25 de jun. de 2012

BIS: "Descompasso entre crédito e PIB deixa Brasil na zona de perigo"

BRASIL - Economia
Descompasso entre crédito e PIB deixa Brasil na zona de perigo
O relatório anual, do BIS, já havia destacado que as economias do Brasil e da Índia “desaceleraram acentuadamente”, principalmente nos setores agrícola e manufatureiro. Agora, apesar de colocar o Brasil, no grupo dos países que estão “relativamente imunes” à crise global pelo tamanho de sua economia e baixo percentual que suas exportações representam no PIB, o diretor-geral do BIS, Jaime Caruana, alerta principalmente para bolhas nos mercados de crédito e imobiliário.

Foto: Reuters

O diretor-geral do BIS, o espanhol Jaime Caruana, diz estar preocupado com o nível de endividamento das famílias brasileiras (nós também estamos)

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo

As condições monetárias globais mais flexíveis, com crescimento do crédito e do preço de ativos em algumas economias emergentes, podem levar a uma nova crise financeira, alertou neste domingo o Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements, BIS, na sigla em inglês), um espécie de banco central dos bancos centrais do mundo. A instituição sustentou, no seu relatório anual, divulgado na Basileia, que o Brasil está na zona de perigo por considerar haver um descompasso entre o crescimento do crédito e da expansão da economia.

Citou também preocupação com o nível de endividamento das famílias e das empresas brasileiras e com o forte crescimento dos preços do mercado imobiliário, sobretudo no Rio de Janeiro e São Paulo, onde o preço dos imóveis disparou.

A instituição fez um apelo para que os bancos centrais prestem mais atenção às repercussões no mundo das suas políticas internas, em sintonia com as reclamações do Brasil e de outros de que um cenário monetário muito frouxo pode desestabilizar os fluxos de capitais para os mercados emergentes.

“Isso cria riscos de desequilíbrios financeiros similares aos vistos nas economias avançadas nos anos que precederam a crise”, declarou o BIS.

O aumento do crédito muito acima do crescimento econômico é normalmente presságio de turbulência econômica. Esse é o caso quando tal descompasso supera os 6%, segundo o BIS. Na Tailândia e na Turquia, esse descompasso é de pelo menos 15%.

Brasil e Indonésia também estão na zona de perigo, com mais de 6%, de acordo com o BIS. O aumento do crédito na Argentina e na China também ultrapassou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas o descompasso deles está bem abaixo da marca de 6%.

O preço de ativos também é um problema em muitas economias emergentes, afirmou o BIS. Em alguns mercados locais brasileiros, os preços de imóveis praticamente dobraram. Em algumas cidades chinesas, os preços subiram ainda mais rápido. Outra preocupação é endividamento. O montante que lares e empresas no Brasil, China, Índia e Turquia destinam a dívidas está no seu nível mais alto desde o fim dos anos 1990, apesar das baixas taxas de juros. O BIS sustentou que uma saída é adotar medidas macroprudenciais como ação para reduzir o crescimento do crédito.

O BIS recomenda que autoridades nos países emergentes sejam rigorosas na avaliação dos riscos de seus bancos. Segundo o relatório, apesar do bom desempenho do setor bancário no mundo emergente, os booms de ativos e créditos em alguns países — entre eles o Brasil — pode ter “inflado os resultados dos bancos”. Uma saída, segundo o BIS, é uma taxa de juros mais alta, em conjunto com medidas mais rigorosas para o crédito.

“Questões sobre a sustentabilidade desses booms naturalmente levam a questões sobre a sustentabilidade do desempenho de bancos”, avalia.

Rio lidera valorização de imóveis na América Latina.

Num discurso ontem, em Basileia, onde banqueiros estavam reunidos, o diretor-geral do BIS, Jaime Caruana, alertou que o rápido crescimento no mundo emergente pode não durar.

— Mercados emergentes sentiram recentemente a tensão de um crescimento desequilibrado, e alguns estão lutando contra pressões inflacionárias. Eles não estão imunes à desaceleração global — disse Caruana.

O relatório do BIS, entretanto, coloca Brasil, Estados Unidos e Japão no grupo dos países que estão “relativamente imunes” à crise global pelo tamanho de suas economias e baixo percentual que suas exportações representam no PIB.

Resultando ou não em crise, booms nos mercados de crédito e imobiliário acabam sempre numa “má distribuição de recursos que leva muito tempo para se resolver”, diz o BIS.

Segundo o relatório, o Rio aparece como a cidade onde os preços de imóveis mais subiram na América Latina, acima de 200% desde 2007, seguido por São Paulo (um pouco mais de 175%) e Bogotá (175%). Na China, o fenômeno foi ainda maior, com preços em Pequim e Xangai quintuplicando desde 2004.


24 de jun. de 2012

Eduardo Campos sai na frente - Mary Zaidan

OPINIÃO
Eduardo Campos sai na frente
Habilidoso, jovem, mas mais experiente do que muitos - com 47 anos, já foi deputado estadual, deputado federal por três mandatos, eleito e reeleito para o Palácio das Princesas -, Campos leva todos na conversa. A começar pelo ex-presidente Lula, que o bajula descaradamente, mas pouco arranca em troca. Ao contrário, tem tomado algumas rasteiras

Foto: Eduardo Braga/SEI

Aécio em segundo plano e fora de foco, ao lado do focado Eduardo Campos

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan
Fonte: Blog do Noblat

A 100 dias das eleições municipais, poucos são os que se arriscam – a não ser por mera torcida – a fazer alguma previsão de resultado que possa ser levada a sério. Como se diz, muita água ainda vai rolar sob a ponte. Mas 2012 parece já ter pelo menos um vitorioso: o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Independentemente da performance dos candidatos de seu partido.

Habilidoso, jovem, mas mais experiente do que muitos - com 47 anos, já foi deputado estadual, deputado federal por três mandatos, eleito e reeleito para o Palácio das Princesas -, Campos leva todos na conversa. A começar pelo ex-presidente Lula, que o bajula descaradamente, mas pouco arranca em troca. Ao contrário, tem tomado algumas rasteiras.

Aliado preferencial do PT, o PSB de Campos deixa velozmente de ser coadjuvante para tornar-se protagonista.

Os exemplos de Fortaleza e Recife são simbólicos. No Ceará, o PSB aproveitou a insistência da hoje nada popular Luizianne Lins para escapar da aliança petista e lançar candidato próprio, Roberto Cláudio, apoiado pelo PMDB e PTB, e com outras nove legendas a caminho.

Também deve isolar o PT de Recife depois da lambança que culminou com a imposição de Humberto Costa como candidato em vez do atual prefeito João da Costa, vitorioso nas prévias anuladas pelos caciques do PT nacional. Na capital do estado que governa, indicou como candidato solo do PSB seu ex-secretário Geraldo Júlio, em aliança com outros 15 partidos. Línguas mais ferinas dizem que o governador até já ofereceu o posto de vice ao PT.

Em Belo Horizonte, Campos se deu ao luxo de confrontar a diretriz pétrea do petismo, que impede alianças com os tucanos. Lá, o PSB é, de novo, cabeça de chapa, com o amém do PT e do PSDB. O tucano Aécio Neves, que sonha ter Campos como vice na eleição presidencial de 2014, que se cuide. Hoje, a chapa poderia até acontecer, mas invertida.

Mas foi em São Paulo que o neto de Miguel Arraes mais perturbou. Para agradá-lo, Lula ofereceu a vaga de vice de Fernando Haddad. Mas foi o PT que escolheu a ex-petista Erundina, por quem ninguém no PSB morre de amores. Deu tudo errado, mas não para o PSB.

Erundina aceitou, voltou atrás após a foto fatídica de Lula-Haddad-Maluf, mancada única e exclusiva de Lula e do PT.

Campos jura de pés juntos que continua firme na aliança e não quer mais a vice. E não quer mesmo. Prefere, no velho e bom estilo do avô, acender velas para todos os santos, mantendo parte de sua gente ao lado do governador tucano Geraldo Alckmin. Tudo isso sem que Lula possa dar um pio.

Esse Campos, definitivamente, vai longe.


Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

EGITO: A Irmandade Mulçumana venceu a eleição

EGITO
A Irmandade Mulçumana venceu a eleição
Mohamed Mursi, o candidato da Irmandade Mulçumana, venceu o segundo turno das eleições presidenciais, e é o presidente eleito do Egito. Apesar do tom moderador, há preocupações do ocidente, que o novo mandatário, pressionados por seus apoiadores acabe por adotar um governo islâmico, similar ao exercido no Irã, agressivo contra o ocidente e ameaçador para o vizinho Israel. "O presidente Mursi vai ter um trabalho duro para controlar os diversos níveis do Estado", afirmou Elijah Zarwan, analista do Conselho Europeu para Relações Internacionais.

Foto: Tomas Munita/The New York Times

EXPLOSÃO DE ALEGRIA Seguidores de presidente eleito Mohamed Morsi celebram nas ruas do Cairo, enquanto fogos de artifício explodem na praça Tahrir

Postado por Toinho de Passira
Fontes: UOL, Reuters , BBC Brasil, The New York Times

Mohamed Mursi, um engenheiro de 60 anos, da Irmandade Muçulmana, venceu as eleições presidenciais no Egito com 51,7 por cento dos votos do segundo turno, contra os 48,27% recebidos por seu concorrente, no segundo turno do pleito, o general reformado da Aeronáutica, Ahmed Shafiq, que chegou a ser primeiro-ministro na era Mubarak.

