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19 de set. de 2014

Cristina Kirchner quer o “mais alto prédio da América Latina” (e um Central Park portenho)

ARGENTINA - Megalomania
Cristina Kirchner quer o “mais alto prédio da América Latina” (e um Central Park portenho)
Em meio à recessão, crescente déficit fiscal e aumento da inflação e pobreza, a presidente Cristina quer construir o prédio mais alto da América Latina (que incluirá um hotel de luxo)


Cristina Kirchner afirma que pretende fazer uma espécie de Central Park em Buenos Aires. Em vez do Hudson, o fétido encontro do Riachuelo (a via fluvial mais poluída da Argentina) com o rio da Prata

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fonte: Blogs Ariel Palacios

A presidente Cristina Kirchner anunciou o projeto de construção do edifício – segundo ela – “mais alto da América Latina”, com 335 metros de altura. Segundo Cristina, o prédio, que estará localizado entre os bairros de Puerto Madero e La Boca, no encontro do rio da Prata com o Riachuelo, junto com os jardins ao redor, “terá a magnitude do Central Park de Nova York”. O edifício, que terá 67 andares e custará US$ 310 milhões será destinado aos canais estatais de TV da Argentina, o Instituto Nacional de Cinema, além de produtoras audiovisuais. A torre da presidente que apresenta-se como “defensora dos pobres” também contará com um hotel de luxo.

A obra, classificada como “megalomaníaca” pelos representantes da oposição, pretende representar morfologicamente o mapa da Argentina. No sopé do edifício “Argentina Audiovisual”, a poucos metros da margem, em pleno rio da Prata, uma ilha artificial será construída para instalar um estádio coberto de 13 mil metros quadrados com capacidade de 15 mil pessoas. Esta ilha representaria o arquipélago das Malvinas.

Cristina anunciou em rede nacional de TV que o prédio “será o símbolo da cidade” de Buenos Aires. Segundo ela, no 17 de outubro, data emblemática para os peronistas, pois é o dia em que o então coronel Juan Domingo Perón (em 1945) foi aclamado pela população na Praça de Mayo, dando início ao Peronismo, ela e os representantes da empreiteira Riva S.A. colocarão a pedra fundamental do edifício.


A torre de Cristina Kirchner pretende emular a morfologia do mapa argentino. Do lado, flutuando no meio do rio da Prata, uma simulação das ilhas Malvinas, onde será um estádio

A oposição indica que a obra ficará apenas no papel, tal como o projetado trem-bala Buenos Aires-Rosario, que nunca saiu do papel e que seria construído pela Alstom. Os analistas políticos indicaram que a obra é “faraônica” e recordaram que em 2010, ao inaugurar um gasoduto submarino entre a ilha de Terra do Fogo e a Patagônia, a presidente Cristina comparou-se com o faraó Kéops. “Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio”, disse dois anos depois.


“Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio”, disse em 2012, pouco depois de visitar um museu em Berlim, onde ficou longo tempo observando o busto da rainha Nefertiti. Humoristas afirmam que a torre de Cristina pretende ser uma espécie de pirâmide de Kéops à beira do rio da Prata. LEGENDA

Cristina disse que a obra levará cinco anos de construção. Na sequência, deu um recado ao próximo presidente: “meu sucessor terá que continuar com esta construção”. E depois, alertou em tom de piada a empreiteira: “melhor que o pessoal da construtora termine a obra no prazo, pois senão os mato…”.

A presidente – que há menos de duas semanas anunciou que pretendia mudar a capital do país de Buenos Aires para Santiago del Estero – encerra seu mandato em dezembro do ano que vem.


Meme do cartunista Bernardo Erlich ironizando o projeto de Cristina Kirchner, com o ad hoc King Kong enfrentando a aviação argentina.

FAVELAS – Na mesma cidade na qual a presidente Cristina projeta a construção do edifício mais alto da América Latina, a população das favelas cresce de forma persistente. Nos últimos quatro anos a proporção de habitantes das “Villas Miseria” (nome local para as favelas) aumentou em 70%. Atualmente residiriam nas favelas portenhas 275 mil pessoas, quase 10% da população da capital do país.

Segundo um relatório apresentado pela Universidade Católica Argentina (UCA), 27,5% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza. No entanto, segundo o governo Kirchner, a proporção de pobres é de apenas 6,1%. Os dados do governo são elaborados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo acusado de maquiar os índices de inflação, pobreza e PIB.


 COMENTAMOS:  
Os argentinos estão reclamando de barriga cheia. Chamam Cristina de megalomaníaca por tentar construir uma obra orçada em US$ 310 milhões. Como chamar a nossa aventura da Copa padrão FIFA? Basta lembrar, que apenas na reforma do Maracanã, um estádio que já estava pronto, gastamos US$ 600 milhões.  

25 de abr. de 2014

Argentina teria perdido US$ 6 bilhões
em exportações de carne em 4 anos

ARGENTINA - Economia
Argentina teria perdido US$ 6 bilhões
em exportações de carne em 4 anos
Por trás do desaparecimento da Argentina no ranking dos top ten de exportadores bovinos está a decisão do casal Kirchner de restringir desde 2006 as vendas de carne bovina para o exterior. Desde o início das restrições 130 frigoríficos fecharam suas portas, provocando a demissão de 206 mil pessoas, que trabalhavam. nos frigoríficos e em setores vinculados


“Boi esfolado”, óleo sobre tela do barroco holandês, Rembrandt van Rijn (1606-1669), em exposição no Museu do Louvre, Paris.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fonte: Blog de Ariel Palacios - Estadão

A Argentina teria perdido US$ 6 bilhões em exportações de carne bovina nos últimos quatro anos. O anúncio foi feito pela Fundação Mediterrânea, uma das mais tradicionais instituições de estudos econômicos do país, que indicou que os motivos desta perda são a falta de um modelo exportador, a volatilidade do tipo de câmbio, além de uma política comercial externa adversa protagonizada pelo governo da presidente Cristina Kirchner.

A Fundação, em um relatório, sustentou que entre 2010 e 2013 as exportações de carne bovina Made in Argentinaforam de 130 mil toneladas em média por ano. Esse volume propiciou divisas equivalentes a US$ 1,07 bilhões por ano.

O cálculo dos economistas é que, se a Argentina não tivesse perdido diversos mercados no exterior pelas políticas de restrição às exportações do governo da presidente Cristina Kirchner, entre outros fatores, poderia ter exportado US$ 2,6 bilhões de carne bovina.

Segundo os economistas Juan Manuel Garzón e Nicolas Torre, a Argentina “perdeu o protagonismo que havia conseguido nos mercado internacionais de carne bovina e também desperdiçou o grande potencial exportador da cadeia de produção”.

Os economistas destacam que ao contrário da Argentina, o Brasil, que teve uma crise e uma desvalorização da moeda em 1999, conseguiu concatenar oito anos de crescimento das exportações de carne bovina, quase quintuplicando o volume.

FORA DO RANKING – Em 2013, pelo segundo ano consecutivo a Argentina ficou de fora do top ten do ranking dos principais exportadores mundiais de carne, produto do qual os argentinos são orgulhosos e consideram como um dos mais destacados emblemas nacionais. A Argentina, com apenas 180 mil toneladas de carne bovina exportadas, ficou no décimo-primeiro posto em exportações de carne.

Em 2009 a Argentina estava em quarto posto mundial de exportações de carne bovina, com 621 mil toneladas. Na época o México somente vendia ao exterior 51 mil toneladas. Mas, meia década mais tarde a Argentina vendeu ao exterior apenas 28,98% daquele volume. Na contra-mão, o México aumentou suas exportações, chegando ao patamar de 205 mil toneladas em 2013.

Por trás do desaparecimento da Argentina no ranking dos top ten de exportadores bovinos está a decisão do casal Kirchner de restringir desde 2006 as vendas de carne bovina para o exterior, praticamente impedindo as exportações por intermédio de um sistema de cotas e licenças internacionais.

O objetivo dessa política era redirecionar a carne para o mercado interno e provocar a queda de preços do produto, o quitute preferido no cotidiano gastronômico dos habitantes do país. Nunca antes na História econômica argentina um governo havia proibido as exportações de carne.

No entanto, as restrições para as exportações – além de provocar a perda de mercados no exterior – tiveram o efeito colateral de provocar a redução do estoque bovino argentino, que perdeu 10 milhões de cabeças. Milhares de produtores, desestimulados para continuar com essa atividade, passaram ao cultivo de soja.

Desde o início das restrições em 2006 130 frigoríficos tiveram que fechar suas portas por causa da crise no setor. Isso provocou a demissão de 16 mil trabalhadores de frigoríficos. Outras 190 mil pessoas, que trabalhavam em setores vinculados aos frigoríficos, foram atingidas indiretamente.

Um detalhe do lado direito do quadro de Rembrandt que quase sempre passa desapercebido.

INFLACIONADA - As restrições tampouco conseguiram o objetivo de diminuir o preço no mercado interno já que, segundo o Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (Ipcva) entre fevereiro de 2013 e o mesmo mês deste ano os cortes de carne registraram um aumento de 33% a 51%. Os especialistas afirmam que os preços só não subiram mais porque o governo Kirchner impôs um congelamento de preços em diversas etapas desde fevereiro do ano passado.
*Alteramos titulo, acrescentamos subtítulo e legenda da publicação original

13 de mar. de 2014

Rabo de sardinha - Rodrigo Constantino, para a Veja

BRASIL - Opinião - Economia
Rabo de sardinha
O Mercosul é uma camisa de força ideológica que afeta negativamente nossa economia. Enquanto países como Peru, Colômbia, Chile e México criaram a Aliança do Pacífico e fecharam diversos acordos bilaterais de livre-comércio, o Brasil insiste na fracassada união aduaneira com os bolivarianos.

