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6 de ago. de 2014

Por que a guerra Israel-Hamas é típica guerra Exército-Guerrilha? - Gustavo Chacra

Oriente Médio - Opinião
Por que a guerra Israel-Hamas é típica
guerra Exército-Guerrilha?
O Exército de Israel não é diferente de nenhum outro Exército do mundo. O Hamas tampouco é diferente de outras guerrilhas urbanas do mundo.

Charge: Joep Bertrams – Het Parool - Amsterdam - Holanda

Postado por Toinho de Passira
Texto de Gustavo Chacra
Fonte: Estadão

O Exército de Israel não é diferente de nenhum outro Exército do mundo. Não é o mais moral e tampouco o mais cruel. Atua da mesma forma que a maior parte das Forças Armadas do mundo atuariam se enfrentassem uma guerrilha como o Hamas.

Como exemplo, pegue os Estados Unidos, do celebrado Barack Obama, Nobel da Paz. Seus Drones bombardeiam o Yemen para combater a Al Qaeda. Mas no fim morrem centenas de civis nestes ataques. E olhe que os iemenitas não lançam um foguete sequer contra o território americano.

Noto que os conflitos mais sanguinários do Oriente Médio no pós Guerra envolveram potências não árabes – Irã (Guerra Irã-Iraque), EUA (Guerra do Iraque) e França (Guerra da Argélia). Todos mataram bem mais do que qualquer conflito entre israelenses e palestinos.

O Hamas tampouco é diferente de outras guerrilhas urbanas do mundo. Age de forma similar a outros grupos guerrilheiros, independentemente da região. Suas táticas são comuns em uma zona com elevada densidade demográfica, bloqueada e enfrentando um Exército superior. É um pouco óbvio que se esconderão no meio da população.

Trata-se de um conflito assimétrico. Não há condições de nenhum dos lados sair totalmente vencedor, embora guerrilhas, como o Hamas, tendem a sair vencedoras ao não perderem. Foi o que aconteceu no atual conflito.

A única forma de estabilidade definitiva seria um acordo de paz. Isso também já ocorreu em outras partes do mundo. Os europeus, que são o povo que mais se matou na história da humanidade, hoje vivem em relativa paz, a não ser pela Ucrânia.

Por que no Oriente Médio, onde nunca houve violência que chegasse aos pés da violência europeia, judeus e árabes não conseguirão o mesmo?
*Guga Chacra é comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY.
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

6 de abr. de 2014

A fotografa alemã, Anja Niedringhaus, da Associated Press, é morta em ataque terrorista no Afeganistão

AFEGANISTÃO - ALEMANHA
A fotografa alemã, Anja Niedringhaus, da Associated Press, é morta em ataque terrorista no Afeganistão
A jornalista, muito experiente em atuar em áreas de conflito, desde a guerra do Iraque, cobria os preparativos das eleições afegã, acompanhada da jornalista canadense, Kathy Gannon, que saiu ferida no atentado. Um oficial da polícia disparou contra elas, propositalmente, dentro de uma base militar, onde aguardavam para acompanhar um comboio de funcionários do serviço eleitoral.

Foto: Peter Dejong/Associated Press

Anja Niedringhaus, da Associated Press, morta, nesta sexta,
durante a cobertura das eleição no Afeganistão

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Yahoo News, Associated Press, Huffington Post, The Guardian, CTV News, Huffington Post, Deutsche Welle

A fotógrafa alemã, Anja Niedringhaus, de 48 anos, da agência de notícias Associated Press (AP), morta nesta sexta-feira no leste do Afeganistão por um policial, enquanto cobria a preparação do primeiro turno da eleição presidencial, era aclamada internacionalmente, pelo seu trabalho no fotojornalismo, tendo inclusive ganhado prêmio Pulitzer em 2005, o Oscar do jornalismo, por sua cobertura do conflito no Iraque.

Niedringhaus estava acompanhada da colega fotografa canadense Kathy Gannon, 60 anos, que também foi alvejada. Gannon é correspondente da Associated Press no Afeganistão e Paquistão, há quase trinta anos, foi atingida por três disparos que lhe atingiram no ombro e punho. Ela foi atendida em um hospital militar de Cabul, e não corre risco de morte.

Este é o segundo ataque recente contra jornalistas ocidentais no Afeganistão. No dia 11 de março o repórter sueco Nils Horner foi morto a tiros.

Em 20 de março, o jornalista da AFP Sardar Ahmad, sua mulher e dois filhos do casal morreram em um tiroteio no hotel Serena de Cabul, que deixou nove mortos no total.

O ataque desta sexta-feira aconteceu às 10H45 (03H15 no horário de Brasília) na província de Khost, na fronteira com o Paquistão.

Khost é uma província remota e infiltrada pela rebelião talibã. Além disso, fica perto da fronteira com as zonas tribais paquistanesas, verdadeiro reduto de insurgentes.

As duas acompanhavam um comboio de funcionários eleitorais encarregados de entregar cédulas para a votação do sábado. O comboio estava protegido por forças de segurança afegãs. Eles estavam em seu próprio carro com um tradutor e um jornalista freelancer da AP.

O governo afegão informou que o assassino é um "oficial da polícia nacional", que disparou contra as duas jornalistas, quando elas estavam num veículo dentro de uma base das forças de segurança locais.

“O criminoso, pertencente ao contingente que deveria proteger as jornalistas, gritou ‘Allah Akbar’ (Deus é grande) e abriu fogo” com sua AK-47. Em seguida rendeu-se aos outros policiais.

Anja Niedringhaus era uma veterana fotógrafa de guerra. Começou sua carreira aos 16 anos em um jornal local na Alemanha. Estudou literatura, filosofia e jornalismo antes de cobrir a queda do muro de Berlim para agência EPA em 1990.

Em 2002, foi contratada pela AP. Cobriu diversos conflitos, incluindo em Israel, Palestina, Iraque, Afeganistão e Paquistão, além de ter realizado trabalhos na área de esporte.

O ataque desta sexta-feira aconteceu na véspera do primeiro turno da eleição presidencial afegã, que os talibãs prometeram "perturbar" por todos os meios. A votação designará o sucessor de Hamid Karzai, o único presidente que o país conheceu desde a queda dos talibãs em 2001 e que, segundo a Constituição, não pode disputar um terceiro mandato.

O novo presidente terá um grande desafio: a garantia da segurança do país por forças afegãs, pois até o fim do ano será concluída a retirada das tropas da Otan.

"Anja e Kathy juntos passaram anos no Afeganistão cobrindo o conflito e as pessoas de lá. Estamos inconsoláveis com a perda dela", disse o Editor Executivo, da Associated Press, Kathleen Carroll, falando em Nova York.

As fotos de Anja Niedringhaus retratavam uma visão perspicaz, feminina, lírica, suave e crítica, a situação extrema da guerra, ou onde quer que estivesse com sua câmera.

Vejam algumas das fotos que celebrizaram Anja Niedringhaus:

Fotos: Anja Niedringhaus/Associated Press

Esta fotografia de um fuzileiro naval EUA carregando uma mascote da sorte, patrulhando com sua unidade Faluja ganhou um prêmio Pulitzer, de fotojornalismo, como parte de uma série de imagens de combate sangrento no Iraque em 2004


Uma mulher, afegã, segura seu bebê, enquanto aguarda para experimentar uma nova burca, numa loja na cidade velha de Cabul, abril 2013


Soldado americano, caminha sobre seu veículo blindado ao pôr do sol, enquanto se prepara para um exercício militar noite no deserto do Kuwait ao sul da fronteira com o Iraque em dezembro de 2002


Rebeldes líbios celebram ao lado de carros em chamas depois que as forças do líder Muammar Gaddafi foram rechaçadas de volta a Benghazi, março 2011


O para-atleta, Oscar Pistorius da África do Sul compete no atletismo de 400 metros dos homens semifinal no Estádio Olímpico, Londres 2012


Um soldado francês, do contingente da ONU franceses e uma jovem civil, prestam os primeiros socorros a um soldado bósnio, gravemente ferido por um franco atirador, que morreu segundo depois, em 1994


Um militar afegão monitorando o tráfego, a nordeste de Cabul, em um bloqueio na estrada que leva ao aeroporto de Bagram, em 2002. Durante a operação militar Liberdade Duradoura, uma aliança sob a lideração dos EUA, em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro


A polícia de choque, italiana, em Génova enfrenta manifestantes antiglobalização, durante a cúpula dos países da G8, em 2001, durante os protestos em que um jovem foi baleado.


A visita de estudantes afegãs, a uma escola primária internacional, em Omid, depois que o Talibã, que é contrario a frequência de meninas nas escolas, foram rechaçados e enfraquecidos, em 2011.


Na Faixa de Gaza, mulheres palestinas choraram por um parente que está entre as vítimas de um ataque militar por parte do exército israelense, em 2009

29 de nov. de 2013

Sírios caçam leão do zoológico para servir de alimento

SÍRIA - Guerra
Sírios caçam leão do zoológico para servir de alimento
Uma imagem que virou viral na internet mostra cidadãos sírios rebeldes esquartejando um leão do zoo local, com reflexo da fome desesperadora que atingiu essa parte do país. Religiosos teriam autorizado a população a comer carne normalmente proibido pela lei islâmica e teriam advertindo que pouco mais “os vivos seriam obrigados a comer os mortos” se a situação continuasse se deteriorando.

