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23 de set. de 2012

Casal russo descobre que bebê deficiente, dado à adoção, virou campeã paraolímpica USA

ESTADOS UNIDOS - RÚSSIA
Casal russo descobre que bebê deficiente
dado à adoção virou campeã paraolímpica USA
Pais biológicos assistiram aos Jogos Paraolímpicos sem saber que nadadora supercampeã americana era sua filha. Foram localizados por jornalista do jornal russo Siberian Times. Sua família americana é de Baltimore, Maryland

Foto: Reuters

Jessica Long, a para-atleta russo-americana, 12 medalhas de ouro em três olimpíadas

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Red Hot Russia, BBC Brasil, Siberian Times, The Daily Mail

Um casal russo que deu sua filha portadora de deficiência para adoção descobriu que a menina é a nadadora americana Jessica Long, medalhista de ouro na Paraolimpíada de Londres 2012.

Os pais biológicos dizem querer conhecer a para-atleta, que foi adotada por um casal americano.

Natalya e Oleg Valtyshev, que deixaram a menina em um orfanato na Sibéria pouco depois do seu nascimento, chegaram a assistir às competições de Jessica Long pela televisão sem saber quem ela era.

Fotos: Siberian Times

Os pais biológicos, os russos Oleg Valtyshev e Natalya

Em entrevista a um canal de TV russo, eles dizem estarem orgulhosos da garota.

Long já disse em entrevistas que gostaria de ir à Rússia após os Jogos Paraolímpicos para encontrar a família, mas ainda não se pronunciou sobre a aparição dos pais.

Jessica Long, que foi chamada de Tatiana ao nascer, foi adotada por um casal americano quando tinha um ano de idade. Ela vivia em um orfanato na cidade de Bratsk, na Sibéria, há cerca de 3,7 mil quilômetros de Moscou.

Foto: Reprodução

Os pais americanos adotivos, Steve e Jessica Long

A menina, que cresceu em Baltimore, nos Estados Unidos, nasceu sem tornozelos, joelhos e sem a maior parte dos ossos dos pés.

Ainda antes de deixar a Rússia, ela teve a parte inferior das pernas amputadas para conseguir usar próteses e aprender a andar.

Anos depois, Jessica se tornou atleta paraolímpica e ganhou 12 medalhas de ouro em três edições dos Jogos.

Foto: Reuters

Jessica Long, retirando as próteses para entrar na piscina, em Londres

Após a paraolimpíada de Londres 2012, seus pais biológicos foram encontrados por jornalistas russos e se emocionaram ao falar da menina.

Segundo o jornal Siberian Times, a mãe da para-atleta disse "sentir muito" por tê-la dado para a adoção.

"Na época eu tive medo. Tive que deixá-la para trás. Mas eu cheguei a pensar em pegá-la de volta", afirmou.

"Eu estava sozinha na Sibéria, sem minha mãe e meu pai. Para onde eu iria com ela? Os médicos disseram para eu deixá-la, disseram que eu não podia ajudá-la. Eu a chamei de Tatiana, como minha irmã mais velha."


A pequena Jessica “engatinhando” na piscina em Baltimore, Maryland, EUA

O pai, Oleg Valtyshev, que tinha 17 anos à época do nascimento da menina, disse que o casal foi pressionado pelos médicos para deixar a menina.

"O que eu poderia ter dito? Eu não poderia ter dito nada porque não estava preparado para isso. Eu fiquei muito chocado com a coisa toda", disse ele.

"Mas não quero falar contra os médicos. Eles disseram: 'A garota tem deformidades e vocês são jovens, vai ser difícil'."

Desde então, o casal teve três outras filhas incluindo outra menina portadora de deficiência. Dasha, de 13 anos, tem características semelhantes às de Jessica e vive com os pais.

Natalya e Oleg afirmaram ao canal de TV que tinham a intenção de buscar a filha quando pudessem, mas que ela foi adotada antes.

"As crianças geralmente são mantidas no orfanato até os três anos, e eu tinha certeza de que ninguém iria adotá-la. Eu me informava sobre ela, sabia que ela estava linda, que todos a amavam", disse a mãe.