Foto: Associated Press

REUNIÃO DE FRACASSADOS - Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Dilma Rousseff (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela) participam de cúpula do combalido Mercosul

Postado por Toinho de Passira
Texto de Rodrigo Constantino
Fonte: Veja

Quando se trata de política externa, há quem prefira ser cabeça de sardinha e quem prefira ser rabo de baleia. No primeiro caso, o país assume a liderança de um grupo menor; no segundo, aceita ser liderado para fazer parte de uma aliança mais abrangente. O PT preferiu ser rabo de sardinha. Essa é a melhor metáfora para definir a atual postura geopolítica do Brasil. O Mercosul é uma camisa de força ideológica que afeta negativamente nossa economia.

Enquanto países como Peru, Colômbia, Chile e México criaram a Aliança do Pacífico e fecharam diversos acordos bilaterais de livre-comércio, o Brasil insiste na fracassada união aduaneira com os bolivarianos. Um a um, os países do Mercosul afundam em crises de enorme proporção. E por onde anda Marco Aurélio Garcia? Por que o Itamaraty está tão calado ultimamente? José Miguel Vivanco, diretor da ONG human rights Watch, falando sobre a desgraça venezuelana, denunciou a omissão do governo brasileiro, que, segundo ele, não age como o líder regional que pensa ser.

De fato, chama atenção o ensurdecedor silêncio de nossos diplomatas e governantes. A única leitura que se pode extrair disso é que o Brasil não é líder nem mesmo do minguado bloco do Mercosul. O governo brasileiro conseguiu nos transformar em saco de pancada de seus companheiros de ideologia.

Evo Morales abusa do Brasil e sempre sai impune. Chegou a enviar tropas para invadir instalações da Petrobras em seu país, e ficou por isso mesmo. Violou nossa soberania ao vistoriar um avião da FAB em 2011. Como prêmio, recebe empréstimos do BNDES e a cumplicidade do Itamaraty ao manter aprisionado um senador de oposição por mais de 400 dias em nossa embaixada em La Paz.

A Venezuela é outro país que pode sempre contar com a conivência de Brasília. Com muita pompa, foi anunciada a bilionária refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma parceria entre a Petrobras e a PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana. Após vários anos sem esta pingar um só dólar, a refinaria acabou incorporada pela Petrobras, com grandes prejuízos.

Retaliação? Nem pensar. O Brasil tem sido um incansável aliado do chavismo e fez de tudo para que a Venezuela entrasse no Mercosul, apesar de não atender às exigências do bloco, a começar pela cláusula democrática. Lula chegou a gravar mensagem de apoio para a campanha de Nicolás Maduro, intrometendo-se em assuntos internos do país.

O resultado está aí: a Venezuela mergulhou em uma guerra civil, a economia vive em convulsão com hiperinflação, e o caos social é total, com a violência fora de controle. É possível encontrar as impressões digitais do PT nessa confusão toda, e não podemos esquecer que esse é o modelo que o partido defende. A Argentina, que também caminha rapidamente para uma tragédia, já ignorou cláusulas tarifárias do Mercosul sem resposta à altura por parte do Brasil. Sua política industrial restritiva, impondo barreiras ao comércio com o Brasil, chegou a afetar duramente nossa indústria automobilística, e nada foi feito.

A ditadura cubana recebe afagos - e muitos recursos - do governo petista. O BNDES financiou o Porto de Mariel na ilha, coisa de bilhão. A presidente Dilma argumentou que foi uma decisão estritamente econômica, endossada por Marcelo Odebrecht, o maior beneficiado pela transação. Alguém acredita?

Como ficou claro, o governo petista fez uma escolha ideológica. Transformou nossa política externa em uma extensão de seus interesses partidários, mesmo que, para tanto, nossa economia fosse sacrificada. E nem vamos falar de outras questões, como os direitos humanos, ignorados no programa Mais Médicos, que importa cubanos na condição de escravos.

Tudo isso tem custado muito caro. Nossa balança comercial está negativa. O Brasil perde a oportunidade de estreitar laços com países desenvolvidos, por puro preconceito ideológico. Prefere se unir aos fracassados bolivarianos, ou perdoar a dívida de países africanos a pretexto de obter deles apoio para conseguir assento no Conselho de Segurança da ONU.

O governo faz "caridade" com dinheiro do povo, estimula a sobrevida de regimes nefastos e ainda prejudica nossa economia. Poderia, como fizeram o governo do Chile e o do Peru, optar por se integrar ao mundo civilizado, mesmo com lugar apenas na cauda. Poderia pelo menos liderar o bloco regional. Em vez disso, o PT, com sua cabeça de bagre, fez do Brasil um rabo de sardinha.

O governo brasileiro poderia, como fizeram o do Chile e o do Peru, optar por se integrar ao mundo civilizado, mesmo com lugar apenas na cauda. Em vez disso, o PT, com sua cabeça de bagre, fez do Brasil um rabo de sardinha
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

8 de out. de 2013

Cristina Kirchner saiu-se bem em cirurgia, mas seu futuro político corre perigo

ARGENTINA
Cristina Kirchner saiu-se bem em cirurgia,
mas seu futuro político corre perigo
O porta-voz do governo de Cristina Kirchner anunciou na tarde desta terça-feira que a cirurgia de retirada de um hematoma da cabeça da presidente foi um sucesso. Em nota, o hospital afirmou que a presidente evolui de forma satisfatória. Não se sabe a repercussão que a saída, da presidente, da campanha eleitoral, por motivo de saúde, irá piorar o melhorar as chances do governo de manter a maioria no legislativo. As consultas de opinião indicam que 60% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina

Foto: EPA

A publicação dessa foto rejeitada pelos principais jornais argentinos, mais alinhados com o governo. A presidente Cristina Kirchner, pouco antes de sua internação na clínica Favaloro, em Buenos Aires, apresentando um rosto abatido e repleto de placas vermelhas, uma imagem impactante para os argentinos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, O Globo, La Nacion, La Razón, Pagina 12, El Clarin …

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi submetida a uma cirurgia bem-sucedida para a drenagem de um hematoma cerebral nesta terça-feira, mas será obrigada a se afastar da campanha eleitoral para uma eleição fundamental para seu governo.

Cristina foi internada na segunda-feira na Fundação Favaloro, em Buenos Aires, para realização de exames pré-cirúrgicos, após sentir um formigamento no braço no domingo que obrigou seus médicos a optarem pela intervenção cirúrgica, no lugar do repouso indicado inicialmente.

A operação "sem complicações" começou pouco antes das 8h (9h no horário de Brasília), disseram os médicos em comunicado.

"A paciente evolui favoravelmente permanecendo internada na unidade de tratamento intensivo", disseram os médicos da presidente em comunicado.

O porta-voz do governo disse que Cristina estava bem humorada. "Cumprimentou todo mundo, agradeceu a todos, agradeceu a equipe médica... agradeceu a todas as pessoas que estão rezando por ela", disse a jornalistas o porta-voz Alfredo Scoccimarro, na porta do hospital.

A operação de baixo risco consistiu em abrir um orifício para permitir a drenagem do hematoma que se formou por baixo da meninge, membrana que envolve o cérebro, disseram fontes médicas.

A recuperação da cirurgia deixará Cristina fora da campanha para as eleições legislativas de 27 de outubro, e também significa que a presidente ficará afastada do poder durante um momento delicado para o governo, em que a economia mostra sinais de fraqueza e a inflação está em alta acelerada.

O vice-presidente Amado Boudou assumiu a Presidência temporariamente na segunda-feira, mas uma fonte do governo disse à Reuters que o papel dele será protocolar.

Foto: Marcos Brindicci/Reuters

Homem segura bandeira com a foto da presidente argentina, Cristina Kirchner, junto com o falecido marido, Néstor Kirchner, em frente ao hospital onde ela está internada, em Buenos Aires

Cristina tem um estilo de gestão centralizador do poder e todas as decisões relevantes são tomadas por ela com pouca intervenção de seus ministros, o que, segundo críticos, implica um risco porque a ausência da presidente pode paralisar o governo.

Cristina ficou internada por várias horas no sábado para exames clínicos, após os quais lhe foram indicados 30 dias de repouso para permitir a absorção do hematoma causado por uma pancada na cabeça sofrida em uma queda em meados de agosto.

O acidente havia sido mantido em segredo e os detalhes sobre ele continuam desconhecidos.

Segundo fontes do “La Nación”, a chefe de Estado teria caído no último dia 9 de agosto, em uma viagem de Buenos Aires para Río Gallegos, no fim de semana das eleições primárias. Naquele dia, Cristina teria escorregado nos degraus do avião presidencial, o Tango 01.

Cristina, de 60 anos, vinha encabeçando os comícios eleitorais em uma tentativa de fortalecer os candidatos oficiais que se encontram em desvantagem nas pesquisas.

De acordo com as pesquisas, o governo pode perder o controle do Congresso nas eleições As consultas de opinião já indicavam que 60% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina, reeleita em outubro de 2011, com 54% dos votos.