Foto: Reprodução

Rebeldes famintos fatiando o leão para comer

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The Independent, Telegraph, Uol, The Week, Religião de Deus

Uma imagem de rebeldes sírios esquartejando um leão está sendo compartilhada amplamente nos meios de comunicação e nas redes sociais, com ativistas apresentando a foto como prova de que cidadão sírios, sitiados , sem acesso a abastecimento, estão com tanta fome, que estão tendo de matar animais do jardim zoológico para sobreviver.

A imagem mostra quatro homens ao lado de um leão morto, com um deles segurando a cabeça do animal.

Não se pode verificar nem a foro nem a história de forma independente, devido aos limites de censura imposta a imprensa, mais muito estão relatando como verídica a história de que o leão de Al-Qarya al-Shama Zoo, em East Ghouta, foi abatido para servir de alimento, comoRe´prição um exemplo dos níveis de puro desespero da população de um país devastado pela guerra.

Especula-se que como a palavra árabe para leão é 'Assad', há conjecturar que esta imagem, mais que um fato, seria uma mensagem para o regime do presidente Bashar Hafez al-Assad.

No mês passado, um grupo de clérigos sírios emitiu uma fatwa (um pronunciamento legal no Islão emitido por um especialista em lei religiosa) , permitindo que as pessoas que vivem nos subúrbios sitiadas comer carne normalmente proibido pela lei islâmica. Os clérigos muçulmanos autorizaram as pessoas comerem gatos, cães e burros em uma tentativa de reduzir a crescente fome no cinturão agrícola de Ghouta.

O distrito de Ghuta Oriental, sitiado pelo Exército sírio, enfrenta uma grave crise de alimentos. A área foi uma das mais atingidas por ataques químicos em agosto.

Os religiosos clamara uma ajuda internacional, advertindo que pouco mais “os vivos seriam obrigados a comer os mortos” se a situação continuasse se deteriorando.

Mais de 100 pessoas morreram nos subúrbios orientais na última sexta-feira depois de violentos combates eclodiram quando os rebeldes sírios tentaram quebrar um mês de bloqueio. De acordo com grupos humanitários locais e internacionais, as forças do presidente Assad parece estar tentando usar a fome como arma de guerra contra os residentes.

31 de ago. de 2013

Como Obama convencerá o Congresso a autorizar a intervenção na Guerra da Síria?

ESTADOS UNIDOS - SÍRIA
Como Obama convencerá o Congresso a autorizar a intervenção na Guerra da Síria?
Obama terá a tarefa agora de, em primeiro lugar, apresentar provas de que realmente o regime de Assad foi responsável pelo uso de armas químicas.

Foto: Charles Dharapak / Associated Press

Presidente Obama anunciando que vai pedir apoio ao congresso sobre intervenção na Síria, neste sábado, acompanhado do vice-presidente Joseph R. Biden, o Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guga Chacra*
Fontee: Blog Estadão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez história hoje ao buscar autorização do Congresso para intervir na Síria. Desta forma, o líder americano abre um precedente para outros ocupantes da Casa Branca no futuro não agirem sem o aval de deputados e senadores. Mas esta decisão ocorreu apenas como um último recurso depois de fracassos na ONU e no Reino Unido e não por ele agir como um estadista.

Não será simples, porém, para Obama conseguir esta autorização. Existem opositores a esta operação tanto entre democratas como entre republicanos. No seu partido, há uma ala mais à esquerda que vê esta ação como uma repetição dos anos de Bush, embora a intervenção na Síria seja completamente distinta por ser de curta duração e sem o envio de tropas.

Entre os republicanos, o cenário é mais complexo. Alguns, como os senadores John McCain e Lindsay Graham, são a favor de uma intervenção ainda maior, incluindo, além dos bombardeios, uma zona de exclusão aérea e o armamento em larga escala da oposição. Outros, como os libertários e isolacionistas, são contra uma ação contra a Síria por achar uma intervenção cara, em um país não estratégico e que iria contra os cristãos sírios, majoritariamente aliados de Assad.

Obama terá a tarefa agora de, em primeiro lugar, apresentar provas de que realmente o regime de Assad foi responsável pelo uso de armas químicas. Em segundo lugar, precisará responder a todas às dúvidas sobre a eficiência de sua estratégia de bombardeios contra a infraestrutura militar de Assad. Será suficiente para coibir novas ações com armas químicas? Aumentará a intensidade da guerra civil? Provocará reações nos países vizinhos? Os EUA serão sugadas para um conflito ainda maior?

No Reino Unido, David Cameron fracassou. Mas o premiê teve pouco tempo para se preparar. Vamos ver a Casa Branca, com mais tempo e, possivelmente, mais informações.
Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia.

30 de ago. de 2013

Síria, quem ganha e quem perde? – de Lucas Mendes, para a BBC Brasil

BRASIL - Opinião
Síria, quem ganha e quem perde?
Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

Charge : John Cole - The Times-Tribune (USA).

Postado por Toinho de Passira
Texto de Lucas Mendes
Fonte: BBC Brasil

Na tela da televisão os números das redes de finanças e economia mostram quem lucrou com a ameaça de Barack Obama de atacar o governo sírio.

O petróleo teve a maior alta em 2 anos e as bolsas no mundo perderam mais de US$ 800 bilhões. Quem apostou na alta do petróleo e nas quedas das bolsas, ganhou. E ganhou de novo quando comprou ações na baixa quarta de manhã. Já subiram.

Minha teoria conspiratória é inspirada nos meus livros de histórias em quadrinhos do Super Homem. Um grupo da Intergang* da Metropolis, em busca de mais fortuna, compra mísseis químicos no mercado negro, contrata meia dúzia de terroristas para dispará-los contra a população civil. Depois aposta milhões na alta do petróleo e na queda das bolsas. Se apostassem só numa bolsa seria fácil identificar os ganhadores mas com o dinheiro espalhado por dezenas de bolsas pelo mundo é mais difícil.

Fiquei surpreso de não encontrar este enredo elementar na enorme lista de filmes conspiratórios. Há centenas deles. Também tinha pensado no filme Siriana, do George Clooney, mas a trama é diferente. O meu será o Siriana 2.

Dos enredos conspiratórios, o mais próximo ocorre em um episódio da série 24 onde um terrorista explode uma arma química no Oriente Médio para justificar o envio de tropas americanas. A arma foi fornecida pela CIA. Super conspiratório.

Há outras teorias na mesa. O Irã e a Rússia são os países mais interessados em ver os Estados Unidos atolados numa terceira guerra invencível que vai exigir tropas, armas e dólares durante vários anos. São suspeitos?

Fazer estas elucubrações é fácil. Difícil é explicar para os americanos o que Bashar al-Assad tinha a ganhar com um ataque de armas químicas. A situação dele na guerra civil melhorou nas últimas semanas. Muito mais lógico é um veneno vindo dos rebeldes, que não conseguem fazer progressos e precisam enfraquecer Al-Assad.

Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Os moderados perderam terreno.

Há outras respostas para a pergunta "por que Bashar al Assad teria lançado as armas?".

1 - Para desafiar a comunidade internacional e projetar firmeza.

2 - Para aterrorizar a população civil que ainda não fugiu e abriga os rebeldes.

3 - Aumentar a pressão nos rincões rebeldes que ainda resistem.

Há duas outras teorias: Quem lançou os mísseis errou na dose ou o irmão de Al-Assad, Maher, o terrível líder da guarda republicana, teria disparado os mísseis por conta própria.

Já morreram mais de 100 mil sírios, 2 milhões saíram do país e vivem miseravelmente em campos de refugiados. O que aconteceria com eles depois da queda de Al-Assad, seguida de uma guerra pelo poder entre os rebeldes?

Ou, mesmo sem uma guerra, se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

A maioria dos americanos, por grande margem, 90% numa das pesquisas, é contra uma operação militar na Síria. Os políticos estão divididos.

Há conservadores pró e contra uma intervenção. Os a favor argumentam que se for provado pelos inspetores da ONU que Al-Assad foi responsável pelo ataque e Obama não fizer nada, perderá credibilidade internacional.

Porque o Irã, a Coreia do Norte ou qualquer outro país deveria ter medo das ameaças dele?

Uma grande operação está fora dos planos. Se a comissão da ONU garantir que as armas vieram de Al-Assad, pelo rufar dos tambores, haverá uma intervenção cirúrgica, minimalista para destruir comunicações, depósitos de armas e bases aéreas.