Foto: Reprodução

Jessica e sua irmã russa Anastácia

"No dia 6 de julho de 1993 eu dei à luz minha segunda filha Nastya (Anastácia) e no dia 9 de julho soube que um casal de americanos a adotou."

Nastya descobriu aos 19 anos que tinha uma irmã. Ao canal russo, ela disse que sua mãe confessou que deu Tatiana para a adoção, mas que parecia traumatizada demais para falar a respeito.

Natalya escreveu uma mensagem manuscrita para a filha


Detalhe da mensagem escrita, por sugestão de um jornalista

Caro Tanechka!

Eu me sinto muito culpada.

Todos esses anos sempre pensei em você, imaginando com você estava vivendo.

Sabia que você havia sido adotado, eu não tive a oportunidade de buscá-la de volta.

Estou muito feliz que sua vida tenha dado uma reviravolta. Eu não poderia ter lhe dado tudo isso.

Quero realmente pedir perdão a você pessoalmente, olhando em seus olhos.

Tomara que eu tenha essa oportunidade. Enquanto isso, eu estou pedindo o seu perdão no papel...

Sou muito grato a seus pais. Eu ficaria de joelhos diante dessas pessoas, por lhe terem ajudado a se tornar uma pessoa completa.

Eu sonho encontrar você, sua mãe e seu pai.

Abraço-vos com amor e espero vê-los em breve.

Beijo! Te amo! Sinto sua falta!

Mama Natasha!


5 de set. de 2012

PARAOLIMPIADA: Emoção redobrada: mais um ouro para Terezinha

REINO UNIDO – Londres - Paraolimpiada 2012-
Emoção redobrada: mais um ouro para Terezinha
Terezinha Guilhermina e o guia Guilherme Santana dão volta por cima e se despedem com ouro nos 100m T11. Dupla deixa a queda que impediu pódio nos 400m T12 no passado e pinta de dourado a sua última imagem nos Jogos com direito a recorde mundial.

Foto: Luiz Henrique/Getty Images

Com 'maria-chiquinha' no cabelo, Terezinha brilha ao lado do guia Guilherme Soares

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Glob Esporte, Photo Blog

Do solo ao topo do pódio. Em uma competição marcada por histórias de quem ignorou as dificuldades para vencer na vida, Terezinha Guilhermina e Guilherme Santana usaram a velocidade para provar que não é preciso um passado trágico para bater no peito orgulhoso de uma volta por cima.

Menos de 24 horas após viverem momentos de frustração com a queda do guia, nos 400m rasos T12, a dupla voltou ao Estádio Olímpico e pintou de dourado sua última imagem nas Paralimpíadas de Londres.

Com 12s01, levaram a melhor nos 100m T11, quebraram o recorde mundial (12s04) e voltam para casa com dois ouros e a sensação de dever cumprido. Com "maria-chiquinha" no cabelo e a sua alegria de sempre, Terezinha fez a festa e vibrou muito com mais essa conquista.

A dupla já havia conquistado uma medalha de ouro em Londres, no último domingo. Com 24s82, na prova dos 200m T11.

- Foi muito especial ter conquistado esse ouro depois de tudo que aconteceu ontem. Pude mostrar ao mundo que um dia podemos chorar, mas no outro temos a oportunidade de sorrir, de dançar... Essa medalha foi um presente, o sabor bem mais especial. Queria voltar para o Brasil sorrindo, e tenho um motivo enorme para isso agora – comemorou a brasileira.

Terezinha explicou ainda o visual especial para prova. Além da "maria-chiquinha", a velocista apresentou prendedores de cabelo coloridos e acessórios extravagantes nas pernas e nos braços.

- Tenho muitos fãs que são crianças no Brasil e sei que para eles é importante me ver no pódio, me ver sorrindo. Por isso, vim vestida de criança.

