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15 de nov. de 2014

Lula e Dilma sempre souberam - O Estado de S.Paulo - Editorial

BRASIL – Opinião
Lula e Dilma sempre souberam
Lula, com o óbvio conhecimento de Dilma, ignorou solenemente o acórdão do TCU que apontava graves irregularidades em obras da Petrobrás e vetou os dispositivos da lei orçamentária que, acatando a recomendação do Tribunal de Contas, impediam os repasses considerados superfaturados.

Foto: Rahel Patrasso/ Futura Press - modificado p/Toinho de Passira

Postado por Toinho de Passira
Fonte:  O Estado de S.Paulo - Editorial

Em janeiro de 2010, quando ocupava a Presidência da República e Dilma Rousseff era ministra-chefe da Casa Civil, Lula vetou os dispositivos da lei orçamentária aprovada pelo Congresso que bloqueavam o pagamento de despesas de contratos da Petrobrás consideradas superfaturadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Lula sabia exatamente o que estava fazendo, tanto que se empenhou em justificar longamente sua decisão, na mensagem de veto encaminhada ao Congresso. E é impossível que Dilma Rousseff ignorasse o assunto, pois o veto foi encaminhado ao Congresso pela Mensagem n.º 41, de 26/1/2010, da Casa Civil.

Até um cego enxerga que os governos petistas permitiram, quando não estimularam, as irregularidades na Petrobrás. E agora está claro e confirmado que Lula e Dilma não desconheciam o assalto à maior empresa brasileira. Tudo está registrado no Diário Oficial da União.

As evidências são abundantes, resultado do trabalho do TCU, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal (PF) e também do Congresso Nacional. E agora a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobrás, faz um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por corrupção por ter feito "pagamentos indevidos" para obter contratos no Brasil, na Guiné Equatorial e em Angola. Os pagamentos incluem US$ 139 milhões relativos a contratos com a estatal brasileira. No Brasil, o assunto já é objeto de investigação pela CGU.

Sempre que é questionada sobre os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobrás, Dilma alega que os "malfeitos" aparecem porque ela própria "manda investigar", como se o TCU, a CGU e a PF dependessem de ordem direta da Presidência da República para cumprir suas obrigações constitucionais.

Ao contrário de "mandar" investigar, o governo tem feito o contrário, tentando, por exemplo, esvaziar o trabalho das duas comissões de inquérito do Congresso ou vetando medidas profiláticas como as sugeridas pelo TCU.

O vínculo do PT com a corrupção na gestão da coisa pública não se explica apenas pela vocação de notórios larápios, mas principalmente pela marota convicção de que, num ambiente dominado pelos famosos "300 picaretas", é indispensável dispor sempre de "algum" para ajeitar as coisas. Em outras palavras: a governabilidade exige engrenagens bem azeitadas.

Pois foi exatamente com esse espírito que Lula, com o óbvio conhecimento de Dilma, ignorou solenemente o acórdão do TCU que apontava graves irregularidades em obras da Petrobrás e vetou os dispositivos da lei orçamentária que, acatando a recomendação do Tribunal de Contas, impediam os repasses considerados superfaturados. Só com isso, Lula permitiu a liberação de R$ 13,1 bilhões para quatro obras da Petrobrás, dos quais R$ 6,1 bilhões eram destinados à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Ao vetar, "por contrariedade ao interesse público", os dispositivos da lei de meios que coibiam a bandalheira, Lula argumentou que a aceitação das recomendações do TCU sobre as quatro obras implicaria "a paralisação delas, com prejuízo imediato de aproximadamente 25 mil empregos e custos mensais da ordem de R$ 268 milhões, além de outros decorrentes da desmobilização e da degradação de trabalhos já realizados". Ou seja, a corrupção embutida nos contratos da Petrobrás, comprovada pelo TCU, seria um mal menor. Perfeitamente aceitável para quem acredita e apregoa que "excessos de moralismo" são coisas de "udenistas" e "burgueses reacionários".

Mesmo se admitindo - só para argumentar e na mais indulgente das hipóteses - que o veto de Lula, afinal, tenha beneficiado o interesse público, é o caso de perguntar: o que foi feito, daí para a frente, para coibir os notórios "malfeitos" na Petrobrás? Os operadores da bandalheira permaneceram rigorosamente intocados, enriquecendo e distribuindo o dinheiro da Petrobrás para políticos amigos até o fim do mandato de Lula.

Depois de assumir o governo, Dilma jamais deu importância ao assunto publicamente, limitando-se a garantir que "mandou apurar" tudo.

14 de set. de 2014

Editorial Veja diz que o programa eleitoral de Dilma na TV é uma “inescrupulosa sucessão de mentiras, exageros, manipulações e acusações falsas a Marina Silva

BRASIL - Eleição 2014
Editorial Veja diz que o programa eleitoral de Dilma na TV é uma “inescrupulosa sucessão de mentiras, exageros, manipulações e acusações falsas a Marina Silva”
A VEJA desta semana traz uma reportagem com o elenco das formidáveis mentiras e difamações que o PT está levando ao horário eleitoral gratuito. Abaixo, reproduzo a “Carta ao Leitor”, que traz uma reflexão adicional importantíssima. Dados os 12 minutos e 24 segundos que o partido tem à sua disposição, a gente entende como seria a “mídia socialmente controlada”… pelos companheiros. – comenta Reinaldo Azevedo


...como no programa de Dilma, produz mentiras, exageros e manipulações

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma Rousseff, do PT, tem direito a onze minutos e 24 segundos de tempo de televisão gratuito para fazer sua campanha de reeleição à Presidência da República. Marina Silva, do PSB, tem dois minutos e três segundos. Isso não é certo nem errado. É o que determina a lei eleitoral.

Dilma tem mais tempo porque a coligação de partidos que a apoiam é mais numerosa do que a de Marina. Mas o que Dilma fala e o que tem deixado de veicular em seu programa eleitoral é de responsabilidade exclusiva dela.

