alvos principais são depósitos de mísseis de longo alcance que podem atingir inclusive a cidade de Tel Aviv.

O porta-voz do Exército israelense, Ioav Mordechai, afirmou que as tropas "estão prontas" para se deslocar em direção à Faixa de Gaza.

"O primeiro objetivo da operação é restaurar a tranquilidade para o sul de Israel e o segundo é atingir as organizações terroristas", disse o porta-voz.

Ahmed Jabari, líder do Hamas, morto por Israel
Ahmed Jabari, 52, morto hoje, era uma das mais importantes lideranças Palestina, liderava as Brigadas Ezzedine al-Qassam - que funcionavam como braço armado do Hamas -, e foi o responsável pelo ataque em Kerem Shalom, junto à fronteira entre Israel e Gaza, a 25 de junho de 2006, que culminou no rapto de três soldados, entre os quais Gilad Shalit.

No ano passado, chefiou a delegação do Hamas nas negociações no Cairo, que culminaram na libertação de Shalit, a 18 de outubro de 2011. Shalit foi trocado por 1027 prisioneiros, na sua esmagadora maioria palestinianos e israelitas árabes.

'Portas do inferno'

A operação militar ocorre depois de uma semana de violência durante a qual seis palestinos foram mortos pelas tropas israelenses e grupos palestinos lançaram mais de 100 foguetes contra o sul de Israel.

O Hamas declarou que "ao assassinar Jabari, Israel abriu as portas do inferno".

Um dos líderes do Hamas, Izat Al Rishk, afirmou que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, "decidiu cometer crimes de guerra para elevar suas chances nas eleições".

Para o analista do jornal Haaretz, Barak Ravid, "Ahmed Jabari é o Bin Laden de Netanyahu", em referência à morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que foi utilizada como trunfo eleitoral na campanha do presidente americano Barack Obama.

De acordo com o analista, o assassinato de Jabari dois meses antes das eleições em Israel (previstas para 22 de janeiro) "pode se revelar como uma aposta errada" de Netanyahu.

Ravid adverte que as consequências da operação militar podem fugir do controle do governo israelense.

O principal negociador palestino, Saeb Erekat, declarou que a operação militar israelense demonstra que "Israel tem uma agenda de guerra e não de paz".

"Condenamos nos mais duros termos esse novo assassinato israelense que tem o objetivo de iniciar uma escalada sangrenta. Consideramos Israel responsável pelas consequências desse novo ato de agressão", declarou Erekat.

O Comando da Retaguarda instruiu os residentes do sul de Israel a permanecerem a uma distância de 15 segundos dos abrigos anti-aéreos e cancelou as aulas em todas as escolas da região nesta quinta feira.

De acordo com as instruções do Exército, ficam proibidas aglomerações de mais de 100 pessoas nas áreas de risco.

O Exército israelense iniciou o recrutamento de reservistas em preparação para uma possível operação terrestre na Faixa de Gaza, poucas horas depois da morte de Ahmed Jabari.

De acordo com a mídia israelense, o Exército começou a emitir a chamada "ordem 8", que equivale à convocação imediata de soldados da reserva, ato que está sendo interpretado como sinal de que poderá haver uma invasão terrestre à Faixa de Gaza.

Foto: Ariel Schalit/AP

Falando na TV, após o ataque que matou Jabari, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse: "Hoje nós enviamos uma mensagem clara para o Hamas e outras organizações terroristas, e se for necessário, estamos preparados para expandir a operação”. "Nós não vamos tolerar que os cidadãos israelenses continuem a serem ameaçados por ataques de foguetes."


23 de out. de 2012

Trem aéreo cruzará céu de Tel Aviv

ISRAEL – Tecnologia
Trem aéreo cruzará céu de Tel Aviv
Um projeto-piloto da Nasa será transformado em realidade na capital de Israel. Ficção cientifica virando realidade: lembram daqueles veículos do filme “Blade Runner: O Caçador de Andróides” estrelado por Harison Ford?

Foto: Divulgação

Modelo do trem aéreo que será implementado em Tel Aviv. Sistema terá trilhos suspensos, com trens a uma altura de 7 metros

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guila Flint - de Tel Aviv para a BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil

Um projeto-piloto feito em colaboração com a Nasa (agência espacial americana) deve levar às ruas de Tel Aviv, em Israel, um trem aéreo elétrico, com trilhos de alumínio, que está sendo promovido como uma "forma ecológica e rápida" de facilitar o transporte público.