Foto: EFE

Terezinha Guilhermina aplaude o guia Guilherme Soares após a vitória desta quarta-feira

O pódio da prova mais veloz para cegas dos Jogos foi todo brasileiro: Jerusa Santos, com o guia Luiz Henrique Barboza, cravou 12s75 e ficou com a prata, enquanto Jhulia Santos, com o guia, Fábio Dias de Oliveira, foi bronze, com 12s76. A chinesa Jia Juntingxia, com Donglin Xu, largou bem, mas ficou com a quarta colocação (12s79).

A medalha de Jhulia também chegou acompanhada de um sentimento diferente. Nos 200m, a paraense chegou em quarto, herdou o bronze após desclassificação da própria Juntingxia, que foi puxada por seu guia, mas um protesto chinês impediu que a brasileira subisse ao pódio.

- Ainda não acredito que isso esteja acontecendo. Estou naquela: será que é verdade ou não? O que aconteceu me fez refletir muito, fiquei um pouco traumatizada. Mas estou aí de novo, garantindo o que já era meu nos 200. Arrancaram a medalha de mim, mas eu sabia que conseguiria substituí-la.

Recordista mundial, Terezinha Guilhermina era a grande favorita para prova. Esta foi a sexta medalha da mineira de Betim em Paralimpíadas (três ouros, duas pratas e um bronze). Nos 100m T46, a brasileira Sjeila Finder terminou a final na quinta posição, com 13s33. O ouro foi para a cubana Yunidis Castillo (12s01) e a prata para a russa Nikol Rodomakina (12s49).

As Imagens do dia anterior eram dramáticas e frustrantes.

Foto: Julian Finney / Getty Images

Correndo nesta terça-feira, 04, em Londres, Terezinha Guilhermina, a cega mais rápida do mundo se jogou na pista do Estádio Olímpico após a queda de seu atleta-guia, Guilherme Santana. “Resolvi cair junto com ele”, explicou a velocista mineira. Com o tempo de 1m39s73, completado após a atitude surpreendente, Terezinha ficou fora do pódio e longe do recorde mundial quebrado no Parapan do Rio, em 2007, quando cravou 56s14.

Foto: Julian Finney / Getty Images

No primeiro plano a atleta francesa Assia El Hannouni vencedora da medalha de ouro, nos 400m - T12. Nessa prova, se não fora a queda do guia, Guilhermina poderia ter ganhado o broze

- A gente forma uma dupla. Eu não tinha noção de onde estava na prova. Quando vi que o Guilherme soltou a cordinha e caiu, resolvi cair junto com ele. Eu o perdôo, com certeza. Agora é pensar na minha próxima prova - disse a corredora, que voltou à pista do Estádio Olímpico nesta quarta-feira para ganhar o ouro nos 100m T11.

Foto: Christopher Lee / Getty Images

O paulista Guilherme Santana, de 29 anos, começou a parceria com Terezinha no Mundial de Christchurch, no ano passado. Na competição disputada na Nova Zelândia, a dupla conquistou medalhas de ouro nos 100m, 200m, 400m e revezamento 4x100m. O guia se envolveu com atletismo há menos de 10 anos, quando entrou na universidade.

- Infelizmente, a corda que me ligava a ela estava muito presa. Tentei soltar sem prejudicá-la, mas não foi possível. Foi um pena ter acontecido isso. Mas sou humano, estou suscetível a erros - justificou Guilherme.

Foto: Leon Neal / AFP - Getty Images


4 de set. de 2012

Histórica medalha de ouro do brasileiro Alan Fonteles

BRASIL – Paraolimpiada – Londres 2012
Histórica medalha de ouro do brasileiro Alan Fonteles
Finalmente o atleta paraolimpico Alan Fonteles recebe a medalha de ouro, a que fez jús, após vitória sobre o lendário sul-africano Pistorius que derrotado reclamou das próteses usadas pelo brasileiro, ao Comitê Paralímpico Internacional, validou a vitória do paraense.