Isso era tudo que o ocidente temia desde que a revolta egípcia que derrubou, há 16 meses, o ditador, Hosni Mubarak. Com a ascensão da Irmandade Mulçumana ao poder, certamente Israel vai ter um vizinho hostil, os Estados Unidos e a União Europeia, terão dificuldades de convivência, e o Irã ganha um forte aliado.

O conselho militar que tem governado o maior país árabe desde então havia neste mês restringido os poderes da Presidência. Assim, o chefe do Estado terá que trabalhar com o Exército numa planejada Constituição democrática, mas esse equilíbrio não está garantido, diante da intenção clara do novo governante em transformar o país numa república islâmica.

Milhares de simpatizantes e seguidores da Irmandade Muçulmana festejaram o resultado na Praça Tahrir, na capital egípcia, com bandeiras do país e com cantos de "Allahu Akbar!" (Deus é grande).

"O mundo olha para essa nação como um povo capaz de escolher livremente o seu líder", disse o líder da Irmandade Muçulmana Ahmed Abdelatti, em entrevista à imprensa, na sede do grupo político, banido no passado.

"O presidente da revolução egípcia, da segunda República, começa o seu trabalho hoje, para implementar o projeto Nahda (renascimento)", afirmou Yasser Ali, da campanha eleitoral de Mursi.

Foto: Associated Press

TOM MODERADO - Mohamed Mursi, ao falar, pela primeira como presidente eleito, neste domingo, 24. Pediu unidade e disse que carrega "uma mensagem de paz" para o mundo e prometeu preservar os acordos internacionais do Egito (uma referência ao acordo de paz com Israel?)

O presidente eleito, Mohamed Mursi, de 60 anos, é um engenheiro formado nos Estados Unidos, foi preso durante o regime de Mubarak. Ele já havia sido o mais votado no primeiro turno das eleições em maio e prometeu formar um governo inclusivo.

Por enquanto o Conselho Militar vai manter o controle do maior Exército do Oriente Médio, cujo principal aliado é os Estados Unidos.

Também por enquanto, Mursi prometeu respeitar tratados internacionais, principalmente o assinado com Israel em 1979, do qual depende muito da ajuda dos EUA.

"O seu desafio é liderar um país dividido e temeroso para a democracia, sem se tornar um bode expiatório para a continuidade militar", afirmou Elijah Zarwan, analista do Conselho Europeu para Relações Internacionais.

Apesar de Mohammed Mursi não ter sido a primeira opção da Irmandade Muçulmana nas eleições presidenciais, o poderoso movimento político egípcio logo abraçou a sua candidatura – diz a BBC Brasil.

Foto: Getty Images

FESTA EM FAMÍLIA - Egípcios, seguidores de Mursi, comemoram nas ruas do Cairo

Em sua campanha Mursi prometeu trazer "estabilidade, segurança, justiça e prosperidade" ao Egito, depois de um ano de tumultos.

Ele disse que chegou a hora de colocar em prática o famoso slogan da Irmandade Muçulmana – "o islã é a solução" – mas para abaixar o pelo do arrepio do ocidente, afirmou que seu plano político possui "referências do islã moderado".

Mursi entregou os papéis da sua candidatura presidencial no último dia do prazo, logo depois que o empresário e milionário Khairat al-Shater foi impedido de concorrer.

Muitos duvidavam que o discreto Mursi conseguiria conquistar os eleitores. Mas o apoio da Irmandade Muçulmana levou ao sucesso do seu partido nas eleições parlamentares – que conquistou a maioria nas duas Casas. No entanto, as eleições parlamentares foram consideradas ilegais e serão disputadas novamente.

Mursi precisou enfrentar as acusações de que a Irmandade Muçulmana pretende monopolizar a cena política no Egito.

O grupo decidiu apoiar um dos candidatos na disputa, mesmo tendo anunciado inicialmente que não iria apoiar ninguém.

Cumprindo uma promessa de campanha para representar todos os egípcios, o Morsi demitiu-se da Fraternidade Mulçumana e desligou-se do Partido da Liberdade e da Justiça.

Mursi disse que não vai escolher necessariamente um primeiro ministro de seu partido para liderar o governo, e sugeriu que pode convocar cristãos para compor sua assessoria. Ele também disse que não pretende estabelecer um código de roupas islâmico em seu governo.

Foto: European Pressphoto Agency /The New York Times

NOVOS TEMPOS - Mursi, protegido pela guarda presidencial, que antes protegia Mubarak e prendia integrantes da Irmandade Mulçumana, da qual faz parte o novo presidente

"A Presidência será uma instituição. A era do Super-Homem acabou", afirmou.

Ele tentou se aproximar de outros políticos reformistas antes do segundo turno. No entanto, um encontro com o terceiro e o quarto colocado no primeiro turno – o esquerdista Hamdeen Sabahi e o islamista moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh – não resultou em acordo.

Após 84 anos como uma sociedade, muitas vezes ilegal e secreta lutando nas prisões e sombras de monarcas e ditadores, a Irmandade Mulçumana está agora mais perto que nunca de seu objetivo de construção de uma democracia islâmica no Egito – disse o The New York Times.

O Marechal de Campo Mohamed Hussein Tantawi, o presidente do conselho militar, parabenizou o Sr. Morsi.

Imediatamente a guarda presidencial, que anteriormente serviu Mubarak, chegou à casa do Sr. Morsi para começar a protegê-lo. Essa é mais uma mudança gritante no Egito, dos dias atuais. A menos de dois anos atrás, quando militares armados da chegada dos policiais armados na casa de um líder da Fraternidade, invariavelmente, significava um encaminhamento para uma das prisões Sr. Mubarak.

Foto: Getty Images

PRAÇA TAHRIR - Símbolo do movimento que derrubou o ditador Mubarak, a praça, no centro do Cairo, é o palco perfeito para a festa democrática da comemoração dos que elegeram livremente o presidente. Uma homenagem aos que ali, morreram e resistiram para que esse momento fosse possível.


Cachoeira desacatou e ameaçou agentes penitenciários

BRASIL – Corrupção
Cachoeira desacatou e ameaçou agentes penitenciários
Acostumado a ser cortejado por autoridades diversas: senadores, governadores e parlamentares, o chefão Cachoeira, perdeu a cabeça quando um agente penitenciário desligou a TV, pois estava fora do horário permitido, onde ele assistia o julgamento do seu habeas corpus. Ameaçou, xingou e se deu mal, acabou autuado por desacato a autoridade. O motivo do surto é que em certo momento, semana passada, ele quase foi solto, após ter conseguido habeas corpus na justiça federal, mas continuou preso, por outra ordem de prisão, da justiça do Distrito Federal, em outro processo

Foto: José Cruz/ABr

SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? - Cachoeira enredado na própria teia e em meio a um ataque de nervos

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S. Paulo, G1, Radar Online - Lauro Jardim

Preso desde fevereiro como chefe de um esquema de corrupção e exploração de jogos ilegais, o bicheiro Carlinhos Cachoeira foi autuado por desacato e desobediência, após se desentender com um agente penitenciário e o mandar "para um lugar impublicável", segundo relato de testemunhas.

O incidente ocorreu na quinta-feira à tarde, pouco antes da transferência do contraventor da ala federal do presídio da Papuda para um setor de presos provisórios comuns.

Cachoeira queria assistir o noticiário do julgamento de seu habeas corpus pela TV, mas foi impedido pelo agente, porque estava fora do horário permitido no regulamento. O contraventor se descontrolou e xingou o servidor. Outros agentes foram destratados. O bicheiro disse que tinha amigos influentes, que logo sairia da prisão e que depois iria à forra com quem o tratasse mal.

A defesa explicou que Cachoeira anda muito deprimido, tem problemas de saúde e seu estado piorou com as últimas notícias. A justiça negou seu pedido de liberdade e ainda cassou o habeas corpus que o mantinha na ala federal numa cela de 12 metros quadrados, na qual instalou uma TV desde que chegou, em abril passado.

O agente sentiu-se ofendido com a ofensa verbal e prestou queixa na Superintendência da Polícia Federal, onde registrou termo circunstanciado de ocorrência. Cachoeira foi levado para depor na PF e retornou ao presídio na noite de quinta. Ele foi indiciado por desacato e desobediência, um delito de baixo potencial que pode dar de seis meses a dois anos de detenção em regime aberto.

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), responsável pela custódia, a queixa prejudica a ficha de bom comportamento que Cachoeira vinha mantendo até agora, mas não afeta seus direitos e deveres de preso provisório, uma vez que não houve agressão física. Ele continua com direito a ver televisão e ler livros, a visitas de familiares e banho de sol diário.

O advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que para defende o bicheiro Carlinhos Cachoeira, cobrou R$ 15 milhões, afirmou que a manutenção da prisão de seu cliente representa uma "antecipação da pena".

Para ele, a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) de não revogar o mandado de prisão foi "injusta".

A justiça, mantém o contraventor atrás das grades, pois, compreende que Cacheira solto ameaça o bom andamento processual, devido à possibilidade de destruição de provas e constrangimento de testemunhas.

A notícia boa para Cachoeira é que, uma vez transferido para a ala dos presos comuns, ele teria direito a dois grandes privilégios da vida de detento: banho de sol e visita íntima com a bela Andressa Mendonça.

A notícia ruim – para Cachoeira, claro – é que o STJ revogou o habeas corpus e ele poderá voltar a qualquer momento para a ala federal da Papuda, onde nada disso é permitido.


