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28 de out. de 2014

Corte de Bolonha, Itália, nega pedido de extradição de Henrique Pizzolato, condenado pelo mensalão

BRASIL – ITÁLIA - Mensalão
Corte de Bolonha, Itália, nega pedido de extradição de Henrique Pizzolato, condenado pelo mensalão
A Advocacia Geral da União diz que vai recorrer. Ex-diretor de marketing Banco do Brasil foi solto hoje e vai responder ao processo de ter entrado no país com documentos falsos em liberdade.

Foto: Michel Filho/Agência O Globo

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato (ao centro)
é um dos fundadores do PT no Paraná

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo

A Corte de Apelações do Tribunal de Bolonha, na Itália, negou nesta terça-feira o pedido, feito pelo governo brasileiro, de extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de prisão no processo do mensalão. Pizzolato fugiu para a Europa após a sua condenação no Supremo Tribunal Federal.

A Advocacia Geral da União (AGU) já informou que pretende recorrer da decisão à Corte de Cassação, em Roma. Mas, enquanto isso, o ex-diretor do BB vai aguardar a decisão em liberdade. Ele deverá ser solto até quarta-feira e deve voltar para sua casa em Maranello, na Itália.

Após cinco horas de audiência, a Justiça italiana decidiu que Pizzolato não poderia ser devolvido ao Brasil diante das más condições das prisões brasileiras, do estado de saúde dele e por ele ter cidadania italiana. Segundo a defesa, o réu tem "graves problemas psquiátricos".

Os advogados ainda argumentaram que o Brasil desrespeitou a Convenção Americana Sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Um dos tópicos do artigo 8 do pacto, sobre garantias judiciais, diz que toda pessoa acusada de delito tem direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior. Outro artigo, o 25, estabelece que os Estados Partes se comprometem a desenvolver as possibilidades de recurso judicial, o que não aconteceu no julgamento do mensalão no STF, por ser esta a última instância da Justiça no Brasil. O país promulgou a convenção em 1992.

Participaram da audiência integrantes do Ministério Público italiano; um representante da Advocacia Geral da União (AGU), dois advogados do escritório italiano contratado pela AGU; advogados de defesa de Pizzolato; e um procurador e uma assessora do gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O Ministério Público da Itália havia se posicionado de forma favorável à extradição no primeiro semestre deste ano. E, em maio, a Justiça do país europeu rejeitou o pedido da defesa para que ele pudesse aguardar em liberdade a decisão sobre o processo de extradição.

O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, pediu à Procuradoria-Geral da República e à Advocacia Geral da União (AGU) que recorram contra a decisão da Corte de Bolonha de rejeitar o pedido de extradição de Pizzolato. Segundo o secretário, é importante adotar todas as medidas cabíveis para esclarecer todas as dúvidas pendentes da Justiça italiana sobre o caso.

CONDENAÇÃO NO MENSALÃO

Pizzolato foi condenado pelo Supremo a 12 anos e sete meses de prisão, além do pagamento de multa de R$ 1,3 milhão, no julgamento do mensalão. Os crimes apontados na condenação são corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

Em setembro de 2013, ele fugiu do Brasil e foi para a Itália com um passaporte italiano falso no nome do irmão, Celso, morto em 1978. O ex-diretor do BB foi preso em Maranello, no Norte da Itália, em 5 de fevereiro.

Cidadão italiano, ele ficou preso durante todo o processo no presídio Sant’Anna di Modena, na cidade italiana de Modena, conhecida na Itália como “prisão de ouro”, por conta dos altos custos envolvidos em sua construção, na década de 1980. Em fevereiro, quando Pizzolato foi preso, a penitenciária abrigava quase 600 presos, quando foi construída inicialmente para receber 221.

Foto: Alessandro Fiocchi

O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no caso mensalão, é solto na Itália

LIBERDADE

O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, ao sair da prisão a Itália, nesta terça-feira (28) que fugiu do Brasil para salvar sua vida e que não sabia que a presidente Dilma Rousseff, sua companheira de partido, havia sido reeleita.

Ele deu entrevista de dez minutos a jornalistas brasileiros e italianos em Modena, em torno das 20h30 do horário local, logo depois de ser solto pela Justiça italiana.

Questionado sobre o resultado da fuga e se havia valido a pena deixar o Brasil, disse: "Eu não fugi, eu salvei minha vida. Você acha que salvar a vida não vale a pena?"

Pizzolato não disse claramente se sentia ameaçado no Brasil, apenas respondeu aos jornalistas com uma pergunta. "O que você acha?", disse. "Ninguém me ameaçou. Eu não preciso de ameaça. Eu sei ler as coisas", afirmou.

O petista ainda declarou que não pediu apoio ao PT ao longo do processo do mensalão.

Ao falar sobre o seu envolvimento no caso do mensalão e condenação pelo STF, disse não sentir rancor, apenas "pena e indiferença".

"Eu tenho é pena das pessoas que fizeram isso. Das pessoas que agem com prepotência. Que tem soberba."

Quando os jornalistas pediram que citasse alguém que agiu com soberba, afirmou: "Se você adivinhar um, ganha um fusca".

Questionado sobre o que faria primeiro após se solto, disse que esperaria sua mulher, para abracá-la, e que queria "apenas dormir".

O petista deixou a prisão com a mulher e não revelou o destino, apenas afirmou que não iria para longe.

Alternando suas respostas entre o português e o italiano, o ex-diretor do BB também disse estar com a consciência "limpíssima" e que não perdeu "uma noite de sono".

Afirmou ainda que considera a Justiça italiana muito melhor do que a brasileira, porque no país europeu "os juízes não se deixam conduzir pela imprensa e pela TV".

"Aqui os juízes seguem as leis, seguem as provas. Não fazem como no Brasil, que escondem os documentos para condenar os inocentes", afirmou.

(Atualizado d revisado às 20:40)

14 de out. de 2014

Enfermeira italiana é acusada de matar 38 pacientes, com injeções letais, porque eles eram "chatos"

ITÁLIA – Crime
Enfermeira italiana é acusada de matar 38 pacientes,
com injeções letais, porque eles eram "chatos"
A profissional da área de saúde começou a ser investigada como suspeita da morte de uma paciente idosa, mas a polícia suspeita que fosse ela também responsável pela morte de mais pelos 37 outros casos. No celular, a enfermeira foi encontrado uma selfie, sorridente, tirada ao lado de um paciente morto

Foto: Corelli/ Servia Notizie

A enfermeira Daniela Poggiali, sorridente e desafiante é conduzida pelos Carabineiros após ter sido interrogada pela juíza.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Época, Corriere della Sera , Daily Mail, Libero Quotidiano , Servia Notizie

A policia italiana suspeita que a enfermeira Daniela Poggiali, de 42 anos, pode ser responsável pela morte de 38 pacientes, que estiveram sob seus cuidados.

Tudo começou com a investigação da morte de uma idosa, Rosa Calderoni, de 78 anos. A autópsia constatou que no corpo da paciente falecida, havia uma quantidade cavalar de cloreto de potássio letal, uma substância que é utilizada na aplicação de sentença aos condenados a pena de morte.

De acordo com o jornal italiano Libero Quotidiano, Poggialli está presa preventivamente, acusada da morte de Rosa Calderoni, e deve responder por homicídio qualificado.

Mas, além disso, há fortes indícios de se tratar de uma “serial killer”: ela usualmente pode ter administrado doses fatais de potássio em outros pacientes, por considera-los “chatos”, ou de cujas famílias ela não gostava.

Depoimentos de funcionários do hospital, comprovam o instinto sádico da enfermeira, ao atestarem que Poggialli dava laxativos aos pacientes, para incomodar os enfermeiros que assumiriam após seu turno.

Segundo o Corriere della Sera, os funcionários do hospital suspeitaram de Poggiali porque, estranhamente, os pacientes costumavam piorar e morrer durante seu turno.

A polícia italiana afirma que será difícil provar a culpa da enfermeira nos outros casos, pois depois de alguns dias, o potássio desaparece do organismo sem deixar vestígios, o que dificulta as investigações.

No celular de Poggialli, a polícia encontrou uma selfie da enfermeira, com os polegares para o alto, ao lado de um paciente que acabara de morrer.

