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21 de jul. de 2014

Risco à paz mundial - Veja

RÚSSIA – CRIMES CONTRA A HUMANIDADE
Risco à paz mundial
O presidente russo Vladimir Putin empurra o mundo para o limiar de um conflito bélico ao financiar separatistas no leste da Ucrânia. Seus comandados abateram um avião com 298 a bordo

Foto: Reuters

"Putin estava feliz no Brasil. Ele está claramente usando a América Latina como uma frente contra os Estados Unidos", diz a cientista política ucraniana Lilia Shevtsova

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Duda Teixeira, Nathalia Watkins, Carlo Cauti, Raquel Beer, Leonardo Motta e Valeria Bretas
Fonte: Veja

Grandes guerras começam por motivos bem menos graves do que a derrubada de um avião civil com 298 pessoas a bordo, como ocorreu na semana passada nos céus da Ucrânia. Todos os indícios levantados até agora apontam para milicianos separatistas treinados e monitorados por tropas russas. Eles têm domínio territorial sobre a área de onde, como comprovam fotos de satélites, decolou o míssil supersônico que atingiu em cheio o Boeing 777 da Malaysia Airlines — a mesma companhia que há meses teve um jato idêntico misteriosamente desaparecido nas águas do Oceano Índico.

Grandes guerras começam também por agressões desse tipo, muitas vezes feitas por acidente ou engano. Pode ser essa a explicação para o ataque fatal ao avião da Malaysia Airlines que fazia o voo MH17, de Amsterdã a Kuala Lumpur. Desde que se apoderaram de baterias de mísseis antiaéreos Buk, de fabricação russa, e foram treinados para usá-los por monitores enviados por Moscou, os separatistas vinham tendo crescente sucesso em derrubar aviões inimigos naquela região. Cada disparo certeiro era comemorado em russo nas redes sociais frequentadas pelos separatistas.

Foto: Dmitry Lovetsky / Associated Press

Carros de bombeiros chegar ao local do acidente de um avião de passageiros perto da aldeia de Hrabove, Ucrânia, como o sol se põe 17 de julho.

Na quinta-feira passada, logo depois do desaparecimento do Boeing 777 da Malaysia Airlines, um oficial russo encarregado por Moscou de dar ajuda aos separatistas ucranianos, jubilante, postou durante algumas horas apenas o registro de mais um avião abatido. O oficial julgava tratar-se de um An-26 — Antonov turboélice de transporte de tropas e carga — da Força Aérea da Ucrânia. Não era. O avião abatido foi o Boeing 777 com quase 300 civis inocentes de várias nacionalidades a bordo. Na véspera, quarta-feira 16, os separatistas tinham celebrado na internet a derrubada de um Su-25 ucraniano. Esse anúncio continua lá. O relativo ao An-26 sumiu rapidamente. Foi a primeira tentativa dos russos e seus aliados na Ucrânia de apagar a marca do crime.

Felizmente, no mundo de hoje, as nações contam com redes de prevenção de grandes guerras bem mais eficientes do que as existentes no século passado, quando nas duas deflagrações bélicas mundiais somadas morreram quase 80 milhões de pessoas. Mas, apesar de todos os mecanismos de segurança atuais, pode-se dizer sem muita margem de erro que a derrubada do Boeing 777 civil na região fronteiriça entre a Ucrânia e a Rússia, na semana passada, é a mais grave ameaça à paz mundial neste século. "A indignação que eu sinto neste momento não pode ser descrita com palavras", disse Barack Obama, na última sexta-feira. O presidente americano só não construiu a frase responsabilizando diretamente Moscou pelo atentado. Nem precisava, pois Obama, valendo-se dos eufemismos e despistes de que a linguagem diplomática se nutre, disse a mesma coisa de outra maneira ao aprofundar ainda mais as sanções econômicas à Rússia que a Casa Branca havia decretado antes do disparo letal do míssil.

No epicentro dessa zona de morte e instabilidade encontra-se Vladimir Putin, o presidente russo, que usa o expansionismo como forma de propaganda política interna e, assim, vem conseguindo índices elevados de apoio popular. Na semana passada, enquanto o v mundo assistia atônito ao aparecimento de uma prova atrás da outra de que os russos tinham envolvimento direto na operação que matou quase 300 passageiros inocentes, a taxa de aprovação de Putin batia seu recorde histórico, com 83%. Adoração interna e desaprovação externa é uma receita desastrosa. Os líderes que enveredam por esse caminho oferecem perigo ao seu povo e ao mundo.

Foto: Dmitry Lovetsky / Associated Press

Um homem cobre um corpo com uma folha de plástico perto do local de um avião de passageiros Malaysia Airlines caiu perto da aldeia de Rozsypne, Ucrânia

Quando os corpos foram encontrados despedaçados no chão na Ucrânia, Putin acabava de chegar a Moscou, vindo do Brasil, onde participou de uma cúpula do grupo dos Brics — Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul. Na segunda-feira 14, a presidente Dilma Rousseff encontrou-se com Putin depois da reunião e disse: "Somos reconhecidos por nossa atuação autônoma no plano internacional em favor de um mundo mais justo, mais próspero e pacífico". Resta saber agora como os presidentes dos países reunidos sob a sigla Brics reagirão a essa tragédia. Como enfatiza a Carta ao Leitor desta edição, eles não podem simplesmente ignorar o massacre de civis patrocinado por um país-membro: "Se os integrantes do grupo dos Brics fingirem que não viram o crime e passarem a mão na cabeça do companheiro Putin, estarão se condenando ao fracasso ético e moral, justamente o que destrói as chances de sucesso cm todos os outros campos".

Em março, Putin enviou soldados mascarados e sem distintivo no uniforme para a Península da Crimeia, parte da Ucrânia. Os "homenzinhos verdes", como ficaram conhecidos, expulsaram soldados dos quartéis, ocuparam prédios públicos e canais de televisão. Putin dizia que não tinha participação na empreitada. Ainda assim, anexou a Crimeia.