Mas e se os inspetores da ONU disserem que os mísseis podem ter vindo dos rebeldes? O preço do petróleo vai cair, a bolsa vai subir e a Intergang vai sair no lucro.
*Intergangue é um bando intergaláctico capaz de enfrentar e por em risco, o Super-Homem e outros super-heróis dos quadrinhos. São apoiados com armas e tecnologia fornecido por vilões do planeta “Apokolips”. A Intergangue foi criado por Jack Kirby, desenhista, roteirista e editor de Histórias em quadrinhos, em 1970

12 de mai. de 2013

Jordanianos compram esposas entre refugiadas sírias, aproveitando situação de penúria das famílias

TURQUIA - JORDÂNIA
Jordanianos compram esposas entre refugiadas sírias, aproveitando situação de penúria das famílias
Enquanto Andrew Harper, representante da agência de refugiados da ON, diz indignado que não consegue imagimar nada mais asqueroso que pessoas se aproveitarem de mulher refugiadas, o vice-presidente do Partido Republicano turco, Farouk Logoglu, denunciou, no Parlamento, que as mulheres sírias abrigadas em campos de refugiados turcos, estão sendo "vendidas aos xeques ricos dos países árabes".

Foto: Thaier al-Sudani/Reuters

Há denuncia que, fingindo-se trabalhadores humanitários, pessoas negociam, com as famílias em dificuldades extremas, “casamentos” entre jovens de tenra idade, com homens endinheirados da Jordânia e de todo o mundo árabe.

Postado por Toinho de Passira
Baseado no texto de Beth McLeod para “BBC The World Tonight”, em Amã (Jordânia)
Fontes: BBC Brasil, The Star, The Washington Post, Syria News, The Shia Post, Voice Of America

Antes do início da guerra civil síria, Kazal estava apaixonada por seu vizinho, na cidade de Homs. "Ele tinha 20 anos e eu sonhava em me casar com ele", diz ela. "Nunca imaginei que fosse casar com alguém que eu não amasse, mas eu e minha família passamos por momentos difíceis desde que viemos para Amã."

Anuncio em jornal egípcio oferecendo "senhoras sírias"
Kazal diz ter 18 anos, mas parece muito mais nova. Ela acaba de se divorciar de um saudita de 50 anos que pagou cerca de US$ 3,1 mil (cerca de R$ 6,2 mil) para se casar com ela. O casamento durou uma semana.

"Vivi com meu marido em Amã (capital da Jordânia), mas não éramos felizes. Ele me tratava como uma empregada e não me respeitava como esposa. Era muito rígido comigo. Estou contente que tenhamos nos divorciado."

Seus olhos azuis se enchem de lágrimas quando ela fala sobre o casamento.

"Concordei (em me casar) para ajudar minha família. Chorei muito quando fiquei noiva. Nunca mais casarei por dinheiro. No futuro, espero me casar com um garoto sírio que tenha a minha idade."

'SEXO PARA SOBREVIVÊNCIA'

Andrew Harper, representante da agência de refugiados da ONU (UNHCR) na Jordânia, se diz preocupado com o fato de os 500 mil refugiados sírios no país estarem cada vez mais recorrendo a medidas drásticas como a de Kazal.

"Não temos recursos suficientes para ajudar todos os que precisam", diz ele. "A grande maioria dos refugiados são mulheres e crianças. Muitas não estão acostumadas a sair para trabalhar, então o sexo para a sobrevivência acaba virando uma opção."

Seu escritório, no centro de Amã, está cercado por centenas de refugiados recém-chegados, fazendo longas filas para se registrar e pedir ajuda. Ele diz que agentes da UNHCR já intervieram em alguns casos, em que famílias estavam oferecendo suas filhas para casamentos.

"Não consigo imaginar nada mais asqueroso do que pessoas que buscam mulheres refugiadas. Você pode chamar isso de estupro, de prostituição, do que quiser, (o fato é que) isso é usar as (pessoas em situações) mais fracas como presas."


"Temos um bebê que precisa de leite diariamente e não temos dinheiro para o aluguel. Então tive de sacrificar Kazal para ajudar o resto da família." – diz a mãe de um das meninas negociadas.

'SACRIFÍCIO'

Acredita-se que casamentos rápidos entre homens do golfo Pérsico e meninas sírias já aconteciam mesmo antes do início da guerra na Síria. Mas a mãe de Kazal, Manal - que, como sua filha, se veste de forma conservadora, com vestimentas muçulmanas que a cobre dos pés à cabeça - diz que, no passado, nunca teria aceitado um casamento arranjado para sua filha.

"A vida aqui é muito difícil e temos pouca ajuda", queixa-se. "Temos um bebê que precisa de leite diariamente e não temos dinheiro para o aluguel. Então tive de sacrificar Kazal para ajudar o resto da família."

Ela diz que o casamento foi arranjado por uma ONG jordaniana chamada Kitab al-Sunna, que dá dinheiro, comida e medicamentos aos refugiados. Seu trabalho é financiado por indivíduos ao redor do mundo árabe.

"Quando fui à ONG pedir ajuda, eles pediram para ver minha filha. E disseram que iriam encontrar um marido para ela."

O diretor da Kitab al-Sunna, Zayed Hamad, diz que ele às vezes é abordado por homens interessados em se casar com mulheres sírias.

"Eles pedem garotas com mais de 18 anos. Sua motivação é ajudar essas mulheres, especialmente as que perderam seus maridos como mártires na Síria. Os homens árabes veem as mulheres sírias como boas donas de casa, acham elas bonitas, então elas são muito desejadas."


Jovens sírias são cobiçadas por homens árabes, alguns idosos, pela beleza e por serem boas donas de casa e submissas.

'ENTRE 50 E 80 ANOS'

Um Mazed é uma refugiada síria de 28 anos que começou a ganhar dinheiro arranjando casamentos entre suas compatriotas e homens árabes. Em um quarto cheio de mofo em Amã, ela fica no telefone conversando com potenciais noivas e noivos.

"Os homens têm entre 50 e 80 anos e pedem por garotas de pele e olhos claros. Eles querem garotas muito novas, de no máximo 16 anos."

Ela diz ter apresentado mais de cem jovens sírias a esses homens, que lhe pagam uma taxa inicial de US$ 70 e, se o casamento se concretizar, mais US$ 310.

"Se os casamentos acabam em divórcio em pouco tempo, não é problema meu. Sou só o 'cupido'. Para mim não é prostituição, porque há um contrato entre o noivo e a noiva."

Um Mazed é um nome falso. Ela não quer divulgar sua identidade porque diz ter vergonha do que faz, mas afirma não ter escolha.

"Como podemos viver se as ONGs nos ajudam tão pouco? Como vamos pagar o aluguel? Não recebemos ajuda o suficiente para viver decentemente, por isso faço o que faço - para que eu e minha família possamos sobreviver."

Foto: Reuters

Não se vê entusiasmo da noiva Hanan Al Hariri, no centro da imagem, na festa do seu casamento no campo de refugiados de Al Zaatri, na cidade jordaniana de Mafraq, fronteira com a Síria.


5 de abr. de 2013

Kim Jong-un, o rei do videogame, brinca de guerra na Coreia do Norte

CORÉIA DO NORTE - Opinião
Kim Jong-un, o rei do videogame,
brinca de guerra na Coreia do Norte
A paixão pelo videogame e os desenhos animados, especialmente do Mickey, é o que destacaram os companheiros do estudante norte-coreano que na Suíça se fazia passar por filho de um diplomata e afinal era Kim Jong-un

Charge de Hajo de Reijger - NRC Handelsblad - Holanda

Postado por Toinho de Passira
Texto de Georgina Higueras, para El Pais
Fonte: El Pais

Aficionado dos videogames, ninguém sabe muito bem até onde o jovem Kim Jong-un pensa levar o simulacro de guerra no qual embarcou. Autonomeado marechal, cargo máximo do exército, em julho passado, depois da estranha destituição ("por motivos de saúde") e do desaparecimento do até então chefe do Estado-Maior da Defesa, vice-marechal Ri Yong-ho, o líder norte-coreano combina desde sua ascensão ao poder, em dezembro de 2011, gestos de abertura com uma retórica belicista que deixa seus vizinhos nervosos.

O terceiro monarca da única dinastia comunista da história nasceu, ao que parece, em 8 de janeiro de 1984, mas quando seu pai, Kim Jong-il, o designou herdeiro, em setembro de 2010, sua data de nascimento foi modificada oficialmente para 1982. A grave apoplexia que sofreu em 2008 o chamado "Querido Líder" precipitou a busca de um delfim, já que o primogênito Kim Jong-nam havia sido excluído depois de ser expulso do Japão, em 2001, por entrar com um passaporte falso para ir, segundo declarou, ao Disneyworld de Tóquio.

A paixão pelo videogame e os desenhos animados, especialmente do Mickey, é o que destacaram os companheiros do estudante norte-coreano que na Suíça se fazia passar por filho de um diplomata e afinal era Kim Jong-un. Ao voltar a Pyongyang, em 2000, estudou na Universidade da Academia Militar, mas não se inscreveu nas fileiras do exército. Essa falta de experiência militar poderia ser o estopim, segundo os especialistas, de suas atuais bravatas com as quais tentaria tomar o comando da poderosa gerontocracia militar.

Conhecedor da inexperiência de seu filho menor, o Querido Líder elevou às mais altas esferas do poder sua irmã Kim Kyong-hui, a qual promoveu a general, e a seu cunhado Jang Song-taek, a quem nomeou vice-presidente da Comissão Militar Central, para que tutelassem Kim Jong-un enquanto ele se recuperava. Sua morte repentina em dezembro de 2011 transformou tio Jang no autêntico poder à sombra na Coreia do Norte.