20 de set. de 2014

Os 80 anos de Sophia Loren

ITÁLIA - Aniversário
Os 80 anos de Sophia Loren
Seu encanto imperecível é tamanho que, há alguns anos, um cardeal católico brincou que, embora a clonagem seja eticamente errada, poderia se abrir uma exceção para Loren.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:  G1, Wikipedia, O Globo , Veja, Amica, La Tribuna de Albacete , Corriere della Sera

Sophia Loren, ícone do cinema italiano e eterna diva, faz 80 anos hoje, 20 setembro, o dia será marcado com o lançamento de um livro de memórias que revela detalhes de sua vida da pobreza ao estrelado.

A vida de uma criança pobre que atinge o estrelato mundial pode parecer história de cinema, mas Sophia Loren teve uma infância difícil real na pequena cidade de Pozzuoli, na Itália.

A beleza da morena de olhos azuis chamava atenção. Aos 14 anos, participou de um concurso de miss e, apesar de não ter levado o prêmio, conseguiu fazer algumas participações em filmes. Ainda adolescente, foi descoberta pelo produtor Carlo Ponti, com quem se casou mais tarde.

Para escrever as 300 páginas de "Ontem, Hoje e Amanhã - Minha Vida" , Loren mergulhou no que chama de “baú de lembranças” à caça de fotos antigas, cartas e bilhetes de figuras como Cary Grant, Frank Sinatra, Audrey Hepburn e Richard Burton, sem falar de sua alma gêmea, o também italiano Marcello Mastroianni.


Sophia Loren com o ator americano Cary Grant, seu parceiro em vários filmes de Hollywood, como "Orgulho e Paixão" e "Casa Flutuante", em 1960

PICANTE

O volume inclui muitas passagens picantes, como a ocasião em que ela deteve os avanços físicos de Marlon Brando com um olhar fulminante e aquela em que Grant sugeriu que rezassem para tomar a decisão certa por estarem se apaixonando no set de filmagem.

“De repente ele (Brando) colocou as mãos em mim. Virei-me com toda a tranquilidade, bati em seu rosto e disse “Não ouse fazer isso de novo. Nunca mais!”, escreveu. “Quando o pulverizei com os olhos ele pareceu pequeno, indefeso, quase uma vítima de sua própria notoriedade. Ele nunca mais repetiu o gesto, mas foi muito difícil trabalhar com ele depois disso”.

Com Grant a história foi diferente. Os dois se apaixonaram em 1956, durante a filmagem de “Orgulho e Paixão”, quando ela só tinha 22 anos e já estava envolvida com Carlo Ponti, seu futuro marido. Grant estava com 52 anos e em seu terceiro casamento, mas pediu a mão de Loren mesmo assim.

O livro é um verdadeiro quem-é-quem do cinema mundial nos últimos 60 anos e uma crônica da vida de uma criança bastarda do sul da Itália que vagabundeava pelas ruas na infância e se tornou uma das estrelas de cinema mais glamurosas do mundo. Seu título foi tirado da antologia cômica em três partes dirigida pelo grande Vittorio De Sica, na qual Loren interpretou três papéis diferentes.

O “Amanhã” parece ser sua maneira de dizer que sua carreira não acabou. Seu filme mais recente – uma adaptação de "The Human Voice", de Jean Cocteau – foi lançado este ano.


Sophia Loren e Marlon Brando na première do filme “A Condessa de Hong Kong”, Londres, 1962.

HOLLYWOOD

Quando aportou em Hollywood, no fim da década de 50, a italiana já havia estrelado mais de 30 filmes italianos, tendo então estreado com o tal filme ‘Orgulho e paixão’, com Frank Sinatra e Cary Grant, os dois maiores nomes do cinema masculino americano. Em 1958, fechou um contrato de cinco filmes com a Paramount e atuou novamente ao lado de Grant na comédia romântica ‘Tentação morena’, na qual vive uma socialite italiana que se passa por doméstica para fugir das pressões do pai.

O reconhecimento pelo trabalho veio em 1962, quando Sophia Loren ganhou o Oscar de melhor atriz por ‘Duas mulheres’, do diretor Vittorio de Sica. No drama, ela interpreta uma viúva que abandona Roma com a filha de 13 anos para fugir das bombas da Segunda Guerra Mundial. Foi a primeira vez em que uma atriz recebeu o prêmio da Academia pelo desempenho em um filme de língua não inglesa.


Sophia Loren e Marcello Mastroianni, o parceiro de grandes filmes, sua alma gêmea cinematografica

CACHÊ MILIONÁRIO

A década de 1960 colocou Sophia no estrelato. Depois do Oscar, ela fez dezenas de filmes nos Estados Unidos e na Europa, chegando a cobrar cachê de US$ 1 milhão para estrelar o filme ‘A queda do império romano’.

No mesmo ano, foi novamente indicada à estatueta de melhor atriz pela comédia ‘Matrimônio à italiana’. Em entrevista, disse que se tratava de um de seus filmes favoritos. O longa-metragem foi uma das oito produções em que a atriz trabalhou com o diretor Vittorio de Sica, e também uma das grandes parcerias com o ator Marcello Mastroianni. Por conta do filme, que completa 50 anos, foi convidada de honra na edição deste ano do Festival de Cannes.

Mastroianni e Sophia Loren fizeram outros nove filmes juntos, incluindo ‘Um dia muito especial’, que mostra o início da amizade entre dois vizinhos que nunca haviam se falado antes no dia em que Mussolini e Hitler se encontram em Roma para selar uma união política entre a Itália e a Alemanha.


Sophia Loren, homenagem de Hollywood, um dos "tesouros do cinema", 1991

PRÊMIO ESPECIAL EM HOLLYWOOD

Em 1991, Sophia recebeu um prêmio honorário da Academia e foi declarada um dos tesouros do cinema. Com mais de cem filmes no currículo, começou a ficar mais seletiva. Depois de 14 anos longe dos Estados Unidos, voltou às telonas com ‘Nine’, um musical adaptado da Broadway. Ela foi a primeira escolha do diretor Rob Marshall para o papel da mãe do protagonista Guido Contini. O elenco tem outras beldades do cinema, como Penélope Cruz,Marion Cotillard, Kate Hudson e Nicole Kidman.


Sophia Loren, um crítico chamou de maior produtor de exportação italiano depois do macarrão.

ANIVERSÁRIO

Cada ocasião em que Loren comemora uma data importante é quase um evento nacional, e em parte um lembrete amargo de que os bons tempos que ela simbolizou terminaram. Um canal de televisão está passando só filmes seus durante a semana como homenagem à mulher que ganhou dois Oscars, o primeiro em 1961 por seu retrato trágico de uma mãe nos tempos de guerra no clássico neo-realista de De Sica "Duas Mulheres".

Estão sendo organizadas exibições de fotos e mesas redondas sobre a ascensão extraordinária à fama planetária de uma adolescente pobre descoberta por um produtor de cinema que mais tarde se casou com ela e a transformou no que um crítico chamou de maior produtor de exportação italiano depois do macarrão.

Seu encanto imperecível é tamanho que, há alguns anos, um cardeal católico brincou que, embora a clonagem seja eticamente errada, poderia se abrir uma exceção para Loren.

COMENTAMOS: A nossa geração adolescente, não parava de prestar “homenagens” a Sophia Loren, nos banhos e nas noites inspiradas, até a exaustão.

13 de mar. de 2014

Um ano de pontificado do Papa Francisco:
“Vai, Francisco, e repara a minha casa em ruínas”

ROMA - VATICANO
Um ano de pontificado do Papa Francisco:
“Vai, Francisco, e repara a minha casa em ruínas”
Num ano, a Igreja começou a mudar. Francisco mudou a forma de ser Papa. Colocou o Evangelho acima da doutrina. É um homem vindo do Sul, o que traduz uma viragem geopolítica. “Francisco é um homem do Novo Mundo”, frisa o jornalista Massimo Franco

Foto: Max Rossi/Reuters

Nunca se vira um Papa tornar-se tão popular em tão poucos minutos, na Praça de São Pedro.
No dia seguinte, a imprensa definia-o como “um Papa de gestos humildes que prenunciam mudanças revolucionárias.”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Jorge Almeida Fernandes
Fonte: Publico

Foi há um ano, pouco depois das 20h30. Houve a fumaça branca. O cardeal Tauran pronunciou o Habemus Papam. Um homem de túnica branca, Jorge Mario Bergoglio, agora Francisco, avançou e saudou os fiéis: “Fratelli e sorelle, buona sera." (Irmãos e irmãs, boa noite.)

