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27 de out. de 2014

Petrobras derrete, dólar dispara: calma que vai piorar!

BRASIL – Eleição 2014 - 2º Turno
Petrobras derrete, dólar dispara: calma que vai piorar!
A corrida para o dólar é imediata, e ele já vale quase R$ 2,55, com tendência clara de alta. Isso significa que todos nós acordamos mais pobres em relação ao resto do mundo. Nosso dinheiro compra menos bens e serviços no exterior, os importados ficam mais caros, e a inflação sobe.

Charge: Paixão - Gazeta do Povo (PR)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Rodrigo Constantino
Fontes: Veja

Como o previsto, a vitória de Dilma, em parte já antecipada pelos mercados por causa das pesquisas e agora confirmada, jogou gasolina na fogueira do pessimismo (realismo?) dos investidores. Seu discurso de vitória tampouco serviu para aliviar: vem plebiscito por aí, eis sua grande “mudança”.

A corrida para o dólar é imediata, e ele já vale quase R$ 2,55, com tendência clara de alta. Isso significa que todos nós acordamos mais pobres em relação ao resto do mundo. Nosso dinheiro compra menos bens e serviços no exterior, os importados ficam mais caros, e a inflação sobe.

Além disso, o mais previsível também ocorreu até agora: o “kit eleição”, formado pelas estatais, despencou. A Petrobras cai até o momento em que escrevo mais de 13% no dia, que mal começou. É sangria desatada, pânico, desespero. Mas nada sem fundamento, claro. Os investidores atentos sabem muito bem o que mais quatro anos de PT pode significar para a empresa: sua completa destruição!

Como podemos ver, a reeleição de Dilma já faz sua primeira vítima: todos aqueles trabalhadores de classe média que investiram sua poupança nas ações da estatal por meio do FGTS e acordaram bem mais pobres hoje.

A “nova classe média” que finalmente conseguiu viajar para o estrangeiro pela primeira vez, com muita celeuma do próprio governo, terá de arcar agora com uma moeda bem mais desvalorizada também. Os custos do equívoco de ontem estão apenas começando. Podem ficar tranquilos, pois vai piorar. Especialmente quando Dilma anunciar seu novo ministro da Fazenda, uma grande “mudança”…

5 de set. de 2014

Vinte milhões de votos sem um claro motivo. Ou: Marina Silva por J.R. Guzzo, Coluna de Rodrigo Constantino, para Veja

BRASIL - Opinião
Vinte milhões de votos sem um claro motivo.
Ou: Marina Silva por J.R. Guzzo
“Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma.”

Foto: Veja

Não precisamos de um “guru espiritual”, e sim de um gestor eficiente

Postado por Toinho de Passira
Texto de Rodrigo Constantino
Fonte: Coluna do Rodrigo Constantino

O eleitor típico de Marina Silva é o jovem idealista ou o membro da elite que flerta com a esquerda “festiva”. Tem seu charme ser contra “tudo isso que está aí”, contra o “sistema”, ainda que votando em alguém do “sistema” há décadas. O que vale são as aparências, e Marina Silva conseguiu criar a imagem de que paira acima do jogo partidário comum – e podre. Isso encanta os que nasceram para se encantar com mitos, não fatos.

O que a democracia brasileira mais precisa no momento é se livrar do PT. Em segundo lugar, precisa de debates calcados em propostas e argumentos. Marina Silva pode ser útil para o primeiro objetivo. Infelizmente, não é para o segundo, de mais longo prazo.

O que defende Marina, de verdade? Quais são suas principais propostas? Foi contra o Plano Real quando ainda era do PT, ou contra os transgênicos, que ajudaram a revolucionar nosso agronegócio. E agora? Defende os avanços do setor rural ou pretende insistir em uma visão romântica e boboca da natureza como uma espécie de ‘mãe’ boazinha, nos moldes de “Avatar”?

Enfim, para crer no avanço de nossa democracia, seria importante termos uma noção melhor do por quê votam em Marina, do ponto de vista positivo (suas propostas), não negativo (protesto contra o sistema). Em sua coluna na Veja desta semana, J.R. Guzzo faz um bom resumo da coisa:

Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma.

Em 2010, quando se candidatou à Presidência, conseguiu um prodígio: quase 20 milhões de pessoas votaram nela sem saber direito por quê.

Não foi, certamente, por ficarem entusiasmadas a quando ouviram Marina falar em “centralidade da necessidade”, “controles ex post frente” ou “agenda plasmante”.

Que patuá é esse? Nem o rapaz do Rio de Janeiro que ganhou outro dia a supermedalha internacional de matemática seria capaz de entender.

Ela admite que não se pode viver sem luz elétrica, mas parece não encontrar nenhuma usina que a satisfaça.

Sabe que o Brasil não sobrevive 24 horas sem as exportações que só podem ser obtidas com agricultura capitalista de larga escala, mas defendo uma “inflexão” na área agrícola.

Marina tinha o dobro das intenções de voto de Eduardo Campos, mas era candidata a vice. Formou-se no PT, mas hoje é a sua principal concorrente.