Pequim, o grande aliado deste país isolado e o menos interessado na queda do regime, que levaria milhões de norte-coreanos a buscar refúgio na China, demonstrou imediatamente seu apoio ao novo dirigente. A China há anos tenta que Pyongyang empreenda reformas que melhorem a vida da população e facilitem a abertura do regime, de modo que o país volte à mesa de negociações para frear seu programa nuclear em troca de uma vultosa ajuda econômica.

O comunicado em julho passado da agência estatal norte-coreana KCNA, de que Kim Jong-un está casado com Ri Sol-ju, a jovem cuja forma de vestir-se quase ocidental revolucionou a monotonia da moda do país mais retraído do planeta, foi vista como um passo na boa direção, segundo Chosun.com, o principal site de assuntos norte-coreanos, situado na Coreia do Sul. Ri se atreveu a sair sem a insígnia de Kim Il-sung, o fundador da dinastia e do Estado norte-coreano em 1948, que todos os seus concidadãos usam na lapela.

Em dezembro passado, Kim Jong-un, cujo físico lembra muito o do avô - nomeado Presidente Eterno depois de sua morte em 1994 -, pronunciou um discurso de Ano Novo, assim como fazia aquele, no qual dedicou um ramo de oliveira a seus vizinhos do sul, fazendo um apelo à reconciliação de todos os coreanos. O novo dirigente, reforçado pelo êxito do lançamento dias antes de um míssil de longo alcance, também salientou a necessidade de empreender reformas agrícolas e industriais. "Todas as tarefas econômicas para este ano devem ser voltadas a promover um aumento radical da produção e a estabilizar e melhorar o nível de vida do povo", disse a sua população castigada.

A decisão unânime do Conselho de Segurança da ONU - incluindo a China, o que foi considerado uma traição - de impor novas sanções econômicas a Pyongyang pelo lançamento do míssil enraiveceu o regime, que pouco depois realizava seu terceiro teste nuclear. Kim Jong-un foi desde então elevando o nível de seu jogo bélico, que as manobras militares da Coreia do Sul e EUA levaram ao paroxismo. Mas se ocorrer um acidente ou a gerontocracia lhe montar uma armadilha, talvez o Brilhante Camarada, como é chamado pela imprensa oficial, compreenda tarde demais a diferença entre o videogame e a realidade. John Darkow foi um cartunista profissional há mais de 20 anos, passando os últimos 10 como o cartunista equipe no Diário Columbia Tribune
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves, para UOL

22 de mar. de 2013

Como dois espiões, com informações falsas, ajudaram a causar a guerra no Iraque

IRAQUE -
Como dois espiões, com informações falsas,
ajudaram a causar a guerra no Iraque
Boa parte da informação-chave usada pelo governo americano, de Geoge Bushs e britânico, Tony Blair, de que o Iraque estava produzindo armas químicas de destruição em massa, foi baseada em invenções e mentiras de dois espiões. Frederick Butler, que chefiou o primeiro inquérito parlamentar sobre o dossiê após a guerra, diz que Blair e os organismos de inteligência britânicos "enganaram a si mesmos".

Foto: Ramzi Haidar/AFP/Getty Images

A Capital do Iraque, Bagdá, bombardeada pelas tropas da coalizão, 23 de março de 2003

Postado por Toinho de Passira
Texto de Peter Taylor para BBC News Magazine
Fonte: BBC Brasil

O principal argumento que levou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a invadir o Iraque há dez anos, o de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, foi baseado em informações falsas divulgadas por dois espiões iraquianos.

É o que revela uma investigação conduzida pelo programa de televisão Panorama, exibido nesta semana pela BBC na Grã-Bretanha.

Mesmo antes da ação militar no Iraque, várias fontes confiáveis de serviços secretos ocidentais diziam que Saddam não tinha as supostas armas de destruição em massa.

No dia 24 de setembro de 2002, o governo do primeiro-ministro Tony Blair apresentou um dossiê sobre a suposta ameaça das armas de Saddam. "O programa de armas de destruição em massa do Iraque não foi encerrado", disse Blair. "Ele permanece ativo."

No entanto, o dossiê - preparado para o público doméstico e com um prefácio pessoal de Tony Blair assegurando "não haver dúvidas" de que Saddam Hussein continuava a produzir armas de destruição em massa - omitiu questionamentos feitos por agências de inteligência como o MI6 (serviço secreto britânico voltado para o exterior).

Frases e adjetivos como "esporádico e inconsistente" ou "permanece limitado" foram cortados do texto original, o que conferiu ao documento um grau de certeza que ele não deveria ter.

Foto: Associated Press

'OURO DE TOLO'

Boa parte da informação-chave usada pela Casa Branca e por Downing Street (sede do governo britânico) foi baseada em invenções e mentiras.

No Panorama, o general Mike Jackson, então chefe do Exército britânico, diz que "o que parecia ser ouro em termos de inteligência acabou se revelando ouro de tolo, porque parecia, mas não era".

Frederick Butler, que chefiou o primeiro inquérito parlamentar sobre o dossiê após a guerra, diz que Blair e os organismos de inteligência britânicos "enganaram a si mesmos".

Butler e o general Jackson concordam que Blair não mentiu. Segundo eles, o primeiro-ministro realmente acreditava que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.

Seja como for, boa parte da base das acusações contra Saddam no dossiê - que "justificou" uma guerra violenta que devastou um país e deixou mais de uma centena de milhares de mortos - derivara de informações falsas passadas por um desertor iraquiano, o espião Rafid Ahmed Alwan Al-Janabi.

Suas invenções e mentiras contribuíram para consolidar uma das maiores falhas de inteligência de que se tem memória.

Janabi ficou conhecido como Curveball (bola com efeito), codinome dado a ele pelos serviços secretos americanos - e que acabaria se mostrando bastante apropriado.

DÚVIDAS

Janabi chamou a atenção do serviço de inteligência alemão, o BND, ao se apresentar como engenheiro químico quando chegou a um centro de refugiados iraquianos na Alemanha, em 1999, pedindo asilo político.

Ele disse ter visto laboratórios biológicos móveis montados em caminhões para evitar sua detecção.

Os alemães tinham dúvidas sobre as informações passadas por Janabi e alertaram os serviços secretos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha sobre isso.

Para Butler, Blair e serviços de inteligência "se enganaram"
O MI6 também tinha dúvidas, expressas em um telegrama secreto à CIA: "Elementos do comportamento [dele] nos desafiam por serem típicos de indivíduos que normalmente avaliaríamos como mentirosos, [mas estamos] inclinados a acreditar que uma parte significativa [do que dizia Curveball] é verdade."

O serviço de inteligência britânico decidiu aceitar as informações de Curveball, como fizeram os americanos - só bem mais tarde é que o ex-espião iraquiano viria a admitir que as informações eram fabricadas.

E, para azar dos serviços americano e britânicos, apareceram, na mesma época, informações de outro espião que pareciam confirmar as informações passadas por Curveball.

Tratava-se de um ex-oficial de inteligência iraquiano chamado Muhammad Maj Harith, que disse ter sido sua a ideia de desenvolver laboratórios biológicos móveis. Ele chegou a dizer que encomendou sete caminhões Renault para tal propósito.

Harith tinha desertado para a Jordânia, onde se entregou aos americanos. Aparentemente, ele inventou sua história porque queria um novo lar. Suas informações também viriam a ser descartadas como falsas.

O MI6 também havia acreditava ter uma confirmação da história de Curveball quando outra fonte, de codinome Rio Vermelho, revelou ter estado em contato com uma fonte secundária que disse ter visto fermentadores em caminhões.

Mas essa fonte jamais afirmou que esses fermentadores tinham a ver com a produção de armas biológicas. Depois da guerra, concluiu-se que Rio Vermelho também não era confiável como fonte.

TERNO FEITO À MÃO

Mas nem todas as provas e evidências estavam erradas. Informações de duas fontes altamente qualificadas próximas a Saddam Hussein estavam corretas. Ambas disseram que o Iraque não tinha qualquer arma de destruição em massa ativa.

A primeira fonte, da CIA, era o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri.

Ex-membro da CIA, Bill Murray - então chefe da agência em Paris - negociou com ele por meio de um intermediário, um jornalista árabe, a quem deu cerca de US$ 200 mil (cerca de R$ 400 mil) em dinheiro vivo como pagamento.

Murray não concorda com interpretação da CIA para informações obtidas junto a fontes de alta confiança
Murray disse que Sabri "parecia ser uma pessoa confiável - alguém com quem realmente deveríamos estar falando" e montou uma lista de perguntas para o ministro, com armas de destruição em massa no topo.

O intermediário se reuniu com Naji Sabri em Nova York, em setembro de 2002, quando o ministro estava prestes a prestar esclarecimentos à ONU - seis meses antes do início da guerra, e apenas uma semana antes de o dossiê britânico ser concluído.

O intermediário comprou um terno feito à mão para o ministro iraquiano, que este acabou usando nas Nações Unidas, um gesto que Murray interpretou como sinal de que Naji Sabri estava colaborando.

Murray diz que a informação era de que Saddam Hussein "tinha algumas armas químicas abandonadas no início dos anos 90, que havia dado a diversas tribos leais a ele".