Estas cinco palavras começaram a mudar a Igreja Católica. A multidão concentrada na Praça de S. Pedro percebeu e rendeu-se. “Nunca se vira um Papa tornar-se tão popular em tão poucos minutos”, resumiu Odon Vallet, historiador das religiões.

Bastaram 24 horas para que a imprensa o definisse como “um Papa de gestos” – gestos humildes que “prenunciam mudanças revolucionárias”.

Francisco despoja-se da pompa. Reduz ao mínimo as insígnias pontifícias. Recusa viver “no palácio”. Muda a forma de ser Papa. Veste a pele de pastor, “próximo das pessoas como João XXIII” – o “bom Papa João”.

A escolha do nome fez evocar o apelo que em 1205 mudou a vida do poverello de Assis: “Vai, Francisco, e repara a minha casa em ruínas.”

“O que torna este Papa tão importante é a rapidez com que captou a esperança dos milhões de pessoas que haviam perdido toda a esperança na Igreja.” – escreveu a revista Time quando, em Dezembro, o elegeu a personalidade do ano. Ou, na expressão de Enzo Bianchi, um monge leigo italiano, despertou nos católicos “o sonho de que uma outra Igreja é possível”.

Foto: Fabio Frustaci/EPA

Popular urbi et orbe

“Quanto desejaria uma Igreja pobre e para os pobres”, disse a 16 de Março, três dias depois da eleição. A sua primeira viagem apostólica, em Julho, foi à ilha de Lampedusa, onde desembarcam milhares de imigrantes. Foi “chorar os mortos que ninguém chora”. Disse o historiador católico Alberto Melloni que a homilia de Lampedusa foi “a homilia programática do pontificado”.

Não tocou só os católicos, mas quase todo o mundo. A sua popularidade, a começar pelas redes sociais, é enorme. Não apenas nos países do Sul. É aplaudido nos países ricos, que acusa de egoísmo. Interroga-se um jornalista: “Por que mistério o líder espiritual de uma religião em perda de velocidade suscita uma tal unanimidade em tantas regiões do mundo?” A que necessidade histórica ou inquietação humana responde? É mais fácil constatar do que responder. O carisma não basta.

Alguns pensam que ele está a dessacralizar a função do Papa, tornando-se demasiado próximo, uma “pessoa normal” como diz. Mas — e esse é o paradoxo — ao fazê-lo está a fortalecer a instituição.

“Graças ao Papa argentino (…) a Igreja transformou-se em poucos meses de ‘acusada global’, pelos escândalos de pedofilia e pela opacidade das suas instituições financeiras, numa autoridade moral de novo escutada e influente”, escreve o jornalista Massimo Franco num livro posto à venda esta semana: Il Vaticano secondo Francesco.

Depois da exortação apostólica A Alegria do Evangelho, publicada em Novembro e olhada por muitos como um libelo anticapitalista, o Financial Times homenageou-o em editorial.

“Primeiro, há a sua modéstia pessoal. Numa era em que muitos estão profundamente preocupados com a vaidade das celebridades e a riqueza dos plutocratas, o Papa tornou-se rapidamente no símbolo global da compaixão e da humildade. (…)

Muitos políticos conservadores discordarão da sua crítica ao ‘capitalismo sem freio’. Mas ele exprime as suas preocupações e ansiedades com uma sinceridade e uma autenticidade que nenhum outro líder mundial consegue igualar.”

O jornalista Eugenio Scalfari, agnóstico e laicista, fundador do La Repubblica, escrevia em Fevereiro com o seu peculiar exagero:

“Roma voltou a ser a capital do mundo. Não é a Itália, mas Roma, a cidade do Papa Francisco, que é o centro do mundo; não Washington, não Brasília, não Moscou, não Tóquio, mas Roma. Não acontecia há dois mil anos, mas agora é assim.” Porquê? Porque o jesuíta franciscano está a fazer uma “revolução contra os mandarins do Vaticano” e contra “os interesses ilícitos, a vaidade dos poderosos, a demagogia, o simplismo, a inconsciência, a irresponsabilidade, o despotismo e o privilégio. Francisco é amigo dos não-crentes que combatem nesta batalha e estes são, por sua vez, amigos seus”.

Foto: Osservatore Romano/Reuters

Um homem do Novo Mundo

“Francisco é um homem do Novo Mundo”, frisa Massimo Franco. "Vem da Argentina, que é o Extremo Ocidente, e é um ‘padre urbano’, o primeiro pontífice filho de uma megalópole, Buenos Aires, com 15 milhões de habitantes, que viveu antecipadamente os problemas com que hoje se debatem a Igreja Católica e o mundo globalizado.”

Mas não é só um padre argentino, jesuíta e “global”. O ponto crucial é ser “um estrangeiro à mentalidade da Cúria romana e eleito depois do trauma da renúncia de Bento XVI. A sua tarefa é desmantelar a corte pontifícia e uma nomenklatura eclesiástica frequentemente virada para si mesma”.

A reestruturação que está a ser operada por Francisco não deixa dúvidas. “O que era periferia de excêntrico torna-se central. É também uma “revolução geopolítica” — assinala Franco. Significa ainda a “exportação de uma visão radicalmente nova do catolicismo para o coração da Roma papal”.

Foto: Franco Origlia/Getty Images
A

Moral e doutrina

A primeira preocupação de Francisco é recentrar o catolicismo na mensagem evangélica e romper com “a Igreja dos interditos”. Defende a liberdade de consciência e adverte os padres: “A Igreja não é uma alfândega e há lá lugar para todos com a sua vida difícil.”

Este foi um dos pontos que maior ressonância teve no Ocidente. O Papa diz que não pode estar sempre a falar no aborto, no casamento gay ou nos métodos contraceptivos.

Quanto aos homossexuais, lançou uma tirada que correu mundo: “Quem sou eu para os julgar?” Quer resolver o problema dos católicos recasados. Mas recusa as “soluções casuísticas”. Propõe um “debate aberto” sobre a família. Será este o tema do sínodo extraordinário dos bispos que decorrerá em Outubro, em Roma.

O Papa não tocou em nenhum ponto da doutrina. Espera-se dele uma Igreja mais aberta, mas não um liberalismo doutrinal. Apoiou o movimento dos católicos franceses contra as leis do aborto e do “casamento para todos”. O aborto? “Trata-se de uma questão de coerência interna da nossa mensagem e não devem esperar que a Igreja mude de posição.” Recusa-se a condenar as pessoas, o que é muito diferente.

A sua atitude é distinta das de João Paulo ou Bento. Estes – diz Henri Tincq – denunciavam a permissividade moral, a modernidade que substitui Deus pelo homem ou a “ditadura do relativismo”. Francisco quer mudar os termos do debate. Diz: “As lamentações que denunciam um mundo bárbaro acabam por provocar dentro da Igreja desejos de ordem, entendida como pura conservação, ou uma reacção de defesa.” Não aceita que a Igreja se feche, exige que saia para fora com vocação missionária — pregar os valores evangélicos.

Sublinhou Francisco que ensinamentos dogmáticos e ensinamentos os morais não são equivalentes: “Devemos encontrar um novo equilíbrio, senão o edifício moral da Igreja corre o risco de se desmoronar como um baralho de cartas.” Não renuncia aos dogmas, mas recusa que eles se tornem uma “obsessão”.

Foto: AFP/Getty Images

As reformas da Igreja

Estamos muito longe de poder fazer um balanço das reformas que, no essencial, estão em fase de projeto e que, de resto, demorarão anos. Mas os sinais estão dados e a reforma da Cúria está em andamento. Durante um ano, de forma doce, Francisco demoliu hábitos com uma marcha de bulldozzer.

São muitos os temas, como a restauração da colegialidade ou a ascensão das mulheres aos cargos de decisão — “A outra metade do mundo não pode continuar a ser excluída”. E, entretanto, repensar a função pontifícia. Ou acabar com o “clericalismo” e com a Igreja fechada em si mesma.

O debate será duro. A Igreja não é monolítica. Nem o Papa pode tudo. Para lá dos conservadores dogmáticos, muitos aceitam que “tudo mude para que tudo fique na mesma”.