Segundo anúncio do prefeito de Tel Aviv, Ron Huldai, o chamado "trem aéreo" terá uma primeira fase com uma linha de 7 km, perto do porto (norte da cidade), a ser concluída em dois anos.

Os veículos poderão alcançar uma velocidade de 240 quilometros por hora e "voarão" em uma altura de 7 metros, presos sob trilhos suspensos no ar.

O sistema será movido a eletricidade, parte da qual será "produzida pelo próprio sistema", disse à BBC Brasil Jerry Senders, diretor da empresa Skytran, responsável pela tecnologia.

Senders explica que dentro de cada veículo haverá um "motor linear" que será movido por um misto de eletricidade e ondas magnéticas.

"A principal inovação do projeto é o movimento por intermédio de ondas magnéticas, e essa é a contribuição tecnológica da Nasa", diz. "Não haverá atrito entre o veículo e o trilho de alumínio, já que, a partir do momento em que o veículo começar a se mover, se criará, por meio da onda magnética, uma especie de travesseiro de ar e cada bondinho navegará no ar."

O único momento em que haverá atrito com o cabo de alumínio será quando o veículo parar nas estações.

Vagão será movido por eletricidade e ondas magnéticas, diz criador
Custos e capacidade

"Trata-se de uma maneira econômica, rápida e ecológica de resolver o problema do transporte público", diz Senders, afirmando que o projeto custará apenas US$ 6 milhões por quilômetro.

Para efeitos comparativos, a prefeitura de Jerusalém concluiu recentemente a construção de um bonde que cruza a cidade, que durou 12 anos e custou mais de dez vezes o preço por quilômetro. E estima-se que o custo por quilômetro do metrô de São Paulo seja de US$ 60 milhões a US$ 100 milhões.

Os trilhos de alumínio do trem aéreo de Tel Aviv serão erguidos entre postes, que também servirão como fonte de energia. "O sistema aproveitará ondas magnéticas que serão geradas pelo próprio movimento dos veículos sob os trilhos de alumínio", afirma a prefeitura.

Os veículos serão leves e pesarão apenas 200 quilos cada, e poderão transportar dois passageiros por vagão. Mas, segundo Sanders, poderá transportar até 11 mil pessoas por hora.

Os passageiros que entram nos bondinhos podem apertar um botão indicando em qual estação querem parar, como em um elevador.

Segundo Senders, o presidente de Israel, Shimon Peres, já pediu que a Skytran prepare planos para ampliar a rede aérea para as periferias de Israel, e o projeto poderia chegar até Eilat (cidade no sul do país).

Tel Aviv quer ser vista como centro de inovação tecnológica
"O sistema tem características de uma espécie de internet física", explica Senders, "uma rede ilimitada de linhas aéreas, que poderá, inclusive, ter estações dentro de edifícios e sobre os prédios".

"Estou orgulhoso de Tel Aviv ter sido escolhida para a implementação do projeto piloto em colaboração com a Nasa", declarou o prefeito Ron Huldai.

"O projeto se enquadra na percepção da prefeitura, que vê Tel Aviv como centro de inovação tecnológica", disse à BBC Brasil o porta-voz da prefeitura de Tel Aviv, Gali Avni Orenstein.

13 de jan. de 2012

Ahmadinejad volta de mãos vazias da América Latina

IRÃ
Ahmadinejad volta de mãos vazias da América Latina
Diante das sanções americanas que começam a ameaçar seriamente a economia iraniana, com veto a compra do seu petróleo e em meio a crises diversas, como a morte em atentados dos seus cientistas nucleares, o presidente Mahmoud Ahmadinejad fez um viagem pela América Latina em busca de apoio dos governos ditos de esquerda para fazer frente a pressão americana. A imprensa internacional destacou que o iraniano deixou fora de sua agenda o Brasil, já que a presidente Dilma não apresenta o mesmo entusiasmo pelo seu governo que o antecessor Luis Inácio Lula da Silva. Ao fim as agencias de notícia destacaram que a viagem foi uma perda de tempo.

Foto: Reuters

Ahmadinejad e Fidel em Cuba. A deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, Presidente da Comissão dos Assuntos Externos da Câmara dos EUA, disse Ahmadinejad fez um "tour de tiranos" pela america Latina.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Reuters, Terra, Brasil Economico, UPI

Segundo a agência de notícias Reuters, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, encerrou nesta sexta-feira sem brilho, um giro por quatro países da América Latina. Além de algumas declarações amáveis de líderes aliados, sua iniciativa de buscar apoios não produziu nenhuma oferta clara de ajuda para amenizar as sanções impostas pelo Ocidente por causa do programa nuclear iraniano.