No fim de março, deu medalhas aos que participaram da ação. Simultaneamente, milhares de soldados foram enviados pela Rússia para o leste da Ucrânia. O objetivo era conseguir mais um naco de território ou, na impossibilidade disso, dificultar ao máximo que o país seguisse o caminho bem-sucedido de outros Estados europeus, que saíram da esfera soviética, abraçaram a democracia e o livre mercado e se distanciaram da autocracia e do estatismo russo. Os Estados Unidos e a Europa impuseram sanções econômicas para punir Putin pelo avanço à margem da lei internacional. O efeito foi nulo.

Foto: Dmitry Lovetsky / Associated Press

Pessoas caminham entre os escombros no local do acidente do avião abatido por míssil na Ucrânia

O que farão de concreto agora que a derrubada do avião da Malaysia Airlines vai se tornando impossível de escamotear? "Qualquer controlador de voo treinado sabe distinguir na tela do radar um avião civil de um militar", diz o engenheiro sueco Mikael Robertsson, fundador do site FlightRa-dar24, que acompanha o tráfego aéreo comercial ao redor do planeta. O sistema russo de mísseis Buk é dotado de radar e receptor de sinais de transponder, que diferenciam claramente os tipos de aeronave. "Putin estava feliz no Brasil. Ele está claramente usando a América Latina como uma frente contra os Estados Unidos", diz a cientista política ucraniana Lilia Shevtsova, do Carnegie Endowment, em Moscou. Aos seus amigos tropicais agora só restam duas opções: agem por princípio e isolam Putin ou se rendem ao pragmatismo e entram em uma guerra que não é deles.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

1 de jun. de 2013

Brutal política chinesa do filho único

CHINA - Ensaio
Brutal política chinesa do filho único
Oficiais de planejamento familiar dos vilarejos acompanham vigilantemente o ciclo menstrual e os exames ginecológicos de todas as mulheres em idade de ter filhos em sua área. Se uma mulher fica grávida sem permissão e não for capaz de pagar a multa exorbitante por violar a política, ela corre o risco de ser submetida a um aborto forçado.

Foto: Jing We/The New York Times

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ma Jian, para o The New York Times
Fontes: The New York Times, Uol, The Independent, Aljazeera

Zhang Yimou, o famoso diretor de cinema e arranjador da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 em Pequim, foi acusado na semana passada de ser o mais recente infrator da política do filho único da China. O Diário do Povo, o alto-falante do Partido Comunista, alegou que Zhang tem sete filhos com quatro mulheres diferentes.

A notícia despertou um irritado debate online, com internautas condenando a aplicação desigual da lei 1.979, que estipula que cada casal pode ter apenas um filho (ou dois no caso das minorias étnicas e de casais rurais cujo primeiro filho seja uma menina).

A verdade é que, para os ricos, a lei é como um tigre de papel, facilmente contornada mediante o pagamento de uma "taxa de compensação social" – uma multa de 3 a 10 vezes o rendimento anual do lar, definida pelo escritório de planejamento familiar de cada província – ou viajando para Hong Kong, Cingapura ou até para os EUA para dar à luz.

Para os pobres, no entanto, a política é um tigre de carne e osso, com garras e presas. No campo, onde a necessidade de mãos extras para ajudar nas plantações e o desejo patriarcal profundamente enraizado de ter um herdeiro do sexo masculino criaram uma forte resistência às medidas de controle populacional, o tigre tem sido implacável.

Oficiais de planejamento familiar dos vilarejos acompanham vigilantemente o ciclo menstrual e os exames ginecológicos de todas as mulheres em idade de ter filhos em sua área. Se uma mulher fica grávida sem permissão e não for capaz de pagar a multa exorbitante por violar a política, ela corre o risco de ser submetida a um aborto forçado.

De acordo com dados do Ministério da Saúde chinês divulgados em março, 336 milhões de abortos e 222 milhões de esterilizações foram realizadas desde 1971. (Embora a política do filho único tenha sido introduzida em 1979, outras políticas de planejamento familiar, bem menos rigorosas, já existiam antes dela.)

Estes números são fáceis de citar, mas eles não conseguem transmitir a magnitude do horror enfrentado pelas mulheres rurais na China. Durante uma longa viagem através do interior do sudoeste da China em 2009, tive a oportunidade de conhecer alguns dos rostos por trás desses números.

Em barcas precárias ancoradas nas águas remotas de Hubei e Guangxi, conheci centenas de "fugitivos do planejamento familiar" – casais que tiveram de fugir de seus vilarejos para dar à luz ilegalmente a um segundo ou terceiro filho nas províncias vizinhas.

Quase todas as mulheres grávidas com quem conversei tinham passado por um aborto obrigatório. Uma mulher me contou que, quando ela estava grávida de oito meses de um segundo filho ilegal e não conseguiu pagar a multa de US$ 3.200, os oficiais de planejamento familiar a arrastaram para uma clínica local, amarraram-na a uma mesa cirúrgica e injetaram uma droga letal em seu abdômen.

Durante dois dias ela se contorceu sobre a mesa, com as mãos e os pés ainda amarrados com corda, esperando seu corpo expulsar o bebê assassinado. Na etapa final do trabalho de parto, um médico arrancou o feto morto pelo pé, jogando-o em seguida numa lata de lixo. Ela não tinha dinheiro para pegar um táxi. Ela teve que ir mancando para casa, com sangue escorrendo por suas pernas e manchando suas sandálias brancas de vermelho.

Não surpreende o fato de a China ter a maior taxa de suicídio de mulheres do mundo. A política do filho único reduziu as mulheres a números, objetos, a um meio de produção; negando a elas o controle sobre seus corpos e o direito humano básico de determinar de forma livre e responsável quantos filhos querem ter e quando.

