19 de dez. de 2011

Modo de usar – Dora Kramer

BRASIL – OPINIÃO
Modo de usar – Dora Kramer
“Popularidade é bom e todo mundo gosta. Rende votos, vitórias eleitorais, aumenta a perspectiva de poder, infla egos, mas cria cacoete de comportamento, alimenta vocações autoritárias e, por isso, o ideal é que seja usada em prol do coletivo e não do projeto de um só partido.” “Até porque popularidade não é atributo que tenha por si garantia de permanência. Como vem, vai.”

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A presidente tampouco foi fiel aos fatos ao comentar o caso do ministro Fernando Pimentel que, segundo ela, "não tem nada a ver com o governo". Teria a ver com o quê, então?

DORA KRAMER
Fontes:Estado de São Paulo

Dilma Rousseff bate recorde de aprovação popular, batendo até o antecessor tido como imbatível. Consolida, assim, o crescimento da hegemonia governo/petista que se expandiu do Congresso para a sociedade e aumenta gradativamente desde a eleição de Luiz Inácio da Silva em 2002.

A última pesquisa Ibope mostra Dilma com índices de popularidade inéditos na comparação com os primeiros anos dos dois mandatos de Lula e de Fernando Henrique e carrega consigo duas notícias.

A boa é que a maioria se sente bem e isso é ótimo. A má é que com números tão robustos o governo se sente no direito de tocar o barco em frente sem prestar atenção ao que de positivo o contraditório contém como material de trabalho para avançar por terrenos onde hoje viceja o atraso.

Popularidade é bom e todo mundo gosta. Rende votos, vitórias eleitorais, aumenta a perspectiva de poder, infla egos, mas cria cacoete de comportamento, alimenta vocações autoritárias e, por isso, o ideal é que seja usada em prol do coletivo e não do projeto de um só partido.

Evidentemente, não se propõe que o governo divida suas glórias com a oposição, muito menos que não faça uso eleitoral da vantagem que detém. O jogo democrático, óbvio, tem na disputa política sua preliminar.

Mas, não precisa necessariamente limitar-se a esse objetivo.

Até porque popularidade não é atributo que tenha por si garantia de permanência. Como vem, vai.

Se há espírito público, o ideal é que no momento do auge essa força seja usada como instrumento de transformação. Uma arma de aperfeiçoamento, cujo manejo leve em conta uma velha lição: quanto mais poderoso é o poder mais o governante deve compartilhá-lo com seus governados.

Do contrário, o mandatário altamente popular tende a ouvir só o que lhe interessa e a dizer só o que lhe convém, sem se considerar na obrigação de conferir substância e coerência às suas palavras.

Foi o que aconteceu na entrevista que a presidente deu na sexta-feira. Para começo de conversa, previu um crescimento de 5% no PIB para 2012. Qual o raciocínio utilizado para chegar à conclusão? Nenhum.

"Meu cenário é otimista", afirmou Dilma, reduzindo sua tese a mera conjectura. Algo autoritário, porque parte do pressuposto de que uma frase presidencial tenha o condão de conduzir uma realidade.

A presidente tampouco foi fiel aos fatos ao comentar o caso do ministro Fernando Pimentel que, segundo ela, "não tem nada a ver com o governo". Teria a ver com o quê, então?

Posta diante da comparação com o episódio envolvendo Antonio Palocci, fantasiou: "Ele quis sair".

Não quis, resistiu por 23 dias, saiu quando já era impossível ficar e foi incorporado à dita "faxina" como indicativo da intolerância da presidente em relação a "malfeitos".

Mas, se for verdade que Palocci só saiu porque quis, chega-se à conclusão de que por vontade de Dilma teria ficado. Onde coerência da intolerante?

Com a mesma superficialidade própria dos que estão com a vida ganha e, portanto, não se acham devedores de conferir maturidade ao diálogo com o País, a presidente falou sobre a reforma ministerial.

Rechaçou a hipótese de reduzir o número de ministérios - "não me venham com essa conversa, não é isso que faz a diferença no governo" -, choveu no molhado - "não tenho compromisso com qualquer prática inadequada" - e não disse o que pensa mesmo sobre o modus operandi da coalizão.

Avisou apenas que todos terão "uma surpresa". Um sinal de qual seria o rumo? Não deu. Um vislumbre de que haveria mudança de critérios para nomeação de ministros?

De novo a afirmação carente de substância: "Quero que cada vez mais os critérios de governança sejam os critérios internos do governo, que nenhum partido interfira em questões internas".

E quais são os "critérios de governança"? Por enquanto, o único visível disse respeito ao direito de todos os partidos cujos ministros caíram em meio a escândalos de corrupção, tiveram de indicar os substitutos.

Pode ser que a presidente altere essa lógica e resida aí a "surpresa" anunciada. Se for isso, terá finalmente dado à sua imensa popularidade uma boa utilidade pública.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

18 de dez. de 2011

Joãosinho Trinta e o carnaval na eternidade

BRASIL - Luto
Joãosinho Trinta e o carnaval na eternidade
O carnavalesco Joãosinho Trinta, um dos ícones do carnaval carioca, morreu neste sábado, na sua terra no Maranhão. Antes dele ninguém sabia o que era um carnavalesco. Ele inventou muitas coisas no carnaval carioca, o enredo autoral, a sensualidade explicita e o luxo desvairado, sempre foram as suas marcas.


Joãosinho Trinta revolucionou estética, filosófica e sociologicamente os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Portal Terra, Extra, Revista Época, G1

O carnavalesco João Clemente Jorge Trinta, conhecido como Joãosinho Trinta, de 78 anos, morreu às 9h55m da manhã deste sábado. Ele estava internado em estado grave e respirava com ajuda de aparelhos no Hospital UDI, em São Luís, no Maranhão. O hospital informou que as causas da morte foram choque séptico secundário, pneumonia e infecção urinária. O velório acontece no Museu Histórico do Maranhão, no Centro, e o enterro será na manhã de segunda-feira no Cemitério do Gavião, em São Luís.

Joãosinho foi internado no dia 3 de dezembro com pneumonia. Ele estava no Maranhão atuando em projetos da Secretaria da Cultura para os 400 anos de São Luís, comemorados em 2012.

Logo após a morte do carnavalesco, amigos e admiradores lamentaram a perda. O governador do Rio, Sérgio Cabral, decretou luto oficial de três dias.

Joãosinho Trinta era um grande personagem do Carnaval brasileiro, em especial, do Carnaval carioca. Artista visionário, encantava e surpreendia a todos com as suas criações, os seus enredos, o modo como contava uma estória na Marques de Sapucaí. Ele será sempre lembrado por sua arte popular. E a sua frase "Pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual" deve ser estudada nos cursos universitários para que a elite entenda a sua profundidade", afirmou, em nota, o governador.

O carnavalesco sofreu o primeiro acidente vascular cerebral (AVC) em 1996, tendo sido tratado na Rede Sarah em Brasília. Ele perdeu os movimentos do braço esquerdo. Recuperou-se e em 1997 levou a Viradouro à vitória com o enredo “Trevas! Luz! Explosão do universo!”.

Em 2004, quando preparava o carnaval da Vila Isabel, Joãosinho passou mal e teve um novo AVC. No ano seguinte, com dificuldades de fala e limitações de movimento nos dois lados do corpo, fez reabilitação no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Mais uma vez se recuperou a ponto de participar do carnaval. Após desfilar numa cadeira de rodas, ele foi campeão com Alexandre Louzada pela Vila Isabel.

Em março deste ano, voltou ao Sarah para dar continuidade ao programa de reabilitação e recebeu alta em 9 de junho. Um mês depois, no dia 11 de julho, sofreu convulsões e foi hospitalizado no Rio. Joãosinho passou mal quando estava com amigos no Hotel Novo Mundo, no Flamengo, e teve várias convulsões seguidas durante meia hora. Dois dias depois, seu quadro de saúde agravou-se devido a uma pneumonia. Em 31 de julho, foi transferido para o Sarah, em Brasília, quando se comunicava por gestos e articulava palavras, mas sem emitir sons.

Joãosinho Trinta, em Nilópolis em 1979
Foto: Carlos Chicarino/Arquivo/AE
Quando desembarcou sozinho no cais do porto do Rio de Janeiro em 1951, o maranhense João Clemente Jorge Trinta nem imaginava que mudaria definitivamente a cara do carnaval carioca e se tornaria o mais festejado e criativo carnavalesco de escolas de samba. Então com 17 anos, queria ser bailarino clássico.

Nascido em 23 de novembro de 1933, em São Luís, filho de operários, ele chegou a passar fome até conseguir ingressar no corpo de baile do Teatro Municipal. Como tinha interesse por quase tudo na montagem de um espetáculo, acumulou funções de bailarino, figurinista e cenógrafo.

A entrada para o samba foi em 1963, quando Joãosinho abandonou as sapatilhas, levado para o Salgueiro pelo carnavalesco Arlindo Rodrigues. Foi aí que começou sua paixão pelo carnaval. Dez anos depois, quando seu padrinho deixou a escola, ele assumiu a função de carnavalesco. Em 1974, ganhava seu primeiro título, com o enredo “O rei da França na Ilha da Assombração”. No ano seguinte, tornou-se bicampeão com “As minas do rei Salomão”.

Mas foi na Beija-Flor, a partir de 1976, que Joãosinho Trinta consagrou-se como mago dos desfiles, revolucionando o carnaval com carros alegóricos imensos e fantasias luxuosas. Foram três títulos seguidos — “Sonhar com rei dá leão” (76), “Vovó e o rei da Saturnália na corte egipciana” (77) e “A criação do mundo na tradição nagô” (78).

Na azul-e-branco de Nilópolis, ganhou ainda os carnavais de 80, com o enredo “O sol da meia-noite - uma viagem ao país das maravilhas”, empatado com Imperatriz e Portela, e de 83, com “A grande constelação de estrelas negras”.

Conhecido por pregar o luxo nas escolas, ele assombrou o Sambódromo com o desfile dos mendigos e do lixo. “Ratos e Urubus”, em 1989, é considerado por especialistas um dos maiores desfiles de todos os tempos, talvez o mais revolucionário.