Foto: Matt Dunham / AP


Foto: Getty Images

MEDALHA DE OURO HISTÓRICA - A chegada sensacional do brasileiro, numa arrancada final, ultrapassando o sul-africano

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, O Globo, Revista Época, Globo Esporte

O atleta paraolímpico brasileiro Alan Fonteles, 20 anos, mais rápido na prova dos 200m na categoria T44, subiu ao pódio nesta segunda-feira (3) para receber a medalha de ouro. O sul-africano Oscar Pistorius, que conquistou a medalha de prata, também subiu ao pódio, depois de ter reclamado do resultado da disputa, realizada na noite de domingo (2).

Pistorius, também conhecido como 'Blade Runner' era considerado, até então, o bi-amputado mais rápido do mundo.

A polêmica começou nas eliminatórias do sábado (1º), quando Pistorius criticou as próteses usadas por Fonteles e pelo americano Blake Leeper (medalha de bronze na prova dos 200m T44), que deixam os atletas alguns centímetros mais altos. Depois da prova realizada no domingo, Pistorius fez uma reclamação oficial ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC), mas foi orientado a repensar sua atitude depois que a "emoção da derrota" tivesse passado.

Nesta segunda-feira, o atleta sul-africano, conhecido como "Blade Runner", pediu desculpas ao brasileiro. "Eu jamais iria diminuir o momento de triunfo de outro aleta. E quero me desculpar pelo momento em que diz meus comentários, após a corrida. Eu creio que existe um problema aqui e saúdo a oportunidade de discuti-lo com o CPI. Mas reconheço que levantar essas preocupações imediatamente ao sair da pista foi um erro", disse. "Aquele foi o momento de Alan e eu gostaria de deixar registrado que tenho respeito por ele".

A controvérsia surgiu logo após a vitória de Fonteles na final dos 200 metros rasos, cujo recorde era detido por Pistorius, também conhecido como 'Blade Runner' e considerado até então o bi-amputado mais rápido do mundo.

Fonteles, que ultrapassou Pistorius nos instantes finais da corrida para conquistar o ouro paraolímpico, foi acusado pelo sul-africano de ter sua altura ajustada em "quatro polegadas acima do permitido".

"Sem tirar o mérito do desempenho de Alan, mas esses caras estão muito maiores e você não pode competir (com eles)", afirmou Pistorius, logo após a derrota.

Foto:Associated Press

PODIO - Alan Fonteles, do Brasil, medalha de Ouro (recorde mundial): Pistorius, Africa do Sul, medalha de Prata: Blake Leeper, Estados Unidos, medalha de Bronze

O Comitê Paraolímpico Internacional (CPI) confirmou como legítima a vitória do brasileiro. Segundo a organização, todos os competidores tiveram suas próteses auditadas antes da corrida, de acordo com o manual de classificação.

Existe um corolário de regras complexas que definem o limite de altura das lâminas que compõem as próteses. A proporção é regulada de acordo com a altura do atleta amputado.

O guia de CPI do ano passado determina uma fórmula detalhada para o cálculo do tamanho das próteses e leva em conta características anatômicas, dimensões e outros fatores.

Apesar de os cálculos minuciosos que orientam o manual de classificação do CPI, sempre há espaço para debate. O argumento de Pistorius é de que tal metodologia está errada ou que a letra da lei não foi imposta.

O sul-africano, que detinha o recorde mundial da modalidade (200 metros rasos), disse que, embora haja um procedimento-padrão de checagem das lâminas protéticas antes da competição, "os fiscais raramente fazem a medição na sala de espera".

Ao fazer tal declaração, Pistorius teria dado a entender de que lâminas diferentes poderiam ser adicionadas à prótese após a inspeção.

A indireta foi negada por Fonteles, que, por sua vez, alegou que usou as mesmas próteses utilizadas no mês passado.

Pistorius criou em torno de si uma aura de que era o atleta bi-amputado mais rápido do mundo, uma espécie de Usain Bolt com próteses. Ele também foi um modelo inspiracional do movimento paraolímpico, ao vencer barreiras legais para se tornar o primeiro atleta amputado a competir nos Jogos Olímpicos, em Londres deste ano.

Por todos esses motivos, a medalha de prata foi considerado um choque.