No último ano e meio, a chefe de Estado enfrentou flagelos econômicos (disparada da inflação, intervenção do mercado cambial e desaceleração da economia), escândalos de corrupção e uma sucessão de panelaços — os mais recentes na última quinta-feira — que deterioraram de forma expressiva sua imagem.

Com este pano de fundo, a grande incógnita que as primárias ajudarão a desvendar é saber se Cristina tem margem de manobra para tentar uma reforma constitucional que lhe permita buscar um terceiro mandato.

A maioria dos analistas acredita que esse cenário é cada vez mais remoto e, nesse caso, as primárias serão cruciais para descobrir que dirigentes estão mais bem posicionados para as eleições presidenciais de 2015.

— Cristina está de saída. O que não sabemos é se o kirchnerismo também. Uma derrota nas legislativas prejudicará o candidato à sucessão, seja ele quem for — afirmou Carlos Fara, da Fara e Associados.

Foto: Gustavo Ortiz/El Clarin

Em frente a Fundação Favaloro, onde a presidente Cristina Kirchner está internada, os militantes deixam flores e cartazes desejando-lhes boa sorte

2 de out. de 2013

Botox estatístico: Governo de Cristina Kirchner maquia cosmeticamente índices econômico, inclusive o PIB

ARGENTINA - Economia
Botox estatístico: Governo de Cristina Kirchner maquia cosmeticamente índices econômico, inclusive o PIB
Governo argentino, estaria aplicando baita maquiagem e intervenções cosméticas para dar revamp no índice do PIB

Foto: Arquivo

Com a mesma fúria que utiliza blush, rímer, delineador, pó compacto e botóx e algumas intervenções plásticas, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, aplica maquiagem pesada nos índices econômicos do país.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios
Fontes: ,

O governo da presidente Cristina Kirchner tornou-se mundialmente famoso pela maquiagem do índice de inflação que faz em grande escala desde dezembro de 2006 por intermédio do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob intervenção da Casa Rosada. Graças à manipulação, a inflação argentina oficial exibe índices baixos, quase sempre de um terço à metade da alta de preços calculada pelas consultorias econômicas não-alinhadas com o governo, sindicatos, associações empresariais e os partidos da oposição (que no Parlamento elaboram um índice paralelo).

No entanto, a inflação não seria o único objeto de camuflagem, já que o governo – segundo um relatório elaborado em conjunto pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e a Universidade de Harvard – também estaria alterando de forma substancial os índices do PIB desde 2008.

O economista Ariel Coremberg, coordenador do relatório, que trabalhou no cálculo oficial do PIB até a intervenção do Indec, sustenta que os acadêmicos reproduziram os cálculos do PIB desde 1993 até 2012 com as mesmas fontes e métodos. “No entanto, temos que nosso gráfico e o do governo começam a se diferenciar em 2008”, afirma.

Segundo ele, com a medição tradicional, o PIB teria na realidade crescido um acumulado de 15,9% entre os anos 2007 e 2012, equivale a uma média de 3% por ano. Mas,de acordo com os dados oficiais, entre 2007 e 2012 o crescimento acumulado foi o dobro, de 30%, o equivalente a um aumento anual de 5,3% em média. A presidente Cristina costuma afirmar em seus discursos que a Argentina cresceu com “taxas chinesas”.

Enquanto que o governo sustenta que em 2012 o PIB cresceu 2,2%, o estudo da UB e Harvard indica que na realidade houve uma queda, já que teria sido de -0,4%.

Os economistas alertavam para a manipulação dos índices do PIB desde 2009, quando a maioria das consultorias indicaram que o país havia entrado em recessão e que o PIB tinha uma marca negativa de 4%. No entanto, o governo negou a crise na época, sustentando que o PIB exibia um aumento de 1%.

ALARDES - A exibição de um índice mais pujante do PIB serve para que o governo Kirchner faça alarde sobre uma suposta situação econômica próspera da economia argentina. Mas, por outro lado, segundo Coremberg, os índices artificialmente altos obrigam o governo a pagar mais aos credores internacionais, já que um dos títulos reestruturados da dívida pública é o “Cupom PIB”.

Os economistas independentes calculam que o PIB de 2013 terá um crescimento de 3%. Mas, caso o aumento do PIB deste ano seja de 5,1%, tal como prevê o governo Kirchner, o Estado argentino terá que desembolsar US$ 4 bilhões a mais para os credores. Esse volume equivale a 12% das reservas atuais do Banco Central, entidade de onde saem os fundos que a presidente Cristina utiliza para pagar os credores.

“MANIPULADOR SERIAL” - Em 2006 o governo do então presidente Nestor Kirchner deparou-se com o fracasso na implementação de uma política de congelamento de preços. No entanto, o denominado “modelo kirchnerista” não podia aceitar a alta inflacionária. Desta forma, Kirchner decidiu a maquiagem do índice.

“O governo, ao perceber que a febre da inflação era elevada demais, em vez de tentar debelar a doença optou por mudar o termômetro. Um termômetro que mede a febre para baixo”, ironizava em 2008 o colunista político Jorge Lanata. Nos últimos seis anos e meio a manipulação dos índices foi comandada pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno.

O cálculo da pobreza também seria alvo da maquiagem, já que o governo sustenta que a pobreza era de 6,5% em 2011 e caiu para 5,4% em 2012.

No entanto, a Universidade Católica Argentina, por intermédio de uma exaustiva pesquisa feita com acadêmicos e uma rede de paróquias em todo o país, sustentou que a pobreza, que em 2011 estava em 21,9% havia subido para 26,9% em 2012.

Durante a crise de 2001-2002 a pobreza assolava 54% dos argentinos. Mas, em 2003 começou a cair, até chegar a 20% em 2006. Mas, a partir de 2007, as estatísticas divergem: o governo afirma que a pobreza continuou encolhendo, enquanto que sindicatos, a oposição e a Igreja Católica afirmam que ela voltou a crescer.

Os analistas econômicos ironizam sobre o acúmulo de manipulações dos índices de produção industrial, inflação, pobreza e PIB e afirmam que o governo Kirchner é um “manipulador serial”.

POLE POSITION - Segundo a presidente Cristina, entre 2002 e 2012 o PIB argentino cresceu 99,1%, proporção que colocaria a Argentina na pole position do crescimento da América do Sul. No entanto, segundo o estudo feito pela UBA e Harvard, o crescimento real acumulado foi de 71,1%, o que coloca o país atrás do Peru (que cresceu 87,2% nesse período) e do Uruguai (77,4%).
*Alteramos titulo e legenda da publicação original

31 de ago. de 2013

Reservas do BC argentino estão nos níveis mais baixos desde 2007 (e a queda continua)

ARGENTINA – Economia
Reservas do BC argentino estão nos níveis mais baixos desde 2007 (e a queda continua)
Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Ariel Palacios
Fonte: Blog do Ariel Palacios

Dados divulgados pelo Banco Central argentino indicam que as reservas da entidade monetária estão em seu nível mais baixo desde 2007, ano da primeira posse da presidente Cristina Kirchner. No total o BC conta com US$ 36,924 bilhões, volume que indica uma queda de US$ 6,366 bilhões desde o início deste ano.

O ponto culminante de reservas ocorreu em janeiro de 2011, meses antes da reeleição da presidente Cristina Kirchner, quando o BC alcançou a faixa de US$ 52,497 bilhões. No entanto, a partir dali iniciou uma sangria de fundos que – segundo os analistas – continuaria ao longo do segundo semestre deste ano, já que o governo, sem dinheiro próprio disponível, recorrerá às reservas do BC para implementar os pagamentos dos vencimentos da divida pública (os bônus Bonar VII e Discount). Para este pagamento a presidente Cristina retirará outros US$ 2 bilhões do BC, que ficará com reservas de US$ 35 bilhões.

Desde o início de 2010 o governo Kirchner usa reservas do BC para pagar os títulos da dívida pública com credores privados e organismo multilaterais de crédito. Naquele ano, para poder implementar esta política, a presidente Cristina removeu o então presidente do BC, Martín Redrado, que recusava-se a usar as reservas com esse fim.

O governo Kirchner argumenta que o uso das reservas tem o objetivo de “propiciar o máximo de certezas sobre a Argentina”, gerando uma garantia de que o país não dará o calote. No entanto, os líderes da oposição sustentam que a Casa Rosada está “dilapidando” as reservas do BC. O governo também está usando as reservas para financiar o crescente déficit energético do país.

Nos próximos dois anos, até dezembro de 2015, mês no qual a presidente Cristina entregará o poder ao novo governo, a administração Kirchner terá que pagar vencimentos de US$ 21 bilhões. Na cityfinanceira portenha os analistas ressaltam que “o novo presidente herdará um BC com reservas baixíssimas”.

10 de ago. de 2013

A sombra do PMDB na Petrobras, de Diego Escosteguy, para a Época

BRASIL - Corrupção
A sombra do PMDB na Petrobras
O lobista João Augusto Henriques denunciou à revista Época esquema de propina na Petrobras. Parte do dinheiro arrecadado, pago pela Odebrecht, US$ 8 milhões, foram repassados ao secretário das Finanças do PT, João Vaccari durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. A construtora ganhou um contrato bilionário na área internacional da Petrobras, aprovado pelo então presidente, José Sergio Gabrielli (PT). Estariam envolvidos ainda, Jorge Zelada, diretor internacional da companhia e os pemedebistas, Antonio Andrade, atual ministro da Agricultura, e João Magalhães, presidente da Comissão de Finanças da Câmara.