Não se sabe o que pretende fazer, na vida real, diante de nenhum dos problemas que o eleitor quer ver resolvidos com urgência.

Seus 20 milhões de admiradores, até hoje, não lhe cobraram mais esclarecimentos – não entendem o que ela está dizendo, mas parece achar que é bom.

Dá para chegar ao Planalto nessa toada, falando de “sustentabilidade” e “esforço transversal”? Lula e Dilma, mais que Aécio, esperam que não.

Queremos menos discursos messiânicos e incompreensíveis e mais argumentos e propostas sérias. É disso que o Brasil precisa se pretende caminhar rumo ao progresso sustentável de verdade.

2 de set. de 2014

Curupira de saias - Rodrigo Constantino, para O Globo

BRASIL - Opinião
Curupira de saias
Cansado — com razão e muito atraso — do PT, o povo brasileiro quer uma nova esperança. Não quer o candidato mais bem preparado, com a equipe mais robusta, com as ideias mais estruturadas. Nada disso tem charme. Quer uma solução definitiva, alguém que represente a “nova política”, que carregue uma aura de santidade e paire acima dos reles mortais.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Rodrigo Constantino*, para O Globo
Fonte: O Globo

Se os indianos tiveram a Madre Teresa de Calcutá, nós temos a Madre Marina de Xapuri. Cansado da “mamãe” Dilma, o povo agora quer sonhar novamente. Afinal, democracia que compara projetos e propostas, histórico e alianças é mesmo algo muito monótono. O brasileiro é mais afeito às utopias messiânicas, a um “salvador da Pátria”, ou salvadora, no caso.

Se tiver um passado da agruras, uma infância miserável, uma bela narrativa de vítima para contar, aí fica imbatível. O ex-operário que passou fome ia acabar com a fome no Brasil. Seu “Fome Zero” foi um fiasco, mas isso é detalhe. O crescimento chinês veio lhe salvar, e o povo carente logo o enxergou como o novo Padim Ciço.

Não teve mensalão que o fizesse acordar do feitiço. Lula iluminou seu poste e Dilma, que era ele mesmo em forma mais feminina, foi eleita. A “mãe do PAC”, o Programa de Auxílio a Cuba, seria a “gerentona” eficiente. Entregou apenas recessão e inflação. Dilma foi a pior presidente que o Brasil já teve. Mas justiça seja feita: foi a melhor para a ditadura cubana.

Cansado — com razão e muito atraso — do PT, o povo brasileiro quer uma nova esperança. Não quer o candidato mais bem preparado, com a equipe mais robusta, com as ideias mais estruturadas. Nada disso tem charme. Quer uma solução definitiva, alguém que represente a “nova política”, que carregue uma aura de santidade e paire acima dos reles mortais.

Viva Marina! Uma espécie de Curupira de saias, a guardiã das florestas e dos animais, que representa a “terceira via” contra a polarização entre petistas e tucanos. Foi do PT por décadas, ministra de Lula, e seu marido era do PT do Acre até “ontem”. Detalhes bobos, sem importância. A “nova política” significa entrar para o PSB, partido com socialista na sigla e membro do Foro de São Paulo, ao lado do próprio PT e da ditadura cubana. Mais dados insignificantes.

Com postura de quem recebeu um chamado divino, Marina pode tudo, não há contradição que grude nela. Goza do mesmo “efeito Teflon” de Lula. Ela pode, por exemplo, afirmar que vai governar usando o melhor tanto do PT como do PSDB, que ninguém questiona o que isso quer dizer na prática, se é um ou o outro. Afinal, não parece viável misturar Mercadante e Armínio Fraga.

Segundo Eduardo Giannetti, seu assessor para economia, o viés na área estaria bem mais para o lado tucano, o que é um alívio para quem entende do assunto. Resta saber: Marina vai mesmo escutar Giannetti? Ou seu assessor será Leonardo Boff? Ou será o MST, entidade da qual já vestiu, literalmente, o boné? Suas décadas de PT, partido do qual saiu triste e com “profundo respeito”, terão que tipo de influência em sua gestão? Você pode tirar alguém do PT, mas será que é possível tirar o PT de alguém?

De boba Marina não tem nada. Antes, representava um grito de protesto; agora, pelas artimanhas do destino, é a favorita na corrida presidencial. Quando o poder se aproxima e se torna factível, o candidato abandona certos radicalismos “sonháticos” e flerta com o pragmatismo. Ao defender em seu plano de governo um Banco Central independente e o tripé macroeconômico, Marina sinaliza que fará como Lula em sua “Carta ao Povo Brasileiro”.

Lula, de fato, respeitou a herança bendita da era FH no primeiro mandato, com Henrique Meirelles e Palocci. Mas em seguida traiu o povo brasileiro e abandonou o legado deixado pelos tucanos. Fez “o diabo” para eleger Dilma, e agora estamos aqui, nesse quadro de estagflação. Marina será fiel aos eleitores pragmáticos? Ou deixará vir à tona seu DNA esquerdista?