Os limitados resultados do tour por Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador reforçaram a visão de que o Irã dependerá de pesos pesados como China ou Rússia para ajudar a driblar das sanções que pela primeira vez ameaçam os lucros do país com a venda de petróleo.

Os mais proeminentes presidentes de esquerda da América Latina, liderados pelo venezuelano Hugo Chávez, defendem o direito do Irã de desenvolver um programa de energia nuclear e criticaram as duras medidas dos EUA, que acusam Teerã de buscar um arsenal nuclear.

Embora tenham elogiado Ahmadinejad, no entanto, o bloco dos aliados socialistas latino-americanos ofereceu poucos sinais de que podem ajudar o Irã a driblar as sanções com dinheiro ou combustível.

Foto: Juan Barreto/AFP/Getty Images

Ahmadinejad e o eterno aliado, o presidente venezuelano, Hugo Chávez

Ahmadinejad teve a recepção mais calorosa com o presidente venezuelano Hugo Chávez, que zombou das acusações de que o Irã esteja fabricando uma arma nuclear, e depois visitou o nicaraguense Daniel Ortega, o cubano Raúl Castro e o equatoriano Rafael Correa.

No entanto, Ahmadinejad manteve o silêncio sobre assuntos-chave, incluindo o ataque à bomba em Teerã nesta semana que matou um cientista nuclear iraniano, a condenação à morte de um americano-iraniano por espionagem, a ameaça do Irã de fechar a passagem do Estreito de Ormuz e o início do enriquecimento de urânio.

Em contraste com a viagem anterior de Ahmadinejad pela América Latina, o Brasil não fez parte do roteiro, já que o novo governo brasileiro da presidente Dilma Rousseff se distanciou de Teerã em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Rodrigo Buendia/AFP/Getty Images

Ahmadinejad e o presidente do Equador Rafael Correa, aclamados pela multidão em Quito.

A preocupação do iraniano centra-se no fato do presidente americano, Barack Obama, ter sancionado no último dia de 2011 uma lei que impõe sanções a empresas que adquirirem petróleo iraniano, na esperança de que isso paralise o importante setor petrolífero do Irã e obrigue o país a abrir mão do programa nuclear. Diante disso, os principais importadores começaram a assumir posições, dividindo-se entre manter as boas relações com Washington ou saciar sua sede pelo petróleo iraniano.

Ontem, quinta-feira os aliados dos Estados Unidos na Ásia e na Europa manifestaram apoio às sanções contra o petróleo iraniano, mas ainda há temores sobre o impacto econômico da medida para o mundo, e Teerã disse que o eventual embargo não irá demover o país de manter um programa nuclear.

O Irã comercializa 2,2 milhão de barris por dia em negócios de exportação de petróleo através de seu banco central, usando-o como um intermediário entre a empresa nacional de petróleo e seus clientes compradores de petróleo. Pela nova lei americana qualquer empresa ou governo que lide com o banco central iraniano poderá sofrer sanções, medida que incluiria as empresas de lugares como China, Japão e Índia que comprarem petróleo iraniano.

Foto: Atta Kenare/AFP/Getty Images

Funeral do cientista nuclear iraniano Mostafa Ahmadi-Roshan, em Teerã em 13 de janeiro de 2012. Ele foi morto quando dois homens em uma moto colocaram uma bomba magnética no seu carro. O Irã disse que seu cientista foi morto por Israel e os Estados Unidos como parte de uma campanha secreta contra seu programa nuclear.

Um dia depois da morte de um físico nuclear iraniano, Mostafa Ahmadi Roshan, 32 anos, vítima de um atentado, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, disse que o programa atômico do país é forte demais para ser perturbado por assassinatos como esse, o quarto vitimando um cientista nuclear.

Um jornal próximo à elite clerical do Irã defendeu que autoridades israelenses sejam assassinadas em retaliação, e Olli Heinonen, ex-inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que uma nova usina iraniana, praticamente à prova de bombardeios, pode fornecer ao país dentro de um ano suficiente urânio enriquecido para a produção de uma bomba.

O Irã nega ter a intenção de desenvolver armas atômicas, mas alusões a prazos como esse estimulam as especulações de que Estados Unidos e Israel poderiam recorrer a ações militares contra o programa nuclear iraniano.

