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11 de jun. de 2013

Em defesa da esposa, Carlinhos Cachoeira ameaça governador Marconi Perillo

BRASIL - Bizarro
Em defesa da esposa, Carlinhos Cachoeira
ameaça governador Marconi Perillo
Citando a versículo da Biblia, o bicheiro Carlinhos Cachoeira ameaçou, de forma bem pouco sútil, o governador de Goiás, Marconi Perillo, em artigo escrito no jornal "Diário da Manhã", desta terça feira. O bicheiro faz duras críticas ao governo do estado por ter omitido à imprensa a presença de sua esposa em um desfile beneficente realizado no Palácio das Esmeraldas, residência oficial do governador. “...não cometam a insanidade de tentar atingir de forma tão rastejante minha esposa porque não vão gostar nem um pouco de conhecer o peso de minha mão. – diz Cachoeira no texto

Foto: Estúdio Maria Célia Siqueira

Cachoeira beija Andressa durante casamento no dia 28 de dezembro,
"O tempo socorrerá apenas quem dele fizer uso com extrema rapidez para reparar a agressão proferida. Depois de entrar na arena para digladiar não permitirei recuo de quem quer que seja e só sairei dela vitorioso ou morto", diz Cachoeira no artigo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S. Paulo, G1, Yahoo - Notícias, Diário da Manhã

O contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, publicou um artigo no jornal "Diário da Manhã", nesta terça-feira (11), em defesa da mulher, a empresária Andressa Mendonça.

Em seu texto, o bicheiro faz duras críticas e ameaça o governador do estado, Marconi Perillo, por declarações da assessoria do governo do estado, de que a sua esposa, havia comparecido, a um desfile beneficente realizado no Palácio das Esmeraldas, residência oficial do governador, sem ser convidada.

Cachoeira relatou que Andressa participou do evento da Organização das Voluntárias de Goiás, na sexta-feira (7), quando fez “uma generosa contribuição”.

“Compareceu como cidadã, empresária que paga seus impostos, pessoa bem relacionada e velha conhecida do governo e da primeira-dama e como uma pessoa que sabe da necessidade de se integrar às boas causas e contribuir para suprir as lacunas que o Estado não preenche, como uma saúde de qualidade e gratuita”, diz o texto.

Ele diz que vai defender a dignidade de sua mulher com “todas as suas forças e armas” e que espera que o governo repare com “extrema rapidez” a agressão contra a esposa. “Depois de entrar na arena para digladiar não permitirei recuo de quem quer que seja e só sairei dela vitorioso ou morto”, escreveu no artigo.

Para Cachoeira, a mulher foi “cortejada pelos poderosos e bem tratada, principalmente pela contribuição que deixou”. No entanto, depois do evento, o bicheiro garante que Andressa não teve o mesmo tratamento: “Bastou que se retirasse para que fosse renegada, tal a uma doente que não se quer por perto”.

Carlos Cachoeira ressalta que está pronto para a briga. "Em bom brasileirês falo com a cabeça erguida e com o peito arfante: cai pra dentro quem quiser que eu sustento o desafio", declarou. Ele começa o texto citando o versículo da Bíblia de João 8:32: "Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará".

O govenador ainda não se apressou para corrigir a “agressão” feita a mulher de Cachoeira. Essa história pode ficar interessante é uma briga de cachorro grande. Lembrar que governador, Marconi Perillo (PSDB), chegou a ser acusado de ter utilizado dinheiro do esquema de Cachoeira para pagar dívidas de campanha e foi indiciado na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cachoeira. Cachoeira sabe muito sobre Perillo.

Veja abaixo, na íntegra o artigo de Carlinhos Cachoeira, no Jornal da Manhã – Goiás.
(Estranho que um cidadão condenado a 39 anos de prisão tenha uma coluna num jornal)

A VERDADE SEM MENTIRA
“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, João 8:32


Artigo de Cachoeira no jornal Diário da Manhã

Carlos Augusto de Almeida Ramos
Fonte: Diário da Manhã

Um homem pode suportar muitas provações em sua vida. Pode cumprir seu desiderato e pagar por seus erros. Pode sofrer injustiças e perseguições sem fraquejar e aceitar tudo como um ensinamento destinado ao seu crescimento interior. Pode ter amigos em um dia e ser abandonado por eles quando a má sorte sobrevém. Pode ser apunhalado por quem considerava companheiro de jornada e exercitar a virtude da tolerância, responsável pela preservação da paz e da harmonia.

Entretanto, um homem não pode jamais permitir que sua companheira, sua cara-metade, sua alma gêmea, a mulher a quem ele devota amor seja ofendida de qualquer maneira que for. A função primeira de um homem frente a sua amada é postar-se à sua frente e não deixar que nada, absolutamente nada, lhe atinja, sob pena de ter de renunciar à própria vida, pois um homem de verdade não tem o direito de continuar a ver o sol nascer se não defender a vida, a dignidade e a honra de sua mulher.

Pois foi isto o que se sucedeu com minha esposa, Andressa Mendonça e contra isto me levanto com todas as minhas forças e armas. Estou pronto para o embate e não medirei esforço nem terei compaixão para defendê-la e desde já aviso que o céu será meu limite. O tempo socorrerá apenas quem dele fizer uso com extrema rapidez para reparar a agressão proferida. Depois de entrar na arena para digladiar não permitirei recuo de quem quer que seja e só sairei dela vitorioso ou morto.

Na última sexta-feira foi realizado no Palácio das Esmeraldas um desfile beneficente com renda revertida para a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Os convites foram vendidos ao custo de R$ 350,00 cada. Minha esposa, Andressa, empresária, foi convidada a participar e prestar sua colaboração para com uma causa que sem dúvida é nobre e justa. Não se furtou a sua responsabilidade social e cristã em ajudar e participar de uma ação engrandecedora.

Compareceu como cidadã, empresária que paga seus impostos, pessoa bem relacionada e velha conhecida do governador e da primeira-dama e como uma pessoa que sabe da necessidade de se integrar às boas causas e contribuir para suprir as lacunas que o Estado não preenche, como uma saúde de qualidade e gratuita. No momento em que esteve no Palácio foi cortejada pelos poderosos e bem tratada, principalmente pela generosa contribuição que deixou. Bastou que se retirasse para que fosse renegada, tal a uma doente que não se quer por perto.

A imprensa interessada em noticiar as presenças ao desfile beneficente indagou sobre quem esteve efetivamente. Aconteceu o inconcebível: a assessoria de imprensa do Palácio renegou seu indelével direito de estar presente onde melhor lhe aprouver e chegou ao cúmulo de negar que ela tivesse sido convidada.