As meninas também são vítimas da política. Sob pressão da família para garantir que seu único filho seja menino, as mulheres normalmente optam por abortar bebês do sexo feminino ou descartá-las no nascimento, práticas que têm distorcido a proporção de sexo na China para 118 meninos para cada 100 meninas.

O Partido Comunista defende que os meios justificam os fins. Quando Deng Xiaoping e seus colegas reformadores da economia introduziram a política do filho único como uma medida "temporária" em 1979, após a morte de Mao e o fim da calamitosa Revolução Cultural, alegaram que, sem a política do filho único, a economia se enfraqueceria e a população explodiria.

Foto: Aljazeera

O governo insiste o programa do filho único ajuda a distribuir os recursos limitados no país mais populoso do mundo. Atualmente há 1,3 0 bilhão de pessoas na China, segundo eles, se não houvesse o controle de natalidade a população poderia ter chegado a 1,7 bilhão.

Trinta e quatro anos mais tarde, apesar das críticas crescentes, o partido ainda se apega a ela. Mas seu argumento se baseia numa ciência sórdida: a taxa de natalidade, que já estava caindo antes de a política ser introduzida, está agora oficialmente em 1,8, ou mais próxima de 1,2, de acordo com especialistas em demografia independentes como Yi Fuxian – muito mais baixa do que o nível de 2,1 necessário para a reposição da população. Yi e outros alertaram sobre o iminente desastre demográfico da China: uma nação de rápido envelhecimento que não conseguirá ser sustentada por uma força de trabalho cada vez menor.

O aumento da renda e a urbanização geralmente levam à queda das taxas de natalidade. Se a política do filho único fosse abolida amanhã, a maioria dos chineses não teria pressa para produzir tantos descendentes como Zhang Yimou. E apesar dos sinais recentes de que o Partido pode estar considerando flexibilizar gradualmente as restrições ao nascimento, ainda há uma resistência considerável.

Os linha-dura teimosos não vão abandonar voluntariamente as medidas de controle populacional que forneceram ao governo cerca de dois trilhões de yuans em multas, de acordo com o demógrafo Ele Yafu, e a possibilidade de manter um controle firme sobre as vidas das pessoas.

A indignação pública manifestada contra Zhang durante a última semana favorece o partido. Em vez de atacar a política bárbara do governo, as pessoas estão sendo incentivadas a criticar o rico por escapar de suas garras.

Acabar com este castigo é um imperativo moral. As atrocidades cometidas em nome da política do filho único ao longo das três últimas décadas estão entre os piores crimes contra a humanidade do século passado. As marcas que ela deixou na China talvez nunca sejam apagadas.

Aborto forçado

Foto: The Independent

Em junho do ano passado, os jornais noticiaram a história de uma chinesa que havia sido obrigada pelas autoridades a abortar, um feto de sete meses, para atender política do filho único.

Feng Jianmei, 22 anos, foi raptado de sua casa por cinco homens da clínica local de planejamento familiar, porque não tinha o dinheiro da multa para quem tem o segundo filho, algo em torno de 40.000 yuan (R$ 12 mil).

Segundo seu marido Deng Jiyuan, 29 anos, ela foi vendada, ameaçada e obrigada a assinar uma autorização para fazer o aborto.

A Foto chocante (imagem não apropriada para menores e pessoas sensíveis), de Feng deitado na cama do hospital com o feto ensanguentado ao seu lado chocou a China e reabriu o debate sobre a regra limitando os casais a um filho.

A família, que vive em Zengjia cidade no norte da província de Shaanxi, foi agredida e perseguida por funcionários públicos e parte da população local, taxados de traidores pela divulgação das fotos e da história pela imprensa estrangeira.

Temendo ser morto, o marido, Deng Jiyuan, desapareceu.


Ma Jian é autor do romance "The Dark Road", lançado recentemente.
O ensaio foi traduzido do chinês por Flora Drew
Utilizamos a tradução do inglês para o português do site da UOL
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

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12 de mar. de 2012

Sargento americano chacina afegãos

AFEGANISTÃO
Sargento americano chacina afegãos
Um sargento do exercito dos Estados Unidos, aleatoriamente executou pelo menos 16 civis, 9 delas crianças, na zona rural do Afeganistão neste domingo. A barbarie certamente irá inflar uma nova onda de hostilidade anti-americanista na região, frustando os acordos de paz que estavam sendo costurados.

Foto: Ahmad Nadeem / Reuters

Moradores reunido do lado de fora de uma base americana militar próxima ao local da chacina, protestam silenciosamente.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, G1, R7, Correio Braziliense, Portal Terra, RTP

Logo após o noticiário de que um sargento do exercito dos Estados Unidos, havia executado 16 civis, 9 delas crianças, na zona rural de Panjwai, no sul do Afeganistão, o site dos talibãs anunciaram que vão vingar as vitimas das atrocidades.

O momento não poderia ser mais delicado:

O governo dos EUA e o comandante norte-americano das forças da OTAN no Afeganistão tiveram que pedir, recentemente, desculpas e enfrentaram uma onda violenta de protesto, que resultou em pelo menos 30 mortos, entre eles seis soldados americanos e dezenas de feridos, depois que trabalhadores afegãos encontraram cópias queimadas do Alcorão (o livro sagrado dos mulçumanos) no lixo da Base Aérea, dos Estados Unidos em Bagram.

Anteriormente, em janeiro, tiveram que condenar a atitude de integrantes do contingente e pedir desculpas, por um vídeo onde soldados americanos urinavam sobre os corpos de quatros soldados talibãs mortos, num vexatório clima de descontração.

Foto: Associated Press

BARBÁRIE - Mulher afegão dá entrevista a repórters junto ao corpo de seu neto, assassinado e incinerado por um sargento americano em Panjwai, Afeganistão.

Por esse somatório espera-se uma reação ainda mais violenta diante desses novos e estarrecedores fatos.