Foto: Arquivo

O Cristo proibido

Joãosinho protagonizou uma briga com a Igreja Católica ao levar para a Sapucaí o carro alegórico que trazia um Cristo mendigo e teve que ser coberto com plástico preto, por ordem judicial. Mas em protesto pela censura, ele colocou uma faixa com os dizeres: “Mesmo proibido, olhai por nós!”.

Depois de ter cunhado a máxima “Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo”, o carnavalesco foi ovacionado por ter feito um desfile que expunha a pobreza e o lixo. Por ironia, Joãosinho e a Beija-Flor perderam o carnaval para a certinha Imperatriz, que cantou os cem anos da República. A despeito do lindo samba, pouca coisa restou do desfile da escola de Ramos. Quanto ao de Joãosinho, ainda será lembrado por muitos e muitos anos.

Em 92, seu último ano na azul-e-branco, o carnavalesco foi afastado da direção do projeto que ajudou a criar, o “ Flor do Amanhã”, que apoiava menores de rua. Foi acusado de corrupção de menores e responsabilizado por abrigar homossexuais e crianças em condições precárias no galpão da entidade. No ano seguinte, magoado, ele afastou-se da folia e viajou para Portugal, onde passou a comandar bailes na casa de espetáculos Cassino de Estoril.

Foto: Arquivo/AE

Carnaval de 1990 - "Todo mundo nasceu nu" era o enredo da Beija Flor, que ficou em segundo lugar naquele ano

O retorno ao carnaval foi na Viradouro em 94. Mas o primeiro título na escola de Niterói só veio em 97, com o enredo “Trevas! Luz!A explosão do universo!”. Foi a volta por cima do carnavalesco. Um ano antes, ele sofrera um AVC que deixou o braço direito paralisado e dificuldades na fala. Segundo o próprio Joãosinho, a doença mudou seu comportamento e sua visão de mundo. Se antes centralizava o trabalho, passou a distribuir tarefas.

Foi Joãosinho também que pôs um homem voando com um minifoguete na Sapucaí em 2001, quando estava na Grande Rio. Os críticos disseram que aquilo nada tinha a ver com samba. Mas Joãosinho era assim mesmo. Irrequieto, inovador, polêmico.

No carnaval de 2004, uma nova polêmica. O enredo “Vamos vestir a camisinha, meu amor...”, que contava a história dos preservativos, gerou protestos da Igreja Católica. Três carros com esculturas de bonecos fazendo sexo foram encobertos por recomendação do Ministério Público estadual, que considerou as alegorias ofensivas. A escola ficou apenas em 10º lugar e Joãosinho foi demitido dias depois.

Que alguns críticos gostem ou não, mas Joãosinho deu o visual que hoje predomina no desfile das escolas de samba. Antes de Joãosinho, os destaques desfilavam no chão, juntamente com os outros foliões e a diferença ficava apenas por conta da roupa, mais luxuosa que as outras. Joãosinho pôs os destaques em cima dos carros alegóricos e aumentou a altura dos carros. O desfile ficou verticalizado. Ele começou a fazer isso no Salgueiro, mas foi na Beija-Flor que o estilo se consagrou.

Embora tenha sido copiada por todas as escolas, sem exceção, a nova estética foi criticada pelas chamadas escolas de raízes. Num samba antológico, o Império Serrano alfinetou em “Bumbum paticumbum prugurundum”: Superescolas de samba SA/super alegorias/escondendo gente bamba/que covardia (a crítica tinha endereço certo: a escola de Nilópolis que virou bicho-papão do carnaval).

O luxo de suas fantasias e alegorias não fazia parte do dia a dia de João. Era apenas uma fantasia do menino que deixou o Maranhão para tentar a sorte no Sul Maravilha. Como dizia o refrão do samba de Ratos e Urubus: “Sou na vida um mendigo, na folia eu sou rei”.

Foto: G1

Neste carnaval de 2011 ainda se sentia o estilo Joãozinho Trinta no desfile da "Beija Flor".


17 de dez. de 2011

CHARGE: BOB GORRELL - Nationally Syndicated cartoonist (USA)



BOB GORRELL - Nationally Syndicated cartoonist (USA)


Fim da guerra do Iraque?

IRAQUE
Fim da guerra do Iraque?
Os EUA chegaram a ter 170 mil soldados no Iraque, e agora restam apenas cerca de 4.000, que deverão sair até o final do ano. O contingente em 2012 será de apenas 150. Caberá então ao Iraque enfrentar sozinho a insurgência sunita - enfraquecida, mas teimosa -, as tensões sectárias e a incerteza política. Com um custo econômico na casa dos trilhões de dólares e a perda de quase 4.500 vidas americanas será que a aventura do Iraque valeu a pena, para os americanos? E para os iraquianos?

Foto: Mohammed Ameen/Reuters

NOSTÁLGICA RETIRADA - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira o encerramento formal da Guerra do Iraque, com a retirada dos últimos soldados do país e o final das operações que duraram quase nove anos, custaram bilhões de dólares e milhares de vidas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:The New York Times, BBC Brasil, Reuters, Iraq Body Count…

Quase nove anos depois de os primeiros tanques americanos terem ultrapassado a fronteira do Iraque, o Pentágono declarou o fim oficial da guerraa, encerrando um conflito controverso que reformular a política americana e deixou um legado amargo do sentimento antiamericano em todo o mundo muçulmano. – diz o The New York Times

O secretário de Defesa americano, Leon E. Panetta marcou a ocasião com um discurso em um pátio de concreto fortificado no aeroporto de Bagdá, com segurança mais que redobrada e dezenas de helicópteros patrulhando o espaço aéreo acima das cabeças das autoridades.

"Deixe-me ser claro: o Iraque será testado nos próximos dias - pelo terrorismo e por aqueles que procuram dividir, por questões econômicas e sociais, pelas exigências da própria democracia", disse Panetta.

"Os desafios permanecem, mas os EUA vão estar lá para acompanhar o povo iraquiano como eles conduzem os desafios para construir uma nação mais forte e mais próspera."

A guerra iniciada em 2003, como uma das reações militares dos americanos aos ataques as torres gemeas do World Trade Center. Com a busca por Osama Bin Laden no Afeganistão mostrava-se infrutífera, o governo Bush resolveu atacar em outra frente: focou no Iraque insinuando que Saddan Roussen, o ditador iraquiano, “poderia” abrigar grupos terroristas islâmicos e se lançou numa campanha internacional, alegando que o governo iraquiano era uma ameaça mundial, pois estava produzindo armas de destruição em massa.

Foto: Khalid Mohammed/Associated Press

Panetta diz que os Estados Unidos haviam dado uma oportunidade de sucesso aos iraquianos, e que cumpriram a missão de tornar o país soberano e independente, ainda que ao preço de muitas vidas.

As supostas armas de destruição biológica em massa jamais foram encontradas pelas forças de ocupação e sabe-se hoje que tanto os americanos e seus princiapais aliados ocidentais que o apoiaram militarmente na invasão, destacando a Inglaterra, sabiam que a as armas não existiam, antes mesmo da ocupação.

As alegadas ligações de Saddam com grupos terroristas islâmicos nunca foram comprovadas. Na verdade, os grupos terroristas islâmicos opunham-se a Saddam, pois eram xiitas em sua maioria, enquanto o líder iraquiano era sunita e ao contrário do que se imaginava, o Iraque era um dos países mais laicos da região.

Mesmo assim o ditador, Saddan Roussen, acabou capturado e executado, após ter sido condenado à morte por um tribunal iraquiano.

Até o pretexto nobre de que a guerra pretendia levar a democracia para o Oriente Médio, não convence mais ninguém há muito.

A retirada americana abre um novo capítulo para o Iraque, uma nação forjada menos de um século atrás por colonialistas britânicos e torturadas desde então por rebeliões, guerras e ditadura brutal.

Tem uma fronteira entre os impérios persa e árabe, o país ainda se esforça para equilibrar as ambições do Irã, o poderoso vizinho teocrática cujo programa nuclear tornou-se uma profunda preocupação para os Estados Unidos e seus aliados.

Foto: Michael Kamber/The New York Times

Para os americanos, a cerimônia na quinta-feira marcou um momento desconfortável de encerramento, sem noção clara do que tenha sido os ganhos e as perdas. Até a última sexta-feira passada, a guerra tinha ceifado 4.487 vidas americanas e produzido 32.226 americanos feridos na ação, de acordo com estatísticas do Pentágono.

Essas perdas humanas – e a constatação humilhante das falsas motivações ajudou a transformar o sentimento dos americanos em relação à guerra, contribuindo para uma queda na popularidade do presidente George W. Bush durante seu segundo mandato e para a eleição de Barack Obama, que havia se oposto à invasão em 2003 e prometeu durante a campanha e está cumprindo agora, a retirada das tropas do território iraquiano.

Os americanos estão levando as suas tropas, mas como pretendiam, não estão deixando o Iraque com instituições sólidas e seguras a ponto de garantir a permanencia do estado de direito e a democracia plena.

Embora cerimônia, de quinta-feira, representou o fim oficial da guerra, os americanos ainda tem duas bases no Iraque e cerca de 4.000 soldados, incluindo várias centenas que assistiram à cerimônia. No auge da guerra em 2007, havia 505 bases e mais de 170 mil soldados.

As tropas dos EUA deveriam permanecer no país como parte de um acordo que previa o treinamento das Forças Armadas iraquianas. Washington havia solicitado a Bagdá que pelo menos 3.000 soldados permanecessem no país. Mas não houve consenso a respeito da imunidade judicial dos soldados norte-americanos, pleiteada pelos EUA.

Foto: David Leeson

A INVASÃO – 2003 - A foto simbolica mostrando o iraque rendindo e humilhado nas mãos do invasor poderossímo

As lembranças dos abusos, prisões e assassinatos cometidos por soldados norte-americanos ainda assombram muitos iraquianos, e a concessão de imunidade aos militares estrangeiros era um assunto delicado demais para que o governo o submetesse ao dividido Parlamento local.

A partir de 2012, permanecerão no Iraque apenas cerca de 150 soldados dos EUA, na qualidade de adidos militares, ligados à embaixada. Instrutores civis assumirão a tarefa de treinar as forças do Iraque para o uso de equipamentos militares norte-americanos.