Alto lá. Não nos faltem com o respeito. Andressa não foi e jamais iria a um lugar em que não fosse convidada. Até porque não precisamos passar por penetras em lugar algum. Dizer que minha esposa não foi convidada a comparecer a um desfile no Palácio das Esmeraldas, residência oficial do mandatário maior do Estado, equivale a dizer que ela entrou sorrateira pela porta dos fundos e que não estava na prestigiada lista de quem era recebida pela organizadora maior da dita festa, a primeira-dama do Estado.

Minha esposa é uma mulher digna e honesta, que encara a vida e as dificuldades de cabeça erguida. Mãe amorosa e esposa adorável. Companheira das horas alegres e também das difíceis. Quando estive recluso na violência do cárcere ela não me negou amparo, apoio, auxílio e sobretudo amor. Jamais permitirei que seja agravada, muito menos por desclassificados que não têm moral sequer para limpar-lhe os sapatos.

Se querem me atingir estou preparado. Mas, acusar minha amada e companheira de subterfúgio rasteiro como o de entrar de penetra em uma festa no Palácio das Esmeraldas passou dos limites. Quem quer ser respeitado deve se dar ao respeito.

Um governo que não se presta ao respeito dentro de seus próprios limites não pode se dar ao desplante de atingir a honra de pessoas de fora de seu alcance. Estou falando de um governo que permite que um de seus principais expoentes diga ser esse mesmo governo composto de bandidos e não recebe uma reprimenda exemplar, a começar da exoneração sumária. Fica o dito pelo não dito e a história dos bandidos dentro do governo permanece sem contestações ou desmentidos. Onde será que começa o banditismo? Onde fica o cerne da bandidagem no governo, em sua origem, em seu centro ou na periferia que se formou com as adesões de última hora?

Se quiserem saber onde estão os maiores problemas e as principais sangrias dentro desse governo é só encarar a briga que estou pronto para o embate. Em bom brasileirês falo com a cabeça erguida e com o peito arfante: cai pra dentro quem quiser que eu sustento o desafio. Escolham as armas. A verdade, que liberta e quebra paradigmas, mostrará ao povo goiano os erros cometidos ao longo dos anos e dará o norte da reparação e do caminho certo.

Mas, não cometam a insanidade de tentar atingir de forma tão rastejante minha esposa porque não vão gostar nem um pouco de conhecer o peso de minha mão. A caixa que Pandora abriu e permitiu que as desgraças se abatessem sobre os homens será brincadeira de criança diante do que posso perpetrar para defender a honra e a dignidade minha e de minha família.

15 de jul. de 2012

REVISTA ÉPOCA: Como a Delta pagou Perillo

BRASIL – Revista ÉPOCA
Como a Delta pagou Perillo
Um relatório da Polícia Federal obtido com exclusividade por ÉPOCA comprova os elos entre o esquema de Carlinhos Cachoeira e o governador de Goiás

Foto: : Andre Borges/Folhapress

LUCRO - O governador de Goiás, Marconi Perillo. Ele vendeu uma casa ao bicheiro Carlinhos Cachoeira com um ágio de R$ 500 mil – em troca, liberou faturas da Delta (Foto)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Diego Escosteguy, com Murilo Ramos e Marcelo Rocha
Fonte: Revista Época

No dia 27 de junho, o Núcleo de Inteligência da Polícia Federal remeteu à Procuradoria-Geral da República um relatório sigiloso, contendo todas as evidências de envolvimento do governador Marconi Perillo com o esquema da construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Como governador de Estado, Perillo só pode ser investigado pelo procurador-geral da República – e processado no Superior Tribunal de Justiça. O relatório, a que ÉPOCA teve acesso com exclusividade, tem 73 páginas, 169 diálogos telefônicos e um tema: corrupção.

O documento está sob os cuidados da subprocuradora Lindora de Araújo, uma das investigadoras mais experientes do Ministério Público. Ela analisará que providências tomar e terá trabalho: são contundentes os indícios de que a Delta deu dinheiro a Perillo.

Alguns desses 169 diálogos já vieram a público; a vasta maioria ainda não. Encontram-se nesses trechos inéditos as provas que faltavam para confirmar a simbiose entre os interesses comerciais da Delta em Goiás e os interesses financeiros de Perillo. Explica-se, finalmente, o estranho episódio da venda da casa de Perillo para Cachoeira, que não foi bem entendido. Perillo nega até hoje que tenha vendido o imóvel a Cachoeira; diz apenas que vendeu a um amigo. O exame dos diálogos interceptados fez a Polícia Federal, baseada em fortes evidências, concluir que:

1) assim que assumiu o governo de Goiás, no ano passado, Perillo e a Delta fecharam, diz a PF, um “compromisso”, com a intermediação do bicheiro Carlinhos Cachoeira: para que a Delta recebesse em dia o que o governo de Goiás lhe devia, a construtora teria de pagar Perillo;

2) o primeiro acerto envolveu a casa onde Perillo morava. Ele queria vender o imóvel e receber uma “diferença” de R$ 500 mil. Houve regateio, mas Cachoei¬ra e a Delta toparam. Pagariam com cheques de laranjas, em três parcelas;

3) Perillo recebeu os cheques de Cachoeira. O dinheiro para os pagamentos – efetuados entre março e maio do ano passado – saía das contas da Delta, era lavado por empresas fantasmas de Cachoeira e, em seguida, repassado a Perillo. Ato contínuo, o governo de Goiás pagava as faturas devidas à Delta;

4) a Delta entregou a um assessor de Perillo a “diferença” de R$ 500 mil;

5) a direção nacional da Delta tinha conhecimento do acerto e autorizou os pagamentos.

Para compreender as negociações, é necessário conhecer dois personagens, que chegaram a ser presos pela PF. Um é o tucano Wladmir Garcez, amigo de Perillo e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia. Garcez atua como uma espécie de embaixador de Perillo junto à Delta e à turma de Cachoeira: faz pedidos, cobra valores, entrega recados. O segundo personagem é Cláudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste e parceiro de Cachoeira no ataque aos cofres públicos de Goiás.

Na hierarquia da Delta, Abreu detinha a responsabilidade de obter contratos públicos para a construtora e – o mais difícil, custoso – assegurar que os governantes liberassem os pagamentos em dia.

A corrupção neste caso, como em tantos outros, nasce na oportunidade que o Poder Público oferece: um detém a caneta que pode liberar o dinheiro; outro detém o dinheiro que pode mover a caneta. Na simbiose entre a Delta e o governo de Goiás, Garcez e Abreu eram os sujeitos que se dedicavam a fazer o dinheiro girar, multiplicar-se. Não há caixa de campanha ou questiúncula política nessa história. O objetivo era ganhar dinheiro.