Uma reportagem desta edição de veja mostra que Dilma e o PT está preenchendo seus onze minutos e 24 segundos de Programa com uma inescrupulosa sucessão de mentiras, exageros, manipulações e acusações falsas a Marina Silva.

São imagens e narrações feitas para ludibriar o eleitor, e não para esclarecê-lo sobre os reais pontos fracos da adversária, o que seria altamente desejável em uma campanha eleitoral curta e tão cheia de surpresas quanto a deste ano.

Mas não. O PT foge do confronto de ideias. O partido recorre a trucagens baratas em que pratos de comida somem de repente da mesa de pessoas enquanto o narrador explica que isso é que vai acontecer se Marina ganhar e der independência ao Banco Central.

Em outra passagem, é o conteúdo dos livros que desaparece em passe de mágica das mãos das crianças, o que o PT assegura ocorrerá com a educação se Marina vencer.

O PT deve saber que tipo de eleitor se deixa convencer por esse discurso baseado em premissas falsas e conclusões terroristas. Essa abordagem pode até ter efeitos eleitoreiros, mas desserve a nação e desmoraliza o processo eleitoral.

No programa de Dilma, o PT mostra o que é capaz de fazer quando lhe é dada a oportunidade, na plenitude, de exercer o seu tão almejado controle social dos meios de comunicação. E o que o PT produz quando controla a mídia? Mentiras, exageros, manipulações e acusações falsas, que fariam a desgraça de qualquer órgão de imprensa sério e independente.

Felizmente vivemos na democracia e VEJA, mais uma vez, cumpre seu papel nela, desmascarando mentiras dadas como verdades. Esse é nosso compromisso com o leitor e vamos preservar.

12 de set. de 2014

Um debate abastardado – Editorial Estadão

BRASIL – Opinião
Um debate abastardado
A troca de desaforos terminou - ou ficou interrompida - com Marina perdendo o prumo. "O Banco Central autônomo", argumentou, juntando tudo e misturando, "é para ter autonomia dos grupos que acabaram com a Petrobrás."

Charge: Clayton - O Povo (CE)

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Estadão Editorial

O Seria engraçada se não fosse deplorável a troca de acusações entre as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva sobre quem é mais submissa aos banqueiros. Começou, como sabem todos quantos tiveram a desventura de ouvi-las, com um ataque rombudo da presidente à promessa da adversária de que, eleita, encaminhará projeto de lei para tornar o Banco Central (BC) autônomo em relação aos governos de turno e ao Congresso Nacional.

Em um vídeo de propaganda, na segunda-feira à noite, Dilma se pôs a "explicar" ao público o que significaria, no seu entender, o que "parece algo distante da vida da gente, né?". Seria nada menos do que "entregar aos banqueiros" um poder imenso "sobre a sua vida e a de sua família". Seu fiel escudeiro, Marco Aurélio Garcia, completou a estultícia: "Se houver essa independência, que será a dependência dos bancos privados, teremos a impossibilidade de formular políticas macroeconômicas e de desenvolvimento".

Marina replicou por baixo; fulanizou a discussão, disparando que "nunca os banqueiros ganharam tanto" como no atual governo, graças à "bolsa empresário", à "bolsa banqueiro", à "bolsa juros altos". Trata-se de uma rajada de despropósitos, a começar do primeiro, que deve ter caído no meio empresarial, que carrega um caminhão de justas queixas da assim chamada política econômica, como uma massagem de sal nas suas feridas. De mais a mais, funcionando como funciona o BC, a inflação supera a meta e a economia cambaleia entre a recessão e um pífio crescimento de menos de 1%.

A personalização da pendenga era tudo o que Dilma queria, desde que tomou a decisão (ou tomaram por ela) de partir para cima da rival, trocando as luvas pelo soco inglês. A campanha da presidente parece ter concluído que as suas chances de dar a volta por cima no segundo turno, desmentindo as pesquisas que apontam a vitória da pregadora da "nova política", variam na razão direta da competência de Dilma em oxidar a aura graças à qual a ex-petista, concorrendo pelo Partido Verde, colheu desconcertantes 19,6 milhões de votos na disputa de 2010. A presidente há de ter intuído que, se é para falar em banqueiros - atrás apenas dos políticos entre os campeões do desafeto nacional, especialmente na população mais pobre -, o negócio é vincular a desafiante aos vice-líderes desse inglório duelo. E mandou ver.

"Não adianta querer falar que eu fiz 'bolsa banqueiro'", retrucou. "Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro me sustentando." É preciso ser muito desinformado para ignorar a pontiaguda alusão à educadora Maria Alice Setubal, a Neca, cujo irmão Roberto preside o Itaú Unibanco, o que a torna herdeira da instituição. Amiga de longa data de Marina, ela coordena o seu programa de governo e faz a ponte entre a candidata e o empresariado (que a olhava de soslaio quando era vice na chapa de Eduardo Campos). Segundo a Folha de S.Paulo, no ano passado Neca doou perto de R$ 1 milhão para um instituto criado por Marina para desenvolver projetos sobre sustentabilidade. O valor equivale a 83% do total arrecadado no período.

A troca de desaforos terminou - ou ficou interrompida - com Marina perdendo o prumo. "O Banco Central autônomo", argumentou, juntando tudo e misturando, "é para ter autonomia dos grupos que acabaram com a Petrobrás." Mas isso é o de menos. O de mais é que é de pasmar: a naturalidade com que as candidatas mais cotadas para adentrar ou permanecer no Planalto em 2015 se puseram a abastardar um debate de grande importância para a condução do Brasil - como é naqueles países com os quais aspiramos a ser comparados. O grau de liberdade da autoridade monetária não apenas para fixar a taxa básica de juros, mas também a política de câmbio, além de zelar pela integridade do sistema financeiro, não deveria ser objeto de tiradas marqueteiras.