O responsável pelo massacre, um primeiro-sargento, cuja identidade ainda não foi divulgada, ausentou-se da sua base por volta das 22.30, horário local, do sábado e dirigiu-se para as aldeias de Alkozai e Najeeban, situadas a cerca de 500 quilômetros da base.

Aleatoriamente entrou em pelo menos três habitações e abateu a tiro as familias que lá viviam. Numa das casas, em Najeeban, 11 pessoas foram mortas, e os seus corpos posteriormente incendiados, por ele. Várias das vítimas foram crianças, tendo três delas, sido mortas com um tiro na cabeça ao estilo de execução.

O atirador era veterano e já havia participado de três missões no Iraque e essa era sua primeira no Afeganistão. Depois da chacina, aparentando tranquilidade regressou à base e entregou-se às autoridades. De acordo com os militares norte-americanos, o sargento está com 38 anos, é casado e tem dois filhos.

Especula-se que estaria bêbado ou teria tido um esgotamento nervoso, mas alguns oficiais receiam que o ataque possa ter sido planejado.

Cientes do potencial propagandístico e inflamatório deste caso contra as forças estrangeiras, os rebeldes talibãs afirmam que o número real de vítimas foi 45 e alegam que o massacre foi cometido por vários soldados e não por um, apelando às organizações de direitos humanos para que ajudem o povo afegão a pôr fim a estes crimes”.

“Se os autores do massacre tinham um problema mental, isto representa uma transgressão moral do exército dos EUA, por armar lunáticos que disparam contra os afegãos indefesos sem pensarem duas vezes”, afirma o comunicado dos rebeldes.

Foto: Pete Souza/The White House/Reuters

ROTINA TRÁGICA - O presidente americano Barack Obama pedindo novamente desculpas ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai por atrocidades cometidas por integrantes do exército americano.

O site português RTP, muito apropriadamente diz que “neste clima explosivo, arriscam-se a cair em orelhas moucas os pedidos de desculpas apresentados por várias“ autoridades americanas, inclusive o presidente Barack Obama.

Como primeira consequência, os tiros do ensandecido sargento americano, provavelmente, fez voltar a estaca zero, as recentes negociações de paz, costuradas há anos, e a preparação da retirada das tropas da OTAN, da região.

Foto: Associated Press

DOR - Jovem afegão chora a morte de parentes assassinados na chacina


13 de fev. de 2011

Irã: Recorde em execuções de prisioneiros

Irã
Recorde em execuções de prisioneiros
Num oportunismo mórbido, com as atenções voltadas para as manifestações, no Egito e na Tunísia, uma população carcerária inflada e a proximidade do aniversário da Revolução Islâmica, o regime iraniano viu a situação ideal para executar 97 pessoas no período de um mês

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja , Portal Terra, International Campaign for Human Rights in Iran

A ONG “International Campaign for Human Rights in Iran” noticiou no seu site, que na segunda-feira 7 de fevereiro de 2011, 10 prisioneiros foram secretamente enforcados dentro da prisão em Vakilabad. Sem precisar o número, a ONG afirma ter informações que mais execuções teriam ocorrido nas prisões de Birjand e de Taibad. A maioria dos executados foi condenado pelo arbitrário sistema judicial iraniano por tráfico de drogas, alguns deles eram de cidadania afegã.

A rotina das execuções cria uma burocracia mórbida, quando são emitidos às vésperas certificados de óbito dos preso, enquanto esses ainda estão vivos. Este comportamento oficial não fere apenas a lei iraniana, mas também agride a lei islâmica Sharia. De acordo com a lei islâmica, se uma pessoa sobrevive a uma execução (sob condições estipuladas), ela obterá a liberdade.

Ao que se sabe durante um período de seis semanas entre 20 de dezembro de 2010 e 31 de janeiro de 2011, o governo noticiou a ocorrência de 121 execuções em todo o país, acredita-se, porém, que o numero seja bem maior.

Há denuncias permanentes de violações dos direitos dos prisioneiros, desrespeitados até na hora de morrer. As execuções ocorrem sem que sejam informados, como a manda a lei iraniana, os advogados, os familiares e o próprio condenado. Os prisioneiros executados são informados sobre sua iminente execução apenas algumas horas antes.

O dia 19 de dezembro de 2010 entrou para a história do Irã com a execução de 22 pessoas em apenas 24 horas. Trata-se de uma das datas com as estatísticas mais elevadas no que se refere à aplicação da pena de morte no país.

Com a dificuldade de se obter dados oficiais em um regime tão fechado, os números levantados por organizações internacionais que defendem os direitos humanos são a única fonte de informação sobre o que se passa na República Islâmica.

Se continuar neste ritmo, o Irã terá realizado mais de 1.000 execuções até o fim de 2011. E o motivo não é apenas a rotineira tirania do regime, conforme apontam analistas ouvidos pelo site de VEJA. Um conjunto de fatores provocou o aumento alarmante das execuções: o mundo voltado para os conflitos no Egito e na Tunísia, a proximidade do 32º aniversário da Revolução Islâmica e um problema doméstico: uma população carcerária inflada.

Com as crises políticas nos países árabes, o governo do Irã pôde executar prisioneiros de maneira silenciosa, sem chamar a atenção da imprensa.

Ainda assim, a Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a se manifestar sobre o assunto e declarou perplexidade. A entidade disse que, em vez de atender aos apelos da comunidade internacional, as autoridades iranianas ampliaram o uso da pena de morte por meio de uma Justiça obscura.

A ocasião também foi oportuna para os opressores mostrarem que os iranianos devem, sim, temer o regime. De acordo com Mina, há muitas pessoas desempregadas no Irã, os índices de pobreza e o preço dos alimentos aumentaram, e a população está insatisfeita. “O regime tem medo de uma nova revolução e tenta mostrar com as execuções que é ele quem manda. Essa é uma política muito bem marcada”, afirma a iraniana Mina Ahadi, porta voz do Comitê Internacional contra a Execução e do Comitê Internacional contra o Apedrejamento.