A PF começou a monitorar as atividades ilegais das duas turmas, de Perillo e da Delta, em 27 de fevereiro do ano passado. Naquele momento, Perillo cobrava o pagamento do “compromisso” da Delta. Num diálogo interceptado pela PF às 20h06, Cachoeira pede pressa a Abreu.

Disse Cachoeira: “E aquele trem (dinheiro) do Marconi (governador), hein? Marconi já falou com o Wladmir (Garcez), viu”. Abreu chora miséria, como bom negociante. “Vou falar amanhã que não tem jeito”, diz Cachoeira. “Mas não é 2 milhões e meio, não. Ele (Marconi) quer só a diferença.” Cachoeira refere-se, aqui, à operação de venda da casa, o assunto mais urgente naquele momento. Abreu faz jogo duro: “Pois é, doutor, eu não tenho como. Do mesmo jeito que o Estado tá com o orçamento fechado, eu também tô”. O jogo é simples: uma parte quer que a outra aja antes. Perillo quer o dinheiro antes de liberar a fatura; Abreu, da Delta, quer a fatura paga antes de liberar o dinheiro para Perillo.

Foto: Ailton de Freitas/Ag. O Globo

AGILIDADE - O bicheiro Carlinhos Cachoeira. Quando ele entrou no circuito, a negociação entre a Delta e o representante de Marconi Perillo passou a andar rápido

As negociações prosseguem, emperradas em alguns momentos por desconfianças mútuas. Numa ligação na mesma noite, Cachoeira certifica Abreu de que Garcez, o interlocutor de Perillo, não está pressionando a Delta sem motivos. “Não é o Wladmir, não. É ele (Marconi) que tem esse trem na cabeça, da diferença e não sei o quê, viu?”, diz. No dia seguinte, preocupado com a demora da Delta em liberar o dinheiro, Cachoeira pede a Garcez que dê “um aperto” em Abreu, de modo a garantir o negócio.

Garcez liga para Abreu e reforça que a Delta deve pagar logo o “compromisso” com Perillo. Garcez explicara a Perillo que a Delta não conseguiria quitar o acerto logo. Diz Garcez, no diálogo com Abreu: “Tive lá no Palácio, conversei com o governador lá. Falei... ‘Olha, o compromisso que ele (Abreu) tinha feito com o senhor faltava 1 milhão e meio. (...) Ele (Abreu) vai ver se cumpre aquele compromisso com o senhor”. Diante da pressão, Abreu diz que tem “outros compromissos” em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Pede tempo.

Nervoso com a lentidão de Abreu, Cachoeira resolve dar prosseguimento ao negócio com Perillo – e cobrar depois da Delta. A partir daí, o acerto realiza-se com rapidez. Ainda no dia 28, Garcez informa a Cachoeira que Perillo quer cheques nominais. Combinam a entrega de três cheques para o dia seguinte, às 14 horas: dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil, depositados no dia 1o de cada mês.

Em seguida, no dia 1o de março, Cachoeira faz a operação: pede ao sobrinho que assine os cheques, avisa a Delta e manda entregar os cheques no Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Às 14h53, Garcez, que estava no Palácio, confirma a Cachoeira que os cheques foram entregues e avisa que levará a escritura do imóvel no dia seguinte. Doze minutos depois, Cachoeira já pede a contrapartida a Garcez: “O trem da Delta, aqueles 9 milhões que o Estado tem de pagar... Você levou para mostrar para ele (Perillo)?”. Garcez confirma: “Tá comigo aqui. Oito milhões, quinhentos e noventa e dois, zero quarenta e três”.

Às 16h37, Garcez informa a Cachoeira que está no gabinete do governador, entregando os cheques. Em seguida, Garcez comunica a Abreu que os problemas da Delta acabaram. “(Perillo) falou que vai resolver: ‘Não, pode deixar que isso aqui eu resolvo’”. E resolveu: ainda no dia 1o de março, o governo de Goiás liberou R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. No dia seguinte, o cheque de R$ 500 mil foi depositado na conta de Perillo.

No dia 3 de março, Cachoeira comemora com Abreu a “porta aberta” com Perillo. “Ele (Perillo) engoliu aqueles 500 mil... Ele (Perillo) responde em tudo, deu as contas para pagar”, afirma Cachoeira. Cachoeira pediu a seu sobrinho Leonardo Ramos, que costuma assessorá-lo, para que preparasse um contrato de compra e venda no nome de um laranja – e começou a chamar amigos para conhecer a linda casa que comprara de Perillo.

No dia 25 de março, o governo de Goiás liberou mais um pagamento de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta. Enquanto os pagamentos caíam nas contas da Delta, a Delta cobria, por meio de uma empresa laranja, os cheques dados por Cachoeira.

Foto: Andre Dusek/AE

LUXO - Andressa Mendonça, mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ela não queria deixar a prataria da casa para o novo morador

O segundo cheque de R$ 500 mil foi compensado no dia 4 de abril. Cachoeira, sempre zeloso, checava tudo com seu contador. No dia 29 de abril, antes da compensação do último cheque, no valor de R$ 400 mil, Abreu voltou a reclamar com Cachoeira que as faturas da Delta haviam sido retidas novamente. Abreu foi claríssimo na contrapartida necessária para pagar o último cheque:

“Deixa eu te contar uma amarelada que eu dei aqui. Wladmir (Garcez) tá me rodeando aqui. Eu falei: ‘Wladmir, tá bom: que dia vai me pagar? Tá prometido até sexta que vem, tá? Então vamos fazer o seguinte: eu pago os 400. Se ele (Perillo) não me pagar até sexta (...) você me devolve os 400’. Aí ele amarelou aqui”. Os dois reclamaram da demora de Perillo.

Cachoeira disse: “Agora tem de tolerar porque nós já pusemos o pé na jaca”. Eles reclamam, reclamam, reclamam... mas no fim pagam. No dia 2 de maio, Cachoeira ordenou a seu contador que contatasse o pessoal de Perillo e descontasse o último cheque. “Aquele lá (o cheque) não podia falhar de jeito nenhum, né?”, diz o contador. O cheque foi descontado. E o que aconteceu? O governo de Goiás liberou mais uma parcela de R$ 3,2 milhões para a conta da Delta.