O Irã acusou governos estrangeiros, particularmente o de Israel, de orquestrarem o assassinato do físico. Israel, que tem um histórico de cometer ações como essa, não comentou as acusações, mas deve ficar em alerta contra possíveis represálias. Teerã diz que deve iniciar nesta semana o enriquecimento de urânio em uma usina subterrânea nos arredores da cidade sagrada de Qom. Uma delegação da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA, um órgão da ONU) deve visitar o Irã por volta de 28 de janeiro, pelo menos é o que está previsto.


12 de jan. de 2012

Oriente Médio: Era complexo. Ficou mais

OPINIÃO
Oriente Médio: Era complexo. Ficou mais
O Hamas, grupo terrorista palestino que governa a Faixa de Gaza, afasta-se do Irã e da Síria e busca novos padrinhos no Egito e na Turquia. Atônito, o Ocidente só observa e tenta entender

Foto: Adem Altan/AFP/Getty Images

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, junto ao primeiro ministro turco, Tayyip Erdogan, é aclamado no parlmento em Ancara, em 03 janeiro de 2012.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Veja - 10/01/2012

A Turquia ainda é um enclave de democracia no mundo muçulmano. Oficialmente o país separa a religião do estado, negocia a adesão à União Europeia e é parceiro dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental. Com essas credenciais, é de dar calafrios em qualquer democrata a cena, na semana passada, de membros do Parlamento turco recebendo de pé e com vigorosos aplausos Ismail Haniyeh, primeiro-ministro do Hamas, o grupo terrorista palestino que desde 2007 controla a Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que nos últimos meses vem tentando aumentar sua influência entre os árabes, saudou Haniyeh com entusiasmo. O dirigente do Hamas, por sua vez, animou-se a deixar Gaza pela primeira vez em cinco anos para tentar quebrar o isolamento em que se viu depois de perder a proteção de dois padrinhos históricos, o Irã e a Síria. Haniyeh e outro dirigente do grupo palestino, Kalid Meshal, visitaram o Egito e o Sudão, e têm viagens marcadas também para Catar, Tunísia e Barein.

No fim do ano passado, o Hamas começou a esvaziar seu escritório na capital da Síria, Damasco, onde Kalid Meshal esteve refugiado nos últimos dez anos. O grupo estuda transferir sua sede no exílio da capital síria para o Catar ou para o Egito. Se isso de fato ocorrer, será o fim de uma parceria que visava à destruição de Israel.

Caro leitor, não desista. A realidade no Oriente Médio sempre foi mutante como as dunas do deserto. Ficou ainda mais depois da onda de protestos populares que tomou as praças de capitais que diferentes ditaduras mantinham politicamente assépticas havia décadas com ajuda militar e financiamento do Ocidente. Agora, o teatro geopolítico está sendo remontado no Oriente Médio, tendo o Ocidente reduzido ao papel de observador atônito dos acontecimentos que se desenrolam sem sua participação ou influência direta.

Os últimos atos que afastaram o Hamas da Síria e do aliado Irã foram protagonizados nas ruas. E, como é costume na região, foram sangrentos. As relações se enfraqueceram depois que o Hamas negou apoio à dura repressão que o ditador sírio Bashar Assad exerce sobre os insurgentes em seu país – segundo a ONU, desde março do ano passado as forças sírias mataram mais de 5000 pessoas. A queda do ditador Hosni Mubarak, no Egito, em fevereiro, e o rompimento da Turquia com Israel, em setembro do ano passado, abriam ao Hamas a oportunidade de mudar de padrinhos. Em boa hora. O Hamas e o governo sírio têm diferenças religiosas profundas, que só eram toleradas pelo interesse mútuo de enfraquecer Israel. O governo sírio é dominado pela minoria alauita, que massacrou principalmente muçulmanos sunitas, a mesma corrente religiosa do Hamas.

O afastamento do Hamas de seu aliado sírio consequentemente o distanciou de seu principal financiador, o governo iraniano. Desde a Revolução Islâmica, em 1979, a Síria é um dos grandes parceiros políticos e comerciais do Irã. Foi por meio dessa ligação que Teerã conquistou influência no Líbano, com o Hezbollah, e nos territórios palestinos, com o Hamas.