Saberemos a resposta em 2015, ao que tudo indica. A “onda” cresceu e se transformou num tsunami. Marina já é a grande favorita, com dez pontos à frente de Dilma no segundo turno, de acordo com o Datafolha. Mas, se é cedo para saber se os pragmáticos vão quebrar a cara com Marina, uma coisa é certa: a decepção dos “sonháticos” será total. Quem está à espera de um milagre, de uma mudança revolucionária na forma de se fazer política, vai cair feio do cavalo.

Dito isso, algo ao menos será motivo de regozijo para os mais esclarecidos: a derrota do PT. É verdade que, desesperados com a possibilidade real de perder suas tetas estatais e ter de trabalhar, os petistas farão de tudo para permanecer no governo Marina. Os vermelhos vão se pintar de verdes, até porque Marina está mais para “melancia”: verde por fora, vermelha por dentro. Mas ela seria eleita com um claro discurso de oposição, e ficaria muito feio compor com o PT depois. Portanto, adeus, PT. Já vai muito tarde!
*Rodrigo Constantino é economista e presidente do Instituto Liberal.

6 de dez. de 2013

Cai outra bandeira de Dilma: vem mais aumento de juros por aí…, de Rodrigo Constantino, para a Veja

BRASIL - Opinião - Economia
Cai outra bandeira de Dilma:
vem mais aumento de juros por aí…
Sabemos que tanto Guido Mantega (Ministro da Fazenda), como Alexandre Tombini (Presidente do BC), como Luciano Coutinho (Presidente do BNDES), no fundo não gozam de tanta autonomia assim. A cabeça da hidra desenvolvimentista é a própria presidente Dilma! Por isso ninguém é demitido, apesar desse resultado pífio, medíocre. Ela teria que demitir a si mesma!

Arte sobre foto da Agência Estado

A culpada

Postado por Toinho de Passira Texto de Rodrigo Constantino
Fontes:  Coluna Rodrigo Constantino, para a Veja

Não tem mais jeito: aquela bandeira de redução da taxa de juros, que a presidente Dilma tentou empunhar no começo da gestão, está totalmente destruída, corroída pelas traças da realidade econômica. A presidente, como economista que crê no nacional-desenvolvimentismo, pensou ser possível marretar a taxa de juros artificialmente para baixo. Ignorou que, tal como uma mola, sem mudar sua causa estrutural, ela voltaria com força depois.

Não deu outra (e os economistas ortodoxos avisaram, como bons amigos). A ata do Copom da última reunião, que subiu a taxa Selic para 10% ao ano, deixa claro que vem mais aumento por aí:

O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso.

Tradução - “A inflação vai continuar alta, mas, para evitar que fique ainda maior, os juros vão continuar subindo em 0,5 ponto percentual de cada vez.

O barato sai caro, meu pai sempre me ensinou. A economia porca pode gerar transtornos e mais gastos à frente. Com visão míope, a equipe econômica esqueceu que a queda abrupta na taxa de juros era um pacto com Mefistófoles. Ele retornaria para cobrar seu preço elevado. Virá em ano eleitoral…

O Banco Central foi bastante criticado por economistas mais liberais, mas rebateu todas as críticas com desdém, alegando que não haveria a volta da inflação. Ela voltou. Com tudo. Está no incômodo patamar de 6%, mesmo com vários controles em preços administrados pelo governo. E mesmo com a economia sem crescimento.

O crédito público continuou sendo estimulado, assim como os gastos do governo. O Copom até toca nesse ponto, mas parece que os membros do governo não falam a mesma língua:

O Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

Tradução - “O BC reprova discretamente a recente injeção de mais R$ 24 bilhões no banco oficial de fomento, o BNDES, para a concessão de empréstimos subsidiados às empresas.”

Só tem um detalhe que acrescenta um tom de esquizofrenia nisso tudo: sabemos que tanto Guido Mantega (Ministro da Fazenda), como Alexandre Tombini (Presidente do BC), como Luciano Coutinho (Presidente do BNDES), no fundo não gozam de tanta autonomia assim. A cabeça da hidra desenvolvimentista é a própria presidente Dilma! Por isso ninguém é demitido, apesar desse resultado pífio, medíocre. Ela teria que demitir a si mesma!

Não tenhamos tanta esperança. Não vai acontecer. Logo, é melhor se preparar para mais aumento nas taxas de juros, com o Copom sempre correndo atrás do mercado e da inflação. Os investidores já sabem que vem chumbo grosso por aí. As taxas de juros no mercado futuro já apontam para isso:

Dilma pode esquecer a bandeira do combate aos altos juros. Pode esquecer a bandeira do crescimento acelerado também. Pode esquecer a bandeira da faxina ética (risos). Vai lhe restar as esmolas estatais e o programa “Mais Médicos”, que trouxe escravos cubanos para o Brasil, enquanto financia a ditadura mais longa e assassina do continente. E o povo vai votar… nisso?
*Alteramos o titulo, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original