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11 de set. de 2012

O escândalo da ginasta prostituta

ROMÊNIA
O escândalo da ginasta prostituta
A ginasta romena Florica Leonida, que até 2007 participava, com certo sucesso, da equipe de ginasta do país, foi descoberta exibida em site de bordeis alemães, sendo oferecida como um “parque de diversão erótico”

Foto: Erotik Park

Foto da atleta romena num site de um bordel alemão

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Telegraf, Alte Sporturi, Babol , Uol, IG, Libertatae, Tabu, RTV, Demorgen, Terra, Erotik Park

Neste fim de semana não se falou outra coisa na Romênia, com direito a primeira página nos jornais e debates na TV: a imprensa local descobriu que a ex-ginasta Florica Leonida, de 25 anos, que largou as competições atléticas em 2008, enredou pela carreira de prostituta de luxo na Alemanha. Muitas fotos da moça foram encontradas em sites de acompanhantes.

Na Romênia terra da lendária atleta olímpica Nadia Comaneci, a ginastica é um esporte importante e as atletas são consideradas verdadeiros símbolos nacionais.

O site de acompanhantes "Erotik Park" da cidade de Neu-Ulm, uma localidade alemã de 50.000 habitantes, na Baviera, oferece os serviços sexuais de Florica Leonida, sob o pseudônimo de Ina, exibindo sensuais e despudoradas fotos da atleta.

Foto: Captura de tela

O site Erotik Park continua oferecendo os serviços de Florica Leonida, sob o pseudônimo de INA.

Diz o site do bordel que ela é uma “peça perfeita em um jogo perigoso, onde não há regras!". Um parque de diversão erótico. Comenta que ela tem um passado de atleta e apenas 1,50 m de altura, é delicada, cheia de erotismo, com seios firmes e naturais, cabelos longos pretos e sedosos, olhos grandes e amendoados e lábios sensuais. Oferece alguns serviços especiais, como massagens e sexo oral extravagante, realça que ela tem fetiche por pés. Ao final do currículo menciona que ela fala inglês e espanhol (além do alemão e romeno).

Criada em um bairro modesto em Bucareste, a ginasta Florica Leonida é popular entre os vizinhos devido os seu passado de atleta famosa.

A família de Florica reside há muito em um modesto bloco de apartamento de oito andares no distrito Militari Gorjului, em Bucarest.

Alguns dos vizinhos, comentaram com a imprensa que há algum tempo suspeitavam que alguma coisa estivesse errada, com a moça, pelas roupas caras e extravagantes e carros de luxo, que a moça exibia nas suas visitas de férias à família.

Foto: Erotik Park

A atleta de apenas 1,50 m de altura, estatura típica de altletas da ginástica , é chamada no site do bordel de “parque de diversão erótico”

Segundo o diário alemão Bild , Florica Leonida, teve uma carreira promissora como júnior: foi campeã europeia na trave de equilíbrio e vice no individual geral, no solo e por equipes em Patras, em 2002. Na categoria principal, ainda obteve a medalha de prata no Mundial de Anaheim, em 2003, e no Campeonato Europeu de Solos, em 2006, sempre na disputa por equipes.

De acordo com o jornal, Leonida deixou a Romênia "em busca de uma vida melhor" rumo à Alemanha e deixou entender à família que havia passado a trabalhar em uma academia ao lado de um treinador de ginastas.

Descrita como um produto de consumo: delicada, cheia de erotismo, com seios firmes e naturais, cabelos longos pretos e sedosos
O diário romeno Libertatea destaca que a família da ex-atleta diz-se surpresa com a notícia, o pai de Florica envergonhado com a repercussão do caso, planeja se transferir para o Canadá, onde têm parentes.

Apurou-se que Leonida chegou a Ingolstadt, na Baviera, em 2008, mas não conseguiu emprego estável e passou por dificuldades, sendo inclusive sido despejada da casa onde morava por falta de pagamentos.

Em meio a esse contexto, teria recebido um convite para trabalhar em uma casa de prostituição da qual um ex-namorado havia sido empregado, iniciando então sua trajetória no ramo.

Em tempos de crise econômica, de acordo com o site Roman in Germania, o mercado de sexo legal na Alemanha, a atleta romena está inserida, tem catalogado cerca de 400.000 pessoas, entres mulheres e homens. As prostitutas em atividades na Alemanha possuem carteira de trabalho, seguro médico e periodicamente são submetidas a rigorosos exames de saúde.

A receita anual dos bordeis, legais, é estimada em 14 milhões de euros, algo como R$ 35 milhões, depois de descontado quase 2,5 milhões de euros (R$ 6,25 milhões) de taxas pagas ao governo no valor de.

Segundo ainda o site, a Roménia é "exportada" de prostitutas para vários países da Europa.

Foi o destino quea acabou levando a jovem ginasta à rede de prostituição e a uma celebrização que não queria desfrutar.