"Ele teve a intenção de ter armas de destruição em massa - químicas, biológicas e nucleares - mas naquele momento praticamente não tinha nada", afirma o ex-agente da CIA.

A agência americana, por outro lado, insiste que o relato de Sabri indicava que o ex-presidente iraquiano tinha programas para desenvolver essas armas porque mencionava que "o Iraque estava atualmente produzindo e estocando armas químicas" e, "como último recurso, tinha plataformas móveis para lançamento de mísseis armados com armas químicas".

Murray contesta essa avaliação.

No baralho de cartas de Saddam, Tikriti era o valete de ouros
'SEM EXPLICAÇÃO'

A segunda fonte altamente qualificada que passou informações corretas foi o chefe de inteligência do Iraque, Tahir Jalil Habbush Al-Tikriti - o "valete de ouro" no baralho dos "mais procurados" pelos Estados Unidos, como eram classificados os membros procurados do governo de Saddam Hussein.

Um importante funcionário do MI6 o encontrou na Jordânia em janeiro de 2003 - dois meses antes da guerra.

Pensava-se que Habbush queria negociar um acordo para evitar a invasão iminente. Ele também disse que Saddam Hussein não tinha um programa ativo de armas de destruição em massa.

Surpreendentemente, Frederick Butler - que diz que os britânicos têm "todo o direito" de se sentir enganados pelo seu então primeiro-ministro - só tomou conhecimento da informação de Habbush depois que seu relatório foi publicado.

"Não posso explicar isso", diz Butler. "Foi algo que perdemos em nossa análise. Quando perguntamos sobre isso, fomos informados que não era um fato muito significativo, porque o MI6 encarava aquela informação como algo plantado por Saddam."

Butler diz que também não sabia de nada sobre os relatos de Naji Sabri.

Já Bill Murray faz questão de frisar que não ficou satisfeito com a forma como a informação destas duas fontes altamente qualificadas foram utilizadas.

"Acho que provavelmente produzimos a melhor informação gerada no período pré-guerra, que se provaram - no longo prazo - precisas. Mas essa informação foi descartada."

Foto: John Moore/Getty Images

A famosa foto de John Moore registrando a jovem, Mary McHugh, pranteando, no Cemitério Nacional de Arlington, diante do túmulo de seu noivo, o sargento, James John Regan, morto no Iraque, em fevereiro de 2007


20 de mar. de 2013

Invasão dos Estados Unidos ao Iraque completa 10 anos

IRAQUE – ESTADOS UNIDOS
Invasão dos Estados Unidos ao Iraque completa 10 anos
O objetivo era acabar com armas de destruição em massa que nunca foram encontradas. E 190 mil pessoas morreram e US$ 2,2 trilhões foram gastos.

Foto: David Leeson

Foto: Ben Ballard

Uma guerra que parecia fácil e justa virou pesadelo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Luís Fernando Silva Pinto de Washington, EUA, para o Bom Dia Brasil
Fonte: Bom Dia Brasil

Há exatos dez anos, os Estados Unidos deram início a uma das mais guerras polêmicas da sua história. A invasão do Iraque era para acabar com armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.

O regime de Saddam Hussein caiu em três semanas, mas a incursão militar de George W. Bush custou trilhões de dólares e centenas de milhares de vidas.

Quando as bombas americanas começaram a cair em Bagdá, o então presidente George W. Bush prometeu uma invasão rápida para eliminar as armas químicas e biológicas do regime de Saddam Hussein.

O custo seria entre US$ 50 e 60 bilhões, e as perdas humanas seriam mínimas. Só que a maior justificativa não se comprovou: o ditador iraquiano não tinha armas de destruição em massa, e a ocupação acabou durando oito anos.

O custo humano foi enorme: 190 mil mortos. E o custo financeiro, aqueles US$ 50 ou 60 bilhões, se multiplicou por mais de 40. A guerra no Iraque já custou US$ 2,2 trilhões ao Tesouro dos Estados Unidos.

Como explica o especialista em assuntos militares Christopher Preble, do Instituto Cato, em Washington, o público americano comprou uma guerra e recebeu outra.

O especialista em defesa e política internacional diz que o que mais marcou a guerra foi a forma como o governo conseguiu convencer a maioria do país de que a invasão do Iraque era necessária para a segurança americana e teria custo e risco baixo.

Foto: Reuters

Atentado do dia 19: Moradores cercam veículos após as explosões em Al-Mashtal

No Iraque, a violência está aumentando. Quase 60 pessoas morreram na terça-feira (19), vítimas de explosões em torno da capital. A rede terrorista al-Qaeda, que praticamente não tinha presença no Iraque no início da guerra, se fortaleceu depois da saída das tropas americanas, em 2011. E as facções religiosas - xiitas, sunitas e curdos - continuam se matando.

O caminho da recuperação é longo. “Dez anos se passaram e continuo sem casa adequada, eletricidade, água corrente ou educação para as crianças”, reclama um morador de Bagdá.

Alguns sinais do Iraque de hoje são positivos. O país voltou a ser um produtor de petróleo importante. Em muitas áreas de Bagdá se vê prosperidade econômica. Nas sextas-feiras, dia de descanso no mundo árabe, famílias vão ao centro para passear. “As coisas não estão ruins, mas precisamos de mais segurança para as crianças”, afirma uma mãe.


11 de set. de 2012

Talibãs anunciam que vão tentar matar o príncipe Harry

REINO UNIDO - AFEGANISTÃO
Talibãs anunciam que vão tentar matar o príncipe Harry
Depois das badaladas férias em Las Vegas, onde esteve de férias, o príncipe Harry, que é capitão do exército britânico Air Corps, voltou ao batente e foi enviado ao Afeganistão, como piloto de helicóptero. Os talibãs anunciaram nesta segunda-feira que vão tentar mata-lo, ou sequestrá-lo, de qualquer maneira.

Foto: John Stillwell / PA

18 de fevereiro de 2008: Príncipe Harry a postos num veículo blindado na província de Helmand, sul do Afeganistão

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Isto É, CNN, MSBNC, The Guardian

O Taliban afegão disse nesta segunda-feira que eles vão fazer de tudo que estiver ao seu alcance para tentar sequestrar ou assassinar o príncipe Harry da Grã-Bretanha, que é capitão do exército britânico Air Corps, que chegou ao Afeganistão na semana passada para pilotar helicópteros de ataque.

"Estaremos usando todas as nossas forças para atingí-lo, seja matando ou sequestrando", disse o porta-voz do Taleban Zabihullah Mujahid, à agência de notícia Reuters por telefone.

"Nós já informamos nossos comandantes em Helmand para fazer o que puder para eliminá-lo", acrescentou Mujahid, recusando-se a entrar em detalhes sobre o que ele chamou de "operações de Harry."

Essa é a segunda vez que o príncipe estará em missão no Afeganistão, da primeira, serviu como controlador de voo, entre dezembro de 2007 a março de 2008.

A sua permanência, em território afegão, na ocasião, era mantida em sigilo, mas como foi descoberto por jornalistas foi repatriado, a Grã Bretanha, na metade do tempo previsto, por questões de segurança.

Agora, sem segredo, foi divulgado sua partida na sexta-feira, de volta ao Afeganistão, como piloto de helicoptero de ataque Apache, numa missão programada para durar quarto meses.

O príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth II e terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, ficará estacionado em Camp Bastion, no sul do Afeganistão, na província de Helmand - considerada um reduto talibã – como integrante do Esquadrão 662, do 3º Regiment Army Air Corps.

Não será fácil, todas as medidas de seguranças estão sendo tomadas, mas todo mundo sabe que os Talibãs estão falando sério e vão tentar chegar perto do príncipe. Qualquer coisa que acontecer a ele será um troféu de guerra importantissimos para os extremista talibãs.

Como se bem pode ver, Harry estava bem mais seguro, nas férias em Vegas, quando o maior perigo era ser flagrado, por algum fotógrafo indiscreto, desfilando bêbado e nu cercado por mulheres.

Foto: John Stillwell/PA

Príncipe fazendo uma patrulha na província de Helmand, no Afeganistão em 2008


3 de ago. de 2012

Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria

SÍRIA - ONU -
Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria
A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Dizendo-se frustrado o ex-secretário geral da ONU, desejou boa sorte ao seu sucessor.

Foto: Associated Press

Em artigo publicado pelo jornal Financial Times, Annan disse que Rússia, China e Irã "precisam fazer esforços coordenados para persuadir a liderança síria a alterar o rumo e adotar uma transição política (...). Está claro que o presidente Bashar al Assad deve deixar o cargo".

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan decidiu deixar o cargo de enviado especial da comunidade internacional para a Síria, dizendo-se frustrado com as recriminações contra as Nações Unidas enquanto a guerra civil no país árabe se torna cada vez mais sangrenta.

Enquanto forças rebeldes e governamentais continuam se enfrentando em Aleppo, segunda maior cidade síria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que Annan irá ficar no cargo só até o fim do mês.

A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Seu trabalho vinha parecendo cada vez mais irrelevante, num momento em que os combates se intensificam em toda a Síria, inclusive nas duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco.