Há a possibilidade de essa cooperação ser ampliada no próximo ano, com mais militares americanos envolvidos nos treinamentos dos seus colegas iraquianos.

"Do ponto de vista de serem capaz de se defender contra uma ameaça externa, francamente, eles têm capacidade limitada." – disse o Gen. Lloyd J. Austin III, o comandante americano no Iraque, em uma entrevista após a cerimônia.

A defesa militar do Iraque tem falhas críticas em várias áreas: as dificuldades estão em toda a parte, desde a fragilidade na defesa aérea até as dificuldades de execução de tarefas básicas de logística, como abastecer suas tropas com alimentos e combustíveis, somando-se a incapacidade de fazer a manutenção dos veículos blindados herdando os americanos e dos jatos que está comprando.

Embora a saída americana tenha retirado a motivação central para os jihadistas que invadiram o Iraque após a invasão em 2003, o braço iraquiano da Al-Qaeda, mostra-se vivo e eficiente, e não parece disposto a encerrar suas atividades. Ao longo do ano passado, levaram a cabo uma série de atentados espetaculares, nas áreas “mais seguras” e protegidas pelos americanos.

Foto: Mario Tama/Getty Images

Momento de silencio, recordando os quase 4.500 americanos mortos em cambate

Mesmo em seus dias de crepúsculo, os militares americanos tem sofrido ataques humilhante que modificou inclusive a forma como se pretendia entrega das bases aos iraquianos.

As cermônias deixaram de serem anuncios publicos depois que os insurgentes estavam se aproveitando do clima de arrumar as malas para a mudança, para atacar os postos militares.

Desde então, o fechamento das bases foram feitas em segredo, nada de desfile de tropas e mudanças de bandeiras no mastro principal. Tudo passou a acontecer em reuniões a portas fechadas, onde oficiais americanas e iraquianas assinavam documentos que legalmente passavam o controle das instalações, trocaram apertos de mão enquanto entregavam e recebiam chaves como se fosse à entrega de um imóvel residencia.

Todos os números a respeito dessa guerra são controversos: segundo dados oficiais quase 60 mil iraquianos perderam suas vidas na guerra, em grande maioria por equívocos dos invasores, que confundiam cidadãos de bem com terroristas e vice-versa. Todavia, a respeitada organização “Iraq Body Count” contesta esses números, para eles, ocorreram entre 97.461 e 106.348 mortes entre os iraquianos até julho de 2010.

O Serviço de Pesquisa do Congresso, estima que, no final do ano fiscal de 2011, os Estados Unidos terão gasto quase US$ 802 bilhões para financiar a guerra. No entanto, o economista vencedor do prêmio Nobel Joseph Stiglitz e a professora de Harvard Linda Bilmes, afirmam que o custo real chega a US$ 3 trilhões se os impactos adicionais no orçamento e na economia dos Estados Unidos forem levados em conta.

Foto: Mohanned Faisal/Reuters

Em Falluja, antigo reduto da insurgência da Al Qaeda, e cenário de algumas das piores batalhas da guerra, milhares de iraquianos celebraram na quarta-feira a retirada norte-americana. Algumas pessoas queimaram bandeiras dos EUA, outras exibiam fotos de parentes mortos.

Os países vizinhos do Iraque também ficarão muito atentos a como Bagdá enfrentará seus problemas sem o amparo da presença militar norte-americana, e num momento em que a crise na vizinha Síria ameaça alterar o equilíbrio étnico e sectário da região.

A liderança xiita do Iraque vê na retirada o recomeço da soberania nacional, mas muitos iraquianos questionam que rumo o país tomará sem a presença dos militares estrangeiros.

Alguns temem violência sectária, ou que a Al Qaeda volte a semear o terror nas cidades. A disputa por petróleo e territórios entre os curdos, que controlam uma região semiautônoma no norte, e os árabes, que dominam o governo central, é outro assunto delicado.

A violência recuou desde o auge dos conflitos sectários, quando homens-bomba e esquadrões de atiradores chegavam a fazer centenas de vítimas por dia, e o país esteve próximo de uma guerra civil entre sunitas e xiitas.

Em geral, as forças de segurança são vistas como capazes de conter o que resta da insurgência sunita e as milícias xiitas, que autoridades dos EUA afirmam ser patrocinadas pelo Irã.

Mas, mesmo para quem desfruta da sensação de soberania, a segurança continua sendo uma grande preocupação. Os ataques atualmente têm como alvo órgãos públicos e forças locais de segurança, numa tentativa de mostrar que as autoridades não estão no controle.

Foto: Maya Alleruzzo/Associated Press

De volta para casa

Foto: Thaier al-Sudani/Reuters
A comemoração dos militares iraquianos ao assumirem a antiga base americana de Camp Echo

A queda de Saddam abriu caminho para que a maioria xiita do país ascendesse a posições de poder após décadas de opressão sob o Partido Baath, ligado aos sunitas. Mas, nove anos depois da invasão, o Iraque continua sendo um país rachado.

Isso se reflete até na coalizão chefiada pelo primeiro-ministro Nuri al Maliki, um xiita, que é retalhada por divisões sectárias. O governo às vezes parece paralisado, porque os partidos se contrapõem conforme critérios sectários em disputas por leis ou cargos.

Os sunitas iraquianos temem a marginalização ou mesmo um sorrateiro regime autoritário sob o comando de Maliki. Uma recente onda de repressão a ex-integrantes do Partido Baath alimentou esses temores.

As divisões sectárias deixam o Iraque vulnerável à interferência de vizinhos que tentam garantir mais influência, especialmente porque nações árabes controladas por sunitas veem o envolvimento do Irã como uma tentativa de controlar os partidos xiitas do Iraque em detrimento dos sunitas.

A liderança xiita do Iraque, por sua vez, teme que a crise na Síria acabe resultando em um governo sunita radical em Damasco, o que agravaria as tensões sectárias no próprio Iraque.

"Valeu a pena? Tenho certeza de que sim. Quando chegamos aqui, o povo iraquiano parecia feliz em nos ver", disse o primeiro-sargento Lon Bennish, arrumando suas malas.

"Espero que estejamos deixando para trás um país que diga: 'Ei, estamos melhores agora do que antes'."

Foto: Davis Turner/Getty Images

O presidente dos EUA, Barack Obama - que se elegeu com a promessa de retirar as tropas do Iraque, emocionado fala para as tropas que regressaram no Fort Bragg, na Carolina do Norte.

Foto: Joe Raedle/Getty Images

Soldados da 1ª Divisão de Cavalaria do Exército dos EUA chegam em sua base de Fort Hood, Texas depois de ter sido parte de um dos últimos unidades de combate americanas para sair do Iraque.


16 de dez. de 2011

Gente diferenciada – Dora Kramer

Brasil - OPINIÃO
Gente diferenciada
O argumento de que os negócios de Pimentel não têm nada a ver com o governo não convence. As consultorias que derrubaram Palocci tampouco foram prestadas no período em que era ministro. Ademais, a reputação de um ministro é, por óbvio, assunto de governo.

Foto: Antonio Cruz/ABr

Fernando Pimentel, Ministro do Desenvolvimento, frequentador da cozinha de Dilma, recebeu o manto protetor da presidenta que diz não querer saber o que o amigo faz na vida privada, mesmo que isso pareça tráfico de influencia e corrupção.

Dora Kramer
Fonte: Estado de São Paulo

Na hora do escândalo é que se enxerga com mais nitidez a divisão: no governo há os ministros do PT e há os outros.

Os petistas, viajantes na primeira classe, têm direito a proteção contra convocações ao Congresso e declarações enfáticas em defesa de suas reputações.

Os demais (o resto?) recebem uma palavra de alento e a orientação para que compareçam a tantas comissões quantas forem necessárias Conforme o caso, um afago na despedida. Comum a todos é depois a citação nos bastidores sobre as dificuldades de a presidente promover uma faxina com tanta gente de baixo calibre à sua volta.

Antônio Palocci mereceu mobilização de guerra para barrar sua convocação durante os 23 dias em que resistiu no cargo insistindo que o segredo sobre os nomes de seus clientes de consultoria às paredes pertencia.

Vida privada, negócios particulares e ninguém tem nada com isso, argumentava a tropa.

Esse ataque frontal à exigência de transparência imposta à administração pública e aos seus integrantes, imposta pela Constituição, é repetido agora pela presidente da República em pessoa.

Em momento de péssimo exemplo à nação em geral e em particular aos que enxergam nela um bastião do combate à impunidade, Dilma Rousseff declarou que o ministro do Desenvolvimento não precisa dar satisfações a respeito de fatos que ela entende pertencerem à vida pessoal de Fernando Pimentel.

"Se achar que deve ir (ao Congresso), pode ir. Se achar que não deve ir, não vai", encerrou o assunto, deixando nas mãos do alvo de desconfiança a decisão.

Pimentel de imediato fez coro à saída gentilmente fornecida e recuou da posição da semana passada de ir ao Parlamento "assim que convocado" e declarou que não vai. Na retaguarda, a maioria governista garante número nas comissões para que de fato não vá.

Há dois aspectos a observar. O primeiro, a adoção de pesos e medidas diferentes para lidar com casos de suspeições envolvendo ministros.

O argumento de que os negócios de Pimentel não têm nada a ver com o governo não convence. As consultorias que derrubaram Palocci tampouco foram prestadas no período em que era ministro.

Ademais, a reputação de um ministro é, por óbvio, assunto de governo.

O segundo aspecto a ser observado guarda relação com os esclarecimentos em si. Ao contrário do que declaram ministro e presidente, as dúvidas não foram todas dirimidas.

Pimentel não explicou, por exemplo, por que prestou consultorias de R$ 400 mil, R$ 500 mil, sem contrato ou por que seus trabalhos não produzem relatórios ou qualquer registro por escrito que possa ser utilizado pelo cliente como orientação sobre o tema consultado.

Dando por findo o assunto, Pimentel deixa espaço aberto à desconfiança de que houve mesmo tráfico de influência, uma vez que parte dos pagamentos foi feita quando ele já era um dos mais importantes assessores da então candidata Dilma Rousseff, cotado para integrar o ministério.

Se esse tipo de coisa não diz respeito a governo, o que, então, dirá?