A escassa familiaridade da grande maioria dos brasileiros com o assunto deveria ser um motivo a mais para que os presidenciáveis se guardassem de usá-lo como tacape eleitoral. Fazendo a coisa errada, escancaram a pobreza substantiva das suas campanhas. A videopolítica, que privilegia o componente pessoal da competição pelo voto sobre o que efetivamente os competidores têm a oferecer ao País, completa o desserviço.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

8 de set. de 2014

As coisas podem não ser o que parecem: votar em Marina pode não significar tirar o PT do poder

BRASIL - Opinião
As coisas podem não ser o que parecem:
votar em Marina pode não significar tirar o PT do poder
Lula parou para pensar em si mesmo, entregar os anéis para salvar os dedos e se concentrar em 2018, quando ele próprio poderá tentar, com o prestígio popular que lhe tiver restado, uma volta triunfal ao Palácio do Planalto. E, pelo que dizem ser seus cálculos, a eleição de Marina Silva agora pode ser mais útil a esse objetivo do que a reeleição de Dilma.

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Lula em comício de Dilma em Recife. Cumprindo tabela?

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Estadão - Editorial

É cada vez menor o número dos que não duvidam hoje da derrota de Dilma Rousseff nas urnas de outubro. Mas a probabilidade da vitória de Marina Silva poderá resultar em enorme decepção para quem acredita que o voto na ex-senadora é o melhor caminho para livrar o País do lulopetismo. Esta é a conclusão a que têm chegado, nos círculos políticos de Brasília, petistas e não petistas com algum acesso a Lula, a partir da análise de seu comportamento diante de um quadro eleitoral que era impensável pouco tempo atrás.

Não é de hoje, garantem seus seguidores mais chegados, que Lula perdeu a paciência com a campanha da reeleição de Dilma. E não se trata nem de discordar da estratégia, se é que se pode chamar assim, que a presidente e seu círculo de assessores diretos impuseram à disputa. Aos mais íntimos o ex-presidente se tem permitido expressar irritada decepção com a falta de competência política e de carisma de sua criatura. Afirma mesmo, como se não tivesse nada a ver com isso, que ela "não é do ramo".

Diante do provável revés, Lula se esforça para disfarçar o mau humor com um comportamento discreto que o tem levado, para usar uma expressão futebolística tão a seu gosto, a simplesmente "cumprir tabela" na campanha. Mesmo porque uma omissão ostensiva seria inadmissível e a estridência crítica seria contraproducente.

Lula, portanto, parou para pensar em si mesmo, entregar os anéis para salvar os dedos e se concentrar em 2018, quando ele próprio poderá tentar, com o prestígio popular que lhe tiver restado, uma volta triunfal ao Palácio do Planalto. E, pelo que dizem ser seus cálculos, a eleição de Marina Silva agora pode ser mais útil a esse objetivo do que a reeleição de Dilma.

Dilma Rousseff entregará a seu sucessor um país em situação muito pior do que aquele que recebeu de Lula há quatro anos. Os indicadores econômicos, financeiros e sociais revelam essa lamentável realidade. O próximo ocupante da cadeira presidencial receberá uma verdadeira herança maldita.

Reeleita, Dilma terá de mostrar uma competência que já provou não ter para evitar que a inflação estoure, a recessão econômica se instale, os programas sociais definhem e a companheirada em desespero piore as coisas tentando "salvar o seu". E aí provavelmente nem mesmo Lula seria capaz de operar o milagre de manter o PT no poder em 2018.

Já Marina Silva na Presidência, com um programa repleto de boas intenções, mas sem nenhuma perspectiva concreta de apoio parlamentar para aprová-lo e de uma ampla e competente equipe técnica para realizá-lo, seria presa fácil de um PT que, na oposição, estaria à vontade para fazer aquilo em que é especialista: atacar, destruir. E depois de devidamente demolida a imagem de Marina, Lula poderia surgir, mais uma vez, como salvador da pátria.

Mas haveria ainda, segundo essas maquinações, uma segunda hipótese: governar com o PT. Marina não ignora as dificuldades que terá pela frente e tentará garantir o apoio de forças políticas que possam fazer diferença em seu governo. Petistas ou tucanos dariam a Marina apoio decisivo semelhante àquele que o PMDB oferece hoje a Dilma.

Mas PT e PSDB dificilmente comporiam juntos uma base de apoio confiável. E, mesmo que os tucanos venham a apoiar Marina num eventual segundo turno contra Dilma, toda a história política da ex-senadora dentro do PT e a aversão aos tucanos que ela não se preocupa em disfarçar indicam que seus parceiros preferenciais seriam os petistas.

Reforçaria essa hipótese o fato de que Marina tem feito acenos de boa vontade a Lula, como a reiterada manifestação de que não seria candidata à reeleição em 2018 e de que estaria disposta a não desalojar completamente o PT de seu governo, promessa implícita na garantia de que pretende governar "com todos os partidos".

Seja como for, Lula parece estar assimilando bem - e talvez até desejando - uma vitória de Marina Silva, que trabalharia para caracterizar como uma derrota de Dilma e não do PT. E o PT estaria, tanto quanto seu líder máximo, preservado do inevitável desgaste de mais quatro anos de barbeiragens políticas e administrativas.

A ser isso verdade, votar em Marina com a intenção de cravar uma bala de prata no coração do lulopetismo seria comprar gato por lebre.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

31 de ago. de 2014

Antessala do desemprego - Editorial Correio Braziliense

BRASIL - Economia
Antessala do desemprego
No Brasil, enquanto a indústria vem perdendo espaço (responde hoje por pouco mais de 16% da economia), a expansão dos serviços garantiu participação próxima de 70%. No segundo trimestre, o despenho dos serviços foi negativo em 0,5%, o pior desempenho desde o auge da crise mundial de 2008 (-2,8%).