A jornalista Isabelle de Gaulmyn resume assim o problema: “Se o Papa Francisco conseguir renovar a Igreja, não será impondo mudanças doutrinais, mas indicando o modo de ser cristão.” Significa colocar “o Evangelho acima da doutrina”.A Igreja e a História

É bom ter presente uma perspectiva histórica. O cristianismo é diferente das outras religiões, escreveu o medievalista Jacques Le Goff, também biógrafo de S. Francisco, após a resignação de Bento XVI. “Primeiro o cristianismo distingue o que pertence a Deus e o que pertence a César, não confunde política e religião. Em segundo lugar, não obstante os atrasos e a lentidão, não obstante as crises que fustigam as religiões, ele soube sempre adaptar-se às mutações profundas do mundo. E creio que estamos a assistir a um destes acontecimentos plurisseculares característicos do cristianismo.”


*Trecho do editorial do Jornal Público de Portugal assinado por Jorge Almeida Fernandes.
Leia a íntegra em:   Um ano de pontificado: “Vai, Francisco, e repara a minha casa em ruínas”
Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

8 de mar. de 2014

Belas imagens do Carnaval de 2014

BRASIL - Mundo - Carnaval
Belas imagens do Carnaval 2014
Fotos das agencias de notícias sobre o carnaval do Brasil e do mundo

Foto:Marco Secchi / Getty Images

CARNAVAL DE VENEZA: Bela e elegantes foliã italiana, posa na Praça de São Marcos, inundada pelas águas, no último dia de Carnaval em 4 de março. Apesar de acabar no mesmo dia, o carnaval de Veneza, Itália, começou bem antes, havia folia desde 15 de fevereiro, com uma programação que inclui jantares de gala, desfiles, danças, bailes de máscaras e eventos musicais. A invasão da maré alta, no fim da festa, havia sido prevista e não causou maiores transtornos.

Foto: Tasso Marcelo Leal / AFP - Getty Images

TECNOLOGIA PORTELENSE: A águia da Portela voo sobre o sambódromo durante o desfile da escola, no sambódromo no Rio de Janeiro. A águia portelense era um drone, um exemplar adaptado e adornado, desses pequenos objetos voadores, não pilotados, usado pelo exército americano como mortal máquina de guerra. No carnaval do Rio virou alegoria de escola de samba

Foto: Eric Lalmand / AFP - Getty Images

PALHAÇOS BELGAS - Desfile dos “Les Gilles de Binche”, uma espécie de palhaços característico da cidade de Binche, na Bélgica. São em quase sua totalidade homens, formam grupos de até 1000 integrantes, todos vestidos com roupas coloridas, mascaras de cera e calçados de madeira. O carnaval de Binche acontece desde o século 14. Foi considerado pela UNESCO desde 2008, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Foto:Buda Mendes / Getty Images

SUA MAJESTADE - Evelyn Bastos, 20 anos, Rainha da bateria da Mangueira emocionou na passarela. A escola, acertadamente e com sucesso, dispensa celebridades e elege sempre filhas da comunidade, para o cargo, entregue quase sempre a celebridades televisivas em outras agremiações. Como numa dinastia, Evelyn é filha de Valéria Bastos, rainha em três desfiles nos anos 1980. Conta a lenda que Evelyn desfilou na barriga da mãe, grávida, em 1993. A rainha mangueirense é universitária está no terceiro período de Educação Física na Uerj. No vestibular, passou também para UFRJ e UFF, sem usar o sistema de cotas.

Foto: Katherine Coutinho/G1

BONECOS DE OLINDA - O desfile dos bonecos gigantes de Olinda, na terça-feira de Carnaval. Uma tradição originaria da Europa que ocupou as ruas de Olinda pela primeira vez, em 1932, com o desfile do boneco do Homem da Meia Noite, presente até hoje nos desfiles. Hoje são mais de cem bonecos, alguns originalmente famosos, como o Garoto da Tarde, a Mulher do Dia, e outros representando celebridades nacionais e internacionais, como Michael Jackson, Ministro Joaquim Barbosa, Luiz Gonzaga, Presidente Hugo Chávez, Nelson Mandela, Ariano Suassuna, Dominguinhos, Chacrinha, Alceu Valença, Elba Ramalho, Pelé, Renato Aragão e Jô Soares, entre outros.

Foto: Nelson Antoine / AP

CAMPEÃ 2014 – Imagem espetacular do desfile da Escola de Samba Unidos da Tijuca, que homenageou Ayrton Senna e venceu o carnaval deste anos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: NBC News, Wall Street Journal, O Globo, Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda

22 de fev. de 2014

O foragido Pizzolato possui imóveis de luxo na Espanha. Por acaso seria dinheiro do mensalão?

BRASIL - Mensalão
O foragido Pizzolato possui imóveis de luxo na Espanha. Por acaso seria dinheiro do mensalão?
Segundo apurou a Folha de São Paulo, um dos mensaleiros pé de chinelo, demonstra ter um cofre recheado, ao comprar durante a fuga, três imóveis no litoral da Espanha; dois deles avaliados em R$ 3 milhões. Isso sem recorrer a vaquinha.

Foto: Luisa Belchior/Folhapress

Imóvel registrado em nome de Andrea, mulher de Pizzolato, em Ronda del Golf, litoral da Espanha

Postado por Toinho de Passira

Fontes: Folha de São Paulo, Blog do Reinaldo Azevedo

O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato , antes de ser preso, comprou três imóveis -dois deles apartamentos em um condomínio de alto padrão-na cidade litorânea de Benalmádena, no sul da Espanha.

A compra dos imóveis foi descoberta pela polícia espanhola nas investigações para localizar Pizzolato, que passou mais de três meses foragido na Europa.

Os dois apartamentos comprados estão num condomínio chamado Urbanización Costa Quebrada, no distrito de Torrequebrada, ocupa o alto de uma colina, com vista para as águas do Mar Mediterrâneo, com piscina e entrada de visitantes controladas 24 horas por dia por um sistema de interfones e câmera. No folheto das corretoras consta que é um lugar onde se pode praticar esportes aquáticos como vela, golfe e mergulho, está a a menos de 50 m da praia. Com se vê, um luxo digno de um mensaleiro bem sucedido.

Caprichosos, Pizzolato e esposa, não satisfeitos com o tamanho original do imóvel, uniram os dois apartamentos em um só, antes de convertê-los em sua residência na Espanha.

Segundo a Folha de São Paulo, corretores de imóveis consultados, avaliaram que cada um dos apartamentos devem custar algo em torno de € 450 mil (equivalente a R$ 1,5 milhão).

Segundo Olga Lizana, chefe do grupo de localização de fugitivos da polícia espanhola, quinze dias antes da prisão do Pizzolato na Itália, a mulher dele, Andrea Haas, esteve no condomínio.

Mas a história não para aí, apesar de constar no cadastro de cidadãos estrangeiros residentes em Benalmádena desde 2010, o endereço registrado como o de moradia foi o de um terceiro apartamento, em outro condomínio, de classe média, que pode ser outro imóvel do mensaleiro, atualmente residente na penitenciária de Modena, no norte da Itália.

Segundo a folha, esse último imóvel está praticamente abandonado: ninguém atende ao interfone, e vizinhos contaram que no local vive um casal de sul-americanos que há meses não aparecia por lá.

Olga Lizana, comentou que o rastreamento de outros bens adquiridos por Pizzolato no país depende de um pedido formal das autoridades brasileiras. Na semana passada, a Folha de São Paulo revelou que o casal operou pelo menos três contas bancárias na Espanha.

Fotos: Estadão Conteúdo :: Polizia di la Provincia di Modena)

Pizzolato tal como era na ocasião da descoberta do mensalão, em 2005,
e no dia da prisão, a 5 de fevereiro, em Maranello

Reinaldo Azevedo no seu Blog comenta:

”Henrique Pizzolato é uma fonte permanente de desmoralização da mitologia inventada pelos petistas sobre o mensalão. Fico imaginando como devem se sentir os bananas que eventualmente tenham colaborado para a vaquinha dos mensaleiros…”‘

”Vale dizer: só nessa operação, o mensaleiro foragido gastou R$ 3 milhões. E pensar que José Dirceu, que era o chefe político dele, precisa pedir esmola paga pagar multa! Dá uma peninha, né?”

”Uma coisa ao menos a gente sabe: se for extraditado para o país, ele não precisará fazer vaquinha, né?”

6 de fev. de 2014

Boa Notícia: Henrique Pizzolato está no xilindró na Itália, mas...