Líderes latinos consideram golpe o “impeachment” paraguaio

PARAGUAI
Líderes latinos consideram golpe o “impeachment” paraguaio
Os governos do Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Chile, Bolívia, México, Peru e até Cuba criticaram a forma como foi deposto o presidente Lugo e a maioria se diz dispostos a não reconhecer o novo governo do presidente Federico Franco.

Foto: Reuters

ISOLADO, ACUADO E SOLITÁRIO - o Novo presidente paraguaio, Federico Franco, no seu gabinete no Palácio Presidencial, em Assunção, neste sábado, 23, primeiro dia como Presidente da Republica do Paraguai

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, G1, Cronica, ABC, Ultima Hora, G1, BBC Brasil, Correio Braziliense

Em sua primeira manifestação sobre o impeachment do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, o governo brasileiro condenou o "rito sumário de destituição" e convocou o embaixador no Paraguai para consultas.

Em nota, o Itamaraty, disse considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental a democracia, condição essencial para a integração regional,

Adiantou que eventuais sanções ao Paraguai estão sendo avaliadas entre os membros do Mercosul e da Unasul. O Itamaraty diz, no entanto, que o governo brasileiro "não tomará medidas que prejudiquem o povo irmão do Paraguai".

Lugo foi deposto na sexta-feira pelo Congresso paraguaio com base em artigo da Constituição que lhe confere poderes para julgar politicamente o presidente.

Entretanto, por ter durado apenas 24 horas, o processo foi considerado por governos da região como um golpe de Estado "branco" contra Fernando Lugo, o primeiro político de esquerda a chegar à Presidência paraguaia.

A convocação do embaixador brasileiro para consultas, que no protocolo diplomático indica séria reprovação à decisão paraguaia, foi anunciada horas após a Argentina adotar a mesma postura.

INDIGNADO - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que seu país "não reconhece a este nulo, ilegal e ilegítimo governo que se instalou em Assunção".
A chancelaria argentina afirmou que a representação diplomática do país ficará a cargo de um encarregado de negócios "até que seja restabelecida a ordem democrática" no Paraguai.

Ainda neste sábado, a OEA (Organização dos Estados Americanos) também reprovou o impeachment de Lugo. Em nota, José Miguel Insulza, secretário-geral da organização, disse que a destituição foi um "julgamento sumário que, ainda que formalmente apegado à lei, não parece cumprir com todos os preceitos legais do Estado de direito de legítima defesa".

"O que nos preocupa não é somente o respeito ou a falta de respeito à lei, mas que a norma escrita seja interpretada de forma propícia para alterá-la com fatos."

Governos de Argentina, Venezuela, Equador, Chile, Bolívia, México e Peru criticaram o processo de impeachment do presidente do Paraguai.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou que a situação em Assunção é "inaceitável". "Sem dúvidas, houve um golpe de Estado", disse Cristina.

O presidente equatoriano Rafael Correa acredita que foram ignorados procedimentos no processo de destituição de Lugo. "Já chega destas invenções na nossa América, isto não é legítimo, e não acredito que seja legal. O governo do Equador não reconhecerá outro presidente do Paraguai que não seja o senhor Fernando Lugo", criticou.

Evo Morales, presidente da Bolívia, elogiou o trabalho de Lugo no comando do Paraguai. "A Bolívia não reconhecerá um governo que não surja das urnas e do mandato do povo", disse. Segundo ele, Lugo estava acabando com os "grupos de poder" no país, o que "sempre tem um custo".

O chanceler do Chile, Alfredo Moreno, disse que "claramente, isso não cumpriu os padrões mínimos do devido processo e a legítima defesa que merece qualquer pessoa, e é isso que nos preocupa."

Os governos do Peru e do México também se pronunciaram contra o processo. Até Cuba do ditador Rául Castro, condenou energicamente oq eu classificou de golpe de Estado parlamentar e anunciou que não reconhecerá o novo governo de Federico Franco, nomeado depois de sua destituição.

O governo de Cuba "não reconhecerá autoridade alguma que não venha do voto legítimo e do exercício da soberania por parte do povo paraguaio", informou uma declaração de sua chancelaria, lida no telejornal local.

O comunicado destacou que "este golpe se soma à longa lista de atentados contra a autodeterminação dos povos latino-americanos, sempre realizados pelas oligarquias com a autoria, a cumplicidade ou a tolerância do governo dos Estados Unidos", a fim de "frear os processos de mudanças progressistas e de genuína integração" na América Latina.

Nos bastidores diplomatas concordam que vai depender da reação da população paraguaia ao impeachment as decisão do Mercosul e da Unasul sobre a aplicação de sanções ao Paraguai, como a exclusão do país dos blocos regionais. O protocolo do Mercosul prevê a possibilidade de exclusão de país membro que viole princípios democráticos.

Foto: Associated Press

ALIADA - Dilma, na foto, reunida com Lugo, em viagem oficial ao Paraguai, junho de 2011, vê nas circunstância do “impeachment” uma ameaça a democracia

Segundo um interlocutor da Presidência brasileira, se não houver "clamor popular" contra a destituição de Lugo, o fato indicará que a responsabilidade pela perda de apoio político é do próprio presidente paraguaio. Nessa circunstância, o Mercosul poderá reconhecer o novo governo.

Mas, se houver manifestações contundentes a favor de Lugo, Mercosul e Unasul deverão abrir processo de discussão sobre eventuais sanções ao Paraguai no âmbito dos blocos – diz o site G1.

A BBC Brasil diz que no dia seguinte à queda do ex-presidente, a capital Assunção viveu um sábado como outro qualquer. Nas ruas da região central, que na noite de sexta-feira foram palco de confrontos entre apoiadores do ex-líder e policiais, o comércio funcionava normalmente e não se via qualquer protesto.

Em frente ao Congresso, onde os manifestantes se concentraram no dia anterior, a única agitação provinha de uma feira ao ar livre, onde clientes compravam frutas e verduras.

"Já se foram todos", disse à BBC Brasil o funcionário público Fabián Balbuena, referindo-se aos cerca de 5.000 manifestantes presentes na véspera. Eles protestavam contra um julgamento instaurado pelo Congresso na quinta-feira contra Lugo.

Mas as coisas não serão fáceis para o novo presidente: já se noticia que partidos de esquerda, movimentos sociais, campesinos, agrários e indígenas, além de centrais sindicais e de trabalhadores rurais formaram neste sábado (24) a “Frente pela Defesa da Democracia no Paraguai”, que promoverá uma série de manifestações e atos pelo país pedindo o retorno de Fernando Lugo ao poder.

Foto: Fernando Romero/ ABC Color

BOCA NO TROMBONE - Lugo na madrugada desse domingo, nas ruas de Assunção, junto aos manifestantes que protestavam contra a sua deposição

O próprio presidente deposto, Fernando Lugo, surpreendeu um grupo de manifestantes que protestavam contra a sua destituição, diante da TV Pública, na madrugada desse domingo, 24.

Em meio a seus seguidores e flashes de câmeras, Lugo falou que havia aceitado o veredito injusto do parlamento em nome da “paz e da não violência”. Lembrou que "ditadura não é apenas militar, mas também parlamentar...”

Conclamou a população a um protesto pacífico, porque “deixaram de lado a democracia e não respeitaram a vontade do povo.”

Antes Fernando Lugo havia dito a jornalistas que pretendia se candidatar a senador no próximo pleito, que acontecerá em 12 de abril do próximo ano, e apresentaria um candidato a presidente da republica, para enfrentar o candidato do governo de Frederico Franco.

Foto: Getty Images

APOIO PAPAL - A visita oficial do núncio apostólico do Vaticano Eliseu Ariotti, ao presidente Frederico Franco, neste sábado, 23, sinaliza que Roma reconhece como legítimo o “impeachment”. Fernando Lugo, não era bem visto pela sua igreja desde que quatro mulheres requererem reconhecimento de paternidade de filhos do bispo presidente

O novo presidente paraguaio, Federico Franco, não esperava uma reação dos lideres latinos nessa proporção e tenta amenizar os fatos, dizendo-se disposto a procura-los, em especial a presidenta Dilma, para explicar exatamente que o ocorrido, não teria nada a ver com um golpe. Declarou até que irá pedir ajuda ao presidente deposto, Fernando Lugo, para evitar que o Paraguai sofra com o isolamento internacional.

Por enquanto delegou ao novo chanceler, Jose Felix Fernandez, a missão de apaziguar os ânimos dos países vizinhos e explicou a imprensa:

"Aqui não houve golpe nem quebra institucional. Temos pleno respeito pela Constituição",

O artigo 225 da Carta Magna paraguaia prevê procedimento para iniciar um julgamento político de um funcionário eleito se ele for considerado responsável por algum delito. Com a anuência de ao menos dois terços da Câmara e do Senado, o presidente pode ser cassado – o que foi o caso de Lugo, removido em votação quase unânime.

"Estamos arrumando a casa primeiro e depois vamos entrar em contato com os países vizinhos. Estou certo de que vão compreender a situação no Paraguai", afirmou Franco.

O temor do Paraguai não é somente o isolamento diplomático internacional, mas também impactos econômicos pela troca no comando.

A Unasul pode impor sanções comerciais ao país, afetando uma economia que vinha crescendo de forma consistente há três anos. Franco disse não acreditar em possíveis sanções do Mercosul e do Brasil.

"Não creio que o Brasil tenha que nos aplicar uma sanção comercial, já que os mais afetados são os brasileiros que têm investimentos em partes do nosso país". Cerca de 400 mil brasileiros, conhecidos como "brasiguaios", em sua maioria produtores rurais, vivem há décadas no Paraguai.- concluiu esperançoso.