Não demorou para Cachoeira perceber que morar na antiga casa do governador de Goiás lhe traria problemas. Num diálogo com sua mulher, Andressa Mendonça, em 17 de maio, Cachoeira compartilhou seu temor por telefone: “Esse trem não vai dar certo (da casa). Vão acabar sabendo que é minha”. Cachoeira começou, então, a procurar um modo de se desfazer do imóvel, apesar dos protestos de Andressa, que já decorara a casa e adorava o lugar.

As conversas interceptadas pela PF mostram em detalhes como Cachoeira repassou a casa para um terceiro, o empresário Walter Santiago, sem aparecer. Para isso, recorreu à ajuda de Garcez, que coordenou a transação. Garcez assegurou ao empresário que a casa era de Perillo. No dia 12 de julho, Walter Santiago, rodando num carro blindado, encontrou-se com Garcez e lhe entregou R$ 2,1 milhões em dinheiro vivo.

Cachoeira orientou Garcez pelo telefone: “Manda trazer o dinheiro aqui no Excalibur (prédio onde mora Cachoeira), entendeu? Manda o professor (Walter Santiago) trazer no Excalibur, porque ele tá com carro blindado”.

CONFORTO - A casa onde moraram o governador Marconi Perillo e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ela foi vendida por R$ 2,1 milhões em dinheiro vivo (Foto: Fernando Gallo/AE)
Em seguida, Garcez informou a Cachoeira que Lúcio Fiúza, então assessor especial de Perillo, estava com eles no carro. Responde Cachoeira: “Então pega tudo e vem para casa. Dá só os quinhentos na viagem para o doutor Lúcio. (...) Já fala para o doutor Lúcio pegar os cem também (parte do assessor de Perillo). É dois e cem, viu (R$ 2,1 milhões, o dinheiro a ser entregue)? Pega os cem logo e já mata ele, ou então já fala a data que ele tem de entregar”. Não fica claro se os R$ 500 mil para Fiúza referem-se à parte de Perillo nessa segunda operação – ou se era um pagamento pendente por outra razão. Também nessa segunda operação, Cachoeira recebeu – e distribuiu a gente próxima a Perillo – mais dinheiro do que valia o imóvel.

Cachoeira confirma isso num diálogo com Andressa, ainda no dia 12. Andressa pergunta por quanto ele vendeu a casa. “Dois e cem”, diz Cachoeira. “Esse trem é do Marconi e não ia dar certo, não. Tem de passar logo esse trem para o nome dele (possivelmente o empresário Walter). Porque eu vou perder um trem de bilhões por causa de um negócio à toa.”

Andressa não quer saber de negócios ou dinheiro. Quer saber da prataria da casa e das coisas bonitas e caras que comprou para decorá-la. “Você explicou para ele (empresário Walter) que roupa de cama, coisa pessoal, acessório de banheiro, nada disso vai, né?”, diz Andressa.

Cachoeira se irrita: “Deixa a roupa de cama do jeito que tá lá. Não faça isso, não. Pega as pratarias que o Wladmir escondeu lá dentro”. “Eu não vou deixar roupa de cama de 400 fios para ele, não. Cê tá louco?”, diz Andressa.

Cachoeira, então, confessa o preço real da casa e revela a existência da “diferença”. “Deixa do jeito que tá. Aquilo lá custou quanto? Afinal, eu comprei ela (a casa) por mil (R$ 1 milhão), vendi por mil e quinhentos (R$ 1,5 milhão). Tá bom, me ajudou a vender.”

A conta é a seguinte, segundo a PF: o empresário Walter Santiago pagou R$ 2,1 milhões pela casa. Destes, R$ 100 mil foram para Fiúza, o assessor de Perillo, R$ 500 mil para Perillo, levados por Fiúza – e o restante, R$ 1,5 milhão, para Cachoeira.

O que Cachoeira fez depois de receber o R$ 1,5 milhão? Ligou para a Delta. Confirmou o recebimento do dinheiro e perguntou a Abreu se o contador da Delta já fora avisado. Abreu disse que estava ao lado de Carlos Pacheco, principal executivo da Delta, a quem Abreu chama de “chefe”. Abreu disse: “Eu falei com o chefe aqui, viu, amigo? Ele falou que era para você guardar esse dinheiro, era para você aplicar lá no entorno (entre Brasília e Goiás), no projeto. Que o projeto lá vai exigir uns 4 milhões e meio, mas eu falo com você pessoalmente”.

A PF não descobriu que projeto seria esse. Mas a fala de Abreu deixa claro o que outros diálogos confirmam: a direção da Delta nacional não só sabia das operações de Cachoeira no Centro-Oeste, como coordenava algumas negociações. Até agora, a Delta insiste na versão segundo a qual Abreu agia sozinho.

E manteve sua linha de defesa, após ÉPOCA questionar a empresa sobre as novas evidências. Por meio de uma nota, a Delta afirma não ter conhecimento da apresentação de uma fatura da empresa ao governador Marconi Perillo, nem da visita de Wladmir Garcez ao Palácio de governo para resolver um assunto da empreiteira. A nota também afirma: “Empresas de construção civil que atuam no setor público, como a Delta, precisam zelar e velar pelo recebimento pontual e em dia dos compromissos assumidos a fim de não ocorrer solução de descontinuidade nas obras”. A empresa diz ainda que o ex-presidente Carlos Pacheco nunca teve relação comercial com Cachoeira e que a empresa tem prestado esclarecimentos necessários aos órgãos instituídos.

Perillo também preferiu não prestar esclarecimentos a ÉPOCA. Não respondeu às perguntas sobre eventuais conversas para discutir pagamentos da Delta e sobre a relação desses pagamentos com a venda da casa.

Em nota, limitou-se a dizer que “prestou, por meses a fio, todos os esclarecimentos solicitados pela imprensa, pela sociedade e pela CPI”. Perillo criticou ainda o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira. Disse que o deputado quer transformar a CPI numa “comissão de investigação do governador Marconi Perillo”. Diz ainda a nota: “No exaustivo crivo a que foi submetido, nenhum fato se encontrou que possa desabonar sua biografia (de Marconi Perillo) de cidadão ou de homem público. Ao contrário, a Receita Federal, por exemplo, emitiu nota técnica na qual atesta que o patrimônio do governador é compatível com seus rendimentos. Portanto, o governador Marconi Perillo informa que, considerando já devidamente esclarecidos os assuntos de fato relevantes, não se pronunciará mais a respeito de questões atinentes a sua vida privada, reservando essa providência, como é natural, unicamente para os assuntos relacionados a suas atividades como governador do Estado”.