Foto: Arquivo
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Até pouco tempo, as execuções no Irã ocorriam em praça pública.

O 32º aniversário da Revolução Islâmica no Irã, comemorado no dia 11 de fevereiro, é uma data tensa, em que a oposição costuma organizar manifestações contra o regime. As tentativas do governo de frear esses protestos são diversas. Em 2010, a velocidade da internet foi reduzida em todo o país, o acesso às contas de e-mail foi dificultado e forças policiais foram espalhadas pelas ruas, agredindo líderes opositores. Dezenas de manifestantes ficaram feridos.

Se diante do mundo o Irã se posicionou a favor dos manifestantes do Egito e da Tunísia – pela “islamização do planeta” -, dentro do país a política é outra: deixar claro, pela força, a intolerância a protestos. “É um excelente momento para eles reforçarem o islamismo e também mostrarem sua autoridade dentro do próprio país”, avalia Ann Harrison, da Anistia Internacional. As manifestações no Egito, que pedem a queda do presidente Hosni Mubarak, contam também com o apoio da Irmandade Muçulmana, a maior e mais antiga organização islâmica do país.

Uma questão prática soma-se aos motivos políticos para o aumento das execuções. “Além de querer mostrar poder diante dos conflitos no Egito e na Tunísia, há o problema no sistema carcerário do Irã. Houve um aumento do número de presos e o regime simplesmente decidiu apagá-los”, diz Hadi Ghaemi, diretor-executivo da Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã. “Esse extermínio não continuará, no entanto, se houver uma reação internacional realmente forte.”

A maneira como o Irã rebateu as críticas internacionais foi a saída clássica usada pelo país do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “A série de execuções não é assunto do resto do mundo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast. Ele também informou que 80% das pessoas enforcadas eram traficantes de drogas e lançou mão de uma ironia. "Se o Irã não combater o tráfico de drogas, a Europa e o Ocidente serão atingidos", disse debochando, fingindo-se solidário com o mundo ocidental.

Foto:

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, amiguinho de Lula, saúda a multidão, em frente a uma imagem do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante manifestação organizada pelo governo para marcar o 32º aniversário da Revolução Islâmica em Teerã 11 de fevereiro de 2011. A oposição foi impedida de se manifestar.


22 de out. de 2010

ELEIÇÕES 2010: Dilma Cruela Cruel assusta criancinhas

ELEIÇÕES 2010
Dilma Cruela Cruel assusta criancinhas
Os meninos e meninas ainda bebês, com a memória recente de fetos, ficaram assustados com a presença da malvada Dilma que desejava que todos eles fossem abortados

Fotomontagem de Toinho de Passira

A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO - Dilma, fingindo que é uma boa velhinha, carrega criancinhas nos braços, enquanto defende, sem piedade, que inocentes e indefesos fetos sejam assassinados

Postado por Toinho de Passira

No dia das crianças, o PT, reuniu inocentes bebês, para aparecerem em foto junto com a candidata Dilma, aquela que defende o aborto, por não respeitar a concepção e a vida. Anti-Cristo, violenta e truculenta, a candidata usou as criancinhas para se fingir de avó, de boa velhinha, explorando a inocência dos pequeninos, como tenta explorar a inocência, de parte da sociedade brasileira, enganada, pelo marketing e pelas mentiras dos petistas, capitaneados pelo presidente Lula.

Dilma não ficou a vontade com as criancinhas, não tem jeito com os pequeninos. Sua relação com os meninos e meninas foi tão desajeitada e envergonhada, como quando fez o sinal da cruz, no santuário de Nossa Senhora Aparecida.

Instintivamente os bebês, recém fetos, ficaram assustados vendo naquela senhora de sorriso forçado, como a reencarnação de Cruela Cruel, a vilã que costumava, na ficção de Disney, atacar filhotes de Dálmatas para tirar-lhes a pele.

Matar fetos ou criancinhas é a mesma coisa, eles apenas estão em estágios diferentes da vida.


21 de set. de 2010

Soldados EUA matam, “por esporte”, civis afegãos

ESTADOS UNIDOS – AFEGANISTÃO
Soldados EUA matam, “por esporte”, civis afegãos
Hediondos crimes de guerra foram cometidos por soldados americanos contra inocentes afegãos, numa mistura de crueldade, consumo de drogas pesadas e descontrole da tropa por parte dos comandantes militares. A descoberta desses assassinatos, com requinte de crueldades, dificultará ainda mais a missão americana no Afeganistão, criando um clima favorável de apoio aos talibãs, os verdadeiros alvos inimigos dos americanos no país

Fotos: Portal do Exército USA

Os militares acusados de praticarem tiro ao alvo com os afegãos são os soldados Andrew Holmes, Adam Winfield, Michael Wagnon, Jeremy Morlock e o sargento Calvin Gibbs, que não está na foto. Podem ser condenados a pena de morte ou a prisão perpétua.

Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Washington Post, Daily News, Jornal de Notícias, Wikipedia, The Economist, Army Times, Folha de São Paulo

Doze soldados norte-americanos estão sendo acusados de integrarem um "esquadrão da morte" na guerra do Afeganistão. O grupo assassinou civis afegãos, por diversão, há relato que colecionavam dedos, ossos e até crânio, das vítimas inocentes, como troféu.

O grupo era constituído por cinco soldados que teriam assassinado três homens afegãos em diferentes ataques.

Outros sete são acusados de encobrir os crimes e de atacar o soldado que denunciou o ocorrido aos superiores.

De acordo com o jornal britânico "The Guardian", os soldados envolvidos integravam a brigada de infantaria "Stryker" colocada na província de Kandahar, no Sul do Afeganistão. O "The Guardian" afirma que esta é uma das mais graves acusações de crimes de guerra no Afeganistão. Todos os soldados negaram os fatos que se confirmados podem resultar em pena de morte ou prisão perpétua, para os militares.