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

Merece palmadas quem inventou a lei da palmada?

BRASIL - BIZARRO
Merece palmadas quem inventou a lei da palmada?
Um pequeno beliscão, um puxão de cabelos, ou a palmada educativa, pode transformar os pais em réus de ação penal sujeitos a punições diversas, como tratamento psicológico junto com o menor e até o afastamento do convívio dos filhos. Esse é o espírito da chamada Lei da Palmada, um besteirol sem possibilidade de aplicação prática, longe da realidade dos grotões brasileiros, e da realidade do trato familiar, aprovada nesta quarta feira pela Câmara dos Deputados.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Folhya de são Paulo, Estadão, Agência Brasil, Folha de São Paulo

A chamada Lei da Palmada, projeto que prevê punições a pais que batem em seus filhos, foi aprovada na Câmara, nesta quarta-feira 14, e se aprovada no Senado pode virar lei no Brasil, caso seja sancionada pela presidência da republica.

Em resumo o texto sujeita os pais infratores a penas socioeducativos e até ao afastamento dos filhos se os submeterem a qualquer castigo físico.

Claro que ninguém civilizado concorda com atos de violência contra quem quer que seja, muito menos crianças, principalmente os próprios filhos. Já existem leis que pune esses exageros e os agressores têm sido punidos, sempre que os casos fundamentados chegam à justiça.

Porém, o projeto aprovado por unanimidade pela Comissão Especial da Câmara, na prática, proíbe a palmada, o beliscão, o puxão de cabelo, a puxada de orelha, o cascudo, o solavanco enérgico. (a crianças e adolescentes devem ser protegidos do castigo físico, "em que há o uso da força resulte em sofrimento e lesão").

É bem verdade, que segundo a lei, a interpretação se esses procedimentos resultam em sofrimento terá a palavra final dada pela justiça, caso seja necessário

Apesar do consenso na votação, há críticas ao projeto. Segundo o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), em outros países leis parecidas "acabaram ferindo o direito de educar dos pais".

Já a psicóloga Olga Tessari afirma que a palmada educativa é "o último recurso quando todos os outros falharam". "É preciso ter em mente que uma palmadinha é uma coisa leve", diz.

As medidas restritivas, aos pais infratores prevista na lei são: encaminhamento a programas socioeducativos de proteção à família ou de orientação, tratamento psicológico ou psiquiátrico e advertência.

Se reincidir, os pais que batem pode ter de deixar a casa onde mora com os filhos.

Em resumo, mais uma vez, num ambiente de repartição pública em Brasília, irresponsáveis parlamentares, afastados da realidade, sem medir as consequências práticas, inventam regras fora da realidade nacional.

Perguntamos: será que o legislador pensou que essas medidas vai ajudar na dissolução da família, criar sérias dificuldades financeiras ao “infrator” e seus dependentes, inclusive a criança motivo da punição.

A relatora do projeto a deputada Teresa Surita (PMDB-RR), sem justificar, afirma que a lei, porém, não determina o afastamento completo da família, mas encoraja a manutenção do convívio. Só não explica como. Imaginem uma família de baixa renda, com vários filhos e mãe afastada do convívio de todos por conta de uma denuncia de palmada num dos filhos. Será ela que irá morar fora, a o filho “vítima” que será afastado dos outros irmãos?

A justiça já abarrotada de processos diversos, será convocada para definir se a palmada deixou marcas, ouvir testemunhas e produzir laudos psicológicos.

Mas segundo o promotor de Justiça Wilson Tafner, a Lei da Palmada exclui a necessidade de comprovação da violência por meio de arranhões, hematomas ou vermelhidão pelo corpo da criança e do adolescente. "A definição agora é outra. Castigo corporal passa a ser qualquer ação que resulte em sofrimento. É o mero uso da força física com a suposta intenção de educar", explica.

Sem provas documentadas ou flagrantes, a Justiça pode enfrentar dificuldades para estabelecer culpas e definir punições, segundo o advogado Nelson Sussumo Shikicima, presidente da Comissão de Direito da Família da OAB. "Como consequência, a aplicação da lei não será fácil. E, então, pode ser que ela nem aconteça na prática", diz.

De acordo com especialistas, evitar a omissão é outro desafio imposto pela nova legislação. Isso porque a Lei da Palmada determina que profissionais das áreas da saúde e da educação, como médicos e professores, relatem às autoridades casos de castigos conhecidos nas escolas, creches, consultórios ou hospitais. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já prevê essa comunicação, até com o pagamento de multa em caso de omissão (de três a 20 salários mínimos), mas em casos conhecidos de agressão.

Esse debate todo, nos faz imaginar que a lei vai criar um mundo onde em os pais serão reféns dos filhos pré-adolescentes. “Se não me deixar ir para a balada, vou te denunciar por maus-tratos.” O olho roxo da briga de rua, poderá ser a prova contra o pai, indefeso.


14 de dez. de 2011

Tumor de Lula já reduziu tamanho em 75%, diz médico

BRASIL – BOAS NOTÍCIAS
Tumor de Lula já reduziu tamanho em 75%, diz médico
Lula recebeu a melhor notícia que podia esperar alguém em tratamento contra o câncer: a quimioterapia fez a doença regredir expressivamente e a equipe médica já fala que o ex-presidente possivelmente já estará de alta para exercer suas atividades políticas a partir de março próximo

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Cidadania

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a esposa, Marisa Letícia, e o médico Roberto Kalil Filho, após receber notícia de redução do tumor.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:G1

O médico responsável pelo tratamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o câncer de laringe, Roberto Kalil Filho, disse nesta segunda-feira (12) que o tumor, diagnosticado em outubro, já sofreu redução de 75%, após as duas primeiras sessões de quimioterapia. "Houve 75% de redução do tamanho do tumor", declarou.

O ex-presidente chegou nesta segunda ao Hospital Sírio-Libanês para a terceira e última sessão da químio. Pela manhã, foi feito exame de endoscopia, para medir o tamanho do tumor. Lula deve receber alta nesta terça (13), segundo Kalil Filho.

Roberto Kalil Filho descartou 'totalmente' possibilidade de cirurgia na laringe. Redução foi considerada 'expressiva' pela equipe
O médico também descartou "totalmente" a possibilidade de cirurgia para retirada do tumor. A intervenção havia sido desconsiderada desde o início do tratamento. Se realizada, ela poderia afetar as cordas vocais do ex-presidente. O tumor, à época, foi diagnosticado como de "agressividade média", medindo cerca de 3 centímetros.

Outro integrante da equipe médica, Artur Katz, disse que a redução era "esperada", mas que, no caso de Lula, foi "expressiva". "Nem todo paciente responde da mesma maneira ao tratamento. Nem sempre ela é tão expressiva", disse. Sem a redução, segundo ele, a cirurgia seria necessária.

Kalil Filho disse que, por causa do andamento do tratamento, Lula poderia voltar às "atividades políticas" em março.

O médico também descreveu a reação de Lula ao saber do novo diagnóstico, após os exames desta segunda. "Durante a manhã, ele estava apreensivo como todo ser humano. Após eu dar a notícia, foi um alívio", relatou.

Segundo ele, depois desta última sessão da quimioterapia, Lula deverá iniciar outra fase do tratamento, de radioterapia. A previsão é que ela se inicie entre 8 e 10 de janeiro, com duração de 6 a 7 semanas. Em cada semana, ele receberá uma dosagem pequena de medicamentos.

O médico Rubens de Brito, que também acompanhou os exames de Lula, disse que não foram constatados problemas de deglutição (para engolir alimentos) e que a laringe não apresentou edema (inchaço). "Visualmente, a melhora já é notada", disse.

Lula chegou ao Sírio-Libanês por volta das 7h30 desta segunda. A esposa, dona Marisa Letícia, chegou depois, por volta das 15h. Neste domingo (11), o ex-presidente afirmou estar "confiante" no tratamento.

Lula após a aplicação da terceira quimioterapia, recebeu alta e já se encontra em casa, desde ontem.

12 de dez. de 2011

Os possiveis quarentas estados brasileiros

BRASIL
Os possiveis quarentas estados brasileiros
Se todos os projetos em tramitação no Congresso fossem aprovados o Brasil ficaria com 40 Estados e Territórios


A região do Oiapoque, no extremo norte do país, fronteiriça da Guiana Francesa, pode se transformar em um Território Federal

Postado por Toinho de Passira
Fonte:BBC Brasil

Se todos os projetos para redivisão da Federação que tramitam no Congresso Nacional fossem aprovados, o Brasil contaria com 40 Estados e Territórios, segundo informações da Câmara dos Deputados. O país é hoje formado por 26 Estados e o Distrito Federal.

Além dos projetos de criação dos Estados de Tapajós e Carajás,rejeitados pelos paraenses em plebiscitio no domingo, o Congresso discute a divisão do Piauí, do Maranhão, da Bahia, de Minas Gerais, além do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Amazonas.

Um dos projetos mais avançados é o que cria o Estado de Gurgueia, cujo plebiscito já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (dependendo de votação no Plenário, antes de seguir para o Senado).

A nova unidade incluiria mais de 50% do território do Piauí. A capital seria instalada no município de Alvorada de Gurgueia, cuja população em 2010 era de 5.050 habitantes, segundo o Censo do IBGE. Um dos grandes defensores do projeto foi o ex-senador Mão Santa (PMDB-PI).

Outro projeto, apresentado em 2001 na Câmara dos Deputados, prevê a consulta popular sobre a instalação do Estado do Maranhão do Sul. A proposta também aguarda votação do Plenário.

Além desses dois casos, há projetos para a criação do Estado de São Francisco, no oeste da Bahia, e do Triângulo, na região do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais.

Mato Grosso também pode ser retalhado, já que há projetos para criação dos Estados de Mato Grosso do Norte e Araguaia, e do Território do Pantanal, ao sul.

Boa parte dos defensores desses projetos usa como argumento o "sucesso" do Estado de Tocantins, desmembrado de Goiás em 1988.

Antes um território desolado no norte de Goiás, hoje o Tocantins é considerado uma das fronteiras agrícolas do país. A capital, Palmas, foi construída especialmente para abrigar o governo do novo Estado.