Postado por Toinho de Passira
Editorial Correio Braziliense

A verdade dos fatos volta a avisar que a economia brasileira vai muito mal. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6% no segundo trimestre, derrubando previsões cor-de-rosa que o governo insistia em fazer ante o mau resultado (crescimento de 0,2%) dos três primeiros meses. Até então, o país estaria em trajetória de crescimento, ainda que lento. Era esse o discurso, mas nem isso se sustentou: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo, revisou para -0,2% a taxa.

Essa revisão é normal e tecnicamente recomendável. Dela resultou que a economia brasileira, que nos últimos três anos vinha desacelerando, está há seis meses andando para trás. A esta altura, é ocioso discutir se estamos ou não em recessão técnica (quando a taxa de crescimento é negativa por dois trimestres seguidos). O que importa é que, mesmo que haja algum refresco no terceiro e no quarto trimestres, 2014 está fadado a fechar um ciclo de quatro anos de baixo desempenho econômico.

No trimestre encerrado em junho, os feriados da Copa do Mundo e supostos respingos da crise mundial estão sendo culpados pelo desastre. É certamente um exagero de quem não pretende, por motivos de calendário eleitoral, reconhecer erros de condução da política econômica, que se acumularam nos últimos anos. Mais sensato e mais construtivo será encarar o problema e buscar coesão para corrigir o rumo e inverter a escalada que põe em risco os empregos e a renda, conquistas que precisam ser mantidas.

Olhar mais crítico sobre os números do trimestre constata mais uma queda na atividade da indústria, que recuou 1,5%, ampliando o já longo ciclo de perdas de competitividade do setor. Além de grande geradora de empregos formais, a indústria é tradicional investidora em expansão e em modernização de equipamentos.

Mas não é isso o que vem ocorrendo: os investimentos, que deveriam ser um dos motores do crescimento do PIB, recuaram 5,3% no trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Pior: na comparação com igual período de 2013, a queda foi 11,3%. Isso revela o nível da desconfiança da indústria numa reação da economia brasileira e na capacidade do governo de criar as condições para a retomada do crescimento em prazo razoável.

Outro dado preocupante que merece reflexão foi o desempenho dos serviços. Como ocorre com a maioria das economias de nações mais urbanizadas, esse é o setor que cresce mais rápido e mais aumenta a participação relativa no PIB. No Brasil, enquanto a indústria vem perdendo espaço (responde hoje por pouco mais de 16% da economia), a expansão dos serviços garantiu participação próxima de 70%. No segundo trimestre, o despenho dos serviços foi negativo em 0,5%, o pior desempenho desde o auge da crise mundial de 2008 (-2,8%).

Parte do recuo pode ter sido um dos efeitos perversos da Copa. Só parte. É relevante lembrar que se trata de atividade diretamente ligada ao aumento da renda da população. Nele estão as faculdades e colégios particulares, os restaurantes, o entretenimento, os cuidados com a saúde e com a beleza, para citar algumas demandas, que, não faz muito tempo, passaram a fazer parte da vida de milhões de consumidores. Será imperdoável perder tudo isso por omissão ou incapacidade de conduzir política econômica que favoreça o crescimento.

23 de ago. de 2014

Marina - a candidata impõe medo - Editorial Estadão

BRASIL - Opinião
Marina - a candidata impõe medo
Procedem as dúvidas sobre como se haverá no poder uma pessoa que dá motivos para crer que se julga eleita por Deus - o que esteve perto de afirmar depois da tragédia com o voo no qual também ela poderia ter viajado, que vitimou o candidato Eduardo Campos

Foto: Divulgação

Marina, depois de se fazer hospedar pelo partido, (PSB) para não ficar à margem da sucessão presidencial, em poucos dias resolveu tornar-se ela a dona da casa.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Editorial - Estadão

Para usar um verbo que há de fazer parte do seu léxico peculiar, a candidata Marina Silva se pôs a subsumir o PSB na sua Rede Sustentabilidade, como se o movimento que ela não logrou transformar em partido no ano passado fosse maior que a histórica legenda socialista, criada em 1947, 11 anos antes do nascimento da ex-senadora e ex-ministra. Na constelação partidária brasileira, o PSB de que os marineiros procuram se apropriar decerto não é nenhuma estrela de primeira grandeza.

Ainda assim, tendo saído das urnas de 2010 com 5 governadores (entre eles o pernambucano Eduardo Campos, morto na semana passada), 4 senadores e 34 deputados federais (acentuando uma ininterrupta curva de crescimento a contar de 2002), é uma potência política média. A essa condição a Rede só poderá aspirar em futuro incerto e não sabido, mesmo se conseguir no próximo ano coletar as assinaturas exigidas pela Justiça Eleitoral para ser incluída no sistema partidário nacional - cerca de 500 mil, atualmente.

Parafraseando o veterano militante socialista Carlos Siqueira, coordenador-geral da operação que, por força de trágica circunstância, deixou de ser a de Eduardo Campos, Marina, depois de se fazer hospedar pelo partido, para não ficar à margem da sucessão presidencial, em poucos dias resolveu tornar-se ela a dona da casa. Argumentando que a candidata a vice, alçada pelo imponderável a titular da chapa ao Planalto, "está longe de representar o legado de Eduardo", Siqueira saiu da campanha batendo a porta com força.

Com notável sem-cerimônia, de fato, Marina não perdera tempo para colocar os seus principais aliados no controle compartilhado da empreitada - a coordenação e o setor financeiro. Para aplacar a velha guarda, a direção da legenda entregou a coordenação à deputada federal Luiza Erundina, amiga próxima da candidata. Tensões do gênero não são incomuns em comitês eleitorais mesmo quando o candidato não é um adventício na sigla que o sagrou. É provável que o personalismo de Marina - que a sua aureolada imagem pública esconde - dê origem a novos atritos, em prejuízo do engajamento dos antigos eduardistas.