BRASIL - Mensalão
Boa Notícia:
Henrique Pizzolato está no xilindró na Itália, mas...
O mensaleiro que abastecia o esquema de corrupção atráves do Banco do Brasil foi preso no interior da Itália. Considerado culpado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão, estava foragido. A má notícia é que apesar do Ministério da Justiça afirmar que irá pedir sua extradição para o Brasil, ele, que tem dupla nacionalidade, dificilmente sera entregue a justiça brasileira. Poderá cumprir pena na Itália, ou simplesmente ficar por lá, desfrutando de boa vida, impune para sempre

Foto:

O passaporte falso apreendido com Pizzolato, em nome do seu irmão,
Celso Pizzolato, morto há 36 anos

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Gazzetta di Modena, G1, Modena Today, ANSA, BBC Brasil, O Globo

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolato, 61 anos, preso na quarta-feira (5), na Itália, vai responder diante da justiça italiano, pelo uso de documentos falsos. Diversos documentos falsificados, além do passaporte, foram encontrados com Pizzolato no momento da prisão.

Pizzolato era o único foragido dos 25 condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão. Ele foi preso na manhã de quarta-feira em Maranello, na província de Modena, norte da Itália, em cumprimento a um mandado de prisão internacional, expedido pela Interpol, conhecido como difusão vermelha , a pedido das autoridades brasileiras.

Pizzolato foi preso em uma vila de casas em Pozza, bairro de Maranello, comuna a 320 km de Roma, conhecida por abrigar a fábrica de carros esportivos da Ferrari.

O foragido estava na companhia da mulher, Andrea Haas, que está sendo investigada pela Polícia Federal brasileira, suspeita de ter sido cumplice do plano de fuga do marido condenado. Ela o acompanhou em toda a fuga e comprou a passagem de avião que levou Pizzolato da Argentina a Barcelona. Ela estava com o marido nesta quarta, quando ele foi capturado na casa do sobrinho Fernando Grando, que é engenheiro da Ferrari.

Grando trabalha na empresa há nove anos e desenvolve motores para os carros da Fórmula 1. Outros parentes de Pizzolato também foram investigados pela PF durante as buscas por seu paradeiro.

Segundo deduziu Stefano Savo, comandante provincial da polícia de Modena, a decisão de se esconder na Itália foi bem planejada: o ex-diretor e a mulher tinham consigo 14 mil euros (R$ 45,4 mil), uma grande quantidade de comida e vários documentos emitidos por diferentes Estados e entidades internacionais. Entre eles diversos documentos de identidade (RG) emitidos em diferentes regiões da Itália. Ele usava um sobrenome similar ao original. Também foram achados documentos de identidade brasileiros e italianos já vencidos e um documento falsificado espanhol, feito antes de sua condenação no processo do mensalão.

Segundo a polícia local, que já monitorava Pizzolato, inicialmente ele negou ser quem era, mas depois confirmou a identidade ao perceber que havia sido reconhecido. O ex-diretor do BB foi levado para a prisão de Sant'Anna de Modena, acomodado numa cela com outros detentos.

De acordo com o chefe policial Savo, Pizzolato já tem um advogado que o representa em Modena.

PRISÃO

Os "carabinieri" (polícia italiana) seguiram a pista da localização de Pizzolato durante dois dias. Segundo as investigações, ele não trabalhava nem saía de casa.

Por volta das 11h (8h no horário de Brasília) de quarta-feira, um grupo formado por 10 policiais entrou no apartamento do ex-diretor, situado no andar térreo de um prédio no centro de Maranello.

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil chegou a negar sua verdadeira identidade ao ser abordado pelos policiais, informou a polícia italiana de Modena, mas consciente que havia sido reconhecio e não havia como escapar admitiu ser ele mesmo. Os policiais encontraram com ele um passaporte falso, em nome de Celso Pizzolato, irmão mais velho de Henrique, morto em um acidente de carro em 1978.

Com 570 pessoas, atualmente a prisão de Sant'Anna de Modena enfrenta superlotação. Sua capacidade total é de 450 pessoas.

Considerado culpado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro, o antigo dirigente do Banco do Brasil foi condenado pelos ministros do Supremo a 12 anos e 7 meses de prisão.


Procurado pela Interpol

FUGA PELA ARGENTINA

A Polícia Federal afirmou nesta quarta-feira (5) que Pizzolato fugiu do país pela fronteira com a Argentina dois meses antes de decretada sua prisão, em 15 de novembro de 2013.

Ele saiu de carro da cidade de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, e ingressou no território argentino provavelmente no dia 12 de setembro. Depois, percorreu 1,3 mil quilômetros até Buenos Aires, capital argentina.

As investigações da Polícia Federal demonstraram que o ex-diretor de marketing do BB embarcou para Barcelona, na Espanha, em um voo da Aerolíneas Argentinas. Da cidade espanhola, informaram os policiais federais, ele seguiu para a Itália.

Há informações que esse trecho da viagem foi feito por via terrestre e que um carro havia sido comprado na Itália, pela mulher de Pizzolato, para empreender a viagem. Foi esse veículo, localizado em Maranello que denunciou o esconderijo do foragido.

A Polícia Federal desvendou a rota da fuga porque no Aeroporto de Buenos Aires, para embarcar para o exterior, todo passageiro estrangeiro precisa tirar uma foto e deixar a digital registrada. Há dois dias, os investigadores descobriram que uma pessoa chamada Celso Pizzolato tinha ido para a Europa. Mas a digital e a foto que ficaram no arquivo eram de Henrique Pizzolato.

A Polícia Federal descobriu que Henrique Pizzolato tirou carteira de identidade, título de eleitor e CPF em nome do irmão em 2007, em Santa Catarina. Em 2008, ele usou esses documentos para tirar um passaporte brasileiro, se passando pelo irmão morto.

A DIFICIL EXTRADIÇÃO

O fato de Pizzolato possuir a cidadania italiana é o principal fator que dificulta uma eventual extradição, segundo Carlos Eduardo Siqueira Abrão, da Comissão de Direito do Refugiado, do Asilado e da Proteção Internacional da OAB-SP.

"O Brasil, por exemplo, tem uma legislação que proíbe a extradição de brasileiro nato. A Itália tem um dispositivo legal semelhante. Acho impossível que o Brasil consiga algum êxito (se pedir a extradição do condenado). A menos que seja comprovado que a nacionalidade dele é fraudulenta", afirmou Abrão.

O tratado de extradição firmado por Brasil e Itália diz que a extradição de pessoas de nacionalidade italiana é uma decisão facultativa a Roma.

Outro fator que também pode dificultar a extradição é o princípio da reciprocidade na diplomacia. Ou seja, ao decidir não extraditar em 2011 para a Itália o então prisioneiro Cesare Battisti, acusado pela Itália por quatro homicídios – em uma decisão política do Executivo –, o Brasil teria agora tratamento semelhante.


Pizzolato depondo na CPI do mensalão

OS DOSSIES DE PIZZOLATO

Henrique Pizzolato foi, muitas vezes, um petista com atuação no bastidor, apadrinhado pelos colegas que viviam sob os holofotes. A posição de coadjuvante foi mantida diante de uma fracassada campanha ao governo do Paraná em 1990, quando obteve menos de 5% dos votos. Foi diretor da Previ, bilionário fundo de previdência do Banco do Brasil, mas foi com escândalos em sua diretoria no banco e o mensalão que seu nome passou a ganhar destaque na imprensa.

Atrás das grades, depois de dois meses e meio foragido, Pizzolato, apega-se a um dossiê que, segundo amigos, poderia respingar em alguns políticos. Ninguém revela quem, mas ao que parece seria gente graudíssima, do Partido dos Trabalhadores.

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Pizzolato por entender que ele autorizou a liberação de R$ 73 milhões da Visa Net para a DNA Propaganda, de Marcos Valério, sem garantias dos serviços contratados. Ele teria recebido cerca de R$ 300 mil em espécie. Na época, ele comprou um apartamento por aproximadamente R$ 400 mil em Copacabana.

O ex-diretor disse que jamais embolsou o dinheiro e que não chegou a abrir o pacote, entregue no mesmo dia que recebeu a um emissário do PT, onde o recurso estava. Essa operação, dizem amigos de Pizzolatto, teria ocorrido em março de 2004, quando os petistas do Rio preparavam-se para as eleições municipais. Mas o nome do emissário nunca foi revelado.

Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Pizzolato chegou à diretoria de marketing da instituição em 2004, após ajudar na arrecadação para campanha presidencial de Lula em 2002. Era ligado ao secretário de Comunicação, o ex-ministro Luiz Gushiken, morto em setembro de 2013 e inocentado pelo Supremo.