"O Tocantins é realmente um exemplo (de sucesso)", diz Marco Antonio Teixeira, professor de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.


Palácio Araguaia, Palmas, Tocantins. A criação de Tocantins é considerada um exemplo de sucesso para defensores de novos Estados

"Mas não se pode negligenciar o fato que o Estado tem sido dominado há muito tempo pela família Siqueira Campos", diz.

No quarto mandato como governador de Tocantins, José Wilson Siqueira Campos chegou a fazer greve de fome quando liderava a criação do Estado, nascido com a Constituição de 1988.

Outro projeto que poderia ser viável é o que prevê a criação do Estado do Triângulo, "que é uma região desenvolvida, com arrecadação alta (de impostos)", diz Teixeira.

Além de projetos para novos Estados, cuja criação depende de consulta popular antes de seguir para discussão no Congresso Nacional, na Câmara tramitam vários projetos para desmembramento dos atuais Estados em Territórios Federais.

Diferente dos Estados, que possuem autonomia administrativa e são entes da Federação, os Territórios são administrados diretamente pela União, não possuindo sistema judicial próprio nem Assembleia Legislativa.

Na Câmara tramitam projetos para criação dos Territórios de Rio Negro, Solimões e Juruá, todos no Amazonas, além do Oiapoque, em Roraima, e o de Pantanal, entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Os últimos Territórios brasileiros foram extintos na Constituição de 1988, quando foram transformados nos Estados de Roraima e Amapá. Na ocasião, o antigo Território de Fernando de Noronha foi incorporado por Pernambuco.

Ilustração Agencia Câmara

O mapa preparado pela Agência Câmara, mostrando a possível nova futura configuração do Brasil

Os interesses de grupos políticos locais na infinidade de cargos abertos na nova administração, nas dezenas de cadeiras da nova Assembleia Legislativa, nas três vagas no Senado e nas pelo menos oito vagas de deputado federal (número mínimo da representação estadual na Câmara) são, em muitos casos, o principal motivo a impulsionar a criação de novos Estados, segundo especialistas.

"Via de regra esses projetos são motivados para atender planos de divisão de poder dentro do Estado", diz Teixeira.

Opinião parecida à do geógrafo Antonio José de Araújo Ferreira, da Universidade Federal do Maranhão. "O risco é ocorrer o mesmo que aconteceu com o grande número de municípios criados na década de 1990. A maior parte hoje depende do Fundo de Participação de Estados e Municípios e não tem viabilidade econômica, não conseguem atender sozinhos as demandas da sociedade", diz Ferreira.

Para o professor, a criação de territórios e até mesmo regiões metropolitanas poderia aproximar o governo de populações que vivem em regiões desoladas.

"Mesmo assim, é preciso ver essas alternativas com muita cautela. No caso das regiões metropolitanas, muitas existem na prática só no papel, porque não há uma integração de verdade entre os municípios na coordenação de políticas públicas", diz.


Dilma não quer Pimentel dando explicações no Congresso

BRASIL - CORRUPÇÃO
Dilma não quer Pimentel
dando explicações no Congresso

O GLOBO revelou que o ministro recebeu R$ 2 milhões em consultoria antes de assumir ministério no governo Dilma, um claro uso de trafico de influência. A ordem do Planalto (leia-se a presidenta) é barrar uma convocação do ministro, seu amigo dos tempos de guerrilheira urbana, para falar sobre caso no Senado. Para o governo, o risco de um depoimento é maior do que o desgaste para abafar uma convocação. A convocação para que ministro se explique será votada nesta terça-feira.

Foto: Wilson Dias/ABr

Fernando Pimentel assombrado pelo seu passado.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:O Globo, Blog do Noblat

O Palácio do Planalto deflagrou estratégia para tentar esvaziar ao longo desta semana o caso envolvendo o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A avaliação interna é que, se conseguir desidratar o episódio envolvendo as consultorias de Pimentel antes do recesso de fim de ano, o caso estará encerrado. O GLOBO revelou que o ministro recebeu R$ 2 milhões em consultoria antes do governo Dilma.

A ordem do Planalto é barrar uma convocação do ministro para falar sobre caso no Senado. Para o governo, o risco de um depoimento é maior do que o desgaste para abafar uma convocação. Essa ação do governo tem o respaldo pessoal da presidente Dilma Rousseff. Segundo interlocutores, diferente dos outros episódios de queda de ministros, Dilma não emitiu sinais de substituição de Pimentel. Pelo contrário: a orientação é de que ele permanece na reforma ministerial.

Mas já há o reconhecimento interno de que ele ficará enfraquecido politicamente. De forma reservada, ministros admitem que, apesar das explicações, as denúncias criaram forte desgaste na imagem de Pimentel.

Nesta terça-feira, será votado o requerimento apresentado pelo líder do PSDB, senador Alvaro Dias, para convocação de Pimentel na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle. Mas, segundo um ministro, é melhor sofrer um pequeno desgaste para barrar a convocação, do que realimentar o noticiário com um depoimento considerado arriscado.

- Se ele não for, ficará muito mal para o governo. Até porque, os demais ministros que foram prestar esclarecimentos não eram do PT. A operação para barrar a convocação de Pimentel mostra que o governo está preocupado com as denúncias - ressaltou Alvaro Dias. - Se eles estivessem tranquilos, essa seria a melhor oportunidade para dar explicações. Ou esse dinheiro da consultoria é resultado de tráfico de influência ou, pior, é lavagem de dinheiro de caixa dois de campanha.

O PT também reforça essa estratégia de esvaziar o caso, apesar do constrangimento dos aliados, que viram pela primeira vez a presidente Dilma mudar de ideia e blindar o ministro de sua cota pessoal. O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), descartou a possibilidade de aprovar uma convocação:

- Até o momento, não há motivação que justifique a convocação do ministro Pimentel. Os fatos citados não dizem respeito ao governo federal. Ele não exercia função pública quando prestou consultoria. E as empresas citadas não têm relação com o Executivo. Se tiver que falar sobre isso, o local adequado não é o Congresso, mas a Câmara dos Vereadores (de Belo Horizonte).

Estratégia de proteger ministro já incomoda aliados.

Para reforçar Pimentel internamente, Dilma tem dado demonstrações de apreço por ele e chegou a aconselhá-lo a resistir às acusações, algo que não fez com os ministros que caíram ao longo desse ano. Essa estratégia já incomoda os aliados, pois, até então, os ministros acusados de irregularidade eram pressionados pelo Planalto a prestar depoimento no Congresso.

- Pelo jeito, a conta do PR foi muito alta se comparada com a crise envolvendo Pimentel - comenta o vice-líder do governo, deputado Luciano Castro (PR-RR), numa referência ao episódio que derrubou, em julho, o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.

- O governo usou dois pesos e duas medidas. Pimentel tem que dar explicações. Se todo mundo foi, por que ele não vai? Se não for, vai ficar parecendo que esconde algo - disparou o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), numa comparação com o caso envolvendo o ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

- Houve critério na convocação dos ministros. Eles falaram sobre temas relacionados ao governo federal. Mas não há razão para chamar Pimentel para falar sobre temas anteriores ao governo Dilma. Não há movimento para poupar o PT e fragilizar os aliados - rebateu o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP).


Revista Veja: A trama dos falsários

BRASIL
Revista Veja: A trama dos falsários
Veja teve acesso a conversas gravadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça que revelam que o PT de José Dirceu se juntou a um notório estelionatário para falsificar documentos, denegrir a imagem de adversários e tentar enganar os ministro do Supremo Tribunal Federal no caso do Mensalão

Ilustração Revista Veja

O mafioso Dirceu sempre presente nos grandes momentos podres do partido

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

A VEJA desta semana traz, numa reportagem de sete páginas, de autoria de Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel, revelando uma operação típica do mais descarado gangsterismo político. Pior: há evidências de que a cúpula do partido não só sabia de tudo como estava no controle. Vamos ao caso.

Lembram-se da tal “Lista de Furnas”? Ela trazia nomes de líderes da oposição que teriam recebido dinheiro da estatal de maneira ilegal, não-declarada, quando eram governistas e compunham a base de FHC. Gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, a que VEJA teve acesso, provam que era tudo uma tramóia operada por dois deputados do PT de Minas.

Veja abaixo um trecho da reportagem reproduzido no Blog do Reinaldo Azevedo:

Os falsários apresentaram duas listas. A primeira, uma cópia xerox, e a segunda, que deveria ser a original, mas era uma fraude ainda mais grotesca. Uma perícia da polícia revelou depois que havia discrepâncias significativas entre os dois documentos, e um jamais poderia ter se originado do outro. O grupo de estelionatários, porém, precisava levar o plano a frente e, para tentar conferir alguma autenticidade à armação, decidiu também forjar recibos assinados pelos políticos beneficiados. É a partir desse momento da trama que as gravações feitas pela polícia são mais reveladoras da ousadia dos petistas em usar a máquina do estado para cometer crimes. Há conversas entre o estelionatário Nilton Monteiro, o fabricante das listas, e os deputados petistas Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT). Os diálogos mostram que, em todas as etapas da fabricação da lista, Nilton age sob os auspícios dos dois parlamentares, que lhe prometem, além do apoio logístico, dinheiro e, principalmente, “negócios” em empresas estatais ligadas ao governo federal como compensação pelos serviços prestados.

(…)

Assessores parlamentares estavam em contato frequente com Nilton para discutir formas de obter a assinatura do ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Fabiano Toledo, o suposto autor do documento. Eles encaminham o estelionatário ao Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro, entidade filiada à CUT, a central sindical dominada pelo PT. Lá, ele seria ciceroneado por dirigentes sindicais e teria acesso a documentos da estatal. (…) Em uma conversa com Nilton, Simeão de Oliveira, assessor mais próximo do deputado Rogério Correia, explica como proceder: “Eles [Furnas] assinam coisas para eles [o Sindicato] direto, aí eles vão olhar e falar se tem o do Dimas (…) Explica pra ele pra que é, o que é, entendeu?”. Como a tentativa de obter a assinatura junto ao sindicato fracassa, Simeão elabora uma estratégia paralela, que prefere não revelar ao falsário. Limita-se a dizer que as assinaturas chegarão por Sedex. São particularmente reveladoras as conversas em que os envolvidos discutem a obtenção de assinaturas de políticos da base de FHC para fabricar recibos do suposto caixa 2. Nilton e o assessor de Rogério Correia conversam sobre os padrões das assinaturas dos deputados da oposição - e se questionam se conseguiram mesmo as assinaturas corretas.