Foto: UOL/Esportes

APOIO DE PEITO A modelo Larissa Riquelme, apoia o presidente deposto Fernando Lugo. Disse no seu Twitter, que estava “indignada com os acontecimentos em meu país”. Engajada disse ainda: “Gracias de corazón a todos los países que se están solidarizando con nosotros"


Leia no “thepassiranews”:
Impeachment “paraguaio” destituiu o presidente Lugo

23 de jun. de 2012

O passado assombra - Merval Pereira

OPINIÃO
O passado assombra
”... o noticiário criminal envolvendo o PT indica que o partido há muito vem se metendo em enrascadas”.

Foto: Agência Estado

A imagem do escândalo: - foto do dinheiro apreendido, pela Polícia Federal, com os 'aloprados' do PT

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

A coincidência não deve agradar a Lula, mas dificilmente será possível dizer que se trata de mais um golpe dos reacionários contra o governo popular do PT. Aliás, o noticiário criminal envolvendo o PT indica que o partido há muito vem se metendo em enrascadas.

Às vésperas do julgamento do mensalão, desta vez a Justiça reavivou o escândalo dos “aloprados”, que na eleição de 2006 tentaram comprar um dossiê que supostamente continha denúncias contra o então candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, o mesmo que hoje Lula tenta derrotar com o auxílio de Paulo Maluf, na disputa para a Prefeitura de São Paulo.

Naquela ocasião, Serra venceu o candidato petista Aloizio Mercadante no primeiro turno. Hoje, um dia depois do escândalo provocado pela exibição despudorada de intimidade entre o ex-presidente e Maluf, um dos brasileiros relacionados na lista de alerta vermelho da Interpol dos criminosos mais procurados do mundo, a Justiça de Mato Grosso aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra nove dos envolvidos no episódio.

Foto: JF Diorio/AE

Freud Godoy: segurança particular da primeira dama, depois do escândalo sumiu do noticiário

Dois deles, Jorge Lorenzetti, petista de Santa Catarina que era também churrasqueiro extra-oficial da Granja do Torto no primeiro governo Lula, e o advogado Gedimar Pereira Passos, que supervisionava a segurança do comitê da campanha de reeleição, eram ligados diretamente ao ex-presidente, que, no entanto, como sói acontecer, declarou desconhecer o assunto e ainda fez-se de indignado, classificando os membros do grupo de “aloprados”.

Preso na Polícia Federal, Gedimar incluiu no grupo um segurança particular da primeira-dama Marisa Letícia de nome Freud (que não se perca pelo nome) Godoy, que o teria chamado para avaliar se o tal dossiê continha mesmo fatos que comprometiam Serra.

Freud acabou desaparecendo do noticiário, assim como uma coincidência reveladora: o ex-ministro José Dirceu (sempre ele), antes mesmo que fosse divulgado o conteúdo do dossiê, escreveu que as acusações seriam “a pá de cal na campanha do picolé de chuchu”, como se referia ao candidato tucano à presidência Geraldo Alckmin.

Foto: JF Diorio/AE

Hamilton Lacerda: coordenador de Comunicação de Mercadante, está entre os acusados

Gedimar Passos, assessor da campanha de Lula, negociava a aquisição do dossiê com Valdebran Padilha, empresário filiado ao PT. A Polícia Federal prendeu a dupla em flagrante com 1,7 milhão de reais que seriam usados na compra do material forjado.

Expedito Veloso, outro dos envolvidos, denunciou meses mais tarde que o atual ministro da Educação, Aloízio Mercadante, e o ex-governador de São Paulo já falecido Orestes Quércia foram os mandantes do crime.

Mesmo que entre os acusados estivesse Hamilton Lacerda, então assessor de Marcadante, e que ele fosse o maior beneficiado, o candidato petista não foi arrolado como partícipe do golpe.

O centro da conspiração estava no "Núcleo de Informação e Inteligência" da campanha de reeleição de Lula, e quem chefiava a equipe de "analistas de informação" era o petista histórico Jorge Lorenzetti, ex-dirigente da CUT, enfermeiro de profissão, diretor financeiro do Banco do Estado de Santa Catarina e churrasqueiro do presidente nas horas vagas.

Lorenzetti chefiava Gedimar Pereira Passos na tarefa de contra-informação eleitoral, e foi nessa qualidade que teria sido enviado para analisar o dossiê contra os tucanos.

Foto: Roberto Jayme/AE

Ricardo Berzoini: abandonou a coordenação da campanha de Lula devido o caso

A descoberta do plano revelou a existência de uma equipe dentro da campanha de reeleição que se envolve em falcatruas variadas, uma maneira de atuar politicamente que vem das batalhas sindicais do ABC, as quais Lula conhece bem com que armas se disputam.

Esse mesmo esquema provocou uma crise no comitê da candidata Dilma Rousseff, quando foi descoberto que havia um grupo recrutado para fazer espionagem, inclusive o jornalista Amaury Ribeiro Filho que levou para o grupo o hoje nacionalmente conhecido Dadá, o grampeador oficial do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Os protagonistas do chamado escândalo dos “aloprados” responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e operação fraudulenta de câmbio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, eles “se associaram subjetiva e objetivamente, de forma estável e permanente, para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro, que tinha por fim a desestabilização da campanha eleitoral de 2006 do governo de estado de São Paulo”.

O Ministério Público, embora as investigações tenham rastreado todo o caminho do dinheiro, não conseguiu definir sua origem, um dos grandes mistérios desse caso.

A fotografia da montanha de dinheiro apreendido acabou sendo divulgada às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, e os petistas atribuem ao impacto da imagem a ida da eleição para o segundo turno. *Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original


Ministro Toffoli: suspeito e impedido para julgar mensalão

BRASIL – Corrupção
Ministro Toffoli: suspeito e impedido para julgar mensalão
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que está examinando se vai pedir o impedimento ou a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar do julgamento do mensalão. Os petistas capitaneados por Lula, querem que ele participe, contando com um voto favorável garantido. O ministro não pode participara porque antes de ser nomeado para o STF foi um subordinado íntimo de José Dirceu, o chefe da sofisticada quadrilha do mensalão. Para complicar a sua namorada, Roberta Rangel, foi advogada de um dos 38 réus do processo.


IMAGEM COMPROMETEDORA - Dias Toffoli, nos tempos de Advogado Geral da União, abraçado a Lula, o pai do mensalão. Dirceu, que patrocinou sua ida ao supremo, está agora cobrando a “alma” empenhada

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Blog do Merval

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel mandou um recado ao Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, dizendo que está examinando se vai pedir sua suspeição, e consequente afastamento no julgamento do mensalão. Ele afirmou que, se for o caso, fará isso no julgamento, marcado para começar em 1º de agosto.

Gurgel deixa claro que se o Ministro não sair por conta própria vai passar pelo vexame, de ver seus companheiros ministros decidirem se acatam uma preliminar do Procurador, banindo-o do julgamento.

— Isso será examinado em um momento oportuno. Temos que aguardar a afirmação do ministro — disse Gurgel.

O procurador Gurgel convenientemente afirmou que ainda não tem convicção formada sobre a conveniência da participação de Toffoli no caso.

O ministro Dias Tofoli, por sua vez, não está com pressa. Perguntado sobre o que vai fazer, respondeu:

— Ainda tenho as férias pra pensar.

Nesta quinta-feira, O GLOBO informou que setores do Ministério Público querem uma providência de Gurgel. Antes disso, perguntado sobre o assunto, o procurador-geral dizia que a decisão caberia só a Toffoli.

Segundo o Código de Processo Civil, um juiz deve se declarar suspeito para atuar em um caso se for amigo de uma das partes. Toffoli foi chefiado por um dos réus no processo do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, de 2003 a 2005. Além disso, Toffoli frequentava a casa de Dirceu.

A namorada de Toffoli, Roberta Rangel, foi advogada de um dos réus, o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP), para quem fez inclusive sustentação oral no plenário do STF em agosto de 2007, quando os ministros transformaram o inquérito em ação penal.

Outra polêmica no caso surgiu com as recentes declarações do ex-ministro da Justiça do governo Lula, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, que hoje defende o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, um dos 38 réus do mensalão. Quando falava sobre corrupção e reforma política no programa “Ponto a ponto”, da TV Bandeirantes, no último dia 9, ele disse que o país chegaria “ao ponto em que a democracia, pela sua prática”, iria “resolver a questão” do mensalão.

“Lembremos que, no início do século passado, na Câmara dos Comuns do Reino Unido, havia um guichê onde os parlamentares recebiam o dinheiro, uma espécie de mensalão entre aspas da época”, afirmou Bastos, em seguida salientando que isso não havia impedido que a Inglaterra se tornasse um “país altamente democratizado”.

Essas declarações “passaram despercebidas, admitindo claramente a existência do mensalão”, opinou Merval Pereira em sua coluna de quinta-feira no GLOBO. Procurado pelo jornal, Bastos não quis comentar as suas declarações. A opinião entre especialistas consultados, porém, é consensual: o advogado foi infeliz em sua fala.

— Um ato falho. Ele era ministro na época em que o escândalo estourou e atuou como gerenciador daquela e de outras crises envolvendo o PT. O partido sempre lutou em negar o mensalão. Bastos acabou, assim, admitindo sua existência — disse o cientista político Rubens Figueiredo, da USP.

Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia da Unicamp, acha, porém, que tudo foi feito de “forma calculada”, para banalizar um julgamento que “tanto Bastos como o PT gostariam de protelar”:

— Ele é macaco velho, nada do que fala é espontâneo. Assim como Lula, tenta banalizar o mensalão, quer tirar o foco, minimizar sua importância. Afinal, defende um dos réus — diz Romano.