Foi na conta de Gushiken e do ex-presidente do BB Cássio Casseb que Pizzolato pôs a culpa pela antecipação de pagamentos feitos pela Visa Net à DNA Propaganda, que teriam abastecido o esquema do mensalão. Embora a nota técnica com a autorização para a antecipação desses pagamentos tenha sua assinatura, ele alegou que consultou Casseb e Gushiken antes de assiná-la.

Em depoimento na CPI dos Correios em dezembro de 2005, Pizzolato disse que foi um “inocente útil” do PT. A verdade é que o ex-diretor nutria uma mágoa pelo partido que ajudou a fundar no Paraná. Sentia-se esquecido pelos companheiros, ofuscado por outras figuras envolvidas no escândalo, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino. Ao fim de seu depoimento à CPI, sua mulher, Andréa Haas, irritada, ameaçou:

— O PT vai pagar o que fez com ele.

Andréa não engoliu a falta de apoio ao marido e tentou fazê-lo pedir a desfiliação. Os amigos demoveram Pizzolato da ideia. O sentimento de mágoa é potencializado ao ver que petistas mais conhecidos recebendo doações para pagar suas multas. A que foi imposta por Pizzolato foi a maior entre todos eles: R$ 1,3 milhão (ainda sem correção).

O nome de Pizzolato veio à tona no escândalo do mensalão quando, em junho de 2005, a ex-secretária Fernanda Karina Somaggio o mencionou em depoimento ao Conselho de Ética. Ela disse que o então diretor mantinha um relacionamento estreito com Valério. Desgastado com o mensalão, Pizzolato se antecipou à decisão já tomada pelo governo de substituí-lo e apresentou seu pedido de aposentadoria em julho de 2005.

7 de dez. de 2013

O papa na mira da máfia

VATICANO - Papa Francisco
O papa na mira da máfia
Chefões de grupos criminosos italianos incomodados com as reformas anticorrupção do papa Francisco no Banco Vaticano já pensam em atacar o sumo pontífice

Foto: Giuseppe Ciccia/Demotix

ALVO FÁCIL? - Francisco cercado de seguranças e dentro do papamóvel: cena rara

Postado por Toinho de Passira
Texto de João Loes
Fonte: IstoÉ

Enquanto a maioria dos católicos celebra as reformas do papa Francisco, que, em nove meses de pontificado, goza de popularidade e aceitação raramente vistas entre os ocupantes do cargo, pequenos e poderosos grupos têm mostrado antipatia diante dessas mesmas mudanças. Um deles é a máfia italiana. “Os chefões cujo poder e riqueza vêm de ligações com a Igreja estão cada vez mais nervosos”, diz Nicola Gratteri, promotor-adjunto da diretoria antimáfia do Tribunal Regional da Calábria, no sul da Itália, e autor de cinco livros sobre o tema, sendo o mais recente lançado em outubro, com o título “Água Benta – a Igreja e a Ndrangheta: uma História de Poder, Silêncio e Absolvição” (Ed. Mondadori, 2013).

“Francisco está desmontando centros de poder econômico no Vaticano, e, se os mafiosos tiverem uma chance de dar uma rasteira nele, não hesitarão.” Desde que assumiu o trono de Pedro, em 13 de março, o papa Francisco impôs regras mais rígidas à gestão do Instituto para as Obras da Religião (IOR), também conhecido como Banco Vaticano. Depois de obrigar o banco a respeitar as leis que regem o funcionamento de qualquer instituição financeira internacional semelhante, ele montou uma equipe para acompanhar, diuturnamente, o funcionamento do órgão, comissionou o primeiro relatório sobre lavagem de dinheiro da história da instituição e, na semana passada, anunciou que seu secretário particular, o monsenhor Alfred Xuereb, supervisionaria todos os trabalhos no IOR, reportando-se diretamente a ele. Até o momento, ainda não está descartada a possibilidade de acabar com o Banco Vaticano, já que ele não cumpre mais a função estabelecida em seu estatuto.

Foto: Dario Pignatelli/PI/Glow Images

ALIADO - O monsenhor Alfred Xuereb, secretário particular do papa, será um informante do pontífice dentro do Banco Vaticano

O ódio dos mafiosos a Francisco vem do ímpeto do jesuíta em reformar uma instituição sobre a qual eles têm interesse particular e que sintetiza bem a ideia de “centro de poder econômico”. Criado nos anos 1960 com o intuito de facilitar o trânsito de bens e valores entre organizações católicas pelo mundo, o Banco Vaticano funcionou à margem dos rigores regulatórios impostos a praticamente todas as instituições similares, já que, em princípio, as transações seriam poucas e específicas. Mas, com o tempo, a fragilidade regulatória passou a atrair oportunistas, que, corrompendo religiosos, começaram a usar a estrutura do banco e sua blindagem religiosa para lavar dinheiro. E, sendo a Itália o berço da máfia como grande empresa do crime, não tardou para que os mafiosos percebessem a oportunidade que ali havia. Foi durante os anos 1980 que se viu o auge das promíscuas relações que se estabeleceram entre religiosos e mafiosos por meio do IOR. O exemplo do arcebispo Paul Marcinkus (1927-2006) é lapidar.

Foto: Dario Pignatelli/PI/Glow Images

Sede do Banco Vaticano

Como presidente do Banco Vaticano entre 1971 e 1989, Marcinkus, chamado frequentemente de “banqueiro de Deus”, se envolveu em boa parte dos grandes escândalos financeiros e criminais do país naquele tempo, sendo o maior deles a quebra do Banco Ambrosiano, o segundo grande banco privado da Itália, em 1982. À época, o Banco Vaticano era o maior acionista do Ambrosiano e, com a falência, acabou no olho do furacão das investigações. O que se descobriu foi uma verdadeira teia de corrupção instalada na instituição pontifícia, que envolvia lavagem de dinheiro da máfia, remessas ilegais de ativos e desvios de fundos. A trama engrossou ainda mais com a morte de Roberto Calvi, presidente do Ambrosiano, encontrado pendurado na ponte Black Friars, no centro de Londres, também em 1982. Embora inconclusiva, a investigação do assassinato sugeriu envolvimento da máfia italiana, que teria perdido muito dinheiro com a quebra da instituição, um dos parceiros na lavagem de ativos desse tipo de organização criminosa.

Foto: Vandeville Eric/ABACA/Newscom/Glow

ALERTA - Nicola Gratteri, promotor antimáfia desde 1989, foi quem revelou a ameaça ao pontíficeLEGENDA

Ainda que os mais escabrosos escândalos envolvendo o Banco Vaticano e os mafiosos tenham ficado nos anos 1980, durante os anos 1990 e 2000 a relação Igreja e máfia não deu sinais de ter arrefecido. Até o fim de 2012, por exemplo, graves acusações envolvendo casos de lavagem de dinheiro parecidos com as operações clássicas dos mafiosos ainda eram feitas por órgãos do governo italiano. Em 2010, 23 milhões de euros suspeitos da instituição (R$ 74 milhões) foram bloqueados durante meses pelas autoridades. “O mafioso que lava dinheiro e, dessa maneira, exerce seu poder, é o que se beneficia da conivência da Igreja”, afirma o promotor Gratteri. “São esses os que estão agitados (com a iminência das reformas propostas por Francisco)”, diz ele, que não conhece nenhum plano concreto que ponha em risco o sumo pontífice, mas acredita que a máfia já reflete sobre essa possibilidade.

Estima-se que, somadas, as transações envolvendo dinheiro sujo da máfia italiana cheguem à casa dos 100 bilhões de euros anuais, o equivalente a R$ 322,8 bilhões. É evidente que apenas uma fração dessa fortuna poderia ser lavada pelo Banco Vaticano, mas uma medida clara de Francisco para eliminar quaisquer chances de que isso aconteça teria efeito simbólico gigantesco. Seria o fim de uma relação obtusa e incoerente que, há décadas, alimenta a imagem de uma igreja que prega uma pureza moral que ela não segue. E Francisco, em sua cruzada contra a hipocrisia, parece disposto a acabar com mais essa.