Annan disse que decidiu renunciar por causa das "trocas de acusações e xingamentos" no Conselho de Segurança, e desejou mais sorte ao seu sucessor.

A Rússia e o bloco formado por EUA, Grã-Bretanha e França começaram a se acusar mutuamente pela saída de Annan. Um diplomata graduado do Conselho disse que é hora de admitir a "profunda irrelevância de um Conselho de Segurança impotente" no caso da Síria.

O governo sírio lamentou a saída do mediador.

Annan insinuou que o contínuo fluxo de armas para as partes em conflito e o impasse entre aliados e adversários do governo sírio no Conselho de Segurança afetaram as chances de sucesso da sua missão.

"A crescente militarização no terreno e a clara falta de unidade no Conselho de Segurança alteraram fundamentalmente as circunstâncias para o exercício efetivo do meu papel", disse Annan a jornalistas.

Nos últimos meses, China e Rússia têm usado seu poder de veto para impedir o Conselho de adotar qualquer resolução contra o presidente da Síria, Bashar al Assad, cujo governo reprime com violência há 17 meses uma rebelião que é parte da chamada Primavera Árabe.

No mais recente campo de batalha do conflito, Aleppo, a disputa pelo controle da cidade se intensificou. Durante a quinta-feira rebeldes capturaram um tanque do governo nos arredores da cidade e dispararam seu canhão contra uma base aérea do governo.

As tropas de Assad continuaram usando canhões, artilharia e apoio aéreo para bombardear o estratégico bairro de Salaheddine, na zona sudoeste da cidade de 2,5 milhões de habitantes. Enquanto isso, os rebeldes consolidaram seu controle sobre outras áreas.

A aguardada ofensiva do Exército sírio para expulsar as forças rebeldes de Aleppo é iminente, depois da concentração militar em torno da maior cidade do país, segundo um funcionário graduado da Organização das Nações Unidas.

As forças do presidente Bashar al-Assad mataram mais de 80 pessoas em uma série de ataques em todo o país desde a noite de quinta-feira.

O conflito entrou em uma nova fase em 18 de julho, quando um atentado a bomba em Damasco matou quatro membros graduados do regime de Assad. Depois disso, os combates se espalharam da capital para Aleppo, maior polo comercial sírio.

Nas últimas duas semanas, o Exército vem reforçando suas posições em Aleppo e arredores, e realiza bombardeios diários com artilharia e aviões contra bairros dominados pelos insurgentes.

Ativistas sírios de oposição disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante confrontos entre forças do governo e da oposição na quinta-feira em Hama, no centro do país, e que um bombardeio com helicópteros matou 16 rebeldes perto da cidade de Deraa, que foi o berço da revolta.

Em Damasco, pelo menos 20 pessoas foram mortas por três saraivadas de morteiros lançadas pelas forças de segurança contra um campo de refugiados onde vivem 100 mil palestinos, segundo fontes médicas.

A Rússia, importante aliada de Assad, aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens à Síria. Voos da empresa russa Aeroflot entre Damasco e Moscou serão interrompidos a partir de segunda-feira, por falta de demanda, conforme anúncio feito há duas semanas.

Agências de notícias russas informaram que Moscou está despachando três navios de desembarque para a sua base naval que funciona na cidade portuária síria de Tartus.


20 de dez. de 2011

Morte de Kim Jong-il gera tensão na peninsula coreana

COREIA DO NORTE
Morte de Kim Jong-il gera tensão na peninsula coreana
A morte do líder da Coreia do Norte, gera tensão internacional, porque o pequeno e miserável país, acobertado pela China, tornou-se uma potência nuclear e tem uma permanente atitude beligerante contra o seu vizinho a Coreia do Sul, protegida por americanos e japoneses. Por desejo do líder morto o seu sucessor seria o filho mais novo, Kim Jong-un, 28 anos Especula-se que essa mudança de governo não será mansa e pacífica: o jovem Kim não teria experiência, força política e liderança para ocupar o mais alto posto do governo norte coreano, e não dispunha do apoio dos influentes e decisivos generais do Exército do Povo Coreano.

Foto: Korean Central News Agency

Kim Jong-il estava à frente da dinastia comunista hereditária norte-coreana desde 1994, quando assumiu o poder após a morte de seu pai e fundador do país, Kim Il-Sung. Foram 17 anos governados com mão de ferro em um regime baseado no culto à personalidade. Mas desde a apoplexia sofrida em 2008, suas aparições públicas foram poucas e nelas mostrava uma figura cada vez mais frágil e decrépita, embora sempre com seus inseparáveis óculos de sol e uniforme militar, que se transformaram em sua marca registrada.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:The New York Times, G1, Wikipedia, Portal Terra, Folha de São Paulo

A morte do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, 69 anos, de um ataque cardíaco, no sábado acendeu a luz amarela no Departamento de Estado americano nesta segunda-feira. O presidente Barack Obama telefonou para o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak e diplomatas dos Estados Unidos estão fazendo contatos com aliados asiáticos.

O governo escondeu a morte do seu líder durante dois dias e no dia em que a morte de Kim foi anunciada a Coreia do Norte testou dois mísseis de curto alcance na costa leste, segundo autoridades da Coreia do Sul, mantendo em alerta a nação vizinha. Coreia do Sul colocou suas forças armadas em alerta máximo, aumentando a vigilância ao longo da fronteira de 155 quilômetros, uma das fronteiras mais fortemente armadas do mundo. Os dois países estão tecnicamente em guerra, uma vez que não houve acordo de paz após o término dos conflitos da Guerra da Coreia (1950-1953).

Os Estados Unidos, que lutaram ao lado dos sul-coreanos no conflito, mantêm um contingente de 28 mil combatentes em uma base militar na Coreia do Sul. A tensão militar é um dos últimos resquícios da Guerra Fria.

Foto: Korean Central News Agency via Associated Press

Kim com o presidente chines Hu Jintao, seu grande aliado, durante uma visita a uma fábrica em Pyongyang em 2005.

Durante os atritos entre o Norte e o Sul, registrados nos últimos meses, os americanos mantiveram o compromisso de apoiar o governo de Seul em um eventual confronto com o regime comunista de Pyongyang.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também se encontrou nesta segunda-feira com o Ministro das Relações Exteriores do Japão, Koichiro Genba, em Washington. O Japão é um aliado importante dos americanos no conflito entre as duas Coreias.

Durante o governo do ex-presidente George W. Bush, a Coreia do Norte foi incluída no chamado “eixo do mal”, em virtude dos testes nucleares que causaram preocupação na Ásia.

O único grande aliado de Pyongyang é a China, para onde Kim Jong-il viajou com frequência nos últimos anos. Os chineses também lutaram ao lado dos norte-coreanos durante a Guerra da Coreia.

Poucas horas após o anúncio da morte, o poderoso Partido dos Trabalhadores "e funcionários do governo emitiram uma declaração conjunta sugerindo como sucessor escolhido pelo próprio Kim Jong-il, seu filho mais novo, Kim Jong-un, já estava no comando do país.”

O comunicado dizia: "Sob a liderança do nosso camarada Kim Jong-un, temos que transformar a tristeza em força e coragem, e superar as dificuldades de hoje.”

A KCNA, a agência de notícias oficial, disse que os soldados norte-coreanos e os cidadãos estavam jurando fidelidade a Kim Jong-un. As pessoas nas ruas de Pyongyang romperam em lágrimas quando souberam da morte de Kim, informou a Associated Press a partir de Pyongyang.

Foto: Kyodo News via Associated Press

Kim Jong-il e seu sucessor Kim Jong-un, numa solenidade militar em Pyongyang

Kim Jong-un é considerado muito jovem, tem menos de 30 anos, e sua inexperiência o torna vulnerável a luta pelo poder, alguns analistas questionam a profundidade e sinceridade do apoio dos militares em relação a ele, que é um general de quatro estrelas do Exército do Povo Coreano.

Kim Jong-il é o primogênito de Kim Il-Sung, fundador da Coreia do Norte comunista e idolatrado no país. Segundo a propaganda oficial, quando Kim Jong-il nasceu, em 16 de fevereiro de 1942, surgiram no céu uma estrela e um arco-íris duplo. Desde então, o monte Paekdu, onde teria nascido, é um lugar sagrado.

Vários analistas, porém, acreditam que ele nasceu num campo de treinamento guerrilheiro russo, a partir de onde seu pai empreendeu a guerra de resistência contra o Japão, até 1945.

Após obter um diploma universitário, em 1964, Kim começou a fazer carreira dentro do Partido dos Trabalhadores. Suas funções incluiriam a organização de atentados, como a explosão de um avião da Korean Airlines, em 1987, que matou 115 pessoas. Ele assumiu o controle do Partido dos Trabalhadores em 1994, no ano da morte do pai.

A morte de Kim Jong-il veio após uma longa doença, que o castiga desde 2008, que agências de inteligência americanas acreditavam ser algum tipo de AVC.

Sua morte encerrou 17 anos de um estilo de governo que isolou seu país, numa trajetória modelada no mesmo espírito paranóico estabelecido por seu pai, Kim Il-sung.

O governo americano e os países asiaticos, principalmente a vizinhaça, temem que o país, sofra com sua morte uma fratura interna de consequencias imprevisiveis.