Foto: Arquivo/Época

Segundo João Augusto, a venda da refinaria de San Lourenzo, na Argentina, ao empresário Cristóbal Lopez, a esquerda ao lado do casal Kirchner e amigos, foi intermediada por propina. Ela foi disfarçada em “taxa de sucesso, de acordo com um contrato.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Diego Escosteguy
com Flávia Tavares, Marcelo Rocha, Murilo Ramos e Leandro Loyola
Fontes: Época, Blog do Noblat

João Augusto estava em silêncio. Permanecia inclinado à frente, apoiava-¬se na mesa com os antebraços. Batia, sem parar, a colherzinha de café na borda do pires – e mantinha o olhar fixo no interlocutor. Parecia alheio à balbúrdia das outras mesas no Café Severino, nos fundos da Livraria Argumento do Leblon, no Rio de Janeiro, naquela noite de sexta‐feira, dia 2 de agosto.

A xícara dele já estava vazia. O segundo copo de água mineral, também. João Augusto falava havia pouco mais de uma hora. Até então, pouco dissera de relevante sobre o assunto que o obrigara a estar ali: as denúncias de corrupção contra diretores ligados ao PMDB, dentro da Petrobras.

Diante dos documentos e das informações obtidos por ÉPOCA sobre sua participação no esquema, João Augusto respondia evasivamente. Por alguma razão incerta, algo mudara nos últimos minutos. O semblante contraído sumira. Esperei que o silêncio dele terminasse.

– O que você quer saber?, disse ele.

– Sobre os negócios, respondi.

Foi então que João Augusto Rezende Henriques disse, sem abaixar a voz ou olhar para os lados: “Do que eu ganhasse (no contratos intermediados com a Petrobras), eu tinha que dar para o partido (PMDB). Era o combinado, um percentual que depende do negócio”. A colherzinha não tilintava mais.

Iniciava-se, ali, um desabafo motivado pelas denúncias que ÉPOCA investigava havia cerca de um mês. O caso envolvia a Petrobras – maior empresa do país, 25a do mundo, com faturamento anual de R$ 281 bilhões. Começara com apenas uma pista: um contrato assinado em 2009, em Buenos Aires, entre o advogado e ex-¬deputado Sérgio Tourinho e o argentino Jorge Rottemberg.

No documento, previa-se que Tourinho receberia US$ 10 milhões de uma empresa no Uruguai, um conhecido paraíso fiscal, caso a Petrobras vendesse a refinaria de San Lorenzo, avaliada em US$ 110 milhões, ao empresário Cristóbal Lopez, conhecido como czar do jogo na Argentina e amigo da presidente Cristina Kirchner.

primeira vista, o contrato não fazia sentido. Por que um lobista de Buenos Aires se comprometeria a pagar US$ 10 milhões a um advogado brasileiro, de Brasília, caso esse advogado, sem experiência na área de energia, conseguisse fechar a venda de uma refinaria da Petrobras na Argentina?

Foto: Reprodução Época

Contratos disfarçavam a propina com uma cláusula de "taxa de sucesso"

ÉPOCA foi buscar a resposta em entrevistas com partícipes do negócio, parlamentares e funcionários ligados ao PMDB. O advogado Tourinho era sócio dos lobistas do PMDB, que trabalhavam em parceria com Jorge Zelada, diretor internacional da Petrobras desde 2008 e, segundo João Augusto, apadrinhado do PMDB. A operação San Lorenzo, diz ele, não era um caso isolado.

Era mais um dos muitos negócios fechados pelos operadores do PMDB na área internacional da Petrobras. De acordo com João Augusto, todos os contratos na área internacional da Petrobras tinham que passar por ele, João Augusto, que cobrava um pedágio dos empresários interessados.

De acordo com ele, de 60% a 70% do dinheiro arrecadado dos empresários era repassado ao PMDB, sobretudo à bancada mineira do partido na Câmara, principal responsável pela indicação de Zelada à Petrobras. De acordo com João Augusto, o dinheiro servia para pagar campanhas ou para encher os bolsos dos deputados. O restante, diz ele, era repartido entre ele próprio e seus operadores na Petrobras – os responsáveis pelo encaminhamento dos contratos.

Segundo João Augusto e outros quatro lobistas do PMDB, o dinheiro era distribuído a muita gente em Brasília. A maior parte seguia para os dez deputados do partido em Minas, entre eles o atual ministro da Agricultura, Antonio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães.

O dinheiro, de acordo com João Augusto, não ficava apenas com essa turma. Segundo o relato dele e dos outros lobistas, o secretário das Finanças do PT, João Vaccari, recebeu o equivalente a US$ 8 milhões durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. João Augusto diz que organizou, pessoalmente e por meio de Vaccari, o repasse para a campanha de Dilma.

O dinheiro, segundo ele, foi pago pela Odebrecht, em razão de um contrato bilionário fechado na área internacional da Petrobras, que dependia de aprovação do então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, do PT. À Justiça Eleitoral, a campanha de Dilma declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da Odebrecht.

As denúncias de João Augusto são contestadas pelos acusados. Vaccari, secretário de finanças do PT, diz que não era responsável pela tesouraria da campanha de Dilma. Afirma ainda que “todas as doações ao PT são feitas dentro do que determina a legislação em vigor e de uma política de transparência do PT”.

Gabrielli diz, por meio de nota, não ter conversado sobre o contrato da Odebrecht com Vaccari. Zelada afirma desconhecer a atuação de João Augusto na intermediação de contratos na Petrobras e nega ter sido indicado pelo PMDB. A Petrobras informou em nota que não comentaria o assunto.

Apesar de todas as contestações, a reportagem de ÉPOCA confirmou, por meio de entrevistas em três cidades, vários pontos do depoimento de João Augusto. Investigações oficiais ainda são necessárias para apurar todas as suas denúncias.

UMA DIRETORIA PARA O PMDB

Em janeiro de 2008, o presidente Lula aceitou entregar a Diretoria Internacional da Petrobras ao PMDB. Mais especificamente, ao grupo que [hoje] comanda o PMDB da Câmara dos Deputados. Engenheiro de carreira da Petrobras, João Augusto fora apresentado à política em meados dos anos 90, quando era diretor da BR Distribuidora, a empresa de combustíveis da Petrobras. Para fazer qualquer operação de relevo na BR, João Augusto precisava do apoio dos demais diretores. No começo, nunca conseguia.

“Não tinha a menor ideia de como as coisas funcionavam”, diz. “Mas aí conheci o Benjamin Steinbruch (dono da CSN), que me explicou como era preciso ter apoio político para fazer as coisas. O Steinbruch ligou para o Tasso Jereissati (do PSDB), que ligou para o Marcelo Alencar (governador do Rio, também do PSDB).

O Alencar avisou o Joel Rennó (então presidente da Petrobras): ‘Ó, o João Augusto está com a gente’”, diz João Augusto. E ri das lembranças. “Eu não tinha ideia do que ‘estar com a gente’ significava... A partir dali, mudou muito. Da água para o vinho. Tudo passava. Você vai mudando. O mundo real é outro, e eu tinha de me adequar a ele.”

Em pouco tempo, João Augusto migrou dos tucanos para o PMDB – segundo ele, por obra do então deputado Michel Temer. Em 1999, João Augusto prosperava na política e nos negócios. Tinha, segundo ele, apoio do PMDB para virar diretor da Petrobras. Mas uma grave hepatite C o impedira. Para sobreviver, foram precisos dois transplantes de fígado e quatro meses num hospital em Londres.

Na volta ao Brasil, João Augusto deixou a Petrobras. “Fui fazer negócios”, diz. Usava, segundo ele, o conhecimento e a rede de contatos acumulado nos anos de Petrobras para ajudar empresários com interesses na empresa. Sabia que técnicos e diretores a procurar, dependendo do assunto – e, sobretudo, que métodos de persuasão aplicar a cada um.

“A Petrobras tem três tipos de caras: o técnico, o político e o carreirista”, diz. “O técnico não vai mudar o que ele pensa porque você diz. O que ele gosta é de visitar obra, viajar em helicóptero, se sentir importante de vez em quando. Ele acha que merece. O carreirista faz o que chefe mandar. Não quer saber o que é. Nem pensa duas vezes. Hoje é cheio de carreirista. E o político é o que observa as coisas dentro da empresa, atende aos amigos, ao pessoal da área dele, aos políticos. Se você errar a abordagem, confundir um com o outro, você quebra a cara. Eu sei fazer essa abordagem.”

Com todas essas credenciais, João Augusto era o nome favorito do PMDB para assumir a diretoria na Petrobras que Lula prometera aos deputados do partido, em janeiro de 2008. Seu nome, porém, foi barrado na Casa Civil: João Augusto fora condenado pelo Tribunal de Contas da União a pagar uma multa de R$ 500 mil, em virtude de irregularidades cometidas quando ele era diretor da BR Distribuidora.

O deputado Fernando Diniz, que comandava a bancada do PMDB de Minas, comunicou-lhe o óbice. E pediu um nome alternativo. João Augusto indicou um de seus melhores amigos na empresa, o engenheiro Zelada, que trabalhava com um dos diretores petistas da estatal. Ao nomear Zelada, João Augusto se tornou, segundo deputados e lobistas, o diretor “de fato” da área internacional.