(…)

Em um dos diálogos, Nilton Monteiro discute com Simeão de Oliveira os padrões gráficos das assinaturas do então líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia, do DEM , e do então líder do PSDB , Antônio Carlos Pannunzio. Em relação a Aleluia, Nilton não tem certeza quais os valores lhe serão atribuídos. “Não sei se é 75 000 reais ou 150 000 o recibo dele”, comenta o lobista. Eles também incluem na discussão os nomes de Gilberto Kassab, que assumiria a prefeitura de São Paulo no lugar do tucano José Serra, que renunciaria ao cargo para disputar a eleição para o governo paulista, e o então presidente do DEM , deputado Rodrigo Maia.

(…)

A recompensa pelos préstimos de Nilton incluía, segundo as gravações, a liberação de recursos em bancos públicos. Em uma discussão com Rogério Correia, Nilton se mostra confiante: “Vou acabar com eles tudinho”. Mas, antes, cobra o que foi prometido: “Eu quero aquele negócio que foi escrito no papel. São aqueles negócios que eu pedi da Caixa e do Banco do Brasil, pra liberar pra mim urgente no BNDES”, afirma.

(…)

Em alguns trechos, o lobista cita a necessidade de tratar do negócio com a então senadora Ideli Salvatti, atual ministra de Relações Institucionais, outra figura cativa nos episódios envolvendo dossiês suspeitos. “Tivemos contato em apenas dois episódios. Nem eu nem meus assessores participamos da obtenção da lista”, mentiu Correia quando ouvido por VEJA. A parceria entre o deputado Correia e o estelionatário inclui os serviços advocatícios do petista William dos Santos - que serve também como elo entre seu cliente e a figura de proa do petismo naquele era sombria, José Dirceu, principal réu do Mensalão.



A capa da Veja

Veja a reprodução de um dos diálogos entre os quadrilheiros transcrito na Veja:

O estelionatário Nilton Monteiro conversa com Simeão de Oliveira, assessor do deputado petista Rogério Correia. Eles combinam a fraude. Para dar autenticidade à chamada “lista de Furnas” era necessário a apresentação de recibos assinados pelos políticos acusados. Monteiro estava empenhado em arrumar as assinaturas para montar os documentos falsos.

Simeão: (…) Eu já estou aqui com José Carlos Aleluia.(…)

Nilton: Vem cá, a assinatura dele é um JC. Parece um U.

S: Parece um M, isso. N : Isso, então é isso mesmo. Então eu já recebi esse cara, viu? S: É.

N: Não sei se é 75 000 reais ou 150 000 reais. Eu acho que é 75 000 o recibo dele.

S: O do Pannunzio.

N: Pannunzio é uma assinatura toda esquisita, né?

S: É um trem doido.(…)

S: Quem mais? O Kassab.

N : O Kassab é um G Kassab. (…)

S: Uai, então você tem esse trem tudo original, Nilton?

N: É lógico. Você fica na tua, sô. Por isso que eles estão tudo doido. (…)

N: Rodrigo Maia é Rodrigo e o final Maia entre parênteses.

S: Ahn?

N : Parece que é Rodrigo e depois um M.

S: Não, não é esse, não.

N: Então mudou a assinatura dele. Esse eu soube que ele tava mudando.

S: Não é, não.

N: Então, mudou. É Rodrigo…

S: Não, tem não.

N: Ih, então mudou a assinatura. Bem que falaram comigo, viu? Filho da p…, viu?



QUADRILHA - Nilton Monteiro, quando foi preso em outubro passado, e os deputados petistas Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT): os políticos mineiros prometeram ao estelionatário dinheiro e “negócios” em bancos do governo federal como pagamento pela falsificação da chamada “lista de Furnas”


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda e suprimimos parte do texto original, publicado no Blog do Reinaldo Azevedo.

8 de dez. de 2011

A Bolsa-Consultoria de Pimentel - Elio Gaspari

BRASIL - CORRUPÇÃO
A Bolsa-Consultoria de Pimentel
A Veja diz que “Se a presidente Dilma Rousseff mantiver a coerência, Fernando Pimentel tem os dias contados no cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O petista fez fortuna com uma consultoria, a P-21, depois de deixar a prefeitura de Belo Horizonte, em 2009, e antes de assumir o ministério, em 2011. A situação lembra em muito a protagonizada pelo ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, O primeiro demitido na faxina, que enriqueceu subitamente com os lucros de uma empresa de consultoria: aumentou o patrimônio 25 vezes em quatro anos.”

Foto: Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação

Dilma e Pimentel em campanha em Minas Gerais, em 2010. Se tiver que demitir Pimentel, Dilma cortará na carne: são amigos há mais de 40 anos. – diz a coluna de Ricardo Setti

Elio Gaspari
Fonte:Blog do Noblat, Coluna Ricardo Setti

Se a doutora Dilma acha que pode manter Fernando Pimentel no Ministério do Desenvolvimento, deve chamar de volta Antonio Palocci, pedindo-lhe desculpas pelo mau jeito. Ambos fizeram fortuna dando consultorias a empresários. Palocci ganhou R$ 7,5 milhões em quatro anos e perdeu a chefia da Casa Civil. O repórter Thiago Herdy revelou que Pimentel coletou R$ 2 milhões em menos de dois, a partir do fim de janeiro de 2009, quando deixou a Prefeitura de Belo Horizonte.

O ministro argumenta que sua experiência a serviço da cidade justifica uma remuneração de cerca de R$ 1,2 milhão líquidos. Como sua empresa, a P21, foi desfeita em dezembro de 2010, "isso dá cerca de R$ 50 mil por mês, é uma remuneração compatível com o mercado de executivos".

Não se conhece a lista de clientes de Palocci, mas sabe-se que a Federação e o Centro de Indústrias de Minas Gerais pagaram R$ 1 milhão a Pimentel por nove meses de consultoria. Para o sindicalismo patronal, esse é um santo dinheiro, pois não é necessário ganhá-lo para fazer os cheques. O numerário vem da Viúva, pelos impostos que incidem sobre as folhas de pagamento. O patronato reclama da carga tributária e do Custo Brasil, mas não quer largar esse mimo.

Se Pimentel pudesse apresentar os estudos que fez para a FIEMG, tudo estaria resolvido. Ele diz que prestou "uma consultoria direta", seja o que for que isso significa. O general Brent Scowcroft, presidente do Conselho de Inteligência do presidente George Bush e assessor para assuntos de segurança nacional de dois de seus antecessores (Bush pai e Gerald Ford) recebia US$ 300 mil anuais para comandar o escritório de consultoria do ex-secretário de Estado Henry Kissinger em Washington. Pimentel faturou o dobro, só com a Fiemg.

Em 1986, os melhores fregueses de Kissinger pagavam US$ 420 mil anuais. Na presidência da Fiemg, o doutor Robson Andrade, atual mandarim da Confederação Nacional das Indústrias, pagou cerca de US$ 550 mil a Pimentel. Um verdadeiro caçador de talentos. Seu consultor fora prefeito de Belo Horizonte e era candidato ao governo de Minas. Viria a ser um breve coordenador da campanha de Dilma Rousseff e, com sua vitória, foi para o ministério. Os empresários brasileiros não são perdulários, apenas sabem que o dinheiro vindo da Viúva tem um zero a mais.

Em fevereiro de 2010, Pimentel dizia que seu patrimônio não chegava a R$ 1 milhão. Com a P21, em dois anos, amealhou algo como o dobro do que acumulara em outros 30 de vida adulta. Justificando o desempenho, diz que essa "foi a forma que eu tive de ganhar dinheiro e sobreviver".

Em janeiro passado, o petista Patrus Ananias, um de seus antecessores na Prefeitura de Belo Horizonte, deixou o Ministério do Desenvolvimento Social, onde, ao longo de seis anos, movera orçamentos de R$ 40 bilhões, e foi sobreviver batendo ponto como funcionário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Pimentel é um comissário histórico e está no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Sua freguesia está no andar de cima. O exercício do poder deu-lhe acesso ao programa Bolsa Consultoria. Patrus Ananias, pobre homem, cuidava da clientela do Bolsa-Família.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

LeRoy Bell canta "Don't Let Me Down" de John Lennon e Paul McCartney

LeRoy Bell canta "Don't Let Me Down"
de John Lennon e Paul McCartney


The X Factor (O fator X) é um programa da televisão americana, originário do Reino Unido, criado por Simon Cowell e produzido por SYCOtv. Busca entre anônimos cantores americanos, artistas que tenham o fator X, o algo mais para ser um grande astro internacional. O vencedor do programa ganha um contrato de U$S 5 milhões com a Sony Music. No video LeRoy Bell, 59 anos, o mais velho entre os competidores, ainda na disputa. Conseguiu ficar entre os nove finalistas, mas foi eliminado, na última semana, cantando essa canção. Os jurados dividiram-se e empataram a disputa. Pela regra do programa foi eliminado o candidato que havia obtido o menor número de votos dos telespectadores. LeRoy Bell acabou eliminado. Veja o tamanho da injustiça ouvindo Marcus Canty, o candidato que continuou classificado para próxima etapa.”passiravideo”


7 de dez. de 2011

ISRAEL: Ex-presidente, Moshe Katsav, foi para a prisão

ISRAEL
Ex-presidente, Moshe Katsav, foi para a prisão
O ex-chefe do Estado cumprirá a condenação, de sete anos, por estrupo. Horas antes, ao sair de sua casa, Katsav afirmou que estavam condenando um inocente e que "algum dia os israelenses compreenderão que hoje foi enterrado um homem vivo".

Foto: Edi Israel/Associated Press

O ex-presidente de israelense Moshe Katsav fala aos jornalistas ao deixar sua casa em Kiryat, no centro de Israel, para começar a cumprir uma pena de prisão de sete anos por estupro

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Stern, Portal Terra, Publico, The New York Times

Nesta terça-feira, um dia após o seu aniversário de 66 anos, Moshe Katsav, ex-presidente de Israel, recebeu em sua modesta casa, em Kiryat Malachi, Israel, uma cidade de imigrantes, netos e amigos e conhecidos. Os telefones tocaram initerruptamente. Os vizinhos o abraçaram comovidos e Rabinos deram-lhe bênçãos.