Autoridades americanas e sul-coreanas expressaram preocupação de que qualquer luta pelo poder pode levar algumas facções do Norte de adotarem comportamenteo beligerante - como fizeram em 2010, em dois graves momentos primeiro atacando uma ilha sul-coreana e noutro afundando um navio de guerra, causando a morte, nos dois episódios, de cinquenta coraenos do sul.

Foto: Gong Yidong/Xinhua/Associated Press

Um gigantesco retrato do ditador Kim, aperfeiçoado com muito photoshop, pairava sobre a multidão que lotava a praça principal de Pyongyang em 2003.

Sob o governo de Kim Jong-il, os norte coreanos realizaram experiencias com dispositivos nucleares, em 2006 e em 2009, poucos meses depois do presidente Obama ter tomado posse.

A ideia era demonstrar que o país possuia bomba atomica para desmotivar uma possivel invasão norte-americana, temida por Kim e seus líderes militares.

O teste de 2009 praticamente paralizou as negociações entre o governo Obama e o de Kim Jong-il, para revitalizar os acordos iniciados na administração George W. Bush sobre a desnuclearização do país.

O ex-secretário de Defesa Robert M. Gates resumiu a atitude do governo Obama em relação à Coreia do Norte, quando declarou que o Estado Unido não iria fornecer ajuda ao país, em novos acordos e compromissos para eles desistirem das armas nucleares, como já o fizera no passado recente.

"Eu não quero comprar o mesmo cavalo duas vezes", afirmou Gates em repetidas ocasiões.

Especialistas estimam que a Coreia do Norte possua combustivel suficiente para fazer pelo menos oito armas nucleares.

“Estamos num momento especialmente perigoso", disse Jim Walsh, professor de estudos do MIT programas de segurança que se encontrou nos últimos meses com várias delegações da Coréia do Norte.

Há o temer justificado de que o jovem lider sucessor, para demonstrar força e liderança, possa levar o país a uma guerra acidental” com a vizinha Coreia do Sul.

Pouco se sabe sobre Kim Jong-un, o terceiro filho de Kim, o seu provável sucessor, sem nenhuma experiencia em negociações com lideres mundiais. Até dois anos atrás, a única imagem dele que a CIA dispunha era ele ainda de calças curtas, quando frequentou por breve período uma escola na Suíça.

Alguns oficiais de inteligência, reconhecem que ele esteve envolvido com o planejamento dos dois ataques a Correia do Sul, ocorrido em 2010, eventos que pode ter sido planejado para lhe dar fama de um bom estratégista militar.

Foto: Kyodo News via GettyImages

O jovem Kim Jong-il reunido com militares, em 1988, quando o seu pai, Kim Il-Sung ainda era o governante máximo do país. Estava sendo treinado para ditador sucessor.

Ao contrário de Kim Jong-il, o seu filho teve pouco tempo para ser preparado na arte de administrar um país disfuncional de cerca de 23 milhões de pessoas. Funcionários do governo disseram acreditar que o jovem Kim precisaria de um ano ou mais para solidificar sua posição e ganhar a confiança plena de comandantes militares da Coreia do Norte.

Não está claro se, antes de sua morte, Kim Jong-il foi capaz de estabelecer quaisquer raízes profundas de fidelidade para o seu filho, especialmente em um momento de escassez generalizada de alimentos diante das sanções internacionais impostas para o seu desenvolvimento de armas nucleares.

O filho assumiu recentemente postos chaves no comando militar e na liderança do partido. As elites começaram a dar demonstrações que sugerem alguma lealdade a ele. Na segunda-feira, seu nome encabeçou uma lista de funcionários do partido e 232 militares que compõem um comitê funeral nacional, que os analistas sul-coreanos dizem forneceu mais evidências de que ele estava no comando.

Tem havido considerável especulação de que os militares poderiam designar um regente temporário para dirigir o país por causa da inexperiência de Kim, o nome considerado é de Chang Song-taek, marido da irmã de Kim Jong-il e diretor do departamento administrativo do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, mas isso não se confirmou, pelo menos até agora.

A Coréia do Norte declarou um período de luto nacional a partir do dia da morte de Kim Jong-il, até 29 de dezembro. Pelo que se sabe o corpo de Kim será colocado no mausoléu Kumsusan em Pyongyang, onde o corpo de seu pai, Kim Il-sung, encontra-se exposto numa caixa de vidro. As autoridades norte-coreanas organizarão visitas à câmara ardente de Kim Jong-il, por uma semana começando na terça-feira, mas disseram que não iriam receber delegações estrangeiras.

Um serviço de funeral enorme está prevista para 28 de dezembro, em Pyongyang, segundo a KCNA, a agência de notícias estatal. No dia seguinte, acontecerá um "movimento nacional de luto", com todos os norte-coreanos instruídos a guardar de três minutos de silêncio em homenagem a Kim Jong-il.

Foto: KRT via Reuters


Foto: Reuters

As primeiras imagens do velório do ditador Kim Jong-il, obtida pela captura de imagem da TV estatal.

Foto: AP Photo – captura de video Press

Nesta imagem feita a partir de imagem de vídeo, Kim Jong Un, o filho mais novo líder norte-coreano Kim Jong Il, especulado como seu sucessor, acompanhado de generais e funcionários do Partido dos Trabalhadores, numa demonstração de apoio a sua liderança, visita a camara fúnebre do pai no palácio memorial em Pyongyang, a Coreia do Norte, nesta terça-feira, 20 de dezembro de 2011.


17 de dez. de 2011

Fim da guerra do Iraque?

IRAQUE
Fim da guerra do Iraque?
Os EUA chegaram a ter 170 mil soldados no Iraque, e agora restam apenas cerca de 4.000, que deverão sair até o final do ano. O contingente em 2012 será de apenas 150. Caberá então ao Iraque enfrentar sozinho a insurgência sunita - enfraquecida, mas teimosa -, as tensões sectárias e a incerteza política. Com um custo econômico na casa dos trilhões de dólares e a perda de quase 4.500 vidas americanas será que a aventura do Iraque valeu a pena, para os americanos? E para os iraquianos?

Foto: Mohammed Ameen/Reuters

NOSTÁLGICA RETIRADA - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira o encerramento formal da Guerra do Iraque, com a retirada dos últimos soldados do país e o final das operações que duraram quase nove anos, custaram bilhões de dólares e milhares de vidas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:The New York Times, BBC Brasil, Reuters, Iraq Body Count…

Quase nove anos depois de os primeiros tanques americanos terem ultrapassado a fronteira do Iraque, o Pentágono declarou o fim oficial da guerraa, encerrando um conflito controverso que reformular a política americana e deixou um legado amargo do sentimento antiamericano em todo o mundo muçulmano. – diz o The New York Times

O secretário de Defesa americano, Leon E. Panetta marcou a ocasião com um discurso em um pátio de concreto fortificado no aeroporto de Bagdá, com segurança mais que redobrada e dezenas de helicópteros patrulhando o espaço aéreo acima das cabeças das autoridades.

"Deixe-me ser claro: o Iraque será testado nos próximos dias - pelo terrorismo e por aqueles que procuram dividir, por questões econômicas e sociais, pelas exigências da própria democracia", disse Panetta.

"Os desafios permanecem, mas os EUA vão estar lá para acompanhar o povo iraquiano como eles conduzem os desafios para construir uma nação mais forte e mais próspera."

A guerra iniciada em 2003, como uma das reações militares dos americanos aos ataques as torres gemeas do World Trade Center. Com a busca por Osama Bin Laden no Afeganistão mostrava-se infrutífera, o governo Bush resolveu atacar em outra frente: focou no Iraque insinuando que Saddan Roussen, o ditador iraquiano, “poderia” abrigar grupos terroristas islâmicos e se lançou numa campanha internacional, alegando que o governo iraquiano era uma ameaça mundial, pois estava produzindo armas de destruição em massa.

Foto: Khalid Mohammed/Associated Press

Panetta diz que os Estados Unidos haviam dado uma oportunidade de sucesso aos iraquianos, e que cumpriram a missão de tornar o país soberano e independente, ainda que ao preço de muitas vidas.

As supostas armas de destruição biológica em massa jamais foram encontradas pelas forças de ocupação e sabe-se hoje que tanto os americanos e seus princiapais aliados ocidentais que o apoiaram militarmente na invasão, destacando a Inglaterra, sabiam que a as armas não existiam, antes mesmo da ocupação.

As alegadas ligações de Saddam com grupos terroristas islâmicos nunca foram comprovadas. Na verdade, os grupos terroristas islâmicos opunham-se a Saddam, pois eram xiitas em sua maioria, enquanto o líder iraquiano era sunita e ao contrário do que se imaginava, o Iraque era um dos países mais laicos da região.

Mesmo assim o ditador, Saddan Roussen, acabou capturado e executado, após ter sido condenado à morte por um tribunal iraquiano.

Até o pretexto nobre de que a guerra pretendia levar a democracia para o Oriente Médio, não convence mais ninguém há muito.

A retirada americana abre um novo capítulo para o Iraque, uma nação forjada menos de um século atrás por colonialistas britânicos e torturadas desde então por rebeliões, guerras e ditadura brutal.