Foto: Adrian Dennis/AFP/GettyImages

SUPERANDO A LENDA - Até esse domingo, em Londres, o atleta paraense, Alan Fonteles Cardoso Oliveira , era chamado de o Oscar Pistorius, brasileiro.

Para o especialista em Jogos Paraolímpicos Tony Garrett, há uma sensação de dejá vu. Quando Pistorius apareceu pela primeira vez a público, o homem a ser batido era o americano Marlon Shirley, amputado de apenas uma perna.

Quando Pistorius venceu Shirley na final dos 200 metros rasos nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, os mesmos questionamentos foram levantados, incluindo acusações do campeão perdedor. "Quando Oscar Pistorius derrotou Marlon Shirley, Shirley afirmou que as próteses de Pistorius também eram maiores", disse Garrett.

Para Garrett, polêmicas à parte, o campeão sul-africano teria sido derrotado simplesmente porque "cantou vitória antes do tempo".

"Eu acho que Pistorius estava confiante na vitória e foi pego de surpresa. Em caso afirmativo, foi um erro que acabou lhe custando o ouro", afirmou.

Pistorius e Fonteles ainda vão se enfrentar em mais três provas: 100m e 400m T44 e no revezamento 4x100m.


18 de ago. de 2012

Atleta tunisiana, medalha de prata, acusada, por patrícios radicais, de ter corridor “nua” em Londres

TUNÍSIA
Atleta tunisiana, medalha de prata, acusada, por patrícios radicais, de ter corridor “nua” em Londres
Habiba Ghribi foi a primeira mulher tunisiana a subir num pódio olímpico. A glória não foi bem aceita no seu país, por ela ter disputado a prova com braços, pernas, barriga e umbigo à mostra e sem véu. Pela internet foi dito que ele deveria inclusive perder a cidadania, por ter envergonhado o país

Foto: Stu Forster/Getty Images

DIREITO DE EXIBIR O UMBIGO - Habiba, ao invés de ser motivo de orgulho, escandalizou conterrâneos por causa da indumentária de atleta que usou para competir e vencer

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Aljazeera, Veja, Tunisia Live, El Pais - Blog, Folha de S. Paulo, National Post Sport

A atleta Habiba Ghribi não cabia em si de tanta alegria em ser a primeira mulher tunisiana a subir num pódio olímpico. Habiba foi medalha de prata nos 3.000 metros com barreiras e dedicou sua vitória a todos os compatriotas, em especial às mulheres. O problema é que muitos tunisianos não gostaram da forma como ela se apresentou na prova e chegaram a pedir a “cassação” de sua nacionalidade, pelas redes sociais, que se entupiram de mensagens agressivas e indignadas, contra a atleta.

Foto: Reuters

PSICOLOGICAMENTE NUA - Habiba, disputou a prova como as outras atletas, calção curto, top colado ao corpo e com o umbigo à mostra: nua, na opinião de alguns dos seus conterrâneos

Habiba, de 28 anos, disputou a final da prova no Estádio Olímpico de Londres, no dia 6 de agosto, como todas as outras atletas: de calção curto, sapatilhas e top colado ao corpo. A revolta dos mais conservadores ocorreu porque estava com braços e pernas à mostra, além, claro, de exibir o abdômen. “A Tunísia não precisa de mulheres que corram nuas”, escreveu um indignado leitor no Facebook, segundo publicou o site do diário espanhol El País. Outro “pecado” de Habiba foi competir sem o lenço que cobre a cabeça, o hijab.

Oficialmente o governo tunisiano comemorou o feito e elogiou a atleta:

"Pouco antes do Dia da Mulher, Habiba medalha de prata histórica veio como um presente a todas as mulheres tunisinas, enquanto eles celebram o dia importante. Ela provou que, apesar de todas as dificuldades mulheres tunisinas pode ganhar seu lugar como pioneiros em todos os campos ", declarou Sihem Badi, o ministro tunisino dos Assuntos das Mulheres, na página oficial do Facebook do Ministério da Juventude e Desportos.