Perillo depôs na CPI do Cachoeira há um mês, quando começavam a se acumular evidências de que ele mantinha relações com a empreiteira Delta e com Cachoeira. Na ocasião, foi claro: “O senhor Carlos Cachoeira não teve a menor participação na venda da casa. (A venda da casa) foi feita de forma transparente ao atual empresário Walter Paulo. (...) Os valores (da venda da casa) foram de acordo com o mercado”. Até agora, desconfiava-se que as três afirmações não eram verdadeiras. Agora, com o relatório da PF, sabe-se que são falsas: Cachoeira participou da compra da casa, a operação aconteceu na sombra e o valor da venda foi superior ao de mercado.

Perillo também disse à CPI: “De forma desavisada ou maldosa, vejo, aqui ou acolá, afirmações de que o senhor Carlos Augusto, o Cachoeira, teria influência em meu governo”. Os diálogos interceptados pela PF e a cronologia do pagamento das faturas à Delta revelam que Cachoeira tinha, sim, influência. Outra frase de Perillo: “Falaram (nos diálogos até então divulgados) sobre seus planos (da turma de Cachoeira), mas nada se concretizou. Nada! Reafirmo: nada se concretizou”. Aqui, mais uma vez, as cobranças da Delta ao amigo de Perillo, os cheques compensados nas contas de Perillo e o consequente pagamento das faturas da Delta apontam o contrário. Por fim, Perillo bradou na CPI: “Não tem propina no meu Estado”. É uma afirmação ousada. Os delegados da Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, ao que parece, discordam.

15 de jun. de 2012

As dez horas do governador Agnelo na CPMI

BRASIL – Corrupção – CPMI CACHOEIRA
As dez horas do governador Agnelo na CPMI
Por duas horas a mais o governador do distrito Federal Agnelo Queiroz do PT, bateu, nesta quarta-feira, o recorde do tucano, Marconi Perillo, que havia passado oito horas, dando explicações a CPMI. O momento mais teatral do depoimento foi quando Agnelo colocou à disposição dos membros da CPI a quebra do seu sigilo bancário, telefônico e fiscal, que já está escancarado há muito, por outras investigações que apuram outras irregularidades do petista. Afinal, corruptos escaldados não deixam rastros bancários, fiscais ou telefônicos.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Governador do DF diz ser vítima de perseguição política para tirá-lo do poder, mas não convenceu

Postado por Toinho de Passira
Texto original de Jailton de Carvalho, Chico de Gois e Demétrio Weber
Fonte: O Globo

Após o governador Agnelo Queiroz (PT-DF) permitir, nesta quarta-feira, a quebra de sigilo telefônico, fiscal e bancário para colaborar com os trabalhos da CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo, anunciou que permitirá aos membros da comissão a quebra dos mesmos sigilos. No entanto, em seu depoimento na terça-feira, Perillo não autorizou a comissão a ter acessos. A quebra de sigilos será votada nesta quinta-feira, durante sessão administrativa da CPI.

O depoimento de Agnelo durou dez horas. Ele afirmou em diversas ocasiões que não tem qualquer tipo de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Sobre a Delta Construtora, ele explicou que sua administração teve só um contrato com esta empresa, feito pela administração anterior. E ressaltou que é vítima de uma perseguição política para tirá-lo do poder.

- A organização aqui investigada tramou a minha derrubada. E não agiu sozinha. Valeu-se das falsas acusações plantadas no noticiário. Tudo com o objetivo de desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do Distrito Federal.

Sobre o contrato da Delta com o governo do DF, Agnelo disse que era na área de coleta de lixo e varrição, e foi assinado em 9 de dezembro de 2010, ainda no período do então governador Rogério Rosso, quando Agnelo era apenas governador eleito. Na terça-feira a construtora foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU).

Ao terminar a primeira parte da defesa, Agnelo colocou à disposição dos membros da CPI a quebra do seu sigilo bancário, telefônico e fiscal. Não é a primeira vez que o governador do DF permite a quebra de seu sigilo fiscal: em abril deste ano, ele concedeu a mesma permissão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Também em novembro do ano passado, o ministro Cesar Asfor Rocha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Agnelo e do então ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), entre outros investigados por suspeita de desvios de verbas do Programa Segundo Tempo. A quebra do sigilo foi solicitada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

- Sei que não é usual uma testemunha fazer o que peço. Mas ofereço dar a CPI todos os meus sigilos. Ouvi há alguns dias atras, de um homem do povo, o “velho adágio”, segundo o qual quem não deve não teme – disse o governador. Por volta das 17h, ao ser pressionado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) - que argumentava que Agnelo “poderia não cumprir com sua palavra”-, o governador do DF assinou a autorização para as quebras dos sigilos.

Antes de Agnelo assinar, parlamentares do PT e PDT apresentaram um requerimento com pedido das quebras dos sigilos dos dois governadores, que deverá ser votado nesta quinta-feira. No entanto, após o anúncio da votação, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder do partido na Câmara, disse que o governador Marconi Perillo telefonou informando que também liberaria a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) elogiou o gesto de Agnelo Queiroz, e cobrou que a comissão vote o requerimento para a quebra do sigilo do tucano Marconi Perillo.

- Eu creio que torna inevitável, amanhã, que a CPI proceda a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico também do governador Marconi Perillo – afirmou o senador.

Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB- SP) criticou Agnelo e classificou como política à decisão do petista. Ele justificou que o governador do DF já abriu o sigilo à Justiça podendo a CPI requerer os documentos.

- Já que é nobre para quebrar o sigilo, deveria ser nobre também para se apresentar a essa CPI voluntariamente como o fez o governador Marconi Perillo – disse Sampaio.

CONTRATOS COM A DELTA

Sobre o contrato com a Delta para limpeza pública no DF, o governador ressaltou que esse contrato foi firmado antes de sua gestão, e mediante decisão liminar, determinada pela Justiça. Ele afirmou que 26 dias após tomar posse pediu auditoria nos serviços da limpeza. No último dia 6, o governo do DF notificou a empresa sobre o rompimento deste contrato.

Agnelo rebateu a acusação de que teria, como governador eleito, enviado ofício a Rosso solicitando a prorrogação do contrato com a Delta. Segundo ele, o ofício pedia a prorrogação de contratos "essenciais" que vencessem em dezembro e janeiro. Agnelo afirmou que esse não era o caso da Delta, cujo contrato, com duração de 52 meses, venceria em 2015.