“A função do Zelada era obedecer às ordens de João Augusto”, diz um lobista do PMDB. Para garantir que as operações do partido correriam como esperado, João Augusto recrutou técnicos de sua confiança na Petrobras. Distribuiu, pela área internacional, seus colegas de turma na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sócrates José virou chefe de gabinete de Zelada. Era o cicerone dos parceiros do grupo que visitavam a sede da Petrobras para fazer reuniões. “Se o projeto fosse bom para a Petrobras, eu levava adiante. Fazia isso por amizade”, diz Sócrates.

Ele também tinha como missão reportar o que via e ouvia a João Augusto.


José Carlos Amigo assumiu a gerência para América Latina. Essa gerência, segundo João Augusto, esteve envolvida na contratação de um navio-¬sonda da empresa Vantage, por US$ 1,6 bilhão – uma operação que, diz ele, rendeu uma comissão de US$ 14,5 milhões, US$ 10 milhões dos quais repassados ao PMDB.

Clóvis Correa virou diretor da Petrobras Argentina, onde a empresa mantinha a refinaria de San Lorenzo. De acordo com João Augusto e os demais envolvidos no negócio, Clóvis participava das reuniões em hotéis e receberia uma parte do “sucesso” de US$ 10 milhões. Fernando Cunha, o único que não estudara com os demais, tornou-‐se gerente para negócios na África.

João Augusto diz que ele participou da compra de um campo na Namíbia, operação encaminhada após ele ter fechado comissão com a empresa que detinha o controle desse campo.

Foto: Divulgação

O subserviente Jorge Luiz Zelada, foi indicado pelo lobista, João Augusto, para a diretor da área internacional da Petrobras

A INCOMPREENSÃO DOS DEPUTADOS

De acordo com os envolvidos, havia uma incompreensão entre os deputados sobre como funcionava a Petrobras e quanto era possível arrecadar por mês. Dois lobistas do PMDB afirmam que fora estipulada uma meta de R$ 150 mil por mês para a bancada. Num almoço na churrascaria Porcão, num domingo de sol no começo de 2009, o deputado Fernando Diniz, ao lado de assessores e de lobistas, reclamou da “performance” de Zelada.

“O‘ Gelada’ não está entregando”, disse aos amigos. Essa percepção é confirmada por João Augusto. “Num primeiro momento, eles (os deputados do PMDB) achavam que tinha um monte de coisa (na Petrobras). Não tinha. Os caras não entendiam. Achavam que estávamos (a dupla João Augusto e Zelada) de má vontade. Não entendiam que a Petrobras tem uma diretoria, um conselho, que não dá para fazer o que quiser”,diz.

A cobrança dos deputados exasperava João Augusto. “Se você não tiver os valores muito enraizados, o cara (político) vem e pega o dinheiro que está na sua carteira”, diz. “Tem que saber lidar. A pior coisa no pedido político é você engavetar. Ou você diz: ‘desse jeito aqui não dá’. Ou diz: ‘posso fazer assim’ (de acordo com os interesses da empresa). Não sou vestal. Gosto de ganhar dinheiro”, diz João Augusto.

“Mas não faço coisa que vai dar prejuízo à Petrobras, como Pasadena (a refinaria nos Estados Unidos na qual a empresa perdeu dinheiro). De zero a dez, numa escala de ética, não sou zero, mas também não sou dez. Bandido eu não sou, não. Sou três ou dois. Tenho que ser reconhecido como um cara técnico, de negócio, mas que não faço m...”

João Augusto faz uma pequena pausa, pede mais uma água mineral e continua: “Quando estava na BR, eu não podia parar o trem. Se tentasse, seria atropelado. Tinha que entrar no trem para levar na direção que eu quisesse. Eu vendia álcool quando era diretor da BR. Você não tem ideia. O Brasil inteiro me procurava. Todo político conhece um usineiro que quer comprar (em melhores condições). O que eu fazia? Fazia uma planilha menor, de coisas que a BR precisava vender mesmo, e deixava separado. Sempre que eu tinha que atender a um pedido político, pegava essa planilha e tentava conciliar o que havia nela, que era interesse da empresa, com o pedido do político.”

O que parece incomodar João Augusto, e talvez tenha contribuído para seu desabafo, seja o desequilíbrio entre os interesses dos políticos, que cobram cada vez mais de operadores como ele, e os interesses da Petrobras. “A Petrobras sempre teve influência política. Mas a decisão era técnica. A política se adequava à técnica. Se, por exemplo, os técnicos decidissem que era preciso ter uma refinaria no Nordeste, os políticos poderiam brigar para escolher em que estado. Mas a refinaria era necessária”, diz.

“De uns tempos para cá, isso se inverteu. Os políticos decidem que haverá uma refinaria no Maranhão ou no Ceará, e os técnicos têm que correr atrás.” Ele credita essa inflexão, como os demais ouvidos nesta reportagem, ao ex¬‐presidente Lula. “O PT aparelhou demais. Gente que não tinha capacidade subiu rápido.”

Foto: Arquivo

Na disputa da propina da venda da Refinaria San Lorenzo, Argentina, segundo José Augusto quem acabou levando foi o diretor Clóvis Correa, hoje assessor da Transpetro, empresa da Petrobras comandada pelo PMDB

O PROJETO ATREU

A venda da refinaria de San Lorenzo era, para o grupo, o começo da venda de todos os bens da Petrobras na Argentina – algo que, conforme revelou ÉPOCA em abril, quase aconteceu. “Quem descobriu a Argentina fui eu”, diz João Augusto. Foi sugerido a ele que contratasse advogados brasileiros.

“‘A gente que vai fazer negócio fora, seria bom receber por advogado aqui. Tudo bonitinho. Topei. Fizemos o contrato para receber tudo por eles (advogados) e cada um ia receber sua parte depois.” (Por meio de nota, o advogado Sérgio Tourinho afirma que foi contratado “para fazer o acompanhamento jurídico” na venda da refinaria San Lorezo. “Em um determinado momento, me passaram que parte dos meus honorários deveria ser repassado a terceiros. Claro que não concordei. E. por isso. tive o contrato rescindido.”)

Se a refinaria fosse vendida a Cristóbal, o amigo de Cristina Kirchner, os lobistas receberiam, segundo João Augusto, US$ 10 milhões. A divisão do “sucesso” demonstra a força do PMDB nos negócios da Petrobras lá fora. Pela conta dele, dos US$ 10 milhões, US$ 6,8 milhões estavam destinados a João Augusto.

“Eu tinha de repassar US$ 5 milhões ao PMDB. A maior parte disso era PMDB de Minas, porque era o Fernando (Diniz). A partir daí, não sei quem eles pagavam, nem quanto. Deputado é f... Você dá para um e, a partir dali, não dá para saber se ele deu para um, se ele deu para meia dúzia, se ele ficou (com o dinheiro)...”

Entre eles, a operação, não se sabe por que motivo, era conhecida como “projeto Atreu”. Em setembro e outubro de 2009, os lobistas reuniram-¬se muitas vezes na sala de reuniões do Hotel Hilton, em Buenos Aires, para avançar nas tratativas. Uma das presenças certas, segundo João Augusto, era o diretor Clóvis Correa. (Hoje, Clóvis é assessor da Transpetro, empresa da Petrobras comandada pelo PMDB, e nega ter participado das negociações para a venda da refinaria de San Lorenzo.)

“O Clóvis estava conosco em todas as reuniões. Como ele havia sido meu colega de faculdade, e eu tinha boas relações com ele, fiquei mais tranquilo”, diz João Augusto. Ele conta que, nas reuniões, combinava com outros lobistas pagamentos em contas no exterior. Uma das contas citadas, segundo um dos lobistas, era identificada como Tiger, na China – uma conta usada por doleiros para fazer pagamentos a partidos como PT e PMDB, conforme afirmou a Polícia Federal, em 2009, na operação Castelo de Areia, que investigou denúncias de pagamento de propina a políticos.

Enquanto a venda da refinaria avançava, o grupo oficializava a união para organizar os futuros negócios na Petrobras. Chegaram a assinar um instrumento particular de parceria, em que se comprometiam a dividir os contratos que cada um obtivesse. A união durou pouco. Era muito dinheiro e pouca confiança entre eles.

João Augusto diz que exigiu aos demais subir sua participação de US$ 6,8 milhões para US$ 8,8 milhões, por causa da pressão do PMDB. “Ele disse que o PMDB precisava fazer caixa para a campanha de 2010”, diz um dos lobistas. Houve briga entre eles, mas o advogado Tourinho aceitou assinar um aditivo ao contrato principal de sucesso, reduzindo a participação dele e dos demais a US$ 1,2 milhão.

João Augusto quis fazer um contrato em separado com os argentinos. Conta que foi até Buenos Aires tentar persuadir Rottemberg, o operador do negócio pelo lado argentino, encarregado pelo amigo de Cristina Kirchner de pagar os brasileiros. Temendo que seus parceiros no PMDB não confiassem em sua palavra, João Augusto levou uma testemunha: Felipe Diniz, filho do deputado Fernando Diniz, que morrera recentemente.

Àquela altura, a pressão do PMDB por resultados era imensa. “Usei o nome do PMDB, até para todo mundo saber que não estava dando calote em mim, estava dando calote no partido”, diz João Augusto. O novo contrato, ele afirma, não deu certo. Em maio de 2010, a Petrobras anunciou a venda da refinaria, por US$ 110 milhões, ao empresário Cristóbal Lopez.