O velho político não estava comemorando seu aniversário. Ele estava aproveitando o seu último dia de homem livre em sua própria casa. Nesta quarta-feira, ele apresentou-se na prisão de Maasiyahu na cidade de Ramle, ao sul de Tel Aviv, para começar a cumprir uma pena de sete anos devido a condenações por estupro.

Katzav foi considerado culpado de violentar duas funcionárias no período em que era ministro do Turismo em 1998, de assédio sexual, de coerção de testemunhas e de obstruir a justiça.

O jornalista Ethan Bronner, do The New York Times, que o entrevistou na véspera de ir para a prisão, diz que Katsav parece falar a partir do âmago do seu ser, quando ele afirma ser inocente de todas as acusações. Lágrimas escorriam na ocasião “quando ele se sentou em sua mesa de jantar contando os detalhes do seu caso em uma entrevista de duas horas”. “Ele lamentou também por ter dedicado toda a sua vida, a um sistema, fala da democracia Israelense, que agora o condenava injustamente.”

"Quando eu era presidente, recebi 10 mil pedidos de perdão", disse ele. "Todos eles afirmaram ter sido vítimas de injustiça. Eu sinto muito por ter rejeitado essas alegações. Agora, acredito que alguns deles eram realmente inocentes."

Katsav entrou Prisão Maasiyahu na cidade de Ramle, ao sul de Tel Aviv, no início desta quarta-feira. Noticiou-se que foi colocado em uma ala especial, juntamente com outros judeus religiosos praticantes. É bem possível, disse ele, que entre seus colegas de prisão estarão alguns cujo perdão ele rejeitou quando era presidente de 2000 a 2007.

Sobre a insinuação que ele poderia se suicidar no presídio, reagiu com veemência, dizendo que não iria deixar "os conspiradores vencer". Referia-se a imprensa israelense, políticos, policiais e juízes que ele acredita que são os culpados por aquilo que ele chama de uma terrível injustiça.

"Estou prestes a pagar o preço por algo que eu não fiz", disse ele. "Eu abracei e beijei mulheres, mas não de maneira inadequada. Nós nos tornamos como a Arábia Saudita. Um abraço é uma ofensa sexual. "

Foto: Rina Castelnuovo/The New York Times

O ex-presidente Moshe Katsav passou suas últimas horas como um homem livre, em casa, com sua família em Kiryat Malachi, Israel

Porém, o poder judiciário israelense discorda firmemente desses argumentos. Ultimamente ele foi condenado por um colegiado composto de três juízes, da corte superior, não por abraços, mas devido a duas acusações de estupro envolvendo força e dominação das vítimas. No mês passado, outro colegiado, o Supremo Tribunal rejeitou definitivamente o seu recurso.

"Uma profunda tristeza desce sobre o Estado de Israel, quando se constata que uma pessoa que serviu como ministro do governo, um vice-primeiro-ministro e presidente perpetrados atos como esses," sentenciou a Suprema Corte na sua decisão. "É um espetáculo dos mais difíceis ver um homem que já foi símbolo do país indo para a cadeia." – concluiu

Muitos em Israel dizem que, apesar da vergonha que de ver que homem que ocupou tão altos cargos tenha sido condenado por tais atos, sentem, porém, orgulho porque o caso acabou demonstrando que ninguém está acima da lei.

Mas os defensores de Katsav, especialmente nesta cidade centro-sul, onde no passado ele tomou posse como o mais jovem prefeito de Israel, acreditam que ele foi vítima de preconceito étnico e de classe.

Nascido no Irã e trazidos para Israel ainda criança, chegou a viver com a família humilde em uma barraca e, em seguida, em uma cabana de madeira. Depois de ter estudado na Universidade Hebraica em Jerusalém, ele projetou-se rapidamente, especialmente depois que o Partido Likud chegou ao poder no final de 1970.

“O fato é que eu sou de um país muçulmano e de uma cidade em desenvolvimento", disse ele, usando o termo para as áreas mais pobres na periferia urbana do país. A elite tradicional de Israel tem raízes europeias e vive em centros urbanos como Tel Aviv.

Alguns dos defensores de Katsav têm comentam que tanto o colegiado original de juízes que o condenou, quanto os integrantes da Suprema Corte que rejeitou sua apelação eram compostas de duas mulheres e um árabe israelense.

Em 2008, foi-lhe oferecido um acordo judicial em que ele admitiria a conduta inadequada muito aquém de estupro o que o livraria de acabar na prisão. Mas ele disse na terça-feira que se tivesse aceitado o acordo seria a admissão do delito, então decidiu lutar pela sua inocência nos tribunais.

Poucos jornalista acreditam na sua insistência de inocência. A maioria o acusa de ser orgulhoso e tolo ao ter recusado a oferta. Outros, como Sima Kadmon de Yediot Aharonot, chegou a chamá-lo de delirante.

"Ele já provou que vive em um mundo próprio, no qual verdade e mentira se misturam, em que as mulheres são sedutoras e manipuladora, os jornalistas são tendenciosos e maliciosos e os juízes são mentirosos", escreveu ela comentando a decisão da Corte Suprema a rejeitar a apelação.

Na entrevista na terça-feira Moshe Katsav encaixou-se nessa descrição. Ele argumentou que todos os setores da sociedade israelense tinha participado de um esforço conjunto para destruí-lo. A mídia festejou sua condenação. Muitos na polícia desprezava por suas críticas de algumas de suas ações recentes. Seus colegas políticos temiam sua popularidade - como ele acabou a sua presidência, ele era um candidato forte para primeiro-ministro. E os juízes resolveram acreditar na palavra de uma mulher que ele havia demitido.”

Um vizinho, Sammy Vaknin, disse aos jornalistas que Katsav representou o estado da mesma forma que o hino nacional e a bandeira o fazem. Enviá-lo para a prisão, “mesmo que tenha feito algo de errado" - é como atirar a bandeira no lixo.

"Podemos muito bem entregar o país aos palestinos", disse o Sr. Vaknin.

Fontes do Ministério de Segurança Interna revelaram, que Katsav vai partilhar a cela com o antigo ministro Shlomo Benzri, com o propósito de “lhe facilitar o processo de adaptação”. Ser-lhe-á ainda atribuído um guarda prisional em especial, com a tarefa de garantir que o antigo Presidente não tentará suicidar-se.

Após cumprir um quarto da sentença, Katsav poderá requerer a liberdade condicional até ao fim do termo da pena ou mesmo solicitar a redução da mesma, de acordo com um comunicado dos serviços prisionais de Israel.

Foto: Uriel Sinai/Getty Images

Moshe Katsav, ex-presidente de Israel, abraça-se com seu filho na entrada da prisão de Maasiyahu, nesta quarta-feira.


6 de dez. de 2011

Sarney burlou de maneira torpe?

BRASIL - SENADO
Sarney burlou de maneira torpe?
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e o líder da bancada do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), protagonizaram uma forte discussão na tarde desta terça-feira (6) no plenário da Casa. O motivo da discussão foi a votação do requerimento apresentado pelo governo que pedia a inversão da pauta, para que a proposta que prorroga até 2015 a Desvinculação de Receitas da União (DRU) fosse discutida antes da votação do projeto do novo Código Florestal. A discussão começou quando Demóstenes discordou da votação do requerimento, afirmando que não havia acordo para a apreciação. E disse que esse tinha sido um gesto torpe da presidência do senado.

Foto: Blog do Noblat/ O Globo

TORPE DESCONTROLE - Foi Collor, para surpresa geral, quem conteve Sarney que desceu da mesa da presidência do senado e partiu em direção a Demóstenes Torres, enfurecido.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Blog do Noblat, Portal Terra,

A aprovação de um requerimento permitindo que o governo avançasse na discussão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga a chamada DRU (Desvinculação de Receitas da União) até dezembro de 2015, na sessão dessa terça-feira, acabou gerando discussão no plenário do Senado.

Por 36 votos a 19, o plenário aprovou requerimento que inverteu a pauta e colocou a DRU como primeiro item, apenas para constar o prazo do terceiro dia de discussão da PEC, permitindo que ela seja votada na próxima quinta-feira.

Irritado com a manobra do governo, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), acusou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de ter descumprido o regimento e o acordo dos líderes de colocar a regulamentação da Emenda 29 na frente da DRU.

Com o dedo levantado e gesticulando, Demóstenes disse que a inversão não poderia ter sido aprovada.

- A presidente (Dilma Rousseff) disse: vamos tratorar. Mas uma coisa que baliza nossa atuação (aqui) é a palavra! O entendimento feito está sendo rasgado - disse Demóstenes.

Em seguida, Sarney argumentou que a discussão da regulamentação da Emenda 29 ainda não fora iniciada e que, portanto, a inversão de pauta era possível e lembrou acordo da semana passada, quando os líderes concordaram em dar 24 horas para saber a posição do governo sobre a proposta.

Foto: Pedro França/ Agência Senado

Demóstenes Torre -"Não use minha concordância para determinado procedimento para Vossa Excelência, o governo, de maneira torpe, burlar o que nós fizemos, torpe! Não queira me utilizar nesse tipo de.... não fiz esse acordo, o acordo era para votar o Código Florestal!", gritou indignado

Mais irritado, Demóstenes disse que não permitia que palavras usadas por ele na reunião que firmou o acordo fossem utilizadas para justificar a aprovação do requerimento.

- É burlar, de maneira torpe, o entendimento (de colocar a regulamentação da Emenda 29 em votação) - disse Demóstenes.

- Estou cumprindo o regimento - rebateu Sarney, mandando que a palavra "torpe" fosse retirada das notas taquigráficas.

Sarney estava na Mesa e Demóstenes embaixo, no plenário. Visivelmente descontrolado, Sarney desceu da Mesa acompanhado do senador Fernando Collor (PTB-AP) e partiu em direção de Demóstenes.