Fotos: Reuters

DESAFIO EM DOBRO - A judoca saudita Wojdan Shaherkani e a belocista afegã Tahmina Kohistani, lutando e correndo também e principalmente contra o preconceito

Ainda segundo o El Pais, outras atletas árabes também foram insultadas nesta Olimpíada. A judoca saudita Wojdan Shaherkani – eliminada na primeira luta - foi chamada de prostituta e a afegã Tahmina Kohistani, que disputou a prova dos 100 metros rasos e ficou em último nas eliminatórias, foi classificada de “vergonha nacional”.

Mas a controvérsia sobre Ghribi exacerbou o debate sobre a igualdade de gênero na Tunísia um tema quente no país que deu origem à Primavera Árabe.

A Tunísia é um dos poucos países que protegem os direitos básicos das mulheres no mundo árabe. Ghribi, ao contrário de concorrentes sauditas e afegãs, pode competir sem o hijab.

Nesta segunda, 11, tunisianas foram às ruas para protestar contra o que veem como uma artimanha islâmica que inverteria o princípio da igualdade de gênero que fez da Tunísia, há seis décadas, o farol da modernidade no mundo árabe.

Um dos novos artigos propostos para a Constituição, segundo elas, poderá comprometer os direitos consagrados no Código de Estatuto Pessoal (CSP), promulgado em 1956 pelo primeiro presidente da Tunísia, Habib Bourguiba.

Nesse código foi abolida a poligamia, em que os homens muçulmanos poderiam ter até quatro mulheres, e a prática de repúdio, em que os maridos podiam se divorciar simplesmente dizendo isso três vezes.

Ao mesmo tempo, a norma instituiu o divórcio não só judicial, mas também o casamento civil.

Foto: Getty Images

MULHERES COMPLEMENTARES - Protestos das tunisianas pela inclusão no projeto constitucional que afirma ser a mulher um “complemento” dos homens

Embora nenhum desses princípios sejam perdidos sob o artigo proposto, as ativistas temem que a linguagem utilizada em sua elaboração pode representar um recuo em relação aos direitos das mulheres. No texto, o lugar da mulher na sociedade é definido em termos de sua relação com os homens.

O artigo diz que o Estado garante "a proteção dos direitos das mulheres (...) sob o princípio de que elas complementam, o homem e a família, além de estarem associadas ao homem para desenvolvimento do país".

Tudo parece estranho e absurdo, visto agora daqui, mas até bem pouco tempo, a legislação brasileira não era muito diferente na abordagem em relação a mulher. Até 1988, as relações familiares eram regidas pelo Código Civil de 1916, que preconisava:

“Art. 233. O marido é o chefe da sociedade conjugal, função que exerce com a colaboração da mulher, no interesse comum do casal e dos filhos

Como se vê a mulher brasileira era até então, legalmente tratada como um “complemento”. Só há 24 anos, um espaço de tempo exíguo, em termos históricos, a abordagem mudou, com a promulgação da constituição de 1988. A carta magna atual que tem como princípio que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...”; sacramentou essa igualdade, especificando: ”... homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta Constituição.”

Claro que mesmo com o advento da lei, as mulheres não adquiriram automaticamente todos os direitos que humana e legalmente possuíam. Tiveram que lutar muito e mesmo assim, muitas delas ainda estão longe de exercem na plenitude esses direitos.

Pode-se dizer porém, que desde então essa relação evoluiu, tanto, que uma delas, uma tal de Dilma Rousseff, acabou assumindo a presidência da república.

Foto: Reuters

ASSUSTANDO RADICIAIS - A vitória de Habiba, é muito mais que uma vitória olímpica, é uma simbólica vitória da mulher árabe contra o preconceito, daí ter assustado tanto os radicais.