Não são poucas as razões para a máfia se sentir ameaçada por ele. E, tratando-se de uma organização criminosa que tem um histórico de ameaças e assassinatos de religiosos (leia quadro), todo tipo de reação deve ser esperado. Ponderado, Gratteri acha difícil que os capos mandem alguém matar o papa. E, mesmo que a ordem venha, como pontífice, Francisco está sempre bem protegido por um séquito de seguranças muito bem treinados. E é bom que seja assim. Afinal, com jeito desprendido e determinado, o latino-americano não dá sinais de que vai parar depois de completar as reformas que anunciou já no primeiro ano de pontificado. Pelo visto, ainda serão muitos os interesses contrariados.

Foto: Vandeville Eric/ABACA/Newscom/Glow

PROFANO - O arcebispo Paul Marcinkus presidiu o Banco Vaticano entre 1971 e 1989,um tempo de escândalos, corrupção e morte

20 de nov. de 2013

Beijando cariosamente a Polícia de Choque

ITÁLIA - Protesto
Beijando cariosamente a Polícia de Choque
Manifestante italiana mostra como domar um policial da tropa de choque

Foto: Marco Bertorello / AFP - Getty Images

O carino atravessou a viseira e atingiu em cheio o policial

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Photo Blog - NBC News, AFP


Milhares de pessoas fizeram uma manifestação contra a construção de uma linha de trem de alta velocidade que vai passar pela pequena villlage Alpine.

A polícia estimou a multidão em 7000, enquanto os organizadores prometendo "sitiar esta pequena parte do país que se endividando milhões de italianos" colocam o número em 40 mil.

Eles planejam uma nova ação em Roma nesta quarta-feira durante uma cúpula franco-italiana com a presença do primeiro-ministro italiano Enrico Letta, seu colega francês Jean-Marc Ayrault e o presidente francês, François Hollande quando deverão anunciar o projeto.

Na terça-feira, a perfuração começou na vizinha Chiomonte para cavar um túnel de reconhecimento para o projeto controverso.

Os defensores da linha ferroviária de alta velocidade argumentam que ela vai livrar as estradas de um milhão de caminhões e evitar cerca de três milhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa a cada ano.

A linha vai reduzir o tempo de viagem entre Milão e Paris de sete para quatro horas.

O projeto, lançado em 2001, sofreu atrasos e agora está definido para a conclusão em 2025 ou 2026, a um custo total de 26 bilhões de euros (35000 milhões dólares), dos quais 8,5 bilhões de Euros destinam-se ao túnel transfronteiriço, que será de 57 quilômetros de comprimento.

A União Europeia vai pagar 40 por cento desse montante, ou 3,4 bilhões de euros, enquanto a Itália e a França irão financiar o restante.

Moradores e ativistas ambientais dizem que além de caro e desnecessário o projeto se realizado vai causar danos insanáveis no meio ambiente.

17 de nov. de 2013

FORAGIDO: Na calada da noite, a fuga do mensaleiro Henrique Pizzolato de Copacabana rumo à Itália

BRASIL - Mensalão
FORAGIDO: Na calada da noite, a fuga do mensaleiro Henrique Pizzolato de Copacabana rumo à Itália
Ex-diretor do Banco do Brasil, condenado por repassar 73,8 milhões para a agência de Marcos Valério, abandonou a cobertura à beira-mar para se esconder na Itália. Advogado acompanhou o primeiro trecho da viagem

Foto: Rodrigo Paiva/AE

Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, condenado por desvio de dinheiro público para o esquema criminoso do mensalão

Postado por Toinho de Passira
Texto de Pâmela Oliveira
Fonte:  Veja

Duas vezes por dia – nas primeiras horas da manhã e no início da noite – o morador da cobertura do número 46 da Domingos Ferreira era visto a caminho da Praia de Copacabana. De tênis e bermuda na primeira saída, e muitas vezes de chinelos, ao entardecer, Henrique Pizzolato percorria incógnito os 180 metros que separavam sua portaria das ondas em preto e branco desenhadas junto à areia. Ninguém importunava o homem que, findo o julgamento do mensalão, foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Pelo contrário: vizinhos, porteiros e até o guardador de carros da Domingos Ferreira consideravam aquele um senhor simpático, discreto, um morador exemplar.

Ser discreto e eficiente era o que se esperava do braço da quadrilha no Banco do Brasil – um quadro do PT no BB, que saltou de arrecadador de fundos da campanha de Lula para a diretoria de marketing do banco. No novo posto, Pizzolato autorizou o repasse de 73,8 milhões de reais do Fundo Visanet para a DNA Propaganda, de Marcos Valério. A campanha da Visanet nunca foi veiculada. A investigação indicou que ele teria, pelo serviço ao esquema, recebido 326.000 reais.

O valor é pouco inferior ao que foi oficialmente pago pela cobertura em Copacabana, em 2004, um mês depois de a dinheirama pingar na conta de Pizzolato. A partir daquele ano, ele e a mulher, Andréa, passaram a morar em um piso com piscina, churrasqueira, vista para o Cristo Redentor, o topo do Pão de Açúcar e a três minutos, a passos lentos, do Atlântico.

Há cerca de 45 dias, Pizzolato pôs em prática o plano que o levaria para o outro lado do oceano. O porteiro da noite estranhou o horário da caminhada, às três da madrugada, com duas grandes malas de viagem. Pizzolato não estava sozinho: acompanhavam o ex-diretor do BB o advogado Marthius Lobato e um outro defensor. Lobato disse, neste sábado, que foi surpreendido pela notícia de que seu cliente estava na Itália, e deu por encerrada sua relação profissional com Pizzolato “a partir do trânsito em julgado”.

Supõe-se que Pizzolato tenha viajado do Brasil ao Paraguai, para, da cidade fronteiriça de Pedro Juan Caballero – um entreposto dos traficantes brasileiros – escorregar por vias não oficiais até a Europa, valendo-se de sua dupla cidadania. Como um réu desse quilate no Brasil desaparece para brotar na Europa, passando por um país vizinho? Um dos delegados da PF envolvidos na tentativa de prender Pizzolato formulou a seguinte hipótese, logo depois de tomar conhecimento do paradeiro do condenado: como tem dupla cidadania, ele poderia ter se apresentado em um consulado italiano (certamente no Paraguai) dizendo ter perdido seu passaporte. A partir daí, a representação italiana se encarregaria de fornecer um novo documento para que seu cidadão retornasse ao país de origem.

Pizzolato quer ter, na Itália, um julgamento "justo e livre das pressões da mídia". Registrou ele, em nota: "Por não vislumbrar a mínima chance de ter um julgamento afastado de motivações político eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial".

O ataque “à mídia” e à Justiça foi a forma que o foragido encontrou de dar sua “banana” para os brasileiros – sua versão do punho em riste dos mensaleiros de mais alta patente, José Dirceu e José Genoino. Imprensa, mas imprensa mesmo, para ele, só a revista “Retrato do Brasil”. Tinha gosto especial por duas edições da publicação, cujos exemplares distribuiu a amigos, vizinhos, porteiros e até ao guardador de carros da Domingos Ferreira – este, sim, um retrato da realidade brasileira, cobrando migalhas para vigiar e afastar os ladrões dos carrões dos moradores de um dos bairros mais ricos do país. A propósito: Pizzolato e a mulher não tinham carros. Nem filhos.

Reprodução Revista Retrato do Brasil

Henrique Pizzolato, candidato a Governador do Paraná, ao lado de Lula, em 1990

O guardador de carros guardou as revistas, como recordação de seu contato mais próximo com o ilustre mensaleiro. “STF Também Erra!”, traz uma das capas distribuídas para a vizinhança da Domingos Ferreira. O conteúdo, como se deduz, é um amontoado de críticas às investigações do mensalão e, claro, à imprensa. O guardador de carros não critica o mensalão, nem Pizzolato, nem seus advogados. “Aquele (Lobato) me deu cinquenta reais para lavar o carro”, contou, horas depois de Marthius Lobato, o autor da doação generosa, confirmar oficialmente o paradeiro de seu ex-cliente.

Para os vizinhos, Andrea Pizzolato era mais calada do que o marido. Ele ainda contava piada e brincava, mas nos últimos meses estava muito abatido. “Entrava e saía do edifício com a cabeça baixa, quieto”, contou um porteiro. Visitas frequentes, só dos advogados. “Ela sempre subia com sacolas. Acho que ele não fazia compras do mês. Ultimamente, ele só saía para caminhar”, contou.

Depois do sumiço de Pizzolato, Andrea se manteve na cobertura. Os dois tinham ainda outro apartamento no bairro – ambos visitados por policiais federais na tarde de sexta-feira, quando começaram a ouvir de representantes do réu que ele se entregaria.