-Você me deve desculpas! Você me respeite! - esbravejou Sarney para Demóstenes, de dedo em riste e sendo contido por Collor para que não avançasse mais.

Demóstenes ouviu calado.

- Eu ia falar o quê para um homem de 80 anos? Ele sabe que está errado. Mas para voltar a ficar bem com o governo resolveu ajudar no tratoraço da Emenda 29 que ele mesmo colocou em votação semana passada, deixando a base em uma saia justa - disse Demóstenes.

Irritado, Sarney exigiu que a palavra "torpe" não constasse nas notas taquigráficas da Casa. "Eu mando cancelar a palavra '“torpe'” da taquigrafia", disse Sarney. Demóstenes retrucou: "Não precisa, não. Pode constar!".

Sarney reforçou a retirada da palavra que, mais tarde, não constou nas notas do Senado. "Está mandado cancelar, e ao presidente compete policiar os trabalhos do plenário!".

Ao deixar a Mesa, Sarney exigiu que Demóstenes pedisse desculpas pela discussão. Passados alguns minutos, o senador do DEM voltou ao microfone para pedir desculpas ao presidente da Casa.

"Ainda há pouco, em uma discussão acalorada com a Mesa, presidida pelo senador José Sarney, eu usei a expressão '“torpe'”, e o senador José Sarney ficou ofendido com a expressão. Então, estou pedindo a Vossa Excelência que a retire, que mande riscar essa expressão.O que acontece é que eu tenho um tipo de temperamento em que a minha discussão é dura, mas é extremamente leal. Essa lealdade não quer, de maneira alguma, fazer com que qualquer espécie de discussão transponha para o lado pessoal", disse o senador.

Demóstenes ainda reforçou que não tem nada contra o senador Sarney. "Não tenho, pessoalmente, nada contra o senador José Sarney. Muito pelo contrário, ele me trata sempre com muita lhaneza, com muita deferência [...] de forma que, em relação à ofensa, peço desculpas ao senador José Sarney. Peço que se retire a palavra '“torpe'” e mantenho, naturalmente, todos os outros termos institucionais, entendendo que, mais uma vez, a Mesa errou ao não cumprir o acordo que nós fizemos".


Transposição tem prejuízo de R$ 8,6 milhões

BRASIL
Transposição tem prejuízo de R$ 8,6 milhões
Principal vitrine do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que turbinou a votação da presidente Dilma Rousseff no Nordeste, o projeto exibe sinais de abandono em vários trechos, com estruturas de concreto estouradas, rachaduras e vergalhões de aço retorcidos

Foto: Arquivo

No meio do nada, um enorme canal abandonado: R$ 8,6 milhões de prejuízo.

Vannildo Mendes
Fonte:Estadão

Superfaturamento de preços, fiscalização omissa e atraso injustificável nas obras foram os principais problemas encontrados na última fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) no eixo leste do projeto de transposição do Rio São Francisco. A auditoria foi feita de junho/2010 a maio/2011 e os problemas, relatados ao Ministério da Integração Nacional, que até agora não adotou providências para ressarcir os prejuízos, estimados em R$ 8,6 milhões à época.

Principal vitrine do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que turbinou a votação da presidente Dilma Rousseff no Nordeste, o projeto exibe sinais de abandono em vários trechos, com estruturas de concreto estouradas, rachaduras e vergalhões de aço retorcidos, como mostrou reportagem do Estado ontem. Este é o quinto ano seguido em que o TCU encontra graves problemas na obra, que já excedeu o orçamento original em mais de 30% e, na melhor das hipóteses, será concluída com cinco anos de atraso.

Na campanha esse slogan ajudou a arrebanhar eleitores nordestinos
O relatório do tribunal, entregue há seis meses, também determinava que o Ministério obrigasse as empreiteiras do consórcio encarregado por cinco trechos licitados no eixo leste a retomar imediatamente as obras. Como isso não ocorreu, o desgaste dos trechos aumentou e o prejuízo ao erário, também. O Ministério informou que a conservação do que já foi feito é responsabilidade das empresas e que já as acionou para refazer o que está se deteriorando.

O eixo leste, visitado pelo Estado, abrange uma população de 4,5 milhões de habitantes em 168 municípios de Pernambuco e da Paraíba. A integração do velho Chico às bacias dos rios temporários do semiárido nordestino será possível com a retirada de 26,4 m3 de água por segundo, ou 1,42% da vazão medida na barragem de Sobradinho. Desse total, 10 m3 vão para o eixo leste.

Entre os problemas detectados, um britador foi instalado a 4 km da pedreira, encarecendo desnecessariamente o custo de transporte das pedras para processamento. Constatou-se ainda que um desvio de 30 metros no traçado original do canal encareceu o custo das desapropriações. Problemas na área de fiscalização geraram, além de danos ao erário, baixa qualidade nos serviços, o que favoreceu a rápida deterioração das estruturas.

Conforme o relatório, houve superfaturamento em alguns itens em razão de quantitativos inadequados e ausência de planejamento eficiente das obras para minimizar custos, como o do transporte de materiais. Essa etapa da obra, iniciada em 2008, está orçada em R$ 1,3 bilhão, dos quais R$ 609 milhões estão inseridos no Orçamento de 2011.

Foto: Roberto Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante a campanha antecipada, visitando por três dias as obras de transposição do São Francisco. Serviu para fazer a ministra ser conhecida pelos nordestinos. Depois das eleições a paralisação da obra é um escárnio aos que acreditaram na sua viabilidade.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

Chávez diz ainda querer participação na refinaria

BRASIL- VENEZUELA
Chávez diz ainda querer participação
na refinaria Abreu e Lima

Depois de idas e vindas, declarações desabonadoras contra a Petrobras, durante sete anos, após visita de Dilma, à Caracas, Chávez manda a PDVSA, companhia petrolífera Venezuela dizer que tem garantias para continuar no projeto da refinaria que está sendo construída em Pernambuco.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

SERÁ QUE AGORA VAI? - Dilma e Chávez reafirmaram decisão de dar continuidade a parceria. Dilma acreditou e a Petrobras não quer falar do assunto.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasil, Blog do Jamildo, Estadão

O ministro de Petróleo e Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, afirmou que a estatal venezuelana PDVSA já dispõe da garantia financeira para pagar sua participação no projeto da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco.

O anúncio foi feito dois dias depois de a presidente Dilma Rousseff voltar a afirmar, junto a seu colega venezuelano Hugo Chávez, a decisão de dar continuidade à parceria entre as estatais. No encontro, no entanto, ela reconheceu que o projeto era um "desafio".

"Estamos colocando o dinheiro como garantia e não há garantia mais sólida que o dinheiro vivo e aí está", afirmou Ramirez, durante encontro com países do PetroCaribe, em Caracas. "Agora resta ao BNDES fazer os trâmites para entrar na refinaria", acrescentou.

Outra parte da garantia, de US$ 1,5 bilhão, virá de um fundo da Venezuela com a China (equivalente a R$2,6 bihões).

O BNDES vai financiar R$ 9 bilhões do projeto à PDVSA, que deve ter 40% de participação na Abreu e Lima. À Petrobras correspondem os outros 60% da refinaria, projetada para processar 230 mil barris de petróleo diariamente. O orçamento total para construção da refinaria é de R$ 26 bilhões.

O último avanço nas negociações entre as estatais havia sido anunciado na quarta-feira. Após uma reunião entre os diretores das empresas, a Petrobras deu um novo prazo de 60 dias à PDVSA para cumprir com as exigências contratuais, o que permitirá a participação da estatal venezuelana na refinaria.

O projeto acordado entre o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez se arrasta há sete anos. Enquanto a PDVSA negociava as garantias para receber um crédito do BNDES para financiamento de 40% da refinaria, o projeto começou a ser construído unilateralmente pela Petrobras, sob ameaça de deixar os venezuelanos de fora.

Com a conclusão do projeto, o Brasil deverá importar 100 mil barris de petróleo diários da Venezuela, para serem processados pela refinaria em Pernambuco.

"Com ela nós vamos também contribuir para o que deve ser uma relação entre dois países em que os dois lados ganham", afirmou Dilma Rousseff em Caracas.

A história nem sempre foi tão pacifica assim, Terezinha Nunes comentou no blog do Jamildo comentou, que havia boatos que Chávez não havia colocado um tostão no projeto, por exigências incontornáveis como por exemplo de que queria incluir no acordo que a PDVSA assumisse a distribuição de combustíveis no Nordeste em troca da parceria.

Falous-e também que a crise econômica havia atingido de tal forma a Venezuela que não havia recurso disponível para participar da parceria.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo o problema teria sido de ordem financeira. Não que a PDVSA esteja atravessando uma crise mas porque contesta o valor do empreendimento que em 2005, no anúncio de Chavez, estava orçado em US$ 2 bilhões, até o ano passado pulou para US$ 13,3 bilhões e já estaria perto de US$ 14,4 bilhões.

Em julho, o Jornal Estado de São Paulo revelou que a estatal da Venezuela questionava, nas mesas de negociação com os representantes da Petrobrás, os custos apresentados para a construção da refinaria. Em 2006, quando do anúncio da parceria, o empreendimento foi orçada em US$ 4,4 bilhões. Hoje, extraoficialmente, a Abreu e Lima custará cerca de US$ 15 bilhões.

Colocada contra a parede pela Petrobrás que exigia uma definição até o final de agosto, a PDVSA, sem dúvida com o conhecimento de Chávez, alegou que o custo está maior do que deveria e teria sugerido até a realização de uma auditoria internacional ´para passar um pente fino nos números da refinaria.

Um vexame sem tamanho que a Petrobrás, certamente, com receio de desgaste internacional tentou abafar, se negando a atender à imprensa ou a comentar o assunto.

Uma auditoria internacional na Refinaria Abreu e Lima é tudo que a Petrobrás não deseja sobretudo depois que o Tribunal de Contas da União acusou superfaturamento nos contratos da obra que passou por uma auditoria e foi motivo de discussões na CPI da Petrobrás.

A terraplanagem chegou a ser suspensa por conta disso e o prazo de conclusão da obra já sofreu mais de cinco dilatações sendo impossível prever hoje quando a refinaria vai começar a operar.

Pelo visto, apesar dos novos desdobramentos essa novela está longe de acabar.