Mas isso não deverá passar de marola enquanto ela continuar a ser percebida - no partido, entre os analistas eleitorais, na mídia e pelos próprios oponentes - como tendo chances efetivas não apenas de chegar ao segundo turno, mas de enfrentar de igual para igual a presidente Dilma Rousseff. Essa visão resulta da pesquisa do Datafolha que a emparelhou com o tucano Aécio Neves na segunda posição graças aos votos de parte ponderável dos eleitores até então indecisos ou propensos a invalidar o voto. Na mesma sondagem, em um tira-teima com Dilma, Marina termina à frente com 4 pontos de vantagem, no limite da margem de erro.

Tais números - que estariam sendo confirmados por levantamentos para uso interno do governo, partidos e setores empresariais - disseminaram o medo entre os adversários. No jargão da imprensa, acendeu-se no PT a "luz amarela", no PSDB, a "luz vermelha. Para não incorrer na ira dos eleitores que praticamente veneram Marina, Dilma e Aécio se guardam de criticá-la, cada qual esperando que o outro tome a iniciativa. Se esse temor reverencial perdurar nos debates televisivos marcados para a próxima terça-feira (Rede Bandeirantes) e na segunda seguinte (SBT), ficando limitadas à petista e ao tucano as cobranças recíprocas, a omissão será um ato de lesa-eleitor.

Isso porque ele não será levado a se perguntar que presidente da República poderá ser a candidata que ninguém ousa confrontar. Pelo que se vê, para começar, ela não terá a menor aptidão para constituir um equipe para tocar o dia a dia do governo, sem o que as melhores promessas e os mais avançados programas se desmancham no ar. Além disso, procedem as dúvidas sobre como se haverá no poder uma pessoa que dá motivos para crer que se julga eleita por Deus - o que esteve perto de afirmar depois da tragédia com o voo no qual também ela poderia ter viajado.

Cabe indagar ainda como, avessa à "velha política", enfrentará a servidão de chefiar um governo sem maioria parlamentar. Marina presidente é prenúncio de uma crise depois da outra.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

18 de mai. de 2013

ESTADÃO: Lula e a falta de ética

BRASIL - Opinião
Lula e a falta de ética
“Durante oito anos, Lula não conseguiu enxergar criminosos em seu governo. Via, no máximo, "aloprados", cujas cabeças nunca deixou de afagar. O nível de sua tolerância com os "malfeitos" refletiu-se no trabalho que Dilma Rousseff teve, no primeiro ano de seu mandato, para fazer uma "faxina" nos altos escalões do governo.”

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

"Durante oito anos, Lula não conseguiu enxergar criminosos em seu governo".

Postado por Toinho de Passira
O Estado de S.Paulo- Editorial
Fonte: Estadão

Sob o comando de Lula, o PT antecipou o início da campanha presidencial, cuja eleição se realiza daqui a 17 meses, de modo que tudo o que as lideranças do partido e do governo fazem e dizem deve ser considerado de uma perspectiva predominantemente eleitoral. E desse ponto de vista ganham importância as mais recentes declarações do chefe do PT que, do alto de seu irreprimível sentimento de onipotência, anda sendo acometido por surpreendentes surtos de franqueza. No lançamento de um livro hagiográfico dos 10 anos de governo petista, Lula garantiu que não existe político "irretocável do ponto de vista do comportamento moral e ético". "Não existe", reiterou. Vale como confissão.

Lula está errado. O que ele afirma serve mesmo é para comprovar os seus próprios defeitos. Seus oito anos na chefia do governo foram de uma dedicação exemplar à tarefa de mediocrizar o exercício da política, transformando-a, como nunca antes na história deste país, em nome de um equivocado conceito de governabilidade, num balcão de negócios cuja expressão máxima foi o episódio do mensalão.

É claro que Lula e o PT não inventaram o toma lá dá cá, a corrupção ativa e passiva, o peculato, a formação de quadrilha na vida pública. Apenas banalizaram a prática desses "malfeitos", sob o pretexto de criar condições para o desenvolvimento de um programa "popular" de combate às injustiças e à desigualdade social. Durante oito anos, Lula não conseguiu enxergar criminosos em seu governo. Via, no máximo, "aloprados", cujas cabeças nunca deixou de afagar. O nível de sua tolerância com os "malfeitos" refletiu-se no trabalho que Dilma Rousseff teve, no primeiro ano de seu mandato, para fazer uma "faxina" nos altos escalões do governo.

O que Lula pretende com suas destrambelhadas declarações sobre moral e ética na política é rebaixar a seu nível as relativamente pouco numerosas, mas sem dúvida alguma existentes, figuras combativas de políticos brasileiros que se esforçam - nos partidos, nos três níveis de governo, no Parlamento - para manter padrões de retidão e honestidade na política e na administração pública.

O verdadeiro espírito público não admite mistificação, manipulação, malversação. Ser tolerante com práticas imorais e antiéticas na vida pública pode até estigmatizar como réprobos aqueles que se recusam a se tornar autores ou cúmplices de atos que a consciência cívica da sociedade - e as leis - condenam. Mas não há índice de popularidade, por mais alto que seja, capaz de absolver indefinidamente os espertalhões bons de bico que exploram a miséria humana em benefício próprio. Aquela tolerância, afinal, caracteriza uma ofensa inominável não só aos políticos de genuíno espírito público que o País ainda pode se orgulhar de possuir, como à imensa maioria dos brasileiros que na sua vida diária mantêm inatacável padrão de honradez e dignidade.

Não é à toa que as manifestações públicas de Luiz Inácio Lula da Silva, além das manifestações de crescente megalomania, reservam sempre um bom espaço para o ataque aos "inimigos". A imagem de Lula, o benfeitor da Pátria, necessita sobressair-se no permanente confronto com antagonistas. Na política externa, são os Estados Unidos. Aqui dentro, multiplicam-se, sempre sob a qualificação depreciativa de "direita". Mas o alvo predileto é a mídia "monopolista" e "golpista" que se recusa a endossar tudo o que emana do lulopetismo.