No ano passado, o Irã suspendeu o financiamento do Hamas quando o grupo se negou a apoiar publicamente o encurralado regime de Assad. Ocorre que o Irã também está cada vez mais isolado. O país não conseguiu tirar proveito das revoluções que varreram o norte da África no ano passado. Resta-lhe a crescente influência sobre os xiitas do Iraque. O programa nuclear, que nenhuma nação séria crê ser para fins pacíficos, rendeu ao Irã sanções atrás de sanções, que começam a fazer efeito. Numa tentativa de blefe, o país chegou a ameaçar fechar o Estreito de Ormuz, por onde é transportada grande parte do petróleo mundial. Na semana passada, a União Europeia anunciou que deve suspender em breve as importações de combustíveis fósseis do Irã. O impacto na Europa será mínimo, pois menos de 5% do seu petróleo vem do país. Já os aiatolás têm mais motivos para se preocupar. Depois da China, a Europa é o segundo maior importador de petróleo iraniano.

Se o Hamas tirar mesmo seu escritório de Damasco, o grupo terá de romper com o Irã e arcar com as consequências financeiras da mudança. "Isso estancará sua maior fonte de financiamento, e será difícil encontrar outro país no Oriente Médio interessado em bancar terroristas palestinos, como faziam o Irã e a Síria", diz a historiadora inglesa Julia Pettengill, pesquisadora do Henry Jackson Society, centro de estudos geopolíticos com base em Londres.

Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

O lider do Hamas, Ismail Haniyeh (a esquerda) sendo afetuosamente recebido no Cairo, pelo líder Irmandade Muçulmana egípcia Mohammed Badie, 26 de dezembro de 2011.

No Egito, o partido da Irmandade Muçulmana, um grupo fundamentalista, firmou-se em pleito realizado na semana passada, como a maior força política na nova Assembleia do Povo, uma das duas câmaras legislativas do país, com mais de um terço dos votos. O Hamas nada mais é do que uma filial palestina da Irmandade Muçulmana. Aproximar-se de seus pares egípcios significa estar do lado dos futuros governantes da nação com a maior população árabe do mundo. Por enquanto, a Irmandade esconde seus planos para Israel, mas alguns de seus membros já deixaram transparecer o desejo de anular o acordo de paz com o país vizinho, assinado em 1979 – o que, evidentemente, seria uma vitória para o Hamas.

Quanto à Turquia, que recebeu Ismail Haniyeh de braços abertos, trata-se de uma nação governada por um partido islâmico que diz não querer romper com a tradição democrática nacional, mas não esconde a afinidade com grupos fundamentalistas da região, inclusive o Hamas. No ano passado, o primeiro-ministro Erdogan rompeu com Israel como punição pelos nove turcos mortos na abordagem militar israelense ao navio Mavi Marmara, que rumava à Faixa de Gaza como provocação ao bloqueio imposto ao território palestino. Desde as revoluções que derrubaram os governos do Egito, da Tunísia e da Líbia em 2011, Erdogan tenta aumentar sua influência no mundo árabe. Ter o Hamas como aliado ajuda nesse objetivo. Enquanto isso, o Ocidente só observa e tenta entender o enredo do teatro geopolítico no novo Oriente Médio.


*”Era complexo. Ficou mais” é o título original do texto
**Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas ao texto original

7 de dez. de 2011

ISRAEL: Ex-presidente, Moshe Katsav, foi para a prisão

ISRAEL
Ex-presidente, Moshe Katsav, foi para a prisão
O ex-chefe do Estado cumprirá a condenação, de sete anos, por estrupo. Horas antes, ao sair de sua casa, Katsav afirmou que estavam condenando um inocente e que "algum dia os israelenses compreenderão que hoje foi enterrado um homem vivo".

Foto: Edi Israel/Associated Press

O ex-presidente de israelense Moshe Katsav fala aos jornalistas ao deixar sua casa em Kiryat, no centro de Israel, para começar a cumprir uma pena de prisão de sete anos por estupro

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Stern, Portal Terra, Publico, The New York Times

Nesta terça-feira, um dia após o seu aniversário de 66 anos, Moshe Katsav, ex-presidente de Israel, recebeu em sua modesta casa, em Kiryat Malachi, Israel, uma cidade de imigrantes, netos e amigos e conhecidos. Os telefones tocaram initerruptamente. Os vizinhos o abraçaram comovidos e Rabinos deram-lhe bênçãos.

O velho político não estava comemorando seu aniversário. Ele estava aproveitando o seu último dia de homem livre em sua própria casa. Nesta quarta-feira, ele apresentou-se na prisão de Maasiyahu na cidade de Ramle, ao sul de Tel Aviv, para começar a cumprir uma pena de sete anos devido a condenações por estupro.

Katzav foi considerado culpado de violentar duas funcionárias no período em que era ministro do Turismo em 1998, de assédio sexual, de coerção de testemunhas e de obstruir a justiça.