O casal sempre teve uma relação de união e cumplicidade. Andrea e Pizzolato se conheceram em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, quando cursavam arquitetura e começaram a namorar. Além dos advogados e de uns poucos amigos, o casal recebia esporadicamente os parentes do Sul – ela é gaúcha e ele, catarinense.

As visitas cessaram de vez há quinze dias. Também na calada da noite, Andrea desceu, certa noite, com três malas. “Ela não se despediu, não disse nada. Apenas pediu ajuda para descer as escadas até a rua e entrou em um táxi. Uma semana depois, começou o boato de que ela teria ido ao encontro do marido”, disse um dos porteiros. A Justiça e a polícia não perceberam nada.

17 de set. de 2013

Foi um sucesso a operação para colocar o navio Costa Concordia na posição vertical

ITALIA - Acidente Maritímo – Engenharia
Foi um sucesso a operação para colocar
o navio Costa Concordia na posição vertical
Aplausos, abraços e lágrimas quando a operação foi concluída e o Concordia foi posto na horizontal. Emoção dos engenheiros e técnicos enquanto as embarcações que participaram do resgate acionavam as sirenes comemorando

Foto: AFP/Getty Images

Quatro momentos da operação

Postado por Toinho de Passira
Fontes:  Reuters, NBC News, Corriere della Sera, BBC Brasil, Público

Equipes de resgate na ilha italiana de Giglio ergueram o navio de cruzeiro Costa Concordia nesta terça-feira, completando um dos mais complexos e caros projetos de recuperação de naufrágios em todos os tempos.

Em uma operação com 19 horas de duração, que terminou às 4h da manhã (23h de segunda-feira em Brasília), o navio de 114,5 mil toneladas foi endireitado por uma série de enormes cabos e deixado em repouso sobre plataformas submarinas artificias instaladas no leito rochoso do mar.

O sucesso da operação foi anunciado em um breve comunicado pelo chefe da Autoridade de Proteção Civil, Franco Gabrielli, enquanto dezenas de moradores, que viveram com os destroços da embarcação por mais de um ano, comemoraram com as equipes de salvamento.

Foto: Andrew Medichini/AP


Foto: Marco Secchi/Getty Images

A parte que estava submersa ressurge, danificada e enferrujada

"Acho que toda a equipe está orgulhosa do que alcançou. Muita gente disse que não poderia ser feito", disse Nick Sloane, engenheiro sul-africano que participou da coordenação da operação.

O Concordia, um navio de 290 metros de comprimento que transportava mais de 4.000 passageiros e tripulantes, bateu e tombou na costa italiana, matando 32 pessoas, em 13 de janeiro de 2012. O navio chegou muito perto de terra e atingiu rochas pontiagudas, que fizeram um rasgo no casco da embarcação.

A operação de resgate tem um custo estimado em mais de 600 milhões de euros (795 milhões de dólares) --valor superior a metade do prejuízo coberto por seguros, que ultrapassou 1,1 bilhão de dólares.

Foto: Tony Gentile/Reuters

Agora o desafio é fazê-lo flutuar até o local do desmanche


Veja no vídeo da BBC Brasil, uma animação mostrando, em um minuto, a operação de resgaste que durou 19 horas


Leia mais no “thepassiranews”:
Começou nesta segunda, operação para erguer o navio Costa Concordia

Leia tudo que foi publicado no “thepassiranews” sobre o Costa Concordia

16 de set. de 2013

Começou nesta segunda, operação para erguer o navio Costa Concordia, um ano e meio após o acidente

ITÁLIA - Acidente Maritímo – Engenharia
Começou nesta segunda, operação para erguer o navio Costa Concordia, um ano e meio após o acidente
A manobra para pôr o gigantesco navio, tombado, de volta a posição vertical, é considerado a maior operação de engenharia naval da história e deve levar vários meses. O acidente, ocorrido no dia 13 de janeiro de 2012, deixou 32 mortos entre os 4 mil passageiros e tripulantes que estavam a bordo.

Foto: Filippo Monteforte/AFP/Getty Images-

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, the Daily Best, Veja, The New York Times, Rádio França Internacional

Começou nesta segunda-feira a maior operação de engenharia naval da história: desvirar o Costa Concordia, um gigantesco navio de 114.500 toneladas, que na noite de 13 de janeiro de 2012, atingiu um rochedo perto da costa e encalhou com 4.229 pessoas a bordo, incluindo 3.200 turistas. Trinta e duas pessoas morreram, mas dois corpos nunca foram encontrados. O naufrágio ocorreu próximo à pequena ilha de Giglio, na Toscana.

A operação de "parbuckling", termo técnico com o qual se conhece o sistema com o qual se fará a rotação de 65 graus para que o navio volte a ficar em posição vertical, deve durar no mínimo 12 horas teve início com algumas horas de atraso em relação à prevista, devido a um forte temporal durante a noite.

Foto: Tony Gentile/Reuters

A tempestade de ontem à noite, retardou o inicio da operação

A expectativa pelo início da operação levou mais de 500 jornalistas, procedentes de todo o mundo, à pequena localidade no oeste da Itália para acompanhar ao vivo a operação que deve desvirar a embarcação de com 290 metros de comprimento e cerca de 70 metros de altura. A operação será realizada pela sociedade americana Titan Salvage e pela italiana Micoperi. Cerca de 500 pessoas trabalharão para devolver o navio à posição vertical em cerca de doze horas.

O comissário extraordinário para a emergência do Costa Concordia e chefe da Defesa Civil italiana, Franco Gabrielli, assegurou que tudo correrá bem e que a prioridade após endireitar o cruzeiro será a busca dos dois corpos que ainda não foram recuperados, a passageira Maria Grazia Trecarichi e o membro da tripulação Russel Rebelli.

Mesmo após desvirado, o Costa Concordia permanecerá na Ilha de Giglio até o ano que vem, quando começará sua viagem final até um porto próximo, no qual o navio será desmontado – em seguida, será vendido como sucata.

Ilustração BBC Brasil

A operação de "parbuckling" é muito delicada pois há partes do navio que precisam ser compensadas para evitar a deformação ou rompimento do casco. Quando estiver na posição vertical, a embarcação receberá quinze novas boias estabilizadoras, iguais as já instaladas na parte esquerda do casco.

Cinco réus foram condenados no julgamento do naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia. As penas variam de dois anos e dez meses a um ano e seis meses de prisão.

Entre os condenados, quatro estavam à bordo do navio no momento da tragédia e o quinto é o diretor da unidade de crise da Costa Crociere, Roberto Ferrarini. As condenações foram por homicídio culposo múltiplo, naufrágio e negligência. As punições foram consideradas relativamente brandas para os crimes devido ao acordo feito pelos acusados com a Justiça, ao se declararem parcialmente culpados.

Apesar da condenação, não deverá haver prisão, já que as sentenças de menos de dois anos foram suspensas. Nas mais longas, cabe apelação, com a possibilidade de serem substituídas por serviços comunitários, informaram fontes judiciais. "O que as famílias das vítimas vão pensar? Isto é verdadeiramente decepcionante", disse Daniele Bocciolini, advogado das vítimas.

Apenas o capitão Francesco Schettino ainda está em julgamento - iniciado na última quarta-feira. Schettino, de 52 anos, será julgado por homicídio culposo e por causar a perda do navio, que atingiu uma rocha perto da ilha toscana de Giglio, provocando uma evacuação caótica de mais de 4.000 passageiros e tripulantes. Ele também está buscando fechar um acordo para reduzir uma possível pena de prisão.

O coordenador de crise da dona de navios Costa Cruises, Roberto Ferrarini, recebeu a sentença mais longa, de dois anos e 10 meses, seguido pelo gerente de serviços de cabine Manrico Giampedroni, condenado a dois anos e meio.

Na quarta-feira, os advogados de Schettino ofereceram aceitar uma sentença de três anos e cinco meses, em troca de uma confissão de culpa. A oferta anterior, para servir três anos e quatro meses, foi rejeitada em maio e ele arrisca uma sentença muito mais pesada se não fechar um acordo. As audiências devem ser retomadas em setembro. O comandante é acusado de abandonar o navio antes do resgate de todos os tripulantes e passageiros.

Foto: Vincenzo Pinto/AFP/Getty-Images

Turistas, curiosos e jornalista, assistem a operação

Foto: Alessandro Bianchi/Reuters

Vista aérea da cena da operação Costa Concordia