Uma das últimas pérolas do repertório lulista é antológica: "Acho que determinados setores da comunicação estão exilados dentro do Brasil. Eles não estão compreendendo o que está acontecendo". Essa obsessão no ataque à imprensa, que frequentemente se materializa na tentativa de impor o "controle social" da mídia no melhor estilo "bolivariano" - intenção a qual a presidente Dilma, faça-se justiça, tem se mantido firmemente refratária -, só não explica como, tendo a conspirar contra si todo o aparato de comunicação do País, o lulopetismo logrou vencer três eleições presidenciais consecutivas. O fato é que Lula e seus seguidores não se contentam com menos do que a unanimidade.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

1 de jan. de 2013

Entre os votos de feliz 2013 e a realidade - Editorial - O Globo

Entre os votos de feliz 2013 e a realidade - Editorial - O Globo

BRASIL - Opinião
Missão estratégica de Ano Novo para o governo deve ser uma autocrítica para entender por que não consegue levar o empresariado a investir.

Charge: Jean Galvão - Folha de S. Paulo (SP)

Postado por Toinho de Passira
Editorial - O Globo
Fonte: O Globo

Em um balanço de fim de ano, o ministro da Secretaria Geral da presidência, Gilberto Carvalho, ponte entre o PT lulista e a presidente Dilma, confessou que o governo ficou “perplexo” com o baixo crescimento da economia em 2012. Na entrevista, concedida ao programa “É Notícia”, da Rede TV, Gilberto Carvalho disse, ainda, na tentativa de contrabalançar a frustração com o resultado ruim da política econômica no ano passado, que talvez a metodologia de cálculo do PIB seguida pelo IBGE não tenha captado todos os movimentos da produção. E que, por isso, o assunto estará em pauta no governo, para se saber se a anêmica evolução do país em 2012 foi mesmo “real”.

Duas impropriedades nas percepções ministeriais. Uma delas, a que, diante da febre alta, passa-se a culpar o termômetro, conhecido cacoete de governantes diante de más notícias. A suspeita sobre os métodos de aferição do “pibinho” calculado pelo IBGE, nascida no Ministério da Fazenda, pode até fazer sentido técnico — só saberemos disso nas revisões periódicas que o IBGE faz de seus indicadores —, mas causa temores de que se possa pensar em seguir o desastroso caminho argentino de intervir politicamente na aferição de índices. Numa visão otimista, estimulada pelo clima de Ano Novo, estamos a léguas de distância deste desastre — devido à sensatez do Planalto e ao merecido respeito técnico ao IBGE. Esperamos.

Outra impropriedade é a perplexidade revelada pelo ministro. Ora, ela não faz sentido, pois há meses analistas alertam que a política de incentivo ao consumo havia se esgotado. Os cortes de IPI para vários bens (veículos, linha branca) já tinham antecipado o consumo ao limite, e o endividamento das famílias atingira o teto. A hora era, portanto, mais do que nunca, de estímulo ao investimento. E continua a ser.

Não que o governo rejeite estimular os investimentos na ampliação da capacidade produtiva e numa depauperada infraestrutura. Ele dá sinais é de não saber como fazê-lo. O importante dever de casa do corte dos juros está feito ou quase. Mas não basta. Se bastasse, os Estados Unidos, há tempos com os juros básicos quase zero, já ostentariam grande vitalidade econômica.

Este ano, o governo precisa, mais uma vez, aprender fazendo. Projeta-se um crescimento de 3%, nada mal diante do cerca de 1% de 2012. Mas, até por efeito estatístico — a base de comparação é baixa —, não deve ser difícil chegar a este nível.

A questão é como elevar a poupança (19% do PIB) e, por tabela, a ínfima taxa de investimento (18,7%). O Planalto não tem despertado o “espírito animal”, termo de Keynes, do empresariado, para levá-lo a assumir riscos. Este aconselhável exercício oficial de autocrítica deveria passar, no mínimo, pelas ações estabanadas de intervenção em mercados e nos maus agouros que trazem o fato de, mesmo com um “pibinho”, a inflação se aproximar dos 6%, um ponto e meio acima do centro da meta. Esta mistura sempre foi indigesta.

2 de mar. de 2012

FOGO AMIGO: Disputa paralisa Banco do Brasil e Previ

OPINIÃO
FOGO AMIGO: Disputa paralisa Banco do Brasil e Previ
A lambança armada na disputa de poder entre executivos de primeiro escalão do Banco do Brasil (BB) e da bilionária caixa de previdência dos funcionários da casa - a Previ - parece ter levado ao limite a tolerância da chefe do governo com aquilo que ela própria costuma chamar, eufemisticamente, de "malfeitos". – diz o Estadão num editorial Intitulado de “A grande Lambança”. “O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, é desafeto declarado do presidente da Previ, Ricardo Flores, que conta com o apoio de gente importante do PT. E a desafeição é recíproca. Engalfinharam-se, então, numa disputa pública que ultrapassou o limiar da baixaria ...”


Presidente do Banco do Brasil, Ademir Bendine e o presidente da Previdência, Ricardo Flores

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Editorial "Estadão", Veja

A disputa entre a cúpula do Banco do Brasil e da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco) começa a paralisar as atividades de ambos, aumentando a pressão para que o governo imponha logo um desfecho para o caso. O Planalto, que tentava pôr panos quentes na briga, já cogita demitir executivos.

Fontes disseram que a definição de negócios importantes tem ficado em segundo plano na medida em que a avaliação dos estragos causados pelo vazamento de informações sobre a briga entre Aldemir Bendine e Ricardo Flores, presidentes do BB e da Previ, respectivamente, tem tomado tempo dos executivos. "Está tudo parado. Essa confusão paralisa", disse uma fonte próxima à Previ. No BB, reuniões do alto comando têm sido quase diárias para discutir o assunto, revelou uma fonte ligada ao banco. A repercussão da disputa levou a presidente Dilma Rousseff a exigir que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, padrinho de Bendine, intervenha para resolver o assunto ainda nesta quarta-feira.