O ministro Dias Tofoli está entre a estrela do PT e a espada da credibilidade. Hoje está sentado na almejada cadeira de Ministro do Supremo graças a indicação do Presidente Lula, influenciado pelo seu ex-chefe e amigo José Dirceu. Os seus padrinhos não facilitam e dizem publicamente que querem sua participação no processo.

Se ele ceder á pressão petista e tentar seguir no julgamento, estará jogando sua carreira de ministro no lixo, além de poder passar pelo vexame supremo de ser retirado do processo, por seus companheiros.

Se declarar-se suspeito e não participar do julgamento, será considerado ingrato e padecerá da temível maldição petista, principalmente, se em função do julgamento, o seu padrinho, José Dirceu for condenado.

O mais conveniente será adoecer: podia comer uma feijoada dormida; deixar-se picar pelo mosquito da dengue ou fazer uma orquiectomia (cirurgia de remoção dos testículos). Qualquer coisa é melhor do que ficar nesta situação.


PT enxerga Eduardo como pretendente à vaga de Dilma

OPINIÃO
PT enxerga Eduardo como pretendente à vaga de Dilma
“O que mais inquieta os operadores do PT são as informações que lhes chegam sobre as análises que Eduardo sussurra em suas conversas privadas. O governador estima que a crise econômica será maior do que a capacidade de Dilma de gerenciá-la. Prevê que, em seis meses, os efeitos da ruína europeia começarão a ser sentidos no mercado de trabalho brasileiro”.

Foto: Apex-Brasil/Divulgação

Eduardo Campos: olho gordo na cadeira de Dilma

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte: Blog do Josias de Souza

A movimentação de Eduardo Campos acendeu o pavio do petismo. O fósforo foi riscado na eleição municipal de Recife. O PT federal dividiu-se. Um pedaço acha que o mandachuva do PSB tornou-se um aliado paradoxal. Outro grupo crê que ele já virou um estorvo. As duas alas unificam-se na conclusão: por trás do vaivém, esconde-se um projeto alternativo à reeleição de Dilma Rousseff.

Sob a presidência de Eduardo Campos, o PSB sempre foi um parceiro conflituoso. Nos dois mandatos de Lula, questionava a “hegemonia conservadora” atribuída ao PT e ao PMDB na coligação. Na gestão de Dilma, adornada com a presença de Michel Temer na vice, o incômodo aumentou. A perspectiva de repetição da chapa Dilma-Temer em 2014 transformou a pregação num cavalo de batalha.

Até aqui, o PT trabalhava com a hipótese de que Eduardo estivesse jogando um jogo de dois tempos. No primeiro, tentaria virar o vice de Dilma em 2014. No segundo, iria a campo como presidenciável em 2018. Agora, o petismo rumina a suspeita de que o governador pernambucano tenta queimar a primeira etapa. O sonho da Presidência lhe teria subido à cabeça.

O que mais inquieta os operadores do PT são as informações que lhes chegam sobre as análises que Eduardo sussurra em suas conversas privadas. O governador estima que a crise econômica será maior do que a capacidade de Dilma de gerenciá-la. Prevê que, em seis meses, os efeitos da ruína europeia começarão a ser sentidos no mercado de trabalho brasileiro.

A política é feita de apostas. Mas dissemina-se no PT a impressão de que Eduardo contraria a fama de articulador tarimbado e mete-se numa aposta perdida ao escorar seu projeto pessoal no infortúnio de Dilma. Erra ao supor que, confirmando-se o seu vaticínio, Lula não terá saúde para uma nova candidatura. Erra de novo ao desconsiderar que Dilma pode prevalecer sobre a crise, deixando-o na posição do jogador que levanta da mesa sem dinheiro para o táxi.

Ao empurrar o PSB para dentro da coligação petista de Fernando Haddad em São Paulo, Eduardo rolou sua dívida de gratidão com Lula, um amigo que, enquanto esteve no Planalto, privilegiou Pernambuco no rateio das verbas federais. Ao refugar a candidatura petista de Humberto Costa em Recife, o governador como que reiterou que não nutre pelo PT o apreço que devota ao líder supremo da legenda.

De resto, ficou entendido que, na hora de escolher um sucessor para o governo de Pernambuco, Eduardo não deve buscar o nome nos quadros do PT. A exemplo do que fez agora ao fabricar um candidato de última hora à prefeitura de Recife –Geraldo Júlio (PSB)— o governador tende a acionar seu laboratório em 2014.

Nesta temporada de 2012, as provetas de Eduardo deixaram o PT indignado e a oposição perplexa. Na noite passada, reuniram-se os quatro candidatos da oposição à prefeitura de Recife: Mendonça Filho (DEM), Raul Henry (PMDB), Daniel Coelho (PSDB) e Raul Jungmann (PPS). Participou da conversa o deputado Sérgio Guerra, presidente do PSDB federal.

O encontro teve o propósito de reabrir o debate sobre a conveniência de a oposição unificar-se em torno de um candidato único. Alguém capaz de evitar que o segundo turno seja travado entre o PT e o PSB. Após mais de duas horas de reunião, não se chegou a nenhum acordo. A negociação será retomada neste sábado (23), dessa vez sem a presença dos candidatos.

Simultaneamente, Eduardo flerta com a ideia de atrair para o palanque do seu candidato, Eduardo Júlio, o postulante do PMDB, Raul Henry – um deputado submetido à liderança do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Oposicionista ácido em Brasília, Jarbas reaproximou-se de Eduardo na cena pernambucana.

Numa das conversas reservadas que manteve com Eduardo, Jarbas disse ao interlocutor que ele teria de se romper com o PT se quisesse alçar voos mais altos no plano federal. Para desassossego do petismo, os tambores do rompimento começam a soar antes do imaginado.


*”PT já enxerga Eduardo Campos como potencial pretendente à vaga de Dilma Rousseff em 2014” - é o título original dessa matéria
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

Rio+20 termina à sombra da crise e com acordo "possível"

BRASIL - Rio+20 Rio+20 termina à sombra da crise e com acordo "possível"
“A conferência havia gerado baixa expectativa, com a ausência de importantes líderes e países preocupados em resolver problemas internos, mas diversas delegações, sobretudo da União Europeia, criticaram o texto final, "O Futuro que Nós Queremos", apontando falta de ambição”.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A presidente Dilma Rousseff discursa no encerramento da Rio+20

Postado por Toinho de Passira
Texto de Hugo Bachega e Maria Pia Palermo
Fonte: Reuters

Apenas o "possível" venceu a falta de consenso e de disposição para desembolsar recursos em nome do desenvolvimento sustentável, e a Rio+20 terminou sob críticas de falta de ambição e à sombra da crise econômica internacional.

Países ricos, tradicionais financiadores de projetos ambientais, usaram a crise como justificativa para rejeitar o aporte de recursos, deixando no documento final um vazio quanto a valores a serem destinados a programas de desenvolvimento sustentável.

Delegações comemoraram o consenso, alcançado antes da reunião de chefes de Estado e governo, sobretudo por ter reafirmado pontos já acertados há 20 anos, na Eco-92, e evitar um retrocesso em acordos já assinados

Outros países, no entanto, se mostraram frustrados com o que chamaram de falta de ambição e urgência no combate a problemas decorrentes do aumento do consumo, da população e da industrialização.

A atual crise financeira assombrou a conferência, e o acordo foi chamado de "possível" pela presidente Dilma Rousseff.

"Aplaudo em especial os países em desenvolvimento que assumiram compromisso concreto, mesmo sem a necessária contrapartida de financiamento dos países desenvolvidos", disse Dilma, ao encerrar a conferência nesta sexta-feira.

Com a resistência dos ricos de se comprometer com novos aportes, o texto apontou apenas para uma diversidade de fundos, inclusive privados, para o financiamento de ações para o desenvolvimento sustentável.

Cerca de 100 chefes de Estado e governo, que estiveram reunidos nos últimos três dias no Rio, discutiram formas de estabelecer os chamados "objetivos de desenvolvimento sustentável", uma iniciativa da ONU construída em torno do crescimento econômico, da preservação ambiental e da inclusão social.

O G7, grupo dos países em desenvolvimento -que inclui Brasil e China- havia proposto a criação de um fundo de 30 bilhões de dólares destinado a projetos, mas foi derrotado.

A conferência havia gerado baixa expectativa, com a ausência de importantes líderes e países preocupados em resolver problemas internos, mas diversas delegações, sobretudo da União Europeia, criticaram o texto final, "O Futuro que Nós Queremos", apontando falta de ambição.

"Muito se falou aqui sobre ambição, mas pouco se colocou sobre a mesa. Não se pode exigir ação se não há ambição de financiamento. Quem exige e não põe dinheiro está sendo incoerente", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

As ausências notáveis incluíram o presidente dos EUA, Barack Obama, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que participaram de uma reunião do G20 no início desta semana no México.

As delegações fracassaram em chegar a um texto na sexta-feira passada, e o Brasil assumiu as negociações, sob a ameaça do documento representar retrocesso a políticas já acertadas.

O acordo foi fechado após o Brasil ter simplificado a redação e eliminado trechos que causavam grandes divergências.

Na terça-feira, pouco depois da aprovação do acordo, o ministro de Relações Anteriores, Antonio Patriota, disse que a perspectiva das negociações era de que os países não conseguissem chegar a um consenso.

A mudança de status do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (Pnuma) foi citada por diplomatas brasileiros como outro entrave para um acordo.