- A empresa (Delta) foi desclassificada, e as outras empresas foram qualificadas, e assinaram contrato com a SLU ( Secretaria de Limpeza Urbana) . Veio a decisão judicial, que desqualificou o contrato. No lugar da Qualix e da Valor Ambiental, a SLU assinou contrato com a Delta. O preço baixo da Delta, de certo, tinha motivo para existir. Se os serviços fossem feitos ante um governo amigo, que permitisse ao lucro não ter fiscalização, permitia ter os preços baixos. Mas o governo eleito pelo povo do Distrito Federal não era amigo – disse Agnelo.

Agnelo afirmou ainda que, em janeiro deste ano, iniciou a pesagem dos caminhões de lixo recolhido pela Delta, o que levou a uma redução de R$ 1 milhão nos pagamentos à empresa.

Agnelo também afirmou que não conhece o presidente afastado da Delta, Fernando Cavendish: - Nunca encontrei com o sr. Fernando Cavendish. Nunca encontrei nem socialmente com ele. Nunca tomei café, nada.

RELAÇÕES COM CACHOEIRA

O governador do DF disse que se encontrou uma única vez com o contraventor Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que isso ocorreu na época em que era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Agnelo contou que esteve com Carlinhos Cachoeira durante visita de trabalho à empresa Vitapan, de propriedade do contraventor, em Anápolis (GO). O governador disse que, como diretor da Anvisa, visitava diversas empresas e que, na Vitapan, manteve contato com a equipe técnica.

Agnelo enfatizou que não há ligação telefônica dele com Cachoeira nas gravações da PF.

- Não tem uma ligação minha, não tem uma ligação comigo ou qualquer secretário meu, do Cachoeira ou do seu grupo diretamente. Voz, interceptação dessas pessoas. Portanto, sr. presidente (da CPMI, senador Vital do Rêgo), acredito que a apuração da Polícia Federal, que respeito muito, muito séria, detalhada, ela não deixa dúvida nenhuma - disse Agnelo.

Segundo o governador, as informações divulgadas na imprensa sobre casas de jogos fora dos limites do DF são “infundadas”: - A história que hoje trago é a de um governo que vem sendo perseguido pelo crime organizado.

AUMENTO DE PATRIMÔNIO

Agnelo Queiroz afirmou que não há irregularidade em sua evolução patrimonial. Ele explicou que comprou a casa onde mora no período em que estava sem mandato, lembrando que tanto ele quanto a mulher são médicos e, portanto, teriam condições de adquirir o imóvel. O governador disse que a decisão de abrir mão de seus sigilos bancário e fiscal, além do telefônico, tem o objetivo de mostrar justamente isso.

- O único período que não tinha mandato, que não estava cuidando da atividade pública, foi justamente o período em que fiz a aquisição, e isso ser considerado como se fosse um crime ou uma desonestidade, isso é inadmissível, não admito uma coisa dessas.

Agnelo falou sobre o tema ao responder ao relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que mencionou reportagem do GLOBO, do último domingo, que mostra que o patrimônio de Agnelo cresceu quase 12 vezes de 1998 a 2010. O governador disse à CPI que o ritmo de crescimento se deu nessa velocidade pelo fato de ser um patrimônio pequeno.

- Não quero nenhum tipo de suspeição sobre a minha vida. Eu tenho uma história de vida. Fui deputado distrital, deputado federal, ministro de Estado de Esporte do presidente Lula, e diretor da Anvisa. Uma história como essa, com 30 anos de trabalho, como médico que sou, minha esposa também, já aposentada por tempo de serviço, é evidente que não posso ouvir aleivosias dessa ordem - disse o governador.

ARAPONGAS


Ao afirmar que foi vítima de arapongagem por um grupo que atua no "submundo do DF", o governador Agnelo Queiroz disse que vai investigar o caso a fundo.

- Que os arapongas ponham as barbas de molho, porque vamos até as últimas consequências para pegá-los - afirmou.

O petista chegou a afirmar que há um grupo criminoso que além de grampear faz dossiês. Ele disse que foi grampeado assim como outras 300 pessoas no Distrito Federal.

- Eu fui vítima disso, grampeado também. Não só o meu como de 300 telefones pessoas do Distrito Federal. Essa prática criminosa da arapongagem, das montagens, dos dossiês. Somos vítimas disso. Repudio isso. Jamais posso admitir qualquer atitude que ocorra nesse sentido. Agora, tomei providência: instalei comissão de investigação na Polícia Civil para poder apurar rigorosamente essa política de arapongagem.


13 de jun. de 2012

As oito horas do governador Perillo na CPMI

BRASIL – Corrupção – CPMI CACHOEIRA
As oito horas do governador Perillo na CPMI
Após oito horas na CPI, Perillo nega influência de Cachoeira no governo. Governador se disse 'injustiçado' que está sendo vítima de "fatos distorcidos e informações descabidas"com a ligação de seu nome com bicheiro.Ele negou contradição sobre venda da casa na qual Cachoeira foi preso. Os aliados partidários do governador disseram que ele foi esclarecedor, o pessoal da base aliada, não ficou satisfeita com as explicações e vai pedir a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do govenador.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O governador afirmou que não tem responsabilidade pela casa após a venda. "É incrível que eu seja exposto por ter vendido um bem pessoal, absolutamente dentro da lei. Enquanto outros cobram propina, fazem esquemas em licitações, eu sou acusado de ter vendido a minha casa, e tudo dentro da lei".

Postado por Toinho de Passira
Texto base: Felipe Néri, Priscilla Mendes e Vítor Matos para o Portal G1
Fontes: G1, Agência Brasil, Congresso em Foco, Revista Época, UOL

Em depoimento de oito horas e meia à CPI que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários nesta terça-feira (12), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO), negou envolvimento pessoal com o contraventor e também rejeitou suspeitas de que o grupo que explorava o jogo ilegal no estado exerça algum tipo de influência em sua gestão.

Investigação da Polícia Federal apontou suposta influência de Cachoeira no governo de Goiás. O bicheiro teria relações com auxiliares do governador. Servidores do governo de Perillo, como a ex-chefe de gabinete, um assessor direto e o presidente do Detran, pediram demissão após divulgação de suposto vínculo com o grupo do bicheiro.

"Eu rechaço veementemente a possibilidade de corrupção no meu governo", afirmou o governador. "Acho que muitas pessoas gostariam de desestabilizar o meu governo. Agora, eu jamais diria que essa é a intenção da CPI."

Em uma das gravações de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a PF capturou um telefonema em que Perillo cumprimenta Cachoeira pelo aniversário do contraventor. Há suspeita de que uma casa vendida pelo governador tenha sido comprada indiretamente por Cachoeira, numa transação que teria envolvido assessores de Perillo. Em fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, a Polícia Federal prendeu Cachoeira nessa casa.