Demissão – No início da semana, parlamentares petistas tentavam manter Flores, próximo à ala paulista do partido e ao PMDB, no cargo. No início da tarde desta quarta-feira, no entanto, alguns já admitiam que ele seria afastado por ordem do Planalto. “Mas não deve ser o único”, disse uma fonte do partido, indicando que o PT estaria exigindo também a saída do atual vice-presidente de governo do BB, Ricardo Oliveira – ligado a Bendine e a Mantega e tido como um dos responsáveis pela briga ter chegado a este ponto.

Com o escândalo ganhando maior contorno, outras fontes admitiam a possibilidade de o desfecho do assunto vir com a demissão simultânea de Flores e de Oliveira ainda nesta noite. Uma fonte do governo negou, no entanto, que demissões fossem iminentes. Em vez disso, a presidente Dilma teria determinado o fim das disputas, considerando que o bom desempenho de BB e da Previ não justificaria uma atitude mais extrema.

Conflito se agrava – A briga ganhou contornos mais graves nesta terça-feira, após o Ministério da Fazenda mandar o BB abrir sindicância para apurar o vazamento de dados bancários do ex-vice-presidente da área internacional da instituição, Allan Toledo. Demitido em dezembro passado. Toledo é aliado de Flores. Ontem, reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo afirmou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, identificou movimentação atípica da ordem de 1 milhão de reais em conta de Toledo.

Toledo teria sido demitido, segundo fontes, por estar arregimentando apoio entre empresários e políticos para assumir a presidência do BB. Discussões sobre sucessão no comando do maior banco da América Latina vêm crescendo nos últimos meses. Com 48 anos de idade e quase 30 de empresa, Bendine tem preparado o caminho para ser sucedido por um de seus aliados: Paulo Caffarelli, que assumiu o lugar de Toledo, ou Alexandre Abreu, hoje na vice-presidência de novos negócios, antes ocupada por Caffarelli.

Em 2010, Bendine tentou, inclusive, emplacar Caffarelli para suceder Sergio Rosa no comando da Previ, mas teve de recuar após dossiês elaborados por lideranças políticas que acusavam o indicado de irregularidades anos antes. As acusações não foram comprovadas, mas Bendine foi obrigado a aceitar Flores no posto.

PT versus PMDB – Ainda segundo fontes, existe uma queda de braço entre petistas e peemedebistas dentro do banco. "Os principais postos estão sendo alvo de cobiça de setores do PT e do PMDB, que se aproveitam das disputas entre os grupos de Bendine e de Flores", afirmou a fonte, evidenciando o aparelhamento tanto da Previ quanto do BB.

Desde que assumiu o posto no começo de 2009, em meio à crise financeira global desencadeada meses antes, Bendine comandou a compra do banco paulista Nossa Caixa e deflagrou o processo de internacionalização do grupo, com a compra do argentino Patagônia e do Eurobank, nos Estados Unidos. O banco tem hoje cerca de 1 trilhão de reais em ativos. Já a Previ, que deve divulgar nos próximos dias seus resultados de 2011, tinha no ano anterior um patrimônio de 152 bilhões de reais e era considerado pela publicação norte-americana Pensions & Investments o 24º maior fundo de pensão do mundo.


11 de fev. de 2012

Por onde andava a presidente? - Editorial - Estadão

EDITORIAL - ESTADÃO
Por onde andava a presidente?
“Anteontem, apenas na véspera de uma visita programada a um lugar chamado Missão Velha, na divisa do Ceará com Pernambuco, no trajeto da futura ferrovia Transnordestina, Dilma parece ter se dado conta de que não seria uma boa ideia armar um comício sobre a operosidade do governo justamente em um dos pontos da região onde é mais patente o seu caráter fictício: o abandono do empreendimento arde ao sol do Cariri.”

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.jpg

A presidenta viajou para tirar algumas fotos junto a grandes obras, teve que reduzir a turnê, “surpreendida”, às vésperas, com a notícia de que algumas locações do show governamental, estavam abandonadas. A gerentona não sabia?

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Estadão

Primeiro como ministra de Minas e Energia, depois como titular da Casa Civil, enfim como presidente da República, faz nove anos que Dilma Rousseff conhece as coxias do poder, o libreto da ópera e o desempenho da companhia. Ou assim seria de esperar, a menos que se considerasse desde sempre uma farsa eleitoral, montada de comum acordo pelas partes, o título de "mãe do PAC" que lhe outorgou o então presidente Lula. A honraria se destinava não só a ressaltar o seu papel de condutora do alardeado programa de obras do governo, mas principalmente a avisar o público pagante de que tinha diante de si uma administradora de talento excepcional - embora ainda insuficientemente conhecido pela maioria dos brasileiros.

Pano rápido para a aridez dos fatos que expõem a embromação das palavras. A "gerentona" - que, segundo o folclore planaltino, examina de lupa em punho todos os projetos de sua equipe, "espanca" a papelada até que ela confesse as suas fraquezas e sabe de cada iniciativa mais do que os próprios responsáveis por elas - não teve como disfarçar a verdade ocultada pela propaganda enganosa. Anteontem, apenas na véspera de uma visita programada a um lugar chamado Missão Velha, na divisa do Ceará com Pernambuco, no trajeto da futura ferrovia Transnordestina, Dilma parece ter se dado conta de que não seria uma boa ideia armar um comício sobre a operosidade do governo justamente em um dos pontos da região onde é mais patente o seu caráter fictício: o abandono do empreendimento arde ao sol do Cariri.