Foto: Getty Images

Os americanos estão no Afeganistão para combater o Talibã, um movimento islamita extremista nacionalista da etnia afegã pashtu, que governou o país 1996 e 2001, que chegou ao poder ajudado pela CIA que lhes forneceu armas e munições, enquanto eles combatiam a União Soviética.

Depois que controlaram a capital Cabul e 90% do território afegão, criando o chamado "Emirado Islâmico do Afeganistão", os Talibãs definitivamente voltaram suas armas, doada pelos EUA, contra os americanos.

Após o ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova York, descobriu-se que o governo talibã dava refúgio e apoiava Osama Bin Laden, o líder do grupo terrorista Al-Qaeda.

Foto: Associated Press

Sob o pretexto de capturar Bin Laden, o governo americano invadiu o Afeganistão, derrubo o regime talibã, com apoio de outros países, como a Inglaterra e a França e instalou um governo liderado por Hamid Karzai (foto), que está no poder até hoje.

Com a situação aparentemente sob controle, o presidente Bush partiu para a aventura do Iraque, deixando a guerra do Afeganistão em segundo plano.

Foi o suficiente para os talibãs reagrupando-se militarmente, assumindo o controle político sob parte da população na conturbada região de fronteira com o Paquistão. Através de emboscadas e os ataques suicidas mantém os marines acuados.

Durante a campanha eleitoral americana, Barack Obama pregou que a sua prioridade militar seria combater o talibã no Afeganistão. Com efeito depois que assumiu, declarou a intenção de enviar ao Afeganistão, mais 34 mil militares, para se juntarem aos 65 mil, que estão em combate no país, onde a situação militar só tem piorado.

Foto: Associated Press

O número de combatentes das forças aliadas da Otan mortos nessa guerra, somam quase dois mil desde 2004. Porém, durante o governo Obama, o número de baixas tem aumentando consideravelmente. Em 2009 morreram 521 e neste ano, até agosto, já são 500 os mortos.

Diante das notícias desses crimes atuais, vê-se que os americanos estão cada vez mais afundando num atoleiro sem glórias.

De acordo com os investigadores e as provas testemunhais que integram o processo, o “esquadrão da morte” começou com a chegada do sargento Calvin Gibbs à base Ramrod, em Novembro passado. Gibbs contava histórias e falava da emoção de matar impunemente e exibia dedos que havia colecionado, nos tempos em serviu no Iraque. Contava aos restantes soldados, como uma aventura, como era fácil "lançar uma granada para alguém e matá-lo".

De acordo com as provas recolhidas, Gibbs, de 25 anos, arquitetou um plano, juntamente com o soldado Jeremy Morlock, de 22 anos, e outro integrante da unidade para formar um "esquadrão da morte" que acabou por matar três afegãos durante as patrulhas.

A primeira vítima terá sido Gul Mudin, sobre quem "atiraram uma granada e disparam uma espingarda" quando a patrulha entrou na aldeia de La Mohammed Kalay, em Janeiro. Após o ataque, Morlock terá afirmado ao soldado Andrew Holmes, de 19 anos, e que se encontrava de guarda nesse dia, que o assassinato tinha acontecido por "desporto" e ameaçou-o caso contasse alguma coisa sobre o ocorrido.

A segunda vítima, Marach Agha, foi morta a tiro no mês seguinte. Gibbs matou-o e colocou uma espingarda Kalashnikov ao lado do corpo para justificar a morte. Em Maio, um terceiro afegão, Mullah Adadhdad foi morto após ter sido atingido por tiros e uma granada.

Foto: Sgt. Jeremiah Johnson

Integrantes da brigada de infantaria "Stryker", onde serviam os acusados, em operações no Afeganistão

Soldados do pelotão foram acusados ainda de desmembrarem e fotografarem os corpos dos civis que assassinaram, além de colecionarem um crânio e outros ossos humanos.

O pai de um soldado afirmou que repetidamente alertou o Exército após seu filho ter lhe contado sobre o primeiro assassinato. Mas seus repetidos alertas foram repelido e não levado a sério, pelos militares americanos.

Foto: Reuters

As investigações Oficiais do Exército não descobriram nenhum motivo de combate para as mortes. Uma revisão dos documentos militares e entrevistas com pessoas familiarizadas com o caso sugerem que os assassinatos foram cometidos simplesmente por esporte, e que os soldados envolvidos faziam uso constante de haxixe misturado a bebidas alcoólicas.

Em resumo, depois de muito tempo em combate, os soldados não valorizam a vida humana dos cidadãos do país que ocupavam. Nem diferenciam quem é amigo ou inimigo. Transformaram a vexatória guerra, numa horripilante caçada humana.


10 de ago. de 2010

Naomi e os diamantes de sangue de Serra Leoa

HOLANDA – SERRA LEOA
Naomi e os diamantes de sangue de Serra Leoa
A supermodelo britânica Naomi Campbell pela primeira vez compareceu a um tribunal sem ser a acusada. Depôs semana passada, como testemunha no processo contra o ex-presidente liberiano Charles Taylor, acusado de crimes contra a humanidade, no Tribunal Especial de Haia. Ao ser questionada sobre diamantes que teria recebido de presente do acusado, em 1997, mentiu e pode acabar se complicando

Foto: Associated Press

Naomi Campbell disse: "... vi umas pedras, muito pequenas e que pareciam sujas”. A modelo disse aos juízes que não pensou de imediato que o conteúdo da bolsa eram diamantes. "Estou acostuma a ver diamantes brilhantes, e em caixas", explicou.