Perillo começou a depor às 10h30 e falou por pouco mais de uma hora antes de começar a responder perguntas de deputados e senadores. Em suas considerações iniciais, ele afirmou que se sente "vítima de uma grande injustiça".

Por volta das 11h45, passou a ser questionado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), e em seguida pelos demais parlamentares. Sobre a venda de sua casa, na qual Cachoeira foi preso pela PF, ele negou que haja contradições nas versões - há ao menos quatro versões para a venda do imóvel. Perillo afirmou ainda que pode ser vítima de grampos ilegais e que vai abrir investigação para confirmar as suspeitas.

Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) e o senador Mario Couto (PSDB-PA), que não aparece na imagem, discutem calorosamente durante o depoimento de Perillo se ele estava ali como testemunha ou como investigado

Bate-boca na CPI
Durante a sessão da CPI, uma pergunta do relator desencadeou um tumulto e um bate-boca entre os parlamentares na sessão. Cunha perguntou a Perillo, que depôs na condição de testemunha, se o governador estaria disposto a autorizar a quebra de seu sigilo telefônico.

De imediato, parlamentares da oposição se dirigiram aos gritos ao relator, reclamando da indagação de Odair Cunha. "Ele [Perillo] nao é investigado. [...] O relator se perde, ele está aqui como testemunha", gritou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP."O governador Marconi Perillo é, sim, investigado pela CPI", respondeu Cunha. Depois, o presidente da comissão esclareceu que o governador não era investigado, mas sim testemunha.

Relações com Cachoeira
Em sua fala, Perillo destacou que "não há fato concreto" nas interceptações telefônicas que apontam o envolvimento de servidores em irregularidades. "Não há consequência prática entre as conversas e as ações do meu governo. Por uma razão muito simples: nunca tive proximidade com o sr. Cachoeira. [...] Reafirmo, nunca tive relação de proximidade com o sr. Carlos Cachoeira, embora fosse ele uma pessoa de livre trânsito na sociedade."

Ainda segundo o governador, na investigação da Polícia Federal não há registro de nenhum telefonema que ele tenha recebido de Cachoeira. Ele contou que, no telefonema que fez ao bicheiro, estava na casa de um amigo, durante uma reunião social, quando alguém lembrou que era dia do aniversário de Cachoeira e perguntou a ele se não gostaria de cumprimentá-lo. Perillo disse ter o hábito de parabenizar as pessoas pelos aniversários.

"Não estava telefonando para o contraventor, mas para o empresário", declarou Perillo, em referência aos negócios de Cachoeira na área da indústria farmacêutica em Goiás

De acordo com Marconi Perillo, o único encontro formal entre ele e Carlinhos Cachoeira se deu na sede do governo. "Ocorreu no Palácio das Esmeraldas, em audiência, como empresário, formalmente solicitada para tratar de assuntos da Vitapan (empresa farmacêutica)." A Vitapan é oficialmente da ex-mulher de Cachoeira, mas, segundo a PF, continua sendo comandada pelo bicheiro.

Foto: Sergio Lima/Folhapress

Estudantes da cidade de Itumbiara (GO) protestam contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no Congresso, em Brasília

O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto, ironizou as declarações de Perillo. "No mínimo, o senhor não tem muita sorte. [...] O senhor vende uma casa, quem compra é o Cachoeira. Num momento de descuido, o sr. liga pro Cachoeira e a PF grampeia. E agora, por um azar do destino, a filha do senhor é colega da sobrinha do Cachoeira."

Jogo ilegal
Perillo disse ainda que, durante o governo dele, houve combate à contravenção e apreensão de máquinas caça-níqueis. "Em relação ao jogo do bicho, quatro operações em média foram realizadas no meu governo, quatro operações por dia", disse.

“A determinação minha sempre foi de combater a contravenção. No inicio, a atividade era legal, havia um contrato com o senhor Cachoeira e o governo do estado por meio da Gerplan”.

Perillo contou ter ouvido falar pela primeira vez no nome de Cachoeira em 1996, quando era deputado federal, e que Cachoeira havia ganhado uma licitação, pela Gerplan, para administrar jogos da loteria de Goiás. Citou que quando assumiu o primeiro mandato (1999-2002), o contrato do governo com a Gerplan estava em vigor.

"O senhor nunca foi informado sobre as ações do principal contraventor do seu estado?”, perguntou o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ). “Esse é um juízo de valor que o senhor está fazendo. Eu o conheci como empresário”, respondeu o governador.

Depois, ao ser perguntado sobre sua posição a respeito do jogo, Perillo respondeu: "Não jogo e sou contra o jogo. Entre a hipocrisia reinante e a legalização, talvez fosse melhor que uma providência como essa fosse tomada. Embora repita: se fosse votar aqui no congresso, votaria contra".

Venda da casa
O governador negou ainda que existam contradições em relação à versão que apresentou sobre a venda da casa da qual era proprietário, em Goiânia. "Na minha opinião, essa história da casa está absolutamente explicada", declarou.

Há quatro versões para a venda da casa. Em depoimento à CPI, no último dia 10, o delegado Matheus Mella, da PF, que coordenou a Operação Monte Carlo, disse que a casa foi comprada pelo sobrinho de Carlinhos Cachoeira e que o governador Marconi Perillo recebeu R$ 1,4 milhão em três cheques.

Na versão de Perillo, quem intermediou a venda foi o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, mas a escritura saiu em nome do empresário Walter Paulo Santiago. Afirmou que recebeu R$ 1,4 milhão em três cheques.

Perillo voltou a afirmar que seu ex-assessor Lúcio Fiúza estava presente no ato da venda da casa de Garcez para Walter Paulo apenas para "dar legitimidade".

Foto: Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Segundo Perillo, há apenas um registro, na Polícia Federal, de ligação telefônica entre ele e Carlinhos Cachoeira. "São 30 mil horas de gravações. Três anos de gravações, e nenhuma ligação do senhor Carlos Cachoeira para meu gabinete, para mim. Apenas uma ligação minha para cumprimentar pelo seu aniversário".

Garcez disse que comprou a casa para si e que pediu dinheiro emprestado a Cachoeira e a Cláudio Abreu, ex-diretor da empresa Delta. Depois, teria verificado não que a quantia que possuia não suficiente para pagar a dívida e disse que revendeu o imóvel a Walter Paulo Santiago.

À CPI, Santiago afirmou que pagou em dinheiro pela casa para Lúcio Fiúza, ex-assessor do Perillo, e para Wladimir Garcez. Disse que, depois de comprar, emprestou a casa a Garcez, que, por sua vez, a emprestou a uma amiga, Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira.