“O negócio saiu, mas não recebi nada. Eles (os outros lobistas) receberam. E o cara em quem eu achava que eu podia confiar, o Clovis, foi o que recebeu mais. Eu tinha compromissos e fiz papel de idiota. A única atitude que pude tomar foi mandar o Zelada tirar o Clovis da Pesa (Petrobras Argentina).”

“RAPAZ, ELES ESTÃO SEMPRE EM CAMPANHA, NÉ?”

Nem todas as operações eram tão difíceis quanto a venda da refinaria de San Lorenzo. No mesmo período, João Augusto conta que fechou um contrato de US$ 1,6 bilhão para que a Petrobras explorasse o navio-sonda Titanium Explorer, da empresa Vantage. O contrato rendeu uma comissão de US$ 14,5 milhões, que deveria ser paga em três parcelas.

Segundo João Augusto, a primeira foi paga ainda no começo de 2009; a segunda, em seguida. A terceira, diz ele, não foi paga, em razão de uma briga societária na Vantage. O sócio que o contratara é hoje processado pelos demais sob a acusação de ter desviado dinheiro da empresa. “Repassei US$ 10 milhões ao PMDB”, diz. Nesse caso, não especificou nomes. “A quem de direito no partido. É a regra.” Era dinheiro para campanha? “Rapaz, eles estão sempre em campanha,né?”, diz.


“(O repasse) era maior do que 50%. Podia ser 60% ou 70%. Dependia do negócio. (...) Na área internacional (da Petrobras), se eu fizer alguma coisa, tem de ajudar o partido. Porque foi o partido quem indicou o Zelada. O mundo é assim. E é assim em qualquer lugar.” Em seguida, afirma: “Se eu fizesse negócio em outra diretoria, não tinha fee (comissão) para o partido. E eu falava para eles: aqui não devo nada”.

João Augusto parecia genuinamente magoado com os parceiros no PMDB. “Depois que você conhece os bastidores, não dorme mais tranquilo. Pensa que é fácil nego te ligando? ‘A campanha tá aí...’ Nego xingando o Zelada porque não vinha dinheiro.” Ao mesmo tempo, ele parecia sentir-¬se culpado por não corresponder às altas expectativas dos deputados: “Os caras me acolheram tão bem... Você sente que tem que ajudar o grupo”.

E quem coordenava o “grupo”, após a morte de Fernando Diniz? “Uma hora foi o (deputado) Mauro Lopes, outra foi o (deputado) João Magalhães.” (Mauro Lopes afirma conhecer João Augusto há mais de vinte anos e diz que sugeriu seu nome para ocupar a diretoria internacional da Petrobras ao então líder da bancada peemedebista de Minas Gerais, Fernando Diniz. E nega ter sido beneficiado com repasses de dinheiro.)

“Não sei como era a divisão: para quem eles davam, se davam certo... Só mandava.” João Augusto desce aos detalhes das transações: “Normalmente, (os deputados) me davam (a conta no exterior) e eu mandava via doleiro.” Ele conta que que sempre recebia reclamações. “Era muita gente (para receber). Uma operação de US$ 5 milhões parece boa, mas (...) eram dez, doze pessoas. No fim, (os deputados) achavam uma m...”.

UMA CPI PARA CÁ, UM CONTRATO PARA LÁ

Ao cabo de duas horas de revelações, João Augusto parece pronto para contar sua maior proeza, de acordo com os outros lobistas do PMDB: o contrato de quase US$ 1 bilhão entre a área internacional da Petrobras e a empreiteira Odebrecht, fechado às vésperas do segundo turno da eleição de 2010. Pelo contrato, a Odebrecht cuidaria da segurança ambiental da Petrobras em dez países.

– E a Odebrecht?

– Odebrecht? Eu montei tudo.

João Augusto diz que, no auge da CPI da Petrobras no Senado, no segundo semestre de 2009, o relator da comissão, senador Romero Jucá, do PMDB, que também era líder do governo, convocou‐o para uma reunião em Brasília. Disse que fizera um acordo com o então presidente da Petrobras, Gabrielli: o PMDB ajudaria a enterrar a CPI, que já estava morna, e, em troca, Gabrielli não criaria dificuldades à aprovação, pela diretoria executiva da Petrobras, do “projeto” Odebrecht.

“Manda o João apresentar”, disse Gabrielli a Jucá, segundo o relato de João Augusto. Logo depois, em dezembro de 2009, Jucá apresentou seu relatório final que isentava a Petrobras de irregularidades. A CPI morria conforme o previsto. (Jucá nega ter chamado João Augusto a Brasília para tratar do contrato entre Petrobras e Odebrecht. “Não houve nenhum tipo de conversa com o Gabrielli sobre qualquer contrato em troca de CPI. Até porque eu era líder do governo, eu estava tratando com seriedade.”)

Para fazer o contrato, João Augusto conta que fez “um grupo de trabalho, técnico, sério”. “Trabalhamos um ano nisso. A Petrobras precisava mesmo consolidar essas operações de meio ambiente lá fora. A empresa não sabia o tamanho do passivo, quem cuidava do quê. Era preciso centralizar”, diz João Augusto. Por que não fazer uma licitação?

“A Odebrecht tinha que ganhar. Foi até ideia minha. Pelo tamanho dela. Pelo padrão”, diz. Segundo João Augusto, a Petrobras convidou formalmente outras empreiteiras. Todas declinaram. Deu Odebrecht. Ouvida a respeito do caso, a Odebrecht nega ter feito contrato com João Augusto Henriques. E afirma, em nota: “A afirmação que a Odebrecht pagou o equivalente a US$ 8 milhões para a campanha de 2010 da presidente Dilma Rousseff, por intermédio do secretário de Finanças do PT, João Vaccari, não procede. A Odebrecht faz suas doações dentro de uma visão republicana e em prol da democracia e do desenvolvimento econômico e social do País, respeitando rigorosamente os limites e condições impostas pela legislação eleitoral”.

No momento em que Gabrielli deveria cumprir sua parte do acordo com Jucá, o PMDB foi traído, diz João Augusto. “Quando ela (a Odebrecht) ganhou, Gabrielli fez de tudo para derrubar na diretoria. A CPI, claro, já tinha passado. Quis f... o negócio. O contrato entrava na pauta da diretoria, mas eles enrolavam.” Com sua experiência política, João Augusto sabia o que fazer. Conta que conversou primeiro com seus parceiros na Odebrecht. Em seguida, procurou Vaccari, também tido como homem do PT na Petrobras. “Avisei a ele: a Odebrecht vai ajudar vocês na campanha. Vai lá e acerta com eles”, diz João Augusto. Qual o valor acertado? “Deram, mais ou menos, o equivalente a US$ 8 milhões para o Vaccari”, afirma.

As dificuldades na diretoria prosseguiram por mais algumas semanas. Em 26 de outubro de 2010, a cinco dias do segundo turno entre Dilma e José Serra, do PSDB, a diretoria da Petrobras aprovou o contrato. “Todo mundo recebeu. O partido, eu e as pessoas que ajudam. Quem ajuda, ganha”, diz João Augusto.

E quem recebeu? Ele não responde. “Pessoas de dentro (da Petrobras) que eu pago.” Quanto o PMDB recebeu? “Foram US$ 10 milhões, ou US$ 11 milhões. Não mexo com dinheiro dos outros. A Odebrecht tem os canais dela com os partidos”, diz ele. E como se dava o pagamento? “A parte deles (PT e PMDB) eu não sei. A minha foi lá fora”, disse. “Todos os contratos são assim.”

O contrato da Odebrecht parece ter sido a última grande operação da turma de João Augusto. Logo depois, no governo Dilma, o aparelhamento diminuiu. Saíram muitos dos diretores ligados ao PT. Zelada foi perdendo poder e pediu demissão em julho do ano passado. João Augusto, porém, continua à cata de negócios na Petrobras. Recentemente, participou da venda da sociedade que a Petrobras tem numa distribuidora de energia na Argentina. “Você não vai acreditar, mas não preciso de políticos para ganhar dinheiro. Ganho mais sem eles”, diz João Augusto, antes de se levantar e ir embora. Paguei a conta.

18 de jul. de 2013

Estados Unidos nega visto a Diego Maradona, impedindo que ele vá a Disney com neto

ARGENTINA – Bizarro
Estados Unidos nega visto a Diego Maradona,
impedindo que ele vá a Disney com neto
O jornal inglês The Sun, que noticiou em primeira mão, diz que o motivo foi político, pela forma antagônica e agressiva que o ex-capitão da seleção argentina refere-se aos EUA, sempre ao lado de notórias figuras políticas antiamericanistas como Castro e Hugo Chávez

Foto: Divulgação

Diego Armando Maradona, visto como inimigo pelos Estados Unidos

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The Sun, Uol, O Povo, Terra, Folha de São Paulo, Diario do Grande ABC

O ex-jogador argentino Diego Maradona não é bem-vindo nos EUA. Pelo menos é o que indica a embaixada do país em Dubai, Kuwait, onde o atleta reside atualmente. Maradona foi até a embaixada e solicitou um visto de entrada com intuito de visitar a Disney com seu neto Benjamin, mas teve o pedido recusado por “questões políticas”.

Segundo o jornal inglês The Sun, o permanente antagonismo exibido publicamente pelo jogador contra os EUA, foi o motivo dele ser barrado de entrar no país.