O Brasil e países europeus e africanos defendiam a garantia de elevação do programa à condição de órgão da ONU. O texto cita apenas um apoio ao fortalecimento do programa, mas deixa à Assembleia Geral da entidade discussões sobre a transformação para agência.

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, reconheceu que o documento reflete as dificuldades atuais no cenário internacional, mas comemorou a redação sobre o programa.

Organizações não-governamentais também criticaram o resultado da conferência, que foi chamada de "Rio-20", e apontaram a ausência de compromissos e metas. O documento final foi chamado de "O Futuro que nós não Queremos".

"A Rio+20 se transformou em um fracasso épico. Falhou em equidade, falhou em ecologia e falhou na economia", disse em comunicado Daniel Mittler, diretor político do Greenpeace.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)


Andressa na cova dos leões - Nelson Motta

OPINIÃO
Andressa na cova dos leões
O colunista Nelson Motta comenta a convocação da mulher de Cachoeira para ser ouvida na CPMI que investiga o seu marido


Andressa Mendonça, a mulher de Carlinhos Cachoeira, a bela na cova dos leões tarados

Postado por Toinho de Passira
Texto de Nelson Motta
Fonte: O Estado de S.Paulo

A convocação da bela Andressa Cachoeira para depor na CPMI provoca frisson e reaviva a memória da distante e vergonhosa tarde do depoimento de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério, na CPI dos Correios.

Enfrentar os questionamentos agressivos e mal-educados não foi nada perto do que ela teve que suportar dos galantes parlamentares que acudiram em sua defesa elogiando sua beleza e seu caráter. Renilda era apenas uma discreta senhora mineira, bem-vestida e educada, de feições delicadas, que podia ser vista, no máximo, como bonitinha. Mas bastou para a macharia suprapartidária se assanhar. Foi de embrulhar o estômago ouvir tanto sentimentalismo barato ao vivo diante de todo o País, com deputados e senadores louvando a depoente por seu amor ao marido bandido e à família, por suas lágrimas, omissões e mentiras. Faltou muito pouco para alguém dizer que ela era a mulher que qualquer homem gostaria de ter e oferecer um ombro amigo.

Mesmo sabendo que Renilda mentia cínica e deslavadamente, eles se derretiam em elogios, como senhores magnânimos que não conseguiam esconder o galanteador cafajeste de calçada, tipicamente brasileiro, que os habita. Pareciam personagens caricatos de Chico Anísio, e pior, de Nelson Rodrigues, canalhas vocacionais que seduzem até a cunhada, que não respeitam nem CPI. Alguns eram gordos, outros carecas, quase todos mais velhos, a maioria nordestinos e gaúchos, todos antiquados e verbosos no estilão que Bernardo Cabral usou para seduzir Zélia Cardoso de Mello.

Esses machões galantes e sentimentais jamais se comportariam assim diante de quem dissesse o que Renilda disse, mas fosse homem. Seriam implacáveis, durões, não elogiariam o amor do depoente pela esposa e a família, nunca aceitariam suas mentiras. Os membros femininos da CPI deviam ter protestado contra tal falta de decoro, mas nenhuma teve tal macheza.

Se com a frágil e discreta Renilda eles deram um vergonhoso show de machismo travestido de cavalheirismo, imaginem a excitação parlamentar quando a bela, sexy e exuberante Andressa se sentar à mesa da CPMI. É melhor tirar as crianças da sala.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

22 de jun. de 2012

Impeachment “paraguaio” destituiu o presidente Lugo

PARAGUAI
Impeachment “paraguaio” destituiu o presidente Lugo
Na quinta-feira, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou o início do processo de impeachment, contra o presidente Fernando Lugo. Apenas um deputado votou contra a medida. Nesta sexta-feira, o Senado aprovou o impeachment, O processo sofreu fortes críticas da comunidade internacional. Lugo foi considerado culpado de cinco acusações por 39 senadores. Apenas quatro votaram por sua absolvição. Menos de duas horas depois de encerrada a sessão que o condenara, Lugo era substituído pelo vice, Federico Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

Foto: Reuters

O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, discursa ao tomar posse nesta sexta-feira (22), prometendo respeitar as instituições democraticas

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Reuters, G1, Ultima Hora

O impeachment paraguaio é tão falso como costuma ser o seu uísque: o rotulo é igual, a cor é parecida e a garrafa é semelhante, mas ingerido provoca uma invariável dor de cabeça, A rapidez com que o Congresso paraguaio destituiu o seu presidente, democraticamente eleito, e a nove meses de concluir o mandato, levanta suspeitas de um golpe branco, arquitetados por parlamentares insatisfeitos, com a reprovável e suspeitíssima participação do vice-presidente Federico Franco, 49 anos, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), agora aboletado na cadeira presidencial.

Como numa peça ensaiada, pouco mais de 90 minutos depois do senado ter afastado o presidente, Lugo, por “mau desempenho de suas funções”, Franco tomou posse, com toda pompa e circunstância, numa sessão conjunta do Congresso.

A comunidade dos países sul-americanos, consideraram os acontecimentos uma perturbação na ordem democrática no continente e ameaçam isolar, o novo governo.

Em seu discurso de posse, Franco fez referência à morte de policiais no confronto armado com sem-terra em Curaguaty, um dos motivos alegados pela oposição para afastar Lugo.

"A melhor maneira de honrar nossos policiais mortos é iniciar verdadeiro desenvolvimento rural sustentável", disse.

“Este compromisso só será possível com a ajuda e colaboração de todos vocês. A única maneira de levar adiante é entendendo que o Paraguai deve ser comandado por liberais e colorados, católicos e não católicos e integrantes de todos os movimentos sociais", disse.

Franco prometeu conservar e cumprir a Constituição e as leis.

“Pretendo com a ajuda de tantos vocês, chegar a 15 de agosto de 2013, e andar com a cabeça erguida nas ruas de meu país e entregar a Presidência da República a um novo presidente eleito.” .

"Devo ratificar minha vontade irrestrita de respeitar as instituições democráticas, o Estado de direito e os compromissos assumidos pelo governo", disse.

“Não tenho ódio, tampouco remorso. Vamos caminhar juntos, todos os partidos e representações partidárias. Vamos seguir juntos." .

"Quero entregar um país organizado, sem mais mortes, com inclusão, participação de todos os setores, com a presença de ricos e pobres", disse.

Franco também disse que não pretende adotar um programa de governo, mas dar continuidade ao mandato de Fernando Lugo. Mas ele enfatizou: "o que se fez bem"..

IMPEACHMENT

O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista Lugo foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Eram necessários dois terços dos votos dos senadores para confirmar o afastamento, que foi decidido após cerca de 5 horas de julgamento.

A notícia do impeachment foi recebida sob protesto por manifestantes que ocupavam a praça em frente ao Congresso e que consideraram que houve, na verdade, um golpe contra o presidente.

Houve confusão e tentativa de invadir o prédio, reprimida pela polícia.

Fotos: Reuters

Em discurso, Lugo, reunido com seu ministério, aceitou a destituição decidida pelo Senado


"Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, hoje não é Fernando Lugo quem é destituído, é a história do Paraguai e sua democracia", afirmou Lugo na sua última fala como presidente


Lugo acompanhado de seus ministros e assessores deixa o Palácio Presidencial, em Assunção

Fernando Lugo, acusado de "mau desempenho de suas funções" pelo parlamento dominado pela oposição, decidiu não comparecer ao julgamento. Enviou sua equipe de cinco advogados para apresentar sua defesa. Eles pediram, em vão, a retirada das condenações e argumentaram que não houve tempo suficiente para a defesa.

Durante a tarde, chegou-se a anunciar que Lugo marcharia rumo ao Congresso junto com seus ministros, mas isso não se confirmou e ele acompanhou tudo do palácio presidencial, a 200 metros dali.

Ele recebeu a visita da comissão de chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), que condenou a atitude do Congresso.

A presidente Dilma Rousseff, no Rio, também apelou, em vão, por uma solução negociada para a crise.

O jornal paraguaio “Ultima Hora” diz que Dilma Rousseff sugeriu expulsar a Paraguai do MERCOSUL e da UNASUR, devido a destituição de Lugo, a que qualificou de antidemocrática.

Acrescenta que a presidenta brasileira realçou que tanto o MERCOSUL, quanto a UNASUR dispõem de cláusulas para preservar a democracia nos países integrantes e se poderia considerar que o Paraguai transgrediu a elas, diante dos últimos acontecimentos. O jornal comenta que se essas medidas forem adotadas o país sofrerá fortes consequências negativas na economia e um radical isolamento político continental.

O ministro de Finanças de Lugo, Dionisio Borda, disse que não ir ao Congresso foi uma "decisão pessoal" de Lugo, que considerou o processo contra si "inconstitucional".

Ricardo Canese, secretário-geral da Frente Guasu, aliança de partidos que elegeu o presidente, disse que o grupo iria convocar manifestações pacíficas em todo o país e uma paralisação geral caso o impeachmente fosse aprovado.

Foto: Reuters

Manifestantes protestavam diante do prédio do Congresso contra o impeachment de Lugo nesta sexta-feira (22) em Assunção

RECURSO À SUPREMA CORTE

Mais cedo, Lugo apresentou uma ação de inconstitucionalidade à Suprema Corte de Justiça do país contra o julgamento .

"O presidente reclama mais tempo para defesa", afirmou um porta-voz à imprensa, poucas horas antes do início do julgamento, que foi interpretado como um "golpe de estado branco pela comunidade latino-americana.