O relator Odair Cunha questionou sobre o fato da escritura a casa não ter saído em nome de Garcez. "Durante longo tempo cogitou-se que vendi para o Cachoeira. Restou provado que não foi. Ocorre que não adianta forçar a barra. Quem pediu para comprar a casa foi o Garcez. Acertamos o valor e ele ficou de pagar com cheques pré-datados. Não tinha como eu escriturar a casa sem ter os cheques pagos. Segundo, eu não tinha como, não tinha bola de cristal, que o sr. Garcez tinha recorrido aos seus patrões", respondeu Perillo.

O governador disse que não viu quem eram os emitentes dos cheques. Nas cópias dos cheques entregues por Perillo à CPI, o emitente é a Excitant Indústria e Comércio, empresa que, de acordo com a PF, pertence a uma cunhada de Cachoeira - segundo a investigação da Polícia Federal, a Excitant recebeu depósitos da Alberto e Pantoja, empresa fantasma que supostamente abastecia as contas do grupo de Cachoeira.

Delta
Perillo negou que Garcez o tenha procurado para falar de pleitos de Cachoeira ou da Delta que, segundo a PF, ajudava o esquema do bicheiro.

Ele disse, porém, ter conhecimento de que Garcez procurava órgãos do governo com essa intenção.

"Garcez nunca me levou pleito algum de Cachoeira. Sei que levou a alguns órgãos do governo pleitos da Delta. Ele recebia um valor da Delta e um menor do Cachoeira. A mim, ele nunca levou pleito da Delta e do Cachoeira".

Segundo o governador, a Delta recebeu R$ 14 milhões em 2011 e R$ 4 mihões em 2012 por obras resultantes de contratos com o governo de Goiás.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O governador Marconi Perillo ao responder a pergunta feita pelo relator se ele abriria expontaneamente o seu sigilo respondeu: "Esta decisão não me cabe, cabe à CPI e ao Judiciário. Vocês são quem devem tomar tal decisão", disse o governador.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) perguntou se Perillo conhece Fernando Cavendish, presidente afastado da Delta, e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste. "Nunca conversei com o Cavendish. Sei que ele já foi a Goiás. Teve encontros, não sei com quem." Sobre Abreu, esteve poucas vezes em eventos sociais em Goiânia.

Nomeações
O governador também foi perguntado sobre se foram nomeadas pessoas a pedido do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que responde no Conselho de Ética por supostamente ter beneficiado o bicheiro, ou de Wladimir Garcez.

Sobre Garcez, ele disse que o ex-vereador afirmou à CPI não ter feito nomeações. A respeito de Demóstenes, ele respondeu que sim. "Pessoas qualificadas, que estão em vários órgãos. Mas nunca tratou comigo de qualquer pleito relacionado a Cachoeira."

Auxiliares exonerados
Perillo comentou sobre a sua ex-chefe de gabinete, que pediu exoneração após divulgação de áudios que apontavam que ela recebia informações privilegiadas sobre operações policiais cujo alvo seria o grupo de Cachoeira.

"A sra. Eliane Pinheiro era encarregada dos assuntos partidários. Trabalhou durante 20 anos em vários governos, inclusive no meu. Ela trabalhava atendendo aos partidos e aos parlamentares, em sala distante da minha. Nunca pediu pra favorecer nada a nenhuma pessoa ligada aos investigados. Ela saiu do meu governo por se sentir contrangida. Eu não sabia das relações dela com o Cachoeira", declarou.

Sobre o presidente do Departamento de Trânsito em Goiás (Detran-GO), Edivaldo Cardoso, que pediu exoneração após denúncia de elo com Cachoeira, Perillo afirmou que nunca recebeu pedidos do auxiliar.

"Edivaldo nunca me apresentou qualquer pedido de interesses de outra pessoa. A única conversa que teve comigo sobre o Cachoeira foi quando me convidou para um jantar em sua residência e disse que entre os convidados estaria o sr. Carlos Augusto Ramos. Nesse contato informal, ouvi do convidado propostas de isenção fiscal [relativas ao laboratório]", afirmou.

Jornalista
O governador também falou sobre suposto pagamento recebido pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni, que atuou em sua campanha eleitoral. Bordoni diz ter recebido da campanha de Perillo pagamento depositado na conta de sua filha de uma empresa apontada pela PF como laranja que abastecia o esquema de Cachoeira.

O relator Odair Cunha disse que Bordoni afirmou que prestou serviço por R$ 170 mil enquanto que o governador afirma que pagou R$ 33 mil. Cunha destacou fala de Bordoni, de que recebeu R$ 40 mil em dinheiro da mão do governador e que Perillo teria tirado dinheiro de um frigobar.

"Bordoni disse que recebeu do sr. R$ 40 mil em dinheiro, foi o primeiro pagamento, disse que o senhor tirou o dinheiro dentro de um frigobar. Disse Bordoni: só podia estar desligado porque o dinheiro não estava gelado", afirmou o relator, que arrancou risadas dos demais parlamentares.

Perillo rebateu: "Ele tem que provar isso na Justiça. Nesse escritório tem um pequeno gabinete, que tem frigobar, quadros, mas que todo mundo conhece. Claro que qualquer pessoa que tenha passado por lá tem condições de descrever esse ambiente."

Doações
O relator citou que a PF afirma que Rossini Guimarães, sócio de Cachoeira em empresa de segurança, doou recursos para campanhas do PSDB em Goiás. Perillo afirmou que recebeu doações de Rossini e que constam na prestação de contas. Perillo diz que desafia qualquer pessoa a provar que houve direcionamento em licitações no seu governo.

Perillo nega que tenha recebido doações da Delta para sua campanha. "Mas eles podem ter feito colaboração através da empresa de Rossini’, pergunta Odair Cunha. “Pode ter. Não sei”, disse Perillo.

Durante o depoimento, Perillo foi elogiado e criticado por parlamentares. O senador Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado, falou que o depoimento foi "esclarecedor" e o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) elogiou as respostas do governador. Mas o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, que voltou a defender a quebra do sigilo atacou: "O senhor vende uma casa, quem compra é o Cachoeira. Em um momento de descuido, o senhor liga para o Cachoeira e a PF grampeia. E agora, por um azar do destino, a filha do senhor é colega da sobrinha do Cachoeira. No mínimo, o senhor não tem muita sorte".

Foto: Sérgio Lima/Folhapress

O que Aécio Neves e Fernando Collor tricotavam durante o depoimento do governador Marconi Perillo ?


*Alteramos o título, acrescentamos: subtítulo, comentários adicionais baseados nas fontes, fotos e legendas a publicação original