” O relacionamento dele com os Estados Unidos nunca foi bom. A amizade dele com Fidel Castro, com Hugo Chávez e com outros inimigos dos EUA já o impediram de conseguir o visto antes”, declarou uma fonte do jornal inglês.

Maradona tem no ombro uma tatuagem do guerrilheiro argentino Che Guevara e na perna esquerda uma tatuagem de Fidel Castro, a quem visita regularmente, desde que era titular da seleção Argentina.

Maradona programava levar o seu neto, Benjamin, de quatro anos, para os parques da Flórida. Seria acompanhado da namorada Rocio Oliva, de 22 anos, e de sua filha, Dalma, de 26, mãe do garoto. Segundo o jornal inglês, o pedido negado foi um verdadeiro ‘chute no dente’ de Maradona, já que “a família estava ansiosa pela viagem”.

Maradona nunca foi de se esquivar dos assuntos políticos. Admirador confesso de Che Guevara, amigo do cubano Fidel Castro de do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales, personagens antiamericanistas da esquerda latino-americana.

Comenta-se que desde que foi flagrado no exame antidoping, com cocaína, na copa do mundo em 1994, por inúmeras vezes os Estados Unidos nega-lhe vistos de entrada.

Pelos problemas com drogas o Japão também não permitiu sua entrada, por mais de uma vez, em 1994, para participar de um jogo beneficente e em 2000, quando pretendia assistir à final do Mundial Interclube, entre Real Madrid e Boca Juniors.

Durante a Copa do Mundo de 2002, o Japão depois de uma recusa inicial, concedeu o documento, devido a forte interferência do governo argentino, ele que havia sido contratado por um canal mexicano como comentarista da Copa, só conseguiu o visto em tempo de assistir a final Brasil e Alemanha, e teve o desprazer de ver o Brasil se tornar penta-campeão do Mundo.

26 de jun. de 2013

A casa maluca, a instalação genial do artista argentino Leandro Erlich, em Londres

REINO UNIDO – Arte
A casa maluca, a instalação genial do artista
argentino Leandro Erlich, em Londres
Mais uma criação inspirada do mundialmente artista argentino que cria e brinca com a realidade visual

Foto: Camera Press

Pendurados nas bordas de uma mansão vitoriana, este grupo faz parte de uma ilusão visual tridimensional

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Metro, The Telegraph, BBC Brasil

Batizada "Dalston House", a instalação do argentino Leandro Erlich faz com que a imaginação do participante seja tão importante quanto a do próprio artista.

O projeto montado no bairro de Dalston, no leste de Londres, desafia a gravidade e diverte os londrinhos.

E esta não é a primeira vez que Erlich cria ilusões, na instalação "Piscina", de 2008, colocava os visitantes submersos, embora, no fundo, eles estivessem secos.

É também famosa a janela no espaço, de 2010.

Fotos: Getty Image

Um espelho reflete os visitantes que fazem poses na maquete na horizontal, pareçam estar escalando o realista edifício projetado pelo artista.


A criança interage com a instalação width=580>


A instalação estará aberta aos visitantes de 26 Junho a 04 de agosto de 2013, em Dalston, Londres


A piscina, ilusão de que os visitantes estariam debaixo d’água


A janela e escada, ou "Tarde demais para ajudar".

19 de jun. de 2013

"Frigideira-power": Os chilenos inventaram o panelaço, os argentinos o transforaram em hit parade mundial"

ARGENTINA
"Frigideira-power": Os chilenos inventaram o panelaço, os argentinos o transforaram em hit parade mundial
Um panelaço é uma modalidade de protesto que consiste em bater utensílios de cozinha metálicos para gerar um barulho que tem o objetivo ser interpretado como o som da “irritação popular”. Nos últimos panelaços portenhos foi utilizada de forma intensa a garrafa de plástico, que produz um som seco também adequado para expressar irritação. A vantagem das garrafas é que não estraga as panelas de casa, além de ser mais leve.

Foto: Blog Ariel Palacios

“El Cacerolazo” (O Panelaço): Denominação da barulhenta modalidade de protesto que consiste em bater de forma rítmica utensílios metálicos de cozinha, principalmente as “cacerolas” (panelas). Os participantes: batem panelas nas janelas de suas casas e apartamentos, ou saem às ruas para bater panelas enquanto marcham rumo a um ponto de concentração de protestos.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ariel Palacios, para O Estado de S. Paulo
Fonte: Blog do Ariel Palacios

A História dos panelaços mostra que os utensílios de cozinha não possuem ideologia política, já que os primeiros panelaços surgiram no Chile paraprotestar contra o presidente socialista Salvador Allende em 1973. No entanto, em 1986 e 1989 os panelaços chilenos foram direcionados contra o ditador de extrema direita, o general Augusto Pinochet.

Em 1996 foi a vez da Argentina tornar-se o cenário de panelaços acompanhados por apagões para protestar contra a política do presidente Carlos Menem.

Em 2001 e 2002 essa modalidade de protesto teve seu apogeu de forma quase diária contra os presidentes Fernando De La Rua, Adolfo Rodríguez Sáa e Eduardo Duhalde. Na época os panelaços argentinos obtiveram fama mundial.

A retomada do crescimento econômico, em 2003, com o presidente Nestor Kirchner fez os panelaços desaparecerem. Mas este modus operandide protestar contra o governo de plantão voltou quando a presidente Cristina Kirchner teve o conflito com o setor ruralista em 2008. Os portenhos, rosarinos, santafecinos e cordobeses, entre os habitantes de várias cidades argentinas, saíram às ruas para respaldar os ruralistas contra a administração Kirchner.

Os panelaços retornaram mais uma vez no ano passado com o crescimento dos problemas econômicos, especialmente a disparada da inflação, além dos escândalos de corrupção. De quebra, segundo afirmou ao Estado a analistade opinião pública Mariel Fornoni, o tom agressivo dos últimos discursos da presidente Cristina irritou diversos setores da população, servindo de combustível para os panelaços de setembro, novembro e abril passados.

Na lista das reclamações também estava o gasto da presidente Cristina Kirchner com assuntos lúdicos-políticos: as transmissões estatizadas dos jogos de futebol, o denominado“Futebol para todos”, que consumiram US$ 1,06 bilhão dos cofres públicos desde 2009.

Foto: Divulgação

Cristina Kirchner não gostou nada dos panelaços realizados contra sua gestão e acusou os manifestantes de “oligarcas”. Na foto, a presidente e seu Rolex Lady Date Just de ouro e brilhantes, avaliado em 42 mil dólares.

MAGNITUDE DOS PANELAÇOS – O governo Kirchner, que está com a popularidade em baixa desde o início do ano passado, foi alvo de um panelaço no dia 13 de setembro, que levou 200 mil pessoas às ruas de Buenos Aires. Na ocasião, outras 100 mil manifestaram-se nas principais cidades do interior da Argentina. Total de participantes nas ruas do panelaço de setembro no país: 300 mil pessoas.

Um novo panelaço foi realizado no dia 8 de novembro. No entanto, dessa vez a proporção de manifestantes superou as expectativas, com mais de 700 mil pessoas na capital. Os cálculos da Polícia Federal indicam que no resto do país os panelaços reuniram outras 500 mil pessoas.Total do panelaço de novembro 1,2 milhão pessoas.

No dia 19 de abril meio milhão de portenhos marcharam pelas ruas da capital para exigir uma mudança drástica na política econômica e o julgamento dos corruptos. Os cálculos indicam que outras 200 mil protestaram no interior. Total de pessoas mobilizadas nas ruas no panelaço de abril: 700 mil pessoas.

O governo da presidente Cristina Kirchner fez malabarismos para negar a magnitude dos panelaços, além de acusar os cidadãos que participaram dos protestos de“golpistas”. Os aliados da presidente indicaram nas ocasiões dos panelaços que a modalidade de protesto era“ilegítima”e que os manifestantes deveriam esperar as próximas eleições para indicar sua contrariedade com o governo.

A única agressão registrada foi contra um repórter do canal de TV C5N, cujo dono Cristóbal López, o “tzar” dos cassinos argentinos é amigo da presidente Cristina. O governo usou esse único ato para indicar que a manifestação, como um todo, havia sido “violenta”.

O repórter levou um brutal soco de 1 dos 700 mil manifestantes. O ato de violência isolado foi repudiado pela totalidade dos meios de comunicação, aliados ou críticos do governo.

OUTRAS MODALIDADES DE PROTESTOS NA ARGENTINA

♦PIQUETE:
Bloqueio de avenidas, ruas e estradas por grupo de pessoas como modus operandi de protesto. No início, quando eram poucos, os piqueteiros bloqueavam com pneus em chamas e escombros. Atualmente, com excedente de manifestantes, os bloqueios são feitos com “barreiras humanas”.

Acessórios dos piqueteiros: lenços cobrindo parte do rosto, que podem ser úteis na hora do gás lacrimogêneo (e também para proteger sua identidade das forças policiais). Há dez anos eram comuns varas de madeira, barras de ferro, canos de PVC com cimento dentro, utilizados tanto para a defesa pessoal, para o ataque, ou simplesmente para intimidar. No interior do país eram frequentes os estilingues. Mas, atualmente são raras as manifestações com estes objetos de intimidação. Os piquetes possuem o acompanhamento musical dos bumbos (instrumento originário das mobilizações do Peronismo). Esta modalidade, ocasionalmente, inclui atos de violência. Mas não é sine qua non.