O jornalista Ethan Bronner, do The New York Times, que o entrevistou na véspera de ir para a prisão, diz que Katsav parece falar a partir do âmago do seu ser, quando ele afirma ser inocente de todas as acusações. Lágrimas escorriam na ocasião “quando ele se sentou em sua mesa de jantar contando os detalhes do seu caso em uma entrevista de duas horas”. “Ele lamentou também por ter dedicado toda a sua vida, a um sistema, fala da democracia Israelense, que agora o condenava injustamente.”

"Quando eu era presidente, recebi 10 mil pedidos de perdão", disse ele. "Todos eles afirmaram ter sido vítimas de injustiça. Eu sinto muito por ter rejeitado essas alegações. Agora, acredito que alguns deles eram realmente inocentes."

Katsav entrou Prisão Maasiyahu na cidade de Ramle, ao sul de Tel Aviv, no início desta quarta-feira. Noticiou-se que foi colocado em uma ala especial, juntamente com outros judeus religiosos praticantes. É bem possível, disse ele, que entre seus colegas de prisão estarão alguns cujo perdão ele rejeitou quando era presidente de 2000 a 2007.

Sobre a insinuação que ele poderia se suicidar no presídio, reagiu com veemência, dizendo que não iria deixar "os conspiradores vencer". Referia-se a imprensa israelense, políticos, policiais e juízes que ele acredita que são os culpados por aquilo que ele chama de uma terrível injustiça.

"Estou prestes a pagar o preço por algo que eu não fiz", disse ele. "Eu abracei e beijei mulheres, mas não de maneira inadequada. Nós nos tornamos como a Arábia Saudita. Um abraço é uma ofensa sexual. "

Foto: Rina Castelnuovo/The New York Times

O ex-presidente Moshe Katsav passou suas últimas horas como um homem livre, em casa, com sua família em Kiryat Malachi, Israel

Porém, o poder judiciário israelense discorda firmemente desses argumentos. Ultimamente ele foi condenado por um colegiado composto de três juízes, da corte superior, não por abraços, mas devido a duas acusações de estupro envolvendo força e dominação das vítimas. No mês passado, outro colegiado, o Supremo Tribunal rejeitou definitivamente o seu recurso.

"Uma profunda tristeza desce sobre o Estado de Israel, quando se constata que uma pessoa que serviu como ministro do governo, um vice-primeiro-ministro e presidente perpetrados atos como esses," sentenciou a Suprema Corte na sua decisão. "É um espetáculo dos mais difíceis ver um homem que já foi símbolo do país indo para a cadeia." – concluiu

Muitos em Israel dizem que, apesar da vergonha que de ver que homem que ocupou tão altos cargos tenha sido condenado por tais atos, sentem, porém, orgulho porque o caso acabou demonstrando que ninguém está acima da lei.

Mas os defensores de Katsav, especialmente nesta cidade centro-sul, onde no passado ele tomou posse como o mais jovem prefeito de Israel, acreditam que ele foi vítima de preconceito étnico e de classe.

Nascido no Irã e trazidos para Israel ainda criança, chegou a viver com a família humilde em uma barraca e, em seguida, em uma cabana de madeira. Depois de ter estudado na Universidade Hebraica em Jerusalém, ele projetou-se rapidamente, especialmente depois que o Partido Likud chegou ao poder no final de 1970.

“O fato é que eu sou de um país muçulmano e de uma cidade em desenvolvimento", disse ele, usando o termo para as áreas mais pobres na periferia urbana do país. A elite tradicional de Israel tem raízes europeias e vive em centros urbanos como Tel Aviv.

Alguns dos defensores de Katsav têm comentam que tanto o colegiado original de juízes que o condenou, quanto os integrantes da Suprema Corte que rejeitou sua apelação eram compostas de duas mulheres e um árabe israelense.

Em 2008, foi-lhe oferecido um acordo judicial em que ele admitiria a conduta inadequada muito aquém de estupro o que o livraria de acabar na prisão. Mas ele disse na terça-feira que se tivesse aceitado o acordo seria a admissão do delito, então decidiu lutar pela sua inocência nos tribunais.

Poucos jornalista acreditam na sua insistência de inocência. A maioria o acusa de ser orgulhoso e tolo ao ter recusado a oferta. Outros, como Sima Kadmon de Yediot Aharonot, chegou a chamá-lo de delirante.

"Ele já provou que vive em um mundo próprio, no qual verdade e mentira se misturam, em que as mulheres são sedutoras e manipuladora, os jornalistas são tendenciosos e maliciosos e os juízes são mentirosos", escreveu ela comentando a decisão da Corte Suprema a rejeitar a apelação.