15 de ago. de 2012

Yane Marques, Recife festeja chegada da medalhista sertaneja

BRASIL - Pernambuco
Yane Marques, Recife festeja
chegada da medalhista sertaneja
A atleta pernambucana medalha de bronze no pentatlo moderno, em Londres, foi recepcionada, com festa, pelos orgulhosos conterraneos, ao chegar ao aeroporto. Depois desfilou no carro de bombeiros pelas ruas do Recife. Modesta, a afogadense se espantou com a festa: “Mais do que eu esperava”- disse. Yane, você merece.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Bronze no pentatlo moderno em Londres, a filha de Afogados da Ingazeira, Yane Marques, foi recebido, como heroína, com flores, faixas e muito carinho por familiares, amigos e torcedores

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Globo Esporte - PE, Blog do Torcedor – Jornal do Comércio, ”thepassiranews”

A pentatleta sertaneja Yane Marques, medalha de Bronze, em Londres, recebeu todas as honras e reconhecido orgulho dos conterrâneos a chegar na capital pernambucana, nesta segunda-feira. A medalhista natural da cidade de Afogados da Ingazeira, a 377 km do Recife, não parecia cansada, mesmo após enfrentou uma maratona aérea, que começou na noite de terça no terminal 1 do aeroporto de Heathrow, na capital inglesa, passou por São Paulo e só foi encerrada às 11h50m desta manhã, de quarta, 14, quando chegou em casa, no Aeroporto Internacional Gilberto Freire, em Recife.

Orgulhosos, alegres e dipostos a comemorar, aguardavam-na familiares, amigos, jornalistas, autoridades e torcedores anônimos que foram prestigiar aquela que foi a responsável por garantir a última medalha brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres.

- Confesso que foi mais do que eu esperava - disse Yane Marques em cima do carro do Corpo de Bombeiros, ainda no aeroporto.

Na chegada, Yane recebeu um buquê de flores das mãos da secretária estadual de Esportes, Ana Cavalcanti, que foi representar o governador Eduardo Campos.

O presente mais esperado, no entanto, foi o abraço dos familiares. A irmã Cristina Marques enfrentou as cinco horas de estrada entre Afogados da Ingazeira e o Recife para recepcionar a medalhista.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

- A expectativa é comemorar bastante. A família está em festa e esta vai até Deus sabe quando.

Quem também esteve no aeroporto foi Maria Clara, 10 anos, aluna de pentatlo moderno. Ela treina no mesmo centro onde Yane se prepara para as disputas internacionais.

- Vou treinar mais para chegar ao ponto em que ela chegou. Estou muito feliz com essa conquista - comentou, sem se importar de "sumir" em meio à multidão presente ao aeroporto.

Entre os que se dispuseram a recepcionar Yane Marques no aeroporto internacional do Recife, houve quem levasse a bandeira da cidade natal da atleta, Afogados da Ingazeira. Outros compareceram com faixas com mensagens de apoio e carinho. A tradicional figura do cangaceiro, emblemática do sertão pernambucano, também foi relembrada no terminal aeroportuário, que, por alguns momentos, tornou-se uma extensão do interior do estado.

O clima de festa no desembarque de Yane Marques se estendeu pelas ruas do Recife, por onde ela desfilou num carro do Corpo de Bombeiro, como heroína, hoje um orgulho para o Brasil, para Pernambuco e em especial para Afogados de Ingazeira.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Aos 28 anos, a loira (ou galega, como os pernambucanos costumam dizer) de olhos azuis, traço físico comum entre os sertanejos, mostrou ao mundo que a “força sertaneja” apontada por Euclides não era só ficção.

A participação de Yane Marques nas Olimpíadas de Londres ocorreu no último dia do evento. A pernambucana, nem de longe favorita ao pódio, sobretudo por sua atuação nas Olimpíadas de Pequim (18ª colocação, em 2008), colocou em prática toda a preparação dos últimos quatro anos e garantiu a medalha graças à regularidade que manteve nas cinco provas do pentatlo moderno.

Agora, a medalha de bronze de Yane Marques em Londres irá se juntar às medalhas de ouro (Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007, e Aberto de França, este ano) e prata (Pan-Americano de Guadalajara, em 2011).

A pernambucana acumula sonhos. O maior deles é o de ver mais brasileiros participando do pentatlo moderno nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, quando pretende encerrar a carreira, quem sabe levando ao pescoço uma medalha de Ouro. Na Inglaterra, Yane foi a única representante nacional na modalidade.