♦ESCRACHO: É um protesto personalizado, realizado na frente das residências das pessoas-alvo da manifestação. A modalidade, além de incluir gritos contra as pessoas “escrachadas” contempla o arremesso de objetos contundentes sobre a residência da pessoa. Ou, em uma versão mais light, o arremesso de tinta ou lama contra as janelas e paredes da residência.

Alvos dos escrachos:

- Entre 1997 e 2001 os alvos primordiais eram ex-integrantes da ditadura. Com os escrachos os manifestantes revelavam aos vizinhos do militar que ali residia uma pessoa que havia cometido crimes durante a ditadura.

- Em 2001 e 2002 eram primordialmente os integrantes da equipe econômica, governadores, prefeitos e parlamentares.


*Ariel Palacios é jornalista, correspondente do O Estado de S.Paulo e da Globo News, em Buenos Aires

12 de jun. de 2013

Argentina e Venezuela 'queimam' imagem do Brasil, diz professor da American University

BRASIL - Economia
Argentina e Venezuela 'queimam' imagem do Brasil,
diz professor da American University
Para Arturo Porzecanski , professor da American University, em palestra na capital paulista, foco do Brasil no Mercosul dificulta desenvolvimento do comércio exterior do país e afasta investidores

Foto: Telam/La Nacion

Cristina Kirchner e Dilma Rousseff, apontando para direções opostas.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Talita Fernandes, para Veja
Fonte: Veja

Em tempos de mercados cada vez mais fechados e turbulências econômicas que não cessam, chegou a hora de o Brasil se afastar da Argentina e da Venezuela para evitar mais problemas, diz o economista e professor da American University (Washington, EUA), Arturo Porzecanski. De acordo com o estudioso da economia da América Latina, os dois países não têm os mesmos valores democráticos que o Brasil e a insistência do governo na proximidade com ambos arranha a imagem do país na percepção dos investidores internacionais. Para explicar seu raciocínio, o professor, que é uruguaio, mas radicado nos Estados Unidos, usa o ditado popular "Diga-me com quem andas que direi quem és".

Em evento realizado nesta terça-feira em São Paulo, Porzecanski disse que, enquanto o Brasil resiste em participar de alianças de livre comércio, movimento que vem sendo adotado por outros países, e insiste no Mercosul - bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, pela Venezuela - ele passa uma imagem aos possíveis investidores de que compartilha do mesmo pensamento econômico desses países.

Argentina e Venezuela se destacam por políticas econômicas desastrosas. Os dois países têm forte controle cambial e maquiam dados sobre inflação, que atinge patamares muito elevados nos dois casos. Na Argentina, por exemplo, o dado oficial é de inflação na casa dos 10% ao ano, mas cálculos extraoficiais apontam para um patamar inflacionário entre 20% e 30%. Na Venezuela, a inflação ultrapassa a casa dos 20%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL - Na última terça-feira, o governo de Cristina Kirchner anunciou a estatização de trecho de oito mil quilômetros de linhas férreas concedidos à gigante brasileira América Latina Logística (ALL).

DIFICULDADES - O Mercosul foi criado em 1991, com o tratado de Assunção, com o objetivo de criar uma união tarifária, ou seja, a isenção de tarifas de importação entre os países membros e a uniformização das tarifas cobradas sobre produtos importados dos demais países. Mais de 20 anos se passaram e, até agora, o Mercosul está muito longe de ser um bloco livre de tarifas de importação. Brasil e Argentina, que são as maiores economias que compõem o bloco, têm cada vez mais dificuldades nas relações comerciais. O episódio mais recente foi a estatização de ferrovias que estavam sobre concessão da gigante brasileira América Latina Logística (ALL), decisão que pegou a empresa de surpresa.

Outros problemas envolvem duas importantes companhias brasileiras: Vale e Petrobras. Em março, o Conselho Administrativo da Vale decidiu suspender o projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina. A suspensão originou uma série de embates e o país chegou a ameaçar a tirar a concessão da mineradora. A Casa Rosada considerou a medida como falta de apoio do Palácio do Planalto. A mesma avaliação foi feita em relação à decisão da Petrobras denão vender seus ativos no país. Há duas semanas, a Petrobras recuou de uma negociação com o grupo Indalo, de Cristóbal López.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- A Petrobras cogita vender toda a sua subsidiária no país, por causa da apetada margem de lucros e intervenções inesperadas e descabidas

MOMENTOS DIFÍCIES -Apesar do cenário, o ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Gustavo Loyola afirmou, no mesmo evento, que o país não vai se afastar de seus vizinhos latino-americanos e que a relação econômica com eles é importante. Contudo, Loyola compartilha do pensamento de Porzecanski de que o Brasil não deve deixar o Mercosul restringir sua política de comércio exterior. Ele reforça que o cenário atual para as relações econômicas bilaterais entre Brasil e Argentina é negativo. "Mas isso não quer dizer que o Brasil tenha de desistir."

O ex-dirigente do BC explica que o Mercosul passa por momentos difíceis - e que se pode falar até em crise. "Tem várias questões que pioraram o Mercosul nos últimos anos. Politicamente, o erro grosseiro foi a suspensão do Paraguai e o ingresso da Venezuela", comenta. Para Loyola, o bloco não deveria fechar as portas a novos membros, mas acha crítico que os países tenham permitido o ingresso da Venezuela que, na prática, não é um país democrático, e "não tem economia de mercado".

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- A Vale gastou 2,2 bilhões de dólares num projeto de extração de potássio em Mendoza. Pleiteava maior flexibilidade tributária e cambial, mas não houve acordo com o governo. Planeja vender a mina para recuperar o dinheiro aplicado

O Paraguai foi suspenso do bloco em junho do ano passado por questões políticas, quando o Congresso decidiu pelo impeachment do presidente Fernando Lugo. No momento da suspensão, os países membros usaram como justificativa a saída de Lugo e aproveitaram a oportunidade para chancelar a inclusão da Venezuela. O Paraguai era o único membro contrário à entrada do país então comandado por Hugo Chávez - e que hoje está sob o comando de seu sucessor, Nicolás Maduro. A decisão sobre a volta ou não do Paraguai ao Mercosul só será tomada após a posse do novo presidente eleito, Horacio Cartes, marcada para 15 de agosto.

Para os economistas, o cenário faz com que o empresariado tenha pouca confiança nos países do Mercosul e o sentimento de insegurança jurídica cresça. "Isso está provocando um distanciamento. Afasta o investimento e provoca o desinvestimento", comenta Loyola.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- As empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa foram prejudicadas pela desistência da Vale em terminar o empreendimento no Rio Colorado.

ALIANÇAS — Em meio às críticas ao Mercosul, Porzecanski usa o exemplo que vem sendo adotado por outros países latino-americanos. Ele cita a Aliança do Pacífico, firmada no ano passado por México, Colômbia, Peru, Chile, que recentemente anunciaram a retirada de 90% das tarifas de importação. Devem aderir ao bloco também Costa Rica e Panamá. O professor destaca que esses países têm também firmado uma série de acordos com os Estados Unidos, União Europeia e com algumas economias asiáticas.

Outro exemplo é a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que envolve 11 países no total, entre eles Japão e Estados Unidos. Porzecanski diz que não vislumbra nenhum caminho para o Mercosul nesse cenário. "O Brasil corre o risco de ficar isolado", comenta. “Não acho estratégia inteligente, pois esse foi o caminho seguido por países que viraram líderes”.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- A Deca fechou sua fábrica em Buenos Aires, onde estava desde 1995, não conseguiu reverter sucessivos prejuízos financeiros. Cerca de 140 pessoas ficaram desempregadas com a desativação da fábrica

MULTILATERALISMO FALHO - A estratégia de multilateralismo e poucos acordos bilaterais por parte do Brasil também é alvo de críticas. Segundo o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), as alianças comerciais bilaterais de países latino-americanos ajudaram na expansão de suas economias, como o México, por exemplo. "Enquanto isso, o Brasil ficou só nos acordos multilaterais. Por isso nós ficamos com uma economia mais fechada."

Nesta terça, a Câmara Internacional de Comércio (ICC, na sigla em inglês), divulgou um ranking feito com base no nível de abertura econômica dos países. O Brasil aparece na 67ª posição em uma lista de 75 economias. É o que ostenta a pior posição entre as 20 maiores economias mundiais, o G-20, e entre os Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "Com a perda da competitividade, sobretudo da indústria, nós ficamos apelando para coisas como a salvaguarda. Nesse ponto, há um risco muito grande para a competitividade no curto e no médio prazo. Mantemos um distanciamento dos polos mais avançados, onde são desenvolvidas as tecnologias mais de ponta e nós ficamos com as produções mais básicas apenas", comenta Grisi.

Ele avalia que o país tem perdido a oportunidade de negociar alianças comerciais com a Europa, por exemplo, e lembra que os EUA e a zona do euro discutem acordos enquanto isso. "Precisamos fazer acordos e liberalizá-los. E, assim, buscar por ganhos de competitividade", comenta.

Foto: Veja

ARGENTINA X BRASIL- O frigorífico brasileiro JBS fechou a maior parte das operações que tinha no país, depois que Cristina Kirchner determinou que os frigoríficos vendam, para cada 2,5 quilos exportados, um quilo de carne abaixo do custo para o mercado argentino.


ARGENTINA X BRASIL- A Alpargatas dona das marcas Havaianas e Topper também passa por apuros na Argentina, com série de imposições para a troca de pesos por dólares, sofre para enviar suas remessas ao Brasil.