Na entrevista na terça-feira Moshe Katsav encaixou-se nessa descrição. Ele argumentou que todos os setores da sociedade israelense tinha participado de um esforço conjunto para destruí-lo. A mídia festejou sua condenação. Muitos na polícia desprezava por suas críticas de algumas de suas ações recentes. Seus colegas políticos temiam sua popularidade - como ele acabou a sua presidência, ele era um candidato forte para primeiro-ministro. E os juízes resolveram acreditar na palavra de uma mulher que ele havia demitido.”

Um vizinho, Sammy Vaknin, disse aos jornalistas que Katsav representou o estado da mesma forma que o hino nacional e a bandeira o fazem. Enviá-lo para a prisão, “mesmo que tenha feito algo de errado" - é como atirar a bandeira no lixo.

"Podemos muito bem entregar o país aos palestinos", disse o Sr. Vaknin.

Fontes do Ministério de Segurança Interna revelaram, que Katsav vai partilhar a cela com o antigo ministro Shlomo Benzri, com o propósito de “lhe facilitar o processo de adaptação”. Ser-lhe-á ainda atribuído um guarda prisional em especial, com a tarefa de garantir que o antigo Presidente não tentará suicidar-se.

Após cumprir um quarto da sentença, Katsav poderá requerer a liberdade condicional até ao fim do termo da pena ou mesmo solicitar a redução da mesma, de acordo com um comunicado dos serviços prisionais de Israel.

Foto: Uriel Sinai/Getty Images

Moshe Katsav, ex-presidente de Israel, abraça-se com seu filho na entrada da prisão de Maasiyahu, nesta quarta-feira.


16 de nov. de 2011

Mil por um: a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas

19/10/2011

ISRAEL
Mil por um: a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas
O sargento Shalit, do exército de Israel, prisioneiro de radicais de Gaza, há cinco anos, foi trocado por mil palestinos, num acordo entre o governo israelita e os lideres do Hamas. Enquanto em Tel Aviv comemorava-se a volta do militar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, centenas de milhares de palestinos comemoraram a libertação dos prisioneiros, soltos na terça-feira. Entre as principais palavras de ordem gritadas pela multidão estava o slogan "queremos mais Shalit", exortando militantes palestinos a capturarem mais soldados israelenses para conseguir a libertação de mais prisioneiros palestinos detidos em cadeias de Israel.

Foto: Reuters

Gilad Shalit (esquerda) é visto ao lado de seu pai Noam na base aérea de Tel Nof, no centro de Israel, nesta foto divulgada pelas Forças de Defesa de Israel nesta terça-feira.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasil, Portal Terra, Reuters

A notícia internacional mais importante de ontem, foi a libertação do soldado israelense Gilad Shalit e de centenas de palestinos que cruzaram as fronteiras de Israel em sentidos opostos, nesta terça-feira, numa troca de prisioneiros, que trouxe alegria para as famílias, embora pouco represente para amenizar décadas de conflito.

Em uma das maiores trocas entre os dois lados, o sargento Shalit, de 25 anos, foi levado através da fronteira entre a Faixa de Gaza e a península do Sinai, do Egito, e entregue num posto de fronteira israelense, de onde foi conduzido a um helicóptero que o esperava para transportá-lo a uma base aérea de Israel, onde se encontrou com seus pais.

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

Simultaneamente, Israel começou a libertar 477 presos palestinos dos mais de 1.000 que fazem parte do acordo. Testemunhas viram o primeiro grupo chegando a Gaza. Outros devem ser libertados na Cisjordânia ocupada.

Outro grupo de 550 deve ser libertado ainda neste ano, e cerca de 40 estão sendo enviados para exílio na Turquia, Catar e Síria.

Foto: Moran Maayan/Associated Press

A celebração em Israel

O ambiente em Israel era de júbilo, com cartazes de "bem-vindo ao lar" nas ruas e passageiros do transporte público assistindo ao vivo transmissões da troca em telefones celulares.

Shalit era visto como "o filho de todos" e pesquisas de opinião mostraram que a maioria dos israelenses apoiava o acordo mil-por-um, embora muitos dos presos libertados tivessem sido condenados por ataques que resultaram em mortes de judeus.

Foto: Canal 10 TV Egípcia via Reuters

"Senti falta de minha família", disse Shalit, que estava magro e respirando às vezes com dificuldade, em entrevista a uma TV egípcia antes de ser entregue a Israel. A declaração à emissora foi divulgada depois de sua transferência para Israel.