Lugo protestava contra o que considera o "rito sumário" em seu julgamento. Ele afirmou que iria acatar qualquer decisão do Congresso, mas que iria lutar contra sua possível deposição em "outras instâncias".

O processo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos na semana passada no interior do país.

A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira "imprópria, negligente e irresponsável.

O presidente também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas ou não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.

O caminho para abrir o processo ficou aberto depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do vice-presidente Franco, retirou seu apoio à frágil coalizão do presidente socialista.

A Câmara aprovou a abertura do processo numa votação quase unânime, por 76 votos a 1, e o Senado -onde Lugo também não tem maioria- marcou o julgamento político muito rapidamente já para esta sexta.

"Estão me fazendo um golpe de Estado 'expresso', porque fizeram entre a noite e a madrugada. Nós dizemos que é inclusive anticonstitucional, porque não se respeita o devido processo", disse Lugo, um ex-bispo católico de 61 anos, em entrevista à emissora de TV Telesur na noite de quinta-feira.

O último processo de impeachment no Paraguai havia acontecido em 1999, quando o então presidente Raúl Cubas foi acusado de envolvimento no assassinato do vice-presidente Luis Argaña e na posterior morte de sete manifestantes. Cubas renunciou e se exilou no Brasil antes da conclusão do julgamento.


Eduardo lança “o poste” Geraldo Júlio, a Prefeito do Recife

PERNAMBUCO – Recife – Eleições 2012
Eduardo lança “o poste” Geraldo Júlio, a Prefeito do Recife
Na verdade Eduardo Campos fez uma pesquisa consigo mesmo e mandou o PSB avisar aos outros partidos da Frente Popular que o candidato será o desconhecido Geraldo Júlio. Porém, para parecer diferente do PT, fizeram uma reunião para avaliar os nomes disponíveis e depois, continuando a encenação, enviaram uma carta aos outros partidos aliados, para examinar a viabilidade em apoiar o candidato do PSB, sugerido. Uma farsa mal ensaiada.

Foto: Andréa Rêgo Barros/247

Geraldo Júlio, o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, o eleitoralmente desconhecido, será candidato do PSB

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Jornal do Comércio, Diario de Pernambuco, G1, Blog da Folha de Pernambuco

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ficou nos bastidores, no instante em que o seu partido, o PSB, declarou de “forma delicada” como disse o Jornal do Comércio, a candidatura do ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio a prefeitura do Recife.

Após uma tarde inteira de reunião, os outros três pré-candidatos escalados pelo partido, os também ex-secretários Danilo Cabral (Cidades), Tadeu Alencar (Casa Civil) e Sileno Guedes (Articulação Social e Regional) tornaram pública uma carta onde se retiram da disputa em favor do correligionário, preferido do governador Eduardo Campos após pesquisas eleitorais que apontam o desejo do eleitorado por um prefeito de perfil gestor.

"Diante do iminente risco de fragmentação da Frente Popular do Recife, e da responsabilidade que temos, todos nós, de garantir a integridade desta força política que há muitos anos assegura vitórias expressivas ao povo recifense e pernambucano, o PSB iniciou entendimentos com os partidos aliados com o propósito de manter a unidade da Frente e fazer avançar um projeto político e administrativo inovador para nossa cidade", diz o primeiro parágrafo do texto.

Em seguida o documento oferece um pequeno perfil do escolhido, que desde ontem já tinha seu nome especulado nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas.

"A experiência acumulada pela Frente Popular no Governo do Estado, que elevou Pernambuco a novo patamar de desenvolvimento, será aprofundada na Prefeitura da Cidade do Recife, em benefício da qualidade de vida de todos os segmentos sociais", concluiu a carta em sutil crítica ao "modo petista de governar" propagado pelo PT durante todo o processo de pré-campanha e nas prévias partidárias.

Como a pesquisa que revelou que os recifenses desejavam um prefeito gestor, ao invés de um nome político, não foi divulgada, especula-se que os pesquisadores, ouviram apenas um eleitor recifense, na sondagem de opinião: o governador Eduardo Campos.

O ato da indicação com envio de carta aos partidos aliados, é para se contrapor ao estilo petista, que via Executiva nacional, impôs o nome do senador Humberto Costa à Prefeitura do Recife, sem a ninguém consultar.

O PSB de Eduardo está fazendo um ritual simbólico, oferecendo, pelo menos em tese, o nome do ex-secretário Geraldo Júlio, para ser avaliado pelos outros partidos da Frente Popular do Recife, que aliaram-se ao projeto do governador.

Isso porque houve um certo mal-estar na base aliada, quando parte da imprensa noticiou, ontem, que o Palácio já tinha decidido por Júlio, e que ele seria lançado hoje como o representante da maioria das legendas da Frente Popular, e não apenas do PSB.


Eduardo Campos faz mais um movimento no xadrez da sucessão recifense

Com a oficialização de Geraldo Júlio pelo PSB, Eduardo Campos adia o lançamento formal da majoritária, que ocorrerá com pompa quando o governador retornar dos Estados Unidos, na quarta-feira (27). Eduardo viaja no domingo (24) para receber um prêmio concedido ao seu modelo de gestão administrativa, implantado, justamente, por Júlio no início do primeiro mandato (2007/2010).

A vaga de vice deve ficar com o PCdoB, que estava aguardando essa indicação oficial para conversar internamente. A previsão é de que neste fim de semana os comunistas formalizem a parceria e apontem o nome. A senha servirá para que o prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, que disputará à reeleição, feche um acordo com o PSB na sua vice, o que deixará o PT isolado em Olinda e no Recife.

Nesse contexto, a candidatura de Geraldo Júlio é construída a partir de dois critérios: o da unidade interna do PSB e o do debate com os outros partidos da Frente. Esses são os principais argumentos que Eduardo Campos vai colocar para o ex-presidente Lula na conversa que os dois terão por telefone até quarta-feira. Assim, Eduardo deixará claro que foi instado a ocupar o comando das articulações da sucessão do Recife, apesar de o PT administrar a PCR, por culpa dos próprios petistas.

Ao tomar essas duas posições, o presidente nacional do PSB abre o caminho para Geraldo Júlio agir sem nenhum tipo de arestas. Agora, começará um novo desafio: fazer com que Júlio possa aprender, em tempo recorde, a se comunicar com a opinião pública para que o seu estilo “gerentão” seja compreendido pelos eleitores como a alternativa que o Recife terá para “replicar” o modelo de gestão de Eduardo no Estado.

QUEM É GERALDO JÚLIO? Já ouviu falar?

Geraldo Júlio de Mello Filho, 41 anos, nascido no Recife em 17 de março de 1971, é formado em Administração pela Universidade de Pernambuco (UPE) e pós-graduado em Administração Pública também pela UPE. Em 1992, aos 21 anos, ingressou no Tribunal de Contas do Estado via concurso público.

Em 1995 entrou de vez na política, atuando até 1998 no terceiro governo de Miguel Arraes. No período, passou pelas áreas de planejamento, administração e também nas finanças da Companhia Editora do Estado de Pernambuco (CEPE). Também passou pelas secretarias de Governo, Fazenda e Saúde.

Em 1999 assumiu a Diretoria de Recursos Humanos do TCE e nos dois anos seguintes foi Diretor de Planejamento da Secretaria de Administração da Prefeitura do Recife. Entre 2002 e 2003 mudou de prefeitura: foi Secretário de Controle Interno e de Planejamento e Fazenda da Prefeitura de Petrolina, quando Fernando Bezerra Coelho era prefeito.

Em 2005 foi levado por Eduardo Campos para o Ministério da Ciência e Tecnologia, quando Eduardo era o ministro da pasta. Junto com Geraldo Júlio, Sérgio Rezende entrou no Ministério. No mesmo ano Eduardo saiu para preparar a campanha para Governador de Pernambuco e Rezende passou a ser Ministro. Já Geraldo Júlio saiu da pasta em 2006.

Em 2007 ele foi nomeado para ser secretário de Planejamento e Gestão do Governo de Pernambuco. Foi uma surpresa, porque Geraldo era desconhecido. Na pasta, Geraldo coordenou o processo de estruturação e implementação do modelo de gestão Todos por Pernambuco. De forma discreta, ele atuou na Secretaria de Defesa Social onde, durante os primeiros um ano e meio do governo Eduardo, escreveu o novo modelo de segurança pública de Pernambuco. Elogiado, o modelo foi replicado na Secretaria de Saúde.

Como secretário de Planejamento, Geraldo Júlio foi "o chato", já que era o que fiscalizava e cobrava o trabalho das demais secretarias. Ele é extremamente meticuloso com dados, detalhista. Também é vaidoso intelectualmente, mas é simples no trato pessoal. É um homem que cresceu no governo Eduardo Campos e é tido por alguns como o secretário com mais força com o governador, além de ser o mais articulado. Ele coordena 35 auditores do TCU e mais 65 da Secretaria da Fazenda de Pernambuco.

Geraldo tem a mesma idade e tempo público que Eduardo Campos. Ambos fazem parte da mesma geração política, que contribuiu para levantar a gestão do PSB em Pernambuco. É tido como um "técnico", assim como João da Costa.

Fonte:Blog do Jamildo


Uruguai: A maconha oficial

URUGUAI
A maconha oficial
O governo uruguaio quer plantar, cultivar, industrializar e vendar maconha para os cidadãos do país. Acredita que isso ajudará no combate a violência e a anular influencia do narcotráfico.


o presidente uruguaio, José ‘Pepe’ Mujica, quer combater o trafico estatizando o plantio da maconha

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Ariel Palacios , G1, El Pais, El Espectador, El Observador

O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, anunciou, nesta quarta-feira, que vai enviar ao congresso, um projeto de lei para legalizar e regular a venda da maconha no Uruguai.