Tem uma fronteira entre os impérios persa e árabe, o país ainda se esforça para equilibrar as ambições do Irã, o poderoso vizinho teocrática cujo programa nuclear tornou-se uma profunda preocupação para os Estados Unidos e seus aliados.

Foto: Michael Kamber/The New York Times

Para os americanos, a cerimônia na quinta-feira marcou um momento desconfortável de encerramento, sem noção clara do que tenha sido os ganhos e as perdas. Até a última sexta-feira passada, a guerra tinha ceifado 4.487 vidas americanas e produzido 32.226 americanos feridos na ação, de acordo com estatísticas do Pentágono.

Essas perdas humanas – e a constatação humilhante das falsas motivações ajudou a transformar o sentimento dos americanos em relação à guerra, contribuindo para uma queda na popularidade do presidente George W. Bush durante seu segundo mandato e para a eleição de Barack Obama, que havia se oposto à invasão em 2003 e prometeu durante a campanha e está cumprindo agora, a retirada das tropas do território iraquiano.

Os americanos estão levando as suas tropas, mas como pretendiam, não estão deixando o Iraque com instituições sólidas e seguras a ponto de garantir a permanencia do estado de direito e a democracia plena.

Embora cerimônia, de quinta-feira, representou o fim oficial da guerra, os americanos ainda tem duas bases no Iraque e cerca de 4.000 soldados, incluindo várias centenas que assistiram à cerimônia. No auge da guerra em 2007, havia 505 bases e mais de 170 mil soldados.

As tropas dos EUA deveriam permanecer no país como parte de um acordo que previa o treinamento das Forças Armadas iraquianas. Washington havia solicitado a Bagdá que pelo menos 3.000 soldados permanecessem no país. Mas não houve consenso a respeito da imunidade judicial dos soldados norte-americanos, pleiteada pelos EUA.

Foto: David Leeson

A INVASÃO – 2003 - A foto simbolica mostrando o iraque rendindo e humilhado nas mãos do invasor poderossímo

As lembranças dos abusos, prisões e assassinatos cometidos por soldados norte-americanos ainda assombram muitos iraquianos, e a concessão de imunidade aos militares estrangeiros era um assunto delicado demais para que o governo o submetesse ao dividido Parlamento local.

A partir de 2012, permanecerão no Iraque apenas cerca de 150 soldados dos EUA, na qualidade de adidos militares, ligados à embaixada. Instrutores civis assumirão a tarefa de treinar as forças do Iraque para o uso de equipamentos militares norte-americanos.

Há a possibilidade de essa cooperação ser ampliada no próximo ano, com mais militares americanos envolvidos nos treinamentos dos seus colegas iraquianos.

"Do ponto de vista de serem capaz de se defender contra uma ameaça externa, francamente, eles têm capacidade limitada." – disse o Gen. Lloyd J. Austin III, o comandante americano no Iraque, em uma entrevista após a cerimônia.

A defesa militar do Iraque tem falhas críticas em várias áreas: as dificuldades estão em toda a parte, desde a fragilidade na defesa aérea até as dificuldades de execução de tarefas básicas de logística, como abastecer suas tropas com alimentos e combustíveis, somando-se a incapacidade de fazer a manutenção dos veículos blindados herdando os americanos e dos jatos que está comprando.

Embora a saída americana tenha retirado a motivação central para os jihadistas que invadiram o Iraque após a invasão em 2003, o braço iraquiano da Al-Qaeda, mostra-se vivo e eficiente, e não parece disposto a encerrar suas atividades. Ao longo do ano passado, levaram a cabo uma série de atentados espetaculares, nas áreas “mais seguras” e protegidas pelos americanos.

Foto: Mario Tama/Getty Images

Momento de silencio, recordando os quase 4.500 americanos mortos em cambate

Mesmo em seus dias de crepúsculo, os militares americanos tem sofrido ataques humilhante que modificou inclusive a forma como se pretendia entrega das bases aos iraquianos.

As cermônias deixaram de serem anuncios publicos depois que os insurgentes estavam se aproveitando do clima de arrumar as malas para a mudança, para atacar os postos militares.

Desde então, o fechamento das bases foram feitas em segredo, nada de desfile de tropas e mudanças de bandeiras no mastro principal. Tudo passou a acontecer em reuniões a portas fechadas, onde oficiais americanas e iraquianas assinavam documentos que legalmente passavam o controle das instalações, trocaram apertos de mão enquanto entregavam e recebiam chaves como se fosse à entrega de um imóvel residencia.

Todos os números a respeito dessa guerra são controversos: segundo dados oficiais quase 60 mil iraquianos perderam suas vidas na guerra, em grande maioria por equívocos dos invasores, que confundiam cidadãos de bem com terroristas e vice-versa. Todavia, a respeitada organização “Iraq Body Count” contesta esses números, para eles, ocorreram entre 97.461 e 106.348 mortes entre os iraquianos até julho de 2010.

O Serviço de Pesquisa do Congresso, estima que, no final do ano fiscal de 2011, os Estados Unidos terão gasto quase US$ 802 bilhões para financiar a guerra. No entanto, o economista vencedor do prêmio Nobel Joseph Stiglitz e a professora de Harvard Linda Bilmes, afirmam que o custo real chega a US$ 3 trilhões se os impactos adicionais no orçamento e na economia dos Estados Unidos forem levados em conta.

Foto: Mohanned Faisal/Reuters

Em Falluja, antigo reduto da insurgência da Al Qaeda, e cenário de algumas das piores batalhas da guerra, milhares de iraquianos celebraram na quarta-feira a retirada norte-americana. Algumas pessoas queimaram bandeiras dos EUA, outras exibiam fotos de parentes mortos.

Os países vizinhos do Iraque também ficarão muito atentos a como Bagdá enfrentará seus problemas sem o amparo da presença militar norte-americana, e num momento em que a crise na vizinha Síria ameaça alterar o equilíbrio étnico e sectário da região.

A liderança xiita do Iraque vê na retirada o recomeço da soberania nacional, mas muitos iraquianos questionam que rumo o país tomará sem a presença dos militares estrangeiros.

Alguns temem violência sectária, ou que a Al Qaeda volte a semear o terror nas cidades. A disputa por petróleo e territórios entre os curdos, que controlam uma região semiautônoma no norte, e os árabes, que dominam o governo central, é outro assunto delicado.

A violência recuou desde o auge dos conflitos sectários, quando homens-bomba e esquadrões de atiradores chegavam a fazer centenas de vítimas por dia, e o país esteve próximo de uma guerra civil entre sunitas e xiitas.

Em geral, as forças de segurança são vistas como capazes de conter o que resta da insurgência sunita e as milícias xiitas, que autoridades dos EUA afirmam ser patrocinadas pelo Irã.

Mas, mesmo para quem desfruta da sensação de soberania, a segurança continua sendo uma grande preocupação. Os ataques atualmente têm como alvo órgãos públicos e forças locais de segurança, numa tentativa de mostrar que as autoridades não estão no controle.

Foto: Maya Alleruzzo/Associated Press

De volta para casa

Foto: Thaier al-Sudani/Reuters
A comemoração dos militares iraquianos ao assumirem a antiga base americana de Camp Echo

A queda de Saddam abriu caminho para que a maioria xiita do país ascendesse a posições de poder após décadas de opressão sob o Partido Baath, ligado aos sunitas. Mas, nove anos depois da invasão, o Iraque continua sendo um país rachado.

Isso se reflete até na coalizão chefiada pelo primeiro-ministro Nuri al Maliki, um xiita, que é retalhada por divisões sectárias. O governo às vezes parece paralisado, porque os partidos se contrapõem conforme critérios sectários em disputas por leis ou cargos.

Os sunitas iraquianos temem a marginalização ou mesmo um sorrateiro regime autoritário sob o comando de Maliki. Uma recente onda de repressão a ex-integrantes do Partido Baath alimentou esses temores.

As divisões sectárias deixam o Iraque vulnerável à interferência de vizinhos que tentam garantir mais influência, especialmente porque nações árabes controladas por sunitas veem o envolvimento do Irã como uma tentativa de controlar os partidos xiitas do Iraque em detrimento dos sunitas.

A liderança xiita do Iraque, por sua vez, teme que a crise na Síria acabe resultando em um governo sunita radical em Damasco, o que agravaria as tensões sectárias no próprio Iraque.

"Valeu a pena? Tenho certeza de que sim. Quando chegamos aqui, o povo iraquiano parecia feliz em nos ver", disse o primeiro-sargento Lon Bennish, arrumando suas malas.

"Espero que estejamos deixando para trás um país que diga: 'Ei, estamos melhores agora do que antes'."

Foto: Davis Turner/Getty Images

O presidente dos EUA, Barack Obama - que se elegeu com a promessa de retirar as tropas do Iraque, emocionado fala para as tropas que regressaram no Fort Bragg, na Carolina do Norte.

Foto: Joe Raedle/Getty Images

Soldados da 1ª Divisão de Cavalaria do Exército dos EUA chegam em sua base de Fort Hood, Texas depois de ter sido parte de um dos últimos unidades de combate americanas para sair do Iraque.