Decerto uma situação atípica, diria o anedótico marciano recém-chegado ao País portando braçadas de inocente boa vontade. Afinal, depois de dois períodos de estiagem financeira, no ano passado o governo liberou R$ 164,6 milhões, ou mais de 3/5 das verbas destinadas à ferrovia no exercício. Mas tanto faz. A Transnordestina está tão largada como a transposição do Rio São Francisco, que recebeu em 2011 apenas 13% do R$ 1,3 bilhão previsto. O descalabro, portanto, não se explica exclusivamente pelo ritmo dos repasses. Diante do vexame, Dilma saiu-se com um tró-ló-ló que só leva água para o moinho de todos quantos têm motivos para afirmar que a proclamada rainha da eficiência vaga erraticamente pelas veredas das decisões, sem ter a menor ideia do rumo a tomar.

"Queremos obras controladas", exigiu a presidente, como se nunca antes uma ideia dessas tivesse passado pela cabeça de um administrador público. "Não queremos saber que não deu certo (somente) no fim do ano." E anunciou, como quem promete uma revolução gerencial na área do Estado: "Pretendo sistematicamente, a partir de agora, olhar detalhadamente os prazos, queremos que (os consórcios incumbidos das obras) cumpram os prazos, teremos uma supervisão praticamente mensal". Nem a delicadeza proíbe perguntar por onde Dilma Rousseff andava desde que assumiu a chefia do governo que já integrava desde 2003.

É também forçoso indagar do que serve a prepotência com que ela trata os subordinados, quando entende que não correspondem às suas severas exigências. Afinal, a peculiar versão dilmista do que se convenciona chamar "administração por atrito" pode humilhar os interlocutores à sua mercê, mas nem por isso assenta um único tijolo no prazo devido e a custo certo. Bem feitas as contas, as limitações da presidente - impossíveis de camuflar, a esta altura - são apenas parte da história. Elas reforçam o efeito de sua decisão política de manter o esquema de arrendamento da máquina pública que, na era Lula, alcançou níveis sem precedentes. Sob o antecessor e a sucessora, o aparelho administrativo é distribuído a interessados em usar as suas engrenagens para fins diversos daqueles para os quais foram criadas.

Os vícios insanáveis dos aparatos burocráticos são velhos como o tempo. No Brasil dos anos recentes, acrescentou-se a eles uma estrutura parasitária que assegura, de partida, que tudo ande aquém e custe além da conta. É o preço que o País é levado a pagar pelo arranjo espúrio que nem sequer se explica pelos imperativos da governança, como alegam os governistas, mas para permitir ao partido no poder o controle do sistema político. O resto é consequência.


*Acrescentamos subtítulo e foto a publicação original

1 de jul. de 2010

EDITORIAL - Constituinte de Dilma é armadilha

EDITORIAL
Constituinte de Dilma é armadilha
*Não é a toa que Chávez quando enumerou os países que segue o chavismo incluiu o Brasil

Ilustração Toinho de Passira

Fonte: O Globo

A América Latina tem sido um laboratório de destilação de fórmulas de aparência democrática criadas para sufocar a democracia. O principal centro de elaboração desta alquimia é a Venezuela do coronel Hugo Chávez, o golpista frustrado de 1992, mas eleito pelo voto popular seis anos depois. Nenhum reparo a fazer, pois, se todo golpista decidisse se submeter ao teste das urnas, o continente estaria em melhores condições.

Chávez, porém, partiria para aplicar seu método populista de "democracia direta", por meio da convocação de um plebiscito para examinar a proposta de convocação de uma constituinte. O ardil está em aplicar o método logo após a vitória eleitoral, maneira infalível de garantir sem maiores riscos a criação da Câmara para rever a Constituição, e o seu controle. O modelo foi exportado para o Equador e Bolívia, onde Rafael Correa e Evo Morales, como seu inspirador, plasmaram constituições ao bel-prazer.

Pois a mesma proposta, na essência, apareceu na boca da candidata do PT, Dilma Rousseff, na entrevista concedida ao programa "Roda Viva", da TV Cultura. Não surpreende, mas serve de alerta. Não surpreende porque o transplante deste modelo chavista para o Brasil seduz o PT e parte do governo Lula há algum tempo.

Consta inclusive do programa do partido. A nacionalização do kit chavista de geração de uma "democracia" sem alternância no poder e sem liberdades republicanas produziu a ideia de convocação de uma constituinte "apenas" para executar as reformas política e tributária.

Pode-se imaginar o risco que correrá a estabilidade política e institucional do país caso regras em áreas essenciais como estas puderem ser alteradas em votações por maioria simples, numa câmara dominada pelo PT e aliados fisiológicos. E mesmo que fosse a coligação tucana.

Na entrevista, Dilma reafirmou o credo petista a favor do financiamento público de campanha e da votação em lista. São ideias muito polêmicas, pois a estatização completa dos gastos em eleição não elimina o risco do caixa dois, e o voto em lista, não individualizado, concede poder absoluto às cúpulas partidárias na escolha dos candidatos (aliás, bem ao estilo petista).

A controvérsia em torno dessas bandeiras desaconselha que possam ser tomadas decisões sobre elas numa constituinte, ainda mais contaminada pelo resultado de uma eleição presidencial. Nada garante, também, que esta constituinte não possa cometer desatinos em outros campos. E, de mais a mais, câmaras revisoras são convocadas em momentos políticos muito específicos, como o de mudança de regime, não para tratar de temas tópicos.

Se não há maioria qualificada no Congresso para rever a Carta é porque não existe consenso na sociedade em torno desta revisão. Elementar. A proposta de contornar a questão pelo atalho da constituinte exclusiva tem DNA golpista.

Na verdade, existem aperfeiçoamentos na legislação eleitoral que prescindem de mudanças constitucionais. A Lei da Ficha Limpa é um exemplo. Além disso, há dispositivos neste campo que ainda não foram suficientemente testados para ser revistos, caso do mandato de quatro anos com uma reeleição consecutiva, um dos alvos da militância que apoia Dilma. O assunto é sério, delicado, e não pode ser esquecido na agenda de debates na campanha presidencial.


*Acrescentamos subtítulo e imagem