Foto: B. Schowall

Florica Leonida, na sua ultima participação como ginasta, numa competição em Stuttgart, na Alemanha, em 2007. Um site maliciosamente legendou essa foto, dizendo que a flexibilidade e elasticidade atléticas, certamente, a estavam ajudando na nova profissão.


9 de set. de 2012

O escândalo das vaginas

BRASIL – Comportamento - Opinião
O escândalo das vaginas
Não entendi a comoção em torno da plástica íntima. Não entendo em que elas são eticamente diferentes de uma plástica de nariz. Ou de barriga. Ou de seios. Se a gente já se acostumou com peitos que balançam como bolas de borracha, por que fazer caso de minúsculas lacerações do tecido vaginal?


Espécime de Orchidaceae Phalaenopsis

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ivan Martins
Fonte: Revista Época

Fomos informados pela imprensa, alguns dias atrás, que cresce exponencialmente no Brasil o número de cirurgias estéticas de vagina. As mulheres que têm lábios vaginais muito grandes estão pagando cerca de três mil reais para reduzi-los às proporções da moda, que são modestas e delicadas. Se eu entendi direito, em vez de um botão de rosa aberto ou semiaberto, elas querem um botão cerrado. Acham mais bonitinho.

A notícia provocou o barulho de sempre. As moças engajadas foram às redes sociais dizer que esse tipo de operação representa uma violência social inaceitável. Os homens que amam as mulheres declararam seu amor incondicional a qualquer forma sagrada de vagina. Em dois minutos, apareceram dezenas de médicos explicando como a operação – embora simples e rápida – exige uma recuperação cuidadosa (um mês sem sexo!) e acarreta dois riscos sérios: infecção e perda de sensibilidade vaginal, por dano ao tecido nervoso.

Confesso que, neste tipo de assunto, estou me tornando um pessimista.

As pessoas farão coisas cada vez mais malucas com seus corpos, não importa o que a gente ache ou diga. Acredito que isso exterioriza o enorme mal estar interior com elas mesmas, que precisa ganhar forma de algum jeito. Se puderem redesenhar seus corpos – da forma como não conseguem alterar seus sentimentos – farão isso cada vez mais agressivamente, sob qualquer desculpa, inclusive a de se tornar mais atraentes. Temo que no futuro vivamos num livro de ficção científica de Willian Gibson, em que os personagens têm olhos cor de rubis, vaginas artificiais nas coxas e carregam clitóris embaixo dos braços. Eu chamaria isso de inferno, mas muitos acharão que é o paraíso.

Dito isso, e talvez por ser um pessimista, eu não fiquei escandalizado com as cirurgias estéticas de vagina. Não entendo em que elas são eticamente diferentes de uma plástica de nariz. Ou de barriga. Ou de seios. Se a gente já se acostumou com peitos que balançam como bolas de borracha, por que fazer caso de minúsculas lacerações do tecido vaginal? Pergunto aos meus botões ignorantes se uma lipoaspiração é menos nojenta, agressiva, perigosa ou de qualquer maneira menos fútil que uma plástica corretiva na vagina – e não recebo deles resposta satisfatória.

Sendo homem, tampouco faço ideia de como seja estar insatisfeito com a própria vagina, achá-la desengonçada, pelancuda, feia. Já ouvi mulheres com esse sentimento e elas me pareceram tristes. Minha primeira impressão é que o amor e o desejo dos parceiros deveriam ajudar a colocar isso de lado, mas talvez em alguns casos essas atenções faltem, ou sejam insuficientes. Deve haver situações em que a modificação do corpo seja mais que mera estupidez ou frivolidade, e talvez um psicólogo seja a pessoa adequada para ajudar a determiná-las.

Embora eu não saiba nada sobre os sentimentos da vagina, sei como os homens se sentem em relação ao pênis.

Milhões vivem profundamente insatisfeitos com a forma e, sobretudo, com as dimensões que receberam da natureza. Se houvesse a certeza de mudar essa situação com uma cirurgia de três mil reais, de curta duração e baixo risco, tenho certeza de que muito se atirariam a ela como loucos - desesperados e famintos. Quem, sendo homem, sabendo como cada um de nós se sente em relação ao próprio pênis, diria a outro homem que não fizesse por si mesmo essa graça? Mas não existe uma cirurgia segura que ofereça a prodigalidade peniana. Portanto, estamos livres para rir, julgar e invejar as mulheres.

Não quero com isso endossar de forma nenhuma as plásticas vaginais. Já disse que acho esse modismo uma expressão da nossa coletiva (e inexorável) maluquice. Mas tampouco fico confortável vendo as pessoas que fazem esse tipo de procedimentos sendo estigmatizadas. Acho patético que uma sociedade que foi tão longe em incentivar o flagelo corporal das mulheres em nome da beleza se volte coletivamente contra a mais recente manifestação da sua própria loucura – apenas outro sintoma, sutil e delicado, de que coisas muito mais importantes estão erradas.


Ivan Martins é editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA) .
*Acrescentamos subtítulo e foto a publicação original