"Espero que este acordo vá promover a paz entre Israel e os palestinos", disse ele. No enclave costeiro palestino, líderes islâmicos do Hamas alegaram defesa pela hostilidade em relação a Israel que, nesta terça-feira pelo menos, ofuscou os esforços dos rivais liderados pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia.

Mas não havia nenhum sinal de Israel ou do Hamas de que o acordo poderia ser um ponto de partida para o diálogo.

Foto: Ilia Yefimovich /Getty Images

Palestinos à espera dos prisioneiros libertados em um posto de inspeção na Cisjordânia jogaram pedras em soldados israelenses, que responderam com gás lacrimogêneo, depois que os militares anunciaram para a população que o grupo havia sido levado para outro ponto da fronteira

"O povo quer um novo Gilad, o povo quer um novo Gilad", clamavam dezenas de milhares de pessoas em um comício em Gaza para os prisioneiros libertados, pedindo que seus combatentes capturassem mais soldados para ajudar a libertar alguns dos 5.000 palestinos ainda detidos por Israel.

Foto: Eric Gaillard/Reuters

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, saudando o retorno de Shalit para casa, advertiu os ex-prisioneiros de que eles estariam "colocando suas vidas em risco" se "retornassem ao terror."

Defendendo o acordo que deixou um sabor amargo em Israel, Netanyahu disse que sentiu a dor dos parentes de israelenses mortos por alguns dos palestinos libertados, mas salvar um soldado do cativeiro era um imperativo bíblico judaico.

"É um dia difícil", disse ele, descrevendo o preço pago por Israel pela libertação de Shalit como elevado.

O Egito ajudou a mediar o acordo e seu governo interino apoiado pelo Exército buscou reviver o papel diplomático chave no Oriente Médio. 

Foto: Canal 10 TV Egípcia via Reuters

No primeiro vídeo de Shalit divulgado desde 2009, antes de sua libertação, imagens da televisão egípcia mostraram o soldado em trajes civis e com um boné de beisebol. Sem sorrir e aparentando confusão, Shalit andava rapidamente escoltado por membros do Hamas, que seguravam seus braços ao retirá-lo de um veículo.

Segundo comentaristas políticos, parecia improvável que o acordo entre dois grandes inimigos tivesse um impacto imediato sobre os esforços de reviver as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Mas o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse esperar que o acordo tenha um impacto positivo sobre o processo paralisado.

Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Os pais de Shalit, Noam Schalit e Aviva Schalit, fizeram uma campanha pública para insistir que o líder de direita fizesse mais para assegurar a libertação do filho e montaram uma tenda de protesto perto da residência de Netanyahu.

Para os palestinos, este foi um momento de celebrar o que o Hamas descreveu como uma vitória. Em Gaza, território tomado pelo Hamas em 2007 do movimento Fatah, de Abbas, foi declarado feriado nacional e jovens carregando bandeiras tomaram a cidade.

Foto: Hatem Moussa/Associated Press

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, abraçou os prisioneiros libertados conforme eles desciam dos ônibus.

"Essa é a maior alegria para o povo palestino", disse Azzia al-Qawasmeh, que esperava em um posto de controle na Cisjordânia por seu filho Amer, que estava na prisão havia 24 anos.

Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, centenas de milhares de palestinos comemoraram a libertação de 477 prisioneiros, soltos na terça-feira.

Alguns veem o acordo de troca de prisioneiros como um impulso para o Hamas às custas de Abbas, que renunciou à violência em favor de um diálogo, mas até agora não conseguiu ver os anos de negociações com Israel produzirem grande progresso rumo a um Estado palestino.

Na véspera da troca, foi anunciado que os esforços internacionais para reviver as negociações de paz após 13 meses do colapso por causa dos assentamentos construídos por Israel fracassaram em reunir os dois lados para encontros marcados para o dia 26 de outubro em Jerusalém.

Enviados do Quarteto de mediadores, formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, farão sessões separadas com autoridades israelenses e palestinas. O Hamas se opõe ao processo de paz.

Por outro lado, o acordo de troca de prisioneiros assinado pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o Hamas deu proeminência ao grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza como liderança nacional dos palestinos, na opinião de analistas israelenses.

Depois da libertação de Shalit, o analista do canal 10 da TV israelense, Chico Menashe, afirmou que o acordo entre Israel e o Hamas significa "pena de morte para Abu Mazen (apelido do presidente palestino Mahmoud Abbas, que é do laico Fatah)" e a "coroação" do Hamas, que é rival do Fatah.