Toinho de Passira
Fontes: AFP, BBC Brasil, Publico, Estadão, National World, Warner Bros, Daily Mail

Como os depoimentos ontem, 09, da ex-agente da manequim, Carole White e da atriz Mia Farrow, ficou claro que Naomi Campbell mentiu no seu depoimento do dia 5 de Agosto, ao falar que se surpreendeu quando recebeu “pequenas pedras de aspecto sujo”, Farrow e White garantiram que ela sabia que se tratava de diamantes e que até estava à espera deles e quem os havia enviado.

Os homens que lhe bateram à porta do quarto disseram: “São estes os diamantes!” Os tais que Taylor, agora no banco dos réus, lhe prometera durante o jantar, em casa do então Presidente da África do Sul, Nelson Mandela.

Foto: Reuters

Carole White depondo perante o Tribunal. Seu depoimento está sendo posto em dúvidas pela defesa de Taylor, pois a ex-agente da Modelo tem uma pendenga judicial, com Campbell por questões trabalhistas de quebra de contrato

“Ela mostrou-me o embrulho. E estava desiludida por não terem o aspecto de pedras lapidadas, e não brilharem”, contou White, segundo a qual Naomi, anteriormente estava muito excitada enquanto aguardava o presente que deveria receber de Taylor, que ficara sentado ao seu lado durante o jantar.

Em vez de estar “quase dormindo” quando lhe bateram à porta, como declarou quinta-feira aos juízes, Campbell teria mantido um contato telefônico com alguém, pelo que não teria parado de dizer:

“Estão quase chegando. Estão quase chegando!”.

Ao confirmar-se que Charles Taylor, atualmente com 62 anos, tinha consigo diamantes brutos, o tribunal poderá dar como provada a teoria de que ele foi à África Austral trocá-los por armas, para os seus amigos da Frente Revolucionária Unida (RUF), que de 1996 a 2002 foram responsáveis por numerosas atrocidades na Serra Leoa.

“Naomi passou a noite flertando com ele e era correspondida. Estavam gostando muito da companhia um do outro, durante o jantar”, declarou a ex-agente, ao procurar explicar como é que os “diamantes de sangue” foram parar às mãos da modelo.

Carole White, que hoje continua a ser ouvida, fez o seu depoimento horas depois de Mia Farrow ter relatado que a supermodelo contou que os assessores de Taylor lhe tinham dado um “enorme diamante”. E que, ao saber que poderia ter dificuldades em levar as pedras para fora da África do Sul, disse preferir oferecê-los à Fundação Nelson Mandela de Auxílio à Infância.

Foto: Associated Press

A atriz americana Mia Farrow, confirmou perante o Tribunal, ter ouvido Naomi comentar que Taylor havia lhe dado os diamantes

O ex-diretor da ONG Fundo Nelson Mandela para a Infância Jeremy Ratcliffe, amigo da modelo Naomi Campbell, confirmou que recebeu em 1997 três diamantes brutos dela e os entregou para autoridades sul-africanas, agora depois de ter estourado o escândalo.

Aliás, em todas as descrições feitas nos últimos dias, têm-se verificado enormes discrepâncias quanto ao número exato de diamantes referidos. White alegou que os homens que entraram no quarto da supermodelo lhe entregaram cinco ou seis pedras preciosas.

Foto: Associated Press

Em 1989, aos 41 anos, Charles Taylor (foto) era o líder de um grupo armado e deu início à guerra civil na Libéria, encerrada após um tratado de paz em 1995.

Ratcliff guardou consigo alguns diamantes que podem ser os recebidos por Naomi e doados ao Fundo Nelson Mandela para a Infância
Em 1997, ele foi eleito presidente e seu governo durou seis anos. Em agosto de 2003, rebeldes tomaram a capital do país, forçando-o a ir para o exílio na Nigéria.

Taylor disse que optou por se exilar para acabar com o conflito em seu país.

Atualmente pesam contra ele 11 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionadas com uma eventual influência de Taylor na guerra civil na vizinha Serra Leoa, onde o ex-presidente liberiano é acusado de apoiar rebeldes responsabilizados por atrocidades contra civis.

Taylor é suspeito de vender diamantes e comprar armas para a Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa, grupo famoso por amputar mãos e pernas de civis durante a revolução que durou cerca de dez anos.

Dezenas de milhares de pessoas morreram nos conflitos interligados na Serra Leoa e na Libéria. A violência chegou também à Costa do Marfim e à Guiné.

Grupos de defesa dos direitos humanos acusam de Taylor de estar no centro da rede de grupos armados da África Ocidental.

Um dos mais importantes promotores do tribunal apoiado pela ONU em Serra Leoa chegou a declarar que Taylor seria um dos homens mais procurados do mundo.

O ator Djimon Hounsou, no papel de Adetokumboh M'Cormack, num cena do filme “Diamantes de Sangue” que mostra o drama da guerra civil em Serra Leoa, onde os diamantes são usados para comprar armas de sanguinários grupos rebeldes.
Após 2003, Taylor vinha sendo acusado de violar as regras de seu exílio na Nigéria ao continuar influenciando a política interna na Libéria.

Meses após a posse da presidente liberiana Ellen Johnson-Sirleaf, em 2006, a Nigéria concordou em extraditar Taylor, que fugiu.

Capturado e enviado à Libéria, Charles Taylor foi levado à Serra Leoa pela ONU para aguardar julgamento.

Sua prisão foi considerada um sinal de que os líderes de grupos armados africanos não gozavam mais de impunidade.

O julgamento, originalmente previsto para ocorrer em Serra Leoa, foi transferido para a Holanda por causa de temores de instabilidade no país e na vizinha Libéria.

Taylor boicotou a abertura do julgamento, em junho de 2007, dizendo não acreditar que seria julgado com justiça.

Mas em 14 de julho do ano passado, o ex-presidente prestou depoimento pela primeira vez no tribunal, alegando inocência.

A previsão então era de que o julgamento teria uma duração de 18 meses.