O governo vai controlar a produção, industrializar e vender cigarros de “cannabis sativa”, em quiosques oficiais. A intenção da ousada medida é combater o narcotráfico e reduzir a criminalidade, ligada ao comércio das drogas.

"Chegamos à conclusão que a proibição de certas drogas está criando mais problemas à sociedade que a própria droga (...) e com consequências desastrosas", disse em entrevista coletiva o ministro da Defesa, Eleuterio Fernández Huidobro, explicando que haverá "um controle severo do Estado sobre a produção e a distribuição" da maconha.

A decisão é inédita na América Latina.

A proposta vai ser apresentada no bojo de uma série de medidas legais, com o objetivo de combater a violência no país.

Atualmente, o Parlamento uruguaio analisa três projetos de lei, de distintos partidos, que preveem a legalização do cultivo de maconha para consumo próprio, mas o governo teme que a medida seja utilizada pelo narcotráfico para transformar o país em um "centro de fabricação e distribuição internacional de drogas", disse o ministro Fernández Huidobro.

Para justificar a decisão, o ministro citou o aumento assustador de homicídios em acertos de contas entre delinquentes, 70% a mais, que no primeiro semestre do ano passado, o que considerou "um sintoma claro do surgimento de certos fenômenos que antes não existiam no Uruguai".

"Esta não é uma ideia original, é algo que está sendo discutindo" em outras partes do mundo, que segue a "linha de pensamento do ex-primeiro ministro espanhol Felipe González", destacou o Ministro.


Nas redes sociais uruguaias o presidente Mujica ganhou o visual do cantor jamaicano Bob Marley, apologista do uso da maconha

Chefes de estado, organizações internacionais e especialistas, tem apresentado opiniões favoráveis e contrarias a maconha oficial uruguaia. O tema como era de se esperar despertou paixões distintas ao redor do planeta.

Pelo que se sabe do projeto, só poderão desfrutar do direito de comprar oficialmente os “cigarrinhos do demônio”, para uso próprio, cidadãos uruguaios residentes. A intenção é evitar que o Uruguai transforme-se numa versão sul-americana da Holanda, país onde a comercialização de determinadas drogas está liberada também para os turistas.

Só pessoas maiores de 18 anos, cadastradas estarão autorizadas a comprar o produto e estarão limitadas a uma cota de 40 cigarros por mês.

A maconha governamental pagará impostos, que seriam destinados a financiar programas de tratamento de viciados.

Não é de hoje, que o nosso vizinho do outro lado do rio da Prata, adota legalmente medidas vanguardistas em questões sociais polêmica e controversas.

No inicio do século passado, por exemplo, legalizou a prostituição. Aprovou a lei do divórcio, em 1907, sete décadas antes de todos seus vizinhos latinos; em 1915 adotou a jornada de oito horas de trabalho; em 1932 tornou-se o segundo país das Américas a conceder o direito de voto às mulheres (o primeiro foi os EUA).

Em 2007 tornou-se o primeiro estado latino-americano a contar com uma lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo em todo seu território e dois anos depois abriu as portas para a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. A comunidade gay uruguaia também foi beneficiada em 2010 com o fim das restrições à entrada de homossexuais nas Forças Armadas.

Além disso, o Uruguai é considerado o país mais laico das Américas. O juramento de posse do presidente exclui qualquer referência a Deus. O Presidente jura por sua honra pessoal respeitar a Constituição. Não há crucifixos no Parlamento, sequer nas repartições ou hospitais públicos.

O mais curioso é que o governo do Uruguai produz uísque desde 1946, o “Mac Pay”, o único uísque estatal das américas. O destilado uruguaio chegou a liderar o mercado interno nos anos 80. Hoje, mesmo enfrentando toda a concorrência externa com a livre concorrência no Mercosul e a abertura de mercados, ainda é exportado, com boa aceitação para o Chile e Argentina, e abocanha 13% do consumo interno.

Quem sabe se os uruguaios não estão inventando uma nova maneira de lidar com o problema, que se bem sucedido poderá ser copiado por outros países.

Fosse no Brasil, Dilma criaria o Ministério da Maconha, em se pensando suprapartidariamente, seria da cota do partido Verde, apesar do PT merecer por pleitear, não haveria ministro mais conveniente que o ex-deputado Fernando Gabeira, se bem que Aécio Neves também seria uma boa indicação.


Mac Pay o uísque estatal uruguaio - O jornalista argentino, Ariel Palacios, no seu Blog, destaca que “caso seja aprovado o projeto de lei sobre a cannabis sativa, o Uruguai será o único país do mundo onde o Estado é, além de produtor de uísque, é também distribuidor de maconha.”


21 de jun. de 2012

CHARGE: AMARILDO - A Gazeta (ES)



AMARILDO- A Gazeta (ES)


No caminho da Rio+20, os problemas ambientais do Rio

BRASIL - Rio+20
No caminho da Rio+20, problemas ambientais do Rio
A BBC Brasil mostrou que desde o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio, até o Riocentro, na Barra, onde ocorre os principais eventos da conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, esbarra-se com inúmeros problemas ambientais crônicos que enfeiam e comprometem a cidade maravilhosa.

Foto: Yann Arthus-Bertrand

Imagem do fotografo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand, da exposição “A Terra vista do Céu” expostas na Cinelândia, Centro do Rio, durante a Rio+20.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: BBC Brasil

culpado é o transporte e o grande agravante são os engarrafamentos. Os automóveis andam na primeira e segunda marchas e o nível de emissão de gases é muito maior", diz.

O esgoto e lixo que chegam ao Canal do Cunha (ou do Fundão), trecho da Baía de Guanabara entre a Ilha do Fundão e o continente, levaram ao assoreamento do canal pelo acúmulo de sedimentos. Nos últimos anos, uma obra de dragagem melhorou o escoamento da água, mas a água ainda é bastante poluída e emite um mau cheiro marcante na entrada da cidade. O acúmulo de lixo ainda persiste, como se vê por este ângulo abaixo da Linha Vermelha.

A Estação de Tratamento da Alegria trata o esgoto e devolve a água à Baía de Guanabara, mas opera abaixo de sua capacidade porque não foi ligado a todo o sistema de coleta da zona norte do Rio. Segundo o ambientalista Sérgio Ricardo, a estação foi construída como parte do programa de despoluição da Baía de Guanabara, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, mas o estado não a concluiu a construção do tronco coletor para fazer as ligações domiciliares até lá. "Então grande parte do esgoto ainda é lançado in natura na Baía de Guanabara", afirma.

A ocupação irregular do solo é vista nas comunidades que margeiam a Linha Vermelha. Nas favelas que formam o Complexo da Maré, não há esgotamento sanitário e o esgoto é lançado diretamente na Baía de Guanabara, diz José Araruna, da PUC-Rio. De acordo com o Censo 2010 do IBGE, 83% dos domicílios de favelas do estado do Rio não têm esgotamento sanitário. Na capital fluminense, mais de 1/5 dos moradores moram em favelas.

A ocupação de encostas e o desmatamento também são problemas gerados pela construção irregular de favelas, como se vê nas casas construídas sobre a segunda galeria do Túnel Rebouças. A construção em encostas costuma estar associada à disposição inadequada de resíduos sólidos e à falta de redes de esgoto, fatores que contribuem para problemas de saúde público na população. Além disso, o uso inadequado do solo traz o risco de deslizamentos em épocas de chuva.

A Lagoa Rodrigo de Freitas é um dos cartões postais do Rio, mas durante décadas foi degradada por efluentes. A poluição teve sua face mais visível em episódios de mortandade de peixes. Desde 2010, o assoreamento vem sendo combatidos pelo projeto Lagoa Limpa, que recebe investimentos da EBX. A qualidade da água teve melhora considerável, mas ainda há comunidades que despejam resíduos não tratados nos rios que desembocam na Lagoa, diz José Araruna.

O Censo 2010 indicou que a Rocinha, em São Conrado, é a favela mais populosa do país, com 69 mil habitantes. A favela ocupou uma área de floresta ao longo de décadas e ainda se expande verticalmente. Segundo José Araruna, da PUC-Rio, o principal problema hoje é a falta de esgotamento adequado. "Cerca de 90% da favela é atendida com água tratada, mas parte do esgoto ainda está sendo lançado no mar sem tratamento", diz. O resultado são péssimos índices de balneabilidade na praia do Pepino, onde aparecem línguas negras quando chove.

Assim que se chega à Barra, na zona oeste do Rio, vê-se a Lagoa da Tijuca, área nobre cercada de mansões. A aparência engana. A lagoa está "em estado terminal", diz o ambientalista Axel Grael. Com o acúmulo de sedimentos, parte do espelho d'água já não tem mais profundidade e não raro sofás e pneus afloram. Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff anunciou recursos de R$ 300 milhões para recuperação do complexo lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá e Canal da Joatinga, compromisso assumido pelo Rio para a Olimpíada de 2016.

Ao fim do trajeto, chega-se ao Riocentro, o centro de convenções onde chefes de estado estarão reunidos entre 20 e 22 de junho para discutir "O futuro que queremos", nome dado ao documento que deverá ser aprovado ao fim da conferência. Na região no entorno dos cinco pavilhões, a poluição dos rios e da Lagoa de Jacarepaguá, a favelização e a falta de alternativas de transporte sustentáveis serão os problemas mais próximos dos visitantes.