A promotoria alega que Taylor não cometeu os crimes pessoalmente, mas sim teria apoiado, ordenado ou compactuado com estes atos.

Se considerado culpado, Taylor deve cumprir pena na Grã-Bretanha.


A bela Naomi Campbell mais uma vez centro de mais uma história pouco edificante.


5 de mar. de 2010

Carta aberta ao Presidente da República - Maria Helena Rubinato

OPINIÃO
Carta aberta ao Presidente da República
Maria Helena Rubinato registra uma barulhenta e incomoda carta dirigida a Lula, em favor dos presos políticos e dissidentes cubanos. Cuba classifica dissidentes como mercenários dos Estados Unidos, trabalhando para derrubar o governo de Cuba.

Foto: Reuters

O cubano Guillermo Farinas, em sua casa, Santa Clara, Cuba central, 5 de março de 2010.
Farinas começou uma greve de fome em 23 de fevereiro de 2010, em protesto pela morte do dissidente Orlando Zapata e pela libertação dos presos políticos cubanos.

Fontes: Blog do Noblat

Rio de Janeiro, 5 de março de 2010

Presidente Lula:

O senhor, no dia 24 de fevereiro próximo passado, em Havana, Cuba, ao ser interpelado sobre por qual motivo não atendera aos pedidos dos dissidentes cubanos que gostariam de conversar consigo, declarou que não recebera carta alguma e que “As pessoas precisam parar com o hábito de fazer carta, guardar para si e depois dizer que mandaram."

Para que não ocorra novamente esse desencontro, isto é, cartas enviadas e que não chegam às suas mãos, resolvi usar este espaço que para mim é nobre, e enviar-lhe uma carta aberta.

O senhor não sabia, segundo disse, que o operário cubano Orlando Zapata, de 42 anos, preso desde 2003, fazia greve de fome há exatamente 85 dias. A carta não chegou às suas mãos a tempo do senhor ir visitar Zapata e dissuadi-lo, segundo suas palavras, “de se deixar morrer por greve de fome”, não é mesmo?

Foi realmente uma pena. Cartas perdidas já deram margem a muitas tragédias. Mas para ser franca, creio que a dos dissidentes cubanos, com certeza, mesmo que lhe tivesse sido entregue pelo portador, não salvaria Zapata.

Mas foi por ter perdido a confiança nos portadores que resolvi lhe escrever esta carta aberta e informá-lo que há outros “prisioneiros de consciência” em Havana e que “estão se deixando morrer por greve de fome”. O senhor, mais do que ninguém, por já ter tentado fazer uma greve de fome, sabe o quanto de força de vontade, de obstinação e de fé naquilo que pensa é necessário para fazer uma pessoa se decidir por morrer dessa maneira tão dolorosa.

Sabemos todos, sobretudo depois desta sua última passada por Havana, do carinho que os Castros têm por si e da admiração que o senhor lhes devota. Portanto, creio que um pedido seu será atendido de pronto. Peça pela vida de Guillermo Fariñas, presidente Lula. Ele está em greve de fome pela morte de Orlando Zapata. Não deixe que outro preso por discordar de um regime político morra de fome.

Mas esse não é o único pedido que esta carta encerra: peça a eles também por Yoani Sanchez, cujo único crime é ser blogueira e dizer o que pensa e o que sente. Faça ver aos Irmãos Castro que proibir Yoani Sanchez de sair daquela ilha não vai impedir que suas idéias naveguem pelos céus e pelos mares. Não permitir que essa jovem cubana viaje para o exterior é mais que um crime abominável, é uma estupidez sem fim. Olhe como ela descreve seu pedido de permissão (permissão!) para sair em viagem:

“A senhora levanta o carimbo e o aproxima do papel para finalmente marcar que tua permissão para sair do país foi negada. “Você não está autorizada a viajar” te diz, e todos na repartição ouvem a frase que te condena a ficar reclusa nesta ilha. Nas outras mesas, os solicitantes olham para os pés para evitar que seus olhos se encontrem com os teus olhos, pois poderias estar pedindo pela solidariedade deles. Os militares que passam te examinam de alto a baixo com o olhar de quem diz ‘algo fez, para que não a deixem sair’.

(...) Não tens antecedentes penais, jamais foste condenada por um tribunal e teus delitos mais frequentes consistem em comprar queijo ou leite no mercado negro. Tua sentença é ficar atrás dos barrotes deste arquipélago, detida por essa faixa de mar que alguns ingênuos consideram uma ponte e não o fosso intransponível que realmente é. Ninguém vai te deixar sair porque és uma prisioneira com um número estampado nas costas, ainda que penses que estás com a blusa que tiraste do armário esta manhã. Estás no calabouço dos “peregrinos imóveis”, na cela dos obrigados a permanecer”.

Nunca passei por isso, presidente. O máximo de proibição que sofri foi decerto terrível e não quero passar por aquilo nunca mais: ter alguém no governo que diga o que posso ler, ouvir, cantar ou escrever. Ah! e também tinha essa coisa esdrúxula carimbada em meu passaporte, em 1965: “Válido para América do Sul, do Norte, Europa, Ásia e África. Não é válido para Cuba”. Fiquei logo indignada e a vontade que deu foi de ir para Cuba imediatamente! Ainda bem que fiquei só na vontade...

Ser impedida de sair e entrar livremente em meu país, isso eu nunca sofri. Mas o senhor pode calcular, como eu calculo, o sofrimento de Yoani Sanchez que, se não é nem de longe igual ao da mãe de Zapata ou ao da mãe de Fariñas que está vendo seu filho definhar e definhar, é uma infâmia que homens e mulheres de bem não podem assistir calados.

Desta vez a carta não foi extraviada. Nem ficou em alguma gaveta. Está aqui. É só ler.

De uma simples cidadã brasileira,

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa



*Acrescentamos sub-titulo foto e legenda ao maravilhoso e oportuno texto de Maria Helena Rubinato